2º Domingo da Quaresma

8 de Março de 2020

 

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor Salvou-me – C. Silva, OC pg 189

Salmo 26, 8-9

Antífona de entrada: Diz-me o coração: «Procurai a face do Senhor». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto.

 

Ou

cf. Salmo 24, 6.3.22

Lembrai-vos, Senhor, das vossas misericórdias e das vossas graças que são eternas. Não triunfe sobre nós o inimigo. Senhor, livrai-nos de todo o mal.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste 2.º Domingo da Quaresma, a Igreja convida-nos e verificar diante de Deus em que medida a nossa caminhada para Ele é iluminada pela fé. Se isto não acontecesse, bem poderia dizer-se de cada um de nós, por mais diligente que fosse, o que afirmava Santo Agostinho de Hipona de alguém: «Corres bem, mas andas fora do caminho.»

Nestes tempos em que somos solicitados a guiarmo-nos pela nossa cabeça ou a seguir tantos falsos profetas, este exame é muito oportuno.

 

Acto penitencial

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•  Senhor Jesus: Temos sido descuidados em conhecer as verdades da fé,

    para podermos viver de acordo com elas e as comunicarmos aos outros.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Há um desacordo profundo entre o que acreditamos e vivemos,

    porque nos falta, muitas vezes, a coerência na vida de cada momento.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Vivemos, por vezes, mergulhados nos nossos interesses

    e somos luz debaixo do alqueire, não nos preocupando com difundi-la.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Livro do Êxodo apresenta-nos o Patriarca Abrão que, inteiramente confiado na Palavra do Senhor, abandona tudo e parte ao encontro do desconhecido.

Assim deve ser a nossa fé, sem medo de nos confiarmos às exigências que a Lei do Senhor nos põe aos ombros e no coração.

 

Génesis 12, 1-4ª

 

1Naqueles dias, o Senhor disse a Abraão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar. 2Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. 3Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra». 4aAbraão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado.

 

1 «O Senhor disse a Abraão». Estamos nas origens do antigo povo de Deus, como preparação do caminho do Evangelho: «no devido tempo Deus chamou Abraão para fazer dele um grande povo» (Dei Verbum, 3). A aliança com Deus implica uma série de exigências: deixar terra, família, casa e lançar-se para o desconhecido, «a terra que Eu te indicar…», fiando-se apenas na palavra de Deus. É assim que S. Paulo há-de insistir no exemplo de fé e de obediência ao Deus de Abraão: Rom 4; cf. Hebr 11,8-19.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 4-5.18-19.20.22 (R. 22)

 

Monição: Abrão entregou-se à vontade do Senhor, confiando na Sua Palavra e caminhando ao encontro do desconhecido.

O Espírito Santo convida-nos, pelo salmo responsorial, a fomentar em nós esta mesma disponibilidade.

 

 

Refrão:     Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

 

Ou:           Desça sobre nós a vossa misericórdia,

            porque em Vós esperamos, Senhor.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Deus fala-nos por Seu Filho, Jesus Cristo e convida-nos, por Ele, a renovar a nossa inteira confiança em Deus, À imitação do santo Patriarca Abraão.

«Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça

 

2 Timóteo 1, 8b-10

 

Caríssimo: 8bSofre comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus. 9Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade, 10manifestou-se agora pelo aparecimento de Cristo Jesus, nosso Salvador, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade, por meio do Evangelho.

 

8 S. Paulo, nas vésperas da sua execução pelo ano 67, no seu segundo cativeiro romano, aparece a animar o seu discípulo a sofrer também pelo Evangelho. 

9-10 Estes versículos, num contexto exortatório, constituem mais uma das belas sínteses paulinas da salvação, em forma de hino, em prosa ritmada; esta «salvação» tem, como ponto de partida, um desígnio divino gratuito e (à letra) «chamou-nos com um chamamento santo», santo, não só por ser de Deus, mas por levar a Deus; daí a tradução litúrgica, menos formal: «chamou-nos à santidade».

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Jesus continua a transfigurar-se diante dos nossos olhos pela Palavra que o Evangelho nos transmite.

Aclamemo-lo, cheios de júbilo, como Pedro no Monte Tabor, perante o mistério da Transfiguração.

 

Cântico: Louvor e glória a Vós, J. Santos, NRMS, 40

 

No meio da nuvem luminosa, ouviu-se a voz do Pai:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

 

 

Evangelho

 

São Mateus 17, 1-9

 

1Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte 2e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. 4Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». 5Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». 6Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. 7Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». 8Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. 9Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».

 

O facto de esta cena nos ser apresentado todos os anos no 2º Domingo da Quaresma é para na nossa vida a termos muito em conta. Assim como para aqueles discípulos a Transfiguração de Jesus serviu de preparação para se confrontarem com a sua desfiguração na agonia do Getxemani, assim também nós temos de nos dispor com olhos de fé para a celebração do tríduo pascal.

1 «A um alto monte. Os Evangelhos não dizem o nome do monte que habitualmente se julga ser o Tabor, segundo uma tradição procedente do séc. IV, um monte situado a 10 km a Leste de Nazaré. Como este monte não é muito alto (apenas 560 m), há exegetas modernos que falam antes do Monte Hermon (2.759 m), junto a Cesareia de Filipe, região onde Jesus tinha estado, segundo os três sinópticos, uma semana antes.

Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus, destinados a ser «colunas da Igreja» (Gál 2,9) particularmente firmes, igualmente testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37) e da agonia de Jesus no horto (Mt 26,37), diríamos, uma espécie de núcleo duro do grupo dos Doze. Jesus sabia que a sua Paixão e Morte lhes iria provocar um violentíssimo choque, por isso quer prepará-los para enfrentarem com fé e coragem tamanha provação. Pedro acabara de confessar Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16,16); Jesus tinha-o declarado «bem-aventurado» por essa confissão de fé, que afinal era muito frágil, pois, logo a seguir, perante o primeiro anúncio da Paixão, Jesus havia de o repreender pela sua visão humana (cf. Mt 16,23).

3 «Moisés e Elias». São os dois maiores expoentes de toda a revelação do Antigo Testamento: representam a Lei e os Profetas a convergirem em Cristo.

9 «Não conteis a ninguém». Esta ordem enquadra-se na chamada «disciplina do segredo messiânico», que tinha por fim evitar uma exagerada exaltação do espírito dos Apóstolos; assim Jesus obviava a possíveis agitações populares que só viriam prejudicar e perturbar a sua missão. Em Marcos esta imposição do silêncio adquire um significado teológico muito particular.

 

Sugestões para a homilia

 

• A riqueza da Fé

Desprendimento para crer

Fiar-se na promessa de Deus

Agir de acordo com a fé

• Frutos da fé

Contemplamos maravilhas

A consolação da fé

A fé e a vida diária

 

1. A riqueza da Fé

 

a) Desprendimento para crer. «Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: “Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar”

A fé, infundida em nós pelo Espírito Santo no Baptismo, é uma das três virtudes teologais. Dá-nos acesso às maravilhas de Deus que estão ocultas aos nossos olhos. Admiramos muitas das coisas que fazem os santos. Eles fazem-nas, porque contemplam realidades que estão ocultas aos nossos olhos.

Participamos da ciência divina. A virtude da fé torna-nos participantes na ciência de Deus e leva-nos a ver as pessoas, as coisas e os acontecimentos com os olhos de Jesus Cristo.

Se uma águia nos levasse um dia sobre as suas asas e se elevasse nas alturas, veríamos de lá muitas coisas que na terra não podemos ver. Deus, pela virtude da fé, toma-nos nos braços e leva-nos a contemplar maravilhas que, só com os nossos olhos – com os pés no chão – não podemos vislumbrar.

•  Jesus Cristo “empresta-me os Seus olhos. S. Paulo escreve, na carta aos fiéis da Igreja da Galácia: «Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.»  (Gal 2, 20). De modo semelhante podemos dizer: Vejo, não eu, mas Cristo que vê em mim.

As pessoas que estavam junto da pequena azinheira, na Cova da Iria, em 1917, nada viam nem ouviam. Os três Pastorinhos vivam e ouviam.  De algum modo, é isto o que acontece no mundo: as pessoas que têm fé vêem e ouvem muitas maravilhas que os outros não vislumbram.

Desprendimento do que os olhos vêem. No momento em que Deus faz estas promessas ao santo Patriarca nosso pai na fé, ele nada vê. Confia no que Deus lhe diz, tal como nós nos fiamos numa pessoa que merece a nossa confiança.

Afinal, na vida presente, muitas vezes somos movidos apenas pelo que as pessoas nos dizem: na celebração do Matrimónio, os dois acreditam no amor um do ouro e na sinceridade com que fazem a sua entrega para toda a vida; num negócio, fiamo-nos que a pessoa é verdadeira quando nos garante que é verdade o que diz.

E, no entanto, a experiência dolorosa diz-nos que, às vezes, as pessoas mentem e enganam, ou enganam-se, pensando que podem cumprir o que prometem. Deus nunca Se engana nem nos engana.  Por que duvidamos então da Sua Palavra?

Desprendimento da terra e dos bens. Abrão começa por deixar tudo quanto os seus olhos contemplam. São coisas a que ele se sente preso. A fé começa por nos pedir que nos desprendamos do que temos entre mãos em troca do que não vemos ainda.

Começar vida nova. Abrão deve agora voltar as costas ao passado, ao que viveu até ali, e começar uma vida nova. A fé pede-nos este sacrifício.

Para o fazermos, Deus fortalece-nos e ajuda-nos em tudo o que precisamos. Havemos de ser humildes e pedir-Lhe, cheios de confiança, que nos ajude a fazermos o que Ele nos pede.

 

b) Fiar-se na promessa de Deus. «Farei de ti uma grande nação e te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. Abençoarei a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas todas as nações da terra».»

Abrão confio na palavra do Senhor que lhe prometia algo que não via ainda, e partiu ao encontro do desconhecido, como quem caminha nas trevas, sem ver nada na sua frente.

Fé e confiança em Deus. Acreditar não é o mesmo que ver ou compreender. Muitas pessoas entram em crise de fé, porque confundem estas duas coisas: “Não compreendo”, não vejo, por isso não acredito!” Quando compreendemos ou vemos já não temos necessidade da fé, porque não arriscamos nada.

A nossa fé apoia-se, não na evidência das afirmações ou das coisas, mas na confiança que pomos em alguém. Quando se trata da fé sobrenatural, confiamos e apoiamo-nos em Deus e temos motivos para o fazermos: Deus é a suma verdade˚– não se pode enganar, porque sabe todas as coisas – e a suma veracidade – nem nos engana, porque fidelíssimo no que diz ou promete.

O Dom da fé. Deus, que nos pede esta entrega da inteligência – mas não algo contra ela – sabe que precisamos da Sua ajuda para fazer um ato de fé e não a recusa, se a pedirmos com humildade.

Poderíamos cair na tentação de julgar que, uma vez explicadas com clareza as verdades da fé, a pessoa só não acredita se não quiser, ou não for inteligente, e isto não é verdade. A fé sobrenatural é um dom gratuito de Deus.

Na Sua vida pública, Jesus curou da cegueira alguns invisuais que Lhe pediram ajuda, porque não podiam curar-se por si mesmos. Estes milagres que Jesus fez podem ajudar-nos a compreender a necessidade de ajuda de Deus para fazermos um ato de fé.

O pecado contra a fé. Acredito porque Deus mo disse, e eu confio n’Ele. Isto resume em que consiste a virtude sobrenatural da fé.

Quando, pois, uma pessoa, numa só verdade de fé, se recusa a crer, perde toda a virtude da fé, porque muda de critério na sua vida. Passa a aceitar uma verdade porque a compreende, e não porque Deus disse.

 

c) Agir de acordo com a fé. «Abrão partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado

Logo que recebe a ordem de Deus, Abrão sai da sua terra, deixa tudo e vai ao encontro do desconhecido, unicamente apoiado nessa promessa que Deus lhe fez.

Viver da fé. A fé não um conhecimento estático, teórico, desligado da vida de cada dia, que nos deixa parados como estávamos antes, sem mudar nada na nossa vida, mas leva-nos a caminhar em frente, a modificar o nosso modo de ver e de viver.

Quem diz que tem fé, mas não orienta por ela a sua vida, as suas escolhas e atitudes, na realidade não vive como quem tem fé, mas como quem a não possui.

Atuar de acordo com a fé concretiza-se em guiar as nossas escolhas pelo que Deus nos diz, porque é para isso que Ele nos ilumina. Também nós os humanos, se uma pessoa nos pede repetidamente conselhos, mas decide sempre ao contrário do que lhe dizemos, acabamos por desistir de a aconselhar. O conselho, neste caso, não serve para nada àquela pessoa.

Acreditar e sacrifício. Muitos passos a dar na vida que Deus nos mostra parecem difíceis ou mesmo impossíveis. Ele prova, com isso, a nossa confiança n’Ele. Depois, à hora de actuar, Ele ajuda-nos a fazer a Sua vontade.

S. José personifica este modo de agir, obedecendo sem ver nada. O Anjo garante-lhe, em nome de Deus, que ele é o homem cero para o lugar certo, e el recebe Maria como esposa, quando estava já disposto a abandoná-la em segredo, porque se considerava indigno daquela missão.

Caminha para Belém, embora humanamente lhe pudesse parecer que tinha melhores condições em Nazaré para o Filho de Deus ali nascer.

Foge com Maria e o Menino para o Egito, sem interpelar Deus porque não escolhe outro meio menos sacrificado e arriscado de salvar o Menino Jesus.

Regressa a Nazaré, depois da ordem de regresso e de ter inspecionado o terreno, porque Deus quer que orientemos a vida também pela nossa inteligência, onde a fé não nos diz o que e como havemos de fazer. 

 

2. Frutos da fé

 

a) Contemplamos maravilhas. «Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz

Esta subida de Jesus com os três Apóstolos ao cimo do monte Tabor, é, por si mesma, um símbolo do que acontece com a fé. Quando subimos ao alto, o ar é mais puro e o horizonte que se avista dali é mais belo e amplo. Fala-nos da imensidade de Deus, pelo espaço a perder de vista que o nosso olhar abarca.

Jesus transfigurou-Se diante dos três. Ocultou a Sua condição humana e deixou-os contemplar o esplendor da Sua Ressurreição gloriosa. Queria fortalecê-los para a difícil prova da fé na Sua divindade, na paixão que se avizinhava. Humanamente era uma derrota vergonhosa e que, para mais, ia contra os sonhos triunfalistas que eles alimentavam. São os mesmos três que ele vai convidar a que permaneçam vigilantes perto do lugar da Oração no Horto e que tinham sido convidados para testemunhar a ressurreição da filha de Jairo.

A fé leva-nos a descobrir a beleza e o amor de Deus para connosco onde não o víamos antes. Ele leva-nos sobretudo a esta maravilhosa descoberta: o Amor de Deus para connosco que se manifesta a cada instante e a nossa grandeza e dignidade de filhos de Deus.

De algum modo, pelo dom da fé, o mundo transfigura-se perante os nossos olhos, de tal forma que vemos o que os outros não vêem.

Aqueles que não têm fé ou não a vivem, passam pela vida como por um túnel onde não brilha o sol. Caminham às escuras, selecionam falsos valores que adquirem por preço elevado e desorientam-se na vida.

As consequências desta falta de fé na vida são visíveis:

A tristeza, porque falta o verdadeiro sentido da vida e olhamos para ela como para um enigma ininteligível. Nada fez sentido.

– O desânimo. Para que serve a vida se não passa além do que vemos com os nossos olhos?

Pessimismo.  Se a vida acaba na terra e nada mais temos a esperar, nada vale a pena, sobretudo se nos pede sacrifício.

Pela fé, Jesus transfigura-Se aos nossos olhos míopes, à semelhança do que fez diante dos olhares dos três Apóstolos, no Tabor.

• Adoramo-l’O e contemplamo-l’O no Sacrário. Os que não têm fé, não conseguem ver mais nada para além das aparências do pão.

• Servimo-l’O e amamo-l’O nos mais humildes e mais carenciados. Sem a fé, as pessoas são levadas a reparar apenas no modo como a pessoa veste, na marca do carro e na sua conta bancária.

• Vemos em cada gesto do nosso dia um ato de amor e adoração ao Senhor que nos chamou à vida e nos faz herdeiros da vida eterna.

 

b) A consolação da fé. «Pedro disse a Jesus: “Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés a outra para Elias”.

S. Pedro fica entusiasmado e não quer sair mais dali. Sente-se tão feliz que nem acha necessário construir uma tenda para se abrigar com os dois irmãos Apóstolos. O importante para ele é perpetuar esta situação.

Várias pessoas têm confessado a sua tristeza por não terem fé. Fomos criados para outro mundo, para viver noutro “ambiente” e parece-nos que somos violentados ao viver fora dele. Atentemos hoje na riqueza que a fé recebida no baptismo e alimentada na Igreja nos proporciona.

Alegria. A fé dá-nos uma segurança como nenhuma ciência terrena nos pode oferecer. Desta segurança brota a alegria.

O exemplo dos mártires é disso uma confirmação. No meio dos tormentos, mantêm a serenidade uma alegria desconcertante. Como é possível sorrir à vista dos tormentos?

Segurança interior e paz. À luz da fé, todas as grandes interrogações que atormentam a inteligência humana encontram uma resposta.

Só temos hesitações quando não sabemos o caminho por onde seguir. Então paramos e ficamos indecisos, até que tenhamos uma certeza.

A fé diz-nos onde estamos, para quê e para onde vamos, animando-nos a caminhar para lá.

Caminhar decidido. Como nos está continuamente acenando com a meta para onde caminhamos – o Céu para sempre – a fé anima-nos a manter um bom ritmo de caminhantes.

O desleixo e abandono da vida espiritual – com o plano de vida que traçamos para nós – tem como explicação uma fé tíbia, adormecida e vacilante.

Deslumbramento. No Tabor é revelada aos três Apóstolos a divindade de Jesus. «Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O”.»

Salvas as distâncias, nós experimentamos um deslumbramento semelhante, em momentos pontuais da vida nos quais Deus nos enche de felicidade. Quem não se recorda, por exemplo, da alegria e felicidade da Primeira Comunhão?

 

c) A fé e a vida diária. «Então Jesus aproximou se e, tocando os, disse: “Levantai vos e não temais”. Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus

Terminada a visão de Cristo transfigurado, desceram com Jesus do Tabor, ao encontro dos outros nove que os esperavam mais abaixo.

Jesus recomeça uma catequese sobre a Sua Paixão que se ia dar dentro de poucos dias. Mas nunca falava a Paixão, sem concluir com a promessa da Sua Ressurreição gloriosa ao terceiro dia.

Todas as vezes que Jesus falava nisto, os Apóstolos ficavam baralhados, porque não entendiam o que era ressuscitar dos mortos. Tinham visto a ressurreição da menina de 12 anos, filha de Jairo, do jovem filho da viúva de Naím e de Lázaro. Mas todo estes ressuscitavam para a vida mortal, para uma vida igual à das outras pessoas. A ressurreição que Jesus anunciava era diferente.

Nesta descida do monte, ao encontro do ordinário de todos os dias, dos companheiros habituais, encontramos o símbolo da nossa vida.

Santificação na vida ordinária. E, com isto, regressaram à vida de todos os dias. De facto, não estamos destinados a santificarmo-nos no extraordinário – com visões e milagres – mas na vida ordinária de todos os dias: fazendo o mesmo trabalho, na mesma terra, com a mesmas pessoas e partilhando a vida da mesma família.

Faremos as mesmas coisas, mas não do mesmo modo, porque procuramos aperfeiçoar o trabalho de cada dia.

Que bem o exprime o autor anónimo da carta a Diogneto! «Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular. Nem uma doutrina desta natureza deve a sua descoberta à invenção ou conjectura de homens de espírito irrequieto, nem defendem, como alguns, uma doutrina humana.» (Carta Diogneto, v 1-3).

O justo vive da fé. Em cada ação, em cada momento, havemos de ser alumiados pela fé. Mas há uma orientação fundamental para a nossa vida: não procuramos com fim da vida, a riqueza, o prazer dos sentidos ou as honras. Procuramos fazer a vontade de Deus, manifestando-Lhe, deste modo, o nosso amor.

Unidade de vida. Não podemos ser cristãos esquizofrénicos. Quem sofre desta doença vive alternadamente em dois mundos incomunicáveis: o real e o da fantasia.

Nós temos de ser sempre os mesmos, sejam quais forem as circunstâncias em que nos encontramos. Não podemos fazer das exigências da fé o que faz qualquer pessoa que, ao sair para a rua em dia chuvoso, veste um impermeável, mas tira-o e deixa-o no bengaleiro, ao entrar numa repartição pública.

Nós procuramos manter uma identidade cristã e humana na escola, no trabalho, no desporto e na família.

Que Nossa Senhora nos ajude a viver em cada dia cada vez mais generosamente as exigências da nossa fé.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus transfigurado no monte Tabor quis mostrar aos seus discípulos a sua glória,

não para evitar que eles passassem através da cruz, mas para indicar onde carregar a cruz.»

 

O Evangelho deste segundo domingo de Quaresma apresenta-nos a narração da Transfiguração de Jesus (cf. Mt 17, 1-9). Tomou consigo em particular três apóstolos, Pedro, Tiago e João, subiu com eles a um alto monte, e lá deu-se este singular fenómeno: o rosto de Jesus «brilhou como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz» (v. 2). Deste modo o Senhor fez resplandecer na sua própria pessoa aquela glória divina que se podia obter com a fé na sua pregação e nos seus gestos milagrosos. E a transfiguração, no monte, é acompanhada pela aparição de Moisés e Elias, «que conversavam com Ele» (v. 3).

A «luminosidade» que caracteriza este evento extraordinário simboliza a sua finalidade: iluminar as mentes e os corações dos discípulos para que possam compreender claramente quem é o seu Mestre. É um raio de luz que se abre de repente sobre o mistério de Jesus e ilumina toda a sua pessoa e toda a sua vicissitude.

Agora decididamente encaminhado para Jerusalém, onde deverá sofrer a condenação à morte por crucificação, Jesus quer preparar os seus para este escândalo — o escândalo da cruz — para este escândalo demasiado forte para a sua fé e, ao mesmo tempo, prenunciar a sua ressurreição, manifestando-se como o Messias, o Filho de Deus. Com efeito, Jesus estava a demonstrar-se um Messias diverso em relação às expetativas, àquilo que eles imaginavam acerca do Messias, como era o Messias: não um rei poderoso e glorioso, mas um servo humilde e desarmado; não um senhor de grandes riquezas, sinal de bênção, mas um homem pobre, que não tem onde reclinar a cabeça; não um patriarca com descendência numerosa, mas um solteiro sem casa nem refúgio. É deveras uma revelação invertida de Deus, e o sinal mais desconcertante desta escandalosa inversão é a cruz. Mas precisamente através da cruz Jesus chegará à ressurreição gloriosa, que será definitiva, não como esta transfiguração que durou um momento, um instante.

Jesus transfigurado no monte Tabor quis mostrar aos seus discípulos a sua glória, não para evitar que eles passassem através da cruz, mas para indicar onde carregar a cruz. Quem morre com Cristo, com Cristo ressuscitará. E a cruz é a porta da ressurreição. Quem luta juntamente com Ele, com Ele triunfará. Eis a mensagem de esperança que a cruz de Jesus contém, exortando à fortaleza na nossa existência. A Cruz cristã não é um adorno de casa nem um ornamento pessoal, mas a cruz cristã é uma chamada ao amor com o qual Jesus se sacrificou para salvar a humanidade do mal e do pecado. Neste tempo de Quaresma, contemplemos com devoção a imagem do crucificado, Jesus na cruz: ele é o símbolo da fé cristã, é o emblema de Jesus, morto e ressuscitado por nós. Façamos com que a Cruz ritme as etapas do nosso itinerário quaresmal para compreender cada vez mais a gravidade do pecado e o valor do sacrifício com o qual o Redentor salvou todos nós.

A Virgem Santa soube contemplar a glória de Jesus escondida na sua humildade. Que ela nos ajude a estar com Ele na oração silenciosa, a deixarmo-nos iluminar pela sua presença, para trazer ao coração, através das noites mais escuras, um reflexo da sua glória.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 12 de março de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos na fé em Jesus Cristo:

Neste tempo santo da Quaresma,

Cristo anuncia a vitória decisiva

da vida que nos dá, sobre a morte.

Peçamos a Deus que nos faça escutar

Com generosidade a Sua voz.

Oremos (cantando), cheios de fé:

 

    Salvai, Senhor, o vosso povo.

 

1. Para que o Santo Padre, os Bispos e os Presbíteros a ele unidos

    recebam a graça de sofrer pela fé, cheios de confiança em Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Salvai, Senhor, o vosso povo.

 

2. Para que os governos das várias nações defendam os cidadãos

    e tudo façam para que aos mais pobres e esquecidos nada falte,

    oremos, irmãos.

 

    Salvai, Senhor, o vosso povo.

 

3. Para que os doentes e todos os que sofrem no corpo ou na alma

    vivam unidos à cruz do Salvador e alcancem a glória do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Salvai, Senhor, o vosso povo.

 

4. Para que os fiéis reunidos neste domingo a celebrar a Santa Missa,

    dêem testemunho de Jesus Cristo, luz do mundo, aos faltos de fé,

    oremos, irmãos.

 

    Salvai, Senhor, o vosso povo.

 

5. Para que esta comunidade de cristãos, que comunga o Pão do Céu,

    se transfigure, como Jesus no monte santo, vivendo em santidade,

    oremos, irmãos.

 

    Salvai, Senhor, o vosso povo.  

 

6. Para que os nossos irmãos, que já foram chamados à vida eterna,

    contemplem quanto antes a beleza de Cristo glorioso do Tabor,

    oremos, irmãos.

 

    Salvai, Senhor, o vosso povo.

 

Senhor, que no monte da transfiguração

nos mandastes escutar o vosso Filho,

atendei a oração que o Espírito Santo

fez nascer nesta santa comunidade de fé

pela Igreja, pelo mundo e por nós mesmos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois de Se ter, de algum modo, transfigurado aos nossos olhos, pela proclamação da Palavra, o mesmo Senhor vai agora preparar para nós, pelo ministério do sacerdote, o banquete sagrado da Eucaristia.

Renovemos a nossa fé na Presença Real de Jesus, depois da consagração, sob as aparências do pão e do vinho, o ofereçamo-nos sobre a patena do altar, como hóstias vivas.

 

Cântico do ofertório: Jesus tomou consigo – C. Silva, OC pg 145

 

Oração sobre as oblatas: Esta oblação, Senhor, lave os nossos pecados e santifique o corpo e o espírito dos vossos fiéis, para celebrarmos dignamente as festas pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A transfiguração do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Depois de anunciar aos discípulos a sua morte, manifestou-lhes no monte santo o esplendor da sua glória, para mostrar, com o testemunho da Lei e dos Profetas, que pela sua paixão alcançaria a glória da ressurreição.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. Cartageno – ENPL, 15

 

Saudação da Paz

 

Como Abraão, se obedecermos ao que o Senhor nos manda, na Sua Igreja, teremos paz e alegria.

Imploremos para todos nós estes dons, enquanto oferecemos entre nós o sinal da paz e reconciliação.

 

Monição da Comunhão

 

O mesmo Senhor que deslumbrou os três Apóstolos, antecipando a glória da Sua Ressurreição no Tabor, oferece-Se agra aos que estão preparados para O receber, como Alimento divino.

Também nós, se comungarmos com as necessárias disposições que o Senhor nos ensinou, saborearemos um pouco da alegria do tabor.

 

Cântico da Comunhão: Habitarei para sempre – C. Silva, OC

Mt 17, 5

Antífona da comunhão: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Cântico de acção de graças: Sois o meu refúgio – M. Simões, NRMS, 29

 

Oração depois da comunhão: Alimentados nestes gloriosos mistérios, nós Vos damos graças, Senhor, porque, vivendo ainda na terra, nos fazeis participantes dos bens do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Aprofundemos todos os conhecimentos da nossa fé e façamos um esforço generoso – ajudados pela graça – para vivermos cada vez melhor as suas exigências na vida.

 

Cântico final: A Cruz fizera – J. F. Silva, NRMS, 29

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 9-III: A Palavra de Deus e a misericórdia.

Dan 9, 4-10 / Lc 6, 36-38

Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.

Jesus pede-nos que sigamos o exemplo do Pai: Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso (EV). Para isso, precisamos reconhecer que somos igualmente pecadores. Corra ao nosso encontro a vossa misericórdia, porque somos miseráveis (SR). E Daniel recorda: No nosso Deus está a misericórdia e o perdão (LT).

Jesus aconselha-nos que não julguemos, que não condenemos, que perdoemos, que sejamos generosos. E que tenhamos presente que a medida com que julgamos os outros é a medida com que seremos julgados (EV).

 

3ª Feira, 10-III: A Palavra de Deus, a conversão e as boas obras.

Is 1, 1-10. 16-20 / Mt 23, 1-12

Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não procedais segundo as suas obras, pois eles dizem e não fazem.

Jesus começou primeiro a fazer e, só depois, a ensinar. Por isso, contrasta com a actuação dos fariseus (EV). Estes impunham um fardo pesado, que eles não carregavam, enquanto Jesus carrega com os nossos pecados sobre os seus ombros.

A nossa conversão interior deve ser acompanhada pelas boas obras pois, caso contrário, os nossos propósitos serão estéreis. Precisamos de uma prática de aprendizagem: Aprendei a fazer o bem (LT). A conversão do coração deve ser acompanhada por sinais visíveis e obras de penitência. Ao homem recto Deus fará ver a salvação (SR).

 

4ª Feira, 11-III: A Palavra de Deus e o serviço à sociedade.

Jer 18, 18-20 / Mt 20, 17-28

Eles hão-de condená-lo à morte, para que o escarneçam, açoitem e crucifiquem.

Nas Leituras fala-se das conjuras contra Jeremias (LT) e contra Jesus (EV). Estas actuações verificam-se também nos nossos dias, pois os adversários de Deus atacam a Igreja e as suas instituições, pagando o bem com mal, como fizeram contra Jesus e Jeremias.

Verifica-se um pôr de lado os ensinamentos de Cristo, os quais têm como finalidade tornar a sociedade mais digna. O Filho do homem veio para servir e dar a vida por todos (EV). Assim os cristãos são chamados igualmente a prestar um serviço à sociedade, cumprindo muito bem os seus deveres cívicos, com a ajuda de Deus: Vós sois o meu refúgio (SR).

 

5ª Feira, 12-III: A Palavra de Deus e os benefícios da Cruz.

Jer 17, 5-10 / Lc 16, 19-31

Filho, lembra-te que recebestes os teus benefícios durante a vida, tal como Lázaro os infortúnios. E, agora aqui ele é consolado, ao passo que tu és atormentado.

O homem rico da parábola, e os seus cinco irmãos, nunca se lembraram de Deus nem dos pobres (EV). Puseram toda a confiança nos bens materiais, afastando o seu coração de Deus (LT). Onde está o nosso coração? Feliz de quem confia no Senhor. É semelhante a uma árvore plantada à beira da água (LT e SR).

A cruz, abraçada por Cristo, passou a ser o símbolo da vitória, a ser o sinal mais. Todo aquele que sofre os infortúnios, por amor de Deus, receberá consolações na outra vida. E aquele que só tem benefícios aqui, já nada mais receberá na outra vida.

 

6ª Feira, 13-III: A Palavra de Deus e o acolhimento a Jesus.

Gen 37, 3-4. 12-13. 17-28 / Mt 21, 33-43. 45-46

Mas, ao verem o filho, os agricultores disseram entre si:Vamos matá-lo.

Esta parábola dos agricultores mostra o péssimo acolhimento dado a Jesus, o filho de Deus (EV). Algo semelhante aconteceu a José, a quem os irmãos pretenderam matar e acabaram por vendê-lo como escravo (LT e SR).

Jesus foi enviado à terra para nos salvar, viveu a nossa vida, ensinou os caminhos para a vida eterna, curou muitos doentes, etc. Recordai as maravilhas do Senhor (SR). E, em troca, recebeu uma cruz. Procuremos ver como acolhemos o Senhor, por exemplo, na Comunhão, nas tarefas de cada dia, nas contrariedades, na oração, etc.

 

Sábado, 14-III: A Palavra de Deus, a sua misericórdia e as nossas misérias.

Miq 7, 14-16. 18-20 / Lc 15, 1-3.11-32

Qual o Deus semelhante a vós, que tira o pecado e perdoa o delito, o Deus que se compraz em ser compassivo.

Esta descrição do profeta Miqueias (LT) coincide perfeitamente com a traçada na parábola do filho pródigo (ou do pai misericordioso) (EV).

Quando nos afastamos de Deus, por causa do pecado, podemos ficar desanimados, ou tristes. Mas vale e pena lembrar-nos de que Deus é clemente e compassivo (SR). Recebe-nos de braços abertos, recordando-nos que somos seus filhos, apesar dos pecados. O filho mais novo declara-se culpado, é perdoado e recebido com uma grande festa, como nunca se tinha realizado naquela casa. Alegria porque, embora estando morto, voltou à vida (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


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