1º Domingo da Quaresma

1 de Março de 2020

 

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Irmãos convertei o vosso coração – J. P. Lecot, CNPL, pg543

Salmo 90, 15-16

Antífona de entrada: Quando me invocar, hei-de atendê-lo; hei-de libertá-lo e dar-lhe glória. Favorecê-lo-ei com longa vida e lhe mostrarei a minha salvação.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Quaresma há-de levar-nos a deitar contas ao grande negócio da nossa salvação. O demónio continua a tentar cada homem, mas temos a graça que Cristo nos ganhou e quer derramar sobre nós com abundância se nos deixamos guiar por Ele.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus criou o homem e a mulher para serem felizes cá na terra e depois, um dia, no céu. Colocou-os num lugar de felicidade, o jardim do Éden. O demónio veio tentá-los e eles deixaram-se enganar. Em vez da grandeza que lhes prometia, descobriram a sua miséria e foram esconder-se.

 

Génesis 2, 7-9; 3, 1-7

 

7O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo. 8Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente, e nele colocou o homem que tinha formado. 9Fez nascer na terra toda a espécie de árvores, de frutos agradáveis à vista e bons para comer, entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. 1Ora, a serpente era o mais astucioso de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: «É verdade que Deus vos disse: ‘Não podeis comer o fruto de nenhuma árvore do jardim’?» 2A mulher respondeu: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; 3mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus avisou-nos: ‘Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis’». 4A serpente replicou à mulher: «De maneira nenhuma! Não morrereis. 5Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal». 6A mulher viu então que o fruto da árvore era bom para comer e agradável à vista, e precioso para esclarecer a inteligência. Colheu o fruto e comeu-o; depois deu-o ao marido, que estava junto dela, e ele também comeu. 7Abriram-se então os seus olhos e compreenderam que estavam despidos. Por isso, entrelaçaram folhas de figueira e cingiram os rins com elas.

 

O «relato» bíblico das origens, de que hoje se lêem alguns vv., não pode ser lido ingenuamente como um relato histórico daquilo que sucedeu no início do Universo e do ser humano, «porque, não se trata de saber quando e como surgiu materialmente o cosmos, nem quando é que apareceu o homem; mas, sobretudo, de descobrir qual o sentido de tal origem: se foi determinada pelo acaso, por um destino cego ou uma fatalidade anónima, ou, antes, por um Ser transcendente, inteligente e bom, que é Deus. E, se o mundo provém da sabedoria e da bondade de Deus, qual a razão do mal? De onde vem o mal? Quem é responsável pelo mal? E será que existe uma libertação do mesmo?» (Catecismo da Igreja Católica, nº 284). 

7 «Pó da terra… sopro de vida»: a narrativa tem como ponto de referência não só o facto de que, pela sua corporeidade, o homem pertence à terra e, ao morrer, se reduz a pó, mas também o facto de que, na língua hebraica, «homem» (adam) se diz com o mesmo vocábulo com que se designa a terra avermelhada (adamáh); mas, ao mesmo tempo, o homem está animado por um princípio («sopro») de vida, que não vem da terra. A representação de Deus como «oleiro», independentemente das notáveis semelhanças com outros relatos extra-bíblicos, parece sugerir que o homem está nas mãos de Deus como o barro nas mãos do oleiro (cf. Is 29,16; Jer 18,6; Rom 9,20-21; Job 34,14-15).

2, 8-9 Um jardim. Nos LXX lê-se «parádeisos»; daqui a habitual designação de «paraíso (terrestre)». O jardim de «delícias» (éden) permite que o leitor pense, mais que num lugar geográfico, num estado de felicidade original e de comunhão com Deus; a «árvore da vida» simboliza a vida em plenitude e a imortalidade (cf. Gn 3,22); «a árvore da ciência do bem e do mal» é o símbolo da fonte do recto actuar moral, o projecto do Criador, que o homem não pode manipular nem alterar a seu bel-prazer sem cavar a sua ruína.

3,1-7 Num relato simbólico, numa linguagem cheia de imagens muito expressivas, seja qual for a origem literária destas figuras, deixa-se ver que os males de que o ser humano padece não procedem de Deus, mas do pecado, que, desde a origem, destruiu a harmonia do homem com Deus, consigo próprio e com a criação, com consequências desastrosas que afectam toda a humanidade (cf. a 2ª leitura de hoje: Rom 5,12-19). Note-se, porém, que uma interpretação literal fundamentalista desta narrativa corre o perigo de levar ao absurdo de considerar a lei moral como algo caprichoso e extrínseco à natureza humana.

1 «A serpente», um símbolo do demónio, cf. Apoc 12,9, onde se fala da «serpente antiga», o inimigo de Deus e dos amigos de Deus, que aqui aparece também como «caluniador» (este é o significado do seu nome grego, «diábolos»), ao apresentar a ordem divina como má, uma prepotência da parte de Deus (v. 5). Note-se a profunda observação psicológica posta na encenação do processo da tentação: estão aqui representadas as tentações de sempre; primeiro, uma insinuação inocente – «é verdade que Deus vos proibiu...», a que se segue o efeito de começar a prestar atenção àquele a quem não se pode dar ouvidos; finalmente, uma vez aberto o diálogo, no momento preciso, o tentador entra a matar, mentindo descaradamente (cf. Jo 8,44) – «de maneira nenhuma! Não morrereis! Mas Deus sabe que...» (v. 5). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem no demónio, satanás, ou diabo, um anjo criado bom por Deus, mas que se tornou mau.

5 «Sereis como deuses, ficando a conhecer o bem e o mal»: Isto não significa alcançar a omnisciência divina, nem adquirir o poder de discernir o bem do mal. Este «conhecer o bem e o mal» corresponde a decidir por si o que é bem e o que é mal; trata-se, portanto, de encenar uma tentação de soberba pela qual a criatura não se conforma com a sua condição de criatura, e não aceita o supremo domínio de Deus.

6 «Fruto… para esclarecer a inteligência». Sendo-nos desconhecido em que consistiu o pecado das origens, porque Deus não no-lo revelou, alguns exegetas procuram então averiguar qual é o tipo de pecado que o hagiógrafo aqui descreve, e vêem nesta linguagem um colorido de magia e feitiçaria (um conhecimento oculto), ou até mesmo uma alusão ao culto das serpentes para a fertilidade, de que o hagiógrafo pretenderia afastar os seus contemporâneos tão atreitos a estes desvios religiosos.

7 «Compreenderam que estavam despidos». Note-se a fina ironia latente no contraste com a promessa sedutora: «abrir-se-ão os vossos olhos» (v. 6); os olhos abrem-se, sim, mas para contemplarem a própria nudez. Assim fica simbolizado o desgosto e a frustração que se segue ao gosto do pecado, e também a noção teológica da ruptura da harmonia primordial, nomeadamente entre o homem e a mulher (cf. 2,25).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: Este salmo composto por David depois do seu pecado, manifesta o arrependimento e é para nós uma bela oração para exprimir a nossa pena quando desgostamos o Senhor.

 

 

Refrão:     Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:           Tende compaixão de nós, Senhor,

            porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo fala-nos do pecado de Adão que trouxe a desgraça para todos os homens e a graça que Jesus alcançou pela Sua morte para nos salvar e que é mais abundante que o pecado.

 

Forma longa: Romanos 5, 12-19;          forma breve: Romanos 5, 12.17-19

 

Irmãos: 12Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. [13De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo. Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei. 14Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo para aqueles que não tinham pecado por uma transgressão à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir. 15Mas o dom gratuito não é como a falta. Se pelo pecado de um só pereceram muitos, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a muitos homens. 16E esse dom não é como o pecado de um só: o julgamento que resultou desse único pecado levou à condenação, ao passo que o dom gratuito, que veio depois de muitas faltas, leva à justificação.] 17Se a morte reinou pelo pecado de um só homem, com muito mais razão, aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça, reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo. 18Porque, assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só, virá para todos a justificação que dá a vida. 19De facto, como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornarão justos.

 

Estamos diante dum texto da máxima importância para a Teologia e para a vida cristã. As controvérsias doutrinais contribuíram para que o ponto central das afirmações de Paulo se tenha feito deslocar da justificação pela graça para o pecado, e da obra salvadora de Cristo para a obra demolidora de Adão. É certo que não faria sentido falar da libertação por Cristo do pecado, da condenação e da morte, sem que estes males tivessem entrado de forma poderosa no mundo. Mas Adão não passa duma figura, por antítese, de Cristo, em virtude duma argumentação a fortiori de tipo rabínico (o chamado qal wa-hómer). Mas, ainda que, como pensam muitos exegetas, Paulo não trate directa e expressamente do tema do pecado original (só indirectamente), este texto não deixa de oferecer uma base legítima e sólida para a doutrina proposta pelo Magistério da Igreja, assim resumida no Catecismo da Igreja Católica, nº 403:  «Depois de S. Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens, e a sua inclinação para o mal e para a morte não se compreendem sem a ligação com o pecado de Adão e o facto de ele nos transmitir um pecado de que todos nascemos infectados e que é a ‘morte da alma’. A partir desta certeza de fé, a Igreja confere o Baptismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram qualquer pecado pessoal».

12 «Porque todos pecaram» A Vulgata tinha uma tradução enexacta: «in quo omnes peccaverunt», tradução que o Concílio de Trento (ses. V,17) usou para definir como dogma de fé a doutrina do pecado original, um detalhe que não anula o valor da doutrina, que aliás correponde ao conjunto do ensinamento paulino neste mesmo capítulo. A Nova Vulgata já tem a tradução corrigida: «eo quod omnes peccaverunt».

 

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: Jesus deixou que Satanás O tentasse para nos ensinar a vencer as tentações. O demónio anda à nossa volta – diz S.Pedro – como leão a rugir para nos devorar. Temos de resistir-lhes fortes na fé, apoiados na palavra de Deus como Jesus fez.

 

 

Cântico: Glória a Vós ó Cristo, M. Luís, NRMS, 1(I)

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 4, 1-11

 

1Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Demónio. 2Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. 3O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». 4Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». 5Então o Demónio conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: 6«Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». 7Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». 8De novo o Demónio O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, 9e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». 10Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’». 11Então o Demónio deixou-O e logo os Anjos se aproximaram e serviram Jesus.

 

Antes de mais, convém advertir que as tentações de Jesus não aparecem como uma tentação ocasional qualquer, nem sequer um ataque mais violento, mas como um duelo mortal e decisivo entre dois inimigos irredutíveis. Com efeito, não se trata de umas tentações dirigidas a fazer com que Jesus caia em meras faltas pessoais (gula, orgulho, avareza), mas têm o carácter de um ataque frontal para desvirtuar toda a obra de Jesus, desviando-a da vontade do Pai. Com efeito, «as tentações acompanham todo o caminho de Jesus, e a narração das tentações apresenta-se… uma antecipação, na qual se condensa a luta de todo o caminho. […] Os 40 dias de jejum abrangem o drama da história, que Jesus assume em Si mesmo e suporta até ao fundo». (Bento xvi, Jesus de Nazaré, pp. 57.60).

Uma consideração superficial desta passagem evangélica poderia levar-nos a encarar estas tentações até como ridículas, absurdas ou míticas. Vale pena ver o belo e profundo comentário do Papa Bento na referida obra. Mas vejamos brevemente o enorme alcance de cada uma das três tentações:

3-4 Na primeira tentação, trata-se de fazer enveredar a Jesus pelo caminho das esperanças materialistas do povo que esperava um messias que lhe trouxesse bem-estar, riqueza, prosperidade, fertilidade, pão e prazer.

5-7 Na segunda tentação, aquele «lança-te daqui abaixo», constitui um apelo à esperança judaica num messias a descer espectacularmente do céu, à vista do povo. Mas Jesus renuncia decididamente à fácil tentação de ser um messias milagreiro e espectacular, dizendo um decidido não a um actuar à base do triunfo pessoal, do êxito humano.

8-10 Na terceira tentação, aparece diante de Jesus a sedução de se mover na linha da esperança popular num messianismo político, vitorioso, dominador dos Romanos e do mundo inteiro, a tentação de reduzir a instauração do Reino de Deus à instauração dum reino temporal.

Ninguém foi testemunha destas tentações, mas Jesus, ao falar aos Apóstolos do Reino de Deus, não deixa de os prevenir contra umas tentações que haveriam de vir a sentir também os seus discípulos ao longo da história. Também assim Jesus «se tornava em tudo semelhante aos seus irmãos, para se tornar um Sumo Sacerdote misericordioso» (Hebr 2,17). E Jesus aparece a ensinar-nos a resistir, sem dar ouvidos, como Eva, aos enganos do mafarrico, sem entrar em diálogo com ele, mas apoiando-nos sempre na certeza e na luz da Palavra de Deus e na sua graça, que Jesus ensinou a pedir no «Pai-Nosso»: «não nos deixeis cair em tentação» e «livrai-nos do Maligno» (Mt 6,13).

 

Sugestões para a homilia

 

1) Sereis como deuses

 

 Ao começar a quaresma a Igreja põe diante dos nossos olhos a realidade triste do pecado. Adão e Eva desobedeceram a Deus e perderam as riquezas maravilhosas que Deus lhes tinha dado. Perderam não só a felicidade terrena do Jardim do Éden e o dom da imortalidade mas também a graça que os tornava filhos de Deus, participantes da natureza divina e herdeiros do céu.

Deixaram-se enganar pelo demónio que lhes prometia que seriam como deuses. Em vez de acreditar em Deus, que os avisava da desgraça se comessem do fruto daquela árvore, acreditaram em Satanás que queria a sua infelicidade e a dos seus descendentes.

Este tempo de preparação para a Páscoa é ocasião oportuna de nos situarmos diante do mistério do bem e do mal, de examinar o sentido da nossa vida e o caminho que estamos a seguir e de ter diante dos olhos o que nos afasta de Deus. Temos de lembrar muitas vezes as palavras de Jesus: que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma? (Mt 16,26)

Jesus deixou que Satanás O tentasse para não esquecermos esta realidade que temos de enfrentar e saber como vencer. O demónio não é uma figura metafórica como alguns pretendem. O papa Francisco tem-no lembrado com frequência. S.Pedro avisava os primeiros cristãos: “irmãos sede sóbrios e vigiai porque o demónio, o grande adversário das vossas almas anda, à vossa volta como um leão a rugir procurando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fè” (1 Ped 5,8 ).

Ele é um anjo criado por Deus, que se revoltou contra Ele porque queria ser como Deus e foi precipitado no inferno com os outros anjos que seguiram o seu exemplo. Deus permite-lhe tentar os homens, mas só até certo ponto. O santo Cura d’Ars dizia que é como um cão raivoso que está preso com um cadeado. Só atinge a quem se põe ao seu alcance.

Não devemos ter medo do demónio mas de nós mesmos se somos tontos e nos deixamos enganar. Como S.Pedro lembrava temos de resistir-lhe fortes na fé. Temos de fiar-nos em Jesus, na Sua doutrina, nos Seus avisos. Apoiar-nos na oração, fugir do pecado, recorrer aos sacramentos, sobretudo à confissão.

 

2) Diz a estas pedras...

 

Na primeira tentação de Jesus Satanás serve-se da fome que Ele sentia depois daqueles dias de jejum rigoroso, para O levar a fazer o que ele sugeria e que aparentemente não tinha mal nenhum. Jesus ensina-nos a não dar conversa ao demónio, como Eva tinha feito. A cortar prontamente apoiados na palavra de Deus, apoiados na fé.

Satanás serve-se muitas vezes de coisas legítimas para nos tentar e enganar. É um anjo e, por isso, mais inteligente do que nós. Tenta-nos pela atração dos prazeres materiais: da comida, da bebida e do apetite sexual. Há em nós um desequilíbrio, fruto do pecado original, nessas inclinações que são boas. O diabo aproveita-se delas para nos arrastar para o mal.

É especialista em seduzir as pessoas sobretudo através do orgulho, que é a pior das más inclinações. Alguns pensam que sabem tudo, em vez de humildemente ouvirem o que Jesus ensina e tomarem a sério o que nos diz e continua a ensinar pela Sua Igreja. O orgulho, a soberba está na origem de todos os pecados. Sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal. O mundo actual está marcado por este orgulho que exalta a liberdade como se o homem pudesse decidir o que é bem ou o que é mal.

Os políticos arrogam-se o direito de fazer leis em que apenas conta a maioria, definindo o bem e o mal, que é uma prerrogativa de Deus. É o caso do aborto, da eutanásia, do casamento homossexual.

Em vez de serem como deuses acabam destruindo-se a si mesmos, pondo a nu a sua própria miséria.

O demónio é capaz de transfigurar-se em anjo de luz- diz S.Paulo (Cfr 2 Cor 11,14). Temos de estar alerta. S.João da Cruz um dia foi chamado para examinar um caso que intrigava a cidade de Ávila. Havia uma freira que não tinha estudado mas mostrava uma sabedoria extraordinária em coisas da Sagrada Escritura. O santo ouviu-a e fez-lhe uma pergunta: traduzir as palavras do Evangelho: Verbum caro factum est et habitabit in nobis. Ela repondeu: -O Verbo se fez carne e habitou entre vós. O Santo replicou: não é entre vós mas entre nós. Ela disse: não entre nós mas entre vós, porque não pode estar entre nós. O demónio acabou por descobrir que era ele que falava por meio dela, que estava possessa.

Satanás às vezes toma conta do corpo das pessoas, mas quer sobretudo possuir as almas pelo pecado.

 

3) ...Se prostrado me adorares

 

 O diabo chega ao ponto de convidar Cristo a adorá-lo para conquistar os reinos do mundo.

A ânsia de poder, a ambição dos bens terrenos é outra das más inclinações que facilmente desviam o homem do caminho da felicidade a que Deus nos chama.

O homem acaba por adorar essas coisas terrenas como se fossem deus. A elas submete toda a sua vida. Cristo nasceu pobre e viveu pobre. O Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça – disse Ele (Mt 8,21).

Só Deus é Deus. Não se pode servir a Deus e ao dinheiro.

Temos de procurar os bens terrenos sem prender a eles o nosso coração. Sabendo desprender-nos e dá-los com generosidade para Deus e para os pobres. A esmola é uma das práticas recomendadas pela Igreja para vivermos bem a quaresma. Assim seremos livres e senhores de todas as coisas. O passarito para voar não pode estar preso, seja por um cadeado seja por um simples fio de nylon.

S.Paulo dizia. Tudo é vosso mas vós sois de Cristo e Cristo de Deus ( 1 Cor 3,23 ). Só a Deus havemos de adorar, só a Ele havemos de servir. Senão tornamo-nos escravos do demónio.

Peçamos à Virgem nos defenda dos ataques de Satanás. Acudamos a Ela muitas vezes como os meninos que correm para a mãe ao sentirem o perigo. O demónio nada pode contra Ela e Deus no Jardim do Éden disse ao demónio: porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dEla e Esta te esmagará a cabeça (Gen 3,15).

Jesus venceu o demónio e ensinou-nos o caminho para vencermos também.

Ele veio salvar-nos pela Sua Paixão e Morte e mereceu-nos todas as graças para podermos vencer nas batalhas da nossa vida e alcançarmos a felicidade do céu.

Aproveitemos bem este tempo santo da quaresma para nos examinarmos e renovar a nossa decisão de amar de verdade a Jesus.

 

Fala o Santo Padre

 

«Satanás quer desviar Jesus do caminho da obediência e da humilhação

— porque sabe que assim, por esta via, o mal será derrotado —

e levá-lo pelo falso atalho do sucesso e da glória.»

 

Neste primeiro domingo de Quaresma, o Evangelho introduz-nos no caminho rumo à Páscoa, mostrando Jesus que permanece por quarenta dias no deserto, submetido às tentações do diabo (cf. Mt 4, 1-11). Este episódio coloca-se num momento específico da vida de Jesus: imediatamente depois do batismo no rio Jordão e antes do ministério público. Ele acabou de receber a solene investidura: o Espírito de Deus desceu sobre Ele, o Pai do céu declarou-o «Meu Filho muito amado» (Mt 3, 17). Jesus já está pronto para iniciar a sua missão; e dado que ela tem um inimigo declarado, ou seja, Satanás, Ele enfrenta-o imediatamente, “corpo a corpo”. O diabo recorre precisamente ao título de “Filho de Deus” para afastar Jesus do cumprimento da sua missão: «Se tu és o Filho de Deus...», repete (vv. 3.6), e propõe-lhe que faça gestos milagrosos — que seja “feiticeiro” — como por exemplo transformar as pedras em pão para saciar a sua fome, e lançar-se abaixo dos muros do templo para ser salvo pelos anjos. A estas duas tentações, segue-se a terceira: adorar a ele, o diabo, para ter o domínio sobre o mundo (cf. v. 9).

Mediante esta tríplice tentação, Satanás quer desviar Jesus do caminho da obediência e da humilhação — porque sabe que assim, por esta via, o mal será derrotado — e levá-lo pelo falso atalho do sucesso e da glória. Mas as flechas venenosas do diabo são todas «detidas» por Jesus com o escudo da Palavra de Deus (vv. 4.7.10.) que exprime a vontade do Pai. Jesus não profere qualquer palavra própria: responde somente com a Palavra de Deus. E assim o Filho, repleto da força do Espírito Santo, sai vitorioso do deserto.

Durante os quarenta dias da Quaresma, como cristãos somos convidados a seguir os passos de Jesus e a enfrentar o combate espiritual contra o Maligno com a força da Palavra de Deus. Não com a nossa palavra, não serve. A palavra de Deus: ela tem a força para derrotar Satanás. Por esta razão, é necessário familiarizar-se com a Bíblia: lê-la frequentemente, meditá-la, assimilá-la. A Bíblia contém a Palavra de Deus, que é sempre atual e eficaz. Alguém disse: o que aconteceria se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso telemóvel? Se a trouxéssemos sempre connosco, ou pelo menos o pequeno Evangelho de bolso, o que aconteceria? Se voltássemos atrás quando o esquecemos: te esqueces do telemóvel — oh, não o tenho, volto atrás para o procurar; se a abríssemos várias vezes por dia; se lêssemos as mensagens de Deus contidas na Bíblia como lemos as mensagens do telemóvel, o que aconteceria? Obviamente a comparação é paradoxal, mas faz refletir. Com efeito, se tivéssemos sempre a Palavra de Deus no coração, nenhuma tentação poderia afastar-nos de Deus e nenhum obstáculo nos poderia fazer desviar do caminho do bem; saberíamos vencer as insinuações quotidianas do mal que está em nós e fora de nós; seríamos mais capazes de levar uma vida ressuscitada segundo o Espírito, acolhendo e amando os nossos irmãos, especialmente os mais débeis e necessitados, e também os nossos inimigos.

A Virgem Maria, ícone perfeito da obediência a Deus e da confiança incondicional à sua vontade, nos sustente no caminho quaresmal, para que nos coloquemos à escuta dócil da Palavra de Deus a fim de realizar uma verdadeira conversão do coração.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 5 de março de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, apresentemos ao Senhor os nossos pedidos:

por nós, por toda a Igreja e por todos os homens. Digamos:

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

1-Pelo Santo Padre Francisco

-para que o Senhor o encha da Sua sabedoria e fortaleza,

para guiar a Sua Igreja, oremos, irmãos.

 

Atendei Senhor as nossas súplicas.

 

2-Pelos bispos e sacerdotes

-para que preguem com valentia a Jesus Crucificado

e nos animem a cumprir fielmente os mandamentos de Deus, oremos, irmãos.

 

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

3-Por todos os cristãos

-para que, nesta Quaresma, renovem a sua fé e o seu amor a Jesus,

com obras e em verdade, oremos, irmãos.

 

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

4-Pelos irmãos separados

-para que Deus lhes dê luz abundante na busca da unidade

numa só Igreja e num só pastor, oremos, irmãos.

 

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

5-Por todos os homens afastados de Deus

-para que conheçam e sigam a Jesus Salvador,

o único que pode dar sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

 

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

6-Para que nesta Quaresma aumente o amor ao sacramento da Penitência

em todos os sacerdotes e também em todos os cristãos, oremos, irmãos.

 

Atendei Senhor as nossas súplicas

 

 Senhor, ouvi as súplicas que Vos apresentamos e aumentai em nós o desejo de pedir mais e de agradecer as vossas graças.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que conVosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Caminho pelo deserto, J. Santos, NRMS, 69

 

Oração sobre as oblatas: Fazei que a nossa vida, Senhor, corresponda à oferta das nossas mãos, com a qual damos início à celebração do tempo santo da Quaresma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

As tentações do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Jejuando durante quarenta dias, Ele santificou a observância quaresmal e, triunfando das insídias da antiga serpente, ensinou-nos a vencer as tentações do pecado, para que, celebrando dignamente o mistério pascal, passemos um dia à Páscoa eterna.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Rito da paz

 Mais unidos a Jesus na Eucaristia temos de ficar mais unidos a todos à nossa volta.

 

Monição da Comunhão

 

Jesus mostra-nos o Seu amor na Cruz. Mostra-o também na Eucaristia, dando-Se a nós como alimento. Acolhamo-Lo cheios de fé e digamos-Lhe que ansiamos contemplar o Seu rosto.

 

Cântico da Comunhão: Nem só de pão vive o homem – M. Simões, CEC (I), 91

Mt 4, 4

Antífona da comunhão: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.

 

ou

Salmo 90, 4

O Senhor te cobrirá com as suas penas, debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor cobrir-te-á – F. Santos, BML, 55

 

Oração depois da comunhão: Saciados com o pão do Céu, que alimenta a fé, confirma a esperança e fortalece a caridade, nós Vos pedimos, Senhor: ensinai-nos a ter fome de Cristo, o verdadeiro pão da vida, e a alimentar-nos de toda a palavra que da vossa boca nos vem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Se cumprimos fielmente a vontade de Deus seremos felizes e tornaremos os outros felizes ao nosso redor.

 

Cântico final: Dai-me Senhor, um coração puro – M. Luís, CAC, pg 143

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 2-III: A Palavra de Deus e os ensinamentos do Juízo final

Lev 19, 1-2. 11-18 / Mt 25, 31-46

Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo.

Para alcançarmos o reino Deus, a santidade, Ele pede-nos que o imitemos: Sede santos, porque Eu, vosso Deus, sou Santo (LT) Os mandamentos de Deus são claros, iluminam os olhos (SR), e ajudam a libertar do pecado.

Além disso, o Senhor chama-nos a viver o amor ao próximo (LT e EV), que nos conduzirá ao seu Reino. Uma concretização são as obras de misericórdia (EV). E também nos pede que saibamos descobrir o Senhor em cada uma das pessoas que nos rodeiam, pois são imagem de Deus. Todas as vezes que o fizerdes ao irmão pequeno, a mim o fizestes (EV).

 

3ª Feira, 3-III: A Palavra de Deus e o seu cumprimento

Is 55, 10-11 / Mt 6, 7-15

 A palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu cumprimento.

O Senhor utiliza uma comparação para ilustrar como se há-de levar à prática a vontade de Deus. A chuva e a neve, que descem do céu, não voltam para lá sem terem regado a terra, a terem fecundado e a dar frutos (LT).

Essa vontade de Deus tem em conta que somos seus filhos e, por isso, nos convida a rezarmos a Deus, como nosso Pai, ensinando-nos a oração do Pai nosso (EV), na qual pedimos ajuda para cumprirmos a sua vontade (EV). Os justos clamaram e o Senhor os ouviu (SR). E que nos perdoe as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos ofende (LT).

 

4ª Feira, 4-III: A Palavra de Deus e o convite à conversão.

Jonas 3, 1-10 / Lc 11, 29-32

Ergue-te e vai à grande cidade de Nínive e proclama-lhe a grande mensagem que te direi.

Na Quaresma, todos recebemos uma mensagem de Deus, semelhante à dos habitantes de Nínive, que convida à conversão. Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será o Filho do homem para esta geração (EV). Convertei-vos a mim de todo o coração e ao arrependimento (LT e EV).

Reconheçamos os nossos pecados e peçamos perdão por todos eles: Pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados (SR). Manifestemos o nosso arrependimento. Não desprezeis, Senhor, um coração humilhado a contrito (SR). E recorramos à Confissão.

 

5ª Feira, 5-III: A Palavra de Deus e a oração.

Est 14, 3-5. 12-14 / Mt 7, 7-12

Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e, ao que bate, abrir-se-á.

A oração é uma das formas de vivermos a penitência quaresmal. Jesus sugere-nos que façamos pedidos. Pedi e dar-se-vos-á. Batei à porta e abrir-se-vos-á (EV). De todo o coração, vos dou graças, porque ouvistes as palavras da minha boca (SR). Peçamos com fé, pois vivemos da palavra que vem da boca do Senhor.

A rainha Ester é um bom exemplo desta oração. Vinde socorrer-me porque estou só e só em vós tenho o auxílio, pois sinto o perigo que me espreita. Aumentastes a fortaleza da minha alma (SR). É um modelo para os momentos de tribulações e tentações.

 

6ª Feira, 6-III: A Palavra de Deus, o arrependimento e a caridade fraterna

Ez 18, 21-28 / Mt 5, 20-26

Se o pecador se arrepender de todas as faltas que cometeu...certamente viverá.

A Quaresma é um tempo de conversão, de arrependimento, um caminho de vida (LT). Quanto à conversão, Deus pede-nos: quando o pecador se afastar do mal praticado, salvará a sua vida. Quanto a arrependimento, confiemos na misericórdia de Deus. Porque no Senhor está a misericórdia (SR).

Quanto à caridade fraterna, o Senhor pede-nos que evitemos irar-nos com os outros, que não lhes chamemos nomes, que perdoemos quanto antes, mesmo quando, antes de chegarmos ao altar, que nos reconciliemos com os nossos irmãos e com os nossos inimigos.

 

Sábado, 7-III: A Palavra de Deus e a caridade heroica.

Deut 26, 16-19 / Mt 5, 43-48

Pois eu digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus.

Moisés lembrava ao povo: O senhor teu Deus ordena-te hoje que cumpras estas leis e estes mandamentos (LT). A nossa resposta há-de ser: Hei-de cumprir os vossos preceitos. Não me desampareis jamais (SR).

Mas Jesus, além do que foi dito aos antigos, acrescenta uma novidade na maneira de viver a caridade: Amai os vossos inimigos (aqueles que nos incomodam e aborrecem) e rezai por eles (EV). Pensemos que esta é a maneira de nos comportarmos como filhos de Deus. Disse Jesus: Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito (EV).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


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