27º Domingo Comum

6 de Outubro de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Est 13, 9.10-11

Antífona de entrada: Senhor, Deus omnipotente, tudo está sujeito ao vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas que estão sob o firmamento. Vós sois o Senhor do universo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Um dos grandes problemas que põe à prova a nossa fé é o triunfo do mal e dos que o fazem, perante uma aparente incapacidade ou passividade de Deus para Se lhe opor.

Como o profeta Habacuc, também nós perguntamos: «Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação?»

A Palavra de Deus neste Domingo dá-nos a garantia de que Deus não se esquece, não se desinteressa, nem chega atrasado aos problemas. No momento oportuno dá-lhes remédio.

 

Acto penitencial

 

Apesar de tantas provas de proteção e segurança que o Senhor nos dá na vida, também nós duvidamos facilmente do Seu poder e amor infinito.

Renovemos a nossa confiança em Deus, sobretudo quando as dificuldades e contradições nos baterem à porta e peçamos humildemente perdão das nossas hesitações e fraquezas.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Lamentamos com frequência o mal que no mundo,

    mas não estamos disponíveis para ajudar a combatê-lo com o bem.

    Senhor, tente piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Queremos ver o mundo transformado, com paz e alegria,

    mas negamos ao Senhor a nossa ajuda para isto possa acontecer.

    Cristo, tente piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: As muitas provas de amor que nos tendes oferecido

    não nos têm sido suficientes para confiarmos plenamente em Vós.

    Senhor, tente piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Habacuc profetiza nos tempos em que o Povo de Deus se encontra ameaçado por Nabucodonosor e implora o auxílio do Senhor para a aflição que todos vivem, por causa da ameaça que paira sobre eles.

As suas palavras têm perfeita actualidade, nestes tempos em que parece que o mal triunfa impunemente, como se Deus não o visse.

 

 

Habacuc 1, 2-3; 2, 2-4

 

1,2«Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? 3Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?» 2,2O Senhor respondeu-me: «Põe por escrito esta visão e grava-as em tábuas com toda a clareza, de modo que a possam ler facilmente. 3Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há-de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará. 4Vede como sucumbe aquele que não tem alma recta; mas o justo viverá pela sua fidelidade».

 

A leitura está escolhida em função do Evangelho, que fala da fé. A pequenina obra do profeta contemporâneo de Jeremias (séc. VII-VI) começa por duas queixas a que o Senhor responde. No texto temos a primeira queixa (1, 2-3) e a segunda resposta (2, 2-4), em que sobressai o apelo à fé. Deus não deixa de ouvir os seus amigos que Lhe pedem socorro; pode tardar a obra divina da salvação (2, 3), mas «há-de cumprir-se com certeza», «na devida altura», de modo que só vacila «aquele que não tem alma recta». Com efeito, o justo é da que tira a coragem para superar todas as dificuldades que venham a desabar sobre ele, por isso mesmo é que ele viverá. Por outro lado, também se pode entender o texto no sentido de que a fidelidade à aliança é garantia de vida para o justo. S. Paulo, em Rom 1, 17, faz uma actualização deste texto, utilizando-o como mote para a sua longa e profunda exposição sobre a «justificação», isto é, sobre a acção divina pela qual o próprio Deus justifica, isto é, torna justo, salva, o homem pecador. Trata-se duma iniciativa gratuita da parte de Deus, que não é fruto daquilo que o homem possa fazer cumprindo uma série de requisitos legais da Lei de Moisés. A primeira condição essencial para o homem se salvar, para viver a vida divina, é esta: pela fé, acolher confiado e agradecido o dom de Deus, que lhe vem por Cristo, e ser-lhe fiel. Note-se a importância que na época se dava ao profeta Habacuc: o célebre Péxer de Habacuc encontra-se entre os manuscritos de Qumrã.

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R.8)

 

Monição: À pergunta do profeta – até quando – Deus responde com a chamada à fé e a uma maior atenção e generosidade para com as suas exigências na vida.

Isto mesmo diz o Senhor a cada um de nós, quando repetimos as palavras do profeta, no meio das nossas aflições.

 

Refrão:        Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                     não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso Salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

O Senhor é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras».

 

Segunda Leitura

 

Monição: A nossa vida cristã tem de estar em renovação constante, para sermos fieis à nossa vocação.

S. Paulo exorta o seu discípulo Timóteo a fazê-lo. Reanimando o dom de Deus que recebeu pela unção episcopal.

 

2 Timóteo 1, 6-8.13-14

 

Caríssimo: 6Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. 8Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus. 13Toma como norma as sãs palavras que me ouviste, segundo a fé e a caridade que temos em Jesus Cristo. 14Guarda a boa doutrina que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós.

 

Começamos hoje, até ao fim do ano C, a ter como 2ª leitura uns respigos da 2ª Carta a Timóteo, a última das chamadas Cartas Pastorais, uma carta tão cheia de alusões pessoais, que são um forte sinal de autenticidade, apesar das muitas objecções em contrário. Escrevendo do segundo cativeiro romano, pelo ano 67, S. Paulo exorta o seu fiel colaborador a perseverar incansavelmente no ministério da pregação e na defesa da sã doutrina, prevenindo das ameaças que se avizinham para a fé recta.

6 «Reanimes o dom que recebeste pela imposição das minhas mãos». O rito da imposição das mãos tem aqui, como em 1 Tim 4 14, o sentido de comunicação do ministério apostólico; o dom corresponde à graça do Sacramento da Ordem (segundo o ensino de Trento: cf. DS 959), que se pode reactivar com a oração e o sacrifício, na correspondência às exigências da vocação (versículos seguintes). Como então, ainda hoje pertence ao sinal sacramental da Ordem a imposição das mãos do Bispo.

14 «Guarda a boa doutrina que nos foi confiada» (à letra: «guarda o bom depósito»). Bom, isto é, precioso e autêntico, um depósito, que são as palavras sãs segundo a fé (v. 13). A Revelação divina é um depósito sagrado confiado à Igreja e que ela tem de guardar e transmitir íntegro (cf. Dei Verbum, nº 7 e 10); é assim que em 1 Tim 6, 20 é dirigido ao grande colaborador de Paulo o veemente apelo final, «guarda o depósito», uma expressão de sabor jurídico (parathêkê), para designar uma coisa confiada à guarda duma pessoa de confiança, com a obrigação de lha guardar, sem deixar que se perca ou deteriore.

 

Aclamação ao Evangelho        1 Ped 1, 25

 

Monição: Depois de ouvir a prece dos Apóstolos, para que lhes aumente a fé, Jesus fala-lhes dos prodígios que ela produz em nossas vidas.

Aclamemos o Evangelho que alimenta a nossa fé e a faz crescer, abrindo o coração, para que ele possa lançar raízes nele.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho, M. Carneiro, NRMS 97

 

A palavra do Senhor permanece eternamente.

Esta é a palavra que vos foi anunciada

 

 

Evangelho

 

Lucas 17, 5-10

 

5Naquele tempo, os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». 6O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia. 7Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? 8Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido. Depois comerás e beberás tu. 9Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? 10Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’».

 

O texto de hoje pertence à última parte (Lc 16, 1 – 19, 27) dos ensinamentos de Jesus na grande viagem para Jerusalém; aqui o Evangelista recolhe relatos diversos e de forma bastante dispersa, muitos deles exclusivos de Lucas.

5. «Os Apóstolos disseram ao Senhor». Notar como, diversamente dos outros Sinópticos, S. Lucas, na sua narração, frequentemente designa Jesus como «o Senhor», ainda antes da ressurreição.

6 «Diríeis a esta amoreira». Em Mt 17, 20 e Mc 11, 23, lê-se: a este monte, não deverá, porém, tratar-se duma suavização da arrojada forma de falar de Jesus, mas antes podemos pensar numa outra expressão paralela usada pelo Senhor.

7-10 Esta expressiva lição de humildade é exclusiva de Lucas. «Um servo...»: embora não se tratasse de um escravo à maneira romana, mas de um servo à maneira hebraica, não deixava de ser um criado para todo o serviço: lavar, cozinhar e servir à mesa, etc... Assim devemos nós estar dispostos a executar todo e qualquer serviço por Deus, Nosso Senhor – «o Amo» (ou Patrão, como gostava de lhe chamar o Beato D. Manuel González) –, com ânimo humilde e agradecido, pois não fazemos qualquer favor a Deus – servos inúteis –. Ele é que nos faz o máximo favor de nos admitir a servi-lo; este é o primeiro dever duma criatura relativamente ao seu Criador.

 

Sugestões para a homilia

 

• A vida, tempo de prova da fé

Sombras e dúvidas no caminho

Deus nunca falta

Reanimar o dom de Deus

• Renovar a confiança em Deus

Por que duvidamos?

Tempo de servir

Humildade de servos inúteis

 

1. A vida, tempo de prova da fé

 

a) Sombras e dúvidas no caminho. «Até quando, Senhor, chamarei por Vós e não Me ouvis? Até quando clamarei contra a violência e não me enviais a salvação? Porque me deixais ver a iniquidade e contemplar a injustiça? Diante de mim está a opressão e a violência, levantam-se contendas e reina a discórdia?»

O ambiente em que o profeta Habacuc faz a sua oração ao Senhor tem muito a ver com aquele em que vivemos hoje.

Todos os dias chegam ao nosso conhecimento notícias de violência, de injustiças, de sofrimento dos bons.

Infelizmente, para um grande número de pessoas, voltadas exclusivamente para uma vida em que só conta a boa mesa e o conforto, só despertam quando lhes tocam na barriga: quando não ganham o que querem; quando se veem obrigadas a restringir o consumo.

O pecado, as injustiças aos mais indefesos, a guerra contra a vida no ventre materno, as ideologias a sementeira de imoralidade que certa comunicação faz não os incomoda, desde que não lhe mexam no prato.

Também não se preocupam com ideologias que escravizam o homem e destroem a civilização cristã, desde que lhes prometam mais dinheiro com tudo o que ele pode conseguir.

Passamos grandes dificuldades e perigos depois da revolução de Abril, por causa do marxismo que ameaçava a nossa liberdade e reconhecemos que fomos salvos dele por uma graça muito especial que nos veio de Fátima.

A Rússia, a Hungria, a Polónia, a Checoslováquia, a Alemanha Oriental e muitas outras nações da Europa sofreram a escravidão económica, a perseguição religiosa e a perda de muitas liberdades e só ao fim de algumas dezenas de anos conseguiram ver-se livres de tudo, depois que S. João Paulo II consagrou solenemente a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, em 25 de Março de 1985.

Depois de tudo isto, temíamos o sistema politico do comunismo, mas abraçou-se a praxis, a ideologia prática. Os cristãos vivem como se Deus não existisse, nem o Céu, nem o inferno, nem nada mais para além desta vida.

Karl Marx – o ideólogo do comunismo – é citado nos discursos políticos, em vez do Evangelho.

É o nosso Deus quem tem direito a perguntar-nos, num clamor, até quando estaremos a dormir, enquanto o inimigo do homem avança.

 

b) Deus nunca falta. «Embora esta visão só se realize na devida altura, ela há-de cumprir-se com certeza e não falhará. Se parece demorar, deves esperá-la, porque ela há-de vir e não tardará. Vede como sucumbe aquele que não tem alma recta; mas o justo viverá pela sua fidelidade

Nas bodas de Caná da Galileia, quando faltou o vinho, Jesus pediu aos serventes uma diligência que parecia nada resolver: encher as talhas de água.

Parecia uma ordem irrisória a que o Mestre deu. Do que se precisava era de vinho e não de água; além de que as talhas só interessavam cheias antes do banquete, para as abluções rituais. Agora, a água já não era precisa.

E, no entanto, foi a partir desde esforço, aparentemente inútil, que Jesus realizou o Seu primeiro milagre da conversão da água em vinho com o qual iniciou a Vida Pública.

Antes de que isto acontecesse, Nossa Senhora recomendou aos serventes docilidade ao seu divino Filho: «Fazei tudo o que Ele vos disser.» Se Ela não tivesse recomendado esta docilidade, com certeza, ao receberem a ordem, teriam saído da Sua beira a rir-se da ordem recebida.

Ela diz-nos exactamente o mesmo: Docilidade à vontade de Deus, mesmo quando nos parece que é ineficaz aquilo que Ele nos manda.

Se os problemas do mundo não se resolvem, mas parecem antes agravar-se cada vez mais, a culpa não é de Deus, mas apenas nossa, que teimamos em não fazer o que Ele nos indica.

Certo dia, Santa Teresa de Ávila queixava-se de muitas coisas que andavam mal no mundo, de problemas que nunca mais se resolviam.

Ouviu então o Senhor que lhe dizia: – Teresa! Eu quis... mas os homens não quiseram!

Que nos pede o Senhor, nesta hora difícil para o mundo?

Viver a sério o cristianismo. Somos tentados a aplicar descontos ao que o Senhor nos pede. Com facilidade se falta à Missa, adia-se a recepção da Confissão e dos outros sacramentos; separamos a moral cristã da vida, nas festas dos santos, no modo de vestir, nas conversas de cada dia, no acolhimento aos filhos e na vida de família.

Acabamos por querer um cristianismo sem Cristo, muito afastado das exigências do Evangelho, dos Mandamentos da Lei de Deus.

Aproximar os outros de Deus. Não nos podemos contentar apenas com viver bem as exigências do nosso Baptismo sem nos preocuparmos com os outros, porque somos membros da mesma família; e a solidariedade é indispensável em qualquer uma delas.

Deixamo-nos dominar pelo medo e vergonha de falar de Deus e das Suas exigências, como o médico que tem medo de dizer ao doente que tem necessidade de se tratar convenientemente.

 

c) Reanimar o dom de Deus. «Exorto-te a que reanimes o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação. Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, [...].»

S. Paulo convida S. Timóteo a renovar a graça que recebeu pela ordenação sacerdotal, como quem reanima algo que estava aparentemente sem vida. Acontece assim às brasas da fogueira, quando se cobrem de cinza, à pessoa que está num estado de coma, ou à planta que perdeu a folha no inverno e espera a primavera para rejuvenescer. Há fogo e vida em cada um destes casos, parece que não há.

Vale a pena parar uns momentos a recordar as ocasiões da nossa vida em que vivemos uma maior aproximação de Deus, em que nos sentimos mais perto d’Ele e, por isso, mais felizes e contentes.

Primeira Comunhão. Tínhamos ainda poucos conhecimentos das verdades da fé, mas eram suficientes, porque a nossa inteligência, que estava a desabrochar, não nos propunha grandes problemas. Vivemos com uma intensidade especial este acontecimento. Grandes figuras a história, como Napoleão e a Irmã Lúcia, falavam com saudoso carinho deste passo da vida.

Como foi a nossa Primeira Comunhão? Que recordações temos dela? Valerá a pena reavivá-la?

Profissão de fé. Esta celebração, hoje denominada por festa da fé, veio numa ocasião providencial da vida. Quando fazíamos a transição de uma fé emotiva para uma fé mais racional, em que já procurávamos compreender as razões porque acreditávamos, fomos chamados a prestar um compromisso solene em que assumimos conscientemente as verdades da nossa fé. Ainda nos lembramos desse compromisso e do seu conteúdo doutrinal?

Compromisso vocacional. Para a maior parte das pessoas, o compromisso vocacional deu-se no sacramento do matrimónio; para um reduzido número, no sacerdócio ministerial, na vida religiosa ou na dedicação ao Senhor no mundo.

Cada um destes compromissos traz o sinal da perpetuidade. É uma decisão para sempre, tomada com solenidade perante a Igreja.

Em cada um destes caminhos vocacionais, S. Paulo aconselha-nos a trazer esse momento da vida para o presente, para o dia de hoje, para este lugar momento, reanimando este dom de Deus.

Havemos de fazê-lo, não com espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação, e guardando uma recomendação oportuna de S. Paulo: «Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor

 

2. Renovar a confiança em Deus

 

a) Por que duvidamos? «O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela obedecer-vos-ia

Todos atravessamos momentos de escuridão na nossa fé, em que nos parece que a vida não tem sentido.

A dúvida cria a insegurança e a consequente paralisia no andar. Quando se faz escuro, parámos e sentimo-nos inseguros. Só quando nos agarramos à mão de um amigo forte recomeçamos o caminho.

Uma vez que nada nos acontece sem que Deus, pelo menos, o permita, quando isto acontece, é porque algum bem para nós é colocado à nossa disposição. Deus oferece-nos a Sua mão amiga e omnipotente para nos conduzir com segurança.

Momentos de lucidez. Depois de uma festa litúrgica bem vivida, de uma comunhão com melhor preparação, de uma manifestação de fé e devoção ao Santíssimo Sacramento ou a Nossa Senhora, temos a impressão de que nenhuma dificuldade nos pode vencer. Parecemo-nos com o Príncipe dos apóstolos. Até somos capazes de caminhar sobre as águas: «"Senhor", disse Pedro, "se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas".» (S. Mateus 14, 28).

Dividamos. Como Pedro caminhando sobre as águas, sentimo-nos afundar, sem termos nada a que nos possamos agarrar.

Talvez não valha a pena perdermos muito tempo a combater, com o raciocínio, este momento de crise, procurando encontrar razões para seguir.

O Mestre está ali ao lado, sempre disponível para nos atender e ajudar. Como Simão Pedro, gritemos-Lhe: «"Senhor, salva-me!"»

As crises de fé fazem parte da nossa vida. São normais e ajudam-nos a crescer. Também na vida física passamos já por diversas crises de crescimento. Eram inseparáveis do nosso andar na vida.

O que fez Pedro, é o que havemos de fazer: recorrer à oração e, logo que possível, se é necessário, ao conselho espiritual. Nunca nos fiemos em nós, nem nos julguemos infalíveis.

 

b) Tempo de servir. «Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele volta do campo: ‘Vem depressa sentar-te à mesa’? Não lhe dirá antes: ‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, até que eu tenha comido e bebido

A nossa vida espiritual na terra não é de férias, nem de fim de semana, nem de baixa, mas de serviço generoso e fiel.

Não há férias para a vida espiritual, nem prémios neste mundo, como tantas vezes estamos à espera.

Custa-nos muito aceitar que estamos na vida para servir Cristo presente nos outros. Convencemo-nos facilmente, na prática, que estamos aqui para reinar, para triunfar, para dar nas vistas, chamando a atenção elogiosa dos outros.

Custa-nos que não reconheçam a nossa intenção recta, a boa vontade e, quando isto não acontece, passamos um mau bocado.

Só com humildade podemos aceitar que a vida neste mundo é um serviço mútuo que nos encaminha para a comunhão na terra e no Céu. Este serviço deve ser prestado por amor e tem como qualidade fundamental a procura da vontade de Deus.

Jesus Cristo. Começa a vida do silêncio da oficina de José, servindo os outros com o seu trabalho. Eles dão as suas ordens, quando fazem uma encomenda, e Ele obedece com simplicidade. Quando muito, sugere uma melhoria da obra, fundado na Sua experiência de artesão.

Mais tarde, na vida pública, está ao serviço de todos, não só anunciando a Doutrina, mas resolvendo também os problemas que lhe apresentam.  Continua a obedecer: “Que eu veja!” “Vê!”  “Senhor, o meu servo está doente... Eu irei e o curarei.

Até na Paixão obedece sem resistência aos que O maltratam: querem algemar-Lhe as mãos, e Ele entrega-as; retira a túnica para ser flagelado; estende as mãos e os pés na cruz, sem qualquer resistência, para que O crucifiquem.

Para que esta lição não nos passe, afirmou claramente: «Eu vim, não para ser servido, mas para servir.» (Mc 10, 45).

Chamados a servir. Fazemo-lo pelo nosso trabalho, no desempenho dos direitos e deveres que nos foram concedidos – os pais educam, os mestres ensinam – numa atitude de serviço humilde.

 

c) Humildade de servos inúteis. «Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: ‘Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer’»

Para vivermos com fé, havemos de aceitar um estilo de serviço humilde na vida.

A atitude do discípulo de Jesus que faz as “obras do Reino” e que constrói o “Reino” na presença de não deve ser aquela atitude de quem sente que fez tudo muito bem feito e que, por isso, Deus está em dívida para com ele, em atitude de quem cumpre o seu papel com humildade, sentindo-se um servo que apenas fez o que lhe competia.

Acontece facilmente que tomamos as realizações de apostolado como outros tantos títulos de glória pessoal, e que nos tornam dignos de um tratamento especial dentro da Igreja, e de graças especiais da parte de Deus. “Se eu fiz tantas coisas boas – somos tentados a perguntar – porque é que Deus me recusa esta graça que Lhe peço?

Somos apenas instrumentos. Deus podia ter eito todo o bem sem precisar de mim para nada. Quando Jesus transformou a água em vinho, em Cana da Galileia, podia ter feito aparecer o vinho sem qualquer ajuda; do mesmo modo, quando pediu os peixes e os pães, para os multiplicar, podia ter criado do nada todo o alimento necessário. Pediu colaboração, para nos associar às Suas maravilhas de Amor.

Por que havemos então ficar orgulhosos, como se tudo dependesse de nós? Devemos antes estar agradecidos, porque o Senhor nos associou à Sua obra redentora.

Trabalhemos com os olhos de Deus. Somos tentados a ter os olhos nos que vivem connosco, e estranhamos que não nos louvem, elogiem, recompensem e aplaudam.

Quando isto não acontece, ficamos tristes e desanimados, como se o trabalho tivesse perdido todo o merecimento.

Somos servos inúteis que fizemos apenas aquilo que devíamos fazer e estamos imensamente agradecidos ao Senhor, porque nos quis honrar associando-nos às maravilhas que fez.

Em boa verdade, não temos de que nos orgulhar. O personagem central da 25.ª hora estava numa fábrica a trabalhar e a sua tarefa era apenas mudar os pacotes de uma calha para a outra. Nem sabia o que continham. Tinham-lhe dito que eram botões, embora, pelo contexto, fiquemos a pensar que eram artigos de guerra.

Para se consolar, imaginava, então, um esplendoroso desfile militar, com os botões das fardas a brilhar ao sol, enquanto ele pensava com orgulho: “Eu contribuí para isto!”

Era verdade o que pensava. Mas mesmo sem o seu trabalho, o pretenso desfile poderia ter-se realizado.

Ao fazermos o nosso trabalho podemos, isso sim, lembrar-nos que Deus contempla com um sorriso o que fazemos por Seu Amor.

Trabalhemos a generosidade humilde com que Nossa Senhora visitou, depois da Anunciação do Arcanjo, a sua prima santa Isabel. Exclamou então: «porque pôs os olhos na humildade da sua serva, de hoje em diante me proclamarão bem aventurada... porque fez em mim grandes coisa o Omnipotente

 

Fala o Santo Padre

 

«Não somos chamados a servir apenas para ter uma recompensa,

mas para imitar Deus, que Se fez servo por nosso amor.

Nem somos chamados a servir de vez em quando, mas a viver servindo

 

Hoje a Palavra de Deus apresenta-nos dois aspetos essenciais da vida cristã: a e o serviço. A propósito da fé, temos dois pedidos particulares dirigidos ao Senhor.

O primeiro é do profeta Habacuc, suplicando a Deus para intervir restabelecendo a justiça e a paz que os homens romperam com a violência, lutas e contendas: «Até quando, Senhor – diz ele –, pedirei socorro, sem que me escutes?» (Hab 1, 2). Em resposta, Deus não intervém diretamente, não resolve bruscamente a situação, nem Se torna presente com a força. Pelo contrário, convida a aguardar com paciência, sem nunca perder a esperança; sobretudo sublinha a importância da fé: porque o homem viverá pela sua fé (cf. Hab 2, 4). Do mesmo modo procede Deus também connosco: não subscreve os nossos desejos que pretenderiam mudar imediata e continuamente o mundo e os outros, mas visa antes de tudo curar o coração: o meu coração, o teu coração, o coração de cada um. Deus muda o mundo, mudando os nossos corações, mas isto não o pode fazer sem nós; com efeito, o Senhor deseja que Lhe abramos a porta do coração, para poder entrar na nossa vida. E esta abertura a Ele, esta confiança n’Ele é precisamente «o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé» (1 Jo 5, 4). Porque, quando Deus encontra um coração aberto e confiante, nele pode realizar maravilhas.

Mas ter fé – uma fé viva – não é fácil e, daí, o segundo pedido; o pedido que, no Evangelho, os Apóstolos dirigem ao Senhor: «Aumenta a nossa fé!» (Lc 17, 5). É uma boa petição, uma súplica que poderíamos também nós dirigir a Deus todos os dias. Mas a resposta divina é surpreendente e, também neste caso, devolve-nos o pedido feito: «Se tivésseis fé...» É Ele que nos pede para ter fé; porque a fé, que é um dom de Deus e sempre se deve pedir, tem de ser, por sua vez, cultivada também por nós. Não é uma força mágica que desce do céu, não é um «dote» pessoal que se recebe duma vez para sempre, nem mesmo um superpoder que serviria para resolver os problemas da vida. Com efeito, uma fé útil para satisfazer as nossas necessidades seria uma fé egoísta, completamente centrada em nós. A fé não deve ser confundida com estar bem ou sentir-se bem, com sentir-se consolado no íntimo, porque temos um pouco de paz no coração. A fé é o fio de ouro que nos liga ao Senhor, a pura alegria de estar com Ele, de estar unido a Ele; é o dom que vale a vida inteira, mas que só dá fruto, se fizermos a nossa parte.

E qual é a nossa parte? Jesus faz-nos compreender que é o serviço. De facto no Evangelho, logo depois das palavras sobre a força da fé, o Senhor fala do serviço. Fé e serviço não se podem separar; antes, pelo contrário, estão intimamente ligados, atados entre si. Para explicar isto, gostaria de usar uma imagem que vos é muito familiar: a de um lindo tapete. Os vossos tapetes são verdadeiras obras de arte e provêm duma tradição muito antiga. Também a vida cristã de cada um vem de longe, é um dom que recebemos na Igreja e que provém do coração de Deus, nosso Pai, que deseja fazer de cada um de nós uma obra-prima da criação e da história. Cada tapete, como bem sabeis, deve ser tecido segundo a teia e a tecedura; só com esta estrutura é que o conjunto resulta bem composto e harmonioso. O mesmo se passa com a vida cristã: tem de ser pacientemente tecida cada dia, entrelaçando entre si uma teia e uma tecedura bem definida: a teia da fé e a tecedura do serviço. Quando se enlaça a fé com o serviço, o coração permanece aberto e jovem, e dilata-se ao fazer o bem. Então a fé, como diz Jesus no Evangelho, torna-se poderosa e faz maravilhas. Se caminha por tal estrada, então amadurece e torna-se forte, desde que permaneça sempre unida ao serviço.

Mas que é o serviço? Poderíamos pensar que consistisse apenas em ser fiéis aos próprios deveres ou na prática de qualquer obra boa. Mas, para Jesus, é muito mais. No Evangelho de hoje, pede-nos, mesmo com palavras muito fortes e radicais, uma disponibilidade total, uma vida totalmente disponível, sem olhar a cálculos nem conveniências. Porque é tão exigente Jesus? Porque Ele nos amou assim, fazendo-Se nosso servo «até ao extremo» (Jo 13, 1), tendo vindo «para servir e dar a sua vida» (Mc 10, 45). E isto acontece ainda agora todas as vezes que celebramos a Eucaristia: o Senhor vem estar no meio de nós e, por mais que nos proponhamos de O servir e amar, é sempre Ele que nos precede, servindo-nos e amando-nos imensamente mais de quanto possamos imaginar e merecer. Dá-nos a sua própria vida; e convida-nos a imitá-Lo, dizendo: «Se alguém Me serve, que Me siga» (Jo 12, 26).

Portanto, não somos chamados a servir apenas para ter uma recompensa, mas para imitar Deus, que Se fez servo por nosso amor. Nem somos chamados a servir de vez em quando, mas a viver servindo. Então o serviço é um estilo de vida; mais ainda, resume em si todo o estilo cristão de vida: servir a Deus na adoração e na oração; estar abertos e disponíveis; amar concretamente o próximo; trabalhar com ardor pelo bem comum.

E não faltam, aos crentes, também as tentações, que afastam do estilo de serviço e acabam por tornar a vida inútil. Onde não há serviço, a vida é inútil. Também aqui podemos pôr em evidência duas delas. Uma é deixar o coração entibiar-se. Um coração tíbio fecha-se numa vida preguiçosa e sufoca o fogo do amor. Quem é tíbio vive para satisfazer as suas próprias comodidades, que não bastam jamais e, por isso, nunca está contente; pouco a pouco acaba por se contentar com uma vida medíocre. O tíbio reserva, para Deus e os outros, uma determinada «percentagem» do seu tempo e do seu coração, sem nunca exagerar, antes procurando poupar. Assim a sua vida perde o sabor: torna-se como um chá que era verdadeiramente bom, mas, quando fica frio, não se pode beber. […]

Mas há uma segunda tentação, na qual se pode cair, não por ser passivo, mas porque se é «demasiado ativo»: a tentação de pensar como donos, trabalhar apenas para ganhar crédito e tornar-se alguém. Então o serviço torna-se um meio e não um fim, porque o fim passou a ser o prestígio; depois, vem o poder, o desejo de ser grande. Mas Jesus lembra a todos nós: «Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo» (Mt 20, 26). É assim que se edifica e embeleza a Igreja. Retomo a imagem do tapete, aplicando-a à vossa bela comunidade: cada um de vós é como um esplêndido fio de seda, mas os vários fios só criam uma composição bonita se estiverem bem entrelaçados uns com os outros; sozinhos, não servem. Permanecei sempre unidos, vivendo humildemente em caridade e alegria; o Senhor, que cria a harmonia nas diferenças, vos guardará.

Assim nos ajude a intercessão da Virgem Imaculada e dos Santos, especialmente de Santa Teresa de Calcutá, cujos frutos de fé e serviço estão presentes no meio de vós. Acolhamos uma das suas palavras estupendas que resume a mensagem de hoje: «O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. O fruto do serviço é a paz» (O caminho simples, Introdução).

Papa Francisco, Homilia, Igreja da Imaculada, Baku, 2 de outubro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Com o ardor da fé́ que o Senhor nos deu

e que é capaz de fazer grandes milagres,

vamos pedir-Lhe pela Igreja e pelo mundo.

Oremos (cantando), humildemente:

 

    Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

 

1   Pelas pessoas aflitas que rezam e se convencem de que Deus não as ouve,

    para que se encham de confiança na misericórdia do Senhor e se alegrem,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

 

2. Pelo Santo Padre, com os Bispos de toda a Igreja em comunhão com ele,

    para que fomente a nossa confiança em Deus com o anúncio do Evangelho,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

 

 3. Pelos cristãos perseguidos que clamam ao Senhor contra a opressão injusta,

    para que encontrem fortaleza e conforto na nossa oração e na solidariedade

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

 

4. Pelos homens e mulheres do mundo inteiro a quem não respeitam a dignidade,

    para que encontrem quem defenda os seus direitos e contem com a nossa ajuda,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

 

5. Pelos estudantes que iniciam um novo ano, e pelos que iniciam a catequese,

    para que nos professores tenham mestres e nos pais os seus melhores amigos,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

 

6. Pelos que deixaram a terra e são purificados das suas manchas no Purgatório,

    para que o Senhor, por mediação de Maria, os acolha hoje no Reino do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Pela vossa misericórdia, ouvi-nos, Senhor.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai,

que enviastes o vosso Filho Jesus Cristo

como servidor ao meio dos homens,

dai-nos o seu Espírito e aumentai a nossa fé,

para sermos fiéis no Vosso serviço.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Perante os sagrados mistérios em que vamos participar, nesta segunda parte da Santa Missa, também nós sentimos a necessidade de pedir ao Senhor que aumente a nossa fé.

Tomando o pão e o vinho que levamos ao altar, o mesmo Jesus, como no Cenáculo, na noite de quinta feira santa – aqui, servindo-se do ministério do sacerdote – Jesus vai transubstanciá-los no Seu Corpo e Sangue, para que O possamos comungar.

 

Cântico do ofertório: Senhor Jesus, Mestre Divino, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício que Vós mesmo nos mandastes oferecer e, por estes sagrados mistérios que celebramos, confirmai em nós a obra da redenção. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 99-100

 

Saudação da Paz

 

Sentimos, muitas vezes, o desejo de clamar como o profeta Habacuc, ao ver tanta falta de paz: “ate quando, Senhor?”

Entretanto, empenhemo-nos em fazer o que está ao nosso alcance, para que reine a paz no mundo.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Precisamos de comungar de cada vez com melhores disposições: com uma progressiva delicadeza de consciência, que nos leve a evitar também os pecados veniais; com uma fé que se manifeste nas nossas atitudes quando nos abeiramos da comunhão; e com um amor em favor as outras pessoas que se manifeste por obras.

Deste modo as nossas comunhões hão-de marcar o nosso caminho feliz ao encontro de Deus.

 

Cântico da Comunhão: O Pão de Deus, J. Santos, NRMS 662

Lam 3, 25

Antífona da comunhão: O Senhor é bom para quem n'Ele confia, para a alma que O procura.

 

Ou

cf. 1 Cor 10, 17

Porque há um só pão, todos somos um só corpo, nós que participamos do mesmo cálice e do mesmo pão.

 

Cântico de acção de graças: Vou cantar o vosso nome, S. Marques, NRMS 107

 

Oração depois da comunhão: Deus todo-poderoso, que neste sacramento saciais a nossa fome e a nossa sede, fazei que, ao comungarmos o Corpo e o Sangue do vosso Filho, nos transformemos n'Aquele que recebemos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Contemos sempre com o Senhor, por maiores que sejam as dificuldades que encontrarmos na vida.

Ajudemos os nossos irmãos a viverem com esta mesma confiança e entrega nas mãos do Senhor.

 

Cântico final: A fé em Deus, F. da Silva, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

HOMILIAS FERIAIS

 

 

Breve explicação das abreviaturas utilizadas:

LT-Leitura / SR- Salmo Responsorial / AE- Aclamação ao Evangelho / EV- Evangelho

 

 

TEMPO COMUM

 

27ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-X: Nª Senhora do Rosário

Act 1, 12-14 / Lc 1, 26-38

Maria disse então: eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.

Já começámos este mês de Outubro, mês do Rosário, dedicado a esta devoção mariana, e hoje vamos ouvir a palavra de Deus, para que nos ajude a amar mais a nossa Mãe.

No Evangelho temos o começo da 1ª Avé-Maria: Avé, cheia de graça, o Senhor está contigo (EV). Imaginemos como Nª Senhora ouviu o Anjo e pensemos como igualmente nos escuta. Na Leitura, encontramos os Apóstolos, e algumas mulheres, reunidos à volta de Nª Senhora, rezando pela vinda do Espírito Santo, que transformará as suas vidas e de todos os que viriam depois (LT). A minha ama glorifica o Senhor (SR). Nª Senhora abre-nos o seu íntimo. Poderemos imitá-la melhor.

 

3ª Feira, 8-X: Escolher a melhor parte.

Jon 3, 1-10 / Lc 10, 36-42

Uma só coisa é necessária: Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.

Os Ninivitas, perante a ameaça de destruição da sua cidade, devido ao seu mau comportamento, decidiram fazer penitência, cumprindo a vontade de Deus (LT) e assim se salvaram eles e a sua própria cidade. No Senhor está a misericórdia e com Ele abundante redenção (SR).

Ao receber o Senhor em sua casa, Marta andava atarefada e Maria fazia companhia a Jesus, ouvindo o louvor do Mestre: Maria escolheu a melhor parte (EV). Quando for tempo de rezar, façamos como Maria, escolhemos Deus; mas, durante o trabalho também podemos falar com Deus, como Marta. Nª Senhora estava sempre junto de Jesus, mesmo que se dedicassem aos trabalhos.

 

4ª Feira, 9-X: A misericórdia divina e a nossa mesquinhez.

Jon 4, 1-11 / Lc 11, 1-4

Perdoai-nos os nossos pecados, pois também perdoamos a todo aquele que nos ofende.

A pedido dos discípulos, Jesus ensinou-nos a rezar: Perdoai-nos as nossas ofensas (EV). Deste modo, relacionou o perdão de Deus com as nossas ofensas. Da parte de Deus não há limite nem medida para o perdão, que é essencialmente divino. Como perdoamos?

Há um grande contraste com a mesquinhez de Jonas: teve pena de um carrapiteiro que secou e não soube perdoar aos 120 mil habitantes de Nínive (LT). Senhor, sois um Deus paciente e cheio de misericórdia (SR). À Mãe de Misericórdia pedimos que nos ajude a parecer-nos mais a Deus.

 

5ª Feira, 10-X: Vale a pena servir a Deus.

Mal 3, 13-20 / Lc 11, 5-13

Afirmastes ainda: É inútil servir a Deus. Que lucrámos nós em cumprir as suas ordens?

Este desabafo é muito corrente entre algumas pessoas: Ando eu aqui a fazer o bem e sofro, e os que fazem o mal vivem na prosperidade (LT). Outros dirão: Para que serve rezar, se Deus não me ouve? Mas, é feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor (SR).

O Senhor dar-nos-á uma recompensa, pelo menos no Reino dos Céus: Terei compaixão deles como se tem de um filho obediente (LT), e escuta a nossa oração se formos perseverantes: Pedi e dar-vos-ão, porque Ele é nosso Pai: se um filho pedir ao pai peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? (EV). Olhemos sempre para a Escrava do Senhor, como modelo de serviço total.

 

6ª Feira, 11-X: A Protectora dos nossos bens.

Jl 1, 13-15 / Lc 11, 15-26

Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança.

Esta passagem fala-nos dos bens que temos que guardar, como a nossa vida santa (EV). Para que estejam em segurança, precisamos da ajuda de Nª Senhora, Auxílio dos Cristãos. O demónio está sempre à espreita e é muito forte (EV).

Na profecia de Joel, ele pede que ponhamos as vestes da penitência (LT). O mesmo nos pede Nª Senhora, para que, com os nossos sacrifícios, consigamos muitas conversões. Deste modo, conseguiremos que apareça a luz da aurora (Nª Senhora), rodeada de um povo numeroso e forte (LT). Ameaçastes os pagãos, destruístes os ímpios (SR).

 

Sábado, 12-X: Os louvores a Nª Senhora.

Jl 4, 12-21 / Lc 11, 27-28

Feliz daquela que te trouxe no seio e que te amamentou ao seu peito.

Nª Senhora ouviu um duplo louvor: duma mulher e de seu Filho Jesus, porque ouviu a palavra de Deus e a levou à prática (EV). Imitemo-la não só ouvindo, ou conhecendo, a palavra de Deus, mas procurando aplicá-la à nossa vida de cada dia.

Assim se cumpre o desígnio de Deus: Habito em Sião, meu monte santo (LT). E a sua protecção: O Senhor é um refúgio para o seu povo (LT). Haverá graças abundantíssimas: Montes que deixarão escorrer vinho novo, colinas que farão jorrar leite (LT). Alegrai-vos justos no Senhor (SR), e também porque Nª Senhora recebeu o encargo de distribuir as graças do Senhor.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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