Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

08 de Dezembro de 2019

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exulto de alegria no Senhor – M. Silva, CEC (II)

Is 61, 10

Antífona de entrada: Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu com o manto da justiça, como esposa adornada com suas jóias.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste tempo de Advento somos convidados, através da Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, a celebrar e a meditar como Deus ao longo dos tempos foi preparando a vinda de Jesus. Na verdade, Deus, pela Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, preparou uma digna morada para o seu Filho. Além disto, a presente Solenidade também nos convida a acolhermos o Senhor que vem e a dizermos o nosso sim ao projecto salvífico de Deus, à imagem da Virgem de Nazaré. Assim, a Solenidade da Imaculada Conceição é uma verdadeira festa de Advento que nos ajuda a preparar a visita Salvadora de Deus. 

 

Acto Penitencial

 

Olhando para Maria, a cheia de graça, criada Imaculada para acolher Deus que vem ao mundo, reconhecemos os lados obscuros da nossa vida, pedindo ao Senhor o Seu olhar cheio de misericórdia.

 

Pelas vezes em que queremos fazer caminho sem Deus, viver sem Ele, recusando participar na concretização do seu sonho para toda a humanidade,

Senhor, misericórdia!

 

Pelas vezes em que vivemos enraizados nas nossas próprias forças e seguranças, guiados somente pelas nossas ideias e caprichos,

Cristo, misericórdia!

 

Pelas vezes em que «Ouvi o rumor dos vossos passos. Tive medo e escondi-me», ficando tímido e temeroso,

Senhor, misericórdia!

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes para o vosso Filho uma digna morada e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, a preservastes de toda a mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Este relato do livro do Genesis apresenta-nos os primeiros pais da humanidade: Adão e Eva. Embora seja um texto poético e cheio de imagens, o plano de Deus é visto como um “estorvo”, um embaraço, porque o ser humano, personificado nos primeiros pais, é seduzido a ser como Deus.

 

Génesis 3, 9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

A leitura é extraída do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítulo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida humana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não é um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor perante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projecto divino, a que não escapa o enigma das origens.

Se perdêssemos de vista este plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade científica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda. A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridícula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens.

10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». Deste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; esta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão tinha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontrolo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primeiro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).

Não resistimos a citar algumas palavras da profunda reflexão antropológica de João Paulo II, nas audiências gerais de Maio de 1980: «Por meio destas palavras (v. 10) desvela-se certa fractura constitutiva no interior da pessoa humana, quase uma ruptura da original unidade espiritual e somática do homem. Este dá-se conta pela primeira vez de que o seu corpo cessou de beber da força do espírito, que o elevava ao nível da imagem de Deus. A sua vergonha original traz em si os sinais duma específica humilhação comunicada pelo corpo. [...] O corpo não está sujeito ao espírito como no estado da inocência original, tem em si um foco constante de resistência ao espírito e ameaça de algum modo a unidade do homem pessoa. [...] A concupiscência, em particular a concupiscência do corpo, é ameaça específica à estrutura da auto-posse e do autodomínio, por meio do qual se forma a pessoa humana».

14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a sentença é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentador; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72),9; Is 49,23; Miq 7,17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17).

15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova da salvação que se lê na Bíblia. Não se limita esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potências diabólicas – «a tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela». É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Nova Vulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a tradução «esmagará»), ao passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida leve, daí a tradução «atingirás»).

Mas, pergunta-se, a quem é que designa o pronome «esta» (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mulher. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que em grego se diz com a palavra neutra, sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem vence o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradição cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se tivesse querido designar a descendência – semen – teria empregado o neutro ipsum, e não ipsa).

Eis como se costuma explicar o sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, todos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: é que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pio IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluindo o original.

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a)

 

Monição: Neste salmo cantamos os louvores de Deus por ter escolhido a Imaculada como Mãe de Deus. Por meio de Maria, o Senhor Deus dá a conhecer a todas as nações a salvação e as “maravilhas que ele operou”.

 

Refrão:        Cantai ao Senhor um cântico novo:

o Senhor fez maravilhas.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Maria é uma bênção que Deus concede a toda a humanidade. Por isso, na Epístola aos Efésios, é apresentado este hino de louvor ao Pai por todas as “bênçãos espirituais” que nos concede, para “sermos santos e irrepreensíveis” para glória e louvor de Deus. 

 

Efésios 1, 3-6.11-12

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. 11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas.

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado original, incluindo a Imaculada Conceição da Virgem Maria, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus; estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2Pe 1,4), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8,15-29; Gal 4,5-7; 1Jo 3,1-3). E o modelo humano mais perfeito de santidade é Maria.

A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 20,20-22), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1Pe 2,5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos, demais que não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4,23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7,10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

 

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 1, 28

 

Monição: “Enquanto Eva, seduzida pela mensagem de um anjo, desobedeceu à palavra divina e se afastou de Deus, Maria, ao contrário, guiada pela anunciação de outro anjo, obedeceu à palavra divina e mereceu trazer a Deus em seu seio” (Tratado de Santo Ireneu, Contra as heresias).

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – J. F. Silva, NRMS,46

 

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8,16-26; 9,21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia» (a nova tradução tem salve); cf. Mt 26,49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10,5); seria de preferir a tradução (como a italiana e a espanhola): «alegra-te» – a tradução literal do imperativo grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3,14; Jl 2,21-23; Zac 9,9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28,15), Moisés (Ex 3,12) e Gedeão (Jz 6,12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Nova Vulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1,12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1,18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1Sam 1,18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6,8) e Moisés (Ex 33,12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2Sam 7,8-16; Salm 2,7; 88,27; Is 9,6; Jer 23,5; Miq 4,7; Dan 7,14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7,14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1,2; Salm 104,30) e santificadora (cf. Act 2,3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; para a nova tradução propõe-se: «te envolverá»); o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40,34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Nova Vulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2,7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino, mas a nova tradução propõe serva. Com efeitos, Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus, que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

 

 

Sugestões para a homilia

 

Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal

Liberdade humana versus liberdade divina

O mundo à espera da resposta de Maria

 

Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal

O dogma da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria que professa que Nossa Senhora foi concebida sem pecado original em virtude dos méritos futuros da redenção de Cristo, foi definido solenemente pelo Papa Pio IX, depois de ter consultado os bispos de todo mundo, no dia 8 de Dezembro de 1854.

A Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria é uma das quatro verdades de fé, um dos quatro dogmas que a Igreja professa acerca de Nossa Senhora e, através dela, acerca de Cristo e do Homem. Na verdade, se os dois primeiros dogmas marianos (maternidade divina e virgindade), surgidos nos primeiros séculos, afirmam uma verdade sobre Cristo (Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem), os últimos dogmas marianos (Imaculada Conceição e Assunção), definidos nos séculos XIX e XX, respectivamente, afirmam uma verdade antropológica em chave teológica. Concretamente, o dogma da Imaculada Conceição, reagindo contra a ideia de um homem árbitro absoluto do seu destino e artífice único do próprio progresso, é a afirmação do primado absoluto de Deus na história da redenção que se manifesta de uma forma especial na história de Maria. O homem só por si não é capaz de salvar-se, não é capaz de atingir a felicidade e uma vida com qualidade.

Embora a definição dogmática da Imaculada Conceição ser tardia, já há muito tempo que, quer os teólogos quer o povo cristão, professavam a sua fé, devoção e afecto à Virgem Imaculada. Exemplo concreto desta devoção é o povo português que tem na Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria a sua padroeira principal. À medida que Portugal se consolidava e se expandia pelo mundo, a veneração e devoção à sua Senhora ia aumentando. No século XVII, o culto de Maria, no Mistério da sua Imaculada Conceição, fazia parte da cultura nacional. Sinal disso, entre muitos outros, é a consagração de Portugal a Maria Imaculada com a entrega da coroa real à imagem da Senhora da Conceição de Vila Viçosa, pelo Rei D. João IV. Já que, como cristãos e como portugueses, temos na Virgem Imaculada a nossa padroeira apresentemos a Deus por sua intercessão todas as nossas esperanças, angústias e problemas mas também aprendamos dela e com ela a dizermos sim aos desafios que Deus nos faz. 

 

Liberdade humana versus liberdade divina

Na primeira leitura, do livro do Génesis, fala-nos da origem do pecado e do choque entre a liberdade humana e a liberdade divina, utilizando-se uma linguagem simbólica e nunca um relato histórico ou uma página de algum manual de ciências. Os relatos da criação ensinam-nos que na origem da vida está Deus e na origem do mal estão as opções erradas do homem, o seu pecado. O grande dom da liberdade que o Deus criador concede ao homem, se mal utilizado, converte-se num instrumento de devastação e sofrimento, como nos demonstra a leitura veterotestamentária deste dia. Ao comerem o fruto do conhecimento do bem e do mal, Adão e Eva querem tornar-se deuses, querem por eles próprios decidir o que é bem e o que é mal. Ao escolherem tal caminho, a sua relação com Deus, com os outros e com a criação altera-se. Deus deixa de ser visto como alguém que cria e cuida e passa a ser visto como alguém terrível de quem se tem de fugir. No fundo, o mundo, no qual eu devia viver em comunhão com Deus, torna-se o lugar em que me escondo de Deus.

Actualmente, também há Adões e Evas que continuam a pensar que podem fazer o que querem, que não podem estar sujeitos a proibições, que podem muito bem decidir sobre a vida de pessoas e situações como se fossem os senhores de tudo e de todos… e até de Deus! É a prepotência do Homem que quer usurpar o lugar de Deus. No entanto, é bom observar que a única sanção de Deus é sobre a serpente. É ela que é maldita e não o homem e a mulher. 

 

O mundo à espera da resposta de Maria

Bem diferente, de Adão e Eva que disseram não ao projecto de Deus foi a Virgem Maria que, diante do desafio de Deus, coloca-se como a “serva do Senhor”. O evangelho deste dia é o relato da vocação de Maria. O arcanjo Gabriel visita Maria trazendo-lhe uma proposta de Deus: ser a mãe do Messias prometido e esperado. No fundo, como reza São Bernardo, todo o mundo está à espera da resposta de Maria:

“nós, miseravelmente oprimidos por uma sentença de condenação (…) esperamos (Maria) a tua palavra de misericórdia. Em tuas mãos está o preço da nossa salvação. Se consentes, seremos imediatamente libertados. Todos fomos criados pelo Verbo eterno de Deus, mas agora vemo-nos condenados à morte: a tua breve resposta pode renovar-nos e restituir-nos à vida. Isto te suplica, ó piedosa Virgem, o pobre Adão, desterrado do paraíso com toda a mísera posteridade; isto te suplicam Abraão e David. Imploram-te todos os santos Patriarcas, teus antepassados, também eles retidos na região das sombras da morte. Todo o mundo, prostrado a teus pés, espera a tua resposta: da tua palavra depende a consolação dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua linhagem. Dá, depressa, ó Virgem, a tua resposta. Responde sem demora ao Anjo, ou, para melhor dizer, ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra. Profere a tua palavra humana e concebe a divina. Diz uma palavra transitória e acolhe a Palavra eterna. (…) Abre, ó Virgem santa, o coração à fé, os lábios ao consentimento, as entranhas ao Criador” (Das homilias de São Bernardo em louvor da Virgem Mãe, sec. XII).

 

E hoje? Agora mesmo? Deus também espera pela tua resposta. A história da vocação de Maria é também a tua história. Responde-Lhe. O Anjo também é enviado à tua casa e diz-te: alegra-te, estás cheio de graça! 

 

Fala o Santo Padre

 

«O sim de Maria abriu o caminho a Deus no meio de nós. É o sim mais importante da história,

o sim fiel que cura a desobediência das origens, o sim disponível que aniquila o egoísmo do pecado.»

As leituras da hodierna Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria apresentam duas passagens cruciais na história das relações entre o homem e Deus: poderíamos dizer que nos conduzem à origem do bem e do mal. Estes dois trechos levam-nos à origem do bem e do mal.

O Livro do Génesis mostra o primeiro não, o não das origens, o não humano, quando o homem preferiu olhar para si mesmo, e não para o seu Criador; quis agir sem consultar ninguém, preferiu ser autossuficiente. Mas comportando-se assim, saindo da comunhão com Deus, perdeu-se a si mesmo e começou a ter medo, a esconder-se e a acusar quem lhe estava próximo (cf. Gn 3, 10.12). São estes os sintomas: o medo é sempre um sintoma de um não a Deus, indica que eu digo não a Deus; acusar os outros sem olhar para mim mesmo demonstra que me afasto de Deus. É isto que o pecado faz. Mas o Senhor não deixa o homem à mercê do seu mal; procura-o imediatamente e dirige-lhe uma interrogação cheia de apreensão: «Onde estás?» (v. 9). Como se dissesse: «Detém-te, pensa: onde estás?». É a pergunta de um pai ou de uma mãe que se põe à procura do filho perdido: «Onde estás? Em que situação te puseste?». E este Deus fá-lo com muita paciência, até preencher a lacuna que se criou em relação às origens. Esta é uma das passagens.

O segundo trecho crucial, narrado no Evangelho de hoje, é quando Deus vem habitar no meio de nós, fazendo-se homem como nós. E isto tornou-se possível através de um grande sim — o do pecado foi um não; este é o sim, um grande sim — o sim de Maria no momento da Anunciação. Mediante este sim Jesus encetou a sua vereda ao longo dos caminhos da humanidade; começou-o em Maria, transcorrendo os primeiros meses de vida no ventre da sua Mãe: não se manifestou já adulto e forte, mas seguiu todo o percurso de um ser humano. Fez-se igual a nós em tudo, mas não numa coisa, aquele não, exceto no pecado. Para isso escolheu Maria, a única criatura sem pecado, Imaculada. No Evangelho, com uma única palavra Ela é chamada «cheia de graça» (Lc 1, 28), ou seja, repleta de graça. Quer dizer que nela, imediatamente cheia de graça, não há espaço para o pecado. E também nós, quando nos dirigimos a Ela, reconhecemos esta beleza: invocamo-la como «cheia de graça», sem sombra do mal.

Maria responde à proposta de Deus, dizendo: «Eis a serva do Senhor» (v. 38). Não diz: «Bem, desta vez cumprirei a vontade de Deus, dando a minha disponibilidade, e depois verei...». Não! O seu sim é completo, total, para a vida inteira, sem condições. E do mesmo modo como o não das origens tinha impedido a passagem do homem rumo a Deus, assim o sim de Maria abriu o caminho a Deus no meio de nós. É o sim mais importante da história, o sim humilde que inverte o não soberbo das origens, o sim fiel que cura a desobediência, o sim disponível que aniquila o egoísmo do pecado.

Inclusive para cada um de nós existe uma história de salvação feita de sins e de nãos. Mas às vezes somos especialistas nos meios sins: somos bons quando se trata de fingir que não entendemos bem o que Deus gostaria e o que a consciência nos sugere. Somos também espertos, e para não dizer um verdadeiro não a Deus, dizemos: «Desculpa, não posso», «hoje não, pensarei amanhã»; «amanhã serei melhor, amanhã rezarei, amanhã praticarei o bem». E esta astúcia afasta-nos do sim, distancia-nos de Deus, levando-nos ao não, ao não do pecado, ao não da mediocridade. O famoso «sim, mas...»; «sim, Senhor, mas...». No entanto, assim fechamos a porta ao bem, e o mal aproveita-se destes sins malogrados. Dentro, cada um de nós tem uma coleção deles. Pensemos, encontraremos muitos sins falhados. Ao contrário, cada sim pleno a Deus dá origem a uma nova história: dizer sim a Deus é verdadeiramente «original», é origem, não como o pecado, que nos envelhece dentro. Já pensastes nisto, que o pecado nos envelhece dentro? E envelhece-nos rapidamente! Cada sim a Deus dá origem a uma história de salvação, tanto para nós como para os outros. Como fez Maria com o seu sim pessoal.

Neste caminho de Advento, Deus deseja visitar-nos e espera o nosso sim. Pensemos: hoje, qual sim devo dizer a Deus? Pensemos nisto que nos fará bem. E encontraremos a voz do Senhor dentro de Deus, que nos pede algo, um passo em frente. «Creio em ti, espero em ti, amo-te; que se cumpra em mim a tua vontade de bem»: eis o meu sim. Com generosidade e confiança como Maria, digamos hoje, cada um de nós, este sim pessoal a Deus!

  Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 8 de dezembro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos:

Bendigamos a Deus, que nos enviou

a grande bênção prometida a nossos pais

e, por intercessão da Virgem Imaculada, nossa Padroeira,

peçamos (ou: cantemos), com alegria:

 

R. Interceda por nós a Virgem Imaculada.

Ou: Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

1.     Pela santa Igreja, presente em toda a terra,

para que não se deixe enganar pelo Demónio

e seja esposa de Cristo, santa e imaculada,

oremos, por intercessão de Maria.

 

2.     Pelo Papa Francisco, pelos bispos e presbíteros,

para que Deus, que os chamou e os escolheu,

lhes dê a graça de serem sempre bons pastores,

oremos, por intercessão de Maria.

 

3.     Pelos fiéis cristãos do mundo inteiro,

para que reconheçam na Virgem Imaculada

o sinal prometido por Deus aos nossos primeiros pais,

oremos, por intercessão de Maria.

 

4.     Pelos governantes e autoridades da nossa terra,

para que pensem sobretudo nos mais pobres

e sirvam o bem comum dos cidadãos,

oremos, por intercessão de Maria.

 

5.     Pelas mulheres que estão prestes a ser mães,

para que saibam acolher e agradecer o dom da vida

que Deus entrega em suas mãos,

oremos, por intercessão de Maria.

 

6.     Pelos que cederam à tentação do Inimigo

e por todos os que vivem em pecado,

para que se arrependam e recebam o perdão,

oremos, por intercessão de Maria.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai, que convocastes e reunistes estes vossos filhos

para celebrarem os louvores da Virgem Imaculada, fazei que, olhando para Ela,

aprendam a imitá-l’A e a progredir na santidade. Por Cristo Senhor nosso.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai um cântico novo – J. Santos, NRMS, 10

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício de salvação que Vos oferecemos na solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria e, assim como acreditamos que, por vossa graça, ela foi isenta de toda a mancha, sejamos nós, por sua intercessão, livres de toda a culpa. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O mistério de Maria e da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.

Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original, para que, enriquecida com a plenitude da vossa graça, fosse a digna Mãe do vosso Filho. Nela destes início à santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade. Dela, Virgem puríssima, devia nascer o vosso Filho, Cordeiro inocente que tira o pecado do mundo. Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o vosso povo, advogada da graça e modelo de santidade.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: C. Silva - OC (pg 537)

 

Monição da Comunhão

 

Maria é a cheia de graça porque Deus escolheu-a. Habitou-a. Fez-se carne no seu corpo para poder habitar em nós. Diante da presença eucarística de Jesus, Seu Corpo e Sangue, contemplamos o mesmo Corpo que habitou nas entranhas da Virgem Imaculada. Da mesma forma que Maria disse “faça-se”, também nós dizemos “Ámen”, ou seja, que ele entranhe em cada um de nós, enchendo-nos da Sua graça.

 

Cântico da Comunhão: É celebrada a vossa glória – A. F. Santos, BML, 33

 

Antífona da comunhão: Grandes coisas se dizem de vós, ó Virgem Maria, porque de vós nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Feliz és Tu porque acreditaste – C. Silva, OC

 

Oração depois da comunhão: O sacramento que recebemos, Senhor, cure em nós as feridas daquele pecado, do qual, por singular privilégio, preservastes a Virgem Santa Maria, na sua Imaculada Conceição. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A fé e o amor de Maria Imaculada foram o terreno onde floresceu a surpresa e a salvação de Deus. Juntamente com Maria, renovemos neste dia e neste tempo do Advento a nossa disponibilidade para colaborarmos com o projecto salvífico de Deus, sabendo que isto não é só obra humana mas acima de tudo acção da graça divina em nós.

 

Cântico final: Desde toda a eternidade – M. Carneiro, NRMS, 18

 

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 9-XII: A cura das 'paralisias'.

Is 35, 1-10 / Lc 5, 17-26

Então os olhos dos cegos hão-de abrir-se. E descerrar-se os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará de alegria.

O profeta anuncia que a vinda do Messias proporcionará acontecimentos extraordinários. O maior será: Aí está o vossos Deus. Ele próprio vem salvar-nos (LT e SR). E Jesus realizará essas maravilhas: a cura de um paralítico e o perdão dos pecados (EV).

Deixemos que o Messias actue nas nossas vidas para que Ele cure as nossas 'paralisias': ausência de sacramentos e da vida de oração, o comodismo no trabalho e as faltas de ajuda na vida familiar. E também que perdoe os nossos pecados, abeirando-nos do Sacramento da Penitência, e ajudando os nossos amigos e a fazerem o mesmo.

 

3ª Feira, 10-XII: Os cuidados do Bom Pastor.

Is 40, 1-11 / Mt 18, 12- 14

Olhai que o Senhor vai chegar com poder. É como o Pastor que apascenta o seu rebanho.

O Messias que há-de vir será como o bom pastor, que cuida das ovelhas do seu rebanho (LT). Uma das tarefas de Jesus é procurar a ovelha que anda tresmalhada (EV), de modo que ninguém se perca.

Porque somos pecadores afastamo-nos do bom caminho. Procuremos não ser mais 'fugitivos' naquilo que nos custa mais: a confissão, a oração, a luta contra os nossos defeitos, as ajudas ao próximo. E que não haja muitos altos e baixos na nossa vida. Que todo o vale seja preenchido; todo o monte e outeiro aplanados; nivelado o terreno desigual (LT).

 

4ª Feira, 11-XII: Mais fortes com a ajuda de Deus.

Is 40, 25-31 / Mt 11, 28-30

Os que esperam no Senhor recuperam as forças. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem.

O Profeta diz que o Senhor promete dar novas forças a quem anda exausto, e robustecer aquele que fraqueja (LT). Ele cura as tuas enfermidades (SR). Por isso, Jesus convida-nos a ir ter com Ele. Vinde a mim todos os que vos afadigais (EV). Quantas vezes sentimos um peso na consciência, dores por um sofrimento. Aproximemo-nos da Cruz de Cristo.

Além disso, o próprio Cristo se apresenta como modelo. Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (EV). Imitemo-lo, criando à nossa volta um ambiente de serenidade, para ajudar os sobrecarregados pelos seus problemas pessoais e familiares.

 

5ª Feira, 12-XII: Nª Sª de Guadalupe: forças para os combates diários.

Is 41, 13-20 / Mt 11, 11-15

Eu venho socorrer-te, diz o Senhor. Irás triturar os montes, reduzir as colinas a palha.

O profeta diz que o Senhor nos ajudará a ultrapassarmos os obstáculos que encontramos no nosso caminho, como montanhas intransponíveis (LT). Esta fortaleza é também necessária para alcançarmos o reino do Céus (EV). Ele é bom para com todos (SR).

João Baptista deu um bom exemplo de fortaleza. O reino dos Céus é conquistado pelos violentos (EV). Contamos também com a ajuda da Nª Senhora de Guadalupe, Padroeira das Américas. Pedimos-lhe pelos povos que lhe estão confiados e, em especial, pelo Papa Francisco, para que tenha muita fortaleza para resolver os problemas da Igreja.

 

6ª Feira, 13-XII: A felicidade e a palavra de Deus.

Is 48, 17-19 / Mt 11, 16-19

Se tivesses atendido as minhas ordens, o teu bem estar seria como um rio, e a tua prosperidade, como as ondas do mar.

Segundo o Profeta, a nossa felicidade está ligada ao modo como acolhemos a palavra do Messias. Teríamos a serenidade como a de um rio e a energia como as ondas do mar (LT). Feliz o homem que se compraz na lei do Senhor (SR). Infelizmente nem João Baptista nem o próprio Jesus tiveram bom acolhimento (EV).

Preparemo-nos para aceitar melhor os ensinamentos do Senhor e os levarmos à prática, para termos mais confiança nEle e apreciar a sua bondade e ternura que derramou sobre nós. Seremos como a árvore plantada à beira das águas, que dá fruto a seu tempo (SR).

 

Sábado, 14-XII: Elias preparou a vinda do Senhor.

Sir 48, 1-4. 9-11 / Mt 17, 10-13

Como brilhaste, Elias, pelos teus prodígios! Foste preparado para o futuro.

A figura do profeta Elias é recordada em ambas as Leituras, pois realizou grandes prodígios, graças ao poder divino: ressuscitou o filho da viúva de Sarepta, fez descer o fogo de Deus sobre o monte Carmelo. E virá restaurar todas coisas (EV). O seu nome significa: o Senhor é o meu Deus.

Mas o Messias realiza coisas ainda mais extraordinárias. O fogo passa a ser o fogo do Espírito Santo, que queimará as nossas impurezas e aumentará o amor de Deus. Restaurará tudo, para que volte a ficar como no princípio. Deus do Universo, vinde de novo (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Bruno Barbosa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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