CELEBRAÇÃO LITÚRGICA

ALGUNS DADOS PARA A SUA HISTÓRIA

 

Ao celebrar os cinquenta anos de vida da revista de liturgia e Pastoral Celebração Litúrgica, vale a pena olhar para trás a fim de reconhecermos como o Senhor nos conduziu pela Sua Mãe até ao dia presente, sem que tivéssemos planeado uma vida tão longa.

 

Um nascimento imprevisto

 

No Advento de 1969, reuniram-se na Quinta de Enxomil (Miramar) – uma casa desde há muito devotada às atividades de formação do Opus Dei – um grupo de sacerdotes diocesanos para tomarem parte numa recoleção mensal.

Ainda não se levantara a nova construção e, no velho solar, numa sala onde se realizavam as tertúlias familiares, saiu à liça o tema da reforma litúrgica ainda recentemente promulgada.

Seguiu-se um coro de lamentações daqueles sacerdotes, jovens, na sua maioria. Não havia textos litúrgicos, nem quaisquer livros de que se pudessem valer na indispensável preparação das homilias.

Todo o material de apoio antes utilizado, ficara de repente, fora do combate. Homiliários bem preparados, comentários bíblicos e até a indicação de cânticos para a celebração ficaram de repente desatualizados.

Contava-se até que alguns sacerdotes, à mingua e os litúrgicos, levavam para o altar o jornal, abriam-no e por ali proclamavam as leituras, beijando-o reverentemente no fim. Aquilo não podia continuar!

Para mais, não se vislumbrava que este material indispensável para uma celebração condigna fizesse a sua aparição pública para breve.

Abriu caminho o Cónego Doutor José António da Silva Marques, lançando ideia de uma publicação que pudesse ajudar os sacerdotes.

 

Acolhimento caloroso

 

Como prometera nessa reunião, enviou uma carta circular assinada por quatro nomes. Além dele, assinaram a missiva os padres Henrique Faria, José Alberto Fonseca e quem escreve estas linhas.

Eu não estava presente no encontro, pois ficara na Cidade dos Arcebispos a pregar o retiro dos seminaristas de Curso de Filosofia, no Seminário de Santiago, de quem fora nomeado Diretor Espiritual.

Recordo o primeiro encontro com o Doutor Marques, depois de enviada a circular. Veio ter comigo e disse-me: “Coloquei o teu nome entre os sacerdotes que promovem a revista, mas não te preocupes, que não te vai dar trabalho!...

Dividido o trabalho de redação e administração, começou a enviar-se aos que o desejavam, um caderno em formato A4 impresso a policopiador na casa paroquial de Ribeirão. O P. Henrique Faria era então pároco daquela localidade e somou generosamente aos muitos afazeres a redação de esquemas de homilias e sugestão de cânticos para a Celebração.

E como se começou então a cantar o salmo responsorial, adaptava ou compunha músicas para seguirem como sugestão dos cânticos da celebração.

Choveram imediatamente os interessados e número de impressões foi crescendo até que, na Quaresma de 1971, a Celebração Litúrgica saiu já com uma formosa capa a preto e roxo, de autoria do Cónego José Borges.

O Padre José Alberto Fonseca tomou a seu cargo organizar a administração da revista, servindo nesta missão durante muitos anos.

Com as sugestões recebidas, foram surgindo novas secções para responder a lacunas que os sacerdotes experimentavam na sua vida pastoral.

Surgiram os comentários bíblicos e sugestões de ordem pastoral, melhorando a utilidade da revista.

Quem viveu com mais euforia este aparecimento e êxito da revista foi D. Francisco Maria da Silva, então Arcebispo Primaz de Braga. Falava da revista aos sacerdotes, alguma vez leu a homilia nos pontificais da Sé, citando a revista e dizendo: “vou ler o que foi está escrito, porque está muito bem!”

Alguma vez, em plena esplanada de Fátima, interpelava os sacerdotes para lhes perguntar: “Já conhece a Celebração Litúrgica? Olhe que vale a pena aproveitar a ajuda que nos dá!”

Apenas pedia uma qualidade na Revista: a fidelidade doutrinal. É que os ventos que então agitavam, de todas as direções, a Igreja não eram nada favoráveis.

 

Fernando Silva

(Continua)

 

 


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