aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

BRASIL:

Conselho Nacional das Igrejas Cristãs

manifesta apoio ao Sínodo da Amazónia

 

O Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC) no Brasil manifestou o seu apoio ao Sínodo especial para a região Pan-Amazónica, convocado pelo Papa Francisco, que decorreu no Vaticano de 6 a 27 de outubro.

“É dever e nosso compromisso como cristãos entrar em ação, em favor e defesa da Amazónia. Como Conselho Nacional das Igrejas Cristãs estamos juntos nesta caminhada da Igreja neste momento”, disse o pastor luterano Inácio Lemke, presidente do CONIC.

“Como Igrejas, que defendem a vida na sua amplitude, cabe-nos levantar a voz, defender e ser solidários com toda a vida, principalmente com os povos da floresta, a sua diversidade e dos rios”, acrescentou.

 “A região amazónica é enorme e os seus desafios são imensos. As consequências da sua destruição seriam sentidas em todo o planeta”, advertem os responsáveis católicos.

 

VENEZUELA:

Bispo alerta para «grupos armados e violentos»

que podem matar «por um telemóvel ou um par de sapatos»

 

O bispo de Carúpano, D. Jaime Villarroel, disse que o governo de Nicolás Maduro transformou a Venezuela num “campo de concentração” e as pessoas estão trancadas em casa porque as ruas são controladas “por grupos armados e violentos”.

“Um governo, sabendo o que seu povo sofre, deixa as crianças morrer por desnutrição, o povo por falta de remédios para a pressão ou antibióticos, e permite que grupos violentos controlem a cidadania, faz com que o país seja um campo de concentração”, disse o bispo da cidade na costa nordeste da Venezuela.

D. Jaime Villarroel explicou que estes grupos podem matar “por um simples telefone ou um par de sapatos”. Por vezes, adianta, uma família “não chega a ter o equivalente a dois euros por mês” para sobreviver e, neste contexto, alerta que a situação é tão extrema que “há famílias que nem têm dinheiro para enterrar os seus parentes de maneira digna”.

A crise económica e a violência levaram a que 4,5 milhões de venezuelanos emigrassem, “a grande maioria atravessando a fronteira da Colômbia”, e outros países da região, nomeadamente Trindade e Tobago.

D. Jaime Villarroel alerta para o sequestro de pessoas e o tráfico de órgãos, uma vez que as máfias locais “oferecem a possibilidade de financiar a viagem” a quem não tem meios económicos. “É uma tragédia que se assemelha à que a Europa viveu depois da II Guerra Mundial, quando muitas pessoas, por pensarem de forma diferente, foram levadas para os campos de concentração e exterminadas. A Venezuela está nesta situação”, comparou o bispo de Carúpano.

A 14 de julho, o Papa Francisco lembrou o “perdurar da crise” na Venezuela e pediu às partes em conflito que cheguem a um acordo “quanto antes” para que termine o “sofrimento da gente de bem do país”.

 

GUINÉ-BISSAU:

Líderes religiosos assinam mensagem de «paz, reconciliação e harmonia»

 

Os líderes religiosos da Guiné-Bissau publicaram uma mensagem de “paz, reconciliação e harmonia” no contexto das eleições presidenciais de 24 de novembro porque estão “aparecer sinais e factos preocupantes.”

“Tendências vincadas de instrumentalização religiosa e étnica; uso frequente de linguagem violenta, desrespeito dos princípios democráticos, recurso à difamação e desinformação, vontade deliberada de dividir para reinar”, alertam na mensagem assinada pelos bispos católicos de Bissau e Bafatá, pelo Conselho das Igrejas Evangélicas, o Conselho Nacional Islâmico, o Conselho Superior Islâmico e a Associação de Imames da Guiné-Bissau.

Os líderes religiosos realçam que “tudo contraria” a “grande aspiração” do povo ter uma “classe política que esteja ao seu serviço e preocupada unicamente com o bem comum”.

Os líderes religiosos pedem que os Órgãos de Soberania se “pautem pelo estrito cumprimento das leis”, que a Comunicação Social respeite a “sua deontologia” com uma informação que “promova a verdade, estimule a disciplina, a ordem, o respeito” e favoreça um clima de justiça e paz social.

Incentivam também ao voto, que “pode provocar mudanças positivas” ao “reforçar” a cultura democrática, a cidadania responsável e a “unidade nacional”, nas eleições presidenciais.

 “É o momento em que o povo manifesta o seu desejo de colocar na direção do país líderes carismáticos, coerentes e prudentes que fundamentam as suas ações nos princípios morais e aplicam-nos”, desenvolvem sobre esse momento “privilegiado” para a manifestação pública da cidadania.

Para além da mensagem, os líderes religiosos da Guiné-Bissau divulgaram também uma oração inter-religiosa pela paz no contexto das eleições.

 

IRAQUE:

Papa reza por mortos em protestos contra o governo

 

O Papa Francisco recordou em 30 de outubro no Vaticano “os numerosos mortos e feridos” no Iraque, durante as manifestações de protesto contra o governo que têm decorrido no mês de outubro.

“Ao manifestar o meu pesar pelas vítimas e a minha proximidade às suas famílias e aos feridos, convido as autoridades a ouvir o grito da população, que pede uma vida digna e tranquila”, declarou, no final da audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro.

O Santo Padre pediu aos iraquianos que procurem “o caminho do diálogo e da reconciliação”, com a ajuda da comunidade internacional, para encontrar “soluções justas para os desafios e os problemas do país”.

“Rezo para que este povo martirizado possa encontrar a paz e a estabilidade, após anos de guerra e de violência, em que sofreu tanto”, concluiu.

Milhares de pessoas têm participado em protestos que exigem “a queda do regime” e em ataques contra sedes de partidos, instalações de dirigentes e de grupo armados.

De 1 a 6 de outubro, segundo números oficiais, houve 157 mortos, quase todos manifestantes; os protestos reiniciaram-se na quinta-feira, após uma interrupção de 18 dias, por ocasião de uma importante peregrinação xiita.

A 31 de outubro, a Igreja Católica no Iraque assinalou solenemente o final da fase diocesana da causa de beatificação e a declaração do martírio de 48 católicos (dois sacerdotes e 46 leigos, incluindo crianças), assassinados por terroristas a 31 de outubro de 2010, na igreja sírio-católica de Bagdade.

 

JAPÃO:

Papa vai a Nagasáqui e Hiroxima para rezar pela paz

e desarmamento nuclear

 

O Papa vai passar pelas localidades japonesas de Nagasáqui e Hiroxima, atingidas por bombas atómicas na II Guerra Mundial, para rezar pela paz e desarmamento nuclear.

O programa oficial da próxima viagem de Francisco à Ásia, que decorre entre 19 a 26 de novembro, com passagens pela Tailândia e Japão, foi divulgado pelo Vaticano.

A 32ª viagem internacional do atual pontificado começa em Banguecoque, com uma série de encontros com autoridades políticas, a comunidade católica, representantes budistas e uma audiência no Palácio Real.

Na Tailândia, o lema da viagem é “Discípulos de Cristo, discípulos missionários”; em 2019 assinalam-se os 350 anos da instituição do Vicariato Apostólico de Siam, que marcou o início da presença da Igreja Católica no país, com a missionação portuguesa.

Francisco chega ao Japão a 23 de novembro, sendo recebido em Tóquio; no dia seguinte, o pontífice visita Nagasáqui e Hiroxima.

De regresso a Tóquio, o Papa vai encontrar-se com as vítimas do chamado “triplo desastre” de 2011 -– terramoto, tsunami e acidente nuclear em Fukushima -, antes de uma visita privada ao imperador Naruhito no Palácio Imperial.

A agenda prevê a celebração da Missa e encontro com jovens católicos.

O lema escolhido para a viagem ao Japão é “Proteger cada vida”, uma das frases contidas na oração que conclui a Encíclica ‘Laudato si’ sobre a ecologia integral.

O Papa concedeu uma entrevista à televisão japonesa KTN, em que fala dos mártires cristãos e das vítimas das bombas atómicas.

Quando leio a história dos mártires cristãos, quando leio a história dessas duas cidades que sofreram o ataque atómico, sinto muita admiração pelo vosso povo. (Penso) nos mártires, com esta perseverança e esta constância na fé para defender o que acreditavam e para defender as suas convicções e a sua liberdade cristã. Depois, poder-se-ia falar de outro martírio mais humano, isto é, a bomba atómica que o povo sofreu. Eu admiro este povo, como foi capaz de reerguer-se depois desta prova infernal”.

Francisco considera que o que se provocou, lançando a bomba atómica, é “monstruoso”. “Por isso, quero aqui repetir uma verdade: usar a energia atómica para a guerra é imoral”, declarou.

 

NIGÉRIA:

Boko Haram mata dois trabalhadores humanitários

e ameaça a comunidade cristã

 

O grupo terrorista Boko Haram disse que “todos os cristãos” que capturar vão ser “mortos, em vingança pelos muçulmanos” que perderam a vida na Nigéria, num vídeo onde matam a tiro dois trabalhadores humanitários cristãos, na região de Maiduguri.

“A violência extremista contra a comunidade cristã em Maiduguri tem sido denunciada com frequência pela Igreja Católica”, refere a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Num comunicado, revela que os dois trabalhadores cristãos são Lawrence Duna Dacighir e Godfrey Ali Shikagham e no vídeo do grupo fundamentalista islâmico estão “ajoelhados à frente de três homens fortemente armados”.

A AIS adianta que a identificação dos dois homens já foi confirmada pela família e que eles estariam numa missão evangélica ligada à “construção de abrigos para pessoas deslocadas”, por causa da violência terrorista no norte da Nigéria, segundo informações do jornal ‘Morning Star News’.

A fundação pontifícia observa que a execução dos dois cristãos recorda que os ataques do grupo terrorista na Nigéria, que têm tido uma expressão assinalável na região nordeste do país, começaram há 10 anos.

“Milhares de mortos, devastação de aldeias, obrigando à fuga das populações, destruição de igrejas e centros paroquiais, de escolas, esquadras ou mercados, e sequestro de centenas de pessoas, especialmente de mulheres e jovens raparigas para serem forçadas à conversão ao Islão”, alerta sobre uma “década de terror”.

As Dioceses nigerianas de Maiduguri, Yola e Taraba têm estado no “epicentro” da zona de autuação deste grupo terrorista que quer instaurar um ‘califado’ na região.

No início do mês de setembro, o bispo de Maiduguri disse que a Igreja Católica na sua diocese tem sido vítima da “perseguição implacável” do grupo radical Boko Haram, lembrou algumas das situações mais graves.

D. Oliver Dashe Doeme indicou que o ano de 2014 foi “o mais violento de todos”, com “mais de 25 padres deslocados, mais de 45 freiras tiveram que abandonar os conventos, mais de 200 catequistas foram expulsos e mais de 100 mil católicos tiveram que fugir das suas casas”.

 

POLÓNIA:

Causa de Beatificação e Canonização

dos pais de X. João Paulo II

 

A Conferência Episcopal da Polónia acaba de propor a beatificação dos pais de S. João Paulo II.

O pai, Karol Wojtyla, era tenente do exército polaco e a mãe, Emília, professora primária.

Casaram em Cracóvia a 10 de fevereiro de 1906 e deste matrimónio nasceram três filhos: Edmundo, nascido em 1906, formou-se em medicina e morreu quando estava para começar a sua carreira; Olga, que morreu pouco depois de nascer; e Karol Júnior em 1920, que veio a ser S. João Paulo II.

Sabia-se que a família era católica fiel e repudiou o crescente anti-semitismo da época. «La família imediata influiu fortemente no desenvolvimento espiritual e intelectual do futuro Papa», diz a nota da Conferência Episcopal a Polónia.

Emília tinha recebido una educação religiosa formal. Antes de morrer de um ataque cardíaco e insuficiência hepática, em 1929, a mãe foi a base fundamental da fé para a sua casa. No momento da sua morte, Karol Jr. estava a um mês de completar nove anos de idade.

«Emilia Wojtyla estudou na escola do mosteiro das Irmãs do Amor Divino. Com total dedicação e amor, dirigiu a casa e cuidou dos seus filhos Edmund e Karol», explicam los bispos.

O seu pai criou os filhos somente até à sua morte, 12 anos depois. Segundo Catholic Online, Karol era um homem de oração e animou Karol Jr. a ser trabalhador e estudioso. O pai também assumiu tarefas familiares, como consertar a roupa do filho.

«Karol Wojtyła sénior, como pai, foi um homem profundamente religioso, trabalhador e consciencioso. João Paulo II mencionou repetidamente que tinha visto o seu pai ajoelhado e rezando, inclusivamente de noite. Foi o seu pai que lhe ensinou a oração ao Espírito Santo que o acompanhou até ao final da sua vida».

 

SÍRIA:

Casas de cristãos e arménios estão a ser «marcadas

com expressões ameaçadoras»

 

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alertou que casas de famílias cristãs e arménias foram “marcadas com expressões ameaçadoras”, na cidade síria de Tel Abyad, depois do início da operação militar turca na Síria.

“As casas estão reservadas para a Frente do Levante [uma milícia pró-turca]”, é uma das frases que se pode ler nas portas e nas paredes das casas dos cristãos, nomeadamente no bairro de al-Shallal, informa a AIS.

Numa nota, a fundação pontifícia refere que há registos, “que não é possível confirmar de forma independente”, de assaltos e o relato que “vários jovens” terão sido espancados “sem motivo”.

O secretariado português da AIS realça que a marcação das casas “com expressões ameaçadoras” faz lembrar “os tempos negros vividos no Iraque”, durante a ocupação da Planície de Nínive pelos jihadistas o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), quando as habitações foram marcadas com a letra “N”, em árabe, identificando o proprietário como cristão, como “Nazareno”, para serem confiscadas pelos militantes islâmicos.

A operação ‘Fonte de Paz’, lançada pela Turquia para a criação de uma zona de segurança com a Síria, permanece instável e, para além de Tel Abyad, as forças turcas ocuparam “também a cidade de Ras al-Ayn”, numa faixa onde existem ainda diversas cidades, como Kobani, Akcakale, Suluk, Ain Issa e Qamechli.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre divulga que as organizações humanitárias na região denunciam que mais de 200 mil pessoas estão deslocadas como consequência direta da operação militar do presidente turco.

Recep Tayyip Erdogan anunciou que a campanha militar continua hoje se as milícias curdas não se retirarem para além da faixa de 30 quilómetros que Ancara quer criar como zona de proteção para as suas fronteiras, depois de uma trégua acordada com os Estados Unidos da América no dia 17 de outubro.

 

 

ESPANHA:

Bispos da Catalunha apelam ao diálogo

e pedem respeito pelas decisões judiciais

 

Os bispos da Catalunha reagiram em comunicado ao anúncio da pena de prisão dos dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da região, apelando ao diálogo e ao respeito pelas decisões judiciais.

“Num estado democrático, as leis fundamentais que regulam o sistema político, e que foram votadas e aprovadas pelos cidadãos, constituem uma referência básica da ordem social”, indicam os prelados.

“Para desativar a tensão acumulada nos últimos anos e regressar ao único caminho possível”, os responsáveis católicos apelam ao “diálogo sério entre os governos espanhol e catalão, que permita encontrar uma solução política adequada”.

O Tribunal Supremo espanhol condenou, em Madrid, os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até de 13 anos de prisão.

Os independentistas são na sua maioria condenados por crime de sedição e desvio de fundos públicos.

Os bispos da Catalunha recordam que os acontecimentos em causa, que remontam a 2017, levaram à “prisão preventiva de nove pessoas, membros do governo, funcionários eleitos e líderes sociais catalães e a saída de outras pessoas para um país estrangeiro”.

“O Tribunal decidiu e, embora existam recursos legítimos e diferentes avaliações possam ser feitas, o julgamento emanado do poder judicial de um Estado de Direito deve ser respeitado, bem como quaisquer decisões possíveis que possam surgir dos tribunais europeus”, pode ler-se.

Os bispos da Catalunha consideram que “o diálogo é fundamental”, face a “sentimentos diferenciados e muitas vezes confusos entre as identidades espanhola e catalã”.

A nota pede que os responsáveis políticos sejam capazes de “devolver às pessoas o sentido de futuro” e de “uma sociedade justa e solidária, que respeite a igualdade” e se “inscreva no mundo global”.

 

ÁFRICA:

Libertação do padre Pierluigi Maccalli é esperada «com fé e paciência»

 

O padre Walter Maccalli, da Sociedade das Missões Africanas, afirma que mantêm a “esperança” pela “libertação” do seu irmão, e também sacerdote, Pier Luigi Maccalli que foi raptado por um grupo jihadista, há um ano, no Níger.

“Sabemos que são coisas longas, que demoram tempo, mas esperamos com fé e paciência, pela sua libertação. As orações que fazemos diariamente na nossa aldeia são com essa esperança. Há muitas pessoas que estão a rezar”, disse o padre Walter Maccalli, à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

 “Ser missionário do fundo do coração, exercitando o seu ministério com fidelidade e compaixão, como sempre o fez na comunidade, fazendo o bem, ajudando os companheiros de cela, [tendo] uma boa palavra para os seus raptores, cuidando e confortando aqueles que estão doentes”, exemplificou.

O missionário Pier Luigi Maccalli, foi raptado a 17 de setembro de 2018, e pensa que as suas maiores dificuldades serão, “certamente”, não poder celebrar a Eucaristia e o afastamento da família e dos amigos.

Segundo o missionário italiano na sua comunidade paroquial em Madignano, na Libéria, rezam “o santo rosário todos os dias”, como em “muitas paróquias da diocese” e é também na oração diária e na “solidariedade e apoio dos confrades” que o missionário ganha ânimo.

“Há uma oração que rezamos juntos em comunidade, em Foya, na Libéria: ‘Jesus liberta Fr. Pier Luigi do seu cativeiro e trá-lo para casa em segurança” E depois há outras frases, palavras, que saem do coração: ‘Que esta realidade possa terminar, Senhor’”, exemplificou.

Segundo padre Walter Maccalli há um ano, desde o dia do rapto do irmão, que, “infelizmente, não” têm notícias” e as que são divulgadas “pelos jornalistas nada mais são do que suposições que não tiveram confirmação”.

A fundação pontifícia AIS observa que o missionário italiano “não está também imune a possíveis ataques jihadistas”, como aconteceu ao seu irmão.

“Quando estamos em missão não estamos a olhar o perigo, temos um compromisso importante que é anunciar o Evangelho. Importante é realizar a própria missão”, afirmou o sacerdote que está numa missão que conta com a missionária leiga portuguesa Alexandra Almeida, da Paróquia de Famões, no Patriarcado de Lisboa.

A 17 de maio, o Papa Francisco recebeu em audiência membros da Sociedade das Missões Africanas e o encontro ficou também marcado por um momento de oração pelo padre Pierluigi Maccalli.

 

HAITI:

Bispos pedem «mecanismos de diplomáticos» para ultrapassar situação no Haiti

 

O Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM) pediu à comunidade internacional que intervenha para ajudar a resolver a crise que se vive no Haiti, através “do diálogo”.

“O sofrimento dos homens e mulheres da amada República do Haiti é um grito que sobe ao céu, mas que deve também chegar aos ouvidos daqueles que têm nas suas mãos o poder de contribuir para que os haitianos possam encontrar caminhos concretos para superar todas as deficiências que ferem a dignidade humana e de filhos e filhas de Deus”, escreve num comunicado o bispo de Trujillo, Perú, D. Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, atual presidente da CELAM.

Em nome do “episcopado, dos sacerdotes, dos religiosos e religiosas e de todos os católicos desta nação”, assinala o comunicado, citado pelo portal de informação do Vaticano, o CELAM pede que “a voz da sabedoria seja ouvida”.

Há vários meses que a população haitiana está a manifestar-se pedindo a renúncia do presidente, Jovenel Moise, e os conflitos na rua causaram já a morte 42 pessoas e o ferimento de outras 86.

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, atualmente dirigido pela ex-presidente chilena Michele Bachelet, manifestou a sua preocupação com a situação sociopolítica no Haiti e com o agravamento de uma crise que tem causado insegurança, falta de combustível e onde começam a escassear alimentos.

À comunidade internacional o CEALM pede que sejam reforçados “os mecanismos diplomáticos de diálogo para encontrar uma saída pacífica para a crise” deste país.

O organismo latino-americano pediu às conferências episcopais de cada país da América Latina e Caraíbas para que realizem dias de oração pela situação e em sufrágio dos que perderam a vida nos conflitos.

“Não deixem roubar a esperança” foram palavras do Papa Francisco dirigidas à população do Haiti, recordadas no final da missiva.

 

CABO VERDE:

Padre Custódio Campos num país de esperanças

 

A História começa no dia 4 de outubro de 1954. Foi nesse dia que o padre Campos chegou a Cabo Verde. É um missionário espiritano natural de Joane, Vila Nova de Famalicão e, desde que o barco o levou, durante nove dias, para as Ilhas do meio do Atlântico, nunca mais quis deixar os cabo-verdianos. Aos 92 anos, sente-se bem a tratar da gente que o ensinou a andar de mota, para quem celebra sem precisar de usar óculos e a quem atende em confissão, muitas dezenas por dia.

O Padre Campos diz que a seca é uma praga. Ano após ano sem chuva, são cada vez menos os alimentos, o feijão e o milho. Uma calamidade para os humanos e também para os animais. Sem água nem ervas, “o gado morre de pé”, como recorda o padre Campos.

O padre Campos começou por ser missionário no Tarrafal. Conviveu com presos políticos, celebrou na prisão, conheceu o ambiente deste desterro.

Em 1956, Amílcar Cabral iniciou o processo para a independência de Cabo Verde ao criar o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

A 19 de Dezembro de 1974 foi assinado um acordo entre o PAIGC e Portugal e iniciou funções um governo de transição em Cabo Verde, que preparou as eleições para uma Assembleia Nacional Popular.

A 5 de julho de 1975 foi proclamada a independência da República de Cabo Verde. Em 1991 foi instalada a democracia parlamentar no país, após as primeiras eleições multipartirias.

A independência inaugurou uma nova era nas relações entre a Igreja Católica e o Estado Cabo-verdiano, com um passo decisivo dado no dia 10 de junho de 2013: foi assinada a Concordata entre a Santa Sé e o Estado de Cabo Verde, regulando as relações entre os dois estados e a presença da Igreja Católica nas dioceses cabo-verdianas, nos diferentes setores da sociedade.

Na Lei de Liberdade Religiosa de Cabo Verde, de 16 de maio de 2014, indica-se que as “escolas e comunidades e organizações religiosas reconhecidas” podem requerer o ensino da respetiva Educação Moral e Religiosa, de forma “opcional e não alternativa”.

As duas dioceses de Cabo Verde, Mindelo e Santiago, iniciam no ano letivo de 2019/2020, em 13 escolas dos vários distritos, a disciplina de EMRC no 1º, 5º e 9º ano, para além de a continuar a oferecer nas sete escolas católicas do país.

O Secretariado Nacional da Educação Cristã, da Conferência Episcopal Portuguesa, colaborou com a formação para professores de EMRC em Cabo Verde, durante uma semana.

Os desafios que emergem do crescimento do turismo; A urgência de reorganizar o trabalho; A consciência de assumir novos índices de produtividade;

E sobretudo…Os rostos otimistas dos cabo-verdianos, apesar das fragilidades do país, A alegria do quotidiano, diante da aridez das paisagens, Os horizontes largos, mesmo que o percurso da sua história seja recente, faz de Cabo Verde um país cheio de esperanças…

 

BRASIL:

Conselho Missionário condena assassinato do líder indígena

Paulino Guajajara

 

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organismo da Igreja Católica no Brasil, condenou em comunicado o assassinato do líder indígena Paulino Guajajara, ocorrido no interior da Terra Indígena Arariboia, Maranhão.

Segundo a nota, Paulino Guajajara e Laércio Souza Silva foram surpreendidos por cinco madeireiros armados.

O Cimi “solidariza-se com os familiares do indígena assassinado e de Laércio, que sofreu uma tentativa de homicídio”.

Entre janeiro e setembro de 2019, o Relatório ‘Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil’, do Cimi, contabilizou 160 casos de invasão a 153 terras indígenas de 19 Estados.

 

CHINA:

«violações da liberdade religiosa» na China

 

O presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica em Portugal, considera que “as violações da liberdade religiosa” se acentuaram na China, desde a assinatura do acordo entre a Santa Sé e o Governo de Pequim.

“Proibir a educação religiosa de crianças e adolescentes e a sua entrada em lugares de culto, o uso de tecnologia mais avançada para o controlo da população nestes domínios é próprio de um Estado totalitário que pretende controlar todos os domínios da vida das pessoas, incluindo os mais íntimos, como é a religião”, disse Pedro Vaz Patto à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Na informação enviada o juiz português Dr. Pedro Vaz Pato alertou para o uso de tecnologia, como “técnicas de reconhecimento facial”, e para a criação de sistemas, como o “crédito social”, que permite “condicionar a atribuição de benefícios” em função do comportamento das pessoas”, como a sua prática religiosa.

O presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz considera que entre as principais vítimas destas medidas do Estado chinês estão “sobretudo as comunidades, de várias religiões, que escapam ao controlo estatal”, especificando que entre os que “mais sofrem essa repressão”, estão “as comunidades clandestinas cristãs, ou não cristãs”.

Neste contexto, exemplificou com a situação dos muçulmanos uigures e os relatos que cerca de 1 milhão de pessoas estão em campos de reeducação.

“É evidente que já houve uma resolução do Parlamento Europeu a denunciar esta situação, mas não teve grandes consequências. O pretexto é o combate ao terrorismo, mas não podemos associar toda a população, só por ser muçulmana, ao terrorismo”, acrescentou.

Pedro Vaz Patto assinala que “não existe” por parte dos cristãos, nem de qualquer outra religião, “algum propósito de combater politicamente o Estado”, mas “a repressão, a privação das liberdades religiosas atinge todas as religiões”.

No dia 22 de setembro de 2018, o Vaticano anunciou a assinatura de um “acordo provisório” entre a Santa Sé e Pequim, relativo à nomeação de bispos para as comunidades católicas na China, o primeiro do género assinado entre as duas partes.

Segundo Pedro Vaz Patto, desde esse acordo que “se têm agravado as violações da liberdade religiosa e da liberdade dos católicos”, em especial dos que “não aceitam a adesão à Associação Patriótica”.

As relações diplomáticas entre a China e a Santa Sé terminaram em 1951, após a expulsão de todos os missionários estrangeiros, muitos dos quais se refugiaram em Hong Kong, Macau e Taiwan.

Em 1952, o Papa Pio XII recusou a criação de uma Igreja chinesa, separada da Santa Sé [Associação Patriótica Chinesa, APC – criada em 1957] e, em seguida, reconheceu formalmente a independência de Taiwan, onde o núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) se estabeleceu depois da expulsão da China.

Na entrevista à AIS, Pedro Vaz Patto comentou também as manifestações em Hong Kong e teme uma reação do “poder chinês que poderá pôr em causa a situação especial” de ordenamento jurídico e de liberdade da antiga colónia britânica.

“Seria bom que isso não acontecesse, porque então nem sequer em Hong Kong e em Macau se poderia gozar essa liberdade que não existe no resto da China”, analisou o presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz.

 

SIRIA:

Uma gota de vida: Alepo e as marcas da geurra

 

Alepo, a maior cidade da Síria, é uma cidade com marcas profundas da guerra. Há bairros inteiros ainda em ruínas, prédios que desabaram, buracos de balas nas paredes. Alepo é uma cidade cheia de cicatrizes. Desde há nove anos que o quotidiano dos sírios está marcado pela violência.

A vida mudou dramaticamente para Walleed quando a sua filha nasceu. A cidade de Alepo estava a ser bombardeada. Foi trágico. A mulher morreu durante o parto. Walleed nunca mais irá conseguir esquecer esse dia em que perdeu a mulher e ficou com a filha nos braços. “Foi impossível chegar ao hospital”, diz, como se precisasse de se justificar ainda, como se tivesse sido possível fazê-la atravessar as ruas que se tinham transformado em campos de batalha. Nesse mesmo dia, entre as casas que desabaram com a força das balas estava a sua padaria. Era tudo o que tinha para o sustento da família. Nesse dia, que nunca mais irá esquecer, Walleed perdeu a mulher, a única fonte de rendimento que possuía e ficou com a filha nos braços. Jandar é tudo o que tem. A filha é agora também a memória da sua mulher. Quando olha para a bebé recorda-se do olhar dela, das suas expressões, do seu sorriso. Perdeu tudo. Sobra-lhe a filha. “Ela é tudo o que me resta. Preciso da vossa ajuda para a alimentar!”

A Fundação AIS está profundamente mobilizada no apoio às comunidades cristãs na Síria, e Alepo, pelas suas características, está na linha da frente desse esforço solidário. Desde 2015, a Fundação AIS lançou 45 campanhas de emergência destinadas à comunidade cristã de Alepo. Um trabalho que tem beneficiado milhares de pessoas com a distribuição de alimentos, roupa, medicamentos e água potável. Entre todos esses projectos, há um que sobressai. Trata-se de uma campanha direcionada exclusivamente para as crianças.

Casos vulneráveis A campanha tem um nome expressivo: Uma Gota de Leite. Quando a guerra estava mais enfurecida, alguns bairros de Alepo ficaram como que sitiados. Não era possível entrar nem sair. Foram tempos, meses, em que milhares de pessoas, encurraladas, tiveram de sobreviver quase sem nada. Foi neste cenário apocalíptico que nasceu a campanha Uma Gota de Leite. Face à emergência alimentar que se vivia, era necessário dar uma resposta às situações mais graves. Com a ajuda da equipa da Irmã Annie Demerjian, responsável na Síria pelos projectos da Fundação AIS, e de alguns voluntários como o doutor Nabil Antaki, médico em Alepo, foi possível rastrear as situações mais graves, os casos mais vulneráveis. E foi assim que, quase de um dia para o outro, nasceu uma das campanhas mais importantes que a Igreja Católica desenvolve em Alepo. Cerca de 3 mil crianças e bebés recebem todos os meses leite em pó. Leite que, ali, numa cidade marcada ainda pela guerra, é sinal de vida e de esperança. O Vigário Apostólico de Alepo, D. Georges Abou-khazen, é também um dos responsáveis por esta campanha só possível graças à generosidade dos benfeitores da AIS. “O vosso donativo irá transformar-se em leite para os mais pequeninos”, diz D. George numa mensagem enviada para a Fundação AIS. “Graças aos benfeitores da Fundação AIS – acrescenta –, poderemos ver crescer milhares de crianças que sobreviveram à guerra. O Senhor vos recompense e vos abençoe sempre.”

A campanha Uma Gota de Leite tem produzido verdadeiros milagres. Cada criança recebe uma pequena embalagem, às vezes é apenas um saco de plástico com leite em pó. Parece pouco. Mas ali, no meio da cidade de Alepo, no meio dos bairros ainda em ruínas, é mesmo uma gota de vida.

 

QUÉNIA:

Renascer em Nairobi

 

Numa pequena casa no meio de um gigantesco bairro de lata na capital do Quénia acontecem milagres quase todos os dias. Crianças órfãs, pessoas desesperadas, mães que não conseguem sequer alimentar os seus filhos, encontram abrigo nessa casa e descobrem motivo de esperança para as suas vidas. Ali, todos reaprendem a sorrir.

O bairro de Dagoretti em Nairobi, a capital do Quénia, é um mundo à parte. Visto do ar, parece uma cidade antiga com ruas estreitas, tortuosas. Na verdade, é apenas um indigno bairro de lata que parece não ter fim. Visto de perto, não tem qualquer ‘glamour’. É feio, retorcido, com vielas enlameadas, esgotos a céu aberto, barracas de barro e folhas de zinco. Podia ser um retrato do inferno.

No bairro de Dagoretti, as irmãs salesianas procuram todos os dias devolver esperança aos que vivem ali, mesmo junto da capital, mas a quem falta quase tudo. Às vezes, até, da comida no dia-a-dia.

A Irmã Purity Ndiwiga é bem conhecida no bairro. Ela e a Irmã Lucy Wegoki não têm mãos a medir. Todos os dias alguém lhes pede ajuda. E, elas procuram dar respostas a vidas em desesperança. Quem chega traz no rosto o seu bilhete de identidade, as suas dores, as dificuldades, o sofrimento. “Vêm de muitos lugares onde há conflitos, onde há guerra”, explica a Irmã Purity. São pessoas perdidas nas encruzilhadas da vida. “Não têm casa, não têm terra, não têm nada.” E ficam também sem esperança.

Normalmente, quem chega a Dagoretti depressa descobre que apesar do gigantismo do lugar, não há trabalho, não é fácil arranjar um espaço a que se possa chamar casa, não há, sequer, tantas vezes, um pedaço de pão para comer.

Dar algum futuro. A Irmã Purity conhece bem as histórias de quem chegou ao fim da rua com a sensação de ter chegado ao fim da vida. Batem à porta da casa das irmãs com histórias dramáticas.

A pobreza obriga as pessoas a escolhas impossíveis. Mesmo os que conseguem trabalho, muitas vezes não conseguem sobreviver. Diz a irmã: “É uma vida difícil. Se ganharem 200 [xelins quenianos, cerca de 1,73 euros], interrogam-se: ‘Compro comida para os meus filhos ou pago a renda da casa?’ Então, escolhem…”. E muitas vezes, escolhem pagar a renda. É que o bairro não é um lugar fácil e ninguém está verdadeiramente seguro nas ruas. Muito menos as crianças.

Talvez por isso, a casa das irmãs salesianas de Dagoretti tem tantos meninos e meninas que ali procuram fintar um destino cheio de incertezas. Joseph Mbugua já foi criança. Hoje é um jovem adulto. Já entrou na universidade. A diferença entre ter sido um provável sem-abrigo ou sonhar agora em ser cientista está na ternura das irmãs de Dagoretti. Elas deram-lhe o que a família não conseguiu.

“Não sei o que seria a minha vida sem as irmãs”, diz Joseph. Talvez já tivesse morrido…” Ali, na casa das irmãs salesianas, há milagres que acontecem quase todos os dias. Há pessoas que descobrem motivos de esperança para as suas vidas. Mesmo que não fizessem mais nada, ali, no meio do bairro de lata, as irmãs ajudam todos a reaprender a sorrir.

 

VENEZUELA:

Um cozinheiro fora do comum

 

A Venezuela vive a pior crise da sua história. Morre-se à fome neste país que já foi invejado pelas suas riquezas. Faltam bens de primeira necessidade, a inflação é galopante. O futuro incerto. No meio deste caos, há histórias de pessoas que não se resignam e dão o melhor de si em favor dos mais necessitados. É o caso de Tony Pereira, um cozinheiro de 51 anos de idade.

É indisfarçável a crise profunda em que se encontra a Venezuela. Principalmente desde 2013, quando Nicolás Maduro assumiu as rédeas do poder. Há fome na Venezuela. As lojas estão vazias. Muitas cidades ficam sem energia durante várias horas e esses apagões agravam ainda mais o quotidiano já profundamente fragilizado em que vivem os venezuelanos. Em Outubro, o Governo de Maduro actualizou o salário mínimo. Passou a ser de 300 mil bolívares soberanos. Parece muito dinheiro.

É quase nada. Apenas cerca de 17 euros por mês. E que importa o dinheiro quando as prateleiras das lojas estão quase sempre vazias? Há relatos, quase diários, de pessoas que não sobrevivem por falta de medicação básica. A Venezuela, que já foi um dos países mais ricos do continente americano, atravessa uma crise profunda sem fim à vista.

As consequências desta crise não são ainda mais alarmantes porque a Igreja tem lançado inúmeras iniciativas de solidariedade que vão mitigando a fome e as necessidades das populações mais carenciadas. Tony Pereira tem 51 anos e é cozinheiro. Na verdade, é um verdadeiro ‘chef’. Formado em várias academias, já trabalhou em restaurantes de renome quando a Venezuela era ainda um país com uma situação económica regular. Agora trabalha na empresa portuguesa Teixeira Duarte, mas é ainda de volta dos tachos e panelas que mais gosta de estar. E é de volta dos tachos e panelas que consegue ser um exemplo de solidariedade nos tempos negros que se vivem na Venezuela. É um ‘chef’ cristão ao serviço dos outros.

O seu dia começa muito cedo. Às 7 da manhã, apresenta-se na Teixeira Duarte. Mas três horas antes, ainda de noite, sai de casa, pega na sua velhinha mota e faz-se ao caminho até à paróquia de San Sebastian, em Maiquetía, perto de Caracas.

Fazer contas de cabeça. Depois de estacionar a moto, entra na igreja, ajoelha-se junto ao Santíssimo Sacramento, agradece o dom da vida e vai para a cozinha. É sempre dos primeiros a chegar. Por isso, é ele que acende o fogão e começa a preparar duas enormes panelas de latão. Com a falta crónica de bens alimentares, Tony usa a imaginação para transformar o pouco em muito, transformando panelas vazias em refeições para dezenas de pessoas.

Hoje, há frango e arroz. Como ontem… Tony olha em volta e faz contas de cabeça: “dez quilos de arroz e quatro galinhas…” Depois pensa nas cerca de 150 pessoas que vão aparecer ali, na paróquia, à hora de almoço. Ele terá de conseguir o quase milagre de distribuir um frango por 37 pessoas… Nada que esmoreça a sua força de vontade. Afinal, para muitos, essa refeição será tudo o que vão comer durante o dia. Tony não está sozinho nesta cadeia de solidariedade que nasceu na Paróquia de San Sebastian.

Na entrada, um cartaz pede a ajuda de todos para esta cozinha solidária. Baptizaram esta iniciativa de “gota de amor”. De facto, uma simples gota de amor transforma tudo e revela-se no ingrediente mais poderoso. A solidariedade é assim: graças a pessoas que não se resignam, que dão o melhor de si em favor dos mais necessitados, tudo é possível. Tony Pereira é uma dessas pessoas. Parece ser apenas um cozinheiro mas, na verdade, é um ‘chef’ cinco estrelas!

 

EL SALVADOR:

Acusador de padre que foi expulso do sacerdócio

confessa que mentiu contra ele

 

Isaí Ernesto Mendoza, de 36 anos, um dos acusadores de abuso sexual contra um padre em El Salvador, retratou-se no dia 8 de outubro, perante um tribunal do país, admitindo:

 “Tudo o que eu disse é falso. Quero pedir desculpas públicas pelas declarações que fiz falsamente diante do arcebispado”.

O padre acusado, Antonio Molina, foi expulso do estado clerical pelo Vaticano. O sacerdote chegou a perder o estado clerical por causa de falsas acusações de orgias e abusos sexuais

Isaí Mendoza tinha-o acusado à Arquidiocese de San Salvador por supostas orgias e por tê-lo estuprado quando adolescente, época em que era acólito na paróquia do sacerdote. O processo foi marcado por contradições, entre as quais a própria dúvida sobre o facto de o jovem ter mesmo chegado a morar no município de Panchimalco, cenário dos alegados abusos.

A Congregação para a Doutrina da Fé decidiu expulsar o sacerdote do estado clerical, o que lhe foi comunicado por D. José Luis Escobar Alas, arcebispo de San Salvador, como uma “sanção inapelável”.

Duas irmãs gêmeas também denunciaram Antonio Molina por tê-las supostamente acariciado de modo lascivo, mas elas também se retrataram diante da justiça.

Ao jornal salvadorenho La Prensa Gráfica, Molina declarou que se sente

 “…do mesmo jeito que no início: inocente. E feliz também. Não posso mentir que me sinto satisfeito. Dou graças a Deus porque toda essa história terminou. Ainda não sei o que está por vir, mas enfrentarei com toda a paciência e serenidade. O que acho que vale a pena é que saibam que eu não tenho ódio, nem rancor, nem desejo de vingança contra ninguém”.

Ao canal de televisão TN 21, Molina falou da possibilidade de retomar o sacerdócio:

“Não posso exigir nada. O Santo Padre, o Papa, acho que se for devidamente informado por dom José Luis Escobar Alas ou também pelo senhor cardeal, que é meu grande amigo, Gregorio Rosa Chávez… O que o Papa decidir, vamos obedecer, sem nenhuma pretensão”.

Por sua vez, a Arquidiocese de San Salvador divulgou um vídeo em que dom Escobar Alas explica a existência de

“…duas legislações diferentes e independentes: a legislação canônica da Igreja e a legislação civil, criminal e do Estado. Nós, como diocese, apenas escutamos as vítimas, recolhemos a sua denúncia e a encaminhamos para a Santa Sé. E também escutamos, é claro, o sacerdote que é denunciado. Além disso, recolhemos as declarações das testemunhas, quando existem. Mas o processo propriamente dito é realizado pelo Vaticano”.

O arcebispo acrescentou não saber quais serão os efeitos das retratações perante a Santa Sé e reiterou que a decisão “não está em nossas mãos”.

Não é, nem de longe, um caso isolado de sacerdote falsamente acusado e injustamente condenado por um crime que não cometeu. Confira outros:

 

AMAZÓNIA:

Capuchinho pronto-socorro

 

Todos o conhecem. O Frei Gino usa uma barba branca, rala, que lhe cobre o pescoço como um colar. Tem uma voz branda com um indisfarçável sotaque italiano. Gino Alberati é padre mas ali, nas margens do rio Içá, na paróquia de Santo António de Lisboa, é mais do que isso. É alguém que doou a sua vida por inteiro às terras da Amazónia. É um amigo. Um amigo para todas as ocasiões. Um verdadeiro pronto-socorro.

Desde os anos setenta do século passado que Frei Gino Alberati dedica todo o seu tempo às pessoas que vivem na Amazónia. Ele é padre e conselheiro. É assistente social, professor e amigo. E até faz de enfermeiro e médico se houver alguma urgência. Para este frade capuchinho, de quase 80 anos, não há tempo nem distância quando se trata de salvar a vida de alguém. Por ali, numa região escondida da civilização, onde os rios fazem as vezes das estradas, as populações estão longe de tudo, transformando tantas vezes o que pode ser uma insignificância em casos de vida ou de morte.

A disponibilidade de servir a comunidade transformou o Frei Gino num exemplo. A sua base de trabalho está na paróquia de Santo António de Lisboa, situada na cidade de Icá. Ao todo são três missionários capuchinhos a que se juntaram dois noviços. Têm imensas pessoas para acudir. São mais de trinta comunidades que se estendem ao longo dos rios. A maior parte dos que vivem nessas aldeias são indígenas. Pertencem à tribo dos Tikuna. Para o Frei Gino, todos são seus paroquianos. Todos precisam de cuidados médicos, de ajuda na educação e na própria sobrevivência no dia-a-dia. A distância dos povoados é um dos problemas mais complexos que se colocam à Igreja local. A jornada de ida e volta pelo rio Icá demora pelo menos vinte dias. Duas vezes por ano, Frei Gino faz questão de se meter no barco para se encontrar com estas populações ribeirinhas. É sempre uma viagem emotiva, feita de abraços, risos e lágrimas. De reencontros e despedidas. Ao longo do ano, Frei Gino faz ainda dezenas de visitas mais curtas a essas comunidades que estão tão longe dos olhares e das preocupações da sociedade brasileira.

Salvar vidas pelo rio. O barco, que a Fundação AIS ofereceu à paróquia de Santo António de Lisboa, tem ajudado, e muito, a encurtar os tempos das viagens, permitindo transportar mais pessoas. A mudança de um pequeno bote quase rudimentar para um barco moderno fez toda a diferença. “Antes, a minha embarcação era bem precária. Eu sabia quando partia, mas nunca sabia quando voltaria ou sequer se voltaria. Com este barco, além de todo o trabalho pastoral, também salvamos vidas.”

A pobreza nunca é abstrata. Ali, na enorme Amazónia, o Frei Gino conhece os rostos dos seus paroquianos. Conhece os seus nomes e as suas dificuldades. Sabe por que riem e quando choram. Quando parte em missão, o frade capuchinho celebra a Missa, casamentos, baptiza crianças e adultos e ouve os fiéis em confissão. É um padre de mochila às costas com quase oitenta anos de idade. Para ele, não há barreiras. Nem a língua é um obstáculo. Os índios Tikuna estão no centro das suas preocupações.

Desde 2006 que os capuchinhos têm trabalhado com esta comunidade indígena e são cada vez mais os que se sentem acolhidos na Igreja Católica. A tal ponto que surgiu a necessidade de se produzir informação catequética específica para estas crianças. E foi assim que, com o apoio da Fundação AIS, se procedeu à tradução e distribuição de cerca de 10 mil exemplares da ‘Bíblia das Crianças’ na língua local. Agora, por ali, falar tikuna não é mais uma barreira para as crianças aprenderem a rezar. É, isso sim, mais uma pequena vitória do Frei Gino, alguém que doou a sua vida por inteiro às terras da Amazónia.

Paulo Aido, passim.

 

 


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