Quarta-Feira de Cinzas

26 de Fevereiro de 2020

 

Na Missa deste dia benzem-se e impõem-se as cinzas, feitas dos ramos de oliveira (ou de outras árvores), benzidos no Domingo de Ramos do ano anterior.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Este é o tempo favorável – C. Silva, OC, pg.298

cf. Sab 11, 24-25.27

Antífona de entrada: De todos Vos compadeceis, Senhor, e amais tudo quanto fizestes; perdoais aos pecadores arrependidos, porque sois o Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com uma chamada à conversão pessoal e à penitência, a Quarta Feira de Cinzas marca o princípio da Quaresma de cada ano.

A imposição das cinzas, que devem proceder dos ramos de oliveira queimados que restaram do Domingo de Ramos, lembram-nos uma verdade irrecusável: o nosso corpo voltará a desfazer-se no pó da terra, até que alcance a ressurreição gloriosa.

Este rito está a ensinar-nos que tudo quanto não é feito por amor de Deus e do próximo, é cinza que calcamos com os pés. É uma advertência para que não nos deixemos enganar, armazenando falsas riquezas que para nada servem.

Vendo as coisas do lado positivo, a Quaresma é convite do Senhor que a Igreja nos transmite, para que procuremos os verdadeiros tesouros que prevalecem para a eternidade.

 

Acto penitencial

 

(Quando há imposição das cinzas, ele substitui o acto penitencial.

Em caso contrário: Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Adiamos continuamente a nossa conversão pessoal,

    como se fosse um assunto banal que se pudesse adiar e esquecer.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Reparamos na necessidade de os outros se converterem,

    mas custa-nos olhar para nós e reconhecer os nossos pecados.

 

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Censuramos facilmente os que estão longe de Deus,

    mas não lhes damos ajudas necessárias para que mudem de vida.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

 

Oração colecta: Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor faz-nos hoje um convite, por meio do profeta Joel, para procurarmos nesta Quaresma uma sincera mudança de vida.

«Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos» significa, na prática, fomentar uma verdadeira contrição dos nossos pecados.

 

Joel 2, 12-18

 

12Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. 13Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. 14Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, para oferenda e libação ao Senhor, vosso Deus? 15Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. 16Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças. Saia o esposo do seu aposento e a esposa do seu tálamo. 17Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: ‘Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações. Porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?’». 18O Senhor encheu-Se de zelo pela sua terra e teve compaixão do seu povo.

 

Começa a Quaresma com um forte apelo à conversão e de esperança no perdão do Senhor, extraído do final da primeira parte do livro do profeta Joel (1,2 – 2,17). Num estilo solene e apocalíptico, fala de uma invasão de gafanhotos medonhos, mas sem ficar claro se fala em sentido próprio ou figurado. Se a obra é anterior ao exílio de Babilónia, aludiria a invasões de exércitos inimigos; se é posterior, tratar-se-ia de alguma praga agrícola. Joel não se detém a denunciar os pecados concretos do povo, como é costume dos grandes profetas. Diante da enorme calamidade apresentada como castigo divino, o profeta apela para uma sincera conversão, a começar pela dos sacerdotes (1,13).

12-13 «Convertei-vos a Mm de todo o coração». Não é suficiente uma manifestação exterior de dor; rasgar as vestes (v. 13) era um típico gesto de grande dor ou indignação, entre os judeus; rasgavam violentamente a túnica exterior, do pescoço até à cintura (cf. Gn 37,29; Mt 26,65). O coração não significa, na linguagem bíblica, apenas a afectividade, mas toda a interioridade da pessoa, todas as suas virtualidades, a sua inteligência e a sua vontade. Deus também nos convida a nós, mais fortemente neste tempo da Quaresma, a voltarmo-nos para Ele de todo o coração, isto é, com todas as veras da nossa alma, e a rasgar o nosso coração, a dilacerá-lo pela contrição, que é essa profunda mágoa de ter ofendido ao Senhor, infinitamente bom. Mas esta dor não é dor angustiante e desesperada, porque é cheia de esperança no perdão, pois Ele é clemente e compassivo… rico de bondade.

«É clemente e compassivo, paciente e misericordioso». A Vulgata e a Nova Vulgata têm «benignus et misericors est, patiens et multæ misericordiæ». «Compassivo», isto é, dotado de piedade e ternura, de compreensão e disposição para perdoar: o termo hebraico «rahum» é derivado de «réhem» (ventre materno), o que sugere que Deus tem entranhas de mãe, sentimentos e coração de mãe para connosco. Assim, o seu amor não acaba quando nos portamos mal com Ele; então tem pena de nós, compreende e facilita a reconciliação. Por seu lado, a expressão «misericordioso» (à letra, «de muita misericórdia») deixa ver que a misericórdia do Senhor («hésed») não é uma bondade qualquer, é a bondade de Quem se mantém fiel a Si próprio (cf. Ez 36,22); daqui a frequente hendíadis da S. E.: «amor e fidelidade» («hésed v-émet», um amor que é fidelidade). Este atributo divino tem na sua origem bíblica um matiz jurídico: a fidelidade de Deus à Aliança; uma fidelidade tal que, após o pecado, se mantém, embora já não dentro do mero âmbito legal dum pacto bilateral. Com efeito, mesmo quando o homem rompe a Aliança, Deus continua a manter-se fiel a Si próprio, ao seu amor gratuito, ao seu dom inicial (cf. Rom 11,29). O amor de Deus é mais forte do que o nosso desamor, as nossas traições e pecados: «jamais algum pecado do mundo poderá superar este Amor» (João Paulo II em Fátima: 13.05.82; cf. Enc. Dives in misericordia).

14 «Vai reconsiderar». A expressão é um antropomorfismo com que se fala de Deus à maneira humana, mas de facto Deus não pode reconsiderar e mudar; se, em face da nossa penitência, Deus já não nos castiga e atende às nossas súplicas, a mudança apenas se dá em nós, não em Deus que sempre tudo tem presente e tudo dispõe, contando com as nossas mudanças. O Profeta fala de Deus à maneira humana, ao dizer também que «Ele se encheu de zelo pela sua terra» (v. 18), em face do apelo feito ao brio do Senhor, numa súplica tão humilde como ousada da parte dos seus «ministros» (v. 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)

 

Monição: Nesta Quarta feira de Cinzas com que iniciamos a Quarema, o Espírito Santo move-nos a cantar o salmo 50, o acto de contrição mais intenso de toda a Bíblia, rezado pelo rei David depois do seu pecado.

Façamos dos seus versículos temas de oração frequente, neste tempo favorável da Quaresma.

 

Refrão:     Pecámos, Senhor: tende compaixão de nós.

 

Ou:           Tende compaixão de nós, Senhor,

            porque somos pecadores.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Porque eu reconheço os meus pecados

e tenho sempre diante de mim as minhas culpas.

Pequei contra Vós, só contra Vós,

e fiz o mal diante dos vossos olhos.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação

e sustentai-me com espírito generoso.

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca cantará o vosso louvor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na segunda Carta aos fieis da Igreja de Corinto, convida-nos a procurar uma sincera conversão de coração a Deus. «Reconciliai-vos com Deus. Este é o tempo favorável»

 

2 Coríntios 5, 20 – 6, 2

 

20Irmãos: Nós somos embaixadores de Cristo; é Deus quem vos exorta por nosso intermédio. Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. 21A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. 2Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.

 

S. Paulo, ao fazer a sua defesa perante as acusações dos seus opositores em Corinto, exalta a grandeza do ministério apostólico de que está investido, um ministério de reconciliação com Deus alcançada pelo mistério da Morte e Ressurreição de Cristo (5,14-15).

20 «Reconciliai-vos com Deus». É este o insistente convite que a Igreja nos faz em nome de Deus, a mesma exortação que fazia S. Paulo, consciente de que «é Deus quem vos exorta por nosso intermédio». Os Apóstolos, como os demais ministros de Cristo, são «embaixadores de Cristo», não apenas «ao seu serviço», mas actuando «em vez de Cristo e por autoridade de Cristo»; o próprio texto original grego parece dá-lo a entender com a preposição hyper (em favor de Cristo), usada com o sentido do antí (em vez de: cf. Jo 11,50; Gal 3,13; etc.).

21 «Deus identificou-o com o pecado» (à letra, Deus fê-lo pecado) uma expressão extraordinariamente forte e chocante. Note-se, no entanto, que não se diz que Deus O tenha feito pecador. O que se pretende significar é que Deus permitiu que Jesus viesse a sofrer o castigo que cabia ao pecado. Trata-se aqui duma identificação jurídica, não moral. Cristo tornando-Se a Cabeça e o Chefe duma raça pecadora, toma sobre os seus ombros a responsabilidade, não a de uns pecados alheios, mas a dos pecados da sua raça (a raça humana), a fim de os expiar, sofrendo a pena devida por eles (cf. Gal 3,13). O texto torna-se menos duro, se entendemos que Cristo se fez pecado, no sentido de que se fez sacrifício pelo pecado. Isto, que podia parecer uma escapatória para evitar a dificuldade de interpretação, tem um certo fundamento no substrato hebraico, pois a palavra ’axam tem este duplo sentido de «violação da justiça» e de «sacrifício de reparação pelo pecado». Com efeito, pelo sacrifício de Cristo tornamo-nos «justiça de Deus», isto é, justos diante de Deus (note-se o jogo com os dois substantivos abstractos – pecado/justiça –, num evidente paralelismo antitético, tão do gosto paulino).

6,2 «Este é o tempo favorável». S. Paulo cita aqui Isaías 49,8, onde se classifica assim o momento em que aprouve à misericórdia divina libertar os israelitas do cativeiro. O Apóstolo insiste em que «agora» é que é o tempo realmente favorável, o tempo em que Jesus Cristo nos redimiu do cativeiro do pecado (cf. Gal 4,4-5). A tradução litúrgica não valorizou este advérbio «agora», repetido por duas vezes. S. Paulo actualiza a expressão grega de Isaías, «tempo favorável» (LXX), ao fazer ver que agora é que é o momento singularmente oportuno, em que apraz à misericórdia divina operar a nossa salvação. E a Liturgia pretende fazer aqui uma acomodação deste texto ao tempo santo da Quaresma.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Sl 94, 8ab

 

Monição: O Senhor ama-nos e, por isso quer a nossa salvação eterna. Para isso nos convida a cada momento à conversão sincera.

Agradeçamos-Lhe esta divina solicitude e mostremos a vontade de acolher bem este convite, aclamando O Evangelho.

 

Cântico:Louvor e glória a Vós – B. Salgado, NRMS, 32

 

Refrão 1: Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.

Refrão 2: Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.

Refrão 3: Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.

Refrão 4: Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.

Refrão 5: Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

Refrão 6: Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.

Refrão 7: A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

 

Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

não fecheis os vossos corações.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 1-6.16-18

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. 2Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 3Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, 4para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

 

Os versículos da leitura são tirados do meio do Sermão da Montanha de S. Mateus; por focarem práticas tipicamente judaicas, estes versículos não têm paralelos nos outros evangelistas, que se dirigem a cristãos na sua maioria vindos dos gentios.

1 «As vossas boas obras» letra, a vossa justiça, como teremos na nova tradução da CEP), isto é, os actos tradicionais da boa piedade judaica, a esmola, a oração e o jejum. Jesus de modo algum os suprime ou diminui o seu valor, pelo facto de serem actos de piedade pessoal individual. O que exige é que todos estes actos se façam sempre com rectidão de intenção, isto é, com uma sincera piedade, com o fim de agradar a Deus, e não por ostentação, ou para se receber o aplauso humano.

6 «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto». Segundo estas palavras de Jesus, desde crianças, fomos ensinados a rezar não apenas comunitariamente, mas também, a sós: «no teu quarto». O Senhor ensina aqui a necessidade da oração individual (o que não quer dizer individualista). Deus chama os homens à salvação, fazendo-os entrar dentro do Povo de Deus, a sua Igreja, mas chama-os um a um (nominatim: Jo 10,3). Com efeito, são imprescindíveis tanto a oração púbica, que manifesta o carácter de família e povo que somos em Cristo, como a oração a sós, que manifesta a resposta pessoal e intransferível de cada um de nós ao seu Pai celeste. Por sua vez, Jesus não se limitou a pregar a necessidade da oração individual, pois Ele próprio deu este mesmo exemplo (cf. Mt 14,23; Mc 1,35; Lc 5,16; 6,12; 9,18; 11,1.28-29), um exemplo que foi seguido pelos Apóstolos (cf. Act 10,9). Também a experiência pessoal de todos os santos e dos que tomam a sério a fé cristã nos diz que é imprescindível este tipo de oração, que consiste em se recolher para, a sós, falar com Deus, frequentemente. A esta oração recolhida e íntima nos convida hoje o Senhor e a Liturgia nesta Quaresma, que agora começa.

 

Sugestões para a homilia

 

• Quaresma, tempo favorável

Conversão verdadeira

Cheios de confiança em Deus

Um convite para todos

• Um programa para a Quaresma

Vivê-la com humildade

Um programa quaresmal

O Sacramento da reconciliação

 

1. Quaresma, tempo favorável

 

a) Conversão verdadeira. «Diz agora o Senhor: «Convertei-vos a Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos

Deus quer de nós, neste primeiro dia da Quaresma, uma conversão total, completa. É o que nos ensina pelas palavras: «Convertei-vos a Mim de todo o coração.»

Não se trata de ficarmos santos de repente, como quem prime um botão e ouve imediatamente uma campainha ou acende uma luz.

Podemos falar de duas espécies de conversão: afectiva e efectiva.

Conversão afectiva. Consiste na mudança de vontade que, na linguagem popular é simbolizada pelo coração. Trata-se de querer emendar-se de todos os pecados de efeitos, Não o seria se puséssemos reservas a esta mudança de coração, reservando algum defeito ou pecado, mesmo venial, de que não nos queremos emendar.

O apego ao pecado venial ou a um defeito chama-se tibieza e torna-se um entrave muito sério para a salvação. Na verdade, para prender as asas de uma ave tanto serve uma corda de carro, como um laço. O efeito prático é o mesmo, embora a corda seja mais difícil de quebrar.

Neste caso não teríamos uma verdadeira conversão, porque a alma continua presa ao lodo da terra e não pode voar ao encontro de Deus. Este apego vai tornar-se facilmente uma pedra de tropeço, fazendo-nos voltar às infidelidades do passado.

•  Conversão efectiva. Consiste na emenda verdadeira dos pecados e defeitos. Esta, sim, é trabalho para a vida inteira.

Muitas vezes convencemo-nos de que já voamos muito alto, corrigimos os defeitos e pecados e, de repente, estatelamo-nos na terra, leve ou gravemente. Deus permite-o, para que sejamos humildes, uma vez que a soberba é o maior obstáculo ao nosso caminhar para Deus.

Esta conversão diária não é uma utopia. Deus vai-nos dando vitórias sucessivas, de tal modo que uma vitória prepara outra, do mesmo modo que uma derrota prepara a seguinte.

Conversão pela contrição. Devemos procurar a contrição perfeita dos nossos pecados, que se concretiza na dor – arrependimento – motivado pelo amor de Deus.

O profeta Joel faz alusão a um costume dos judeus que, para manifestarem o seu arrependimento, rasgavam com ruído, uma tira de pano que tinham cosido na sua roupa, para significar a sua reprovação, quer dos próprios actos, quer dos alheios.

O importante, nesta conversão, não são os gestos exteriores, mas a mudança de coração arrependido.

 

b) Cheios de confiança em Deus. «Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que promete. Quem sabe se Ele não vai reconsiderar e desistir deles, deixando atrás de Si uma bênção, [...]?»

Deus quer de nós uma mudança de vida por amor d’Ele, e não por medo ou vergonha da fealdade do pecado.

O medo faz-nos tremer por causa da ameaça de um mal provavelmente eminente.

Medo servil. Leva-nos a ver no que nos faz tremer um mal para nós. É evidente que não podemos encarar Deus como um mal.

O medo servil pode não nos levar directamente a fugir de Deus, mas daquilo que Ele nos pode causar. Neste caso da salvação, seria a condenação eterna ou qualquer outro castigo.

O temor servil mantém-nos timidamente à distância, sem nos querermos aproximar daquilo que tememos.

Temor filial. Nesta espécie de medo há, de facto, um receio procedente do amor de Deus que nos faz recear ofendê-l’O.

O temor filial aproxima-nos de Deus com delicadeza e leva-nos a amá-l’O cada vez mais. É este o temor que Deus quer de nós.

Deus, nosso Pai, quer que pela penitência desta Quaresma, fruto do amor que Lhe temos, nos aproximemos d’Ele com toda a confiança:

– Porque Ele nos perdoa generosamente, todas as vezes que nos voltarmos para o Seu Coração. É a misericórdia infinita.

– Porque Ele não está à espera de que nos aproximemos, para, tendo-nos mais perto, nos aplicar um castigo. A Sua maior alegria é perdoar-nos.

Confiança de filhos. Acolhemo-nos à misericórdia de Deus, neste princípio da Quaresma, com a certeza de que a maior alegria de Deus é perdoar os nossos pecados, todas as vezes que, tendo caído, nos queiramos levantar.

Por vezes temos receio de que Deus não nos perdoe, porque julgamos que ele é imperfeito como nós, que nos cansamos de perdoar. Afinal, logo que vê em nós um pequeno sinal de arrependimento, o Senhor vem levantar-nos, para recomeçarmos o caminho do Céu.

 

c) Um convite para todos. «Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada. Reuni o povo, convocai a assembleia, congregai os anciãos, reuni os jovens e as crianças

O convite do profeta é dirigido as todas as pessoas: a assembleia do povo, os anciãos, jovens e crianças. Com esta enumeração, na qual até as crianças são incluídas, o profeta lembra que ninguém está excluído desta mobilização geral para uma vida penitente.

Quando ouvimos falar de conversão pessoal, ficamos logo a pensar que se trata de um convite à mudança de vida para os que levam uma vida escandalosa, porque vivem habitual e manifestamente em pecado mortal.

Seria uma ilusão algum de nós pensar que já é suficientemente bom e não precisa de penitência. Nenhum de nós é tão santo que já não precisa de progredir mais no amor de Deus, nem de se emendar de defeitos e pecados. Se algum de nós assim pensasse, seria urgente que mudasse de parecer.

Mergulhados num ambiente de conforto corporal, habituados a satisfazer todos os caprichos que os sentidos pedem, torna-se-nos difícil compreender este apelo do Senhor.

E, no entanto, cada um de nós tem de o acolher e estudar o modo prático de o viver em cada dia.

Penitência interior. Vivemo-la quando aceitamos que temos defeitos e pecados, graves ou leves e desejamos sinceramente emendarmo-nos deles.

Temos sempre uma grande dificuldade em aceitá-lo. Facilmente desculpamos os pecados que cometemos – até dizemos que, para os outros, sim; para nós não é pecado – embora estejamos sempre atentos para acusar os outros.

Penitência exterior. Como ninguém conhece as nossas intenções, é sempre possível e útil contrariar os nossos apetites em alguma coisa: contrariar o desleixo na apresentação, sorrir também quando estamos mal dispostos ou doentes, renunciar a um gosto pessoal por amor de Deus e em reparação dos nossos pecados.

 

2. Um programa para a Quaresma

 

a) Vivê-la com humildade. «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. “Teu Pai, que vê no segredo, te dará a recompensa”.»

Há duas tendências desordenadas em nós, quando se trata de fazer alguma coisa boa: fugir de tudo o que custa e dar espectáculo com alguma coisa boa que fazemos, à procura da aprovação e aplauso dos outros.

O Senhor pede-se, com especial insistência nesta Quaresma, que não façamos uma coisa nem outra.

Não fugir do que custa. A vida e a saúde do corpo exigem de nós que façamos esforços custosos:

– As caminhadas, sobretudo quando está frio ou mau tempo, são um sacrifício custoso que, às vezes, nos esquecemos de oferecer a Deus.

– O cuidado com o arranjo pessoal, as boas maneiras de quem vive em sociedade, a atenção amiga e constante aos que vivem connosco, são tesouros que devemos aproveitar.

– O levantar todos os dias para ir trabalhar, o permanecer activo e atento durante as horas laborais, podem ser encaminhados para Deus.

Fugir do espectáculo. Fazer coisas boas para que os outros vejam, tenham boa impressão de nós e nos louvem é, de facto, um pagamento muito pobre. Somos pouco ambiciosos, alem de nos causarem um enorme prejuízo: «não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus

Montserrat Grases, uma menina que, ao fazer desporto na neve, deu uma queda, e adoeceu com um cancro nos ossos do qual veio a falecer com fama de santidade, estava muito desfigurada e pálida, às vezes, por causa das dores que aa doença lhe causava.

Procurava, então, pintar-se habilmente, para que os familiares e as pessoas que a visitavam não ficassem tristes ao vê-la sofrer.

Também os Pastorinhos de Fátima são disto um exemplo. Sabiam esconder de tal modo a sua vida de mortificação que os familiares de nada se apercebiam.

 

b) Um programa quaresmal. «Assim, quando deres esmola, [...] Quando rezardes, [...] Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas [...] e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa

Jesus adverte-nos contra a vaidade e ostentação que podem esvaziar de todo o merecimento dos nossos sacrifícios. E sabido como o Inimigo, quando não consegue impedir-nos de fazer o bem, procura, ao menos que o desvirtuemos.

A esmola. Quando se refere à esmola, Jesus avisa-nos: «Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa

É oportuno lembrar que existe a esmola material e espiritual, a partilha de bens materiais e espirituais. Talvez as pessoas com quem vivemos ou nos encontramos não precisem da esmola material, mas necessitam, possivelmente, da esmola espiritual: um bom conselho, um sorriso, uma palavra de ânimo que as ajude a vencer a tristeza, etc. Pratiquemos, sobretudo, a esmola de saber ouvir.

A oração. É outra sugestão preciosa que a Igreja nos dá, nesta celebração, para vivermos bem a Quaresma: rezar mais e melhor. É possível que a nossa oração seja facilmente banalizada e esvaziada de todo o merecimento, pela rotina. Devemos procurar, na Quaresma, uma renovação do nosso modo de fazer oração. Tracemos um plano pessoal de oração. Recomenda-se especialmente a oração bíblica.

Também ao fazer oração podemos encontrar desvios: «Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.»

O jejum. Quando ouvimos falar nesta sugestão do jejum para fazer parte do nosso programa quaresmal, imaginamos logo os rigorosos jejuns narrados na vida de alguns santos.

Além da disciplina do jejum indicada pelas leis da Igreja, podemos fazer muitas espécies de jejuns: de TV, de conversas, de telemóvel, de bolos e pasteis, de álcool, de cigarro, etc.

Jesus recomenda-nos: «Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já́ receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa

 

c) O Sacramento da reconciliação. «Nós vos pedimos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus. A Cristo, que não conhecera o pecado, identificou-O Deus com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justiça de Deus. [...] nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça

S. Paulo pede-nos que nos reconciliemos com Deus. O pedido do Apóstolo dos Gentios torna-se especialmente oportuno nesta Quaresma.

 A reconciliação com Deus passa ordinariamente pelo Sacramento da Reconciliação e Penitência.

A recomendação de S. Paulo encontra ordinariamente em nós duas grandes dificuldades:

Falta a consciência do pecado. As pessoas começam por reduzir o fruto da confissão ao perdão dos pecados mortais. É uma redução que a empobrece e desvaloriza.

Sem dúvida, Deus perdoa-nos, por meio deste sacramento, os pecados mortais. Mas dá-nos muitas mais riquezas, pela graça própria deste sacramento: graças especiais para vencer a luta interior de cada dia, paciência, delicadeza de consciência, humildade, alegria interior e paz.

Negação de uma verdade de fé. A Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, ensina-nos que o meio ordinário para recuperar a graça aquele que caiu em pecado mortal é o Sacramento da Reconciliação e Penitência.

Pode haver um perigo inesperado de morte em que tenhamos de nos contentar com um acto de contrição, mas depois, para fazermos a vontade de Deus e da Igreja, precisamos de nos ajoelhar para fazermos uma confissão bem feita.

Para o realizarmos temos necessidade de a preparar com:

Exame de consciência. Com a luz do Espírito Santo, procuremos conhecer as faltas que precisamos confessar.

Contrição dos pecados. É mesmo verdade que estamos tristes, por termos ofendido a Deus?

Propósito firme de emenda. Se reconhecemos que o pecado é um grande mal, não queremos repeti-lo.

• Finalmente, faremos a acusação dos pecados e cumpriremos a penitência recebida.

Fujamos de uma confissão rotineira, no fim da Quaresma, para dar uma satisfação a alguém. Esta Quaresma deve ser vivida na graça de Deus.

 

 

Bênção das cinzas

 

No Antigo Testamento, a imposição das cinzas era um sinal de penitência e de arrependimento dos pecados cometidos.

 

Depois da homilia, o sacerdote, de pé, diz com as mãos juntas:

 

Irmãos caríssimos: Oremos fervorosamente a Deus nosso Pai, para que Se digne abençoar com a abundância da sua graça estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, em sinal de penitência.

 

E depois de alguns momentos de oração em silêncio, diz uma das orações seguintes:

 

Senhor nosso Deus, que Vos compadeceis daquele que se humilha e perdoais àquele que se arrepende, ouvi misericordiosamente as nossas preces e derramai a vossa bênção + sobre os vossos servos que vão receber estas cinzas, para que, fiéis à observância quaresmal, mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ou

 

Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-Vos abençoar + estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

O sacerdote asperge as cinzas com água benta, sem dizer nada.

 

Imposição das cinzas

 

Em seguida, o sacerdote impõe as cinzas a todos os presentes que se aproximam dele, dizendo a cada um:

 

Mc 1, 15

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

Ou

cf. Gen 3, 19

Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar.

 

Entretanto, canta-se um cântico apropriado, por exemplo:

 

Cântico: Perdão, Senhor, Perdão – M. Faria, NRMS, 13

 

cf. Joel 2, 13

Antífona: Mudemos as nossas vestes pela cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque Deus é infinitamente misericordioso e perdoa os nossos pecados.

 

ou

cf. Joel 2, 17; Est 13, 17

Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo, para que possa cantar sempre os vossos louvores.

 

ou

Salmo 50, 3

Lavai-me de toda a iniquidade, Senhor.

 

Pode repetir-se esta antífona depois de cada versículo ou estrofe do salmo 50. Compadecei-Vos de mim, ó Deus.

 

Responsório

cf. Bar 3, 2; Salmo 78, 9

V. Renovemos a nossa vida,

reparemos o mal que fizemos,

para que não nos surpreenda o dia da morte

e nos falte o tempo para nos convertermos.

R. Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

V. Ajudai-nos, Senhor, para glória do vosso nome;

perdoai as nossas culpas e salvai-nos.

R. Ouvi-nos, Senhor, e tende compaixão de nós,

porque somos pecadores.

 

Terminada a imposição das cinzas, o sacerdote lava as mãos. O rito conclui-se com a oração universal ou oração dos fiéis. Não se diz o Credo.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs desta Igreja penitente:

Ao darmos início ao tempo santo da Quaresma,

oremos para que todos os homens se convertam

e tomem parte na renovação pascal.

Oremos (cantando) com esperança:

 

    Renovai, Senhor, o vosso povo.

 

1. Por todos os cristãos da santa Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica,

    para que, na Quaresma, se reconciliem uns com os outros e com Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, o vosso povo.

 

2. Por aqueles a quem foi dado algum poder, na Igreja ou sociedade civil,

    para que sirvam lealmente o bem comum e façam esforços pela paz,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, o vosso povo.

 

3. Por todos os discípulos de Cristo querem viver sinceramente este tempo,

    para que se convertam e, em segredo, distribuam esmolas, orem e jejuem,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, o vosso povo.

 

4. Por todos os doentes, pelos pobres, pelos pecadores e pelos famintos,

    para que tenham quem os socorra e acompanhe nas suas dificuldades,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, o vosso povo.

 

5. Pela nossa comunidade paroquial aqui presente a celebrar esta Missa,

    para que receba a graça de seguir a Jesus Cristo, nesta renovação pascal,

    oremos, irmãos

 

    Renovai, Senhor, o vosso povo.

 

6. Pelos familiares, amigos e conhecidos que faleceram desde há um ano,

    para que, pela Sua misericórdia infinita, o Senhor os receba na glória,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, o vosso povo.

 

Senhor, nosso Deus, rico em misericórdia,

que nos chamais a converter o coração,

dai-nos a alegria de sermos salvos e guiai-nos,

pela força do Espírito, para a festa da Páscoa jubilosa.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Depois desta meditação profunda sobre o futuro de alegria que devemos preparar, apresentemos, ao Senhor, neste ofertório, os nossos bons propósitos de mudança de vida e levemo-los, em espírito, ao altar.

 

Cântico do ofertório: Confesso o meu pecado – J. Santos, NRMS, 61

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício, com o qual iniciamos solenemente a Quaresma, e fazei que, pela penitência e pela caridade, nos afastemos do caminho do mal, a fim de que, livres de todo o pecado, nos preparemos para celebrar fervorosamente a paixão de Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Quaresma III p. 463 ou IV p. 464 [598-710]

 

Santo: F. Silva, NRMS 14

 

Saudação da Paz

 

S. Paulo recomendava-nos, na segunda carta aos fieis de Corinto, que nos reconciliássemos com Deus.

Mas não o podemos fazer, sem nos reconciliarmos antes com os nossos irmãos. Com este desejo,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Uma Quaresma bem vivida será um tempo em que, depois de reconciliados com Deus por uma boa confissão sacramental, procuramos comungar todas as vezes que nos for possível.

Somente com a força da Eucaristia seremos capazes de cumprir os bons propósitos que formulamos nesta Quarta Feira de Cinzas.

 

Cântico da Comunhão: Dai-me, Senhor, um coração puro, C. Silva, OC, pg 76

Salmo 1, 2-3

Antífona da comunhão: Aquele que medita dia e noite na lei do Senhor dará fruto a seu tempo.

 

Cântico de Acção de Graças: Tudo o que pedirdes – C. Silva, OC, pg 256

 

Oração depois da comunhão: Senhor, fazei que este sacramento nos leve a praticar o verdadeiro jejum que seja agradável a vossos olhos e sirva de remédio aos nossos males. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Façamos um programa para esta Quaresma.

Hoje e em Sexta Feira Santa, é dia de jejum e abstinência; todas as sextas feiras do ano, e não só as da Quaresma, são dias de abstinência, a qual pode ser substituída pelas formas indicadas na doutrina da Igreja.

 

Cântico final: Confiarei no meu Deus – J. F. Silva, NRMS, 106

 

A bênção e imposição das cinzas pode fazer-se também fora da Missa. Nesse caso, convém que preceda uma liturgia da palavra, utilizando a antífona de entrada, a oração colecta, as leituras e seus cânticos, como na Missa. Depois da homilia, procede-se à bênção e imposição das cinzas. O rito conclui com a oração universal.

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DA QUARESMA

 

CINZAS

 

5ª Feira, 27-II: A Palavra de Deus e a escolha do caminho.

Deut 30, 15-20 / Lc 9, 22-25

Pois quem quiser salvar a própria vida há-de perdê-la, mas quem perder a vida por minha causa, há-de salvá-la.

Diante de nós temos dois caminhos: um que conduz à vida e outro que leva à perdição (LT). Para seguirmos Jesus, acompanhemo-lo a caminho do Calvário, pegando na Cruz com muito amor. Ele convida-nos a pegar na nossa cruz de casa dia (EV).

Aquele que segue o caminho do Senhor terá abundantes frutos: É como a árvore plantada à beira das águas (SR). Para isso, é preciso que nos arrependamos e acreditemos no Evangelho.  Façamos o propósito de mudar de vida, abandonando o caminho do pecado, e pedindo perdão pelas más acções que cometemos.

 

6ª Feira, 28-II: A Palavra de Deus sobre a penitência.

Is 58, 1-9 / Mt 9, 14-25

Por que motivo nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?

Jesus responde que o maior importante é estar sempre na companhia dEle (EV). Isso consegue-se especialmente através da oração. Clama em altos brados sem cessar (LT). E também através do arrependimento. Não é do sacrifício que Vos agradais... sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido (SR).

A penitência deve também estar acompanhada pela caridade (LT). Procuremos levar à prática as obras de misericórdia durante este tempo de Quaresma. Como consequência, haverá mais luz na nossa vida e o Senhor curará as nossas feridas (LT).

 

Sábado, 29-II: A Palavra de Deus e a restauração das ruínas da alma.

Is 58, 9-14 / Lc 5, 27-32

Hão-de chamar-te 'reparador das brechas', restaurador dos caminhos para as áreas habitadas'.

Por um lado, Jesus é o médico divino. Eu não vim salvar os justos mas os pecadores, para que se arrependam (EV).

Pedimos-lhe: Ensinai-me, Senhor, o vosso caminho (SR), para que, com a vossa ajuda, eu possa reconstruir as ruínas da minha alma (LT). E também, que eu cuide o dia do Senhor, programando as viagens, os negócios e empreendimentos que levo a cabo. Que viva com prontidão para cumprir os pedidos do Senhor. Como Mateus que, ao ouvir a tua voz, me levante rapidamente para te seguir e possa convidar os outros para te conhecerem (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        José Carlos Azevedo

 


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