Assunção da Virgem Santa Maria

Missa do Dia

15 de Agosto de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

Ou

 

Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

«A Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha de culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao Céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha» (Cost. dogm. Lumen gentium, 59).

A Mãe de Jesus, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para todos nós que ainda peregrinamos neste mundo, até que chegue o dia do Senhor.

À luz de Nossa Mãe, escutemos a mensagem contida nas leituras bíblicas que iremos escutar.

Para celebrarmos dignamente estes santos mistérios, reconheçamos que nem sempre nos temos alegrado com as maravilhas que o Senhor vai operando diariamente em nós e na nossa vida.

Peçamos, pois, perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do Vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta primeira leitura descreve a luta entre um dragão, símbolo das forças do mal, contra uma mulher indefesa e um frágil menino. Estes últimos vencerão com a intervenção salvífica de Deus.

 

Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da Liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial    Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Monição: O salmo que iremos recitar ressalta Maria como Rainha do Céu, que entra na vitória de Cristo, como primícia de todos os ressuscitados.

 

Refrão:     À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

                ornada do ouro mais fino.

 

Ou:           À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

 

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O trecho da primeira carta aos Coríntios, que iremos escutar de seguida, quer ajudar-nos a compreender o significado da vitória de Cristo sobre a morte. Escutemo-lo com atenção.

 

1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

 

É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos já falecidos (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Alegremo-nos com a multidão dos Anjos, pois Maria foi elevada ao Céu em corpo e alma.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição documentada a partir do séc. IV diz que é Ain Karem (fonte da vinha), uma povoação a uns 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de caminho em caravana desde Nazaré (130 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

A luta de morte de um dragão contra uma mulher indefesa

A vitória da morte transformada em vida definitiva

A exaltação das maravilhas operadas pelo Senhor

 

A luta de morte de um dragão contra uma mulher indefesa

A cena que ouvimos descrever na primeira leitura, tirada do Livro do Apocalipse, é-nos apresentada por dois sinais. O primeiro é “uma mulher, vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e coroada de doze estrelas”. O segundo é um “grande dragão cor de fogo” dotado de uma força espantosa, simbolizado pelas sete cabeças e dez chifres e com uma grande cauda capaz de arrastar um terço das estrelas do céu. A mulher estava para ser mãe e teve um filho varão.

A mulher será subjugada, mas Deus intervém: pega no menino e leva-o para junto de si, enquanto a mulher procura refúgio no deserto.

Quem são os três personagens: a mulher, o dragão e o menino recém nascido?

Temos de atender a que o autor do Apocalipse escreve por volta do final do século I, num tempo difícil para as comunidades da Ásia Menor onde ele vive. Escreve de modo a não ser entendido pelos leitores não acostumados às imagens e à simbologia do Antigo Testamento, mas perfeitamente descodificada pelos cristãos perseguidos, a quem ele se dirige.

O “menino” é Cristo “que está destinado a governar as nações”. Quem conhece o Antigo Testamento sabe que “a mulher” representa Israel, povo referenciado pelas doze estrelas (as doze tribos). O Sol indica a glória divina de que foi coberto este povo. A Lua era o deus adorado pelos povos do Médio Oriente, inimigos de Israel. Este deus – símbolo do mal – é vencido e esmagado pelo povo dos santos. A mãe da qual nasceu o “menino”, o Messias, é a mulher-Israel.

O “dragão cor de fogo” simboliza o mal, as forças contrárias à salvação, inimigas de Deus e do seu desígnio de amor. Estas forças atiram-se contra o “Messias” desde o dia do seu nascimento, que não representa o menino nascido em Belém, mas O do dia de Páscoa em que Jesus de Nazaré, saindo do sepulcro, foi revelado como Cristo, como Messias. O “dragão”, atingido mortalmente no dia de Páscoa foi definitivamente derrotado. A mulher que foge e procura refúgio no deserto é a Igreja, a comunidade dos discípulos que não cede às adulações e à força do dragão.

Todos os textos, quer do Antigo quer do Novo Testamento, em que se fala do povo fiel podem ser aplicados a Maria. É dela que nasce o Messias e, portanto, é ela a mulher-Israel, a Arca da Aliança que entrou no templo de Deus. De igual modo é a irmã que vive os dramas de toda a comunidade cristã, que acompanha os irmãos na fé nos momentos difíceis da tentação, do desencorajamento, da luta contra o mal.

O canto final “agora chegou a salvação” é um convite à esperança, porque apesar das aparências do enorme poder que têm as forças do mal, a morte, o dragão, já foi derrotado e incapacitado de fazer mal devido ao poder de Cristo, vencedor da morte.

 

A vitória da morte transformada em vida definitiva

Nós somos crentes, todavia temos medo da morte. A morte não nos apanha no fim dos nossos dias sobre a terra. Ela é uma experiência vivida em cada momento. A doença, a dor, a desilusão, a solidão, o abandono, o desespero, a deficiência são situações que impedem de viver plenamente. São formas de morte!

Recordam-se da jovem holandesa de 17 anos, Noa Pothoven, que depois de ter sido vítima de assédio aos 11 anos e de violação aos 14 anos, desenvolveu um quadro de anorexia nervosa e de depressão profunda que nunca conseguiu ultrapassar e motivou o seu desespero? Esta jovem relatou as suas experiências traumáticas e as várias tentativas de suicídio, que a levaram a pedir para ter uma morte assistida.

Na realidade, a vida de cada um de nós é marcada por túmulos: famílias que se desagregam, rutura de relações interpessoais, incapacidade de construir afectos, o rancor, o desejo de vingança, que não nos proporcionam paz, mas são formas de morte. É neste mundo, onde estão presentes sementes de vida e germes de morte, que somos chamados a atingir a maturidade.

Hoje, celebramos a festa daquela que nunca foi derrotada pela morte. Como seu Filho, Maria não procurou fugir à condição humana, não pediu a Deus privilégios nem milagres. Olhou para a realidade deste mundo e soube transformar cada situação de morte numa oportunidade de crescimento e de maturação no amor, até ao dia em que foi transferida para o mundo novo no qual seu Filho foi o primeiro a entrar.

S. Paulo, através da segunda leitura de hoje, ajuda-nos a compreender o significado da vitória de Cristo sobre a morte. Os inimigos de Deus a que Paulo se refere não são os homens, mas aquelas formas de morte com que nos devemos defrontar neste mundo: a fome, a nudez, a doença, a ignorância, a escravidão, o medo, o egoísmo, o pecado.

Quando estas manifestações do mal forem destruídas, quando a construção do reino do Messias for completa e todos os inimigos de Cristo forem vencidos, Cristo entregará ao Pai o seu Reino que durará para toda a eternidade.

Cristo venceu a morte porque no fim da nossa gestação nesta vida, nos faz nascer, introduzindo-nos no mundo de Deus onde só há vida. Ele percorreu antes de todos este caminho. Exaltando as maravilhas operadas pelo Senhor, com Cristo e como Ele sua Mãe, Maria, realizou esta passagem.

 

A exaltação das maravilhas operadas pelo Senhor

Deus realiza acontecimentos maravilhosos servindo-se de instrumentos sem valor aos olhos dos homens. Maria pertence à categoria destes instrumentos débeis, humildes e pobres com os quais Deus opera as suas maravilhas. Através de Maria, Ele realizou o acontecimento mais extraordinário da história: deu aos homens o Seu próprio Filho.

Nós hoje consideramos abençoadas aquelas pessoas que conseguiram enriquecer, aqueles que obtiveram sucesso, aquelas que se tornaram famosas e importantes.

Lucas, no seu Evangelho, com a visitação de Maria a sua prima santa Isabel, pretende apresentar Maria como a nova Arca da Aliança, através de todos os sinais que acompanham esta sua visita: a saudação de Isabel (semelhante à de David quando a arca foi transportada para Jerusalém); o facto de Maria ter permanecido “três meses” em casa de sua prima (como a Arca havia permanecido três meses numa casa da Judeia); o estremecimento do menino no seio de Isabel…

Desde que Deus escolheu fazer-se homem, já não habita em construções de pedra, num templo, num lugar sagrado, mas no ventre de uma mulher, Maria. O filho de Maria é o mesmo Senhor.

Trazer o Senhor dentro de si não é um privilégio reservado a Maria. Cada nossa comunidade, cada um de nós é chamado a ser, como Maria, a “arca da aliança” que nos é confiada para levar o Senhor aos homens. E há um sinal que permite verificar se os cristãos de hoje são “arca da aliança”: é a alegria. Como o Baptista estremece de felicidade e Isabel grita a sua alegria por ter sido visitada pelo Senhor, a presença dos cristãos nos vários ambientes, no trabalho, nas escolas, nos hospitais, nas festas, nos encontros políticos deve ser motivo de alegria e demonstração de coragem em acreditar que se realizarão as promessas feitas por Deus aos construtores da paz, aos não violentos, aos que dão a outra face e não se vingam, a quem dá a vida por amor.

O hino de graças ao Senhor pelas maravilhas de vida que Ele operou, tornou fecundo o ventre de Maria e abriu completamente todos os sepulcros, o de Cristo, de Maria e também os nossos.

Saibamos, pois, ser alegres e transmitir essa alegria a todos aqueles com quem contactarmos.

 

Fala o Santo Padre

 

«Maria precede-nos na vereda pela qual se encaminham aqueles que, mediante o Batismo,

vincularam a sua vida a Jesus, assim como Maria uniu a Ele a própria vida.»

A página evangélica (cf. Lc 1, 39-56) da hodierna festa da Assunção de Maria ao Céu descreve o encontro entre Maria e a prima Isabel, ressaltando que «Maria se pôs a caminho dirigindo-se às pressas para uma região de montanha, a uma cidade de Judá» (v. 39). Naqueles dias, Maria corria rumo a uma pequena aldeia nos arredores de Jerusalém para se encontrar com Isabel. Hoje, ao contrário, contemplamo-la no seu caminho rumo à Jerusalém celeste, para se encontrar finalmente com a face do Pai e para rever o rosto do seu Filho Jesus. Muitas vezes na sua vida terrena Ela tinha percorrido regiões de montanha, até à derradeira e dolorosa etapa do Calvário, associada ao mistério da paixão de Cristo. Hoje vemo-la chegar à montanha de Deus, «revestida de sol, com a lua aos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas» (Ap 12, 1) — como reza o livro do Apocalipse — e vemo-la ultrapassar o limiar da Pátria celestial.

Ela foi a primeira que acreditou no Filho de Deus, a primeira que subiu ao Céu em alma e corpo. A primeira que recebeu e levou ao colo Jesus, quando Ele era ainda um Menino, a primeira que foi acolhida pelos seus braços para ser introduzida no Reino eterno do Pai. Precisamente porque acolheu e viveu o Evangelho, Maria, uma jovem humilde e simples de um povoado perdido na periferia do império romano, é recebida por Deus para permanecer por toda a eternidade ao lado do trono do Filho. É assim que o Senhor derruba os poderosos dos tronos e eleva os humildes (cf. Lc 1, 52).

A Assunção de Maria é um grande mistério que diz respeito a cada um de nós, ao nosso futuro. Com efeito, Maria precede-nos na vereda pela qual se encaminham aqueles que, mediante o Batismo, vincularam a sua vida a Jesus, assim como Maria uniu a Ele a própria vida. A festa de hoje leva-nos a fitar o firmamento, prenuncia «os novos céus e a nova terra», com a vitória de Cristo ressuscitado sobre a morte e a derrota definitiva do maligno. Por conseguinte, a exultação da Menina humilde da Galileia, expressa no cântico do Magnificat, torna-se o canto da humanidade inteira, que se compraz ao ver o Senhor debruçar-se sobre todos os homens e todas as mulheres, criaturas humildes, para as receber junto de si no céu.

O Senhor inclina-se sobre os humildes para os erguer, como proclama o cântico do Magnificat. Este canto de Maria leva-nos também a pensar nas numerosas situações dolorosas da atualidade, em particular nas mulheres esmagadas pelo peso da vida e pelo drama da violência, nas mulheres escravas da prepotência dos poderosos, nas meninas forçadas a trabalhos desumanos, nas mulheres obrigadas a render-se no corpo e no espírito à ganância dos homens. Possa chegar quanto antes para elas o início de uma vida de paz, de justiça e de amor, à espera do dia em que finalmente se sentirão arrebatadas por mãos que não as humilham, mas com ternura as erguem e as conduzem pelo caminho da vida, até ao Céu. Maria, uma Menina, uma Mulher que sofreu muito na sua vida, faz-nos pensar nestas mulheres que hoje sofrem tanto. Peçamos ao Senhor que Ele mesmo as conduza pela mão e que as acompanhe pela senda da vida, libertando-as destas escravidões.

E agora dirijamo-nos com confiança a Maria, dócil Rainha do Céu, pedindo-lhe: «Concede-nos dias de paz, vigia sobre o nosso caminho, faz com que vejamos o teu Filho repleto da alegria do Céu» (Hino das segundas vésperas).

    Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 15 de Agosto de 2016

 

Oração Universal

 

Oremos ao Senhor que operou maravilhas,

a fim de que realize no mundo

aquilo que anunciou pelos profetas,

e que a Virgem Mãe proclamou,

rezando cheios de confiança:

 

Senhor, por intercessão de Maria, ouvi a nossa oração.

 

1.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que, perante as dificuldades e tribulações,

dêem exemplo de verdadeira confiança no Senhor,

oremos.

 

2.     Pelos catecúmenos e fiéis da nossa comunidade,

para que saibam enfrentar com coragem

a inexistência de critérios credíveis na nossa sociedade

e se apresentem como alegres testemunhas

dos valores evangélicos,

oremos.

 

3.     Para que consigamos ter confiança

em Deus e na Sua ajuda amorosa

em todas as dificuldades da nossa vida,

oremos.

 

4.     Por todos nós, os cristãos,

para que saibamos ser fiéis à nossa fé

e a manifestemos com alegria

em todas as circunstâncias,

oremos.

 

5.     Pelos jovens da nossa comunidade e de todo o mundo,

para que como Maria, a “arca da aliança”,

levem o Senhor aos homens

e sejam cumulados de todas as bênçãos,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus,

pela intercessão de Maria ouvi a nossa oração.

Impedi-nos de confiar em nós mesmos ou nos nossos raciocínios,

mas que à semelhança de Nossa Senhora

saibamos confiar na vossa Palavra,

não obstante todas as aparências contrárias.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A glória da Assunção de Maria

 

v. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Demos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a Vossa glória, cantando com alegria:

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Monição da Comunhão

 

Ao comungarmos o Corpo e Sangue do Senhor Jesus Cristo sejamos fortalecidos no seu amor, de modo que manifestemos a nossa adesão incondicional à sua Palavra acreditando que se realizarão todas as suas promessas.

 

Cântico da Comunhão: A minha alma louva o Senhor, F. dos Santos, NCT 254

cf. Lc 1, 48-49

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

Cântico de acção de graças: Foi um sono de Luz, H. Faria, NRMS 103-104

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Senhor realiza acontecimentos maravilhosos servindo-se de instrumentos impróprios e sem valor aos olhos dos homens. Saibamos fazer parte desses instrumentos e, à semelhança de Maria, sejamos “arca da aliança” que leva o Senhor, com toda a alegria, onde quer que cheguemos.

 

Cântico final: Gloriosa Mãe de Deus, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 16-VIII: A dignidade do matrimónio.

Jos 24, 1-13 / Mt 19, 3-12

Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.

Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza original, tal como foi instituído no momento da criação (EV). Depois do pecado original foram aparecendo desvios: Os vossos antepassados, até ao pai de Abraão, serviam outros deuses (LT) e, por consequência, outros costumes, quanto ao matrimónio. Finalmente, Jesus eleva-o à dignidade de sacramento.

Nos tempos actuais, a indissolubilidade é cada vez mais ignorada, reclamam-se formas de reconhecimento legal para as convivências de facto, a aceitação de modelos com casais, onde a diferença sexual não é essencial (S. João Paulo II).

 

Sábado, 17-VIII: A renovação da nossa alma.

Jos 24, 14-29 / Mt 19, 13-15

Jesus; Deixai as criancinhas...que o reino dos Céus é daqueles que são como elas.

 Josué, o sucessor de Moisés, pouco antes de morrer, reúne o povo para confirmar que permanecerá fiel a Deus. Deixa-lhes liberdade de escolha e o povo manifesta desejos de continuar a servir a Deus (LT). Sois vós, Senhor a parte da minha herança, está nas vossas mãos o meu destino (SR). Querem ficar com o Senhor  para sempre.

Jesus aponta as crianças como modelo para receber a Revelação de Deus e alcançar o reino dos Céus (EV). Precisamos, pois, de depender em tudo do nosso Pai Deus, como as crianças se apoiam nos seus pais. Enfim, a renovação da nossa alma e das nossas actuações.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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