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ELEVADA PARA DESCER À TERRA

 

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

Maria foi elevada ao Céu para sua glorificação e para cuidar de nós, para «descer» à Terra e amparar, com a sua omnipotência suplicante, cristãos e não cristãos, tanto aqueles que sabem ser seus filhos, como os que o ignoram. «Vem» como intercessora e distribuidora das graças divinas e vem sensivelmente em múltiplas Aparições para nos transmitir importantes mensagens e avisos divinos. Só os rejeitam os que não creem no poder e no amor de Deus e no Seu respeito pela liberdade com que nos dotou: que foi precisamente para O amarmos individualmente e nos amarmos uns aos outros.

E, se o próprio Criador elogiou Job pela impertinência filial com que Lhe pedia explicação dos males que lhe enviara; se os próprios salmistas se interrogam e queixam, com igual confiança, dos aparentes abandonos de Senhor; também a piedade popular, e até litúrgica, nos permite dirigir-nos a Nossa Senhora com atrevimento filial: «Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer!...»; «Mostra que és Mãe!»

 

É difícil esquecer a imagem de uma menina, muito penteadinha, dos seus quatro anos, subida a um banco da Basílica do Sameiro, pejada de fiéis, e que bate o pé, chamando a mãe, que se tinha perdido: - «Mãe!» A menininha não choramingava; zangava-se com aquela mãe distraída que nunca mais aparecia! - «Mãe!», e batia o pé uma e outra vez. - «Mãããe!» Até que a pobre mãe aflita aparece, estendendo os braços, com a alegria de descobrir finalmente a filhinha. A menina é que não achou graça nenhuma àquela demora, e continuou zangada, tomando ela a mão da mamã e levando-a atrás de si.

Não imagino o que será feito desta menina com tanto génio, mas há momentos em que nos «devemos zangar», como ela, com a nossa Mãe do Céu, sem nos resignarmos a ser desatendidos, pensando: «Se Nosso Senhor permite estes males (e que grandes males correm hoje no mundo!) é porque talvez assim convenha…»  Pois então, aconselhava S. Josemaria, continuemos a rezar, teimosos… para «que não convenha!»

Ou talvez cessemos de pedir, porque decerto não o merecemos. Mas os meninos não querem saber de merecimentos; querem que mãe lhes faça a vontade! E, já dizia Santo Agostinho, «aquilo que (Deus) nos nega sorrindo, acaba por dar-nos, zangado». O menino quer um gelado – que lhe faz mal, diz a mãe, sorrindo -, mas, pela teimosia do filhito, acaba por lho dar, «zangada».

Não podemos conformar-nos com os horrores que correm no mundo e aqui mesmo, na nossa e sua terra: «Mãããe!» É altura de bater o pé!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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