aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA:

Donald Trump discursou na «Marcha pela Vida»

 

O presidente norte-americano Donald Trump discursou na ‘Marcha pela Vida’, iniciativa anual contra o aborto que levou centenas de milhares de pessoas a Washington, capital dos EUA, em 24 de janeiro findo.

O primeiro chefe de Estado em exercício a falar ao vivo nesta manifestação apresentou-se como “defensor” das crianças por nascer.

“Juntos, somos a voz dos sem voz”, declarou, perante a multidão que acompanhou a sua intervenção, manifestando “orgulho” por participar numa iniciativa que reúne “americanos de todas as ascendências”.

“É a vossa geração que está a tornar a América uma nação pró-família e pró-vida”, disse aos jovens.

“Cada pessoa é digna de proteção e, acima de tudo, sabemos que cada alma humana é divina e que cada vida, nascida ou nascitura, é feita à imagem de Deus todo poderoso”, concluiu.

A «March for Life» teve lugar em Washington, na 47ª edição de um encontro anual que se realiza desde a legalização do aborto nos EUA, promovida em 1974 após a decisão do Supremo Tribunal de Justiça no caso ‘Roe vs. Wade’.

A iniciativa visa a defesa das crianças por nascer, contestando a legalização ao aborto.

A marcha foi antecedida por uma vigília de oração pela vida, promovida pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América (USCCB), presidida pelo arcebispo de Kansas City, D. Joseph F. Naumann.

“Onde quer que uma vida seja ameaçada ou a dignidade de uma pessoa humana seja diminuída, temos – como indivíduos e como Igreja – de sair em defesa dos que não se podem defender”, declarou o presidente do Comité para as atividades pró-vida da USCCB, no santuário nacional da Imaculada Conceição, em Washington.

 

NICARÁGUA:

Virgem peregrina vai ser recebida na catedral de Manágua

 

A imagem da Virgem peregrina de Fátima chegou no dia 25 de janeiro à Nicarágua e foi recebida na catedral Metropolitana de Manágua, onde se realizou a primeira celebração do ano jubilar mariano.

Uma peregrinação à Nicarágua que vai “durar um ano e meio, período em que vai percorrer todo o país”, refere uma nota enviada à Agência Ecclesia.

“Esperamos que a Virgem Peregrina nos traga consolo para vencermos as dificuldades” refere o coordenador da Missão Fátima-Nicarágua

A imagem foi entregue pelo Diretor do Departamento de Liturgia, padre Joaquim Ganhão, numa celebração simbólica, aos elementos do comité organizador da Missão Fátima-Nicarágua, composto por sacerdotes e leigos, da diocese de Jinotega, no norte do país.

Na ocasião o capelão do Santuário de Fátima desejou que esta peregrinação “abra os corações dos Homens” e que seja um momento para que o povo da Nicarágua “siga o exemplo dos pastorinhos e que, tal como eles, se entregue a Deus sem medo” e tenha no Imaculado Coração de Maria “o refúgio e o caminho que os conduz até Ele”.

É a primeira vez que “uma imagem de Fátima” está neste país da América Central, embora os primeiros esforços nesse sentido datem de 1982.

A peregrinação da imagem, que decorrerá entre janeiro de 2020 e julho de 2021, percorrerá 360 paróquias das nove dioceses da Nicarágua.

 

ISRAEL/PALESTINA:

Vaticano reafirma apoio a solução de dois Estados

 

O Vaticano reafirmou em finais de novembro de 2019 o seu apoio à solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina, comunicado que surge após a mudança de posição política dos EUA sobre os colonatos israelitas.

“Diante de decisões recentes que ameaçam minar ainda mais o processo de paz entre israelitas e palestinos e a já frágil estabilidade regional, a Santa Sé reitera a sua posição na solução de dois Estados para dois povos, como a única maneira de alcançar uma solução definitiva de Este conflito de longa data”, assinala a nota oficial.

A Santa Sé manifesta o seu apoio ao “direito do Estado de Israel de viver em paz e segurança dentro das fronteiras reconhecidas pela comunidade internacional”, realçando que “o mesmo direito pertence ao povo palestino e deve ser reconhecido, respeitado e aplicado”.

O Vaticano espera que as duas partes, “negociando diretamente entre si, com o apoio da comunidade internacional e em conformidade com as resoluções das Nações Unidas”, cheguem a um “compromisso justo que leve em consideração as aspirações legítimas dos dois povos”.

A administração norte-americana anunciou na segunda-feira que os Estados Unidos da Amétrica deixam de considerar os colonatos israelitas na Cisjordânia como “contrários ao direito internacional”, abandonando a posição que defendia desde 1978.

Em resposta, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos reiterou que os colonatos israelitas em territórios palestinos ocupados são ilegais.

No final de 2017, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, reconheceu oficialmente Jerusalém como a capital de Israel.

 

JAPÃO:

«Nunca mais!», pede o Papa,

evocando destruição das bombas atómicas (c/vídeo)

 

O Papa Francisco pediu em Tóquio, perante o primeiro-ministro japonês, que o mundo assegure que “nunca mais” sejam usadas armas nucleares, evocando o sofrimento do país asiático durante a II Guerra Mundial.

“Que nunca mais, na história da humanidade, volte a acontecer a destruição gerada pelas bombas atómicas em Hiroxima e Nagasáqui”, declarou o pontífice, num encontro que decorreu em Kantei, perante Shinzo Abe, autoridades do Governo e membros do corpo diplomático.

Francisco defendeu que o diálogo é a “única arma digna do ser humano”, capaz de garantir uma paz duradoura.

“Estou convencido da necessidade de abordar a questão nuclear a nível multilateral, promovendo um processo político e institucional capaz de criar um consenso e uma ação internacional mais amplos”, apontou.

A intervenção falou ainda da “fragilidade” do planeta, usando uma imagem associada ao Japão, a flor de cerejeira.

“A delicadeza da flor de cerejeira lembra-nos a fragilidade da nossa casa comum, sujeita não só aos desastres naturais, mas também à ganância, exploração e devastação pela mão do homem”, afirmou.

No momento em que a comunidade internacional tem dificuldade em respeitar os seus compromissos para proteger a criação, eis que se levantam os jovens a falar e exigir cada vez mais decisões corajosas”.

Francisco evocou as relações de vários séculos entre a Santa Sé e o Japão, desde a chegada de missionários, que desde sempre manifestaram a sua “admiração” por esta cultura, marcada pela sensibilidade ao “sofrimento dos menos afortunados”.

A intervenção sublinhou a “dignidade inviolável” de todas as vidas, tema que inspirou a viagem, com o Papa a mostrar-se “comovido” pelas histórias relatadas, no encontro com as vítimas do triplo desastre de 2011, em Fukushima.

“Sabemos que, em última análise, o nível de civilização duma nação ou dum povo não se mede pelo seu poder económico, mas pela atenção que dedica aos necessitados e também pela capacidade de se tornarem fecundos e promotores de vida”, indicou.

Os portugueses foram definitivamente expulsos do Japão em 1639 e o Cristianismo nipónico entrou numa vivência de clandestinidade, que se prolongou até à reabertura do império ao Ocidente, na segunda metade do século XIX.

O Papa defendeu ainda em Tóquio uma colaboração entre religiões para defender “todas as vidas”, dos seres humanos e da natureza, falando durante a Missa a que presidiu na capital japonesa.

“Unidos ao Senhor, cooperando e dialogando sempre com todos os homens e mulheres de boa vontade, e também com as pessoas de convicções religiosas diferentes, podemos tornar-nos fermento profético duma sociedade que protege e cuida cada vez mais de toda a vida”, declarou.

Num país em que os católicos representam menos de 0,5% da população, o Papa destacou a importância da proposta de vida do Evangelho, face a uma sociedade que torna as pessoas “infelizes e escravas”.

“Em Jesus, encontramos o cimo do que significa ser humano e indica-nos o caminho que nos leva à plenitude capaz de ultrapassar todos os cálculos conhecidos; nele encontramos uma vida nova, onde se experimenta a liberdade de nos sentirmos filhos amados”, indicou.

 

BOLÍVIA:

Papa apela à paz neste país. perante crise política e social

 

O Papa manifestou em 10 de novembro a sua preocupação com as crises políticas na Bolívia e Sudão do Sul, apelando à oração dos católicos pela paz nestes países.

“Exorto todos os bolivianos, especialmente os atores políticos e sociais, a aguardarem com espírito construtivo e sem quaisquer condições prévias, num clima de paz e serenidade, os resultados do processo de revisão eleitoral, atualmente em curso. Em paz”, apelou, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação dominical da oração do ângelus.

O resultado das eleições presidenciais na Bolívia, a 20 de outubro, que deram o quarto mandato consecutivo a Evo Morales, são contestadas pelo candidato Carlos Mesa, que as considera fraudulentas, pedindo realização de um novo escrutínio e a nomeação de um novo tribunal eleitoral.

Morales anunciou que, perante os protestos, vai convocar um novo ato eleitoral: “Decidi convocar novas eleições nacionais, que mediante o voto, permitam ao povo boliviano eleger democraticamente as suas novas autoridades”.

Francisco associou-se ainda ao Dia Nacional de Ação de Graças pelos frutos da terra e do trabalho, promovido pela Conferência Episcopal Italiana, pedindo que “não se explorem os trabalhadores, que haja trabalho para todos, mas trabalho verdadeiro, não trabalho escravo”.

“Uno-me aos Bispos recordando o forte vínculo entre pão e trabalho, esperando políticas corajosas de emprego que levem em consideração a dignidade e a solidariedade e evitem os riscos de corrupção”, declarou.

Na sua catequese dominical, o Papa lamentou que o se viva um tempo “pobre de conhecimento” sobre a vida eterna.

“A dimensão terrena em que vivemos agora não é a única, mas existe outra, já não sujeita à morte, na qual será plenamente manifestado que somos filhos de Deus, dando grande consolo e esperança de ouvir a palavra simples e clara de Jesus na vida além da morte”, declarou.

 

BURQUINA FASO:

Papa alerta para violência neste país africano

 

O Papa Francisco alertou em 13 de novembro de 2019 no Vaticano para a violência no Burquina Faso, que provocou cerca de 100 mortes nas últimas semanas, apelando ao diálogo entre autoridades civis e religiosas.

“Dirijo um pensamento especial à querida nação do Burquina Faso, que há algum tempo é provada pela violência recorrente e onde recentemente um atentado custou a vida de quase cem pessoas”, disse, no final da audiência pública semanal que decorreu no Vaticano.

A 6 de novembro, um ataque atingiu uma coluna de veículos civis e militares que transportava trabalhadores da empresa mineira canadiana Semafo, considerado o mais grave dos recentes atos violentos de extremistas islâmicos no Burquina Faso.

“Confio ao Senhor todas as vítimas, feridos, numerosos deslocados e aqueles que sofrem com essas tragédias. Apelo à proteção dos mais vulneráveis; e incentivo as autoridades civis e religiosas e todos aqueles que são motivados pela boa vontade a multiplicar os seus esforços, no espírito do Documento de Abu Dhabi sobre Fraternidade Humana, para promover o diálogo inter-religioso e a concórdia”, pediu Francisco.

O cardeal Philippe Nakellentuba Ouédraogo, bispo de Ouagadougou, declarou ao portal ‘Vatican News’ que o país não pode “ceder a esta dinâmica, ao caos étnico e religioso”.

Segundo os responsáveis cristãos no Burquina Faso, os ataques que “antes tinham como objetivo o exército e as instituições estatais” assumem, cada vez mais, um “caráter religioso e sectário, causando vítimas entre a população civil”.

Uma das dioceses católicas mais atingidas é a de Kaya, no centro-norte, cujas aldeias foram atacadas várias vezes, causando vítimas e destruição material; a norte, os cristãos fugiram em massa da Diocese de Ouahigouya, depois do ultimato dos terroristas à população.

 

GUINÉ-BISSAU:

Bispos lusófonos afirmam «Compromisso pela Paz,

pela Fraternidade Humana e a Vida»

 

Os participantes no XIV Encontro dos Bispos dos Países Lusófonos, em Bissau, afirmaram um «Compromisso pela Paz, pela Fraternidade Humana e a Vida em Comum no Espaço Lusófono», a concretizar no diálogo e em “ações conjuntas”.

O documento refere que o compromisso é manifestação da “vontade de continuar a aprofundar a reflexão e o diálogo e a desenvolver parcerias e ações conjuntas nos países lusófonos”.

O texto foi lido no final da Missa de domingo do Encontro dos Países Lusófonos, na catedral de Bissau, e convida “outros grupos religiosos, cristãos e muçulmanos” a “melhorar o seu envolvimento uns com os outros, começando na reflexão sobre valores compartilhados, desenvolvendo confiança, partilhando preocupações comuns e aprofundando o diálogo nas suas múltiplas possibilidades em conteúdo e forma”.

Num país onde “o diálogo ecuménico e inter-religioso tem uma grande relevância no dia a dia das pessoas e das comunidades”, os participantes no encontro sugerem que as diferentes religiões se envolvam no “diálogo de oração e espiritualidade, diálogo de justiça social, ecologia integral e direitos humanos, diálogo de convivência na hospitalidade mútua”.

O XIV Encontro dos Bispos dos Países Lusófonos decorreu na Guiné-Bissau entre os dias 16 e 21 de janeiro e teve por tema ‘Diálogo inter-religioso na construção da paz e no desenvolvimento dos países lusófonos’.

De acordo com o texto do compromisso, participaram neste encontro bispos de Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Portugal e São Tomé e Príncipe.

O documento lembra o “tempo de grande crise”, na atualidade, marcado pela “ameaça à família, a relativização dos valores e as alterações climáticas ameaçam a sobrevivência da família humana”.

“Face à crise, todos buscamos um sentido de vida; muitos recorrem à fé para encontrar sinais concretos de esperança”, refere o texto, acrescentando que “milhões de pessoas, e muito particularmente os jovens, põem os seus olhos nos líderes religiosos”, procurando “sinais, ideias e ações que façam a diferença”, afirma-se.

Os bispos lusófonos indicam que “o diálogo, a compreensão e a promoção de uma cultura de tolerância e aceitação dos outros e de convivência pacífica” ajudam a “reduzir muitos problemas económicos, sociais, políticos e ambientais”.

“A paz é dom de Deus e construção fraterna. Assim, com fé e confiança em Deus, juntos vamos construir a paz na fraternidade e na solidariedade, na convivência e na reconciliação, na justiça e na esperança”, conclui o documento.

Em nome da Conferência Episcopal Portuguesa, participaram no XIV Encontro de Bispos de Países Lusófonos presidente e o secretário da CEP, D. Manuel Clemente e padre Manuel Barbosa, respetivamente, e D. Joaquim Mendes, como coordenador-geral da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, em 2022

 

CAMARÕES:

Igreja Católica diz que populações locais estão «impotentes» perante ataques dos grupos terroristas islâmicos

 

A Igreja Católica nos Camarões alertou para a impotência das populações locais perante os ataques de grupos terroristas islâmicos, considerando que os “jovens são alvos fáceis de manipulação pelos jihadistas”.

“O Boko Haram é como os animais do Apocalipse, como uma hidra com muitas cabeças: quando lhe cortam uma, cresce imediatamente outra”, descreveu à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) D. Bruno Ateba, bispo de Maroua-Mokolo, no norte dos Camarões.

O prelado denunciou à Fundação a “impotência das populações locais perante a aparente invencibilidade do grupo terrorista islâmico” que há alguns anos aterroriza os Países vizinhos como os Camarões, o Níger e o Chade.

“Não há um dia sem notícias de novos ataques e incursões dos terroristas na fronteira entre os Camarões e a Nigéria”, e os “sequestros e execuções dos camponeses levaram a um verdadeiro reino de terror”.

D. Bruno Ateba olha ainda o futuro e considera que os jovens são fáceis de manipular perante as circunstâncias.

“A pobreza, a insegurança e a falta de perspectivas futuras tornam os nossos jovens alvos fáceis de serem manipulados pelos jihadistas”, refere.

Também algumas aldeias dos Camarões perto da fronteira com a Nigéria foram destruídas, como denunciou à Ajuda à Igreja que Sofre nos últimos dias D. Barthélemy Yaouda Hourgo, bispo de Yaouga.

O responsável católico convida, de modo particular, a rezar pelos muitos deslocados que, no período mais frio do ano, por culpa dos terroristas, já não têm uma casa onde se abrigar

 

CHILE:

Igreja incendiada é mais um ato de perseguição religiosa

 

A igreja da Vera Cruz, localizada no bairro Lastarria da capital chilena, foi incendiada meados de de novembro do ano findo, no meio às manifestações que ocorreram na cidade.

Apesar de terem sido acionados, os bombeiros tiveram dificuldades para atender a chamada, pois o templo em chamas estava trancado por dentro, impedindo-os de entrar no seu interior.

Construída em estilo neoclássico no ano 1852 e benzida em 1857, a igreja da Vera Cruz foi declarada monumento histórico em 29 de junho de 1983. No seu presbitério, atrás do altar, conservava uma das duas relíquias no Chile que contém pequenos fragmentos da cruz em que Jesus foi crucificado. Felizmente a relíquia foi retirada antes do ataque.

Essa não foi a primeira vez que a igreja da Vera Cruz foi vítima de ataque. Alguns dias antes, o templo teve as suas paredes externas pichadas. Essa é uma das cinco igrejas gravemente atacadas desde que se iniciaram as manifestações no Chile contra o governo de Sebastián Piñera. (EPC)

 

UGANDA:

Uma vida em fuga

 

“Conheço a guerra desde a barriga da minha mãe.” Tem 33 anos mas parece muito mais velho. Parece mesmo não ter idade. Vive num campo de refugiados no Uganda mas nasceu no Sudão do Sul. Pertence à chamada “geração perdida”. Nunca soube o que é viver em paz. Por isso teve de abandonar tudo e partir. Ali, no campo de Bidibidi, há milhares de pessoas como Santos Gatluk.

O campo de refugiados de Bidibidi, no Uganda, parece não ter fim. Fica situado perto da fronteira com o Sudão do Sul. Calcula-se que em Bidibidi haverá cerca de 300 mil pessoas oriundas deste país. São pessoas em fuga. Não é fácil falar dos horrores da guerra mas ali, no campo de Bidibidi, torna-se mesmo doloroso.

O Sudão do Sul é o mais jovem país do mundo. Ganhou a independência em 2011 e praticamente desde então tem vivido em guerra. Já morreram mais de 400 mil pessoas e milhões foram forçadas a fugir, perdendo tudo o que tinham. Santos Gatluk é uma dessas pessoas. Fugiu da guerra para fugir da morte. A sua história confunde-se com a do seu país. É trágica. Nasceu em 1986, numa família cristã de agricultores e pastores. Quase todos já morreram. Gatluk já esteve várias vezes no meio de combates, apanhado no fogo cruzado, entre grupos de milícias, forças do exército, bandos armados.

Santos Gatluk aprendeu a sobreviver. “Conheço a guerra desde a barriga da minha mãe”, disse a uma equipa da Fundação AIS que o visitou no campo de refugiados onde vive desde 2016. “Chamam-nos a ‘geração perdida’; somos pessoas sem perspectivas para o futuro. Perdemos as famílias, as propriedades… as nossas vidas foram destruídas.”

O campo de Bidibidi é imenso. Ali estão milhares de pessoas que, como Santos Gatluk, tiveram de fugir para salvar a própria vida. O Campo de refugiados acolhe gente de todo o lado. Cristãos e muçulmanos, animistas, pessoas generosas e bandidos. Sobreviver num campo de refugiados em África é difícil. Em Bidibidi é muito difícil. “Temos de defender a comida que a ONU nos dá”, explica Tai Gatluk. “Literalmente, temos de lutar para conseguir lenha para podermos cozinhar para sobreviver.”

A missão de Santos. Apesar de tudo, Santos Tai Gatluk pretende continuar em Bidibidi. Tem uma missão. Ele é um dos rostos da Fundação AIS neste campo de refugiados. Tornou-se catequista. “Se não tivesse sido a Igreja, eu já tinha deixado Bidibidi. Mas, graças ao trabalho da Fundação AIS, fiquei.”

Santos Gatluk leva a sua missão muito a sério. É um catequista orgulho do seu trabalho. “Temos que ser bem formados para podermos evangelizar, para podermos oferecer aos nossos companheiros refugiados uma razão para viver”, explica. “Por causa da falta de sacerdotes e religiosas damos catequese e distribuímos a Eucaristia.” Fazem tudo isso e procuram ter sempre um sorriso nos lábios.

Desde que é catequista que Santos Gatluk pensa mais no futuro do que fala do passado. Mas os tempos de guerra estão sempre presentes, como se fossem um fantasma que teima em não partir. A guerra na região arrastou milhares de rapazes e raparigas para o flagelo da violência. São as crianças-soldado. Roubadas à família e aos amigos, perderam tudo, a inocência, a infância, a alegria. Muitas destas crianças que andaram aos tiros, que foram violentadas, estão ali. Forçadas a entrar nas milícias, foram treinadas para matar. Agora, elas são também uma razão para a presença de Santos Tai Gatluk no campo de refugiados de Bidibidi. “Não basta dar-lhes comida e abrigo.

Temos de reintegrá-las numa vida normal. Mas isso só será possível se trouxermos Jesus para as suas vidas.” Santos Gatluk é um exemplo apenas do trabalho extraordinário de tantas pessoas em tantos lugares do mundo graças à ajuda dos benfeitores da Fundação AIS. Pessoas que se oferecem aos outros.

(Paulo Aido passim)

 

SÍRIA:

Freira portuguesa afirma que situação está “muito grave”

para os cristãos no nordeste

 

A religiosa Maria Lúcia Ferreira (irmã Myri) afirma que a ação militar turca no nordeste da Síria fez “aumentar bastante a insegurança”, “é um golpe no coração”, que faz com que os cristãos “não vejam outra solução senão partir”.

“Há uma desesperança de ficar e a desconfiança que a Turquia vai voltar a atacar os cristãos, como no passado. E também há uma grande insegurança face aos curdos que também pressionam à emigração dos cristãos”, disse a freira que vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, em Qara, ao secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Na informação enviada à Agência Ecclesia, a irmã Myri, há mais de 10 anos na Síria, assinala que aumentou “bastante a insegurança” e a comunidade cristã está “mais intranquila” desde que começou a ofensiva militar da Turquia no nordeste da Síria, no início de outubro, onde querem implementar uma “zona de segurança” contra as forças curdas.

“A situação naquela região é realmente grave para os cristãos e estão a sofrer perseguição”, frisa a religiosa da Congregação das Monjas da Unidade de Antioquia, que pediu orações de todos, através da AIS: “É uma intenção de oração muito importante”.

A irmã Myri alerta que existem muitas “células adormecidas” do Daesh [autodenominado Estado Islâmico] na Síria, “pequenos grupos que estão no deserto” que “atacam nas autoestradas”, e há uma presença “significativa” de jihadistas na zona de Idleb, a região que “faltava libertar” mas, “agora aumentou a insegurança”, com a operação militar de Ancara contra os curdos.

“Esta é uma antiga região habitada por cristãos e, sobretudo, refúgio para aqueles que fugiram ao genocídio arménio na altura da Primeira Guerra Mundial, não só contra os cristãos arménios mas também assírios e outros do sul da Turquia”, contextualizou a irmã Mária Lúcia Ferreira que nasceu numa aldeia da Paróquia do Milharado, concelho de Mafra, Patriarcado de Lisboa, a 19 de maio de 1981.

Sobre o “aumento de insegurança”, a Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre dá conta do “assassinato” do sacerdote Hovsep Petoyan, da Igreja Católica Arménia, e do seu pai, “por terroristas do Daesh”, no dia 8 de novembro, durante a viagem de Al-Hassake para Deir Ezzor, no nordeste da Síria.

 

 

TERRA SANTA:

Bispos pedem construção de «uma nova solução política»

 

Os bispos da Coordenação da Terra Santa terminam hoje a sua “peregrinação de solidariedade” onde visitaram os cristãos de Gaza, Ramallah e Jerusalém Oriental e pedem aos governos que “ajudem a construir uma nova solução política”.

“Todos os anos chegamos para encontrar e ouvir o povo da Terra Santa. Somos inspirados pela sua resiliência duradoura e fé numa situação cada vez pior”, lê-se na declaração final da peregrinação de solidariedade, divulga o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).

Na informação enviada à Agência Ecclesia, a Coordenação das Conferências Episcopais em apoio à Igreja na Terra Santa (Holy Land Coordination, HLC) imploram aos governos que “ajudem a construir uma nova solução política enraizada na dignidade humana para todos”.

Neste contexto, realçam que são os povos da Terra Santa que devem estar “em diálogo” mas “é urgente” que os seus países participem, nomeadamente em “insistir na aplicação do direito internacional”, “reconhecer o Estado da Palestina”, seguindo a liderança da Santa Sé, abordar as preocupações de segurança de Israel e “o direito de todos viverem em segurança” e rejeitar, por exemplo, “atos de violência ou abusos dos direitos humanos por qualquer lado”.

“Ao tomar essas medidas, a comunidade internacional pode estar significativamente solidária com os Israelitas e palestiniano que se recusam a desistir da sua luta não violenta por justiça, paz e direitos humanos”, acrescentam.

Os bispos lembram que foram recebidos por famílias que se focam na “sobrevivência quotidiana” e as suas “aspirações foram reduzidas a itens essenciais, como eletricidade e água limpa” e explicam que em Gaza, “as decisões políticas de todos os lados resultaram na criação de uma prisão ao ar livre, violações dos direitos humanos e uma profunda crise humanitária”.

“Não devemos ignorar a voz das pessoas na Terra Santa”, alerta a coordenação da Terra Santa que nesta peregrinação visitou cristãos de Gaza, Ramallah e Jerusalém Oriental.

O comunicado destaca a “recente e poderosa mensagem” dos bispos católicos da Terra Santa que “lamentaram o fracasso da comunidade internacional em ajudar a realizar justiça e paz no local do nascimento de Cristo”.

Os bispos testemunharam como o “muro de separação” está a destruir “qualquer perspetiva” existirem de dois Estados – Israel e Palestina – em paz.

Segundo o comunicado da CCEE, os bispos da Coordenação da Terra Santa agradecem o testemunho de religiosas, leigos e padres que “oferecem serviços vitais, especialmente educação, oportunidades de emprego e atendimento às pessoas mais vulneráveis” e com o respeito de todos ajudam a “construir um futuro melhor”.

A Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales é a responsável pela coordenação e comunicação do grupo da coordenação da Terra Santa que foi criada no final do século XX a convite da Santa Sé com o objetivo de visitar e apoiar os cristãos locais.

A visita dos bispos católicos às comunidades cristãs da Terra Santa acontece desde 1990.

 

Chile:

«Mais igrejas atacadas e vandalizadas» por manifestantes

 

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alerta que “cresce” a “violência” no Chile onde há “mais igrejas atacadas e vandalizadas”, como a igreja da Assunção e a da Vera Cruz ou o Santuário de Maria Auxiliadora.

Em nota enviada à Agência Ecclesia, a fundação pontifícia informa que um grupo de “vândalos encapuzados atacou violentamente” o Santuário de Maria Auxiliadora, em 11 de novembro, em Talca.

Do santuário da comunidade Salesiana, na região de Maule, a cerca de 255 quilómetros a sul da capital do Chile, os manifestantes levaram bancos de madeira para serem usados como barricadas nas ruas, destruíram imagens religiosas e móveis e danificaram o edifício “em claro sinal de desprezo”.

Ao mesmo tempo, um “violento incêndio” consumiu parte da igreja da Vera Cruz, no bairro turístico de Lastarria, em Santiago, depois do templo ter sido saqueado.

Antes destes ataques, um grupo de manifestantes encapuzados já tinha assaltado a igreja da Assunção, na Praça Itália, na capital do Chile, na tarde de sexta-feira, dia 8 de novembro; neste templo, as imagens também “foram retiradas e destruídas” e nas paredes escreveram frases contra a Igreja Católica.

A Fundação AIS contextualiza que antes destes ataques já tinham registado “assaltos violentos” à catedral de Valparaíso, a 19 de outubro, um dia depois do início das manifestações, que começaram pelo aumento do preço dos bilhetes de metropolitano.

Os manifestantes atacaram também a Paróquia de Santa Teresa dos Andes, a 23 de outubro, e três dias depois novamente a catedral chilena.

Os protestos com barricadas, incêndios e pilhagens, provocaram 239 feridos civis e cerca de 50 polícias e militares, além de 2643 detenções.

A Conferência Episcopal do Chile alertou para o agravamento da violência no país e manifestou a sua solidariedade com os católicos de Santiago e de outras cidades onde foram profanados locais e imagens de culto.

“Como muitos chilenos e chilenas, opomo-nos radicalmente à injustiça e à violência, condenamos todas as suas formas e esperamos que os tribunais identifiquem os responsáveis e os punam”, refere uma nota do Comité Permanente do episcopado.

As comunidades católicas têm procurado recuperar os templos assaltados e destruídos e dá como exemplo o pároco da igreja da Assunção, que é também o assistente eclesiástico da fundação no país da América Latina, que mobilizou os paroquianos poucas horas depois do ataque.

O Papa Francisco também manifestou a sua “preocupação” com a situação no Chile, apelando ao diálogo e ao fim da violência, no dia 23 de outubro, no final da audiência pública semanal na Praça de São Pedro.

 

VENEZUELA:

Secretário-geral da Conferência Episcopal

defende «saída pacífica» para crise política e social

 

O secretário-geral da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) disse à Agência Ecclesia que o país precisa de “eleições livres”, para superar a atual crise política e social de forma pacífica.

“A situação não é nada fácil, é uma situação de crise humana, que se sente sobretudo nos mais pobres, nas pessoas mais desfavorecidas do país”, advertiu D. José Trinidad Fernández, em Lisboa, onde se encontrou com uma delegação da comissão do secretariado permanente do episcopado venezuelano, a caminho de Roma.

O bispo auxiliar de Caracas denuncia que, por causa da falta de medicamentos, há doentes crónicos a morrer.

“São situações muito tristes, muito dolorosas, nas quais a Igreja Católica se torna presente”, para ajudar a população, indicou.

Graças à ajuda das várias conferências episcopais, entre elas a portuguesa, é possível que este sofrimento seja minorado”.

A ajuda chega à população através da Cáritas, sobretudo no campo da alimentação e da saúde.

“Esperemos que a ajuda humanitária continue a chegar à Venezuela e não desapareça da agenda dos vários governos do mundo”, apela o secretário-geral da CEV.

O responsável católico destaca o paradoxo de uma crise que atinge “um país imensamente rico, com uma população imensamente pobre”.

D. José Trinidad Fernández sublinha o “grande apoio” recebido pela CEV, por parte da Cáritas e da Conferência Episcopal Portuguesa, em particular para uma campanha em favor das crianças desnutridas; a crise tem-se revelado também na diminuição da frequência escolar.

Os representantes católicos estiveram reunidos com a Cáritas Portuguesa, que expressou, em comunicado, “a sua solidariedade e disponibilidade para continuar a acompanhar os programas da Cáritas Venezuela, no apoio às diversas iniciativas em benefício dos mais pobres e frágeis”.

 

SÍRIA:

Europa tem de ajudar no regresso à Síria,

para estancar fluxo de refugiados

 

A fundadora da União das Mulheres Siríacas, Nazira Goreya, disse em meados do novembro do ano findo que a insegurança e o genocídio a acontecer na Síria, onde a “minoria cristã está à beira do extermínio”, tem consequências nas migrações e na Europa.

“Nós precisamos da vossa ajuda e assistência para estabilizar a Síria para que o fluxo migratório pare e, quem sabe, quem emigrou possa regressar, para que o povo sírio possa regressar ao seu país em vez de ser refugiado na Europa”, afirmou Nazira Goreya numa entrevista conjunta à Agência Ecclesia e à Rádio Renascença.

A co-presidente do conselho executivo do cantão de Jazira, uma região autónoma do nordeste da Síria, esteve na Europa para sensibilizar sobre a situação naquele país, tendo mantido encontros a “nível pessoal” com membros do Parlamento Europeu (PE) e também num Comité de Direitos Humanos no PE.

O drama do povo sírio “não se circunscreve àquela região”, sublinha Nazira Goreya, e os problemas “no Médio Oriente interferem diretamente no Ocidente”.

“A impressão que tenho é que a União Europeia e o Parlamento têm as mãos atadas e não podem mover-se como eu gostaria. São um grande ator mas não têm uma força militar para agir. Eles são mediadores a tentar diplomaticamente que grupos e países possam interferir de forma concreta”, afirma, dando conta dos encontros no PE.

 “Nós somos, antes de mais, cristãos síriacos. Já fomos uma maioria na região, mas hoje somos uma pequena minoria, que está a enfrentar um genocídio. Não somos só nós, também outros, curdos, árabes, outras minorias que vivem na região têm enfrentado a mesma situação crítica.

Obviamente que acreditamos na humanidade, nos valores humanos. Não acreditamos que o governo português e os partidos políticos, nem os outros países europeus, irão fechar os olhos e não perceber a dor e o sofrimento que estamos a viver como seres humanos na Síria, e confiamos que o vosso governo de alguma forma irá intervir para fazer parar o que está a acontecer na Síria”, avança a responsável.

Em causa está a “extinção” de uma “minoria cristã” na região que Nazira Goreya indica, “está a sofrer muito e muito seriamente, mais do que outros grupos”.

“A minoria cristã está a tornar-se mais pequena ainda e parece que o genocídio vai acabar connosco desta vez. As mudanças demográficas vão terminar connosco. Se não nos apoiarem, como cristãos, para que permaneçamos no nosso país para que sejamos visíveis na agenda política e na discussão de soluções para a Síria, eu infelizmente, acredito, será o fim do cristianismo na Síria e no Médio Oriente, no geral”, vaticina.

O cessar-fogo acordado entre a Turquia e a Rússia “não conduziu a uma acalmia” pois “os ataques por parte de grupos jihadistas continuam” com “crimes de guerra, decapitações e muitas outras atrocidades”.

“Na última semana, nos dois últimos dias em particular, a comunidade cristã síriaca, que vive junto ao rio Jabur (afluente do rio Eufrates), tem estado debaixo de fortes ataques de artilharia lançados a partir da Turquia, e de ataques dos jihadistas por terra. E ali não há militares curdos, só a força militar síriaca (MFS), e já tivemos baixas. Nas últimas 24 horas vários jovens foram apanhados pelos jihadistas, dois sabemos que foram levados, mas não sabemos para onde, nem como estão a ser tratados. Outros seis estão em paradeiro ‘desconhecido’, não sabemos se conseguiram fugir, se estão mortos, os corpos ainda não foram encontrados. É uma situação grave”, relata.

Sobre a retirada das tropas americanas, a fundadora da União das Mulheres Siríacas não esconde “desapontamento” e a esperança numa “estabilização da região” que não aconteceu.

 

 ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA:

Bispo nascido no México é o novo presidente da Conferência Episcopal

 

O arcebispo de Los Angeles, D. José Horácio Gomez, nascido no México, foi eleito em novembro de 2019 como presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América (USCCB, sigla em inglês), durante a assembleia plenária que decorre em Baltimore.

O responsável pela diocese mais populosa do país é o primeiro bispo hispânico a assumir o cargo.

“A eleição como presidente da USCCB é uma honra, não só para mim mas também para os católicos de Los Angeles e para todos os católicos latinos no país. Prometo servir com dedicação e amor, tentando sempre seguir Jesus Cristo e a sua vontade para toda a Igreja, aqui nos EUA”, escreveu o responsável, na sua conta no Twitter.

Nascido em Monterrey, no México, D. José Horácio Gomez, membro do Opus Dei, foi nomeado bispo auxiliar de Denver, por João Paulo II, em 2001, passando depois pelas dioceses de San Antonio e Los Angeles; era até agora vice-presidente do episcopado norte-americano.

O novo presidente da USCCB tem sido uma das vozes de contestação ao fim do DACA, programa que protege jovens imigrantes sem documentos que chegaram aos EUA em crianças.

“Neste grande país, não devemos ter os nossos jovens a viver sob a ameaça de deportação, com as suas vidas a depender do resultado de um processo judicial. Os temas em cima da mesa são legais, mas também humanitários, económicos e morais”, escreveu, a respeito de um julgamento, no Supremo Tribunal dos EUA, de recursos que bloquearam ordens do presidente Trump sobre o fim do programa DACA.

 

JAPÃO:

Papa Francisco encerra viagens inéditas,

marcadas por apelos contra armas nucleares

e a exploração das pessoas

 

O Papa encerrou em 25 de novembro do ano findo a sua 32.ª viagem de uma semana à Tailândia e Japão, países que visitou pela primeira vez, marcada por mensagens pelo fim das armas nucleares e contra o tráfico de pessoas.

No Parque do Epicentro da Bomba Atómica, em homenagem às vítimas de Nagasáqui, Francisco defendeu a abolição global das armas nucleares, denunciando os gastos militares num mundo em que milhões de pessoas vivem em condições desumanas

Já no Memorial da Paz de Hiroxima, no local onde explodiu a primeira bomba atómica, o pontífice falou num momento que “marcou para sempre” a história da humanidade, que “nunca mais” deve recorrer a armas nucleares.

“Desejo reiterar, com convicção, que o uso da energia atómica para fins de guerra é, hoje mais do que nunca, um crime não só contra o homem e a sua dignidade, mas também contra toda a possibilidade de futuro na nossa casa comum. O uso da energia atómica para fins de guerra é imoral, da mesma forma que é imoral a posse de armas atómicas, como disse há dois anos. Seremos julgados por isso”, advertiu.

A mensagem foi repetida num encontro que decorreu em Kantei, perante primeiro-ministro Shinzo Abe, autoridades do Governo e membros do corpo diplomático: “Que nunca mais, na história da humanidade, volte a acontecer a destruição gerada pelas bombas atómicas em Hiroxima e Nagasáqui”.

O drama de 2011 em Fucuxima, atingida pelo “triplo desastre” – terramoto, tsunami e acidente nuclear – também foi evocado, com apelos à solidariedade para as vítimas e apoio à posição dos bispos nipónicos, pelo fim das centrais nucleares.

A história do Cristianismo num país onde o Papa desejava ser missionário, na sua juventude, também marcou o programa da visita: Francisco rezou junto ao Monumento dos 26 Mártires de Nagasáqui, entre os quais o santo português Gonçalo Garcia, mortos na cidade japonesa em 1597, afirmando que estas figuras são uma “fonte profunda de inspiração” para si.

O Santo Padre falou da “multidão doutros mártires”, que revelaram na sua vida e morte que “o amor que triunfou sobre a perseguição e a espada”.

O Papa apresentou-se aos bispos católicos do Japão como um “missionário”, a cumprir o sonho antigo de anunciar a fé cristã no arquipélago, prestando homenagem aos seus mártires.

A Tailândia e o Japão são países onde os católicos representam menos de 1% da população, nos quais ficaram marcadas da missionação portuguesa no século XVI, em particular.

 

UNIÃO INDIANA:

Os anjos de Meena

 

Foi em Agosto de 2008. Uma onda de violência brutal caiu sobre Kandhamal, no Estado de Orissa. Populares, irados, querem vingar o assassinato de um líder hindu local. Os Cristãos são as principais vítimas desse ódio descontrolado. Ninguém escapou.

Uma irmã, Meena Barwa, foi violada e arrastada para a rua pela multidão. Onze anos depois, conta-nos a sua história…

Ainda hoje é com enorme perplexidade que se escutam os relatos do ataque em Kandhamal, no Estado de Orissa, na Índia, em Agosto de 2008. Foi de tal forma brutal que ainda hoje o balanço ainda não está fechado. Cento e vinte mortos, dezenas de aldeias atacadas. Seis mil casas destruídas. Trezentas igrejas e paróquias arrasadas. Ninguém foi poupado. Foi terrível, brutal. Iníquo.

Nas várias notícias que se publicaram sobre estes incidentes, há algumas referências a uma irmã. Uma religiosa. Meena Barwa. Foi atacada talvez por ser sobrinha de um líder da Igreja Católica, o Arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar. Talvez. Nunca se vai saber. Era uma irmã, uma mulher. Foi atacada em casa, violada e arrastada quase sem roupas para o meio da rua. Foi violada e humilhada. Lembrar o que aconteceu revela-se sempre doloroso. É como reabrir uma ferida que nunca deixou de sangrar.

Mas Meena Barwa aceitou contar a sua história, dar o seu exemplo, contar como o perdão é sempre mais poderoso do que o ódio. “O trauma foi quase insuportável”, diz, lembrando que a violação foi apenas o começo de um longo caminho que ainda não chegou ao fim. A violência continuou a pairar por Orissa naqueles dias, naquelas semanas e meses. Meena foi forçada a mudar de casa várias vezes.

A ameaça continuava a ser muito forte. Os cristãos tiveram de se esconder por questões de segurança. “Até usava disfarces”, recorda. “Durante anos, fiquei separada da minha família… as noites eram especialmente más…” Como um pesadelo sem fim, Meena Barwa teve também de enfrentar a violência do julgamento. Ir a tribunal, encarar eventuais agressores, recordar passo a passo o que lhe aconteceu, deixou-a traumatizada. “Não consegui dormir durante dias…” Cada sessão do julgamento era como uma nova violação. Meena ganhou até aversão ao sistema judicial, a tudo.

Reagir. Mas decidiu reagir. Era preciso lutar pela justiça, defender todos os que, como ela, foram vítimas da violência mais absurda. Decidiu estudar. Matriculou-se numa faculdade longe de Orissa, mas nunca revelou a sua identidade. Continuou a ser uma religiosa mas, na escola, era apenas uma jovem estudante.

Foi em 2015. “Hoje levo uma vida normal e tornei-me muito mais forte. As pessoas que conheci ajudaram-me a esquecer a minha dor.” Todos os que estiveram com a Irmã Meena durante estes anos ajudaram-na a ultrapassar o trauma, a olhar de frente para o futuro, a acreditar novamente em si. “Foram anjos enviados para me guiar, para que eu não me afundasse na miséria.” Hoje, a Irmã Meena é outra pessoa. Cresceu. “Ultrapassei o meu trauma e encontrei uma maneira de trazer esperança ao meu povo. Tornei-me mais humilde, mais paciente e mais humana.”

Meena Barwa teve de se confrontar com os seus agressores. Mesmo não podendo identificar um a um os homens que a agrediram, teve de os encarar durante as suas orações. Não havia maneira de se desviar disso. “A oração só tem sentido quando eu perdoo. Como posso rezar a Nosso Senhor se não perdoo? Ao perdoar aos meus agressores, fiquei livre dos meus traumas, do medo, da vergonha, da humilhação e da raiva.

Sinto que estou a viver uma vida normal e sou feliz porque lhes perdoei. Caso contrário, teria enlouquecido. Não desejo mal aos que me agrediram. Só desejo que eles se tornem boas pessoas.”

Meena Barwa, a sobrinha do Arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar, aprendeu da forma mais dolorosa o poder do perdão. Hoje, é um exemplo de que o amor é sempre mais forte do que o ódio…

 

SÍRIA:

«Tentaram mandar-nos para a água mas conseguimos fugir,

tivemos sorte» – Refugiado sírio

 

O jovem Khoshnav Alloush, refugiado sírio, acolhido pela Unidade Pastoral de Apoio a Refugiados, uma resposta de duas paróquias do Patriarcado de Lisboa, encontrou em Oeiras uma hospitalidade que o levou a considerar Portugal a sua casa.

“Guardo Alepo como uma cidade bonita, no coração, a sua imagem está sempre na minha cabeça, mas descobri que Portugal era um país fixe, onde podia ter futuro”, explica este jovem de 18 anos, à Agência Ecclesia.

O testemunho de Khoshnav Alloush, que saiu da sua casa com 15 anos, na Síria, devido à guerra, mostrou numa Vigília ecuménica Jovem, na igreja de Santa Isabel, em Lisboa, como a hospitalidade pode fazer a diferença na vida dos migrantes e refugiados.

A Semana anual de Oração pela Unidade dos Cristãos, que une milhões de pessoas de várias Igrejas, entre 18 e 25 de janeiro, recordou neste ano os migrantes e refugiados que são vítimas de naufrágios no Mediterrâneo.

A reflexão foi proposta pelas comunidades cristãs do arquipélago maltês, a partir do relato bíblico do naufrágio de São Paulo (século I), que o levou até à ilha de Malta, onde, segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, foi tratado com “invulgar humanidade”.

Khoshnav, juntamente com a irmã Rohaf e a mãe Shiraz, deixou a sua casa, de noite às 2 da madrugada para encetar um caminho que originalmente demorava uma hora a fazer, mas que, devido à guerra, levou 14 horas; passaram a fronteira, tendo como destino Istambul, onde os aguardavam uns familiares; o pai tinha ficado em Alepo, na Síria.

O clima na capital turca não era “o ideal” e acabaram num barco, “sobrelotado”, rumo a Lesbos, na Grécia.

“Apanhámos o barco e ficámos lá dentro quatro horas. Tinha medo, porque não sabia nadar, mas a minha mãe e irmã estavam comigo. Havia muitas pessoas. Apanhamos polícia na Turquia, tentaram mandar-nos para a água mas conseguimos fugir. Encontrámos, depois, um barco grego e chegamos a terra. Tivemos sorte”, indica.

A família Allush esteve no campo de refugiados de Moria, em Lesbos, “com muitos problemas” e, mais uma vez, Khoshnav admite que teve sorte: inscreveu-se num programa que lhe permitia ajudar outros no campo e o levou, a si e à sua família, para um hotel, onde puderam “dormir e tomar banho”, mas ali permaneceram sete meses.

Em outubro de 2016, a família aterrou em Lisboa, acolhida pela Unidade Pastoral de Apoio a Refugiados (UPAR), uma resposta da Unidade Pastoral de Nova Oeiras e São Julião, duas paróquias do Patriarcado de Lisboa, ao abrigo do programa da Plataforma de Apoio aos Refugiados.

A integração “não foi fácil”, recorda Khoshnav Alloush, que teve dificuldade em aprender o português e incluir-se na escola.

Khoshnav não tem dúvidas que encontrou “boas pessoas no caminho”: hoje estuda programação, a sua irmã Rohaf estuda na universidade e a mãe Shiraz trabalha num restaurante sírio; o pai chegou em abril de 2019, passando agora pela fase de adaptação.

“É muito gratificante perceber a forma como (os Alloush) se integraram e hoje fazem a sua vida cá, com todas as dificuldades que todas as famílias têm”, traduz.

 

IRLANDA

Ataque ao mosteiro Estrela do Mar

 

A vandalização do mosteiro carmelita irlandés comoveu os habitantes daquela zona.

Um grupo de vândalos irrompeu no Mosteiro durante o dia, destroçou a sua capela e gritou insultos contra as monjas idosas que vivem ali.

«As irmãs que vivem ali desempenham um papel importante na vida dos habitantes da área e é indignante que um grupo de vândalos as ataque desta maneira», disse um paroquiano local que regularmente vai à capela.

O incidente ocorreu em 11 de novembro no mosteiro Estrela do Mar, em Malahide, a umas 10 milhas ao norte do centro de Dublín.

O P. Jimmy McPartland, pároco da Igreja de Santa Ana em Portmarnock, anunciou o incidente aos paroquianos durante uma missa matutina.

McPartland disse que os vândalos tinham «profanado» a capela. O bando gritou «coisas muito horríveis» contra as monjas depois do vandalismo.

O paroquiano disse a Dublin Live que o sacerdote estava «visivelmente molestado» ao informar sobre a notícia a congregação estava «emocionada».

«Mencionou que os vândalos tinham dito coisas muto ofensivas às monjas e que possivelmente havia graffitis racistas». A polícia disse que estão a investigar e que não houve prisões.

«Qualquer vandalismo é mau, mas a um grupo de monjas idosas é vergonhoso», disse a Dublin Live Darragh O'Brien, Deputado do Dáil de Malahide, membro do Parlamento.

«Desafortunadamente, temo-nos habituado aos roubos na área, mas este tipo de ataque a um convento, profanar um edifício religioso, é impactante», acrescentou. «O efeito que isto tem num grupo de religiosas, a maioria das quais são idosas, desgostou as pessoas na área».

A comunidade carmelita mudou-se para Malahide em 1975. A fundação monástica atual resultou de um acordo de outros 2 conventos em 2011.

 

ESPANHA:

«Passamos indiferentes pelos que caem dos barcos»

 

O arcebispo de Barcelona criticou a Europa da indiferença que “perdeu a dimensão comunitária da vida” e vive uma “mercantilização da existência”.

“Hoje há indiferença. Passamos pelos que caem dos barcos, dos meninos que não nascem, passamos indiferentes aos que estão nas ruas”, lamentou o cardeal D. Juan José Omella, durante a conferência da Comissão Nacional Justiça e Paz.

«Com os pobres» era o tema da conferência que o organismo da Igreja católica realizou, convidando o arcebispo de Barcelona para refletir sobre «Viver a opção preferencial pelos pobres hoje na Europa».

“Perante a avalanche de imigrantes na Europa, o que vamos fazer? Ninguém os quer. Não podemos socorrer todos sem saber onde os colocamos. Mas o que estamos a fazer para que não tenham de sair? Quantos países cumprem o compromisso de dar uma percentagem da sua riqueza para os países mais pobres? E como invertemos isso?”, questionou.

Responsável pela comissão episcopal da pastoral social de Espanha durante vários anos, D. Juan José Omella disse que a Europa passou de “mãe para avó”.

O arcebispo recordou os princípios da ação social que nortearam as práticas de solidariedade dos cristãos nas origens do cristianismo e no pós Vaticano II, “ideais que convocaram leigos, religiosos e padres, comunidade cristãs e que continuam a colocar em primeiro plano o compromisso a favor da justiça”.

Reconhecendo haver “discussões abertas e acaloradas” sobre a opção preferencial pelos pobres no “interior da Igreja”, o arcebispo de Barcelona recordou que deve ser o “amor” a nortear a “opção preferencial pelos pobres”.

“Escrevemos muito bem os documentos mas na vida concreta é mais difícil”, afirmou o cardeal questionando os participantes sobre o nome dos pobres com quem diariamente se cruzam.

“A ação pastoral tem de passar da reflexão para o coração, para a empatia. Isto é um ato de empatia. Mas tem de passar, depois, pelas mãos, têm de passar pelo nosso bairro e pelas nossas ações”, concretizou.

Como cardeal, criado pelo Papa Francisco em 2017, D. Juan José Omella reconheceu a injustiça diária: “Pagamos centros de saúde para emagrecer e alguns não têm nada para comer”.

D. Juan José Omella indicou que os pobres vivem hoje nas prisões, “que não são estabelecimentos de inserção, mas escolas de crime”, “estão nas periferias”, “são vítimas de desastres naturais”, perseguidos por questões religiosas, vitimas de violência, “seres humanos que não nascem”, são crianças abandonadas nas ruas, “são os que sofrem com a precariedade laboral e existencial”.

O arcebispo indicou a necessidade de “atacar e denunciar as causas da pobreza” e afirmou ainda que o “ativismo social não pode fazer esquecer a vocação cristã, caso contrário a Igreja transforma-se numa ONG”.

“O debate moral sobre as pessoas, a distribuição justa da terra e do trabalho humano, não como filantropia”, sublinhou.

 

BURQUINA FASO:

Fundação pontifícia AIS denuncia «execução» de cristãos

 A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) denunciou a “execução” de cristãos no Burquina Faso, por grupos jihadistas.

Em comunicado enviado à Agência Ecclesia, o secretariado português da AIS indicava que 14 pessoas morreram durante uma cerimónia religiosa que estava a decorrer num domingo, numa igreja protestante no leste do país africano.

A AIS referiu que, nos últimos tempos, tem aumentado a violência contra as comunidades cristãs no Burquina Faso.

Em novembro, o Papa alertou no Vaticano para a violência nesta nação, apelando ao diálogo entre autoridades civis e religiosas.

“Dirijo um pensamento especial à querida nação do Burquina Faso, que há algum é provada pela violência recorrente e onde recentemente um atentado custou a vida de quase cem pessoas”, disse.

Na primeira semana de novembro de 2019, um ataque atingiu uma coluna de veículos civis e militares que transportava trabalhadores da empresa mineira canadiana Semafo, considerado o mais grave dos recentes atos violentos de extremistas islâmicos neste país.

“Confio ao Senhor todas as vítimas, feridos, numerosos deslocados e aqueles que sofrem com essas tragédias. Apelo à proteção dos mais vulneráveis; e incentivo as autoridades civis e religiosas e todos aqueles que são motivados pela boa vontade a multiplicar os seus esforços, no espírito do Documento de Abu Dhabi sobre Fraternidade Humana, para promover o diálogo inter-religioso e a concórdia”, pediu o Santo Padre.

O Governo português condenou “veementemente” o ataque de novembro, comunicando que “acompanha com preocupação a deterioração da situação de segurança no Burquina Faso e na região do Sahel nos últimos anos”.

O cardeal Philippe Nakellentuba Ouédraogo, bispo de Ouagadougou, declarou ao portal ‘Vatican News’ que o país não pode “ceder a esta dinâmica, ao caos étnico e religioso”.

Segundo os responsáveis cristãos no Burquina Faso, os ataques que “antes tinham como objetivo o exército e as instituições estatais” assumem, cada vez mais, um “caráter religioso e sectário, causando vítimas entre a população civil”.

Uma das dioceses católicas mais atingidas é a de Kaya, no centro-norte, cujas aldeias foram atacadas várias vezes, causando vítimas e destruição material; a norte, os cristãos fugiram em massa da Diocese de Ouahigouya, depois do ultimato dos terroristas à população.

 

BOLÍVIA:

Bispos e representantes da sociedade

pedem «solução constitucional e pacífica»

 

A Conferência Episcopal da Bolívia e representantes de diversos organismos da sociedade apelaram, em meados de novembro, a “uma solução constitucional e pacífica” para o país, numa declaração em que rejeitam a ideia de “um golpe de Estado”.

“Em nome de Deus pedimos: cessem as ações de violência e preservem a vida e a paz. Mantenhamos o espírito pacífico que reinou no povo durante tanto tempo”, lê-se na declaração.

A Conferência Episcopal Boliviana, os representantes da Comunidade Cidadania, dos comités cívicos e do Comité Nacional de Defesa da Democracia (CONADE) estiveram reunidos para um diálogo construtivo sobre a situação do país, depois da renúncia de Evo Morales.

Na declaração conjunta afirmam que “todos” têm a “obrigação de defender a vida de todos os bolivianos” e pedem à Polícia Nacional e às Forças Armadas para cumprirem com “urgência o seu papel constitucional de defesa da propriedade e das pessoas, preservando a vida e a liberdade de todos”.

“O que acontece na Bolívia não é um golpe de Estado, dizemos isso diante dos cidadãos bolivianos e diante da comunidade internacional”, salientam.

Antes da sua renúncia, Evo Morales que esteve no poder durantes 13 anos e nove meses, tinha anunciado a convocação de um novo ato eleitoral.

“Estamos todos de acordo em propor à Assembleia Nacional da Bolívia uma solução constitucional e pacífica para termos em breve um presidente constitucional”, escrevem os bispos os representantes da Comunidade Cidadania, dos comités cívicos e do Comité Nacional de Defesa da Democracia (CONADE), que pedem à população que procure uma solução constitucional e pacífica que leve a novas eleições.

O resultado das eleições presidenciais na Bolívia, a 20 de outubro, que deram o quarto mandato consecutivo a Evo Morales, são contestados pelo candidato Carlos Mesa, que as considera fraudulentas.

O ex-presidente da Bolívia anunciou que aceitava a oferta de asilo do México e abandonava o seu país por “razões políticas” mas “pronto a voltar com mais força e energia”.

Também o Papa Francisco manifestou preocupação com a crise política neste país que visitou entre 8 e 11 de julho de 2015 numa peregrinação que começou no Equador e terminou no Paraguai.

“Exorto todos os bolivianos, especialmente os atores políticos e sociais, a aguardarem com espírito construtivo e sem quaisquer condições prévias, num clima de paz e serenidade, os resultados do processo de revisão eleitoral, atualmente em curso. Em paz”, apelou, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação dominical da oração do ângelus.

 

ARGÉLIA:

Os monges trapistas mártires do Mosteiro de Notre-Dame de l’Atlas, em Tibhrine

 

Viviam num mosteiro e eram exemplo da convivência pacífica entre religiões. Viveram até ao fim na gratuidade do amor aos outros. Apesar disso, foram assassinados por radicais islâmicos no auge da guerra civil da Argélia. Beatificados há precisamente um ano, sete monges trapistas de Tibhrine são exemplo da Igreja perseguida nos tempos modernos.

Calcula-se que tenham morrido mais de 150 mil pessoas. Os anos 90 foram terríveis para a Argélia. Foi uma década de violência e de morte. Tudo se precipitou após a vitória eleitoral, em 1991, de fundamentalistas islâmicos. Os militares promovem um golpe de Estado e instituem um governo, ignorando a vontade expressa nas urnas.

Os fundamentalistas, ao verem fechadas as portas do poder, lançaram-se de armas para as ruas. Foram tempos de terror absoluto. Todos os que não seguissem a ‘Sharia’, a lei islâmica mais estrita, eram perseguidos e violentados. Muitos foram assassinados. Ninguém escapou a esses julgamentos sumários feitos com o dedo no gatilho. Nem os muçulmanos mais moderados.

Os Cristãos ficaram também na mira dos radicais. No dia 8 de Dezembro de 2018, fez há pouco um ano, a Igreja beatificou 19 homens e mulheres que conheceram o martírio nesses tempos turbulentos na Argélia. Viviam em paz, procuravam servir a comunidade. Foram mortos. Alguns foram assassinados nas igrejas, durante a missa, outros foram degolados na rua, outros foram atacados à bomba. São os mártires da Argélia.

Entre eles estão sete monges trapistas que viviam no Mosteiro de Notre-Dame de l’Atlas, em Tibhrine. Nem aí, nesse oásis de paz erguido no cimo de uma montanha, estiveram a salvo. A história dos irmãos Bruno, Célestin, Christian, Christophe, Luc, Michel e Paul deu origem até a um filme. Ainda agora, mais de vinte anos depois, há uma enorme inquietação quando se revisitam esses anos em que a Argélia foi consumida pelo terror.

O padre Christian de Chergé era o prior do mosteiro. Já se viviam tempos muito conturbados quando resolveu escrever um texto que acabaria por ficar como testemunho poderoso da iniquidade que estava prestes a acontecer. O filme [‘Dos homens e dos deuses’, de Xavier Beauvois] que relata esta história, não resolve a perplexidade de tanta violência gratuita, de tanta maldade sobre pessoas inocentes que dedicaram as suas vidas aos outros, procurando ajudá-los, oferecendo o melhor que tinham e sabiam. Um dos sete irmãos, o frade Luc, era médico. Não haveria ninguém em toda a região que não conhecesse a forma generosa e gratuita como tratava todas as pessoas.

Ficar ou partir. Estes sete monges trapistas podiam ter abandonado o mosteiro quando a violência se banalizou, quando o ódio assaltou as ruas. Decidiram ficar, sabendo que arriscavam a própria vida. Ficaram como sempre viveram. Desarmados. Ficaram, pois, à espera.

Durante a noite de 26 de Março de 1996, um comando do Grupo Islâmico Armado irrompeu pelo mosteiro sequestrando os sete homens, os sete frades. Os seus corpos, martirizados, só seriam encontrados 56 dias mais tarde. As palavras do prior do mosteiro, o padre Christian de Chergé, ganham uma força impressionante quando se sabe que foram escritas dois anos antes do ataque a Tibhrin.

“Se me acontecesse um dia (e poderia ser hoje) de ser vítima do terrorismo que parece querer envolver agora todos os estrangeiros que vivem na Argélia, eu gostaria que a minha comunidade, a minha Igreja, a minha família se lembrassem de que a minha vida foi dada a Deus e a este país. (…) Que eles soubessem associar esta morte a tantas outras igualmente violentas, deixadas na indiferença e no anonimato. A minha vida não tem mais valor do que outra.” O ano passado, no dia 8 de Dezembro, estes monges trapistas de Tibhrine foram beatificados juntamente com mais 12 Cristãos. São conhecidos agora como os mártires da Argélia. São, todos eles, exemplo da Igreja perseguida nos tempos modernos.

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

 

BURQUINA FASO:

Bispo denuncia perseguição contra cristãos

 

O bispo de Ouahigouya, no Burquina Faso, denunciou a perseguição aos cristãos no país africano, lamentando a indiferença da comunidade internacional perante a violência que tem marcado a vida da comunidade católica.

“O mundo deve olhar e ver o que está a acontecer no Burquina Faso. As potências ocidentais devem parar aqueles que estão a cometer esses crimes, não vendendo mais as armas que eles estão a usar para matar os cristãos. Nós estamos a ser perseguidos, mas mantemos a nossa confiança no Senhor”, referiu D. Justin Kientega, em declarações à fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

“Ninguém nos escuta”, lamentou ainda, apontando o dedo ao Ocidente, que “vende armas aos terroristas, em vez de os deter”.

O responsável falava depois da morte de 14 fiéis no primeiro dia de dezembro, numa igreja protestante na província de Fada N’Gourma, no leste do Burquina Faso, perto da fronteira com o Níger.

D. Justin Kientega fala numa “perseguição contínua”, ao longo dos últimos meses; calcula-se que, desde o início do último ano, mais de 60 cristãos tenham sido assassinados no Burquina Faso.

Em novembro de 2019, o Papa alertou no Vaticano para a violência nesta nação, apelando ao diálogo entre autoridades civis e religiosas.

“Dirijo um pensamento especial à querida nação do Burquina Faso, que há algum é provada pela violência recorrente e onde recentemente um atentado custou a vida de quase cem pessoas”, disse.

O portal de notícias do Vaticano informou então sobre o sequestro de dois sacerdotes católicos na Nigéria, outro país afetado por violência contra cristãos.

Os dois religiosos, padre Felix Efobi e padre Joseph Nweke foram vítimas de uma emboscada armada

 

BRASIL:

Piotr Shewior, missionário ma Amazónia

 

O P. Piotr Shewior Nasceu na Polónia, na aldeia de Lubowo, perto de Gniezno. Desde pequeno queria ser padre. Na verdade, sonhava em ser missionário. Teve de esperar muitos anos até ao dia em que foi enviado para a Amazónia brasileira. Hoje, trabalha com as famílias que vivem ao longo do rio em plena selva. Todos os dias enfrenta perigos e dificuldades. Nada disso, porém, o intimida. “Sou uma pessoa feliz”…

Piotr Shewior queria ser padre para ser missionário mas teve de esperar muitos anos até esse dia chegar. A mãe ajudou-se desde sempre. Tomou a sério as suas palavras e encaminhou-o para o seminário e acompanhou-o pelos anos fora até ao dia da ordenação.

Mandaram-no para Roma, para completar os estudos, deram-lhe depois a responsabilidade de algumas paróquias na Polónia, mas Piotr via tudo isso como provisório, como uma passagem para uma missão num país distante. Deixou, até, o seu nome e contacto numa comunidade religiosa sempre com a secreta esperança de que um dia seria chamado para servir a Igreja como missionário.

“Estava disponível para ir para onde me mandassem, fosse na Ásia, em África ou na América Latina.” Os desejos foram escutados e um dia o Padre Piotr recebeu uma carta. Era um convite para ingressar numa missão no Brasil. Disse logo que sim. “Fui enviado para a cidade de Tefe, situada no coração da Amazónia”.

Os primeiros tempos foram de surpresa e de ambientação. “Não conhecia ninguém mas tinha a certeza de que o Deus que me chamou na Polónia era o mesmo Deus que me tinha recebido no Brasil…” Ser missionário significa estar sempre aberto à experiência, estar sempre disponível para os outros. Muitas vezes significa ter de aprender outra língua, descobrir outras comidas, adaptar-se a usos e costumes diferentes.

A ida para a Amazónia foi um deslumbramento. “Os povos indígenas têm muita fé. Ninguém duvida na existência de Deus ao ver o mundo tão bonito que os circunda.” O Padre Piotr é responsável por 35 comunidades espalhadas ao longo do rio. É um trabalho imenso, mas não se queixa. Pelo contrário. “O facto de estar a trabalhar no coração da selva deixa-me feliz. Sou uma pessoa feliz.”

A grande Estrada. Durante pelo menos três vezes ao ano o padre polaco vive no coração da selva, no meio do rio, no barco que foi doado à paróquia pela Fundação AIS. O rio é, por ali, a grande estrada. “Não há nada, apenas nós e a selva… só conseguimos viajar pelo rio.

Duas a três vezes por ano vamos de barco visitar as 35 comunidades situadas ao longo das margens.” São apenas pequenos lugares com meia dúzia de famílias que vivem na floresta junto à margem do rio. São os paroquianos do padre polaco. Desde a cidade de Tefe até à comunidade no lugar mais longínquo são precisas cerca de 20 horas de barco. Só o padre tem a preocupação de visitar aquelas pessoas esquecidas pelo resto da sociedade. “Mais ninguém faz isso.”

As temperaturas são altas, a humidade é por vezes brutal. “Sente-se isso no próprio corpo. No princípio é difícil. Troco de camisa várias vezes ao dia. Mas fazemos tudo por Deus. Fazemos qualquer coisa por Deus.” Nem sempre é possível viajar pelo rio. Às vezes é mesmo perigoso. Há crocodilos e alguns peixes que atacam os seres humanos. Mas não há nada que pague a alegria dos que pressentem a chegada do sacerdote e vêm recebê-lo nas margens do rio.

Não há dois dias iguais nesta paróquia que se estende ao longo do Amazonas. “Até um bebé já nasceu aqui no barco”, diz o padre polaco recordando a viagem em que teve de acudir uma mulher em trabalho de parto. “Graças ao barco que a Fundação AIS nos ofereceu, posso chegar até àqueles que precisam tanto da nossa presença. Em todo o mundo há muito homens e mulheres como eu que querem estar perto das pessoas, apesar das dificuldades. Eles precisam da vossa ajuda.”

Fazer tudo por Deus era o sonho da vida do padre Piotr. Um sonho que, afinal, estava a 9.940 km de distância do lugar onde nasceu.

Texto de Paulo Aido, passim.

 

ALBÂNIA:

Cáritas fornece alimentos e bens de primeira necessidade

às vítimas do terramoto

 

O diretor da Cáritas da Albânia disse que a organização está a ajudar as vítimas do terramoto da madrugada de 26 de novembro, com a intensidade, de 6,4 na escala de Richter, que “provocou nove mortos e 600 feridos”, segundo dados oficiais do Ministério da Defesa.

“A situação é bastante grave. Estão a ser formados três centros para acolher as famílias que perderam as suas casas: Em Lezha, Durres e em Tirana”, disse o padre Antonio Leuci, em declarações divulgadas pelo Vaticano.

O sacerdote adiantou que à Cáritas da Albânia foi solicitado “ajudar” as vítimas do terramoto “com alimentos” e a organização católica já está a trabalhar com congéneres de outros países, como da Itália, e a Cáritas Europa.

“Pedimos a todos os religiosos e religiosas, aos vários diretores da Cáritas diocesana que se informem para compreender qual é a real situação”, acrescentou o diretor da Cáritas albanesa.

Segundo os primeiros dados oficiais do Ministério da Defesa do país, o terramoto atingiu a Albânia às 02h54 (menos uma hora em Lisboa) e provocou nove mortos e 600 feridos.

O ‘Vatican News’ adianta que já foram encontradas trinta pessoas vivas nos escombros.

Numa declaração publicada online, o presidente da República da Albânia, que visitou zonas afetadas, escreveu que “é importante trabalhar com dedicação e profissionalismo para salvar toda a vida humana e ajudar os feridos”.

“É importante identificar os residentes que não podem voltar para as suas casas e que precisam de alojamento. Acredito que todos os nossos cidadãos saberão lidar com esse desastre com solidariedade, coragem e de todas as maneiras que pudermos alcançar nossos irmãos e irmãs feridos”, desenvolveu Ilir Meta.

O Santo Padre, que em setembro tinha visitado este país, enviou uma mensagem de conforto e solidariedade na manhã da quarta feira seguinte ao tremor de terra. 

“Estou próximo das vítimas, rezo pelos falecidos, pelos feridos, pelas famílias. Que o Senhor abençoe este povo ao qual quero tanto bem”, disse o Papa esta manhã, no final da audiência geral de quarta-feira, na Praça de São Pedro.

 

TAILÂNDIA:

Papa denuncia tráfico de pessoas e exploração laboral,

num encontro com bispos do continente

         

O Papa Francisco denunciou em 22 de novembro ultimo, na Tailândia o tráfico de pessoas e exploração laboral na Ásia, falando a uma representação dos bispos católicos deste continente.

“Carregais aos ombros as preocupações dos vossos povos ao ver o flagelo das drogas e o tráfico de pessoas, a necessidade de atender a um grande número de migrantes e refugiados, as más condições de trabalho, a exploração laboral sofrida por muitos, bem como a desigualdade económica e social que existe entre os ricos e os pobres”, disse aos bispos da Conferência Episcopal da Tailândia e da Federação das Conferências Episcopais Asiáticas (FABC), no Santuário do Beato Nicolas Bunkerd Kitbamrung, localizado na aldeia católica de Wat Roman, arredores de Banguecoque.

A FABC é uma associação que reúne os membros das 19 Conferências Episcopais da Ásia, com sede em Hong Kong.

“Viveis num continente multicultural e multirreligioso, dotado de grande beleza e prosperidade, mas ao mesmo tempo provado por uma pobreza e exploração a vários níveis. Os rápidos progressos tecnológicos podem abrir imensas possibilidades para facilitar a vida, mas podem também suscitar um crescente consumismo e materialismo, sobretudo entre os jovens”, advertiu o Papa.

No terceiro dia da sua visita à Tailândia, Francisco evocou a figura do primeiro beato do país asiático, o padre Nicolau Bunkerd Kitbamrung, que morreu em 1944 e é reconhecido como mártir pela Igreja Católica, pela sua dedicação à evangelização e à catequese, que se estendeu a parte do Vietname e ao longo da fronteira com o Laos.

A intervenção recordou ainda o início da missionação católica neste território, “com coragem, alegria e uma resistência extraordinária”.

Os primeiros missionários a estabelecer-se no território tailandês (no antigo Reino do Sião) foram os dominicanos portugueses em 1567, seguidos pelos franciscanos e pelos jesuítas.

“Ousados, corajosos, porque sabiam, antes de mais nada, que o Evangelho é um dom para ser semeado em todos e para todos: doutores da lei, pecadores, publicanos, prostitutas, todos os pecadores de ontem e de hoje”, referiu Francisco.

O Papa sublinhou que a missão da Igreja Católica inclui qualquer “terra, povo, cultura ou situação”, porque “cada vida tem valor aos olhos do Mestre”.

Numa passagem improvisada, Francisco disse que há três meses recebeu no Vaticano a visita de um missionário francês que há cerca de 40 anos trabalha junto das tribos no norte da Tailândia, acompanhado por famílias jovens que são a primeira geração de católicos.

“Alguém poderia pensar: perdeste a vida com 50 pessoas, com 100 pessoas? Esta foi a sua semente”, observou.

O Papa pediu uma “Igreja em caminho, sem medo de descer à rua e tomar contacto com a vida das pessoas que lhe foram confiadas”.

“Quanto temos a aprender convosco que, apesar de serdes minoria – por vezes minorias ignoradas, obstaculizadas ou perseguidas – em muitos dos vossos países ou regiões, nem por isso vos deixais levar ou contaminar pelo complexo de inferioridade ou pela lamentação”, apontou.

Francisco falou num “martírio da dedicação diária” e elogiou o trabalho levado a cabo por leigos e leigas, num “exercício simples e direto de inculturação, não teórica nem ideológica, mas fruto da paixão por partilhar Cristo”.

O Papa cumprimentou cada bispo, antes de seguir para uma sala de conferências, próxima do santuário, onde se encontrou em privado com membros da Companhia de Jesus, apontamento habitual nas suas viagens internacionais.

A Tailândia recebeu João Paulo II em 1984 e agora, o Papa Francisco, o que seguiu daqui para o Japão, onde rezou em Nagasáqui e Hiroxima.

 

NIGÉRIA:

Fundação pontifícia noticia libertação

de um de quatro seminaristas sequestrados

 

Um dos seminaristas sequestrados após o ataque de um grupo armado ao Seminário Maior do Bom Pastor, na Nigéria, foi libertado por se encontrar “bastante doente”, revela a Fundação Ajuda a Igreja que Sofre. 

“O seminarista, cuja identidade ainda não foi revelada, foi encontrado num sábado à noite na estrada, após ter sido libertado pelos sequestradores, ao que tudo indica por causa do seu estado de saúde”, anuncia no seu site a fundação pontifícia.

O jovem foi recolhido e transportado de imediato para uma unidade de saúde estando a “receber tratamento” e, segundo informações recolhidas pela AIS junto da Igreja local, “a reagir bem”.

Ainda é desconhecida a identidade dos sequestradores, sabendo-se apenas que envergavam camuflados militares e que chegaram a fazer durante o ataque ao seminário alguns disparos “em estudantes, professores e funcionários”.

Os bispos nigerianos lançaram um apelo à libertação dos quatro seminaristas que têm idades compreendidas entre os 18 e os 23 anos.

 

PAQUISTÃO:

Arcebispo de Lahore alerta para sequestros de adolescentes cristãs

 

O arcebispo de Lahore, no Paquistão, alertou em entrevista à Agência Ecclesia para a sucessão de sequestros de adolescentes cristãs ou hindus, duas das principais minorias religiosas no país asiático.

De passagem por Portugal, D. Sebastian Shaw fala de menores de idade que foram “raptadas e violadas”, sendo forçadas a converter-se ao Islão.

A situação foi denunciada ao Governo e a responsáveis religiosos muçulmanos, os quais sublinharam que as conversões forçadas são também proibidas pelo Islão.

“Alguma legislação está a ser produzida para controlar os sequestros e as conversões forçadas. Esperemos que ainda este ano”, indicou o responsável católico.

Entre os casos mais mediáticos está o de Huma Younus, acompanhado a nível internacional pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

A jovem foi convocada para prestar declarações no Supremo Tribunal de Karachi no próximo dia 3 de fevereiro, um gesto considerado inédito no Paquistão.

“Há sinais de mudança, agora. O atual Governo está a trabalhar muito para que todas as pessoas tenham um sentimento de pertença e de unidade, de que todos somos paquistaneses”, indica D. Sebastian Shaw.

O arcebispo de Lahore assinala que o “grande problema” do fundamentalista islâmico, com grupos terroristas, está a ser enfrentado pelo poder executivo e o exército.

“Os grupos terroristas estão mais controlados, agora, é um passo importante”, indica.

Segundo o responsável católico, está um curso um diálogo com líderes islâmicos empenhados na construção de uma sociedade mais pacífica, inspirado pelo documento sobre a “Fraternidade Humana” que o Papa Francisco assinou com o Grande Imã de Al-Azhar no mês de fevereiro do ano passado em Abu Dhabi.

O arcebispo da capital da província do Punjab, no leste do Paquistão, espera que estas mudanças tragam mais “paz e justiça social” ao país, respeitando todas as minorias religiosas.

“Nos últimos anos, sofremos muito, muito. Mas estamos a sair dessa situação”, aponta.

O entrevistado falou ainda dos principais desafios para os católicos, num país onde os cristãos são apenas 1,2%.

O nosso principal papel no Paquistão – e penso que em todos os lugares – é trabalhar mais sobre a questão da tolerância. Costumo dizer ao nosso grupo de diálogo inter-religioso, imãs e académicos: vamos passar de nível. Até hoje, era sempre a tolerância, mas penso que não é suficiente, temos de passar de nível, que é o da aceitação”.

D. Sebastian Shaw refere que há um reconhecimento do papel das escolas cristãs do país, pelo seu nível educativo.

“A educação é um elemento social. Nas nossas escolas, mais de 90% dos estudantes são muçulmanos. Essa é também uma forma de promover o diálogo, eles gostam de estudar nas nossas escolas”, espaços mais abertos e “baseados em valores, valores humanos”.

A Igreja Católica empenha-se também na área da saúde e no apoio social, através da Cáritas, que estende a sua atenção às alterações climáticas, para “tornar o Paquistão mais verde”, com gestos como a plantação de 1 milhão de árvores; simbolicamente, um grupo inter-religioso procedeu à plantação de oliveiras.

 

RUANDA:

Padre que fugiu do genocídio do seu país e das guerras no Congo

e na República o-Africana alerta contra perseguição

 

O padre Gaetan Kabasha, ruandês, disse à Agência Ecclesia que tem vivido de “conflito em conflito”, após ter fugido do genocídio de 1994 e passar por guerras na República Democrática do Congo e República Centro-Africana.

O sacerdote, atualmente a estudar em Espanha, está em Portugal a convite da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) para associar-se à chamada ‘Red Wednesday’ (quarta-feira vermelha), na qual a fundação pontifícia ilumina com luzes vermelhas vários monumentos públicos, alertando para a perseguição aos cristãos.

“Temos problemas de conflitos, muitas vezes relacionados com questões económicas, matérias-primas, geopolítica. Aí, cola-se o tema religioso, inicialmente como tema secundário, que pouco a pouco se vai tornando fundamental”, refere o padre Gaetan Kabasha.

O sacerdote destaca que “os cristãos sofrem, no meio disto”.

“Neste tipo de perseguições, há um conflito subjacente, que deveria ser solucionado, porque é este que leva à perseguição religiosa”, apela.

Questionado sobre o que podem fazer os europeus face a esta situação, o padre Gaetan Kabasha diz que, em primeiro lugar, é preciso “saber o que se está a passar em cada país”.

“Muitas vezes tenho a sensação que se sabe muito pouco, na Europa. Costumam caricaturar os conflitos, dividindo entre bons e maus, sem mais, sem olhar a fundo, para ver realmente o que está por baixo”, lamentou.

Cada um, onde se encontra, tem de ver o que pode fazer, desde ajudar organizações como a AIS, até ir como voluntário ou recorrer aos media para informar as pessoas”.

Testemunha do genocídio do Ruanda, em 1994, o padre Gaetan Kabasha viveu como refugiado, sem documentos e sem saber da sua família, que reencontrou 19 anos depois.

“Vivi muitos conflitos, pessoalmente, a minha vida em África sempre foi uma vida de conflito em conflito”, relata.

Esta experiência, assinala, teve impacto na vida de fé, na oração, “abrindo os olhos sobre como a fé pode sustentar as pessoas nas dificuldades”.

“Posso assegurar que a minha fé cresceu muito em momentos de dificuldades”, adianta o sacerdote.

O capelão do hospital San Carlos de Madrid está a ultimar uma tese de doutoramento em filosofia, sobre violência e conflito, sendo responsável por uma página de comentário sobre a atualidade africana,

Num dos seus últimos textos, o padre Gaetan Kabasha alerta para o crescimento do Estado Islâmico na África, com riscos de desaparecimento da presença cristã no Burquina Faso, entre outros.

No Relatório sobre a Liberdade Religiosa, produzido pela Ajuda à Igreja que Sofre, estima-se que mais de 300 milhões de cristãos vivam em países onde há perseguição ou discriminação com base nas questões da fé.

“Apesar da dimensão trágica que estes dados revelam, existe uma enorme insensibilidade ou mesmo desinteresse na maioria dos países ocidentais para esta questão”, considera a fundação pontifícia.

 


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