aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

FRANÇA

Incêndio na Catedral de Notre Dame de Paris

 

Quinze longas horas. Os bombeiros deram como extinto o incêndio de Notre-Dame, que começou em 15 de abril às 17.50, apenas na manhã desta terça-feira. Horas de aflição, uma corrida contra o tempo para salvar os tesouros guardados na catedral e a estrutura do século XII.

E se boa parte das relíquias foram salvas por uma "formidável corrente humana" de bombeiros e polícias, como lhe chamou a presidente da câmara de Paris, há outras que estarão irremediavelmente perdidas e que nem os 300 milhões de euros já angariados para a reconstrução do monumento conseguirão recuperar.

Pelo meio, há ainda muitas obras de arte que serão analisadas para perceber como foram afetadas pelas chamas, pelo fumo e pela água. "Agora", sublinham os bombeiros, "é a fase dos especialistas"

 

O que se salvou

A Coroa de Espinhos. Qualquer inventário das relíquias de Notre-Dame tem obrigatoriamente de começar pelo seu maior tesouro e um dos maiores de toda a cristandade. A coroa de espinhos, que os católicos acreditam ter sido colocada na cabeça de Jesus antes da crucificação, foi salva das chamas pelos bombeiros, confirmou a presidente da câmara de Paris.

Depois de ter estado em Jerusalém e de ter passado por Constantinopla (atual Istambul), foi levada para Paris em meados do século XIII por Luís IX, o rei francês que mais tarde se tornaria santo. Os seus espinhos originais - embora continue o debate sobre a originalidade da própria coroa - foram distribuídos por relicários de todo o mundo, sendo que em Notre-Dame ficou a coroa, venerada pelos milhões de fiéis que todos os anos visitam a catedral. A relíquia era apresentada ao público na primeira sexta-feira de cada mês e em cada sexta-feira da Quaresma, o período que agora vivemos.

A Túnica de S. Luís. A túnica que terá sido usada em 1238 por Luís IX, o único rei-santo de França, quando levou a coroa de espinhos de Jesus para Paris, também está a salvo. A notícia foi confirmada pelo reitor da catedral e pela presidente da câmara, Anne Hidalgo. Coroado em 1226, Luís IX terá recuperado a coroa de espinhos depois de ter sido usada pelo imperador Balduíno II de Constantinopla como garantia para um empréstimo junto dos venezianos. O rei francês morreu em 1270, durante a oitava cruzada, e foi canonizado em 1297.

O vitral norte. Das três rosáceas que representam as flores do paraíso, construídas no século XIII e restauradas nos séculos seguintes, nomeadamente depois dos tumultos em 1830/31, apenas uma terá escapado ao incêndio desta segunda-feira. O enorme vitral norte, com cerca de 13 metros de diâmetro, contém cenas do Antigo Testamento dispostas em torno da imagem central da virgem e, segundo relatos de jornalistas franceses, "parece ter resistido".

Estátuas dos Apóstolos. Uma operação de restauro, iniciada apenas quatro dias antes do incêndio, salvou 16 estátuas de cobre de Notre-Dame que estavam junto ao pináculo. As obras, que representam os 12 apóstolos e ainda os quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Mateus e João, datam do século XIX e tinham sido levadas para serem restauradas em Périgueux, no sudoeste do país.

As torres. Muito provavelmente os elementos mais fotografados do monumento, as duas torres de estilo gótico que marcam a fachada ocidental da catedral mantêm-se intactas, tal como os seus sinos, garantem as autoridades francesas. "Os dois campanários foram salvos", informou Gabriel Plus, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Paris, ao início da manhã desta terça-feira.

O maior e mais famoso dos dez sinos de Notre-Dame, ao qual Luís XIV colocou o nome de Emannuel no século XVII, está colocado na torre sul e pesa mais de 23 toneladas. Já tinha sobrevivido à Revolução Francesa, período durante o qual outros sinos da catedral foram derretidos, e os especialistas consideram-no um dos exemplares mais importantes da Europa. Ambas as torres medem 68 metros de altura e a primeira a ser concluída foi a norte, em 1240, tendo os trabalhos na torre sul acabado dez anos depois. Têm 387 degraus cada uma.

Os porticos. Tal como as torres, também os três grandes pórticos da fachada ocidental ficaram a salvo. "O Portal da Virgem", à esquerda, retrata a morte de Maria, a sua ascensão e sua coroação como rainha do céu; ao centro, "O Portal do Julgamento", instalado por volta de 1220; e à direita o "Portal de Santa Ana", que data de 1200.

 

O que ficou destruído

O pináculo. É o símbolo da tragédia. Cerca de uma hora depois do início do incêndio, o grande pináculo de Notre-Dame - La Fléche, ou a Flecha, em Português - desmoronou-se. Erguido em 1860, na grande campanha de restauração da catedral sob a direção de Viollet-le-Duc, erguia-se a 48 metros de altura e era feito de madeira de carvalho e coberto de chumbo. O primeiro pináculo foi construído por volta de 1250 e desmantelado de 1786 a 1792.

O órgão. Um dos tesouros da catedral e da música europeia estará "quase totalmente destruído". Quem o diz é o vigário geral da arquidiocese de Paris, Benoiste de Sinety. E a causa da sua destruição não terá sido o fogo, mas sim a água usada pelos bombeiros no combate ao incêndio.

Começou a ser construído em 1403, sofreu várias ampliações até ao céculo XVIII e outras tantas obras de restauro, a mais recente em 2013. Alguns dos seus cerca de oito mil tubos ainda remontavam à Idade Média. Segundo o site da catedral, atravessou a Revolução sem danos, "graças provavelmente à interpretação da música patriótica". Era o maior dos três órgãos da catedral.

A floresta. "Mais de 100 metros de comprimento, 13 de largura, na nave, 40 metros de cruzamentos [entre vigas] e 10 metros de altura" que desapareceram com as chamas. A estrutura em madeira de suporte à cobertura de Notre-Dame constituía um dos mais antigos testemunhos da carpintaria francesa, com os elementos mais remotos a datar de 1147, segundo a informação publicada no 'site' da catedral.

A composição ganhou aliás "o nome romântico de floresta", por causa do grande número de troncos de madeira que tinham de ser usados. "No coro, existia uma primeira armação com madeira de árvores abatidas entre 1160 e 1170", segundo a datação feita, admitindo-se que alguns blocos existentes no edifício "poderiam somar já 300 a 400 anos", na altura da construção, o que estabeleceria a origem mais remota da madeira usada nos "séculos VIII ou IX". "Esta primeira armação [do coro] desapareceu", acrescenta a descrição. "Mas a madeira foi reutilizada numa segunda estrutura construída em 1220", e aí permanecia.

 

Pedaço da cruz de Jesus e prego. Se as autoridades se apressaram a garantir que a coroa de espinhos estava a salvo, ainda não houve informação sobre as outras duas relíquias ligadas com a paixão de Cristo que estavam guardadas na catedral: um pedaço de madeira, com 24 centímetros de comprimento, que supostamente terá pertencido à cruz onde Jesus foi executado, e um dos pregos que o prendeu.

Ambos os tesouros são guardados em estojos de cristal depositados em relicários e crê-se, tendo em conta as palavras do porta-voz dos bombeiros de Paris - "todas as obras de arte pertencentes ao tesouro da catedral foram salvas", declarou esta terça-feira Gabriel Plus - que também tenham sido preservados.

O Altar. As primeiras fotografias tiradas dentro da nave principal dão a entender que as obras de arte e a cruz do altar-mor da catedral ficaram intactas, embora sejam necessárias observações de especialistas para perceber o seu estado de conservação. Do grupo de esculturas destaca-se, ao centro, "A descida da cruz", de Nicolas Costou (1658-1733), ladeada pelas estátuas de Luís XIII e Luís XIV, ajoelhados.

Estátuas. Tal como acontece com as obras no altar-mor, só avaliações mais detalhadas permitirão perceber o estado de conservação de relíquias como a estátua de Nossa Senhora de Paris, que partilha o seu nome com o da própria catedral. A imagem da Virgem com Jesus ao colo data do século XIV e está em Notre-Dame desde 1818. As mesmas dúvidas se colocam em relação às famosas gárgulas da catedral.

 

 

BOLÍVIA

As Missionárias Cruzadas da Igreja apoiam os mais necessitados

 

Rostos de Deus. Há sempre uma panela ao lume na casa das irmãs em Oruro. A congregação fundada pela primeira santa da Bolívia é ponto de encontro e de refúgio para os mais pobres dos pobres da região. A sociedade ignora-os, nem repara nos indigentes que se escondem nas sombras das esquinas das ruas. Mas, para as irmãs, para as Missionárias Cruzadas da Igreja, eles são preciosos. São rostos de Deus.

As malgas vêm ainda a fumegar. Uma irmã, segurando uma colher de alumínio, vai enchendo malgas de plástico. A comida cheira bem. É uma sopa densa, com massa, legumes e frango. As mesas do refeitório são compridas. É a hora de almoço em Oruro. O refeitório de Oruro é exemplo do trabalho das Missionárias Cruzadas da Igreja, uma congregação fundada por Nazaria Ignacia, uma espanhola que a Bolívia adoptou como filha da terra e que, no ano passado, em Outubro, o Papa Francisco canonizou.

Ela dedicou toda a sua vida, todas as suas energias, aos excluídos, aos marginalizados, aos que a sociedade sempre ignorou. A Igreja confirmou o ano passado o que o povo Boliviano já dizia há muito: a santidade de Nazaria.

As Missionárias Cruzadas da Igreja, congregação apoiada pela Fundação AIS, são responsáveis por vários refeitórios sociais. O de Oruro é apenas um deles. As mesas de madeira são compridas. Junto a elas, bancos corridos vão acolhendo, à hora de almoço, homens e mulheres de toda a cidade. Todos têm uma coisa em comum: são pobres. São extremamente pobres.

A cidade de Oruro já nem repara neles. Habituou-se às pessoas agachadas nos cantos das ruas, às vezes de mãos estendidas ou simplesmente com os olhos postos no chão. São como sombras. A Irmã Nelly Soria, responsável pelo refeitório, conhece-os quase todos. Sabe mesmo o nome deles, às vezes até as suas histórias. Todos os pobres que almoçam no refeitório de Oruro vêm das periferias de que fala o Papa Francisco. Estão ali, mas são como fantasmas. Só as irmãs reparam neles. A Irmã Nelly recebe-os com carinho.

Em nome do Pai. O compromisso pelos pobres é o compromisso de defender a imagem de Deus nos irmãos”, diz-nos a Irmã Nelly. Quando fundou os refeitórios, a Madre Nazaria decidiu que estariam sempre de porta aberta a todos os necessitados. E sempre foi assim. “Pode entrar qualquer pessoa”, explica a Irmã Nelly. “Quando entram, rezamos juntos e depois fazemos todos os possíveis para que saiam contentes e satisfeitos.”

As malgas já foram servidas, assim como o pão e as canecas de leite. Mas ninguém começa a comer até que se inicie a oração. “Vamos dar graças ao Senhor porque morreu por nós para nos livrar do pecado. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen. Pai Nosso…” A presença das irmãs é sinal da opção da Igreja pelos mais pobres.

D. Cristóbal Bialasi, Bispo de Oruro, reconhece que tem havido um esforço de melhoria da vida da sociedade em geral. “Há melhores estradas e escolas”, diz. “Há muitas construções novas, mas ainda há muita pobreza.” Para D. Cristóbal, “o indicador desta realidade são os refeitórios populares”. O Bispo reconhece que, apesar dos sinais de modernidade, “cada vez mais pessoas vêm para pedir o pão de cada dia”. É um contraste brutal.

A Igreja acolhe os indigentes, os mais pobres, os desempregados, os que se escondem nas esquinas e se confundem com as sombras. Os refeitórios populares são uma das facetas do trabalho destas mulheres consagradas a Deus em terras da Bolívia. Um trabalho que é possível também graças à generosidade dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre. “Agradecemos profundamente à Fundação AIS que está a apoiar-nos precisamente nestas obras para atender e diminuir o número de pobres, para estar junto deles”, afirma o Bispo de Oruro.

 

FRANÇA

Gesto heróico do Padre Fournier no incêndio da Catedral de Notre Dame

 

Missão especial. Um terrível incêndio quase destruiu a Catedral de Notre Dame, em Paris. No meio desta tragédia, sobressaiu o gesto heróico de um sacerdote que arriscou a vida para salvar dois tesouros que estavam à guarda da Catedral: o Santíssimo Sacramento e a coroa que terá – acreditam os fiéis – partículas da Coroa de Espinhos usada por Jesus Cristo há dois mil anos, assim como o Santíssimo Sacramento

No dia 15 de Abril o mundo sobressaltou-se com as imagens do edifício medieval tomado pelas chamas. Aos poucos, percebeu-se que algo de irremediável estava mesmo a acontecer. A verdade é que chegou mesmo a temer-se o pior.

As autoridades explicaram que se terá tratado de um acidente com origem num curto-circuito que está ainda sob investigação. No entanto, têm sido tantos os casos, tantos os incidentes em Igrejas em França nos últimos tempos que muitos olharam com alguma prudência para a explicação das autoridades sobre o que aconteceu.

Duas semanas mais tarde, quando o mundo chorava as vítimas inocentes dos atentados terroristas em Igrejas no Sri Lanka no Domingo de Páscoa, D. Manuel Clemente lembrou na Sé de Lisboa – cujas obras tiveram início 16 anos antes do arranque da construção da Catedral de Notre Dame – que o Cristianismo é a religião mais perseguida no mundo. Uma realidade que não pode ser ignorada.

Se em Portugal a Páscoa foi celebrada livremente, em muitos outros lugares do mundo, “outros cristãos” viveram este tempo “escondidos ou entre escombros, maltratados e mal curados de feridas e desastres graves”. E o Cardeal Patriarca de Lisboa lembrou que não é preciso procurar em lugares longínquos no mapa, como o Sri Lanka, para se descobrir onde os Cristãos são vítimas de ataques. Aqui, no Velho Continente, isso é já algo comum. “Mesmo na nossa Europa, se sucedem profanações de igrejas – centenas em França no ano passado…”, alertou o Patriarca. Algumas dessas profanações, também incêndios, ocorreram nos últimos meses.

Padre Jean-Marc Fournier. Ninguém sabe o que pensava este sacerdote quando decidiu entrar no edifício da Catedral já tomada pelas chamas. A verdade é que Notre Dame estava a arder e o Padre Fournier resolveu assumir uma missão especial: resgatar o Santíssimo Sacramento e a principal relíquia que estava à guarda desta Catedral: uma Coroa de valor incalculável que terá – acreditam os fiéis – partículas da Coroa de Espinhos usada por Jesus Cristo há dois mil anos.

Caça ao código. Ele próprio explicou aos jornalistas o que se passou. Quando entrou na Catedral, já tomada pelas chamas e com o ambiente cheio de fumo, a primeira dificuldade foi encontrar a pessoa que possuía o código que permitia abrir a caixa-forte na qual estava guardada a relíquia venerada pelos fiéis. Foi uma verdadeira caça ao código.

O gesto do Padre Fournier é aplaudido por todos. Não teve medo, provavelmente nem pensou bem no perigo que estava a correr. De facto, na Catedral de Notre Dame, naquela segunda-feira, 15 de Abril, havia algo de único que não podia ser substituído, que não podia ser restaurado. Os vitrais, o tecto da catedral e até o pináculo, derrubados pelas chamas, vão ser reconstruídos. É só uma questão de tempo.

Mas o Santíssimo Sacramento e aquela coroa com as partículas da Coroa de Espinhos usada, segundo a tradição, por Jesus Cristo há dois mil anos não podiam ser copiados, não podiam ser clonados, não podiam ser substituídos por nenhuma outra peça. O incêndio devorou uma parte da Catedral mas, graças a este sacerdote, que realizou uma missão especial digna de um verdadeiro filme de aventuras, não tocou no mais importante. Não tocou naquilo que é eterno.

 

GRÉCIA

Esmoler da Santa Sé leva «proximidade e solicitude» do Papa aos migrantes e refugiados acolhidos na Ilha de Lesbos

 

O esmoler pontifício, cardeal Konrad Krajewski, esteve em 8 de maio na ilha grega de Lesbos para levar a “solicitude e a proximidade” do Papa Francisco aos migrantes e refugiados que ali estão a ser acolhidos.

De acordo com o portal Vatican News, a iniciativa teve como mote “reabrir o coração à esperança” e pretende renovar a mensagem que o Papa deixou àquelas pessoas e famílias mais carenciadas, em 2016, quando visitou Lesbos: “Vocês não estão sozinhos”.

O representante da Santa Sé seguiu para a ilha grega acompanhado pelo presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), D. Jean-Claude Hollerich, arcebispo de Luxemburgo.

Esta deslocação à Ilha de Lesbos, por parte dos representantes do Vaticano e da COMECE, foi também uma forma de levar aos migrantes e refugiados “a solidariedade de toda a Igreja do Velho Continente”.

A visita contou com a organização da Comunidade de Santo Egídio e da Seção de Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé), e prolongou-se até ao dia 10 de maio.

O programa da viagem previa visitas aos campos de refugiados de Lesbos, com destaque para o maior ponto de acolhimento, o campo de Moria, e a centros de identificação e registo de migrantes.

Atualmente a sobrelotação dos campos, devido à morosidade dos processos de recolocação das pessoas, é um dos principais desafios – o campo de Moria conta atualmente com cerca de cinco mil refugiados e migrantes, número que representa o dobro da sua capacidade de acolhimento.

A comitiva liderada pelo esmoler pontifício, teve ainda ocasião para se inteirar da realidade local da Ilha de Lesbos e contactar com as associações empenhadas no apoio e na assistência aos migrantes e refugiados na região.

Em abril de 2016, quando visitou Lesbos, o Papa Francisco classificou a crise de refugiados e migrantes como “a maior catástrofe humanitária depois da Segunda Guerra Mundial” e alertou para a necessidade de mais medidas que facilitem a rápida recolocação destas pessoas.

 

BRASIL

Papa deixa alertas sobre atividade mineira na Amazónia e pede respeito pelos indígenas

 

O Papa deixou alertas sobre a atividade mineira e pediu respeito pelos indígenas, em particular na Amazónia, durante uma audiência que decorreu no Vaticano, sobre este tema, em inicios de maio.

“À luz do iminente Sínodo sobre a Amazónia [outubro de 2019], gostaria de destacar que é indispensável prestar uma atenção especial às comunidades aborígenes com suas tradições culturais”, afirmou Francisco, perante os participantes do encontro sobre ‘A indústria mineira para o bem comum’.

A intervenção sublinhou que as tradições religiosas “sempre apresentaram a sobriedade como uma componente-chave de um estilo de vida ético e responsável”.

“A sobriedade é vital para salvar a nossa casa comum”, insistiu o pontífice.

O encontro foi organizado pelo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé), que convidou para Roma representantes de Igrejas e comunidades religiosas de todo o mundo, bem como responsáveis por empresas de mineração e representantes das comunidades em que essas mesmas empresas atuam.

O Papa recordou as “precárias condições” do planeta, que sofre com as consequências de um modelo económico “voraz, orientado para o lucro, com um horizonte limitado e baseado na ilusão do crescimento económico ilimitado”, com um “desastroso impacto sobre o mundo natural e sobre a vida das pessoas”.

O Santo Padre defendeu que a atividade mineira deve estar a serviço das pessoas, assegurando a sua proteção e bem-estar.

“Somente a responsabilidade social da empresa não é suficiente. Devemos garantir que as atividades mineiras conduzem ao desenvolvimento humano integral de cada pessoa e de toda a comunidade”, apontou.

 

MACEDÓNIA DO NORTE

Madre Teresa foi «voz» e «mãe» dos pobres, diz Francisco, na terra natal da religiosa

 

O Papa visitou em 7 de maio o Memorial da Madre Teresa de Calcutá, na sua cidade natal de Skopje, evocando a santa católica do século XX como “voz” e “mãe” dos pobres.

Numa oração pronunciada perante representantes de várias religiões presentes na Macedónia do Norte e religiosas das Missionárias da Caridade, Francisco declarou que Santa Teresa de Calcutá se “tornou a voz suplicante dos pobres e de todos aqueles que têm fome e sede de justiça”.

Acompanhado pelas irmãs da congregação fundada por Madre Teresa, o Sumo Pontífice começou por depositar flores aos pés da estátua da santa, rezando na capela do memorial, diante de relíquias da religiosa e alguns objetos pessoais.

A visita foi acompanhada, também, por dois primos de Santa Teresa de Calcutá, num espaço construído no local da antiga igreja do Sagrado Coração de Jesus, em que ela foi batizada.

“Intercedei junto de Jesus para que também nós obtenhamos a graça de estar vigilantes e atentos ao grito dos pobres, daqueles que estão privados dos seus direitos, dos doentes, dos marginalizados, dos últimos”, rezou Francisco.

O Papa disse que a Igreja tem o dever de dar um “testemunho credível”, realizando “obras de justiça, amor, misericórdia, paz e serviço”.

Após a oração, o pontífice cumprimentou os líderes religiosos e os primos de Madre Teresa, seguindo para o pátio onde se reuniram cerca de 100 pessoas pobres, assistidas pelas Missionárias da Caridade.

Francisco abençoou a primeira pedra do Santuário de Madre Teresa (1910-1997), prémio Nobel da Paz em 1979, que foi canonizada pelo atual Papa a 4 de setembro de 2016.

 

FILIPINAS

Arcebispo de Manila encontrou-se com comunidade filipina em Lisboa

 

O cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, nas Filipinas, e responsável pela Cáritas Internationalis, encontrou-se em 10 de maio com a comunidade fiipina radicada em Portugal, na igreja de São Tomás de Aquino, em Lisboa.

A iniciativa incluiu uma conferência de D. Luis Antonio Tagle seguida de Missa, em inglês, uma celebração dedicada de modo especial a todos os migrantes filipinos presentes no nosso país.

O arcebispo de Manila, de 61 anos, presidiu às cerimónias deste ano dos dias 12 e 13 de maio, em Fátima.

A peregrinação internacional de maio foi marcada pela atenção ao continente asiático, região onde o número de peregrinos que acorrem à Cova da Iria tem aumentado substancialmente nos últimos anos.

Há um ano, o cardeal John Tong, bispo emérito de Hong Kong, foi o primeiro responsável católico chinês a presidir a uma peregrinação internacional aniversária em Fátima.

Para outubro de 2019, está prevista a vinda a Fátima do bispo de Hiroxima, no Japão, D. Alexis Mitsuru Shirahama.

Só “nos primeiros quatro meses deste ano”, refere uma nota do Santuário de Fátima, já estiveram presentes na Cova da Iria “60 grupos de peregrinos asiáticos, nove dos quais oriundos das Filipinas”.

No total de 1934 peregrinos que solicitaram o apoio do Departamento de Acolhimento do Santuário de Fátima, entre janeiro e abril de 2019, prevalecem os fiéis provenientes da Coreia do Sul, com um total de 730 pessoas distribuídas por 30 grupos.

Outro país em destaque neste ranking é o Sri Lanka, de onde chegaram durante este período 428 peregrinos, integrados em 8 grupos.

Sobre a presença de D. Luis Antonio Tagle em Fátima, o santuário mariano recorda que as Filipinas são o único país do continente asiático onde os católicos estão presentes em número maioritário, representando cerca de 90 por cento da população.

Aquele país celebra em 2021 os 500 anos da chegada dos primeiros evangelizadores cristãos.

D. Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, nas Filipinas, desempenha desde 2011 o cargo de presidente da Cáritas Internacional; foi criado cardeal pelo Papa Bento XVI, em novembro de 2012.

 

SRI LANKA

Papa condena atentados e «violência cruel» em dia de Páscoa

 

O Papa condenou a série de ataques à bomba contra três igrejas e vários hotéis, no Sri Lanka, que provocaram mais de 200 mortos e 400 feridos, incluindo uma vítima mortal de nacionalidade portuguesa.

“Recebi com tristeza e dor a notícia dos graves atentados que, precisamente hoje, dia de Páscoa, levaram dor e luto a igrejas e locais de encontro no Sri Lanka. Desejo manifestar a minha afetuosa proximidade às comunidades cristãs, atingidas enquanto estavam recolhidas em oração, e a todas as vítimas desta violência tão cruel”, declarou, desde a varanda central da Basílica de São Pedro, após proclamar a sua mensagem pascal.

“Confio ao Senhor os que despareceram tragicamente, rezando pelos feridos e por todos os que sofrem por causa deste acontecimento dramático”, acrescentou.

As explosões ocorreram “quase em simultâneo”, pelas 08h45 horas (03h15 em Lisboa), no Domingo de Páscoa, em que as comunidades católicas celebram a festa mais importante do seu calendário; outros ataques seguiram-se, horas mais tarde.

Os ataques contra minorias religiosas têm-se multiplicado no Sri Lanka, onde os cristãos representam cerca de 7% da população.

 

BULGÁRIA

Papa celebra primeira Missa com minoria católica

 

O Papa Francisco presidiu em 5 de maio à primeira Missa da sua visita à Bulgária, junto da minoria católica no país (menos de 1% da população), convidando os fiéis a confiar nas “surpresas” de Deus.

“É o Senhor das surpresas que convida não só a surpreender-se, mas também a realizar coisas surpreendentes”, declarou, na homilia da celebração a que presidiu na Praça Knyaz Alexandre I.

Francisco passou em papamóvel aberto, junto de milhares de pessoas que o esperavam na capital búlgara, onde chegou nessa manhã.

A homilia centrou-se em três ideias centrais, apresentadas pelo Papa: “Deus chama, Deus surpreende, Deus ama”.

O pontífice advertiu que, perante as experiências de “fracasso, de amargura e até do facto de as coisas não resultarem como se esperava”, aparecer sempre uma “subtil e perigosa tentação que convida ao desânimo, a desistir”.

Em contraponto, precisou, deve existir “uma Igreja jovem, uma pessoa jovem”.

A força do Espírito, convida-nos a testemunhar o amor de Cristo, um amor que impele e nos leva a estar prontos para lutar pelo bem comum, a ser servidores dos pobres, protagonistas da revolução da caridade e do serviço, capazes de resistir às patologias do individualismo consumista e superficial”.

Face a esta tentação, Francisco recordou os testemunhos de fé na história da Bulgária, que “criaram magníficas obras-primas, inspiradas por uma fé simples e um amor grande”.

“Não tenhais medo de ser os santos de que esta terra precisa; uma santidade, que não vos tirará forças, nem vida nem alegria”, apelou.

Esta é a nossa força, que somos convidados a renovar todos os dias: o Senhor ama-nos. Ser cristão é uma chamada a ter confiança que o Amor de Deus é maior do que qualquer limite ou pecado”.

Após a Missa, com cerca de 12 mil participantes, segundo dados do Vaticano, o Papa regressa à Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé) onde fica hospedado até à manhã de terça-feira, dia em que se desloca à Macedónia do Norte.

Num outro momento, o Papa Francisco convidou ainda à superação das divisões “dolorosas” entre católicos e ortodoxos, desejando que todas as Igrejas cristãs possam encontrar a “alegria do perdão”.

O pontífice falava na capital da Bulgária, num encontro com os membros do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa local.

Perante o patriarca Neófito, metropolita de Sófia e líder dos ortodoxos búlgaros, o Papa sublinhou que as “feridas” que se abriram nas relações entre cristãos, ao longo da história, permanecem abertas, em muitas comunidades.

Se metermos juntos a mão nestas feridas, confessarmos que Jesus ressuscitou e O proclamarmos nosso Senhor e nosso Deus, se, no reconhecimento das nossas faltas, nos deixarmos imergir nas suas feridas de amor, talvez possamos reencontrar a alegria do perdão e antegozar o dia em que poderemos, com a ajuda de Deus, celebrar o mistério pascal no mesmo altar”.

A intervenção evocou a perseguição contra cristãos, em várias partes do mundo, falando num “ecumenismo de sangue”, que não distingue as pertenças a Igrejas diferentes.

 “Quantos cristãos, neste país, sofreram tribulações pelo nome de Jesus, especialmente durante a perseguição do século passado! O ecumenismo do sangue! Eles espargiram um suave perfume na ‘Terra das Rosas’. Passaram através dos espinhos da provação para difundir a fragrância do Evangelho”, realçou, recordando o regime comunista do século XX.

Francisco falou na necessidade de ir ao encontro dos pobres e marginalizados, antes de sublinhar o “ecumenismo da Missão”, recordando os santos Cirilo e Metódio (séc. IX), que evangelizaram a Bulgária, padroeiros da Europa.

“Os santos irmãos, vindos da tradição grega e apóstolos dos povos eslavos, revelam como a Bulgária é um país-ponte”, concluiu.

O Papa Francisco apelou ainda em Sófia ao diálogo entre Igrejas cristãs e entre religiões, como caminho de paz, sublinhando o exemplo histórico da Bulgária.

“Apesar de ser um país ortodoxo, a Bulgária revela-se uma encruzilhada onde se encontram e dialogam várias expressões religiosas”, referiu, antes da recitação da oração do Regina Coeli, na capital do país que visita pela primeira vez.

O programa da viagem, iniciada na manhã de 5 de maio, incluiu um encontro inter-religiosa pela paz, na segunda-feira.

“A estimada presença no encontro dos representantes destas diversas comunidades religiosas indica o desejo que todos têm de percorrer o caminho, cada dia mais necessário, de adotar a cultura do diálogo como caminho, a colaboração comum como conduta, o conhecimento mútuo como método e critério”, explicou Francisco.

O Papa rezou para que a Bulgária seja sempre “terra de encontro”, independentemente das diferenças culturais, religiosas ou étnicas.

A oração na Praça de Santo Alexandre Nevskij começou com uma mensagem sobre a “fé em Cristo ressuscitado”, anunciada “através da generosa missão de tantos crentes, que são chamados a dar tudo pelo anúncio evangélico, sem guardar nada para si mesmos”.

“Na história da Igreja, também aqui na Bulgária, houve Pastores que se distinguiram pela santidade de vida. Entre eles, apraz-me recordar o meu antecessor – por vós designado ‘o Santo búlgaro’ – São João XXIII, um santo pastor, cuja memória permanece particularmente viva nesta terra, onde ele viveu de 1925 a 1934”, recordou o atual Papa.

Segundo Francisco, a experiência diplomática e pastoral de João XXII na Bulgária deixou “uma marca tão forte no seu coração de pastor que o levou a promover na Igreja a perspetiva do diálogo ecuménico”, que recebeu um notável impulso no Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado precisamente por este pontífice.

“A esta terra, de certo modo, devemos agradecer a intuição sábia e inspiradora do ‘Papa bom’”, acrescentou.

A oração mariana do Regina Caeli aconteceu diante do ícone de Nossa Senhora de Nesebar (Porta do Céu), particularmente venerada por São João XXIII.

Antes deste primeiro encontro com a comunidade católica, o Santo Padre esteve na igreja patriarcal de Santo Alexandre Nevskij, rezando em silêncio junto do trono dos Santos Cirilo e Metódio (séc. IX), “evangelizadores dos povos eslavos”.

Movido pelo desejo de manifestar estima e afeto a esta venerada Igreja Ortodoxa da Bulgária, tive a alegria de saudar e abraçar, anteriormente, o meu irmão patriarca, sua santidade Neófito, bem como os Metropolitas do Santo Sínodo”.

O Papa disse também em Sófia que a Bulgária representa uma “ponte” entre Leste e Ocidente, pelos seus laços à União Europeia, Rússia e Turquia, elogiando a tradição de diálogo que existe no país.

“O vosso país sempre se distinguiu como uma ponte entre Oriente e Ocidente, capaz de favorecer o encontro entre diferentes culturas, etnias, civilizações e religiões, que há séculos têm convivido aqui em paz. O desenvolvimento, mesmo económico e civil, da Bulgária passa necessariamente pelo reconhecimento e valorização desta sua caraterística específica”, sublinhou Francisco, no discurso que pronunciou no Palácio Presidencial de Sófia, após a cerimónia de boas-vindas, perante o presidente, primeiro-ministro, membros do corpo diplomático, autoridades e representantes das várias confissões religiosas.

O Papa realçou o impacto da emigração e do “inverno demográfico” nesta nação, “uma cortina de gelo” que afeta também grande parte da Europa.

Por outro lado, acrescentou, o país acolhe milhares de pessoas que procuram “escapar de guerras e conflitos ou da miséria”.

A vós, que conheceis o drama da emigração, seja-me permitido sugerir que não fecheis os olhos, o coração e a mão – como é tradição vossa – a quem bate à vossa porta”.

Francisco falou depois aos vários responsáveis religiosos, pedindo que cada comunidade “ajude ao crescimento duma cultura e dum ambiente permeados de pleno respeito pela pessoa humana e a sua dignidade”.

“Assim serão desbaratados aqueles que procuram por todos os meios manipular a religião e instrumentalizá-la”, sustentou.

O Papa evocou a memória de Angelo Giuseppe Roncalli, São João XXIII que foi delegado apostólico da Santa Sé, em Sófia, nos anos 30 do século XX, um Papa que “deu grande impulso e incisividade ao desenvolvimento das relações ecuménicas”.

Outras figuras recordadas pelo pontífice foram os Santos Cirilo e Metódio (séc. IX), padroeiros da Europa, que “evangelizaram os povos eslavos e estiveram na origem do desenvolvimento da sua língua e cultura”.

“Continuam a ser, passado mais de um milénio, inspiradores dum diálogo fecundo, de harmonia, de encontro fraterno entre as Igrejas, os Estados e os povos”, acrescentou.

Como fez João Paulo II, na sua visita de maio de 2002, Francisco deslocou-se à catedral patriarcal de São Alexander Nevsky para uma oração de forma privada, diante do trono dos Santos Cirilo e Metódio.

A Bulgária é a primeira de uma série de etapas que levaram o Papa à Macedónia do Norte (7 de maio) e à Roménia (31 de maio-2 de junho), ao encontro de responsáveis ortodoxos.

 

CAZAQUISTÃO

Irmã Rita, coração de mãe

 

Descobriu a fé sozinha, numa família onde a religião não tinha lugar. Descobriu, numa congregação devota de Nossa Senhora, que a sua vocação seria trabalhar com crianças oriundas de famílias disfuncionais. Crianças sem infância, sem alegria, sem futuro. Rita descobriu que, como irmã, podia ajudar a fazer milagres todos os dias. A Irmã Rita descobriu que tem um coração de mãe. E 18 filhos para cuidar…

Nasceu numa casa onde não havia lugar para Deus, no Cazaquistão, um país que, ainda hoje, tem marcas fortes da miséria dos tempos da União Soviética.  Descobriu Deus sozinha. Foi uma aventura enorme. Tinha apenas 10 anos. Decidiu que queria ser religiosa. Aos 14, resolveu preparar-se para o baptismo.

A semente de Deus continuava a crescer e, mais tarde, Rita Kurochkina tomou uma decisão ainda mais radical: para dedicar toda a sua vida a Deus teria de entrar num convento. Era tudo ou nada.

A mãe de Rita não aceitou a ideia de bom grado. Foram 12 longos meses de espera, de oração. De paciência. “A minha mãe mudou de opinião quando percebeu que eu teria uma vida normal. Ela viu como eu estava infeliz por não poder entrar na congregação e agora vê como estou feliz”, explicou.

Rita trabalha e vive na casa de Santa Clara, em Kapshagay, no Cazaquistão. É uma casa que acolhe crianças oriundas de famílias disfuncionais. É um orfanato que pertence à congregação das Irmãs da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Na casa de Santa Clara há três religiosas. A Irmã Rita, a Irmã Viera e a Irmã Samuela. Três irmãs que são, na verdade, três mães de 18 crianças muito especiais. Oriundas de famílias disfuncionais muitas destas crianças e jovens sofreram violência, fugiram de casa e acabaram mesmo por tornar-se sem-abrigo. “O comunismo trouxe uma grande miséria a este país”, explica a Irmã Rita. “Muita gente deixou de acreditar em Deus.” O colapso da União Soviética veio agravar as coisas ainda mais. A pobreza é muito significativa neste país que demora a assumir, na plenitude, a vida democrática.

 “Nós cuidamos de muitas crianças que passaram por muitos acontecimentos traumáticos”, explica a irmã Rita. “São três mulheres, três religiosas que dedicam todas as horas do dia a procurar resgatar estas crianças e jovens ao infortúnio. “Estamos sempre com as nossas crianças, 24 horas do dia, sete dias por semana.”

Elas fazem tudo por estas crianças. Cozinham, lavam a roupa, levam-nas à escola ou ao jardim-de-infância, ajudam-nas com os trabalhos de casa, brincam. São mães de coração. São mães de verdade.

Estas 18 crianças vão esquecendo aos poucos os traumas do passado e vão aprendendo a sorrir, a brincar, a crescer. Tudo ali acontece com normalidade. Até os momentos de oração. Todos juntos são uma família, tornam-se mais fortes, mais unidos. “A minha maior alegria será vê-las crescer e tornarem-se pessoas boas”, diz-nos a Irmã Rita. Pessoas boas e amáveis. Pessoas saudáveis. Bons cristãos. Ela sabe que a sua congregação e as suas crianças são apoiadas directamente pela Fundação AIS, através da generosidade dos seus benfeitores e amigos. Muitos deles, em Portugal. “Muito obrigada por nos ajudarem, apoiando-nos sempre, e por podermos confiar sempre em vós. Muito obrigada!”

Texto de Paulo Aido adaptado.

 

MÉXICO

Papa enviou 500 mil dólares para ajuda a migrantes bloqueados na fronteira mexicana

 

O Papa enviou uma ajuda de 500 mil dólares aos migrantes da América Central que se encontram bloqueados na fronteira entre o México e os Estados Unidos da América, anunciou o Vaticano.

Esta oferta, segundo comunicado do Óbolo de São Pedro – instituição que recolhe donativos para as iniciativas de solidariedade do Papa – vai ser distribuída por 27 projetos das 16 dioceses e Congregações religiosas mexicanas que pediram ajuda para oferecer alojamento, alimentação e artigos de primeira necessidade.

A nota oficial refere que, nos últimos meses, “milhares de migrantes chegaram ao México, percorrendo mais de 4 mil quilómetros a pé ou em veículos improvisados, provenientes das Honduras, El Salvador e Guatemala”.

“Homens e mulheres, com filhos pequenos, fogem da pobreza e da violência nos seus países, na esperança de uma vida melhor nos Estados Unidos. Mas a fronteira norte-americana continua fechada”, lamenta o Vaticano.

Milhares de migrantes são acolhidos pela Igreja Católica, abrigados em hotéis ou em sedes de dioceses e de congregações religiosas.

 

ÍNDIA

Duas escolas cristãs foram atacadas por radicais hindus na Índia

 

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) informou que duas escolas cristãs na Índia foram atacadas por radicais hindus, em “apenas três dias”, e o presidente do Conselho Global de Cristãos Indianos afirma que a situação “é alarmante”.

Numa informação enviada hoje à Agência Ecclesia, pelo secretariado da AIS-Portugal, Sajan K George refere que a “minoria cristã é vulnerável e sofre a intimidação” da maioria hindu, apesar de a liberdade religiosa ser “garantida pela Constituição” e a Índia um país secular.

A Escola Secundária Superior de São José, em Sugnu, no distrito de Chandel, foi atacada e incendiada por radicais hindus, durante a noite de 25 de abril.

“Um bárbaro ato de vandalismo”, disse o diretor da Organização da Juventude Católica de Manipur, o padre Jacob Chapao, divulgou a agência Asia News.

A escola católica, a segunda mais antiga no estado de Manipur, funciona há mais de 50 anos e tem formado “centenas de elementos” da população tribal”.

A AIS dá conta ainda que dois dias antes, a 23 de abril, foi atacada a “Escola Primária Cristo”, devido a falsas acusações de conversão ao cristianismo contra 14 professores, no distrito de Palghar (Maharashtra), por grupos radicais paramilitares ligados ao Antarrashtriya Hindu Parishad, organização nacionalista Hindu.

No seu mais recente Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo, publicado o ano passado, a fundação pontifícia informa que os cristãos na Índia são 4.7% da população e os números do Governo indiano, apresentados no Parlamento a 6 de fevereiro de 2018, destacam a “atual tendência para o aumento da violência inter-religiosa”.

 

CHINA

Vaticano leva livros raros a Exposição Internacional de Horticultura

 

A Santa Sé apresentou, no dia 16 de abril, em conferência de imprensa o seu pavilhão na Exposição Internacional de Horticultura, que decorre entre abril e outubro próximo de Pequim, sob o tema ‘Viva verde. Viva melhor’.

O espaço do Vaticano, com 200 metros quadrados, vai ter em exposição um herbário e um livro dedicado às propriedades medicinais de ervas e plantas, pertencentes à Biblioteca Apostólica.

A Santa Sé escolheu como tema da sua participação ‘Casa dos corações’, partindo das mensagens do Papa Francisco na encíclica “Laudato si”, dedicado à ecologia e ao desenvolvimento integral.

O pavilhão conta também com a reprodução da pintura “Adão e Eva no paraíso terrestre”, de Peter Wenzel (1745-1829), conservada nos Museus do Vaticano.

Entre as personalidades e instituições que contribuíram para o pavilhão estão o responsável pela Biblioteca Apostólica, D. José Tolentino Mendonça, a par da Fundação Ilídio Pinho, com sede no Porto, informa o Secretariado Nacional para a Pastoral da Cultura.

 

CROÁCIA

Direitos Humanos: Ainda falta “muito” trabalho a fazer com os ciganos – Cardeal Peter Turkson

 

O cardeal Peter Turkson afirmou no encontro anual do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIT), em Trogir, que, «apesar dos esforços» na inserção das populações ciganas na sociedade, “ainda falta muito que fazer”.

O Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (Organismo da Santa Sé) referiu que tem existido esforços conjuntos entre as diferentes instituições eclesiais e sociais na inserção das populações ciganas na sociedade para “garantir a sua plena participação nos direitos e nos deveres”, mas “ainda falta muito que fazer”.

Dirigindo-se a mais de 100 responsáveis e agentes pastorais que trabalham com as comunidades ciganas, em cerca de 20 países da Europa, no encontro que decorreu em Trogir, Croácia, de 05 a 07 deste mês, o cardeal Peter Turkson agradeceu também o trabalho realizado ao serviço da população cigana.

O cardeal referiu-se ainda aos “sofrimentos, a pobreza, a discriminação, os abusos de que os ciganos continuam a ser vítimas em vários países e citou as palavras do Papa Francisco ao pedir “um compromisso comum para enfrentar este desafio”, lê-se numa nota enviada à Agência Ecclesia.

Aos presentes, o Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral exortou a que quem trabalha nas pastorais dos ciganos se comprometa a sensibilizar “as comunidades paroquiais para que estas respondam ao convite do Papa Francisco a acolher, proteger, promover e integrar os ciganos”.

O encontro do CCIT de 2019, subordinado ao tema «A missão em retorno: fonte de mudança», teve também como orador Tomas Halik que, partindo do princípio que a Igreja deveria ser “uma comunidade de peregrinos”, então o encontro deve ser recíproco “e não encontro de proprietários com os famintos”.

O encontro do Comité Católico Internacional para os Ciganos de 2020 será em Itália e “está prometida a presença do Papa Francisco”, lê-se.

 

HUNGRIA

Portugal participa na reunião preparatória do Congresso Eucarístico Internacional

 

O Secretariado Nacional da Liturgia (SNL) informou que o cónego Luís Manuel Pereira da Silva participou na reunião plenária de preparação do Congresso Eucarístico Internacional 2020, em Budapeste, na Hungria.

O cónego Luís Manuel Pereira da Silva, especialista em Liturgia, participou na reunião plenária como representante do delegado nacional da Conferência Episcopal Portuguesa para os Congressos Eucarísticos Internacionais, D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda.

‘Todas as minhas fontes estão em ti» (Sl 87,7). A Eucaristia, fonte da vida e da missão da Igreja’ é o tema do próximo Congresso Eucarístico Internacional e a 52.ª edição vai realizar-se de 13 a 20 de setembro de 2020, em Budapeste.

O Secretariado Nacional de Liturgia publicou em português um subsídio com reflexões teológicas e pastorais de preparação o Congresso Eucarístico Internacional, da responsabilidade do Comité Pontifício para os Congressos Eucarísticos (Santa Sé).

 

 


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