aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

VATICANO

Número de católicos aumentou 9,8%, entre 2010 e 2017

 

O jornal do Vaticano apresentou em 16 de abril um conjunto de dados estatísticos sobre a Igreja, entre 2010 e 2017, revelando um aumento de 9,8% no número de católicos no mundo e uma quebra de 10% no total das religiosas.

A população católica passou de 1196 milhões no ano de 2010 para 1313 milhões no final de 2017.

A África, onde vivem 17,8% dos católicos de todo o mundo, é o continente com maior crescimento de batizados; a Europa regista um ligeiro aumento (0,3%) e acolhe hoje cerca de 22% da população católica mundial; a América recebe quase metade dos católicos nos cinco continentes, com destaque para a América do Sul e, em termos de nações, para o Brasil.

O número de sacerdotes católicos no mundo era de 414 582 no final de 2017, um ligeiro aumento face a 2010 (412 236 padres); o crescimento deve-se sobretudo ao maior número de padres diocesanos (281 810 em 2017, face a 277 000 em 2010), que compensam a quebra relativa aos sacerdotes de institutos religiosos (de 135 227 em 2010 para 132 772 no fim de 2017).

Os dados do Vaticano registam uma “crise” no que diz respeito às religiosas professas, hoje menos 10,1% do que em 2010, com quebras mais acentuadas em três continentes: 16,3% na América; 19,1% na Europa; e 19,4% na Oceânia.

O jornal da Santa Sé destaca que a percentagem de religiosas na África e na Ásia, face ao total mundial, passa de 32,1% para 38,1% por cento; em sentido contrário, o peso global da Europa e América passou de 66,7% para 60,8%.

O número de candidatos ao sacerdócio registou uma quebra de 3,1% entre 2010 e 2017, quando eram 115 328; “na Europa e na América, a diminuição parece muito evidente”, sublinha o artigo do ‘Osservatore Romano’.

O periódico do Vaticano destaca a “vitalidade da África e da Ásia, os únicos dois continentes em que todas as categorias de agentes pastorais apresentam um crescimento muito acentuado”.

 

SANTA SÉ

Missão Permanente nas Nações Unidas condecorou Fundação Ajuda à Igreja que Sofre

 

A Missão Permanente da Santa Sé na Organização das Nações Unidas (ONU), através da Fundação Caminho para a Paz, condecorou a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) pelo trabalho junto dos cristãos perseguidos, a 22 de maio.

A diretora do secretariado português da AIS considera que o prémio é “o reconhecimento internacional do trabalho único” que a fundação pontifícia “desempenha junto das comunidades cristãs perseguidas no mundo”.

“Um trabalho só possível graças aos benfeitores e amigos da instituição, nomeadamente em Portugal, que com a sua generosidade extraordinária permitem a concretização de milhares de projetos pastorais e de ajuda humanitária junto dos irmãos que mais sofrem”, assinala Catarina Martins de Bettencourt.

A AIS financia “cerca de 5500 projetos em 140 países” num valor global que correspondeu a “cerca de 110 milhões de euros”, em 2018.

 “É uma grande honra para nós. Representa um importante reconhecimento do trabalho da Ajuda à Igreja que Sofre em todo o mundo”, referiu o presidente executivo internacional da AIS que vai receber o prémio.

A Missão da Santa Sé nas Nações Unidas criou a Fundação ‘Caminho para a paz’ (Path to Peace Foundation), em 1991, que distingue anualmente o trabalho de pessoas e instituições que se dedicam à conquista da paz no âmbito internacional são distinguidas anualmente pelo seu trabalho com o ‘Path to Peace Award’.

 

VATICANO

Papa desafia à rejeição da «psicologia do sepulcro» e convida à festa do «conforto» e da «confiança» com o Ressuscitado

 

O Papa Francisco afirmou na homilia da Vigília Pascal que é necessário abandonar o “olhar para o chão” amedrontado, a “psicologia do sepulcro”, para fixar atenções no ressuscitado e, com Ele, realizar a Páscoa, a “passagem”.

“Com Ele, podemos realizar também nós a Páscoa, isto é, a passagem: passagem do encerramento à comunhão, da desolação ao conforto, do medo à confiança. Não fiquemos a olhar para o chão amedrontados, fixemos Jesus ressuscitado”, disse o Papa.

O Papa lembrou o texto do Evangelho que narra o caminho de um grupo de mulheres em direção ao sepulcro e “temem que a viagem seja inútil” porque “uma grande pedra bloqueia a entrada do sepulcro”.

“O mesmo se passa na história da Igreja e na história de cada um de nós: parece que os passos dados nunca levam à meta. E assim pode insinuar-se a ideia de que a frustração da esperança seja a obscura lei da vida”, afirmou o Papa.

Francisco referiu que “a Páscoa é a festa da remoção das pedras”. “Deus remove as pedras mais duras, contra as quais vão embater esperanças e expetativas: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo”.

“Pedra sobre pedra, construímos dentro de nós um monumento à insatisfação, o sepulcro da esperança”, acrescentou.

Para o Santo Padre, quando a vida é um conjunto de lamentações, vive-se uma “espécie de psicologia do sepulcro”, que considera que “tudo termina ali, sem esperança de sair vivo”.

“A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre-se a ‘pedra viva’: Jesus ressuscitado”, lembrou o Papa.

Na homilia da Vigília Pascal, Francisco sublinhou que a ressurreição ensina que “o crente se detém pouco no cemitério” porque é chamado a caminhar ao encontro d’Aquele que “está vivo”.

“Continuamos a buscar Aquele que está vivo entre os mortos. E quantas vezes, mesmo depois de ter encontrado o Senhor, voltamos para entre os mortos, lembrando intimamente saudades, remorsos, feridas e insatisfações, sem deixar que o Ressuscitado nos transforme”. “Na vida, dêmos o lugar central Àquele que está vivo”, concluiu o Papa.

Durante a celebração da Vigília Pascal, Francisco batizou oito adultos, oriundos da Itália, Albânia, Equador, Indonésia e Peru.

 

VATICANO

Papa exige que todas as dioceses criem estruturas para receber denúncias de abusos Sexuais até 2020

 

O Papa determinou que todas as dioceses católicas devem criar estruturas para receber denúncias de eventuais casos de abusos sexuais, até 2020, lembrando as “lições amargas do passado”.

Francisco ordena, num documento divulgado em 9 de maio pelo Vaticano, que as dioceses ou as eparquias (divisão administrativa das Igrejas católicas orientais), “individualmente ou em conjunto”, estabeleçam no prazo de um ano “um ou mais sistemas estáveis e facilmente acessíveis ao público, para apresentar as denúncias”.

Estas normas aplicam-se “sem prejuízo dos direitos e obrigações estabelecidos em cada local pelas leis estatais”, assinala o Papa, em particular no que diz respeito a “eventuais obrigações de denúncias às autoridades civis competentes”.

Francisco institui uma “obrigação” de denúncia, aos membros do clero e institutos religiosos, sempre que alguém “saiba ou tenha fundados motivos para supor” que foi praticado algum dos crimes referidos.

Com este decreto, o Papa estabelece que a denúncia de abusos na Igreja “não constitui uma violação do sigilo profissional” e proíbe “danos, retaliações ou discriminações” contra quem apresenta a mesma, bem como a imposição de “qualquer ónus de silêncio”.

“É bom que se adotem, a nível universal, procedimentos tendentes a prevenir e enfrentar estes crimes que atraiçoam a confiança dos fiéis”, assume o pontífice, no ‘Motu Proprio’ (documento de sua iniciativa pessoal) ‘Vos estis lux mundi’ (Vós sois a luz do mundo).

Em causa estão denúncias (“assinalações”, na tradução oficial da Santa Sé) relativas a clérigos ou a membros de Institutos de Vida Consagrada ou de Sociedades de Vida Apostólica que sejam acusados de forçar atos sexuais com um menor ou com uma pessoa vulnerável, bem como de posse de “material pornográfico infantil”.

O Papa aponta ainda à responsabilidade de bispos que sejam acusados de “ações ou omissões” que visem interferir ou contornar as investigações civis, canónicas, administrativas ou criminais nestes casos.

No caso de a suspeita recair sobre um bispo, a denúncia pode ser dirigida à Santa Sé, diretamente ou através do representante pontifício (por norma, o núncio apostólico) no território.

O documento indica que a autoridade que receba uma denúncia contra um bispo deve transmiti-la quer à Santa Sé quer ao metropolita (bispo que preside a uma província eclesiástica, constituída por diversas dioceses) do território onde a pessoa em causa reside; em Portugal, há três províncias eclesiásticas: Braga, Lisboa e Évora.

A não ser que a denúncia se revele “claramente infundada”, o metropolita solicita ao organismo da Cúria Romana competente o encargo para iniciar a investigação, respondendo no prazo máximo de 30 dias com instruções sobre a forma de proceder.

As normas exigem uma “cuidadosa avaliação dos factos”, sublinhando a necessidade de “acolhimento, escuta e acompanhamento” das pessoas que se apresentam como vítimas de abusos, junto dos responsáveis católicos.

O Papa precisa que esta ajuda deve incluir assistência espiritual, médica, terapêutica e psicológica, garantindo ainda a “confidencialidade dos dados pessoais” e o respeito pela “presunção de inocência”.

O novo texto prevê a “intervenção de pessoas qualificadas” na investigação, conforme as necessidades do caso, estipulando-se que a mesma seja concluída “no prazo de 90 dias”

O responsável pode propor aos organismos de governo central da Santa Sé a “adoção de disposições ou de medidas cautelares” apropriadas contra o investigado.

As províncias eclesiásticas e conferências episcopais, bem como as estruturas equiparáveis nas comunidades de ritos orientais, podem estabelecer um fundo destinado a “sustentar as despesas com as investigações”.

Estas normas foram aprovadas, de forma experimental, por um triénio e entram em vigor no dia 1 de junho de 2019.

No início de maio, os bispos das dioceses católicas portuguesas assumiram em Fátima o compromisso de criar estruturas de “prevenção e acompanhamento” para a proteção de menores, em casos de abusos sexuais.

Os procedimentos canónicos atualmente implementados pela Conferência Episcopal Portuguesa, que vão ser revistos, preveem que, sempre que houver denúncia ou “qualquer suspeita fundada” de abusos sexuais por parte de um clérigo em relação a um menor, o bispo responsável deve proceder à investigação prévia.

Francisco escreve que os crimes de abuso sexual “ofendem” Deus, “causam danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas e lesam a comunidade dos fiéis”.

A situação exige “ações concretas e eficazes que envolvam a todos na Igreja”, para fomentar a plena credibilidade do anúncio evangélico e a eficácia da missão”.

“Desejo que este compromisso se implemente de forma plenamente eclesial e, por conseguinte, seja expressão da comunhão que nos mantém unidos, na escuta mútua e aberta às contribuições de todos aqueles que têm a peito este processo de conversão”, refere.

 

VATICANO

Papa diz que comissão sobre diaconado feminino foi inconclusiva

 

O Papa disse aos jornalistas, em 7 de maio, na viagem de regresso da Macedónia, que a comissão de estudo sobre o diaconado feminino, que criou em 2016, foi inconclusiva, descartando mudanças no futuro imediato.

“Não há certeza de que a sua (mulheres) fosse uma ordenação com a mesma forma e com o mesmo propósito que a ordenação masculina. Alguns dizem: há dúvidas. Vamos continuar a estudar. Mas até agora não se avança”, referiu, em declarações aos jornalistas durante o voo de regresso ao Vaticano, desde a Macedónia do Norte.

A questão surgiu depois de, durante a viagem internacional, que passou pela Bulgária, ter havido contactos com comunidades ortodoxas que permitem a ordenação de diaconisas.

“A comissão foi criada, trabalhou por quase dois anos. Todos tinham opiniões diferentes, mas trabalharam juntos e concordaram até certo ponto. Cada um deles tem a sua própria visão, que não concorda com a dos outros, e aí pararam como comissão”, explicou Francisco, a respeito do trabalho que foi levado a cabo no Vaticano por teólogos e teólogas de vários países.

O Papa sustenta que há uma forma de conceber o diaconado feminino que difere do masculino. “Por exemplo, as fórmulas de ordenação diaconal encontradas até agora não são as mesmas para a ordenação do diácono masculino, assemelham-se ao que seria hoje a bênção abacial de uma abadessa. Este é o resultado. Outros dizem que não, esta é uma fórmula diaconal”, relatou.

A comissão tinha sido anunciada a 12 de maio de 2016, durante um encontro de Francisco com a União Internacional de Superioras Gerais (UISG) de institutos religiosos femininos.

O diaconado é o primeiro grau do Sacramento da Ordem (diaconado, sacerdócio, episcopado), atualmente reservado aos homens, na Igreja Católica.

Segundo o Papa, não existem dúvidas de que havia diaconisas no começo do Cristianismo, mas a questão está em determinar se “era uma ordenação sacramental ou não”.

Os estudos mostram que estas primeiras diaconisas assistiam na liturgia batismal de mulheres, que era por imersão, e eram chamadas para casos de disputa matrimonial para avaliar eventuais maus-tratos, mas Francisco sublinha que esta é uma situação limitada a uma área geográfica, especialmente a Síria.

“Aprendi todas essas coisas com a comissão, eles fizeram um bom trabalho e isso pode ser usado para ir em frente e dar uma resposta definitiva sobre o sim ou não. Ninguém diz isso agora, mas alguns teólogos há 30 anos disseram que não havia diaconisas, porque as mulheres estavam em segundo plano, na Igreja e não só na Igreja”, acrescentou o pontífice.

O Concílio Vaticano II (1962-1965) restaurou o diaconado permanente, a que podem aceder homens casados (depois de terem completado 35 anos de idade), o que não acontece com o sacerdócio.

O diaconado exercido por candidatos ao sacerdócio só é concedido a homens solteiros.

Com origem grega, a palavra ‘diácono’ pode traduzir-se por servidor, e corresponde a alguém especialmente destinado na Igreja Católica às atividades caritativas, a anunciar a Bíblia e a exercer funções litúrgicas, como assistir o bispo e o padre nas missas, administrar o Batismo, presidir a casamentos e exéquias, entre outras funções.

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial