19º Domingo Comum

11 de Agosto de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da Vossa aliança, Az. Oliveira, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 96

Sl 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

São muitas as dificuldades com que nos debatemos no dia a dia da vida. E todas essas dificuldades surgem na sequência das nossas limitações terrenas e consequente opção voluntária por caminhos errados.

Todas essas limitações serão facilmente superadas na medida em que vivermos iluminados pela luz da fé. Como é importante possuirmos esta luz bendita!  Deus, nosso Pai a todos a quer dar. Para a recebermos e a fazermos crescer em nós, apenas se exige que sejamos sinceros e consequentemente humildes. Vamos mais uma vez rogar ao Senhor que aumente a nossa fé.

 

Ato penitencial

 

    Porque muitas vezes caímos em faltas de amor ao Senhor, comecemos por LHE pedir perdão.

    (Tempo de silêncio, ou em alternativa a sugestão que se segue)

 

    Senhor Jesus,

que nos chamais à emenda de vida, e nos ofereceis

com o perdão dos pecados a alegria de viver, tende misericórdia.

 

    Cristo, misericórdia!

 

    Jesus Cristo, que nos revelastes o Amor infinito do Pai do Céu

    para que sempre n´Ele confiemos em todas as necessidades,

    perdoai as nossa faltas de fé em tanto Amor, e tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor Jesus, que não quereis que o pecador viva triste e se condene,

    mas que se arrependa e viva para sempre, cheio de alegria, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia! 

 

    Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

    Perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Confrontada com um mundo pagão e imoral, que põe em questão os valores da comunidade do Povo de Deus, a comunidade israelita, deve ser uma comunidade “vigilante”, que consiga discernir entre os valores efémeros e os valores duradoiros.

 

Sabedoria 18, 6-9

 

6A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto foi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados, para que, sabendo com certeza a que juramentos tinham dado crédito, ficassem cheios de coragem. 7Ela foi esperada pelo vosso povo, como salvação dos justos e perdição dos ímpios, 8pois da mesma forma que castigastes os adversários, nos cobristes de glória, chamando-nos para Vós. 9Por isso os piedosos filhos dos justos ofereciam sacrifícios em segredo e de comum acordo estabeleceram esta lei divina: que os justos seriam solidários nos bens e nos perigos; e começaram a cantar os hinos de seus antepassados.

 

A leitura é extraída da última parte do livro da Sabedoria (16 – 18), onde se exalta a Providência divina ao castigar os egípcios e salvar os israelitas. Pertence ao género literário chamado «midraxe hagadá»: é uma piedosa meditação sobre a história sagrada, em que a intenção edificante lança mão da imaginação, sem grande preocupação pelo rigor histórico.

6 «Noite… dada previamente a conhecer», segundo Gn 15, 13-14; 11, 4-7; 12, 21-23.

9 «Ofereciam sacrifícios em segredo», alusão a Ex 12, 46, onde se diz que o cordeiro pascal era sacrificado e comido no interior das próprias casas. A referência a «cantar os hinos» tem em conta o hagadá de Páscoa, que prescrevia para a Ceia Pascal o canto dos Salmos do chamado grande Hallel (113 – 118; cf. Mt 26, 30), que cantavam os favores divinos para com o seu povo.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 1.12.18-19.20.22 (R. 12b)

 

Monição: O Salmo convida-nos a meditar sobre a grandeza da nossa vocação cristã. Manifestemos ao Senhor a alegria e gratidão por nos ter escolhido para Sua herança.

 

Refrão:     Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

 

Justos, aclamai o Senhor,

os corações rectos devem louvá-l’O.

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,

o povo que Ele escolheu para sua herança.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor,

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Como o fez Abraão e Sara devemos manter-nos atentos aos apelos que Deus nos enviar, verdadeiramente empenhados em responder aos seus desafios, através dos quais poderemos descobrir os bens futuros nas limitações e caducidades da nossa vida presente. São assim os caminhos da fé.

 

Forma longa: Hebreus 11, 1-2.8-19;      forma breve: Hebreus 11, 1-2.8-12

 

Irmãos: 1A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem. 2Ela valeu aos antigos um bom testemunho. 8Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento e partiu para uma terra que viria a receber como herança; e partiu sem saber para onde ia. 9Pela fé, morou como estrangeiro na terra prometida, habitando em tendas, com Isaac e Jacob, herdeiros, como ele, da mesma promessa, 10porque esperava a cidade de sólidos fundamentos, cujo arquitecto e construtor é Deus. 11Pela fé, também Sara recebeu o poder de ser mãe já depois de passada a idade, porque acreditou na fidelidade d’Aquele que lho prometeu. 12É por isso também que de um só homem – um homem que a morte já espreitava – nasceram descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia que há na praia do mar.

 [13Todos eles morreram na fé, sem terem obtido a realização das promessas. Mas vendo-as e saudando-as de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. 14Aqueles que assim falam mostram claramente que procuram uma pátria. 15Se pensassem na pátria de onde tinham saído, teriam tempo de voltar para lá. 16Mas eles aspiravam a uma pátria melhor, que era a pátria celeste. E como Deus lhes tinha preparado uma cidade, não Se envergonha de Se chamar seu Deus. 17Pela fé, Abraão, submetido à prova, ofereceu o seu filho único Isaac, que era o depositário das promessas, como lhe tinha sido dito: 18«Por Isaac será assegurada a tua descendência». 19Ele considerava que Deus pode ressuscitar os mortos; por isso, numa espécie de prefiguração, ele recuperou o seu filho.]

 

A leitura é um eloquentíssimo elogio da fé, uma das mais notáveis páginas de toda a Escritura. Depois de definir o que é a fé, mostra como todas as grandes figuras do Antigo Testamento resplandeceram por uma vida de fé. Aqui temos apenas um pequeno extracto do capítulo 11 da epístola.

1 «A fé é a garantia dos bens que se esperam». As realidades que esperamos na outra vida ainda não são uma realidade de que tenhamos uma posse palpável, mas a fé é já uma base ou garantia de que estão ao nosso alcance. Mas há uma outra interpretação que entende o termo grego (traduzido no leccionário por garantia), «hypóstasis» (substância, à letra, o que está por baixo, o suporte) no sentido de consistência: assim, a fé como que dá corpo e consistência na alma do crente àquelas realidades divinas reveladas por Deus que esperamos vir a possuir em plenitude, (mas, para uma pessoa que não tenha fé, aparecem como inconsistentes, mera alienação,).

«A certeza das realidades que não se vêem». O termo grego élenkhos foi traduzido pela palavra «certeza», com efeito, assim como uma demonstração nos dá a certeza de algo não evidente por si, assim também a fé nos dá a certeza de todas as verdades divinas que se não vêem, uma vez que a fé se apoia numa revelação de Deus que não se engana nem nos pode enganar.

8-19 O exemplo da fé de Abraão está em relação com diversas passagens do Génesis do «ciclo de Abraão» (Gn 12, 1 – 23, 20).

10 Cidade… cujo arquitecto e construtor é Deus», isto é, «a pátria celeste» (cf. v. 16). Esta passagem concorda com uma tradição judaica que diz que Deus mostrou a Abraão a Jerusalém celeste (cf. Apocalipse Siríaco de Barukh).

11 Pela fé, também Sara... A inicial incredulidade de Sara acabou por dar lugar a uma atitude de fé (cf. Gn 18, 10-13).

19 «Prefiguração» (à letra, «parábola», também se podia traduzir por «símbolo»). Desde os Padres Apostólicos que a Tradição da Igreja viu no Sacrifício de Isaac uma figura da Morte e Ressurreição (a recuperação do filho) de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 24, 42a.44

 

Monição: O Senhor recomenda-nos que nos mantenhamos atentos e vigilantes, para acolhermos as Suas inspirações em cada momento. Como é importante a virtude teologal da fé!

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Vigiai e estai preparados,

porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São Lucas 12, 32-48;      forma breve: São Lucas 12, 35-40

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

[32«Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. 33Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. 34Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.]

35Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. 37Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. 38Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar. 39Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. 40Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem».

[41Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?» O 42Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? 43Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. 44Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. 45Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. 47O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. 48Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito acções que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».]

 

Na sequência do Domingo anterior (Lc 12, 13-21), este trecho é extraído duma secção do iii Evangelho (Lc 12 – 14), em que predominam os ensinamentos de Jesus, sobretudo os de carácter escatológico, com apelos à vigilância e a viver desprendido, com os olhos postos no reino que há-de vir. A leitura começa (vv. 32-34) com o final da longa exortação ao abandono na Providência amorosa de Deus e ao desprendimento dos bens efémeros.

32 «Pequenino rebanho». Apesar de poucos e sem recursos humanos, os discípulos nada têm a temer, pois foram admitidos no Reino de Deus que é indestrutível (cf. Lc 1, 33).

33-34 «Tesoiro inesgotável nos Céus». O texto paralelo de S. Mateus é mais desenvolvido (cf. Mt 6, 19-21). Como o nosso coração é forçosamente atraído pelo que ele julga ser o «tesoiro», temos de ter a sensatez de não nos defraudarmos a nós próprios erigindo em tesoiro - bem supremo, fim último - as coisa da terra, trocando o efémero e caduco pelo eterno. As boas obras, a esmola e as obras de misericórdia em geral (cf. Mt 25, 31-46) constituem uma riqueza que não se perde, pois essas obras terão uma recompensa eterna nos Céus.

35-48 Na forma longa do Evangelho de hoje, podemos distinguir três parábolas: a dos criados vigilantes (vv. 35-36), a do ladrão (v. 39) e a dos servos administradores (o fiel: vv. 42-44 e o infiel: vv. 45-48). As duas primeiras referem-se à necessidade da vigilância e a terceira à necessidade da fidelidade.

35-37a «Rins cingidos», isto é, as cintas apertadas, num gesto então habitual, próprio de quem, para trabalhar, arregaçava a túnica com um cinto. «As lâmpadas acesas», isto é, em atitude de vigilância ao longo da noite; é assim que devem estar vigilantes os discípulos de Jesus, «como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento», a uma hora incerta.

37b «Em verdade vos digo... os servirá». Aqui já deixamos propriamente de ter a «parábola», uma vez que se acabou toda a «semelhança» com a vida corrente: não são os servos a servir o seu patrão (cf. 17, 7-9), mas é o dono a servir os criados! É uma alegoria que exprime como, no momento da sua vinda, Jesus recompensará, um a um – «passando diante deles» – os seus servos vigilantes, servindo-lhes o «banquete» da vida eterna.

39 «A que hora viria o ladrão». Esta segunda parábola, que já não se refere a um criado, mas a um senhor, é também um convite à vigilância, pondo em evidência como a vinda do Senhor será de improviso, sem o dono da casa poder calcular o dia do assalto; os criados da parábola anterior sabiam que era naquela noite que o seu patrão chegava da boda, embora ignorassem a hora, mas aqui o dono da casa não sabe nem o dia nem a hora. Daqui o sério apelo: «Estai vós também preparados».

41 «É para nós que dizes essa parábola?» Esta pergunta de Pedro parece referir-se à primeira parábola, concretamente à afirmação de Jesus no v. 37b, que muito o devia ter impressionado; mas Jesus não responde à pergunta, e propõe uma nova parábola, a do administrador fiel (vv. 42-46), a mesma do «servo fiel e prudente» de Mt 4, 45-51, embora com um matiz próprio: precisamente o facto de se chamar este servo «administrador» indica a intencionalidade de referir a parábola aos apóstolos, «os administradores dos mistérios de Deus», de quem se exige uma fidelidade total (cf. 1 Cor 4, 1-2).

42-48a Na parábola, temos um criado feito administrador da casa durante um certo período de ausência do patrão, o qual tem de dirigir os criados e criadas e, concretamente, de lhes dar diariamente a sua ração de alimento. A parábola do administrador contempla duas hipóteses: a da administração fiel e sensata (vv. 42-44) e a da má administração (v. 45-46). Na primeira, a condição é posta sob a forma duma pergunta retórica (v. 42) que equivale à afirmação: «se o administrador que o senhor colocou à frente do seu pessoal, para lhe dar, no devido tempo, a sua ração de trigo, for fiel e prudente..., pô-lo-á à frente de todos os seus bens».

48b «A quem muito foi dado…». Temos aqui a forma impessoal da voz passiva para, segundo o costume judaico, evitar pronunciar o nome inefável de Deus, por motivo de respeito, equivalendo a: «a quem Deus muito deu...». Os versículos 47-48, que não aparecem no lugar paralelo de S. Mateus, explicitam como no dia de juízo haverá uma desigualdade de castigos proporcionada à responsabilidade de cada um. É fácil perceber que os discípulos de Jesus são aqueles que «sabem o que o Senhor quer» (v. 47) e aqueles «a quem muito foi dado» (v. 48).

 

Sugestões para a homilia

 

1.     Feliz o Povo que o Senhor escolheu para Sua herança!

2.     Só pela fé nos reconhecemos herança de Deus.

3.     Só á luz da fé, podemos reconhecer o verdadeiro valor, de todas as coisas.

 

1.     Feliz o Povo que o Senhor escolheu para Sua herança!

 

“Feliz o Povo que o Senhor escolheu para Sua herança”. Assim afirmámos há momentos. E assim acontecerá. O amor deste Senhor é infinito e como Ele é omnipotente, nada poderá faltar a esse Povo escolhido. Ele e só Ele pode dar solução a todos os problemas e dificuldades humanas.

Pelo batismo pertencemos de direito a esse Povo de Deus. Todavia para Lhe pertencermos de fato, é necessário que assumamos, com convicção, esse mesmo batismo, isto é, que vejamos no Senhor o que Ele é realmente – o Pai. E nós vivamos verdadeiramente como Seus filhos. Esta vida de filhos de Deus será uma realidade na medida em que vivermos a nossa fé. Dessa fé, que nos dá segurança na vida, nos falam de uma maneira especial, as leituras da Missa de hoje.

 

2.     Só pela fé nos reconhecemos como herança de Deus.

 

Feliz de quem se reconhece herança de Deus! Tão consoladora realidade só poderá ser conhecida pelo dom inestimável da fé. Como é importante possuir esta virtude teologal! Deus. Nosso Pai colocou-a em cada um de nós no dia do nosso Batismo. Depende de nós que esta virtude essencial á nossa vida espiritual, cresça, diminua ou até mesmo desapareça. É importantíssimo alimentá-la. O Povo de Israel, como nos recorda a 1ª Leitura da Missa de hoje, lembrava os fatos que o Senhor havia realizado em seu favor, para os libertar da escravatura do Egipto. E a 2ª Leitura apresenta-nos o exemplo dos nossos pais da fé: Abraão e sua esposa Sara. Graças à fé que animava as suas vidas, tudo em que verdadeiramente acreditavam, se realizou.

 

3.     Só á luz da fé podemos reconhecer o verdadeiro valor de todas as coisas.

 

As parábolas contadas por Jesus e que o Sagrado Evangelho de hoje nos recorda, são um alerta para um acordar para o verdeiro valor das coisas. Sem a fé corremos o risco vivido pelo rico avarento, da parábola contada no domingo passado: “tens riquezas, vive, goza a vida,.. mas o Senhor o chamou a contas naquela mesma noite”.

Viver iluminados pela fé, exige que não nos deixemos “prender” pelas riquezas do mundo, que são sempre ilusórias e passageiras. A boa administração das mesmas consistirá em as saber distribuir aos pobres e em as aplicar em obras de apostolado e caridade. Essas serão guardadas em bolsas que não envelhecem.

Viver a fé é estar sempre “vigilantes, com as lâmpadas acesas e rins “cingidos” prontos para a caminhada que nos leva à eternidade.

Viver a fé é estar atento para “não deixar entrar o ladrão”. Esta exigência impõe-se a todos. Ninguém está excluído.

Peçamos ao Senhor que aumente a nossa fé. Só assim poderemos usufruir da eterna felicidade, que o Senhor, nosso Pai a todos quer dar. Só assim seremos a Sua herança.

 

Fala o Santo Padre

 

«É esta nossa esperança de possuir o Reino na eternidade que nos impele a agir

para melhorar as condições da vida terrena, de maneira especial dos irmãos mais frágeis.»

Na página do Evangelho de hoje (cf. Lc 12, 32-48), Jesus fala aos seus discípulos sobre a atitude que devem assumir em vista do encontro final com Ele, explicando que a expetativa de tal encontro deve impelir a uma vida rica de obras boas. Entre outras coisas, diz: «Vendei o que possuís e dai-o de esmola; fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega e a traça não o destrói» (v. 33). Trata-se de um convite a dar valor à esmola como obra de misericórdia, a não colocar a confiança nos bens efémeros e a utilizar as coisas sem apego nem egoísmo, mas segundo a lógica de Deus, a lógica da atenção ao próximo, a lógica do amor. Nós podemos viver muito apegados ao dinheiro e possuir grandes bens, mas no final não os poderemos levar connosco. Recordai-vos que «o sudário não tem bolsos».

O ensinamento de Jesus continua com três breves parábolas sobre o tema da vigilância. Isto é importante: a vigilância, estar atento, ser vigilante na vida. A primeira é a parábola dos servos que de noite aguardam a volta do seu senhor. «Bem-aventurados os servos aos quais o senhor encontrar vigiando, quando vier!» (v. 37): é a bem-aventurança de esperar o Senhor com fé, permanecendo pronto, em atitude de serviço. Ele faz-se presente cada dia, bate à porta do nosso coração. E bem-aventurado será aquele que lhe abrir a porta, porque receberá uma grande recompensa: com efeito, o próprio Senhor será o Servo dos seus servos — é uma bonita recompensa! — e no grandioso banquete do seu Reino Ele mesmo passará a servi-los. Mediante esta parábola, ambientada de noite, Jesus apresenta a vida como uma vigília de espera ativa, um prelúdio ao dia resplandecente da eternidade. Para podermos aceder a ela é preciso que estejamos prontos, acordados e comprometidos no serviço ao próximo, na consoladora perspetiva de que no «além” já não seremos nós que serviremos a Deus, mas será Ele mesmo que nos acolherá à sua mesa. Pensando bem, isto já acontece hoje, cada vez que encontramos o Senhor na oração, ou então quando servimos os pobres, mas sobretudo na Eucaristia, onde Ele prepara um banquete para nos alimentar com a sua Palavra e com o seu Corpo.

A segunda parábola tem como imagem a vinda imprevisível do ladrão. Isto exige a vigilância; com efeito, Jesus exorta: «Estai, pois, preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do Homem» (v. 40). O discípulo é aquele que espera o Senhor e o seu Reino. O Evangelho esclarece esta perspetiva com a terceira parábola: o administrador de uma casa, depois da partida do patrão. No primeiro caso, o administrador cumpre fielmente os seus deveres e recebe a recompensa. No segundo caso, o administrador abusa da sua autoridade e bate nos seus servos; por isso, quando o patrão voltar repentinamente, será punido. Esta cena descreve uma situação frequente inclusive nos dias de hoje: muitas injustiças, violências e maldades quotidianas brotam da ideia de nos comportarmos como senhores da vida dos outros. Nós temos um único Senhor, que não gosta de ser chamado «patrão», mas sim «Pai». Todos nós somos servos, pecadores e filhos: Ele é o único Pai.

Hoje Jesus recorda-nos que a expetativa da bem-aventurança eterna não nos dispensa do compromisso de tornar o mundo mais justo e mais habitável. Aliás, é exatamente esta nossa esperança de possuir o Reino na eternidade que nos impele a agir para melhorar as condições da vida terrena, de maneira especial dos irmãos mais frágeis. A Virgem Maria nos ajude a ser pessoas e comunidades não niveladas no presente ou, pior, nostálgicas do passado, mas orientadas para o futuro de Deus, para o encontro com Ele, nossa vida e nossa esperança.

    Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 7 de Agosto de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

cheios de confiança na bondade do Senhor

que sempre nos atende a tudo quanto Lhe pedirmos com fé e amor,

peçamos pelas nossas necessidades de cada dia

e pela solução dos problemas com que debatem a Igreja e o mundo,

oremos ao Senhor

 

 R. Ouvi-nos Senhor.

 

1.     Pelo Santo Padre, o Papa Francisco,

pelos Bispos e Sacerdotes, em união com ele,

para que nos conduzam pelos caminhos do Senhor,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos Senhor.

 

2.     Por todos os que se debatem com problemas

para que iluminados pela fé,

confiem na bondade omnipotente do Senhor,

oremos, irmãos.

 

        R.  Ouvi-nos Senhor.

 

3.     Pelos que vivem alheios a todos os valores da vida

para que despertem e se voltem com confiança para Deus,

oremos, irmãos.

 

    R.  Ouvi-nos Senhor.

 

4      Pelos que perderam a confiança em Deus,

para que o Senhor os ilumine a recuperar a esperança,

oremos, irmãos.   

 

    R. Ouvi-nos Senhor.

 

5      Por todos nós aqui presentes

para que tenhamos sempre consciência

do verdadeiro sentido das nossas vidas,

oremos, irmãos.

 

    R.  Ouvi-nos Senhor.

 

6      Pelos que terminaram a sua vida na terra e são purificados,

para que o Senhor abrevie o seu cativeiro no Purgatório,

oremos, irmãos.

 

    R.  Ouvi-nos Senhor.

 

    Senhor, que nos encheis de confiança no Vosso Coração divino,

    tornai-nos dóceis aos Vossos desígnios de paz e de Amor,

    e dai-nos aquilo que não sabemos ou não ousamos pedir.

    Vós que sois Deus, com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor...

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Saudação da paz

 

Ao trocarmos agora entre nós o gesto da paz, procuremos acompanhar com o nosso coração o desejo de nos tornarmos, cada vez mais, semeadores de paz e de alegria.

 Com esse propósito, saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, verdadeiramente presente na Sagrada Comunhão, é penhor de vida eterna. Com Ele estamos vigilantes.  Vamos recebê-LO com muita fé, esperança, amor e gratidão.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

Sl 147,12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Cântico de acção de graças: Pelo Pão do Teu amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Verdadeiramente conscientes da brevidade desta vida e iluminados pela luz da fé, vamos viver numa constante vigilância para sempre estarmos preparados para o encontro definitivo com o Senhor.

 Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-VIII: Dar a vida por amor.

Dt 10, 12-22 / Mt 17, 22-27

Jesus: O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. E os discípulos ficaram profundamente consternados.

Moisés explica ao seu povo como Deus se tinha revelado aos antepassados, a quem dedicou o seu amor; e agora escolheu os descendentes, de preferência a todos os povos (LT). Deus revelou a sua Lei a Israel, a mais ninguém deu a conhecer a sua vontade (SR). E é também por amor que Jesus entrega a sua vida, e Pedro e os demais não entendem (EV).

A Santa Missa é uma das maiores manifestações do amor de Deus para connosco: O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Estes hão-de matá-lo (EV). Além disso, esse amor continua presente na Sagrada Eucaristia, por ser alimento de vida divina.

 

3ª Feira, 13-VIII: Deus não nos deixa sós.

Dt 31, 1-8 / Mt 18, 1-5.10. 12-14

Jesus: Assim não é da vontade de meu Pai que se perca um único sequer destes pequeninos.

A vontade do nosso Pai é que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Para isso, usa da paciência, não querendo que ninguém se perca (EV). E permanece no Sacrário, para que ninguém se sinta só.

Moisés antes da entrada na Terra Santa diz: Sede fortes e valorosos, que o Senhor, vosso Deus, avançará convosco e não vos deixará sós (LT). A parte do Senhor é o seu povo, só o Senhor está com ele para o conduzir (SR). Agradeçamos ao Senhor este seu desejo e lembremo-nos da sua presença junto de nós ao longo dia.

 

4ª Feira, 14-VIII: Modos da presença do Senhor.

Dt 34, 1-12 / Mt 18, 15-20

Nunca mais apareceu em Israel um profeta semelhante a Moisés, que o Senhor conheceu face a face.

Depois da morte de Moisés, ele foi lembrado por todos o sinais e prodígios para o cumprimento da sua missão, desde a saída do Egipto até chegar à vista da Terra Santa. Além disso, teve a sorte de poder estar com o Senhor face a face (LT), até durante 40 dias seguidos.

O Senhor continua igualmente presente na sua Igreja, nas acções litúrgicas, no sacrifício da Missa e na sua Palavra. Está presente quando a Igreja reza e canta os Salmos, pois Ele prometeu: Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei Eu no meio deles (EV). Aclame o Senhor a terra inteira, cantai a glória do seu nome (SR).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial