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A MISSÃO

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

É difícil esquecer a primeira declaração de D. André Muaca, em Fátima, no quinto Centenário da Evangelização de Angola, abrindo uma comunicação conjunta de vários outros Bispos angolanos: - «Em primeiro lugar, ninguém nos venha dizer que nos obrigaram a ser católicos! Fomos nós que o quisemos!»

Por isso se haviam dirigido ao monarca português, como prestigioso intermediário com a Santa Sé, pedindo missionários dignos, ao verificarem que Portugal enviava os melhores para a Índia. E é famosa, dramática, e afinal de sucesso, a longa e atribulada viagem do representante da comunidade cristã congolesa com esse objectivo.

Não esqueçamos, porém, que, «missionários», eram todos os portugueses, bons ou maus, ou piores; fossem religiosos, militares, comerciantes, navegantes ou criminosos degradados. Com todos os defeitos e males cometidos que tivessem no seu cadastro, numa coisa se viam «superiores»: na fé. Em comparação com a fé cristã, que valiam as crenças dos povos descobertos? Por isso não entravam em diálogo ecuménico com os feiticeiros nem com os canibais; simplesmente, riam-se, ou indignavam-se, ou penalizavam-se. Mal ou bem, melhor ou pior, anunciavam-lhes Cristo. E era tão boa a «Boa Nova» que transmitiam, que muitos autóctones ansiavam por saber mais e melhor, e em breve distinguiam e repudiavam as suas contrafacções.

Cada cristão é um missionário, bom ou mau, melhor ou pior, de Cristo. Deus queira enviar-nos mais cristãos entregues e dedicados totalmente à missionação, a acrescentar aos milhares de mártires e santos missionários ignorados – e tantos serão os que, sem canonização na Terra, gozam da glória divina e intercedem por nós! Mas ainda mais numerosos serão, quanto mais os fiéis tomarem consciência do valor missionário da sua vida, se arrependerem dos seus contra-testemunhos, rezarem, e estudarem o suficiente para darem «razão da sua esperança» a quem lha rogar. Lembrem-se de que Nosso Senhor não nos vai pedir apenas contas da nossa vida pessoal, mas também pelas de quem O desconheceu ou afastou por nossa culpa.

E não reduzem o seu âmbito apostólico ao núcleo familiar. A segunda consideração de D. André Muaca também foi expressiva. - Porque se mantinham em Angola Bispos não angolanos? Porque, apesar do conselho da Santa Sé em sentido contrário, o Governo de então era comunista, e tinha de saber que a Igreja é universal! «Quanto mais perto de Deus está o apóstolo, mais universal se sente; e dilata-se-lhe o coração para que caibam todos e tudo no desejo de pôr o Universo aos pés de Jesus» («Caminho», 764).

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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