Santo António de Lisboa

13 de Junho de 2019

 

 

S. António de Lisboa, presbítero e doutor da Igreja

Padroeiro secundário de Portugal

(Memória)

Em Portugal: Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cristo Verbo de Deus Pai, M. Simões, NRMS 59

Sir 15, 5

Antífona de entrada: O Senhor deu-lhe a palavra no meio da assembleia, encheu-o com o espírito de sabedoria e inteligência e revestiu-o com um manto de glória.

 

Em Portugal diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Com alegria e gratidão vamos celebrar a Festa de Santo António, nascido em Lisboa e falecido em Pádua, Itália. Dado o seu poder de intercessor junto de Deus, este grande Santo é conhecido e venerado em todo o mundo. Mais uma vez a ele hoje vamos recorrer para agradecer, pedir e também meditar nas lições de vida que nos deixou. Seguindo-o, estaremos a garantir um dia estarmos com ele no reino dos céus.

 

Oração colecta: Deus eterno e todo-poderoso, que em Santo António destes ao vosso povo um pregador insigne do Evangelho e um poderoso intercessor nas necessidades, concedei que, pelo seu auxílio, sigamos fielmente os ensinamentos da vida cristã e mereçamos a vossa protecção em todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A Leitura que vamos escutar revela o segredo da verdadeira grandeza de Santo António: meditando na lei de Deus, ficou cheio do espírito de inteligência. Por isso a sua memória e o seu nome viverá de geração em geração.

 

Ben-Sirá 39, 8-14 (gr. 6-10)

6Aquele que medita na lei do Altíssimo, se for do agrado do Senhor omnipotente, será cheio do espírito de inteligência. Então ele derramará, como chuva, as suas palavras de sabedoria e na sua oração louvará o Senhor. 7Adquirirá a rectidão do julgamento e da ciência e reflectirá nos mistérios de Deus. 8Fará brilhar a instrução que recebeu e a sua glória estará na lei da aliança do Senhor. 9Muitos louvarão a sua inteligência, que jamais será esquecida. Não desaparecerá a sua memória e o seu nome viverá de geração em geração. 10As nações proclamarão a sua sabedoria e a assembleia celebrará os seus louvores.

 

A leitura começa (v. 8) fazendo apelo à ideia central do livro de Jesus Ben Sira: «Aquele que se dedica à Lei possuirá a sabedoria» (15, 1). Com efeito, logo no início da obra se diz que a sabedoria está em Deus (1, 1-8) e que Ele a comunica a toda a criação, muito em particular àqueles que O amam (1, 9-10). O trecho da leitura é extraído daquele conjunto em que se faz o elogio do escriba sábio (38, 25 – 39, 15). Estas são palavras que a liturgia aplica aos Santos Doutores da Igreja.

 

Salmo Responsorial    Sl 18 B (19 B), 8.9.10.11 (R. 10b)

 

Monição: Como Santo António cumpramos a Lei do Senhor, observemos os Seus preceitos e alcançaremos a graça da salvação.

 

Refrão:     Os juízos do Senhor são verdadeiros e rectos.

 

A lei do Senhor é perfeita,

ela reconforta a alma.

As ordens do Senhor são firmes

e dão sabedoria aos simples.

 

Os preceitos do Senhor são rectos

e alegram o coração.

Os mandamentos do Senhor são claros

e iluminam os olhos.

 

O temor do Senhor é puro

e permanece eternamente.

Os juízos do Senhor são verdadeiros,

todos eles são rectos.

 

São mais preciosos que o ouro,

o ouro mais fino

são mais doces que o mel,

o puro mel dos favos.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 5, 16

 

Monição: O Senhor concede-nos as Suas graças e pede-nos para sermos como Santo António, sal da terra e luz do mundo.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras,

glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 13-19

Naquele tempo, 13disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte 15nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. 16Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. 17Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas não vim revogar, mas completar. 18Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

 

13 «O sal» preserva da corrupção e dá gosto aos alimentos, mas sem chamar a atenção com a sua presença. Assim a acção do cristão preserva o mundo da corrupção com a sua acção apostólica despretensiosa, agradável e cheia de naturalidade, mas sem deixar nunca de estar actuante; esta força vem-lhe da sua união a Cristo, da sua preocupação de santidade pessoal. Vem a propósito recordar a Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e à conduta dos católicos na vida política da Congregação para a Doutrina da Fé datada de 24.11.2002, que pretende «iluminar um dos aspectos mais importantes da unidade de vida que caracteriza o cristão, a saber: a coerência entre fé e vida, entre o Evangelho e a cultura, recolhida pelo Concílio Vaticano II». Por outro lado, tenha-se em conta que o sal, usado nos sacrifícios do A. T., também significava a perpetuidade e a inviolabilidade da aliança com Deus (cf. Lv 2, 13; Nm 18, 19).

16 «Glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus». O cristão tem de ser «luz» para iluminar, mas com grande rectidão de intenção: na sua acção apostólica não deve buscar o seu prestígio pessoal, mas ter plena consciência de que a luz maravilhosa da doutrina evangélica não é sua e de que «as suas boas obras» não as faz principalmente pelas suas próprias forças; actua como instrumento nas mãos do artista divino; tem de brilhar, não com luz própria, mas reflectindo a luz de Cristo.

 

Sugestões para a homilia

 

1.     Ser sal da terra e luz do mundo.

2.     Exemplo da vida de Santo António.

 

1.     Ser sal da terra e luz do mundo.

 

Jesus, Mestre por excelência, revela-nos com Sua Palavra e mais ainda com Sua Vida, o caminho que devemos seguir para alcançarmos aquilo que Ele e nós mais desejamos, isto é, a felicidade terrena e eterna. Para que tal aconteça, diz claramente que devemos ser “sal da terra “e “luz do mundo”. Como o sal dá sabor e conserva os alimentos e a luz ilumina o caminho que devemos percorrer, assim o fez, e o devemos fazer nós também, cumprindo integralmente a vontade de Deus.

Só imitando Jesus, nosso amantíssimo Mestre e Salvador, seremos “sal da terra” e “luz do mundo”. Foi esta a Escola seguida por todos os Santos e muito concretamente pelo nosso querido Santo António. E porque assim foi, a memória de Santo António continua bem presente ao longo dos séculos e em todo o mundo.

 Em Itália, onde faleceu com apenas 36 anos de idade, é chamado e conhecido por todos como “O Santo”.  Sim, ele e só ele, é reconhecido por “O Santo”.

 

2.     Exemplo da vida de Santo António.

 

Santo António, que no Batismo recebeu o nome de Fernando, nasceu, na cidade de Lisboa, bem perto da respetiva Sé Catedral, no dia 15 de Agosto de 1195. Já então nesse dia, se celebrava, com muita fé e amor a Festa da Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

Seus pais, D. Martinho de Bulhões e D. Maria Taveira eram pessoas tementes a Deus, pelo que souberam dar uma boa educação religiosa a seu filho Fernando. Neste ambiente cristão, Fernando crescia em idade e graça diante de Deus. Certo dia é interpelado por D. Gonçalo Mendes, Prior de S. Vicente de Fora, sobre a sua vocação. Revelou estar disposto a deixar a sua casa, pais e restante família, para seguir mais de perto a Nosso Senhor. Assim, com apenas 15 anos iniciou o seu noviciado na Ordem dos Agostinhos, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Por se sentir perto de casa com a possibilidade de ter visitas de seus familiares revelou vontade de viver mais só com Deus. Por isso, a seu pedido, foi transferido para o Mosteiro de Coimbra.  Neste Mosteiro, durante 8 anos dedicou-se, com muito empenho, à oração e ao estudo, preparando-se assim para receber o Sacerdócio.

Viviam-se tempos difíceis. A Europa encontrava-se invadida pelas seitas dos Albigenses, Cátaros e Valdenses. Para combater estas heresias, o Divino Espírito Santo tinha feito surgir duas grandes figuras da Igreja: S. Francisco de Assis e S. Domingos de Gusmão, fundadores de outras famílias religiosas.

O martírio de cinco jovens franciscanos em Marrocos, tocou profundamente o coração do bondoso Pe. Fernando, revelando então vontade de, como eles, dar a vida por Nosso Senhor. Para que tal se concretizasse, conseguiu mudar da Ordem dos Agostinhos para a dos Franciscanos, passando a ser conhecido desde então por Frei António. Nessa qualidade partiu para Marrocos, mas já na viagem foi acometido por uma doença, que o obrigou a voltar a Portugal. No regresso, graças a uma grande tempestade o respetivo barco, andando à deriva, foi parar à Itália. Aí, se encontrou com o Fundador dos franciscanos, S. Francisco de Assis, que reconhecendo nele dotes de oratória e profundos conhecimentos teológicos, o escolheu para ser o grande pregador contra as já referidas heresias. Foram muitos os prodígios que confirmaram a autenticidade de seus sermões, que, por isso, arrebatava as multidões.

Faleceu em 13 de Junho de 1231, tendo apenas 36 anos de idade. A sua língua conserva-se intacta, junta com as respetivas relíquias do mesmo Santo, na Basílica de Santo António de Pádua.

Santo António é o português mais conhecido e venerado em todo o mundo. A ele continuemos a recorrer nas nossas necessidades espirituais e matérias e prometamos seguir os seus tão nobres e belos exemplos para um dia podermos estar com ele também no reino dos céus.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs, com Santo António

oremos a Deus omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo, confiadamente

 

 

R. Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Pelo Papa, Bispos, Sacerdotes e Diáconos

Seminaristas, Catequistas e Leigos

que Jesus chama a servi-Lo na Sua Igreja,

oremos irmãos.

 

R.  Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

2.     Pelos homens que promovem a paz,

pelos responsáveis no governo das nações

e pelos cientistas que trabalham pelo progresso,

oremos, irmãos,

 

R.  Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

3.     Pelos que agradecem o dom da saúde,

pelos abandonados ou marginalizados

e por todos os que sofrem,

oremos, irmãos.

 

R. Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

4.     Pelos pobres que recebem a ajuda fraterna

pelas pessoas que vivem na miséria

e pelas vítimas das catástrofes e das guerras,

oremos, irmãos.

 

R.  Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

5.     Por todos os fieis devotos de Santo António

para que imitando-o na fidelidade à vocação

mereçam um dia estar com ele no reino dos céus,

oremos, irmãos.

 

R.  Escutai, Senhor, a nossa oração.

  

6.     Por todos os nossos familiares e amigos,

que já partiram para a eternidade,

para que possam quanto antes usufruir as alegrias dos santos,

oremos, irmãos.

 

R. Escutai, Senhor, a nossa oração.

 

Deus de bondade e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas nossas humildes súplicas

em favor de todos os homens nossos irmãos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Nós somos o povo de Deus, Frederico de Freitas, NRMS 9-10(I)

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos estes divinos mistérios, o Espírito Santo derrame em nós a luz da fé que iluminou sempre a vida de Santo António para anunciar ao mundo a vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio dos Pastores da Igreja: p. 1032

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Paz

 

Não há verdadeira festa sem paz. Que Santo António interceda junto de Deus para que saibamos compreender, desculpar e amar a todos os homens sem distinção. Com esses bons propósito, saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

Santo António foi um exímio devoto, defensor e protetor do Santíssimo Sacramento. Vamos imitá-lo recebendo Jesus com muita fé, amor e profunda gratidão.

 

Cântico da Comunhão: Louvai nações do universo, M. Simões, NRMS 63

Jo 5, 16

Antífona da comunhão: Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está no Céu.

 

Cântico de acção de graças: Cantai ao Senhor, porque é eterno, M. Luís, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Deus de sabedoria infinita, que nos alimentais com o Corpo de Cristo, pão da vida, ensinai-nos com a sua doutrina e fazei que, ao celebrarmos a festa de Santo António, conheçamos melhor a vossa verdade e a pratiquemos na caridade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Felizes e contentes vamos continuar a viver este lindo dia de festa em honra de Santo António. Com o propósito de o imitar e muitas vezes a ele recorrer, pedindo a sua valiosa intercessão junto de Deus para sempre continuarmos nos verdeiros caminho do Senhor, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: A Santo António elevemos, M. Faria, NRMS 18

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 14-VI: A nova criatura (I):  'limpeza' do coração.

2 Cor 4, 7-15 / Mt 5, 27-32

Todo aquele que tiver olhado uma mulher, para a desejar, já cometeu adultério no seu coração.

Jesus pede uma maior exigência sobre o nono mandamento: Ouvistes que foi dito aos antigos, mas eu digo-vos (EV). Mas não podemos esquecer que levamos o tesouro do amor de Deus em vasos de barro (LT), que se pode quebrar muito facilmente.

Precisamos limpar bem o nosso coração, guardando os sentidos, as imaginações, as recordações, etc. Arranjemos mortificações, que ajudam a dominar os desvios do corpo: Por toda a parte trazemos sempre no corpo a morte de Jesus (LT). Oferecer-vos-ei um sacrifício de louvor (SR) e Senhor quebrastes as minhas cadeias (SR).

 

Sábado, 15-VI: A nova criatura (II): O modo de olhar e de falar

2 Cor 5, 14-21 / Mt 5, 33-37

Se alguém está em Cristo é uma nova criatura. O que era antigo passou: tudo foi renovado.

As novas exigências do Senhor para a nova criatura são, em primeiro lugar: já não conhecemos ninguém segundo a carne (LT), isto é, vê-las com os mesmos olhos de Deus, com misericórdia: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo (SR).

 A segunda é o modo como falamos: A vossa linguagem deve ser: 'Sim, sim; não, não' (EV), isto é, ao falar demasiado, podemos cair na mentira, que é o que vem do Maligno. E evitar jurar com excessiva frequência: mas eu digo-vos que não jureis em caso algum, nem por Deus nem pela terra (EV). Ouve-se com frequência: juro por Deus, ou juro pela minha saúde.

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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