18º Domingo Comum

4 de Agosto de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

Sl 69, 2.6

Antífona de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, Senhor, socorrei-me e salvai-me. Sois o meu libertador e o meu refúgio: não tardeis, Senhor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando pretendemos comprar alguma coisa, sobretudo se o valor pedido é elevado, procuramos antes saber se o preço indicado corresponde ao real valor. Estamos sempre em risco de ser enganados, pagando somas elevadas sem ser necessário. Além disso, se o dinheiro que temos é escasso, tentamos ajustar os gastos às nossas possibilidades, para fazermos uma boa administração.

A Liturgia da Palavra deste 18.º Domingo do tempo Comum ajuda-nos a sabermos avaliar o valor real das nossas escolhas na vida.

 

Acto penitencial

 

Esbanjamos facilmente o tempo, o dinheiro e as energias em coisas que, não só nada valem, mas até nos prejudicam, no nosso caminho para o Céu.

Reconheçamos o nosso engano, arrependamo-nos e peçamos ao Senhor forças para mudarmos de vida.

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Gastamos, por vezes, o tempo em coisas banais ou nocivas

    e não nos lembramos de que o tempo é o preço da nossa eternidade feliz.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Muitas vez pensamos que fazer oração fosse perder o nosso tempo,

    ou ocupação para quando estamos aborrecidos e não temos nada que fazer.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: O nosso egoísmo leva-nos a pensar exclusivamente em nós

    e a dar como perdido o tempo que dedicamos a ajudar os nossos irmãos.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai-Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Coelet, um autor sagrado cujo nome significa “aquele que fala na assembleia”, alerta-nos para o perigo das falsas escolhas na vida que nos levam a ficar de mãos vazias.

A conclusão está ao alcance de todos: devemos escolher uma eternidade feliz, fazendo tudo por amor de Deus na vida.

 

Coélet 1, 2; 2, 21-23

 

2Vaidade das vaidades – diz Coélet – vaidade das vaidades: tudo é vaidade. 21Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez. Também isto é vaidade e grande desgraça. 22Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol? 23Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações; e nem de noite o seu coração descansa. Também isto é vaidade.

 

A leitura é tirada do livro cujo título grego latinizado é Eclesiastes, um livro que agora costumamos chamar com o título hebraico, Coélet, que significa «aquele que convoca a assembleia». No entanto a Nova Vulgata adopta o título grego por ser o tradicional no cânone cristão. Este livro nunca é citado ou aludido no Novo Testamento, pois, como comenta Muñoz Iglesias, «à luz do sol do meio dia já não se vêem as estrelas». No entanto, os rabinos usaram-no muito (cf. Pirkê Abot ou Sentenças dos Padres), por apreciarem na obra o convite ao gozo moderado dos bens deste mundo e à alegria, por isso era lido por ocasião das celebrações jubilosas da festa dos Tabernáculos.

1, 2 «Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!» Este é o tema do livro: a vaidade ou caducidade absoluta de todas as coisas deste mundo (note-se o superlativo hebraico, expresso com o genitivo «das»), bem como a inutilidade de todas as canseiras humanas para alcançar a felicidade.

2, 22 «Que aproveita ao homem todo o seu trabalho?» Uma consideração mais superficial desta e de outras afirmações do livro poderia levar a pensar que o autor propugna uma visão pessimista do trabalho e da vida humana, refugiando-se por vezes numa atitude céptica e hedonista. Mas o autor, acima de tudo, recorre a uma fina ironia para pôr em causa todas as seguranças humanas. Muitas das suas afirmações entendem-se melhor como perguntas retóricas – que fazem pensar no sentido da vida –, do que como uma resposta a problemas humanos, para os quais ele não tem ainda uma resposta completa.

 

Salmo Responsorial    Sl 89 (90), 3-6.12-14.17 (R. 1)

 

Monição: O salmista, perante a incapacidade em que nos encontramos de nos defendermos dos perigos e evitar sermos enganados, acolhe-se à misericórdia do Senhor, invocando a Sua ajuda.

É uma bela oração rezarmos muitas vezes ao dia, quando nos irmos em dificuldades e os perigos ameacem submergir-nos.

 

Refrão:        Senhor, tendes sido o nosso refúgio

                     através das gerações.

 

Vós reduzis o homem ao pó da terra

e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».

Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou

e como uma vigília da noite.

 

Vós os arrebatais como um sonho,

como a erva que de manhã reverdece;

de manhã floresce e viceja,

de tarde ela murcha e seca.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando...

Tende piedade dos vossos servos.

 

Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus.

Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na sua Carta aos Colossenses, S. Paulo faz-lhes uma recomendação cheia de sabedoria: Aspirai às coisas do alto.

Este conselho do Apóstolo das Gentes concretiza-se em deixar-se guiar pelos ensinamentos da fé, preparando uma eternidade feliz.

 

Colossenses 3, 1-5.9-11

 

Irmãos: 1Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. 2Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. 3Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 4Quando Cristo, que é a vossa vida, se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória. 5Portanto, fazei morrer o que em vós é terreno: imoralidade, impureza, paixões, maus desejos e avareza, que é uma idolatria. 9Não mintais uns aos outros, vós que vos despojastes do homem velho com as suas acções 10e vos revestistes do homem novo, que, para alcançar a verdadeira ciência, se vai renovando à imagem do seu Criador. 11Aí não há grego ou judeu, circunciso ou incircunciso, bárbaro ou cita, escravo ou livre; o que há é Cristo, que é tudo e está em todos.

 

Continuamos a ter como 2ª leitura excertos seguidos da Epístola aos Colossenses, cuja leitura se iniciou já no Domingo 15º. Depois de na 1ª parte da epístola (1, 15 – 2, 23) ter abordado o tema da fé em Cristo, Senhor de toda a Criação, S. Paulo passa agora, na 2º parte (3, 1, – 4, 6), a expor uma série de consequências morais que tem para a vida do cristão o facto de este participar, pelo Baptismo, no domínio de Cristo sobre todas as coisas.

1-2 «Aspirai às coisas do alto… afeiçoai-vos…». Este apelo corresponde ao incitamento que, na Santa Missa, a Igreja sempre nos repete: Corações ao alto!

3-4 «Vós morrestes». Cf. Rom 6. A nossa união a Cristo pressupõe a morte para o pecado, que não pode reinar mais em nós. Com Cristo morto pelos nossos pecados, morremos para o pecado; com Cristo ressuscitado, vivamos vida de ressuscitados! É a vida da graça, uma vida toda interior, «escondida» no centro da alma, vida que ninguém pode arrebatar, vida que é toda feita de presença de Deus e de visão sobrenatural, levando-nos a santificar todos os afazeres diários, trabalhando com os pés bem firmes na terra, mas o coração e o olhar fixos no Céu.

9-10 «Vos despojastes do homem velho… vos revestistes do homem novo... à imagem do seu Criador». É o homem santificado pela acção redentora de Cristo, dotado duma nova vida, que é a vida sobrenatural, a vida da graça, na qual deve ir progredindo sempre: «se vai renovando» (v.10). De facto, pela graça, o homem torna-se «uma nova criatura» (Gal 6, 15), recriado – como na criação inicial - «à imagem de Deus» (cf. Gn 1, 27). A Redenção não é pois algo meramente extrínseco, mas algo que nos transforma interiormente; a graça faz-nos «filhos de Deus» (cf. Jo 1, 12; 1 Jo 3, 1-2; Rom 8, 14-15.29) e «participantes da própria natureza divina» (2 Pe 1, 4). Mas este ideal tão elevado só se pode concretizar pela mortificação – «fazendo morrer o que em vós é terreno» (v. 5) –, isto é, com o domínio das paixões desordenadas que há dentro de nós.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 5, 3

 

Monição: Contrariamente ao proceder do rico insensato, na Parábola do no evangelho, Jesus proclama bem aventurados os pobres em espírito.

Manifestemos, cantando a aclamação, o propósito de seguirmos com fidelidade os ensinamentos do Mestre.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51.

 

Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 12, 13-21

 

Naquele tempo, 13alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo». 14Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?» 15Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». 16E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: 17‘Que hei-de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? 18Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. 19Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. 20Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’ 21Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».

 

Era costume recorrer à arbitragem de um rabino para decidir em questões de partilhas de bens, como esta a que se refere o texto evangélico. Então porque é que Jesus se nega terminantemente a prestar ajuda a um homem que lhe pede socorro, talvez até vítima da injustiça? Não basta dizer que o homem tinha já o suficiente para viver e, por isso, Jesus não quereria ajudá-lo a alimentar a cobiça que o dominaria (cf. v. 15). A atitude de Jesus revela a natureza da sua missão e torna-se paradigmática: a missão de Jesus é uma missão salvadora, que não tem como objectivo a resolução técnica dos diversos problemas temporais dos homens; limita-se a apontar claramente os princípios superiores de ordem moral que, ao serem assumidos responsavelmente, conduzem com eficácia ao bem integral do ser humano. Este indivíduo recorreu a Jesus como juiz de partilhas; Jesus apresenta-se como o Mestre da Verdade que salva, libertando o homem de cair nas malhas da ambição, do egoísmo e do pecado; assim Ele aponta critérios do mais elementar bom senso humano - «a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens» (v. 15) -, assim como critérios do mais elevado sentido sobrenatural da fé - «tornar-se rico aos olhos de Deus» (v. 21), «dando os bens em esmola» (v. 33).

16-20 A parábola do rico insensato põe a nu a loucura do homem que vive de cálculos para gozar esta vida, esquecendo que esta não lhe pertence e lhe pode ser tirada repentinamente. Vem bem a propósito o que diz S. Paulo na 2ª leitura de hoje: «Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra» (Col 3, 2).

 

Sugestões para a homilia

 

• A virtude da esperança

O verdadeiro sentido da vida

Só o Amor vale

Aspirar às coisas do alto

• A verdadeira esperança

A avareza, falsa esperança

Evitar vida insensata

A verdadeira sabedoria

 

1. A virtude da esperança

 

a) O verdadeiro sentido da vida. «Vaidade das vaidades – diz Coelet – vaidade das vaidades: tudo é vaidade. Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito, tem de deixar tudo a outro que nada fez. Também isto é vaidade e grande desgraça

Vaidade não se refere ao defeito de querer brilhar diante dos outros; tem aqui o sentido de vanidade, coisa vã, oca, sem valor.

O Livro de Coelet — a palavra significa “aquele que fala na assembleia” — é um conjunto de sentenças no Antigo Testamento. Era frequentemente lido nas celebrações litúrgicas da Igreja, de modo que ficou conhecido pelo nome de Eclesiastes.

À primeira vista, parece destinado a destruir todas as certezas e seguranças da vida, pelo seu impressionante pessimismo. Na verdade, o autor parece negar qualquer possibilidade de encontrar um sentido para a vida… Defende que o homem é incapaz de ter acesso à “sabedoria” — à felicidade —, que não há qualquer novidade no mundo e que estamos fatalmente condenados a repetir os mesmos desafios, que o esforço humano é vão e inútil, que é impossível conhecer Deus e que, aconteça o que acontecer, nada vale a pena porque a morte está sempre no horizonte e iguala-nos com os ignorantes e os animais…

Esta seria uma leitura superficial do texto que ouvimos proclamar.

O que ele pretende, na verdade, é derrubar os muitos ídolos que nós somos tentados a adorar: a riqueza, a ciência vã, a importância social e outros, colocando-nos no caminho da procura do verdadeiro Deus e da verdadeira felicidade.

A grande lição que o livro do “Qohélet” nos deixa é a demonstração da incapacidade de o homem, por si só, encontrar uma saída, um sentido para a sua vida, e ajuda-nos a levantar o nosso olhar para Deus, onde se encontra a verdadeira segurança e o nosso futuro no Céu.

Quando terminou o campeonato europeu de futebol, muitas pessoas sentiram um vazio como se as suas vidas deixassem de ter sentido ou de encontrarem qualquer atrativo no mundo.

Vivemos emoções passageiras e não em valores fortes que orientam a nossa vida. Está de moda o “gostei”… “disse-me muito…” Com este critério tornamo-nos escravos, porque não usamos da inteligência, da vontade e da liberdade para fazer escolhas. Movemos apenas guiados por emoções passageiras que nos deixam com a alma vazia.

Uma pessoa sem fé, ao tomar consciência de que em breve deixaremos todos os bens materiais, cai inevitavelmente no pessimismo.

A insegurança do dinheiro nos bancos, fazendo desaparecer o suporte de uma reforma tranquila, merecida por uma vida de trabalho e cuidado económico; os dias incertos da Segurança Social; a precariedade do emprego e outros factores aumentam a nossa instabilidade e desencorajam a muitos de amealhar para o futuro.

Como garantir uma vida segura, sem incertezas?

Deus não quer esta angústia em que as pessoas vivem, por causa da insegurança da vida temporal. Mas podemos aproveitá-la, à luz da fé, para meditar na advertência de Jesus:  Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.» (Mateus 6, 19-21).

 

b) Só o Amor vale. «Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol? Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações; e nem de noite o seu coração descansa

Quando construímos os nossos próprios ídolos a quem sacrificamos a vida, verificamos que perdemos o tempo e o esforço.

É fácil cair em planos vãos e acordar, no fim da vida, com as mãos vazias e com uma sensação de ter sido enganado.

Estes planos tanto podem ser pessoais, como investimentos que os pais fazem no futuro dos filhos, sonhando em torná-los ricos, importantes, e com muito poder.

Dinheiro. É preciso organizar economicamente a nossa vida: garantir trabalho e um ordenado confortável, fazer economias para os momentos difíceis da vida. Deus não abençoa a imprudência, a preguiça e o esbanjamento que leva as pessoas a gastar sem pensar no dia de amanhã.

O dinheiro, porém, sem o amor de Deus, sem a formação cristã, escraviza a pessoa e desorienta-o no caminho do Céu. Os que se apoiam no dinheiro que possuem como uma pessoa com dificuldade de andar e se apoia na bengala ou muleta, em breve se dão conta de que lhes falta o equilíbrio.

Em relação aos filhos, os pais devem preparar-lhes um futuro, pelo menos como o seu, e torná-los responsáveis pela própria vida.

O poder. Os que o procuram como meio de dominar os outros, de enriquecer desonesta e rapidamente, de constituir na sociedade uma super-classe que oprime os que estão ao seu alcance, não sabem que o poder que depositaram nas suas mãos é para servir os outros, e não para se servirem.

A fama. Que interesse tem sobressair e receber uns quantos louvores? Tudo passa, tudo será destruído e ficarão apenas as obras de amor da nossa vida.

Há muitos monumentos levantados em honra de pessoas cujo nome, vida e feitos dignos de memória não sabemos.

Ergamos o coração a Deus e esforcemo-nos por colocar nele a fonte da nossa riqueza. Da nossa alegria e esperança.

Só os pensamentos, palavras e obras que levem a marca do amor de Deus valem para a vida eternal.

Muitas pessoas passam o tempo a sonhar com uma vida sem dificuldades, cheia de consolações e sem a cruz. Quando aparece qualquer contradição ou sofrimento, entram em crise de fé: parece-lhes que Deus já não é seu amigo, porque não lhes faz todas as vontades.

As nossas obras valem para a eternidade e acompanham–nos à presença de Deus se forem obras feitas por amor d’Ele. É a única moeda aceite na eternidade.

Para garantirmos, pela misericórdia do Senhor, uma eternidade feliz, é preciso cambiar as moedas do trabalho, da vida de família e de todas as outras actividades por esta moeda.

 

c) Aspirar às coisas do alto. «Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus

Para nos ajudar a fazer boas escolhas na vida, São Paulo, na Carta aos fiéis da Igreja de Colossos, aconselha-nos a aspirar às coisas do alto.

Parte de uma verdade fundamental da nossa fé: todos morremos e ressuscitamos com Cristo pelo Baptismo.

A nossa vida neste mundo é uma passagem, um tempo de prova. A felicidade definitiva, para sempre, virá depois da morte, se nos comportarmos como bons filhos de Deus.

Não quer o Senhor que passemos uma vida triste, desconsolada e sem projectos para a vida presente. Qual seria o pai e a mãe que gostariam de ver assim um filho ou uma filha? Deus é o melhor dos pais e quer ver-nos alegres e felizes também nesta vida.

Já passou de moda imaginar aquele que deseja cumprir os mandamentos, fazendo a vontade de Deus na vida, como pessoa triste, desconsolada, desmancha prazeres, sem achar graça a nada. Com um tal modo de viver estaríamos a transformar a vida presente numa antecâmara do inferno.

Deus quer-nos alegres, optimistas, com projectos para construir um mundo novo, mais humano e mais fraterno.

Mas não quer que nos deixemos aprisionar pela ilusão de que depois desta vida não há mais nada e, portanto, é preciso aproveitar a vida presente para dar rédea solta aos sentidos.

Caíram os muros dos regimes comunistas da Europa, depois da Consagração da União Soviética — a Rússia comunista — ao Imaculado Coração de Maria. Depois que S. João Paulo II, em 25 de Março — solenidade da Anunciação do Senhor — de 1985, fez esta consagração na Praça de S. Pedro, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima da Capelinha das Aparições, as ditaduras comunistas começaram a ruir: Alemanha de Leste (democrática, como diziam), a Polónia, a Checoslováquia, a Hungria a Rússia e os demais regimes.

Ficou, porém, nas cabeças a mentira da sua doutrina. O marxismo proclama que não há Deus, nem Céu, nem Inferno. O importante é construir um paraíso na terra. Para isso era preciso libertar o homem de três alienações: a religiosa — a religião é “o ópio do povo” e, portanto, deve ser perseguida, — a politica — pela instauração do partido único — e a económica — pela abolição da propriedade económica, com o Estado por único patrão.

Construir um paraíso na terra, sem esperar mais nada na eternidade... Não é isto o que fazem praticamente muitos cristãos?

 

2. A verdadeira esperança

 

a) A avareza, falsa esperança. «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens».

Os nossos interesses. Um dos ouvintes de Jesus tentou mobilizá-l’O parra a sua causa. Pediu-lhe que fosse convencer o seu irmão a repartir com ele a herança. Era tudo o que este homem pretendia de Jesus. Não estava interessado na Sua doutrina, nem no poder de fazer milagres, mas apenas na herança.

Quando tantos se aproximavam de Jesus a pedir a saúde para si ou para os seus, o perdão dos pecados, este homem está hipnotizado pelos bens materiais. Jesus quer ajudá-lo a ser mais ambicioso, a olhar para o Céu.

É o momento para nos interrogarmos: quais são os bens que pedimos ao Senhor, quando rezamos ou fazemos uma promessa? Recuperação da saúde para nós ou para os nossos... emprego, êxito num negócio... Só bens da terra!

Lembrámo-nos alguma vez de pedir a nossa conversão, a ajuda para combater um defeito ou alcançar uma virtude, ou uma ajuda espiritual para os nossos familiares?

A avareza é a gula dos bens, uma gula desenfreada que nunca se sacia. Deseja sempre mais.

O equilíbrio no uso dos bens torna-se difícil, porque herdamos o pecado original com todas as inclinações desordenadas.

Há muitas formas de avareza motivada pelo apego aos bens.

Um guia prático do cristão. A liberdade em relação aos bens — aqueles que vivem no mundo têm de os usar — é muto difícil nos dias de hoje. Como pessoas que vivem no mundo, podemos acertar numa lista de critérios.

Levar uma vida digna. Há um nível social que é preciso manter na família: no arranjo pessoal na dignidade da casa, com o mínimo indispensável à vida. Ultrapassar estes limites leva ao luxo e à ostentação.

O esbanjamento. Este modo de proceder é também um modo desordenado de utilizar os bens materiais que O Senhor colocou ao nosso dispor.

Não se privar do necessário, por apego ao dinheiro. Esta atitude é diferente da que toma a pessoa prudente, guardando algumas economias para situações inesperadas.

Não guardar inutilidades. Às vezes guardamos coisas que não usamos há muito tempo, nem planeamos usar. Talvez pudessem servir para ajudar uma pessoa carenciada.

O que devemos pedir. Depois de ter mostrado o inferno aos Pastorinhos e de lhes ter revelado o segredo, Nossa Senhora acrescentou com tristeza: “Vão muitas almas para o inferno, por não haver quem reze e se sacrifique por elas.”

Lembramo-nos de pedir pelas pessoas que andam desorientadas, na vida de pecado, para que consigam libertar-se das cadeias do Inimigo? Ou continuamos com uma insensibilidade cruel perante esta desgraça?

 

b) Evitar vida insensata. «Ele pensou consigo: ‘Que hei-de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer [...] os meus [...] maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’»

Na Parábola contada no Evangelho deste domingo, Jesus alerta-nos contra um perigo, precisamente o mesmo em que se deixou apanhar este homem abastado.

Não pensou em agradecer a Deus a colheita e em repartir a abundância pelos mais necessitados, mas apenas em si mesmo.

A insensatez na vida. Este homem, contente com uma colheita abundante, planeou uma vida cómoda: «Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’»

Vivemos melhor, com mais conforto, melhor alimentação, habitação e transportes, do que há relativamente poucos anos. Mas é indispensável fazer bem as contas, para manter uma vida económica equilibrada, porque até a água se paga. Não podemos fazer como as crianças que gastam todo o dinheiro que têm no primeiro brinquedo que encontram.

Um alerta para o cristão. A tentação perigosa que nos ameaça é a de investir tudo em conforto e no prazer dos sentidos.

Este modo de viver brutaliza-nos e faz-nos perder o gosto pela vida sobrenatural: pela oração, verdades eternas e sacramentos.

É preciso manter o domínio de nós mesmos, negando algumas coisas ao corpo, pela mortificação.

Se não estivermos atentos, começamos por deixar a oração diária da manhã e da noite e o terço; passamos depois a julgarmo-nos autorizados e justificados para abandonar a missa dominical. Sem ouvir a palavra de Deus que nos ensina o caminho do Céu e nos alerta contra os perigos, e sem nos alimentarmos com os sacramentos, somos facilmente vencidos.

O Inimigo nunca nos apresenta um precipício, para nos lançarmos dele abaixo. Com esperteza, apresenta-nos um plano inclinado em que vamos descendo sem nos darmos conta.

Depois, com uma pequena tentação, rendemo-nos aos seus desejos.

 

c) A sabedoria verdadeira. «Mas Deus respondeu-lhe: “Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’ Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus

Jesus classifica de insensata a atitude deste homem retratado na parábola, por causa da sua reação perante a abundância das colheitas.

As palavras de Jesus são uma chamada a que sejamos sensatos nas decisões que tomamos, deixando-nos guiar pela verdadeira sabedoria.

A insensatez é a falta de senso comum, de sabedoria elementar nas coisas que é preciso fazer. Este homem estava desorientado na vida. Não sabia de onde vinha nem para onde caminhava.

Temos de pedir ao Senhor a verdadeira sensatez: saber para que nos dá o Senhor as coisas e orientar o uso delas para essa finalidade.

Tudo nos é dado para glória de Deus e salvação eterna das pessoas. Temos de nos fixar numa orientação.

A flor abre-se para os outros, oferecendo-lhes aroma e cor e, depois, frutos saborosos. Não faria sentido que ficasse sempre fechada sobre si mesma. A vocação do cristão é semelhante à da flor.

Estamos na terra para viver na graça de Deus — a vida e Cristo ressuscitado —e continuada para sempre no Céu.

Jesus Cristo reúne-nos em cada domingo — dia do Senhor — para avivar em nós esta verdade fundamental e nos dar força para perseverarmos nesta caminhada.

Na Aparição e 13 de Maio de 1917, em Fátima, quando Lúcia, em nome dos três, perguntou a Nossa Senhora quem era, Ela respondeu: “Eu sou do Céu!”

Cada um de nós deve esforçar-se para viver de tal modo que possa dizer com verdade isto mesmo.

Não queiramos sonhar com um Céu na terra, sem preocupações, sem limitações de qualquer ordem, como se estivéssemos já no Céu.

 

 

Oração Universal

 

Peçamos, irmãos e irmãs, a Deus, nosso Pai,

 com mediação de Jesus Cristo, no Espírito,

pelas necessidades da Igreja e do mundo.

Oremos (cantando) com alegria:

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

1. Pelo Santo Padre, pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos,

    para que nos ensinem e ajudem a caminhar para o Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

2. Pelos que se entregam à prática das obras de misericórdia,

    para que o Senhor use sempre de misericórdia para com eles,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

3. Pelos pais e mães, preocupados com o futuro dos seus filhos,

    para que os ensinem e ajudem a preparar uma eternidade feliz,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

4. Pelos que herdaram ou ganharam, com trabalho muitos bens,

    para que não pensem só no seu bem-estar, e ajudem os outros,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

5. Por todos nós, a celebrar aqui a santa Missa neste Domingo,

    para que procuremos ter na vida uma verdadeira sensatez,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

6. Pelos parentes e amigos que já partiram para a vida eterna,

    para que o Senhor os acolha hoje na Sua misericórdia do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

Senhor, que pusestes os bens da terra

à disposição de todas as pessoas do mundo,

para com eles alcançarem a vida eterna:

fazei de nós administradores com sensatez,

ensinando-nos a alcançar por eles o Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Encerrada a Mesa da Palavra, Jesus prepara agora a Mesa da Eucaristia, pelo ministério do sacerdote. No momento da consagração, transubstanciará o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, para nosso Alimento.

Agradeçamos esta grande liberalidade do nosso Deus e disponhamo-nos a comungar com as condições que nos exige o Senhor.

 

Cântico do ofertório: Aceitai, Senhor, a nossa alegria, M. Carneiro, NRMS 73-74

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons que Vos oferecemos como sacrifício espiritual, e fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A ambição dos bens materiais, a avareza torna os homens infelizes e faz com que o mundo ande sempre em guerra, e não se entregue à verdadeira paz.

Libertemos o nosso coração de todas as ambições que desagradam ao Senhor, e teremos verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Que bom é o Alimento que o Senhor Jesus dá na Santíssima Eucaristia, verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus.

Comunguemos com fé, devoção e amor, sem esquecermos que o estado de graça recuperado, quando necessário por uma boa confissão sacramental, são condições que Ele mesmo nos ensinou para comungarmos bem.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

Sab 16, 20

Antífona da comunhão: Saciastes o vosso povo com o pão dos Anjos, destes-nos, Senhor, o pão do Céu.

Ou:    Jo 6, 35

Eu sou o pão da vida, diz o Senhor. Quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem crê em Mim nunca mais terá sede.

 

Cântico de acção de graças: Bendiz, minha alma, M. Carneiro, NRMS 105

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos renovais com o pão do Céu, protegei-nos sempre com o vosso auxílio, fortalecei-nos todos os dias da nossa vida e tornai-nos dignos da redenção eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Levamos connosco, para a caminhada desta semana, a recomendação de S. Paulo: Aspirai às coisas do alto.

 

Cântico final: É dura a caminhada, M. Faria, NRMS 6 (II)

 

Homilia FeriaL

 

TEMPO COMUM

 

18ª SEMANA

 

2ª Feira, 5-VIII: Dedicação Basílica Sª Mª Maior.

Num 11, 4-15 / Mt 14, 13-21

Jesus pegou nos cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou a bênção.

Este milagre é uma manifestação da misericórdia do Senhor para com aqueles que o seguiam (EV), é uma figura da superabundância do pão eucarístico. Tenhamos presente a Virgem Maria, que tem um vínculo muito estreito com a Eucaristia.

Hoje celebramos a festa da Dedicação da Basílica de Sª Mª Maior, a igreja mais antiga do Ocidente dedicada a Nossa Senhora, logo a seguir ao Concílio de Éfeso (431). Ela nos ajudará a vencer as dificuldades: 'Não afastes os olhos do resplendor desta estrela (Estrela da Manhã) se não queres ser destruído pela tempestade' (S. Bernardo).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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