3º Domingo da Páscoa

26 de Abril de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: A terra inteira cante ao Senhor – B. Salgado, NRMS, 5

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Estamos a celebrar mais uma vez ressurreição do Senhor. Jesus acompanha-nos no caminhar da nossa vida, como fez com os discípulos de Emaús. Abramos os olhos para O reconhecer e ouvir com amor a Sua Palavra.

Os nossos pecados obscurecem os nossos olhos. Examinemo-nos e peçamos perdão.

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S.Pedro, no dia de Pentecostes, lembra que a ressurreição de Jesus tinha sido anunciada por Deus pela boca do rei David no salmo 15. O Senhor não deixaria que o Seu corpo sofresse a corrução.

 

Actos, 2, 14.22-33

No dia de Pentecostes, 14Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 22«Homens de Israel, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. 23Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós deste-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. 24Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. 25Diz David a seu respeito: «O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. 26Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. 27Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. 28Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença». 29Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. 30Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, 31viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. 32Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. 33Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

 

A leitura corresponde a uma selecção de versículos do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. «Pedro» aparece aqui, como noutras vezes, na sua função de Chefe dos Apóstolos, falando em nome de todos e à frente de todos (cf. Act 2,37-38; 5,2-3.29; 1,15).

22 «Jesus de Nazaré» Pedro, para anunciar Jesus como o Messias, parte da sua humanidade, no aspecto mais humilde, um homem de Nazaré, terra desprezada (Jo 148); nos vv. seguintes estabelece a sua perfeita identidade com o Cristo da fé, o Senhor ressuscitado.

23 «Segundo o desígnio imutável e previsão de Deus». A morte na cruz, o grande «escândalo para os Judeus», não era mais do que o cumprimento do desígnio salvador de Deus, anunciado pelos Profetas.

24 «Deus ressuscitou-O.» O grande sinal de que aquele homem de Nazaré já antes credenciado com «milagres, prodígios e sinais» (v. 22), era o Messias, Deus vindo à terra, é sem dúvida a Ressurreição. Esta apresenta-se como anunciada no Salmo 15 (16).

27 «Nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção». Citação do Salmo 15 (16), segundo a tradução dos LXX, que alguns chegam a considerar inspirada. O texto hebraico massorético não é tão expressivo, pois diz: «conhecer a cova», isto é, a morte; Pedro e depois Paulo (cf. Act 13,35) dão-nos o sentido mais profundo, o cristológico do Salmo, ao explicitar que designa a ressurreição do Messias, sentido este que, em geral, os exegetas classificam de sentido plenário (intentado só por Deus), ou sentido típico (o salmista como tipo do Messias).

 

Salmo Responsorial    Sl 15 (16), 1-2a.5.7-8.9-10.11

 

Monição: O salmo 15 que vamos rezar relata o que S.Pedro anunciava na primeira leitura: a ressurreição e a glorificação de Cristo.

 

Refrão:     Mostrai-me, Senhor, o caminho da vida.

 

Ou:           Aleluia.

 

Defendei-me, Senhor; Vós sois o meu refúgio.

Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,

está nas vossas mãos o meu destino.

 

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,

até de noite me inspira interiormente.

O Senhor está sempre na minha presença,

com Ele a meu lado não vacilarei.

 

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta

e até o meu corpo descansa tranquilo.

Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,

nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.

 

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,

alegria plena em vossa presença,

delícias eternas à vossa direita.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Fomos resgatados pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha.

 

1 São Pedro 1, 17-21

Caríssimos: 17Se invocais como Pai Aquele que, sem acepção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo. 18Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e oiro, que fostes resgatados da vã maneira de viver, herdada dos vossos pais, 19mas pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha, 20predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por vossa causa. 21Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus.

 

Esta leitura adapta-se maravilhosamente ao tempo pascal, falando-nos da nossa libertação através do Sangue do novo Cordeiro Pascal e da Ressurreição de Jesus. Há mesmo exegetas que vêem nesta carta um fundo de homilia pascal ou baptismal. O trecho de hoje é tirado de uma secção inicial da Carta (1,13 – 2,10), uma série de exortações que têm como pano de fundo a libertação dos hebreus a caminho da terra prometida, símbolo do Baptismo e da vida cristã, o que faz pensar que formariam parte duma catequese ou homilia pascal-baptismal. Vejamos: «de ânimo preparado para servir» (v. 13; cf. Lc 12, 35) é dito no original com uma imagem («cingida a cintura da vossa mente»), que evoca a forma de celebrar a Páscoa (cf. Ex 12,11, símbolo do Baptismo (cf. 1Cor 10,1-2.6). «Sede santos» (v. 14-16) é uma exigência da aliança (cf. Lv 11,44; 19,2; 20,7) e do Baptismo (cf. Rom 6,4.11.19; 12,2; Gal 3,27) e do santo temor de Deus (cf. 2Cor 2,11; Rom 2,11). «No tempo da peregrinação» (cf. 1,1.17; 2,11; 4,2) é a alusão à peregrinação pelo deserto no Êxodo). «Invocar a Deus como Pai» está na linha do Pai-nosso (Mt 6,9) recitado no rito do Baptismo e certamente matéria da instrução preparatória. O «resgate pelo sangue de Cristo» é mais do que uma referência ao custo da nossa redenção (1Cor 6,20; 7,23; cf. Ef 1,7; Hebr 9,14; Apoc 1,5), pois alude a Jesus como cordeiro pascal (Ex 12,3-14; cf. Jo 1,29.36; 19,36; 1Cor 5,7; Act 8,32-35). O «amor fraterno» (v. 22-25) é proposto como consequência de se ter purificado (cf. Ex 19,10-11) e ter nascido de novo e por meio da palavra de Deus (cf. Tg 1,18; 1Jo 3,9; Is 40,8). Esta mesma palavra é o «leite puro» (cf. Ex 3 8; 1Cor 3,2) que os baptizados têm de desejar avidamente (2,1-2; cf. Salm 34,9). Assim todos entram activamente na construção do edifício que é o novo Povo de Deus, figurado no antigo (2,4-10).

17 «Pai... que... julga». Pode-se ver aqui uma alusão à recitação do Pai Nosso. Deus, que é o melhor dos pais, também é um Juiz imparcial; o sentido correcto da nossa filiação divina traz consigo o santo temor de Deus, o temor de desagradar a um Pai que nos julga e que calibra perfeitamente o valor de todos os nossos actos.

«Exílio neste mundo». Cf. 1Pe 1,1; 2,11; 4,2; Hebr 11,13. Nestes textos inspirados fica patente a nossa condição não apenas de peregrinos da Pátria celeste, mas também a ideia de pena que envolve a nossa situação de «degredados filhos de Eva» neste «desterro» (cf. Salve Rainha).

18-19 «Libertados... com o Sangue precioso de Cristo». A obra salvadora de Jesus não consistiu numa mera libertação, como, por exemplo, a libertação do Egipto, pois foi um verdadeiro resgate, pagando Jesus o preço dessa libertação com o seu Sangue, daí que esta obra libertadora se chama mais propriamente Redenção (cf. Ef 1,7; Apoc 1,5).

«Cordeiro sem defeito e sem mancha». Cf. Ex 12,5; 1Cor 5,7; Jo 1,29.36; 19,36. Cf. também: Is 53,7; Act 8,32-35. Os primeiros textos falam de Jesus, Cordeiro imolado na nova Páscoa; os segundos, de Jesus manso «Cordeiro de Deus».

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 24, 32

 

Monição: Jesus anima os dois discípulos que regressavam de Jerusalém, tristes e desanimados pelos acontecimentos da Paixão. Explica-lhes como estavam anunciados por Deus esses acontecimentos, necessários para a redenção.

Ouçamos a Jesus que agora fala connosco.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. Berthier, COM, (pg 112)

 

Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras,

falai-nos e inflamai o nosso coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 13-35

13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, 18e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. 29Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

 

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais; podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições, mas não temos elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

 

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios, traduzidos por duas léguas, a uns nuns 11,5 Km de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: grande quantidade deles regista 60 estádios. Outros de grande valor têm 160 (o que equivale a uns 32 Km). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã. El-Qubeib (a 60 estádios) e Nicópolis (a 160 estádios, a Amuás árabe) são os mais venerados. Nicópolis foi a escolhida para a visita de Bento XVI; a caminho deste local temos Abu-Ghosh, a uns 12 Km de Jerusalém, com a medieval abadia beneditina, o santuário de Nossa Senhora da Aliança e a Saxum Visitor Center.

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19,25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Kleopâs.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos…»: aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23,56b – 24,9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que os nossos são Pedro e João (cf. v. 12 e Jo 20,1-10). «Mas a Ele não O viram»: se não se trata de um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro referida adiante, no v. 34 (cf. 1Cor 15,5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia (a fracção do pão do v. 30) constitui o momento cume do seu caminhar pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus); depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto sucede-nos muitas vezes na vida cristã: Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25,40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia; com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença»: É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real. Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença. Comenta João Paulo II: «É significativo que os dois discípulos de Emaús, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam à mesa, através do gesto simples da “fracção do pão”. Uma vez iluminadas as inteligências e rescaldados os corações, os sinais “falam”. A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto dinâmico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; é através deles que o mistério, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente. Como sublinhei na encíclica Ecclesia de Eucharistia, é importante que nenhuma dimensão deste Sacramento fique transcurada. Com efeito, subsiste sempre no homem a tentação de reduzir às suas próprias dimensões a Eucaristia, quando na realidade é ele que se deve abrir às dimensões do Mistério. “A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções”» (Carta Mane nobiscum Domine, 14).

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato põe-se em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

33 «Partiram imediatamente». «Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu Corpo e do seu Sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar» (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 24).

 

Sugestões para a homilia

 

Lentos de espírito para acreditar

Explicou-lhes em todas as Escrituras

Ficai connosco porque vem caindo a noite

 

Lentos de espírito para acreditar

 

Podemos parecer-nos com aqueles dois discípulos que regressavam de Jerusalém tristes e desanimados naquele dia de Páscoa. A Paixão vergonhosa de Jesus tinha sido uma derrota terrível. Além disso custava-lhes a acreditar no que as mulheres vieram anunciar depois de irem ao sepulcro: que tinham visto uns anjos que afirmavam que Ele tinha ressuscitado.

Jesus reprende-os pela sua falta de fé. A Paixão de Jesus é um mistério que custa a aceitar. Também os nossos sofrimentos podem ser difíceis de entender. Só à luz da Paixão de Jesus perceberemos alguma coisa desse mistério.

Cristo é - dizia S.Pedro na 2ª leitura - o Cordeiro sem mancha que se ofereceu por nós em sacrifício: ”Não foi por coisas corruptíveis como prata e oiro que fostes resgatados da vã maneira de viver herdada dos vossos pais mas pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha”. “Fomos comprados por grande preço” - lembra também S.Paulo (1 Cor 6, 20).

Jesus não regateou sacrifícios para nos libertar do pecado e das garras do demónio e nos abrir as portas do Céu. Temos de meditar muitas vezes no Seu amor e na maldade do pecado, dos nossos pecados que O obrigaram a tantos sofrimentos.

O mistério da Redenção é a manifestação do amor infinito de Deus por cada um de nós e do abismo da malícia das ofensas a Deus. Celebrámo-lo neste tempo da quaresma e da Páscoa e temos de meditá-lo muitas vezes.

 

Explicou-lhes em todas as Escrituras

 

Jesus pelo caminho vai-lhes explicando as passagens da Sagrada Escritura em que Deus tinha anunciada a Paixão e Morte do Messias para salvar a humanidade. Pelos profetas Deus tinha falado muitas vezes dos sofrimentos do Salvador prometido. Foi sobretudo Isaías que anunciou os tormentos do Servo de Yavé para pagar pelos pecados dos homens. Seria esmagado pelos sofrimentos, seria como um bicho da terra de que se desvia a cara, coberto pela imundície dos pecados da humanidade. Assim havia de salvar os homens e revesti-los da graça de Deus. Alguns relatos são quase uma descrição ao vivo dos acontecimentos da Paixão de Jesus.

 Agora aqueles dois ficam surpreendidos e contentes pelo que Jesus lhes ia mostrando. O coração deles ardia no seu peito enquanto lhes explicava as Escrituras.

Também nós devemos meditar uma vez e outra a Sagrada Escritura e especialmente a Paixão e a Morte de Jesus e não só na quaresma. S.Paulo dizia aos coríntios: ”nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gentios mas para os que são chamados por Deus, quer dos judeus quer dos gregos, é Cristo força de Deus e sabedoria de Deus, porque o que é loucura em Deus é mais sábio que os homens”(1 Cor 1,23-25)

 

Ficai connosco porque vem caindo a noite

 

Pedem a Jesus que fique com eles. E Ele, ao sentar-se à mesa, repete o que fizera na Última Ceia, três dias antes. É então que eles O reconhecem. Nesse momento Jesus desaparece.

Quis mostrar-lhes que continua connosco na Santa Missa. Nela nos fala e explica as Escrituras. Nela se dá a nós como alimento de vida eterna. Nela fica connosco até ao fim dos séculos.

Na Eucaristia é Jesus ressuscitado que continua a ensinar-nos através dos sacerdotes. Através deles continua a repetir o gesto da Última Ceia. Temos de abrir os olhos para O reconhecer. Temos de agradecer-Lhe por ter querido ficar connosco para nos fazer companhia, para nos animar, para nos encher de esperança e alegria.

Há anos em Espanha estava um homem à beira da estrada a pedir boleia. Parou um camionista e ao subir com a sua mala perguntou ao motorista se ia sozinho. Este respondeu meio a duvidar. Depois de sentado perguntou ao camionista porque tinha respondido daquela forma e ele disse: -Sabe, eu nunca vou só. Procuro falar com Deus durante a viagem e, ao passar por uma localidade e ao divisar as torres duma igreja, saúdo o Senhor que ali se encontra.

Aquele homem ficou muito agitado e disse ao camionista: -Pare por favor para eu descer. E explicou: eu sou o pároco destas terras e ia-me embora desanimado pela pouca correspondência desta gente. O senhor deu-me uma lição. Às vezes tenho-me esquecido que tenho Jesus perto de mim no sacrário.

Pode-nos acontecer o mesmo. Jesus ressuscitado está vivo em nossas igrejas, espera-nos para que desafoguemos com Ele os nossos problemas e para que saibamos olhá-los com os olhos de Deus. Temos de pedir-Lhe que nos dê uma fé grande e que nos encha da Sua alegria e da certeza da vitória.

Que saibamos, como os discípulos de Emaús, partilhar com os nossos amigos a novidade da presença de Cristo ressuscitado. Os dois voltaram a Jerusalém, apesar da hora tardia, para contarem aos Apóstolos a aparição de Jesus.

Nossa Senhora foi quem mais sofreu com a morte de Jesus mas também A que acreditou com mais firmeza no anúncio da Ressurreição. Muitos pintores representam a aparição de Jesus ressuscitado a Sua Mãe na manhã de Páscoa. E com certeza têm razão.

 

Fala o Santo Padre

 

«A experiência dos discípulos de Emaús ensina-nos que não vale a pena rezar,

se a nossa oração dirigida a Deus não se transformar em amor dirigido ao irmão;

não vale a pena ter muita religiosidade, se não for animada por muita fé e muita caridade.»

 

Hoje, o Evangelho do terceiro domingo de Páscoa fala-nos do itinerário dos dois discípulos de Emaús que deixaram Jerusalém. Um Evangelho que se pode resumir em três palavras: morte, ressurreição e vida.

Morte. Os dois discípulos voltam à sua vida quotidiana, repletos de desânimo e desilusão: o Mestre morreu e, por conseguinte, é inútil esperar. Sentiam-se desorientados, enganados e desiludidos. O seu caminho é um voltar atrás; é um afastar-se da experiência dolorosa do Crucificado. A crise da Cruz – antes, o «escândalo» e a «loucura» da Cruz (cf. 1 Cor 1, 18, 2, 2) – parece ter sepultado todas as suas esperanças. Aquele sobre quem construíram a sua existência morreu, derrotado, levando consigo para o túmulo todas as suas aspirações.

Não podiam acreditar que o Mestre e Salvador, que ressuscitara os mortos e curara os doentes, pudesse acabar pregado na cruz da vergonha. Não podiam entender por que razão Deus Todo-Poderoso não O tivesse salvo duma morte tão ignominiosa. A cruz de Cristo era a cruz das suas ideias sobre Deus; a morte de Cristo era uma morte daquilo que imaginavam ser Deus. Na realidade, eram eles os mortos no sepulcro da sua limitada compreensão.

Quantas vezes o homem se autoparalisa, recusando-se a superar a sua ideia de Deus, um deus criado à imagem e semelhança do homem! Quantas vezes se desespera, recusando-se a crer que a omnipotência de Deus não é omnipotência de força, de autoridade, mas é apenas omnipotência de amor, de perdão e de vida!

Os discípulos reconheceram Jesus no ato de «partir o pão» (Lc 24, 35), na Eucaristia. Se não deixarmos romper o véu que ofusca os nossos olhos, se não deixarmos romper o endurecimento do nosso coração e dos nossos preconceitos, nunca poderemos reconhecer o rosto de Deus.

Ressurreição. Na obscuridade da noite mais escura, no desespero mais desconcertante, Jesus aproxima-Se dos dois discípulos e caminha pela sua estrada, para que possam descobrir que Ele é «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14, 6). Jesus transforma o seu desespero em vida, porque, quando desaparece a esperança humana, começa a brilhar a divina: «O que é impossível aos homens é possível a Deus» (Lc 18, 27; cf. 1, 37). Quando o homem toca o fundo do fracasso e da incapacidade, quando se despoja da ilusão de ser o melhor, ser o autossuficiente, ser o centro do mundo, então Deus estende-lhe a mão para transformar a sua noite em alvorada, a sua tristeza em alegria, a sua morte em ressurreição, o seu voltar atrás em regresso a Jerusalém, isto é, regresso à vida e à vitória da Cruz (cf. Heb 11, 34).

Com efeito, depois de ter encontrado o Ressuscitado, os dois discípulos retornam cheios de alegria, confiança e entusiasmo, prontos a dar testemunho. O Ressuscitado fê-los ressurgir do túmulo da sua incredulidade e tristeza. Encontrando o Crucificado-Ressuscitado, acharam a explicação e o cumprimento de toda a Escritura, da Lei e dos Profetas; acharam o sentido da aparente derrota da Cruz.

Quem não faz a travessia desde a experiência da Cruz até à verdade da Ressurreição, autocondena-se ao desespero. Com efeito, não podemos encontrar Deus, sem crucificar primeiro as nossas ideias limitadas dum deus que reflete a nossa compreensão da omnipotência e do poder.

Vida. O encontro com Jesus ressuscitado transformou a vida daqueles dois discípulos, porque encontrar o Ressuscitado transforma toda a vida e torna fecunda qualquer esterilidade.[1] De facto, a Ressurreição não é uma fé nascida na Igreja, mas foi a Igreja que nasceu da fé na Ressurreição. Diz São Paulo: «Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a nossa fé» (1 Cor 15, 14).

O Ressuscitado desaparece da vista deles, para nos ensinar que não podemos reter Jesus na sua visibilidade histórica: «Felizes os que creem sem terem visto!» (Jo 21, 29; cf. 20, 17). A Igreja deve saber e acreditar que Ele está vivo com ela e vivifica-a na Eucaristia, na Sagrada Escritura e nos Sacramentos. Os discípulos de Emaús compreenderam isto e voltaram a Jerusalém para partilhar com os outros a sua experiência: «Vimos o Senhor... Sim, verdadeiramente ressuscitou!» (cf. Lc 24, 32).

A experiência dos discípulos de Emaús ensina-nos que não vale a pena encher os lugares de culto, se os nossos corações estiverem vazios do temor de Deus e da sua presença; não vale a pena rezar, se a nossa oração dirigida a Deus não se transformar em amor dirigido ao irmão; não vale a pena ter muita religiosidade, se não for animada por muita fé e muita caridade; não vale a pena cuidar da aparência, porque Deus vê a alma e o coração (cf. 1 Sam 16, 7) e detesta a hipocrisia (cf. Lc 11, 37-54; At 5, 3.4).[2] Para Deus, é melhor não acreditar do que ser um falso crente, um hipócrita!

A fé verdadeira é a que nos torna mais caridosos, mais misericordiosos, mais honestos e mais humanos; é a que anima os corações levando-os a amar a todos gratuitamente, sem distinção nem preferências; é a que nos leva a ver no outro, não um inimigo a vencer, mas um irmão a amar, servir e ajudar; é a que nos leva a espalhar, defender e viver a cultura do encontro, do diálogo, do respeito e da fraternidade; é a que nos leva a ter a coragem de perdoar a quem nos ofende, a dar uma mão a quem caiu, a vestir o nu, a alimentar o faminto, a visitar o preso, a ajudar o órfão, a dar de beber ao sedento, a socorrer o idoso e o necessitado (cf. Mt 25, 31-45). A verdadeira fé é a que nos leva a proteger os direitos dos outros, com a mesma força e o mesmo entusiasmo com que defendemos os nossos. Na realidade, quanto mais se cresce na fé e no seu conhecimento, tanto mais se cresce na humildade e na consciência de ser pequeno.

Queridos irmãos e irmãs, Deus só aprecia a fé professada com a vida, porque o único extremismo permitido aos crentes é o da caridade. Qualquer outro extremismo não provém de Deus nem Lhe agrada.

Agora, como os discípulos de Emaús, voltai à vossa Jerusalém, isto é, à vossa vida diária, às vossas famílias, ao vosso trabalho e à vossa amada pátria, cheios de alegria, coragem e fé. Não tenhais medo de abrir o vosso coração à luz do Ressuscitado e deixai que Ele transforme a vossa incerteza em força positiva para vós e para os outros. Não tenhais medo de amar a todos, amigos e inimigos, porque, no amor vivido, está a força e o tesouro do crente.

A Virgem Maria e a Sagrada Família, que viveram nesta terra abençoada, iluminem os nossos corações e vos abençoem a vós e ao amado Egito que, ao alvorecer do cristianismo, recebeu a evangelização de São Marcos e, ao longo da história, deu muitos mártires e uma longa série de Santos e Santas!

  Papa Francisco, Homilia, Cairo, 29 de abril de 2017

[1] Cf. Bento XVI, Audiência-Geral de Quarta-feira, 11 de abril de 2007.

[2] Santo Efrém exclama: «Arrancai a máscara que cobre o hipócrita e não vereis nele senão podridão» (Serm.). «Ai do coração débil (…) que segue dois caminhos»: diz o Eclesiástico (2, 12; cf. 2, 14 Vulg.).

 

Oração Universal

 

Em cada missa Deus quer encher-nos da Sua sabedoria e da Sua graça por meio de Seu Filho. Unidos a Ele peçamos cheios de confiança:

 Aumentai, Senhor, a nossa fé

 

    1-Pela Santa Igreja de Deus,

para que difunda a verdadeira sabedoria que vem de Cristo Crucificado

e todos se deixem atrair pela Sua luz, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor, a nossa fé

 

    2-Pelo Santo Padre,

para que a sua voz seja escutada por todos os cristãos

e por todos os homens, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor, a nossa fé

 

    3-Pelos bispos e sacerdotes,

para que proclamem com clareza os ensinamentos de Jesus,

animando a todos a cumprir a vontade de Deus, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor, a nossa fé

 

    4-Pelos cristãos do mundo inteiro,

para que levem aos seus amigos a boa nova da ressurreição de Cristo, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor, a nossa fé

 

    5-Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os atraia ao Seu amor, oremos ao Senhor.

 Aumentai, Senhor, a nossa fé

 

    6-Por todos os que se encontram no Purgatório, purificando-se dos pecados,

para que o Senhor lhes abra as portas do Céu, oremos ao Senhor.

 Aumentai Senhor a nossa fé

 

Senhor, que nos chamastes à santidade em Cristo, Vosso Filho,

ajudai-nos a imitá-Lo sempre em nossa vida, e a encher-nos da alegria da Sua Ressurreição.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Rainha do Céu alegai-Vos – J. F. Silva, NRMS, 17

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor quis ficar connosco na Eucaristia Saibamos agradecer-Lhe esse amor.  

 

Cântico da Comunhão: Sempre que comemos o pão– A. F. Santos, BML, 12

Lc 24, 35

Antífona da comunhão: Os discípulos reconheceram o Senhor Jesus ao partir o pão. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Aclamai o Senhor terra inteira – J. Santos, NRMS, 48

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor, para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos a Jesus por ter estado connosco e continuemos com o coração unido a Ele, procurando comunicar aos outros a nossa alegria.

 

Cântico final: Cantai comigo – H. Faria, NRMS, 2

 

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 27-IV: A Palavra de Deus e os encontros com Jesus.

Act 6, 8-15 / Jo 6, 22-29

Quando a multidão viu que Jesus não estava ali...subiram todos para as embarcações e foram todos a Cafarnaúm, à procura de Jesus.

A multidão não procurava Jesus com a melhor das intenções, talvez porque Ele lhes tinha matado a fome (EV). Mas a verdade é que acabaram por encontrá-lo. Quanto a Estêvão, encontrou o Senhor. Na sua vida escolheu o caminho da verdade (SR) e acabou martirizado.

Procuremos o Senhor para que nos dê os alimentos de vida eterna: o Pão e a Palavra (EV). Ao rezarmos pelas vocações consagradas, peçamos a Deus que muitas pessoas vão ao encontro do Senhor e se dediquem ao seu serviço, e que Deus as ajude a superar as dificuldades que certamente encontrarão.

 

3ª Feira, 28-IV: A Palavra de Deus é orientação para a vida.

Act 7, 51- 8, 1 / Jo 6, 30-35

Depois atiraram-se a Estêvão todos juntos, lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.

Este ataque a Estêvão (LT), reveste-se de grande actualidade. Também nós encontramos dificuldades para vivermos a nossa fé num ambiente pagão e defendermos os valores da nossa fé: sobre o início e fim da vida, a família, a educação, etc.

Se queremos transformar este ambiente, precisamos manter a vivência dos valores cristãos e humanos. Contamos com a ajuda de Deus. Em vós, Senhor ponho a minha confiança (SR). Contamos também com a força da Eucaristia. Eu é que sou o pão da vida. E o pão de Deus vem para dar a vida ao mundo (EV).

 

4ª Feira, 29-IV: Santa Catarina de Sena. A Europa precisa da luz de Cristo.

1 Jo 1, 5- 2, 2 / Mt 11, 25-30

Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não procedemos segundo a verdade.

Sta Catarina de Sena (séc. XIV), Doutora da Igreja, teve uma grande influência na unidade da Igreja e na concórdia entre os países da Europa. Ela é a sua Padroeira.

A cultura europeia anda, em muitos aspectos, nas trevas (LT), e precisa da luz de Cristo e de cada um dos cristãos, para readquirir a luz de Deus. Santa Catarina, apesar da sua pouca instrução, escreveu abundantes cartas às autoridades civis e eclesiásticas, para voltarem ao bom caminho. Nela se verificaram as palavras de Cristo. Porque escondeste estas verdades aos sábios e as revelaste aos pequeninos (EV).

 

5ª Feira, 30-IV: A Palavra de Deus e os alimentos de vida divina.

Act 8, 26-40 / Jo 6, 44-51

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.

Para conservarmos a saúde e ganhar novas forças físicas, precisamos tomar alimentos. O mesmo é necessário para alcançar a vida eterna. Precisamos dos alimentos divinos.

O eunuco pede a Filipe o Baptismo (LT) e, assim, recebe uma vida nova, a vida divina. Esta precisa, para o seu desenvolvimento, do alimento da Palavra de Deus. Quem acredita possui a vida eterna; e também do Pão da vida. Quem comer deste Pão viverá eternamente (EV). Agradeçamos ao Senhor o seu cuidado. Foi Ele quem conservou a nossa vida (SR). E procuremos conservar a sua Palavra no nosso coração.

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Celestino Correia

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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