1º Domingo do Advento

1 de Dezembro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Para Vós Senhor, elevo a minha alma. – B. Salgado, NRMS, 4 (I)

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Começa hoje um novo ano litúrgico. Este ritmo de anos que se sucedem lembra-nos que a vida é um caminho e que o tempo de preparação para uma eternidade feliz no Céu se esgota, passa e não volta mais.

A Igreja anima-nos a que permaneçamos vigilantes, isto é, atentos aos acontecimentos e chamadas de atenção, acordados e com capacidade de resposta às solicitações.

A vida moderna é tão agitada que não podemos deixar-nos adormecer, nem viver distraídos. Quem deseja viver como filho de Deus, de acordo com a vocação cristã, tem de permanecer atento aos deveres e solicitações.

 

Acto penitencial

 

Vivemos muitas vezes distraídos, como se fosse indiferente para a vida eterna viver de um modo ou de outro. Temos muitas omissões de amar a Deus e ao próximo e ficamos tranquilos como se isto não tivesse qualquer importância.

Reconheçamos as nossas culpas, peçamos perdão e, contando com a ajuda do Senhor, peçamos humildemente perdão.

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Desanimamos de corrigir os nossos defeitos e pecados

    e deixamos cair os braços, sem esperança de melhorar a nossa vida.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Não temos ajudado as pessoas que partilham a vida connosco

    a vencer o desânimo e a tristeza, com a nossa ajuda que elas esperam.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Ainda não reparamos de que hoje começa o Advento

    e ainda não fizemos propósitos para o viver como o último da vida.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia ao Povo de Deus uma profecia sobre a vinda do Messias prometido. Ele imagina-O no monte do Templo do Senhor – em Jerusalém – para onde hão-de afluir todos os povos à procura da salvação.

O monte onde o Redentor do mundo manifesta o Seu rosto é a Igreja por Ele fundada, como sinal e instrumento universal de salvação.

 

Isaías 2, 1-5

1Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: 2Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. 3Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». 4Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. 5Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.

 

Esta pequena leitura é um dos mais belos textos poéticos de todo o Antigo Testamento, um cântico de exaltação da Jerusalém ideal e da paz messiânica. É um texto paralelo a Miq 4,1-3.

1 «Isaías, filho de Amós», não o profeta do séc. VIII que pregou no reino do Norte, pois em hebraico o nome tem outra grafia.

2-3 Numa visão puramente humana, podia pensar-se que estamos diante dum texto sionista. A verdade é que o texto transcende o campo político e move-se num clima escatológico e messiânico: «Jerusalém», ou «Sião», é imagem da Igreja, «a nova Jerusalém» (cf. Gal 4,26; Apoc 21,2-4.10-27), para onde «afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão» (v. 3). Isaías anuncia a conversão dos povos (gentios) ao único Deus, o de Israel, uma conversão que é dom de Deus, mas que também implica esforço humano – «subamos…» e docilidade – «Ele nos ensinará ... e nós andaremos...». Os povos sentir-se-ão atraídos pela sublimidade de uma lei e de uma doutrina, que é a própria «palavra do Senhor». O texto pressupõe um pregador desta palavra, um profeta; e Jesus é o Profeta messiânico por excelência (cf. Act 3,22; Jo 1,21; 6,14; Lc 7,16). De qualquer modo, a Liturgia do Advento, nesta «palavra do Senhor que sairá de Jerusalém», leva-nos a vislumbrar o Verbo de Deus que se há-de manifestar no mistério da sua Incarnação a celebrar no Natal que se aproxima.

4 A paz messiânica, aqui imaginosamente descrita, não se pode considerar como algo meramente ideal, utópico e irreal; com efeito, com a fundação da Igreja, Cristo lançou no mundo um eficacíssimo fermento de paz e de unidade de todo o género humano; e quando todos os homens aderirem sinceramente a Cristo e à sua Igreja teremos a plena realização desta imagem tão bela como arrojada: as espadas convertidas em «relhas de arado e as lanças em foices». É de notar que o Deus da Revelação jamais poderá ser invocado por ninguém como «um factor de guerra»; seria uma forma retorcida e refinada de «invocar o santo nome de Deus em vão», contrariando um absoluto moral bem claro, que é o segundo preceito do Decálogo (cf. Ex 20,7; Dt 5,11).

 

 

Salmo Responsorial    Salmo 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)

 

Monição: O Espírito Santo coloca em nossos lábios um cântico de alegria que os hebreus cantavam quando se aproximavam de Jerusalém.

A participação nas celebrações da liturgia, porque nos põem em contacto íntimo com Deus, devem encher-nos de alegria.

 

Refrão:        Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

às tuas portas, Jerusalém.

 

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,

segundo o costume de Israel,

para celebrar o nome do Senhor;

ali estão os tribunais da justiça,

os tribunais da casa de David.

 

Pedi a paz para Jerusalém:

«Vivam seguros quantos te amam.

Haja paz dentro dos teus muros,

tranquilidade em teus palácios».

 

Por amor de meus irmãos e amigos,

pedirei a paz para ti.

Por amor da casa do Senhor,

pedirei para ti todos os bens.

 

Segunda Leitura

 

Monição: As palavras de São Paulo, na carta aos fiéis de Roma, lembram uma trombeta no campo de batalha, a despertar para a luta.

Também na vida espiritual temos de fazer um esforço continuado para não nos deixarmos adormecer sobre os louros.

 

Romanos 13, 11-14

11Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. 12A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e os ciúmes; 14não vos preocupeis com a natureza carnal, para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.

 

A leitura, tirada da parte moral e exortatória da epístola (Rom 12,1 – 15,13), está em consonância com o Evangelho de hoje, constituindo uma forte exortação à vigilância, a atitude de que quem espera a vinda de Jesus, pois «o dia está próximo» (v. 12). A Santa Igreja, com estas leituras no começo do Advento, tempo de preparação para o Natal, pretende ajudar os seus filhos a que, ao celebrarem a primeira vinda de Jesus, se preparem também para a sua vinda definitiva.

Há quem pense, com base em Ef 5,14 que esta passagem do texto da leitura corresponda a um hino baptismal da Igreja primitiva (H. Schlier). Podemos também perguntar-nos se Paulo não estaria a pensar numa proximidade cronológica do fim dos tempos e da segunda vinda de Cristo, tendo em conta o que diz em 1Tes 4,15.17 e 1Cor 15,51-52; a verdade é que não temos aqui qualquer espécie de especulação apocalíptica, mas antes a especificação do que é a existência cristã, a saber, uma vida aberta ao futuro, em atitude de fé e de esperança, abraçando as exigências de vigilância e de renúncia às obras das trevas e à satisfação dos apetites carnais, uma vida nova, que é «revestir-se do Senhor Jesus Cristo» (v. 14).

11 «Chegou a hora de nos levantarmos do sono» (uma boa esporada para começar o ano litúrgico). O sono é próprio da noite; e a noite é imagem da morte e do pecado, «as obras das trevas», (v. 12); por outro lado, há uma afinidade ontológica entre o cristão e o dia – a luz –, uma exigência do ser cristão, uma vez que Cristo é a luz do mundo: «vós sois a luz do mundo» (Mt 5,14) e «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8,12); o cristão é aquele que deixou iluminar a sua alma, a sua vida, os seus pensamentos, por Cristo, «a luz que brilha nas trevas» (Jo 1,5), por isso, «a noite vai adiantada» (v. 12), e, embora ainda não seja pleno dia, já temos a luz suficiente para seguir a Cristo e não ao pecado. Com razão os cristãos são designados com o genitivo hebraico de qualidade, «filhos da luz»: Lc 16,8; Jo 12,36; Ef 5,8; 1Tes 5,5 (aqui também chamados «filhos do dia»).

12 «Obras das trevas»: o mesmo que obras tenebrosas ou pecaminosas, muitas das quais, como as que aponta o v. 13, se costumam praticar na clandestinidade da escuridão e da noite.

«Armas da luz», são as virtudes, em especial as teologais (cf. 1Tes 5,8; Ef 6,13-17). Notar que esta expressão paulina, armas, uma vez mais põe em evidência que a vida cristã é uma luta diária.

14 «Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo». Revestir-se, na linguagem bíblica, não significa apenas vestir uma farda (nas festas pagãs, os iniciados vestiam-se à maneira da divindade celebrada), mas trata-se duma identificação na linha do ser: assim, no A. T., revestir-se de justiça, de força, etc., corresponde a tornar-se justo, forte, etc. Revestir-se de Cristo é, pois, identificar-se com Cristo, «ter os mesmos sentimentos de Cristo» (Filp 2,5). O fiel revestido de Cristo, a partir do Baptismo (cf. Gal 3,27), tem ainda que se deixar impregnar cada vez mais intensamente por Ele nos novos sectores para os quais se vai abrindo a sua vida, ao desenvolver-se. Ser de Cristo é crucificar a sua carne com todo o cortejo dos seus vícios e apetites desordenados (cf. Gal 5,24).

 

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 84, 8

 

Monição: Neste primeiro dia do Advento, pedimos ao Senhor que faça brilhar diante dos nossos olhos a Sua misericórdia.

E enquanto tomamos consciência de que, sem ela, nada podemos fazer, aclamemos o Evangelho que nos anuncia a misericórdia do Senhor para connosco.

 

Aleluia

 

Cântico: Aleluia – M. Faria, NRMS, 16

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 24, 37-44

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 37«Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. 38Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; 39e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. 40Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; 41de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. 43Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. 44Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem».

 

O Evangelho de hoje recolhe apenas 8 vv. do que se pode chamar o núcleo ético do discurso escatológico de Jesus em Mateus (Mt 24,1 – 25,46), a saber, a exortação moral à vigilância (Mt 24,37 – 25,30). Neste pequeno trecho podemos considerar três partes: vv. 37-39; 40-41; 42-44.

37-39 «Como aconteceu nos dias de Noé…» Jesus, segundo os ensinamentos morais rabínicos, apela para a lição do dilúvio: as pessoas preocupadas com a satisfação das necessidades imediatas, comer, beber, casar, esquecem o mais importante e são apanhadas de surpresa, sem estarem preparadas para dar contas a Deus da sua vida na hora duma morte inesperada (cf. Sab 10,4; Hebr 11,7; 1Pe 3,20; 2Pe 2,5).

40-41 O carácter imprevisível da vinda de Jesus é ilustrado com dois casos tirados da vida corrente em que uma pessoa se salva e a outra perece, para daqui tirar a lição moral (o nimxal rabínico): «portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá…».

42-44 A parábola do ladrão vem reforçar a lição moral anterior sobre a vigilância, repetida no v. 44, com outras palavras: «Estai vós também preparados!» Esta incerteza é para nós um bem, um estímulo. Se soubéssemos o dia do juízo, corríamos grande risco de nos desleixarmos em fazer o bem e de nos deixarmos arrastar pelo mal, sendo então muito mais fácil que nos viéssemos a condenar. Devemos estar vigilantes e preparados, como se cada dia fosse o último da nossa vida. O Senhor virá como um ladrão, mas apenas no que se refere ao imprevisto da hora, pois, sendo Ele o melhor dos pais, escolherá a melhor hora para os seus filhos, mas respeitando a liberdade de cada um.

 

 

Sugestões para a homilia

 

• O Senhor virá

O Senhor virá ao nosso encontro

Vamos ao encontro do Senhor

Instaurará a justiça na terra

• Vivamos atentos

Entremos na arca da salvação

Vigilância por Amor

Despertar do sono

 

1. O Senhor virá

 

a) O Senhor virá ao nosso encontro. «Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas

Com o primeiro Domingo do Advento, renova-se a promessa da vinda do Senhor e é-nos oferecido tempo de preparação para o Natal de Jesus, começando um novo ano litúrgico. Nele vamos celebrar os principais acontecimentos do mistério de Cristo.

Na verdade, a vida neste mundo é um caminhar ao encontro de Cristo que, por Sua vez, vem ao nosso encontro na Palavra e na Eucaristia.

Quando nos pomos a caminho, em viagem, somos movidos pela esperança; desejamos alcançar a meta que nos propomos.

Desejamos, nesta caminhada do Advento, preparar a vinda de Jesus Cristo, nosso único Redentor.

Vinda histórica. Queremos celebrar o nascimento histórico de Jesus. Pela celebração litúrgica, tornamos presente, actual este acontecimento da vida de Jesus Cristo e tomamos parte nele. 

A celebração do Natal entrou em todas as culturas e religiões. Não podendo acabar com ela, algumas pessoas e grupos procuram desvirtuar-lhe o significado.

– Criaram a figura do Pai Natal, para substituir o Menino Jesus. A figura que nos apresentam é a de S. Nicolau, Bispo de Bari, que se tornou célebre pela sua caridade para com os mais necessitados.

– Preparar o Natal, a celebração deste acontecimento histórico, é, para alguns, consumismo e culto da boa mesa.

– Outros ainda reduzem-no a dar e a receber prendas e gratificações. Estas podem ser expressões da comunhão e amor que Ele veio trazer ao mundo dos homens.

Vinda escatológica. Esta acontecerá no fim dos tempos, quando Jesus vier sobre as nuvens do Céu para nos julgar.

Depois deste tempo de prova na terra, Deus examinará a nossa vida para ver se somos merecedores de prémio ou – o que Ele não permita – de castigo eterno.

Jesus falou algumas vezes desta vinda no fim dos tempos e do julgamento a que seremos submetidos.

Vinda espiritual ou mística. Entre estas duas vindas – uma que aconteceu há dois mil anos e outra que não sabemos quando será – situa-se o nascimento de Deus em nós, pela conversão pessoal.

É sobretudo nesta que devemos centrar a nossa melhor atenção e fazer planos para facilitar a sua realização, entregando-nos à acção do Espírito Santo.

Durante o Advento, a Liturgia da Palavra chama a nossa atenção para aspectos concretos da nossa vida de relação com Deus, para nos ajudar. O Advento estabelece 4 pontos de referência: O Senhor virá; virá de Jerusalém; Filho virginal de Maria; o Senhor está perto.

 

b) Vamos ao encontro do Senhor. «Ali afluirão todas as nações e muitos povos ocorrerão, dizendo: “Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor”.»

Ao Senhor que vem ao nosso encontro, transpondo a distância infinita que separa a nossa pequenez, correspondemos com o caminhar ao Seu encontro de braços abertos, para O acolher.

Por cada passo que damos para nos aproximarmos d’Ele, o nosso Deus dará cem, caminhando ao nosso encontro, porque nunca Se deixa vencer em generosidade por nós.

Para caminharmos generosamente ao Seu encontro, precisamos de tomar algumas atitudes interiores:

Desejemos a Sua vinda. É tão doloroso chegar a uma casa amiga e encontrá-la de portas fechadas ou constatar que somos indesejados e querem ver-se livres de nós quanto antes!

Muitas vezes não desejamos a vinda de Jesus, porque estamos apegados à rotina, aos defeitos e pecados da nossa vida, como o pobre a quem queremos oferecer roupa limpa e casa arrumada, mas ele rejeita-a, porque está apegado aos trapos sujos e às condições infra-humanas em que vive.

Manifestemos este desejo. Recolhamo-nos, antes de iniciarmos esta caminhada do Advento e digamos ao Senhor no íntimo do coração que desejamos a Sua vinda a nós, que a nossa vida não faz sentido sem Ele.

Este desejo exprime-se por propósitos concretos: qual vai ser o meu programa deste Advento? O que vou oferecer ao Senhor todos os dias?

Obras de salvação. Algumas sugestões que nos podem ajudar:

– Participar diariamente na Santa Missa ou, pelo menos, se não nos é possível, por causa do horário de trabalho, ler as leituras do dia e fazer uma comunhão espiritual.

– Ler diariamente um tempo fixo de leitura espiritual, depois de nos termos aconselhado qual o livro mais conveniente para nós.

– Programar uma obra de misericórdia semanal, discreta e custosa; muito agradável a Deus pode ser também a reconciliação com alguém, ou saudar e conversar com quem habitualmente o não temos feito.

– Concretizar alguma mortificação diária que melhore o nosso trato com os outros, aperfeiçoe o trabalho profissional e torne mais amável o ambiente de família. Alguns exemplos: levantar pontual – na hora marcada – da cama, sorrir e não falar de coisas tristes e negativas no ambiente da família e do trabalho, evitar queixar-se, comer o que nos servem com alegria, sem queixas, ajudar discretamente alguém nos seus deveres, etc.

São pequeninos gestos de amor que o Senhor terá em conta para nos enriquecer com as Suas graças.

 

c) Instaurará a justiça na terra. «Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra

Na linguagem bíblica, justiça é o mesmo que conjunto de todas as virtudes, ou seja, santidade. Quando nos diz, por exemplo, que José era um varão justo, quer dizer que era santo.

Por isso, devemos formular a nós próprios algumas perguntas que apontam neste sentido:

As nossas esperanças. Que esperanças acalentamos no nosso íntimo? Há sempre alguma coisa que nos faz correr, porque sonhamos com ela: mais dinheiro, promoção académica ou social, o progresso da empresa em que estamos empenhados.

Não está errado que tenhamos pequenas esperanças, desde que estas não nos façam esquecer ou mesmo vão contra a grande esperança da santidade e da salvação.

•  Esperança, virtude teologal. A esperança é uma virtude central do Advento. Quais são as nossas esperanças? O que é que nos faz correr?

É Deus quem desperta em nós o desejo de mudar, a inquietação contra as imperfeições e maldades que encontramos em nós.

Toda a esperança é como uma ave que precisa de duas asas para se elevar ao alto: o desejo, que nasce da consciência de que algo nos falta; e a confiança que leva à certeza de que conseguiremos alcançar o que desejamos.

– O desejo. Quando não temos desejos é porque vivemos falsamente contentes com a nossa miséria, com apego aos nossos defeitos e pecados e não queremos mudar. A nossa vida sobrenatural parece-se então como as pessoas que se encontram em coma. Ainda vivem, mas estão fora do mundo, como se não vivessem.

A informação desperta o desejo. Quem não conhece, não deseja. Os agentes de publicidade sabem isto muito bem. No nosso caso, é a doutrina, recebida em leituras e outros meios de formação que desperta em nós os bons desejos.

A falta de desejos manifesta-se pela esperança de se salvar sem merecimentos.

A confiança “racional”. Esta confiança não se apoia nas nossas forças, mas na misericórdia de Deus.

 

2. Vivamos atentos

 

a) Entremos na arca da salvação. «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou

O mundo antes do dilúvio e o nosso. Jesus, ao falar da iminência do Dia do Senhor, compara as pessoas do dilúvio aos contemporâneos de Noé. Enquanto este santo Patriarca do Antigo testamento construía, por ordem de Deus, a Arca, preparando-se para sobreviver ao dilúvio com a sua família, os seus conterrâneos riam-se dele, porque lhe parecia sem sentido o que estava a fazer. Para quê cometer a “loucura” de construir uma grande barca numa planície enxuta? «Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou

Hoje fazem-nos a mesma pergunta e olham-nos com os mesmos olhos: Para quê ser casto, justo e verdadeiro, se ninguém nos vai pedir contas do que fazemos agora?

Esta mentalidade que o Inimigo promove explica tudo o que vemos hoje: divórcio e “recasamento”, com a hábil desculpa de que têm direito a ser felizes; união de facto, com a desculpa de que assim se podem separar quando quiserem; não acolhimento ao dom da vida, sob pretexto de que são um obstáculo a que os pais “gozem a vida”. Troca-se de par no matrimónio como quem muda de roupa; imitam-se os animais, no acasalamento ocasional; em vez de filhos vemos cães e... porcos, a acompanhar as pessoas na rua.

Não acreditaram na recomendação de Deus – não tinham fé – e acordaram quando já não havia remédio, porque tinha começado a chover e prolongou-se a chuva por quarenta dias, até que deixaram de ter pé e ficaram afogados.

A Igreja, arca de salvação. Fazemos parte da Igreja desde o Baptismo. Às vezes somos tentados a deixar a cabeça e as pernas de fora. Estamos dentro, mas não aceitamos a sua vida e as suas regras.

O Concílio Vaticano II definiu a Igreja de Cristo – só esta! – como sinal e instrumento universal de salvação. Ela é uma barca que flutua, mas tem de vencer distancias com o esforço de todos os remadores que somos nós.

A atenção aos que ainda não entraram. A Igreja não pode ser um refúgio de “bem-aventurados” onde nos refugiamos do contágio do mundo.

Enquanto estamos neste mundo, temos sempre tempo de entrar na arca, mas não sabemos quando começará o nosso dilúvio, isto é, quando terminará o tempo de prova e acabará a nossa vida... e é indispensável que estejamos dentro da arca quando ele começar.

 

b) Vigilância por Amor. «se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem

Estar vigilante. A vigilância é uma virtude humana, filha da prudência, que nos mantém acordados e atentos, para não sermos apanhados e surpresa.

Somos vigilantes, não só quando nos ameaça um perigo, mas também quando estamos à espera de um encontro feliz. Não gostaríamos, por exemplo, que uma pessoa amiga, convidada para a nossa casa, não encontrasse ninguém à sua espera, quando chegasse.

O Senhor não quer uma vigilância por medo, como quando se anuncia a possibilidade de um atentado terrorista ou um possível assalto dos ladrões, mas uma vigilância por amor, como a da mãe na família.

Há diversas vigilâncias por amor: a da mãe junto do berço do filho, ou à cabeceira do marido doente, ou a espera de alguém de quem aguardamos a chegada

Deus pede-nos uma vigilância de amor, como a das cinco virgens que aguardam a chegada do noivo, pela calada da noite, para o acompanharem ao banquete das núpcias.

O suporte desta vigilância é a esperança. Deus virá ao nosso encontro

À espera do Senhor. Cristo passa continuamente na nossa vida para nos animar e ajudar no caminho da felicidade. Fala-nos pela Sagrada Escritura, pela pregação dos pastores, pelos bons livros e bons exemplos e acontecimentos.

Precisamos estar atentos para que Ele não passe sem nos apercebermos e para tomarmos conta do que nos diz, porque é para o nosso bem.

Encontro definitivo. Depois destes encontros durante a vida, teremos um último no momento da morte, para o qual devemos necessariamente estar preparados. Será o encontro definitivo no qual será definida a nossa eternidade feliz ou infeliz. Não teremos outra oportunidade.

Jesus comparara a Sua vinda à do ladrão que escolhe a hora da noite em que menos é esperado e as pessoas se encontram mergulhadas num sono profundo.

 

c) Despertar do sono. «Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz

As palavras de S. Paulo na Carta aos fieis da igreja de Roma soam como uma trombeta no acampamento militar a despertar todas as pessoas para enfrentar o inimigo que se aproxima.

O estado de pecado mortal é comparado à morte do corpo. Uma pessoa morta não pode vigiar, nem defender-se dos perigos, e ninguém lhe confia a guarda da casa.

A tibieza. A tibieza é um estado espiritual que se pode comparar ao de uma pessoa em coma. Está viva, porque ainda apresenta os sinais mínimos de vitalidade, mas não ouve, não vê, não fala nem comunica. É como se estivesse morta.

São Paulo compara este estado àquele em que a pessoa dorme. Os ladrões costumam aproveitar o sono daqueles que desejam assaltar.

Sintomas da tibieza. A tibieza pode comparar-se ao estado de coma na vida corporal: parece que está morto, mas ainda tem uma centelha de vida.

A primeira característica é um falso contentamento acerca da própria vida espiritual, ou seja, a pessoa julga que é muito virtuosa e que já não precisa de se esforçar mais por progredir.

Numa das cartas aos anjos (bispos) das igrejas, escritas por ordem do Senhor, S. João escreve: «Conheço as tuas obras, e sei que não és frio nem quente; Oxalá foras frio ou quente! Mas, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Porque dizes: sou rico, e enriqueci-me, e de nada me falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.» (Apoc 3, 15-18).

 Diz um autor espiritual: «És tíbio se fazes preguiçosamente e de má vontade as coisas que se referem ao Senhor; se procuras com cálculo ou "manha" o modo de diminuir os teus deveres; se não pensas senão em ti e na tua comodidade; se as tuas conversas são ociosas e vãs; se não aborreces o pecado venial; se ages por motivos humanos.» (São Josemaria, Caminho, n.º 331).

Efeitos da tibieza. A pessoa vive como quem está a sonhar. Pensa que é muito boa, que é generosa, mas tudo isto é sonho; não corresponde à realidade. A presunção de virtudes que não se possuem é uma das características da tibieza.

Torna-se desumanamente exigente e critica em relação às outras pessoas. Jesus queixava-Se dos fariseus que “dizem e não fazem. Põem pesados fardos sobre os ombros dos outros, mas eles nem com o dedo os tocam.” Nos meios cristãos encontramos frequentemente estas contradições.

Todos os domingos, o Senhor desperta-nos, pela Sua Palavra, para recomeçar a luta pela santidade pessoal. Que Nossa Senhora nos ajude a permanecermos acordados.

 

Fala o Santo Padre

 

«Neste tempo de Advento, estamos chamados a alargar o horizonte do nosso coração.

Para fazer isto, é preciso aprender a não depender das nossas seguranças, dos nossos esquemas consolidados,

porque o Senhor vem na hora em que não imaginamos.»

Hoje a Igreja começa um novo ano litúrgico, ou seja, um novo caminho de fé do povo de Deus. E como sempre iniciamos com o Advento. A página do Evangelho (cf. Mt 24, 37-44) introduz-nos num dos temas mais sugestivos do tempo do Advento: a visita do Senhor à humanidade. A primeira visita — todos o sabemos — foi a Encarnação, o nascimento de Jesus na gruta de Belém; a segunda acontece no presente: o Senhor visita-nos continuamente, todos os dias, caminha ao nosso lado e é uma presença de consolação; por fim, teremos a terceira, a última visita, que professamos todas as vezes que recitamos o Credo: «Virá de novo na glória para julgar os vivos e os mortos». Hoje o Senhor fala-nos desta sua última visita, que acontecerá no fim dos tempos, e diz-nos onde o nosso caminho nos conduzirá.

A Palavra de Deus evidencia o contraste entre o normal andamento das coisas, a rotina diária, e a vinda imprevista do Senhor. Jesus diz: «assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e se davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos» (vv. 38-39): assim diz Jesus. Surpreende-nos sempre pensar nas horas que precedem uma grande calamidade: todos estão tranquilos, fazem as coisas de costume sem se dar conta de que a sua vida está para ser transtornada. Certamente o Evangelho não nos quer assustar, mas abrir o nosso horizonte à dimensão ulterior, maior, que por um lado relativiza as coisas de cada dia mas ao mesmo tempo as torna preciosas, decisivas. A relação com o Deus que vem visitar-nos confere a cada gesto, a todas as coisas uma luz diversa, uma importância, um valor simbólico.

Desta perspetiva vem também um convite à sobriedade, a não sermos dominados pelas coisas deste mundo, pelas realidades materiais, mas antes a governá-las. Se, ao contrário, nos deixarmos condicionar e dominar por elas, não podemos perceber que há algo muito mais importante: o nosso encontro final com o Senhor: e isto é importante. Aquele, aquele encontro. E as coisas de todos os dias devem ter este horizonte, devem ser orientadas para aquele horizonte. Este encontro com o Senhor que vem por nós. Naquele momento, como diz o Evangelho, «naquele dia dois homens estarão no campo: um será levado, e o outro, deixado» (v. 40). É um convite à vigilância, porque não sabendo quando Ele virá, é preciso estar sempre pronto para partir.

Neste tempo de Advento, estamos chamados a alargar o horizonte do nosso coração, a deixar-nos surpreender pela vida que se apresenta todos os dias com as suas novidades. Para fazer isto, é preciso aprender a não depender das nossas seguranças, dos nossos esquemas consolidados, porque o Senhor vem na hora em que não imaginamos. Vem para nos introduzir numa dimensão mais bela e maior.

Nossa Senhora, Virgem do Advento, nos ajude a não nos considerarmos proprietários da nossa vida, a não opormos resistência quando o Senhor vem para a mudar, mas a estar preparados para nos deixarmos visitar por Ele, hóspede esperado e agradável mesmo se transtorna os nossos planos.

 Papa Francisco, Angelus, Praça São Pedro, 27 de novembro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Peçamos ao Pai, que está nos céus,

que as próximas solenidades do Natal

tragam luz e esperança ao coração

de todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando), com toda a confiança:

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

1. Pelos pastores e pelos fiéis da santa Igreja de Cristo,

    para que pela vida, sejam sinal da vinda do Senhor,

    oremos, irmãos.

   

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

2. Pelos judeus que esperam ainda a vinda do Messias,

    para que Deus os ilumine e conforte nesta esperança,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

3. Pelas pessoas que celebram agora o seu último Advento,

    para que o vivam com verdadeira fé, esperança e amor,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

4. Pelas crianças e catequistas dos nossos grupos de catequese,

    para que em Cristo descubram Aquele que dá sentido vida,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

5. Pelos que estão de vela aos doentes e aos moribundos,

    para que o Senhor seja a sua recompensa e consolação,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

6. Pelos irmãos que terminaram esta vida e são purificados,

    para que o Senhor os faça contemplar a glória dos eleitos,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor! Por Vós esperamos!

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai do Céu,

não nos deixeis andar sonolentos na vida,

no meio das injustiças deste mundo,

mas dirigi o nosso coração e o nosso olhar

para Aquele que nos vem trazer a paz.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor virá! É a verdade que o Espírito Santo nos repete, neste primeiro domingo do Advento.

Ela já veio na Palavra que para nós foi proclamada e virá na Eucaristia que o mesmo Jesus prepara para nós.

 

Cântico do ofertório: O Senhor virá governar com Justiça – J. F. Silva, NRMS, 7

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 (586-698)

 

F. Silva, NRMS, 14

 

Saudação da Paz

 

O Senhor deseja construir um mundo de paz, de mãos dadas connosco, onde todos estejam felizes, tanto quanto se pode estar neste mundo.

Manifestemos ao Senhor a nossa disponibilidade ara colaborar com Ele, enquanto permutamos entre nós o gesto da paz e reconciliação.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão deste dia não nos encontre distraídos, mas atentos e delicados para recebermos o Senhor.

Ele procura em nós pureza de consciência e amor verdadeiro que resista a todas a provas. Peçamos-Lhe – depois de O termos recebido – que guarde a nossa alma para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Estai preparados – A. F. Santos, ENPL, XIX

 

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Cântico de acção de graças: Não temas povo de Deus – M. Borda, NRMS, 56

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos que este Advento seja o melhor de sempre na nossa vida, concretizando propósitos de amor generoso.

 

Cântico final: Ave Maria Senhora – J. F. Silva, NRMS, 81

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

1ª SEMANA

 

2ª  Feira, 2-XII: Receber bem o Senhor.

Is 4, 2-6  (A) / Mt 8, 5-11

Centurião: Senhor, eu não mereço que entre debaixo do meu tecto.

Queremos preparar-nos muito bem para a celebração do nascimento de Jesus. As Leituras de hoje aconselham-nos algumas virtudes importantes: a purificação através de uma boa Confissão: O Senhor virá limpar a impureza da filha de Sião (LT); a alegria manifestada através do nosso sorriso: Iremos com alegria para a casa do Senhor (SR); e a humildade e a fé ardente do centurião (EV).

Recordemos que a Igreja escolheu estas palavras do centurião para o momento antes da Comunhão sacramental. Rezemos fazendo algumas comunhões espirituais.

 

3ª Feira, 3-XII: A restauração da paz e da harmonia.

Is 11, 1-10 / Lc 10, 21-24

 O lobo viverá com o cordeiro. O bezerro e o leãozinho andarão juntos, e um menino os poderá conduzir.

A vinda do Messias virá restaurar a harmonia do princípio da criação, de acordo com esta profecia (LT). Para isso, o Pai infundiu o Espírito Santo no Filho (LT e EV). Florescerá uma grande paz até ao fim dos tempos (SR).

Esta plenitude do Espírito há-de ser comunicada a todo o povo de Deus: distribuirmos a paz e a alegria messiânicas no nosso ambiente familiar e no trabalho profissional. Precisamos igualmente desta paz na nossa alma, fruto de procurarmos evitar o pecado, de recebermos o Sacramento da misericórdia e de seguirmos os conselhos do Senhor.

 

4ª Feira, 4-XII: A abundância dos bens do Messias.

Is 25, 6-10 / Mt 15, 29-37

O Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos, no Monte Sião, um banquete de pratos suculentos.

As Leituras recordam-nos que a vinda do Messias trará uma abundância de bens, porque Ele curará muitas doenças do corpo. Jesus curou muitos doentes e deu de comer a uma multidão (EV). Para mim preparais a mesa (SR). E também sobressai a misericórdia de Deus, que quer salvar todos os homens. Eis o nosso Deus de quem esperávamos a salvação (LT).

A multiplicação dos pães prefigura a Eucaristia, alimento que nos dá forças diariamente, e que ajuda a preparar o banquete da vida eterna. O Senhor é o Pão da vida e, a quem o recebe, Ele promete e vida eterna.

 

5ª Feira, 5-XII: Uma vida apoiada na palavra do Senhor.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21-27

Todo aquele que ouve as minhas palavras, e as põe em prática, será semelhante a um homem prudente, que edifica a sua casa sobre rocha.

O Messias é apresentado como uma rocha e, além disso, como rocha eterna (LT). O Senhor é Deus e fez brilhar sobre nós a sua luz (SR). E vem convidar-nos a edificar a nossa vida apoiados nEle, fundamento sólido, e não sobre a areia, símbolo da falta de consistência.

Edificamos a nossa vida sobre Cristo, quando ouvimos as suas palavras: as Leituras do Novo Testamento e as inspirações recebidas na oração. Mas temos que esforçar-nos para as levar à prática (EV). Cada dia um pouco mais de empenho por vivê-lo de acordo com a vontade do Pai, como fez Jesus: O meu alimento é fazer a vontade do Pai.

 

6ª Feira, 6-XII: Abrir os olhos à luz divina.

Is 29, 17-24 / Mt 9, 27-31

Nesse dia, os surdos ouvirão a palavra do livro divino; libertos da escravidão e das trevas, os olhos dos cegos hão-de ver.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios, com a vinda do Messias (LT). Entre eles está a cura de dois cegos, que o reconhecem como o filho de David (EV).

Pedimos ao Senhor que nos abra os olhos para a luz divina. O Senhor é a minha luz e a minha salvação (SR). Uma luz para podermos ver Jesus nas pessoas que nos rodeiam, nos acontecimentos de cada dia, para vermos as pessoas com sentimentos de misericórdia, para vermos as coisas como Deus as vê: a dor, o trabalho, a vida familiar. E também os ouvidos. Os surdos ouvirão a palavra do livro divino (LT).

 

Sábado, 7-XII: O Messias e a abundância de frutos.

Is 30, 19-21. 23-30 / Mt 9, 35- 10. 1. 6-8

O Senhor dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

O Messias quer que, na terra e na vida de cada um de nós, haja frutos abundantes (LT). Porque Deus é grande e omnipotente (SR). E dá-nos as indicações necessárias. Este é o caminho, tratai de o seguir (LT).

Ele pede-nos a todos que continuemos a levar a cabo a sua missão. Ajudemos os outros a abandonarem a sua vida cómoda, mostremos o caminho da felicidade aos que andam desorientados, como ovelhas sem pastor (EV). E acompanhemos esta missão com oração: Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara (EV).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               José Carlos Azevedo

 


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