3º Domingo Comum

26 de Janeiro de 2020

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo – F. Santos, BML, 75-76

Salmo 95, 1.6

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Glória e poder na sua presença, esplendor e majestade no seu templo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje o domingo da Palavra de Deus. Vamos estar atentos à Palavra que o Senhor nos dirige hoje na Santa Missa para a levarmos para a nossa vida.

 

Olhemos para o nosso coração e peçamos perdão das nossas faltas.

 

Oração colecta: Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Jesus é a luz que vem iluminar os homens. O profeta Isaías anuncia a chegada do Messias e a alegria que vem comunicar à humanidade.

 

Isaías 8, 23b-9, 3 (9, 1-4)

1Assim como no tempo passado foi humilhada a terra de Zabulão e de Neftali, também no futuro será coberto de glória o caminho do mar, o Além do Jordão, a Galileia dos gentios. 2O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou. 3Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 4Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.

 

8, 23b Na Galileia estavam estabelecidas as tribos de Zabulão e de Neftali. Assim como foram estas as primeiras a sofrer as invasões assírias e a ser vítimas dos horrores da guerra e da deportação, também vão ser as primeiras a verem «uma grande luz», terra privilegiada para o começo da pregação de Jesus. Assim é interpretada esta passagem no Evangelho de hoje (Mt 4, 12-16).

9, 3 «Como no dia de Madiã». Alusão à estrondosa vitória alcançada por Gedeão apenas com 300 homens sobre os numerosos exércitos madianitas (cf. Jz 7).

 

Salmo Responsorial    Salmo 26 (27), 1.4.13-14 (R. 1a)

 

Monição: Este salmo anima-nos a cantar ao Senhor que é a nossa luz e nos enche da esperança de O contemplarmos um dia face a face.

 

Refrão:        O Senhor é minha luz e salvação.

O Senhor me ilumina e me salva.

 

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem hei-de temer?

O Senhor é protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:

habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,

para gozar da suavidade do Senhor

e visitar o seu santuário.

 

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor

na terra dos vivos.

Confia no Senhor, sê forte.

Tem confiança e confia no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo chama a atenção dos cristãos de Corinto para evitarem divisões. A fé é uma só, porque vem de Cristo e não dos homens.

 

Coríntios 1, 10-13.17

Irmãos: 10Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir. 11Eu soube, meus irmãos, pela gente de Cloé, que há divisões entre vós, 12que há entre vós quem diga: «Eu sou de Paulo», «eu de Apolo», «eu de Pedro», «eu de Cristo». 13Estará Cristo dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi em nome de Paulo que recebestes o Baptismo? 17Na verdade, Cristo não me enviou para baptizar, mas para anunciar o Evangelho; não, porém, com sabedoria de palavras, a fim de não desvirtuar a cruz de Cristo.

 

A primeira parte desta Carta (1Cor 1 – 6) vai dirigida a corrigir certas desordens na comunidade, a primeira das quais eram certas divisões: grupinhos ou capelinhas.

10 «Falar todos a mesma linguagem», aqui, é ter uma grande unidade de doutrina e de corações: unidade de pensar e de sentir (v. 11).

11 «Cloé». Mulher cristã, cuja família, talvez por motivo de negócios, se deslocava frequentemente de Corinto a Éfeso, onde Paulo se encontrava neste momento.

12 As «divisões» e contendas não correspondem a cismas ou heresias, mas a grupos ou capelinhas que tomavam, uns um partido, outros outro, baseados no prestígio dos excepcionais pregadores que ali passaram (Paulo e Apolo), ou numa autoridade especial (Pedro), ou baseados outros ainda talvez numa ligação directa e carismática a Cristo, sem a mediação de qualquer autoridade apostólica. (Note-se que a expressão «eu sou de Cristo» também podia ser uma exclamação, um aparte de S. Paulo).

13 Paulo, sem ceder nada no que se refere à sua autoridade apostólica na comunidade de que ele tem a responsabilidade da direcção, por ser o fundador dela, não tolera que haja um grupo que invoque o seu nome, fundando-se num mero prestigio ou ascendente pessoal seu; o que ele quer é «que só Cristo brilhe», e com uma primazia absoluta!

17 «Cristo não me enviou para baptizar…». A Bíblia de Vacari traduz, explicitando o sentido: «Cristo não me deu tanto a missão de baptizar, quanto a de pregar...» Com efeito, como Apóstolo, ele tinha a missão de baptizar (Mt 28,19), mas a maior eficácia da sua actuação levava-o a não perder tempo com o que os seus colaboradores podiam fazer perfeitamente, seguindo nisto o exemplo de Jesus e de Pedro (Jo 4,2; Act 10,48).

 

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt 4, 23

 

Monição: A pregação de Jesus é sempre um convite ao arrependimento dos nossos pecados e um convite a segui-Lo com valentia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Jesus proclamava o Evangelho do reino

e curava todas as doenças entre o povo.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 4, 12-23       Forma breve: São Mateus 4, 4, 12-17

12Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-Se para a Galileia. 13Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. 14Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: 15«Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: 16o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou». 17Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo».

[18Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. 19Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens». 20Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. 21Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os 22e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. 23Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.]

 

A Liturgia, depois de no Domingo passado, com as palavras do Baptista, nos ter feito a solene apresentação de Jesus que nos vai falar ao longo do ano no Evangelho, faz-nos hoje a sua apresentação com as palavras do Evangelista do ano A, Mateus, o qual situa Jesus a pregar só depois da prisão do Baptista e após ter deixado de vez Nazaré, pois ninguém é profeta na sua terra (cf. Mt 13,53-58). Diz que Jesus «foi habitar em Cafarnaum», «a sua cidade» (cf. Mt 9,1), a base da sua actividade, junto ao lago de Genesaré, atravessada pela via maris, a estrada do Mar (v. 15) que ligava Damasco ao Mediterrâneo, um centro comercial importante, de que hoje só restam as ruínas, a uns 3 km a Sudoeste da entrada do Jordão no lago e a 36 km de Nazaré. Mas o Evangelista não vê nesta deslocação de Jesus uma simples estratégia, ele vê o cumprimento duma profecia (Is 8,23) que acredita Jesus como o Messias. O texto citado tem um enorme alcance: trata-se de apresentar a pregação de Jesus como a grande luz que nas trevas brilha para todo o povo.

15 «Galileia (em hebraico gelil significa região) dos gentios». Sobretudo a partir das invasões assírias do séc. VIII a. C. e das deportações levadas a cabo, foram trazidos para aqui muitos colonos estrangeiros, gentios, daqui este nome «região dos gentios» (em virtude da sua população mista), que depois passou a chamar-se simplesmente «Galileia».

17 O «Reino dos Céus»: como aqui (e quase sempre), S. Mateus diz «dos Céus˚ (a tradução litúrgica não corresponde ao original grego), em vez de «de Deus» (cf. Mc 1,15), (evitando assim nome inefável de Deus). A expressão tem o sentido de «o domínio de Deus» sobre todos os homens (o reinado de Deus), um tema já frequente na pregação profética. Há uma grande diferença de sentido relativamente às ideias correntes na época, em que o reinado de Deus tinha uma conotação teocrática: Deus era o Rei de Israel não apenas no campo espiritual, mas também temporal e Ele haveria de vir submeter a este domínio político todos os povos da terra. O Reino de Deus que Jesus prega é um reino espiritual, de amor e santidade, onde se entra pelo arrependimento dos pecados. pois é um domínio de Deus nas almas; daí a mensagem fulcral do Evangelho: «arrependei-vos».

18-22 Jesus não se limita a anunciar, como João Baptista, que «o reino de Deus está próximo», mas começa já a sua instauração com palavras e obras (cf. v. 23). E estes versículos falam de um primeiro passo, a escolha dos primeiros discípulos, que hão-de integrar o grupo dos Doze, sobre que Jesus fundará a sua Igreja. Segundo Jo 1,35-52, estes quatro já conheciam Jesus, mas agora trata-se duma chamada para serem seus discípulos. É maravilhosa a sua disponibilidade e generosidade que os leva a deixar tudo «logo» (euthéôs), sem mais considerações, «o barco», «as redes», «o pai». Jesus continua a chamar em todos os tempos os homens ao apostolado e é preciso responder com igual prontidão e entrega.

 

 

Sugestões para a homilia

 

1) Jesus começou a pregar

2) Farei de vós pescadores de homens

3) Unidos no mesmo pensar e no mesmo agir

 

1) Jesus começou a pregar

O Papa Francisco determinou que este domingo fosse, em cada ano, o domingo da Palavra de Deus. Todos os domingos vimos à missa para ouvir a Palavra de Jesus mas podemos habituar-nos e não dar conta da maravilha que é poder ouvir a Jesus e enriquecer-nos com os Seus ensinamentos. Eles são luz para a nossa vida e mostram-nos o caminho para sermos felizes cá na terra e podermos alcançar a felicidade plena um dia no céu.

No Evangelho conta-nos S.Mateus que Jesus começou a Sua pregação na Galileia nas margens do Lago de Tiberíades. Diz-nos quais foram as Suas primeiras palavras: arrependei-vos porque o Reino de Deus está próximo. Jesus convida à conversão, ao arrependimento dos pecados, para acolher o Reino de Deus.

A Palavra de Deus mexe com a nossa vida, indica-nos o caminho que devemos seguir. Jesus tem palavras de vida eterna e temos de acolhê-las e acreditar no que nos diz. É pela fé que abrimos o nosso coração aos Seus ensinamentos. Passamos a vida a acreditar nos que nos rodeiam e que muitas vezes se enganam ou nos enganam. Jesus é o único que sabe tudo e nos ensina sempre a verdade.

 Ele disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Ele é a verdade que devemos conhecer. É o Verbo de Deus, a Palavra viva e eterna do Pai. Deus, tendo falado outrora a nossos pais pelos profetas, nestes tempos que são últimos falou-nos por Seu Filho (Heb 1, 1).

Veio dar-nos a conhecer tudo o que o Pai quer para nos salvarmos.

Ele é o caminho. Não só nos ensina o que devemos fazer, como devemos viver, mas Ele próprio nos ensina com o exemplo da Sua vida.

Ele nos enche com a Sua graça para podermos viver como filhos de Deus cá terra. Ele é a fonte da vida, que nos ganhou com o Seu Sangue.

 

2) Farei de vós pescadores de homens

O Evangelho fala-nos do chamamento dos primeiros discípulos: Pedro e André, Tiago e João, que eram pescadores no Mar da Galileia. Jesus diz-lhes que daí para diante serão pescadores de homens, encarregados de pescarem almas para Deus. Nos Apóstolos quis apoiar a Sua igreja, encarregada de transmitir a Sua Palavra a todos os povos ao longo dos séculos. Jesus ensinou-os durante três anos, deu-lhes o poder de pregar em Seu nome, de guiar as pessoas no cumprimento da vontade de Deus e de comunicar a graça através dos sacramentos.

Disse a Pedro: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não levarão a melhor contra ela (Mt 16, 16). Jesus garante a indefectibilidade da Igreja, não se afastará da verdade, não se deixará vencer pelo demónio. Ela prega a palavra de Deus com autoridade e segurança, porque nela está o Espírito Santo para a guiar na verdade.

O Senhor quis que muitas das coisas que ensinou fossem escritas na Bíblia pelos Apóstolos e seus discípulos, guiados pelo Espírito Santo. As leituras da missa são tiradas da Sagrada Escritura, do Novo e do Antigo Testamento.

Além da proclamação em cada missa devemos ler e meditar a Bíblia em nossa casa. Devemos ler e meditar de modo especial os Santos Evangelhos que nos contam a vida e as palavras de Jesus.

Santo Agostinho, antes da sua conversão, encontrava-se no jardim da sua casa em Milão quando ouviu uma voz de criança que cantava: toma e lê, toma e lê. Pensou que fosse alguma cantilena de crianças, mas não se recordava de alguma vez a ter ouvido. Entrou em casa e abriu a Sagrada Escritura ao acaso e encontrou-se com a frase de S.Paulo: Já é hora de se levantar e despertar do sono(Rom.18, 11).Foi para ele o empurrão decisivo para se converter e receber o baptismo.

 

3) Unidos no mesmo pensar e no mesmo agir

 S.Paulo lembrava aos cristãos de Corinto: Rogo-vos em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos no mesmo pensar e no mesmo agir (2ª leit). Nas coisas da fé, naquilo que Jesus ensinou todos temos de manter essa unidade. A Igreja formulou os símbolos da Fé desde os primeiros séculos para evitar confusões e divisões. O Credo, proclamado no Concílio de Niceia, em 325 e completado no de Constantinopla, em 381 resume as verdades principais da fé, que confessamos todos os domingos

É para nós um guia para entender as verdades ensinadas por Jesus e pregadas pela Igreja.

Jesus prometeu o Espírito Santo à Sua Igreja para a guiar na verdade. Deu a Pedro e aos seus sucessores uma garantia de transmitirem a Sua doutrina sem erro. Eu rezei por ti –disse Jesus a Pedro-para que a tua fé não desfaleça e tu confirma os teus irmãos (Lc 22, 32).

Leiamos a Sagrada Escritura, meditemos os Santos Evangelhos, escutemos com atenção a pregação dos bispos e sacerdotes. Estudemos o Catecismo da Igreja Católica que tem a garantia de nos apresentar a doutrina de Jesus.

A Palavra de Deus há-de ser alimento para a nossa vida cristã e luz que ilumina o nosso viver.

Nossa Senhora é para nós modelo. O Evangelho diz que Maria conservava todas aquelas coisas que ouvia e as meditava em Seu coração (cfr Lc 2, 19).

 

Fala o Santo Padre

 

«Nas margens do lago, numa terra inimaginável, nasceu a primeira comunidade dos discípulos de Cristo.

A consciência destes primórdios suscite em nós o desejo de levar a palavra, o amor e a ternura de Jesus

a todos os contextos, inclusive ao mais inacessível e relutante.»

A hodierna página evangélica (cf. Mt 4, 12-23) narra o início da pregação de Jesus na Galileia. Ele deixa Nazaré, uma aldeia situada nos montes, e estabelece-se em Cafarnaum, importante centro nas margens do lago, habitado essencialmente por pagãos, ponto de cruzamento entre o Mediterrâneo e o interior da Mesopotâmia. Esta escolha indica que os destinatários da sua pregação não são apenas os seus conterrâneos, mas quantos desembarcam na cosmopolita «Galileia das gentes» (v. 15; cf. Is 8, 23): assim se chamava. Vista da capital Jerusalém, aquela terra é geograficamente periférica e religiosamente impura, porque estava cheia de pagãos, por causa da mistura com os que não pertenciam a Israel. Da Galileia não se esperavam certamente grandes coisas para a história da salvação. No entanto, precisamente dali — exatamente dali — se espalha aquela “luz” sobre a qual meditámos nos domingos passados: a luz de Cristo. Difunde-se precisamente da periferia.

A mensagem de Jesus imita a do Batista, anunciando o «reino dos céus» (v. 17). Este reino não comporta a instauração de um novo poder político, mas o cumprimento da aliança entre Deus e o seu povo que inaugurará uma época de paz e de justiça. Para realizar este pacto de aliança com Deus, cada um está chamado a converter-se, transformando a sua maneira de pensar e de viver. Isto é importante: converter-se não significa só mudar o modo de viver, mas também a forma de pensar. É uma transformação do pensamento. Não se trata de mudar de roupa, mas de costumes. O que diferencia Jesus de João Batista é o estilo e o método. Jesus escolhe ser um profeta itinerante. Não fica à espera das pessoas, mas vai ao seu encontro. Jesus está sempre na rua! As suas primeiras saídas missionárias dão-se ao longo das margens do lago de Galileia, em contacto com a multidão, sobretudo com os pescadores. Ali Jesus não só proclama a vinda do reino de Deus, mas procura companheiros para a sua missão de salvação. Neste mesmo lugar encontra dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João; chama-os dizendo: «Segui-me, e far-vos-ei pescadores de homens» (v. 19). A chamada alcança-os no auge das suas atividades diárias: o Senhor revela-se a nós não de forma extraordinária ou sensacional, mas na quotidianidade das nossas vidas. Ali devemos encontrar o Senhor; e ali Ele revela-se, faz sentir ao nosso coração o seu amor; e ali — com este diálogo com Ele no dia a dia da vida — muda o nosso coração. A resposta dos quatro pescadores é imediata e pronta: «No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram» (v. 20). Com efeito, sabemos que tinham sido discípulos do Batista e que, graças ao seu testemunho, já tinham iniciado a acreditar em Jesus como Messias (cf. Jo 1, 35-42).

Nós, cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente à chamada de Jesus. Nas margens do lago, numa terra inimaginável, nasceu a primeira comunidade dos discípulos de Cristo. A consciência destes primórdios suscite em nós o desejo de levar a palavra, o amor e a ternura de Jesus a todos os contextos, inclusive ao mais inacessível e relutante. Levar a Palavra a todas as periferias! Todos os espaços de vivência humana são terreno no qual lançar a semente do Evangelho, a fim de que e traga frutos de salvação.

A Virgem Maria nos ajude com a sua intercessão materna a responder com alegria à chamada de Jesus, a colocar-nos ao serviço do Reino de Deus.

Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 22 de janeiro de 2017

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, apresentemos ao Senhor os nossos pedidos por nós,

por toda a Igreja e por todos os homens. Digamos:

 Escutai, Senhor as nossas súplicas

 

1-Pelo Santo Padre Francisco

para que o Senhor o encha da Sua sabedoria e fortaleza,

para guiar a Sua Igreja, oremos, irmãos.

 Escutai, Senhor as nossas súplicas

 

2-Pelos bispos e sacerdotes

para que preguem com valentia a Palavra de Deus, oremos, irmãos.

 Escutai, Senhor as nossas súplicas

 

3-Por todos os cristãos

para que renovem a sua fé e o seu amor a Jesus,

escutando com amor a Sua Palavra, oremos, irmãos.

 Escutai, Senhor as nossas súplicas

 

4-Pelos irmãos separados

para que Deus lhes dê luz abundante

na busca da unidade numa só Igreja e com um só pastor, oremos, irmãos.

 Escutai, Senhor as nossas súplicas

 

5-Por todos os homens afastados de Deus

para que conheçam e sigam a Jesus Salvador,

o único que pode dar sentido às suas vidas, oremos, irmãos.

 Escutai, Senhor as nossas súplicas

 

6-Para que aumente em todos os cristãos

o amor à Sagrada Escritura, oremos, irmãos.

 Escutai, Senhor as nossas súplicas

 

Senhor, ouvi as súplicas que Vos apresentamos

e aumentai em nós o desejo de pedir mais e de agradecer melhor as vossas graças.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que conVosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Esplendor que vem de Deus – M. Faria, NRMS, 14

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, e santificai os nossos dons, a fim de que se tornem para nós fonte de salvação. Por Nosso Senhor...

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos à Virgem e a S.José nos ensinem a tratar bem a Jesus que agora vem a nós.

 

Cântico da Comunhão: Aproximai-vos do Senhor – F. Silva, NRMS, 115

Salmo 33, 6

Antífona da comunhão: Voltai-vos para o Senhor e sereis iluminados, o vosso rosto não será confundido.

Ou:  Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor. Quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, Tu és a Luz – Az. Oliveira, NRMS, 6

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, nós Vos pedimos que, tendo sido vivificados pela vossa graça, nos alegremos sempre nestes dons sagrados. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Guiados pela Luz da Palavra de Deus, vamos daqui com o desejo de renovar o mundo à nossa volta.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, J. F. Silva, NRMS, 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 27-I: Vitória sobre o pai do pecado e da morte.

2 Sam 5, 1-7. 10 / Mc 3, 22-30

Mas ninguém pode entrar em casa de um homem forte e saquear todos os bens que lhe pertencem, sem primeiro o amarrar.

Jesus enfrentou o demónio quando foi tentado no deserto. Também amarrou o homem forte para lhe tirar os despojos (EV). Esta vitória sobre o tentador antecipa a vitória na Paixão. Toda a criação só ficará livre do pecado e da morte pela derrota definitiva do demónio.

De modo semelhante, David entrou em Jerusalém vencendo os jebusitas, porque o Senhor estava com ele (LT). Também são recomendados outros meios para o combate, como a vigilância e a fortaleza. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e saquear os seus bens (EV). E também o desagravo pelas blasfémias contra o Espírito Santo (EV).

 

3ª Feira, 28-I: Cumprir a vontade de Deus.

2 Sam 6, 12-15. 17-19 / Mc 3, 31-35

Quem fizer a vontade de Deus é que é meu irmão e minha mãe.

Jesus fala de uma 'nova família', de vínculos sobrenaturais, em que todos procuram cumprir a vontade de Deus (EV). Ele próprio nos deu o melhor exemplo: Eu venho, Ó Deus, para fazer a tua vontade. Levantai os vossos umbrais e entrará o Rei de glória (SR).

David foi buscar a Arca da Aliança, que congregava à sua volta o povo de Deus (LT). Nela estavam escritas as tábuas que continham os mandamentos da Lei, que manifestam claramente o que é a vontade de Deus. Procuremos fazer sempre o que agrada ao Senhor: o cumprimento dos nossos compromissos com Deus, os deveres profissionais e familiares.

 

4ª Feira, 29-I: Deus gosta de falar connosco.

2 Sam 7, 4-17 / Mc 4, 1-20

Não entendeis esta parábola? O que o semeador semeia é a palavra.

Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra igualmente o seu alimento e a sua força, porque não recebe nela uma palavra humana, mas o que na realidade é: a palavra de Deus (EV). Nos Livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, para conversar com eles.

Deus é o Pai que nos fala, que conversa connosco. Assim fez com David: enviou-lhe uma mensagem extensa através do profeta Natã (LT). Essa mensagem fez com que David se arrependesse e voltasse de novo à comunhão com Deus. Fiz um juramento a David (SR).

 

5ª Feira, 30-I: A Verdade: fidelidade e luz.

2 Sam 7, 18-19. 24-29 / Mc 4, 21-25

David: Quem sou eu, Senhor Deus, quem é a minha casa, para me terdes feito chegar àquilo que sou?

David é rei sagrado segundo o coração de Deus. A sua oração é adesão fiel à promessa divina (LT), confiança naquele que é o único Rei e Senhor.

A confiança de David está apoiada na palavra de Deus (LT). Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e atendei-me (SR). É por isso que podemos confiar plenamente, em todas as coisas, na verdade e fidelidade da palavra de Deus. Esta é a Verdade, que é Cristo, que há-de iluminar o nosso dia e cada uma das nossas acções: a lâmpada (a Luz e a Verdade) não se pode esconder, para iluminar os caminhos divinos da Terra (EV).

 

6ª Feira, 31-I: A semente divina e a semente diabólica.

2 Sam 11, 1-4. 5-10. 13-17 / Mc 4, 26-34

O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado no terreno, é a menor de todas as sementes que há na terra.

A Palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo. Depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da colheita. Deus serve-se do que é pequeno para actuar no mundo e nas almas, como a semente do grão de mostarda (EV).

Pelo contrário, se recebemos uma 'semente diabólica' e a acolhemos, os frutos serão dramáticos. Assim aconteceu neste episódio da vida de David. Deixou-se levar pela sensualidade, tomou para si a mulher de um seu general e preparou as coisas para que ele pudesse morrer (LT). Pequei, Senhor, o que é mal a vossos olhos eu pratiquei (SR).

 

Sábado, 1-II: A inveja, a humildade e a fé.

2 Sam 12, 1-7. 10-17 / Mc 4, 35-41

Apoderou-se da ovelha do pobre e mandou-a preparar para o seu hóspede.

Quando o profeta Natã quis mover ao arrependimento o rei David contou-lhe esta história do pobre que só possuía uma ovelha, e do rico, que tinha inveja dele e acabou por lhe roubar a ovelha (LT). A inveja pode levar aos maiores crimes, pois foi pela inveja do demónio que a morte entrou no mundo. Criai em mim, Senhor, um coração puro (SR).

A inveja nasce quase sempre do orgulho. Para o vencer, precisamos ser muito humildes. E também precisamos da fé, pela qual nos apoiamos mais em Deus do que em nós próprios. Como é que não tendes fé? (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Celestino Correia

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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