aCONTECIMENTOS eclesiais

 

 

DO MUNDO

 

 

Mali:

A vida pelos outros

 

Fez dia 7 de Fevereiro exatamente 1095 dias desde que a Irmã Gloria Narvaez Argoti foi raptada por jihadistas na missão franciscana onde vivia, em Karangasso, no Mali. Não se sabe onde está, não se sabe como está. Mas no Mali todos recordam esta irmã como uma verdadeira heroína. No dia do ataque, ela ofereceu-se aos terroristas para ser levada por eles em vez de outra irmã mais nova.

Desde setembro de 2018 que não há qualquer notícia sobre a Irmã Gloria Cecilia Narvaez Argoti, uma colombiana, de 57 anos de idade, que pertence à Congregação das Franciscanas de Maria Imaculada. Nessa altura, foi divulgado um vídeo com a irmã e onde aparece também uma outra refém, a médica francesa Sophie Petronin. A irmã Gloria aparece a solicitar a ajuda do Santo Padre para a sua libertação, agradecendo-lhe por “se ocupar” do seu caso e pedindo-lhe também para não se esquecer da situação da “senhora Sophie Petronin, porque ela está muito doente”.

O vídeo termina com a religiosa a dizer que “faz todos os dias” a mala e prepara as suas coisas, pois “aguarda todos os dias” também pela sua libertação. Desde então, já passaram cerca de 20 meses. Vinte meses de silêncio.

Dois videos anteriores foram entendidos também como “prova de vida” que os terroristas estariam a produzir para o exterior, alimentando a expectativa de que as autoridades teriam estabelecido linhas de contacto para eventuais negociações com vista à libertação da irmã e dos outros reféns. Negociações que envolveriam pelo menos quatro países: Colômbia, França, Espanha e Vaticano.

 O primeiro vídeo – divulgado pelo auto-proclamado “Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos”, uma organização terrorista ligada à Al Qaeda –  é disso exemplo, pois são filmados, além da irmã, outros cinco reféns estrangeiros, entre os quais Beatrice Stockly, uma missionária suíça e a francesa Sophie Petronin.

O ataque. O ataque dos jihadistas de 7 de fevereiro de 2017 à casa das irmãs franciscanas em Karangasso revelou toda a coragem da Irmã Gloria. Os pormenores do que aconteceu nesse dia seriam conhecidos mais tarde. Mal entraram na casa, os terroristas apontaram uma arma à irmã mais nova da comunidade, dizendo que a iam levar. Então, a Irmã Gloria, apercebendo-se que se tratava de um rapto e não de um assalto, pediu para a levarem em vez da outra religiosa. Esse gesto de caridade heroica revelou muito da sua personalidade. Para as populações locais, o rapto revelou-se estranho e até inexplicável. Como é possível fazer-se mal a um punhado de mulheres consagradas a Deus e ao próximo, e que estavam ali apenas a ajudar em áreas bem necessárias, como o apoio na saúde, na alimentação e na alfabetização? (Sobre um texto de Paulo Aido).

 

Itália:

Pandemia provocou a morte de 11 padres

 O impacto do novo coronavírus na Itália, país mais afetado pela pandemia na Europa, fez-se sentir também na Igreja Católica, com o falecimento de 11 sacerdotes devido ao Covid-19.

Segundo a agência de notícias ACI, a maior parte dos padres vivia na Lombardia; outros padres estão em quarentena, grupo a que se soma o bispo de Cremona, D. Antonio Napolioni, e o de Bérgamo, D. Francesco Beschi.

Num depoimento divulgado pelo portal de notícias do Vaticano, o bispo de Cremona convida a viver este período de Quaresma “dramaticamente dura, mas precisamente, por isso, perfeita”.

Em comunicado, a Conferência Episcopal referiu que este período é “de grande responsabilidade” e “proximidade ao país”.

 

Austrália:

Igreja Católica criou rede de solidariedade

para enfrentar incêndios e catástrofes naturais

 

A Conferência Episcopal da Austrália criou uma rede católica de solidariedade contra incêndios e catástrofes naturais, para reforçar o sistema de colaboração, após os incêndios que estão a afetar o país.

“A nossa resposta aos incêndios e à seca que agravou os incêndios demonstrou mais uma vez o poder coletivo da Igreja Católica em responder às dificuldades de uma forma ou outra”, disse o presidente da Conferência Episcopal Australiana, o arcebispo Mark Coleridge.

Segundo os bispos do país, a Catholic Emergency Relief Australia – C.E.R.A quer ser “um ponto de coordenação para todas as agências católicas no setor de solidariedade”, as paróquias, congregações religiosas, as agências de serviço social, as escolas, hospitais e centros de acolhimento para a comunidade.

D. Mark Coleridge, arcebispo de Brisbane, assinalou que a Igreja Católica é constituída por “pessoas, famílias, paróquias, comunidades escolares” que “proclamam e vivem o Evangelho de Jesus” nos seus territórios, mas são valorizados na sua “dimensão universal”.

O Papa Francisco evocou no Vaticano as vítimas dos incêndios na Austrália, manifestando a sua proximidade a uma região “flagelada”, no encontro anual com os membros do corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, no dia 9 de janeiro.

 

Etiópia:

Um homem feliz

 

Numa região remota da Etiópia, um padre nigeriano está a revolucionar a vida dos Borana, uma tribo situada no sul do país. Para o Padre Kenneth Iwunna, este é o melhor lugar do mundo. Mesmo ficando longe, quase perdido no mapa, é um lugar que está cada vez mais perto do Céu. Por ali, são cada vez mais os que se deixam fascinar por Deus através das palavras deste padre espiritano.

Tem 45 anos e está onde sempre sonhou. Mesmo ainda antes de saber escrever, o jovem Kenneth já se imaginava a imitar o padre que todos os dias ia à sua aldeia na Nigéria para celebrar a Missa. Quando já estava no seminário, Kenneth conheceu outro sacerdote. Vinha da Etiópia. Foi outro deslumbramento. Nessa altura, a vontade de ser padre juntou-se ao desejo de ir para a Etiópia. Um sonho que se misturava com aventura. “Não sabia nada sobre o país, mas ainda assim queria ir para lá. Antes de sermos ordenados sacerdotes, fomos autorizados a escolher três lugares no mundo onde gostaríamos de servir. E eu escrevi a Etiópia como minha primeira e segunda escolha e só a Nigéria como terceira…”

Fizeram-lhe a vontade. O padre Kenneth Iwunna foi enviado para a terra dos Borana, uma tribo nómada que vive desde há séculos na região sul da Etiópia. “A minha primeira impressão foi que a região era extremamente remota. Mas trabalhar em regiões longínquas onde a Igreja está presente faz parte do carisma da nossa ordem….

Viajar nesta região sul da Etiópia revelou-se também uma aventura. “As estradas são péssimas e só se chega à maioria das aldeias a pé, de mota ou de bicicleta. Às vezes, tenho que viajar 25 a 30 km. Muitas vezes, tenho que atravessar a floresta, onde há leopardos, cobras enormes e hienas…”. No entanto, nada disto tira o sorriso ao Padre Kenneth.

Desde há sete anos que vê crescer a semente boa que todos os dias vai largando naquelas terras áridas. Com a ajuda da Fundação AIS, tem desenvolvido algum trabalho junto dos jovens, dos casais e muito particularmente na promoção das mulheres. “A tradição proíbe-as de fazer qualquer coisa fora de casa. A Igreja tem vindo a ajudá-las, oferecendo-lhes a oportunidade de se tornarem catequistas e de ensinarem os outros, especialmente os mais novos”, diz-nos o padre espiritano. “Também incentivamos as meninas a irem à escola. Isso levou a um declínio nos casamentos precoces. Nós acreditamos na evangelização através da educação.”

Alegria contagiante. A educação tem vindo a fazer também o seu caminho e são já vários os jovens que querem seguir a vida religiosa. Duas raparigas da tribo dos Borana já manifestaram esse desejo e cinco rapazes sonham também imitar o Padre Kenneth. Além disso, graças a um projecto apoiado pela Fundação AIS, todos os anos cerca de uma centena de jovens participam num programa pastoral que é, acima de tudo, uma oportunidade para descobrirem que há mundo além das aldeias onde vivem. “Para eles é importante reunirem com jovens de outras tribos e conversarem. Podem não falar a mesma língua, mas haverá sempre alguém para os ajudar”, explica o Padre Kenneth. Jovens, crianças, homens e mulheres, todos têm vindo a ser contagiados pela alegria deste sacerdote.

Numa região remota no sul da Etiópia, um padre nigeriano está a revolucionar a vida dos Borana e é, também por isso, um homem feliz. (Sobre um texto de Paulo Aido).

 

Nigéria:

Jovem seminarista foi assassinado, após semanas de sequestro

 

Um jovem seminarista católico foi assassinado, após ter sido sequestrado a 8 de janeiro com outros três colegas, entretanto libertados, anunciou D. Matthew Hassan Kukah, bispo de Sokoto.

“Com pesar no coração, informo que o nosso querido filho Michael foi assassinado pelos bandidos, numa data que não podemos confirmar. Ele e a esposa de um médico foram arbitrariamente separados do grupo e mortos”, assinalou o responsável católico, em comunicado.

A informação foi divulgada pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre e o grupo de comunicação ACI, especializado em informação sobre a Igreja Católica.

Michael Nnadi, de18 anos, foi sequestrado no Seminário do Bom Pastor em Kaduna, no centro da Nigéria, juntamente com Pius Kanwai (19), Peter Umenukor (23) e Stephen Amos (23).

A identidade do grupo que levou a cabo o ataque não é público, mas estima-se que esteja em causa a ação de um bando criminoso que procura extorquir dinheiro, afastando o envolvimento dos grupos radicais islâmicos que perseguem os cristãos naquele país africano.

 

Brasil:

Vaticano confirma que o processo de beatificação do P. Léo começou

 

Fundador da Comunidade Bethânia e muito reconhecido pelas suas pregações, o padre Léo era um sacerdote brasileiro que reunia multidões por onde passava e que, após uma trajetória de sofrimento e superação, partiu desta vida em 2007, aos 45 anos, vítima de infecção generalizada em decorrência de um câncer.

No mesmo ano da sua morte, já começaram os depoimentos a respeito da sua santidade. Após a missa de corpo presente, monsenhor Jonas Abib, que presidira a cerimônia, declarou que o padre tinha sido um “diamante lapidado”. Desde então, a Comunidade Bethânia passou a receber pedidos de oração e graças pela intercessão do Pe. Leo. O atual presidente da comunidade, pe. Vicente de Paula Neto, comenta: “Como quem faz o santo é o povo, passamos a olhar com mais atenção”.

De facto, o pe. Vicente acrescenta que, em vistas de um futuro processo de beatificação, começaram a ser cuidadosamente preservados todos os pertences e objetos que eram do Pe. Léo.

Em 2017, o processo de beatificação foi autorizado pelo arcebispo de Florianópolis, D. Wilson Tadeu Jönk. O responsável pela causa, no Brasil, é o Pe. Lúcio Tardivo, presidente do Instituto Padre Léo.

Agora, em fevereiro de 2020, o Vatican News, site informativo oficial do Vaticano, publicou matéria intitulada “Tem início em março processo de beatificação do padre Léo“.

Outro fato importante que levou a comunidade a ver o processo de beatificação como um caminho sem volta foi o relato de uma graça alcançada pela família de uma menina acometida de septicemia: ela teve uma paragem respiratória de cerca de 45 minutos e, logo depois, ficou inexplicavelmente curada. A família atribuiu a cura à intercessão do sacerdote.

O P. Leo deixou 27 livros escritos e muitas horas gravadas de pregações dirigidas à cura interior, já que realizava grande parte do seu ministério sacerdotal através de programas na TV Canção Nova.

 

Paquistão:

40 cristãos libertados após cinco anos dos tumultos em Lahore

 

Cinco anos depois dos tumultos em Lahore, no Paquistão, 40 cristãos, na altura acusados injustamente, foram libertados no fim de janeiro, informa AIS

O presidente da Comissão Justiça e Paz do Paquistão, o padre Emmanuel Yousaf afirmou, em declarações à AIS tratar-se de “um grande dia”, afirmando a união de tantas pessoas que “diariamente rezavam para que o tribunal decidisse a favor”.

Os ataques a 15 de março de 2015 à igreja de São João, em Youhanabad, e contra uma igreja protestante, da responsabilidade de dois bombistas suicidas, vitimaram 15 fiéis, deixando feridos cerca de 70 pessoas.

“Após os atentados, houve uma série de tumultos com a população local a protestar pelos contínuos ataques e abusos que se vinham verificando contra a comunidade cristã. Na sequência desses tumultos, dois muçulmanos injustamente responsabilizados pelos ataques acabaram linchados pela multidão”. O assassinato dos dois muçulmanos levou à detenção de 42 pessoas sob a acusação de envolvimento nos crimes.

“Dois dos detidos acabariam por falecer na prisão, havendo relatos de que teriam sofrido maus-tratos físicos e «enorme pressão» para se converteram ao Islão. Os 40 restantes, apesar de terem sempre reclamado a sua inocência, acabaram por ficar atrás das grades até de Janeiro, altura em que o Tribunal os absolveu da prática dos crimes”, dá conta a fundação pontifícia.

O presidente da Comissão Justiça e Paz do Paquistão enalteceu o trabalho “jurídico” da AIS, bem como “o apoio e as orações” da instituição a favor dos cidadãos, agora libertados, e também das suas famílias “nomeadamente auxiliando na educação das suas crianças”.

 

Síria:

Religiosa portuguesa alerta para cenário de «catástrofe» com a chegada do Covid-19

 

A religiosa portuguesa Maria Lúcia Ferreira, a viver na Síria, teme um cenário de catástrofe no país, onde o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado.

Em mensagem divulgada pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), a Irmã Myri, como é conhecida, considera que é quase impossível “controlar a situação”.

“[Este] é um país em guerra, muitos hospitais foram destruídos, há pouco pessoal médico, há muita emigração e não temos os meios, não temos os meios técnicos nem o material para fazer face a uma tal epidemia”, alerta.

A religiosa da Congregação das Monjas da Unidade de Antioquia mostra-se, sobretudo, preocupada pelas consequências que podem advir se o governo de Damasco impuser, como está a acontecer um pouco por todo o lado, fortes medidas restritivas para as populações, nomeadamente períodos de quarentena em casa.

“As pessoas não têm dinheiro para trazer alimentos para ficarem fechadas em casa durante várias semanas”, explica.

A Irmã Myri tinha alertado para as condições em que se encontram as populações que vivem na zona montanhosa do Qalamoun, uma região tradicionalmente cristã situada perto da fronteira com o Líbano, por causa de um inverno particularmente rigoroso.

Na mensagem, a religiosa portuguesa faz referência ainda a outras situações, pessoas que estão a sobreviver “a pão e água”, e pede a solidariedade e as orações de todos pelo povo sírio.

“Gostava de pedir que nos acompanhassem com a vossa oração por este povo que está realmente na provação”, conclui.

 

 

Espanha:

Faleceu Javier Hervada, insigne canonista espanhol

 

No passado dia 11 de Março, faleceu em Pamplona aos 86 anos o Prof. Javier Hervada, insigne canonista espanhol.

Natural de Barcelona, depois de licenciar-se em Direito na Universidade de Barcelona (1956) e doutorar-se a seguir na Universidade Central de Madrid (1958), enveredou pelo Direito Canónico na Universidade de Navarra, onde se doutorou (1962) sob a orientação do Prof. Pedro Lombardia, com o qual trabalharia em conjunto por muitos anos, até à morte prematura deste em 1986.

Catedrático de Direito Canónico na Universidade de Zaragoza (1964), a partir do ano seguinte regressou à Universidade de Navarra, ao claustro da Faculdade de Direito Canónico, onde se dedicou sobretudo ao Direito Matrimonial, o que o levou a aprofundar a essência do Direito Canónico, publicando com Lombardia El Derecho del Pueblo de Dios, vol. I, Introducción. Derecho constitucional (Pamplona 1970) e, mais tarde, Elementos de Derecho Constitucional Canónico (Pamplona 1987), Introducción al estudio del Derecho canónico (Pamplona 2007).

Na sequência da sua investigação sobre a essência do Direito Canónico, foi defensor lúcido do realismo jurídico, segundo a concepção clássica de ver o direito enquanto justo como objecto da justiça, e do seu fundamento no Direito Natural. Provam-no as suas abundantes publicações: Introducción crítica al Derecho Natural (Pamplona 1981), Escritos de Derecho Natural (Pamplona 1986), Historia de la Ciencia del Derecho Natural (Pamplona 1987), Cuatro lecciones de Derecho Natural (Pamplona 1989), Lecciones propedéuticas de Filosofía del Derecho (Pamplona, 1992), ¿Qué es el derecho? La moderna respuesta del realismo jurídico (Pamplona 2002).

Da sua dedicação ao Direito Matrimonial Canónico ficou constância, por exemplo, em Diálogos sobre el amor y el matrimonio (Pamplona e Braga 1974), Una caro. Escritos sobre el matrimonio (Pamplona 2000).

A partir de 1973 foi professor de Direito Natural e Filosofia do Direito, e paralelamente Decano da Faculdade de Direito (1973-1984) e Vice-decano da de Direito Canónico (1991-1993). 

Promoveu e dirigiu importantes revistas científicas (Ius Canonicum, Persona y Derecho) e centros de investigação (Instituto Martin de Azpilcueta, Instituto de Derechos Humanos).

Desde meados de 2019, a sua abundante produção científica está acessível online no Depósito Académico Digital da Universidade de Navarra (dadun.unav.edu).

A Igreja e o Estado reconheceram igualmente o valor do seu ingente e valioso trabalho.

O Ministério de Justiça espanhol concedeu-lhe em 1998 a “Cruz de Honor de la Orden de San Raimundo de Peñafort”. En 1999, S. João Paulo II nomeou-o “Cavaleiro Comendador da Ordem de São Gregório Magno”. Em 26 de no- vembro de 2002 recebeu o doutoramento honoris causa na Faculdade de Direito Canónico da Pontifícia Università della Santa Croce.

“Foi o que na vida académica se chama, propriamente, um mestre, pela transcendência do seu pensamento e pela abundância de frutos do seu trabalho docente e da sua dedicação generosa ao fomento da investigação e à formação de investigadores” (Jorge Miras).

 

Síria.

Sete anos depois do início da guerra, Lina e Elias voltam a Homs

 

O primeiro Natal. Estava a guerra ainda no começo quando os combates chegaram ao bairro onde viviam, à casa onde moravam. Foi em 2012. A família Ghattas, assim como a maior parte da população de Homs, foi forçada a fugir. A derrota dos jihadistas abriu entretanto as portas ao regresso, e Elias e Lina celebraram finalmente o Natal num lugar a que chamam casa. No entanto, é ainda uma felicidade provisória…

Para trás ficaram dias de horror quando, em 2012, a cidade sucumbiu à violência dos terroristas. O que se passou em Homs repetiu-se em quase toda a Síria. As cidades e vilas transformaram-se em prisões a céu aberto. As igrejas foram ocupadas e destruídas.

Os Cristãos foram forçados a fugir. Lina e Elias partiram, tal como milhares de outros cristãos, para um exílio no próprio país, um exílio que só terminou quando os jihadistas foram expulsos de quase todos os lugares que ocupavam no país. Começou aí um nervoso tempo de esperança que quase sucumbiu no dia em que o casal regressou a Homs e defrontou-se com o que restava da sua casa. Como esconder as lágrimas de desalento perante as paredes em ruínas, as marcas de balas, o lixo acumulado? Não havia sequer portas nem janelas.

Nada. O interior estava esventrado. Os fios de electricidade tinham sido arrancados. Lina e Elias regressaram e ficaram outra vez na rua, sem casa, sem tecto, sem nada. Os anos de guerra não destruíram apenas as cidades, vilas e aldeias, mas também a própria economia. O desemprego é brutal. Não há família que não sinta a violência do custo de vida, a falta de alimentos ou de medicamentos, a ausência de futuro. Sem casa onde pernoitar, Lina e Elias tiveram de arrendar um quarto. Foi ainda mais doloroso. Tão perto do lugar onde sempre viveram, mas tão longe, afinal, de um espaço a que pudessem chamar casa. O próprio quarto revelou-se um problema. Os arrendamentos tornaram-se proibitivos. Sem dinheiro nem trabalho, tudo passou a ser demasiado caro para a pobreza da família. Resolveram pedir ajuda.

O regresso do filho. Graças a um fundo de emergência da Fundação AIS, muitas famílias sírias têm conseguido arrendar casa retomando um quotidiano tão normal quanto possível, apesar dos inúmeros sinais de guerra que ainda persistem no país. Lina e Elias souberam da existência da campanha de apoio ao regresso dos Cristãos e conseguiram, finalmente, arrendar uma pequena habitação até poderem iniciar as obras de reabilitação da própria casa. Ao fim de sete anos, voltaram a ter um espaço para a família. Mas falta ainda o resto: as obras em casa e o regresso do filho mais velho. Convocado para o serviço militar em 2011, quando a guerra começou, o filho mais velho de Lina e Elias ainda está ao serviço do exército e ninguém sabe quando será desmobilizado. O outro filho, mais novo, nunca mais se libertará da sombra da guerra, pois ficou cego de um olho por causa da explosão de um morteiro. Graças à ajuda da Fundação AIS, a família Ghattas passou finalmente um Natal num lugar a que pode chamar casa. Falta-lhes quase tudo menos a esperança. “Para mim, voltar para uma casa é como renascer”, disse-nos Lina. “Não consigo descrever a alegria que senti. Estou cheia de esperança numa vida melhor.” É ainda uma casa emprestada. É ainda uma felicidade provisória. Mas é um recomeço! (Sobre um texto de Paulo Aido)

 

China:

Bispo auxiliar em Mindong

obrigado a sair de casa sem água e luz

 

O bispo D. Vincenzo Guo Xijin, bispo auxiliar de Mindong, na China, foi obrigado a sair de casa depois de as autoridades chinesas lhe terem cortado a água e a luz na sua residência.

“D. Guo Xijin foi desalojado recentemente da residência onde vivia, juntamente com alguns sacerdotes, depois de as autoridades terem cortado a água e a eletricidade, invocando «razões de segurança». Um letreiro colocado no edifício explica que este não cumpre com as normas de segurança relativas a incêndios e por isso teve de ser encerrado”.

De acordo com a agência de notícias Asia News este episódio enquadra-se num “gesto de pressão e raiva” contra o bispo e os sacerdotes que, tal como ele se negam a aderir à Associação patriótica, controlada pelo governo: em junho D. Vincenzo Guo Xijin afirmou preferir a “perseguição” a aderir à Associação Patriótica.

Na China existe a chamada Igreja Clandestina, não oficial, cujos fiéis permanecem ligados ao Papa e ao Vaticano; em 2018 foi assinado um acordo considerado histórico entre a China e o Vaticano, sobre a nomeação de bispos.

“Na assinatura do referido acordo, o Vaticano colocou D. Guo Xijin como bispo-auxiliar de D. Vincenzo Zhan Silu, que era o prelado indicado pelo governo de Pequim para a diocese de Mindong, retirando-lhe a situação de excomunhão em que se encontrava”, avança a AIS.

D. Guo Xijin manifestou-se sempre fiel ao Papa e “tem-se recusado a aderir à estrutura da Igreja organizada pelo Partido Comunista e que depende exclusivamente das autoridades de Pequim”.

A Asia News avança que tal como o bispo auxiliar recusou a sua adesão à Associação Patriótica, “muitos padres” têm seguido o mesmo caminho e, “nos últimos dias, pelo menos cinco paróquias foram fechadas”, invocando-se também imperativos de segurança, deixando assim cerca de 10 mil fieis em Fuan e três mil em Saiqi sem paróquia.

A organização internacional «Human Right Watch», acusou num relatório do início do ano, o regime de Pequim de “vigilância tecnológica” com o objetivo de “silenciar críticos”, falando ainda de “repressão dos muçulmanos uigures”, povo de origem turcomena, sendo uma das 56 etnias oficialmente reconhecidas pela República Popular da China.

“Calcula-se que as autoridades chinesas tenham sob detenção, nos chamados campos de reeducação, cerca de 1 milhão de membros desta minoria muçulmana na província de Xianjiang. Pequim tem justificado estas medidas extremas de opressão étnica e religiosa com a necessidade de combater o terrorismo”, indica ainda o comunicado da AIS.

 

Terra Santa:

Bispos católicos rejeitam plano apresentado por Trump

e alertam para «derramamento de sangue»

 

Os bispos católicos da Terra Santa manifestaram, em comunicado conjunto, a sua rejeição ao plano de paz para o Médio Oriente apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

“Esse plano não trará soluções, mas criará mais tensões e provavelmente mais violência e derramamento de sangue”, advertem os responsáveis.

Trump apresentou a sua “visão” para um plano de paz no Médio Oriente, falando de “solução realista de dois Estados” e anunciando Jerusalém como “a capital indivisível de Israel”.

A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa recorda que o conflito israelita-palestino está “há décadas” no centro de “muitas iniciativas de paz e propostas de solução”, considerando que é necessário “o acordo dos dois povos, israelitas e palestinos”, numa base de “igualdade de direitos e dignidade”.

Os bispos católicos entendem que o plano ‘Peace-to-Prosperity’, apresentado pelo presidente dos EUA, não respeita essas condições.

Não dá dignidade e direitos aos palestinos. Deve ser considerada uma iniciativa unilateral, pois apoia quase todas as exigências de um lado, o de Israel, e a sua agenda política. Por outro lado, esse plano não leva em consideração as justas exigências do povo palestino sobre a sua terra natal, os seus direitos e a sua dignidade de vida”.

Os responsáveis católicos esperam que os acordos anteriores assinados entre as duas partes sejam “respeitados e melhorados”, com base na “completa igualdade humana entre os povos”.

A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa representa os ritos latino, melquita, maronita, sírio, arménio e caldeu, em comunhão com Roma.

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Venezuela:

Igreja Católica ajuda «os mais desesperados»

num país em «estado de alarme»

com «casos confirmados» de Covid-19

 

A Fundação ‘Ajuda à Igreja que Sofre’ assinala que a Igreja Católica na Venezuela procura “auxiliar os mais desesperados”, com cinco milhões de pessoas em fuga e casos confirmados de contágio com o novo coronavírus.

“Esta situação vem agravar ainda mais a preocupação pela saúde e bem-estar dos venezuelanos, numa altura em que o país enfrenta talvez a maior crise da sua história”, refere a fundação pontifícia.

A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) recorda que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou “medidas drásticas” para a contenção da epidemia Covid-19, decretando o “estado de alarme”, depois de confirmados os primeiros casos.

Neste contexto, lembra que “4,9 milhões abandonaram já as suas casas” desde 2015, numa fuga em massa das populações “ao ambiente de miséria em que caiu o país sul-americano”, segundo dados revelados pela Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O gabinete de Michelle Bachelet na Venezuela documentou “agressões contra opositores políticos, manifestantes e jornalistas, sem que as forças de segurança atuassem”, há registos de buscas na sede de um partido político, organizações não-governamentais e meios de comunicação social.

A AIS alerta que a situação de crise económica está a ter consequências dramáticas para as populações, “especialmente as pessoas que se encontram numa situação mais vulnerável, nomeadamente as crianças, os doentes e idosos”, e a Igreja Católica tem sido o “amparo de milhões de venezuelanos”, com a ajuda de organizações como esta fundação pontifícia.

O arcebispo de Mérida e administrador Apostólico de Caracas disse que a Igreja Católica na Venezuela “não perde esperança, criatividade e constância para servir aos outros”.

“Nos bairros mais populares, a presença da Igreja é impressionante, envolvida em todas essas comunidades com uma alegria e uma dedicação que me edificam”, referiu o cardeal Baltazar Porras, salientando também o esforço solidário como as paróquias da Venezuela foram transformadas em refeitórios sociais e dispensários médicos.

O secretariado português da Fundação ‘Ajuda à Igreja que Sofre’ explica que tem apoiado a Igreja na Venezuela através de “diversos projetos de emergência humanitária”, como o “apoio a cantinas paroquiais, construção de poços de água, a compra de geradores elétricos, entre outras necessidades”.

 

Alemanha:

Papa envia mensagem de solidariedade a vítimas de tiroteio

 

O Papa manifestou a sua solidariedade às vítimas do “terrível ato de violência” que atingiu a localidade de Hanau, na Alemanha, onde dois ataques registados na noite de 19 de fevereiro provocaram a morte de nove pessoas.

Em telegrama enviado ao Bispo de Fulda, D. Michael Gerber, Francisco lamenta “a morte de pessoas inocentes” e mostra-se muito “tocado” com o ataque.

O Papa “confia os mortos à misericórdia de Deus e implora a Cristo, Senhor da vida, para que os enlutados encontrem consolação e confiança, e sejam acompanhados pela bênção e pela paz de Deus”.

O suspeito pelos ataques fugiu, mas foi encontrado, na mesma noite, morto na sua casa, ao lado do corpo da sua mãe, de 72 anos.

 

Síria, Iraque, Iémen

Três sacerdotes raptados

 

Dias de cativeiro. Ser raptado e sobreviver aos algozes, lembrar o tempo de cativeiro e compreender que foi a fé que sustentou os dias, sossegou o medo, fez lembrar o essencial. Jacques Mourad, Douglas Bazi e Tom Uzhunnalil têm em comum essa experiência limite às mãos de jihadistas. E aceitaram partilhar essa memória que é, também, um enorme testemunho de fé.

Iraque, 2006. “Depois da Missa, ia visitar uns amigos, e, no caminho, de repente, dois automóveis bloquearam a estrada à minha frente e fizeram-me parar. Saltaram muitos homens, de rosto tapado e armados. Rapidamente abriram a porta do meu carro, puxaram-me e meteram-me no porta-bagagens.”. O Padre Douglas Bazi estava a começar a viver uma das experiências mais assustadoras da sua vida.

Os raptores queriam um milhão de dólares por ele, mas acabou por ser libertado sem que houvesse o pagamento de qualquer resgate. No entanto, as marcas desses dias terríveis ficaram para sempre. Até hoje. Síria, 2015.

“Naquele dia, um grupo de jihadistas entrou no mosteiro de Mar Elian, onde eu vivia há 15 anos…” Começa assim o desfolhar da memória de cativeiro do Padre Jacques Mourad. Esteve preso durante cinco meses. Fugiu numa aventura que daria um filme de Hollywood. Mas isso é-lhe irrelevante quando recorda as longas semanas em que foi prisioneiro de um dos grupos jihadistas que puseram a Síria a ferro e fogo.

Iémen, 2016. “Saí de casa das Irmãs [a caminho do] lar de idosos, mas a meio ouvi dois tiros. Vi as outras duas [irmãs] serem alvejadas na cabeça, por trás.” O Padre salesiano Tom Uzhunnalil nunca mais vai conseguir esquecer aquele trágico dia 4 de março. Raptado por terroristas, esteve 18 meses sem saber sequer onde se encontrava…. Todos os dias era ameaçado. Todos os dias podiam ser o fim… Todos os dias rezava.

Oração do Terço. Quando recordam os dias de cativeiro, estes três sacerdotes falam dos momentos íntimos de oração como, talvez, os mais intensos que já experimentaram em toda a vida. Deixaram o Padre Douglas nove dias sem comer nem beber. Esteve sempre algemado. É uma memória que não o larga. “As algemas tinham exatamente dez argolas.” Os dedos do Padre Douglas iam acariciando as argolas das algemas numa oração ininterrupta de “ave-marias”.

Batiam-lhe, massacravam-lhe o corpo, mas ele era livre. Não podiam prender a sua alma. Jacques Mourad esteve preso cinco meses em 2015. Hoje, este monge de aspeto frágil e voz doce vive no Curdistão iraquiano. Quando regressa a esses dias, a memória de Mourad detém-se sempre nas Missas que celebrou no silêncio do seu coração. “Tinha sede de me unir a Jesus. Por isso, celebrei sempre a Missa no meu coração e dei-lhe um nome: ‘A Missa da nostalgia’. Simplesmente…” 

Também o Padre Tom não deixou de celebrar a Eucaristia apesar de estar preso, apesar de estar só. Apesar até do medo. Também no seu caso os algozes nunca descobriram o que aquele homem de olhar sereno estaria a fazer. Rezava. Rezava e continuava livre. Não havia arma nem terrorista nem ameaça maior do que a força da sua fé. “Não tinha o pão, nem o vinho, nem os livros… Então dizia as orações da Missa e pedia ao Senhor que provesse espiritualmente o pão e o vinho.” Jacques Mourad, Douglas Bazi e Tom Uzhunnalil estiveram presos às mãos de terroristas. Estiveram presos por serem padres, por serem cristãos. São exemplo para todos nós. Exemplo de que a oração é sempre mais poderosa do que o medo.

 

Bispos da União Europeia:

Os Bispos do reino Unido

«Continuam a fazer parte da Europa e da Igreja europeia» –

 

Os bispos das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) afirmaram que o Brexit “não vai destruir as relações fraternas entre a EU e o Reino Unido” e falam numa oportunidade para “nova dinâmica entre os povos europeus”.

“Mesmo que o Reino Unido não faça mais parte da UE, continuará a fazer parte da Europa. Estamos todos destinados a viver e trabalhar juntos, no respeito total de todas escolhas e diversidades de outras pessoas”, dizem num comunicado no site dos bispos da UE.

Os bispos acreditam que o Brexit pode ser “uma oportunidade para desencadear uma nova dinâmica entre os povos europeus e reconstruir um senso de comunidade na Europa”.

O Reino Unido não faz mais parte da União Europeia, sendo este, assumem, um fator de “tristeza” mas, “como defensores da liberdade de expressão e da democracia, o católico da Igreja europeia respeita a vontade expressa pelos cidadãos britânicos durante o referendo de 2016”.

 Nesta hora os bispos da COMECE pedem a “todas as pessoas de boa vontade” que “rezem e trabalhem pelo bem comum” de forma a “garantir que o Brexit não conseguirá destruir as relações fraternas entre irmãos e irmãs em ambas as margens do mar”.

“É crucial, portanto, manter boas relações com entre si”, sublinham.

 

Inglaterra e País de Gales:

Bispos católicos apelam à unidade

 

A Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales publicou uma mensagem por ocasião do ‘Brexit’, sublinhando que a saída formal do Reino Unido da União Europeia (UE), é uma “oportunidade de ir para além das divisões”.

“É importante que todos renovem um compromisso uns com os outros através de atos quotidianos de bondade, sejam bons vizinhos, acolham o estrangeiro e cuidem dos mais vulneráveis em nossa sociedade”, escreveu o cardeal Vincent Nichols.

O presidente da Conferência dos Bispos Católicos de Inglaterra e País de Gales acrescenta que, dessa forma, podem contribuir para “o bem comum em todos os níveis da sociedade, da política nacional à generosidade individual”, particularmente com os que “sofrem mais dificuldades e incertezas”.

“Como católicos, com todas as pessoas de boa vontade, nos comprometemos a desempenhar nosso papel nesse empreendimento”, concluiu o cardeal Nichols.

 “Agora está a lançar o ramo de oliveira a todas as pessoas, a todos aqueles que não concordam com o Brexit, para aquilo que ele quer”, desenvolveu, lembrando Boris Johnson foi presidente da Câmara de Londres “e fez um bom trabalho”, não havendo razões para “pensar que vai atirar o país para o abismo, para as falésias de Dover”.

 

Burquina Faso:

Ataque contra igreja provoca 24 mortes

 

Um ataque contra uma igreja cristã no Burquina Faso provocou 24 mortes, no domingo 16 de fevereiro, na localidade de Pansy, nordeste do país africano.

O presidente da câmara de Boundore, Sihanri Osangola Brigadie, mostrou-se “chocado” com a situação.

Tanto cristãos como muçulmanos foram mortos antes de a igreja ter sido incendiada, disse um oficial de segurança do Governo.

A agência Fides, do Vaticano, indica que os ataques de jihadistas no norte do Burquina Faso se têm multiplicado, nos últimos quatro anos, atingindo padres católicos, pastores protestantes e imãs muçulmanos.

 

Vietname:

Site da Causa de Canonização do cardeal Van Thuan

com lançamento antecipado

 

O site para a Causa de Canonização do cardeal Van Thuan está disponível a partir de 19 de março, antecipando a data prevista de lançamento com o testemunho de quem “viveu privado da sua liberdade”.

O cardeal Van Thuan, natural do Vietname, nasceu a 17 de Abril de 1928, numa família “que elenca na sua árvore genealógica numerosos mártires”.

“Desde criança, sente-se chamado à vida religiosa, e em 11 de Junho de 1953 é ordenado sacerdote”.

O Papa S. Paulo VI nomeou-o Arcebispo coadjutor de Saigão (Ho Chi Minh) em 1975, tendo sido preso poucos meses depois. “Em 1988, foi libertado, depois de 13 anos no cárcere, nove dos quais em total isolamento”.

Quando chegou a Itália foi nomeado vice-Presidente e depois, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, tendo sido criado cardeal em 2001 por S. João Paulo II.

O cardeal Van Thuan faleceu em Roma, “depois de uma longa doença, em 16 de setembro de 2002”, tendo o processo de beatificação, na sua fase preliminar, começado a 17 de setembro de 2017, cinco anos depois da data da sua morte.

“No dia 22 de outubro de 2010 é celebrada a sessão de abertura do processo diocesano, no Tribunal do Vicariato de Roma”, indica a biografia oficial.

Cerca de três anos depois, a 5 de julho de 2013, “realizou-se a sessão de encerramento do processo diocesano na sede do mesmo Vicariato”.

Previsto para ser anunciado no dia 17 de abril, data da morte do cardeal, e antecipado para o dia de São José, dia do Pai, o site de Vice Postulação apresenta duas biografias, uma delas “ilustrada” e sugere várias “publicações da autoria do Cardeal Van Thuan”.

“Encontramos ainda a oração oficial a pedir a beatificação e a canonização num conjunto variado de línguas, uma galeria multimédia com fotografias e vídeos, bem como as iniciativas regulares: Palavra de Esperança e Voz de Esperança, meditações em texto e áudio em torno da figura do Venerável Van Thuan”, indica.

O cardeal Van Thuan tinha uma grande devoção a São José, “que o fazia rezar no seu dia a dia, especialmente em grandes momentos de sofrimento como na prisão ou na grave doença no fim da sua vida: Jesus, Maria e José”.

“Apresentar a figura de um católico que viveu privado da sua liberdade durante mais de uma década”, e fazê-lo no dia de São José, é para a equipa, uma oportunidade para “conhecer esta grande figura mundial e rezar por sua intercessão nos tempos que vivemos”, afirma o comunicado assinado por Luís Marques.

 

 

 

 

 

 


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