4º Domingo da Páscoa

D. M. de O. Vocações

12 de Maio de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ressuscitou o Bom Pastor, J. Santos, NRMS 57

Salmo 32, 5-6

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

No chamado Domingo do Bom Pastor, celebra a Igreja o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

S. Paulo VI, em pleno Concílio Ecuménico Vaticano II (1964), instituiu este Dia Mundial, com sentido profético. Nessa época, a Igreja tinha ainda abundantes vocações sacerdotais e religiosas, mas ele anteviu a tempestade que se aproximava e convocou todo o Povo de Deus a rezar por esta intenção.

Agradeçamos ao Senhor o dom do Sacerdócio Ministerial e peçamos a graça de muitos jovens se decidirem a comprometer a vida num sacerdócio alegre, desportista e santo.

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos humildemente na presença do Senhor que temos negligenciado a recomendação de Jesus: «A messe é grande e os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da Messe que mande operários para a Sua Messe.» (9, 37-38).

É possível também que, falando negativamente do sacerdote, não tenhamos ajudado os jovens a acolher o chamamento do Espírito Santo a seguir esta vocação.

Arrependamo-nos e façamos um propósito firme de emenda.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos, em tempo pascal, a aspersão da assembleia com a água benta.  Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

   

•   Senhor Jesus: Muitas vezes não temos sabido responder com generosidade

    às exigências daquela vocação a que fomos chamados pelo Espírito Santo.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Temos sido negligentes em rezar pelo florescimento de vocações

    para os variados ministérios da Igreja, entre os jovens desta comunidade.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Recomendais-nos a oração pela perseverança dos chamados,

    mas só temos feito oração pelos nossos interesses, necessidades e ambições.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Hoje, como nos tempos apostólicos, o anúncio da salvação em Jesus Cristo encontra obstáculos nas paixões desordenadas de algumas pessoas.

Imitando o procedimento de Paulo e Barnabé, não devemos desanimar no anúncio do evangelho, por causa das dificuldades, porque o Senhor está connosco.

 

Actos dos Apóstolos 13, 14.43-52

Naqueles dias, 14Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. 43Terminada a reunião da sinagoga, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, que nas suas conversas com eles os exortavam a perseverar na graça de Deus. 44No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor. 45Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias. Corajosamente, 46Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, 47pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». 48Ao ouvirem estas palavras, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé 49e a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região. 50Mas os judeus, instigando algumas senhoras piedosas mais distintas e os homens principais da cidade, desencadearam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51Estes, sacudindo contra eles o pó dos seus pés, seguiram para Icónio. 52Entretanto, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

 

A leitura apresenta-nos a má reacção dos judeus ao discurso kerigmático de S. Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia (vv. 15-41, omitido na leitura), a par da atitude dos discípulos perante a rejeição e a perseguição, que «estavam cheios de alegria e do Espírito Santo» (v. 52); estas são duas notas distintivas da vida dos primeiros cristãos, que S. Lucas não se cansa de sublinhar.

14 «Perga», cidade da Panfília, região a Sul da península da Anatólia (Turquia actual), entre a Lícia e a Cilícia. Ficava a uma dúzia de quilómetros do porto de Atália (cf. Act 14, 25). Estamos na primeira viagem de S. Paulo, que decorreu entre os anos 45 e 49. «Antioquia da Pisídia», distinta da célebre Antioquia da Síria, donde Paulo saíra para esta missão com Barnabé e seu sobrinho João Marcos. A cidade ficava na estrada que ligava Éfeso ao Oriente, a uns 160 km a Norte de Perga e a 1200 metros de altitude. Para aqui chegarem tiveram que subir as altas montanhas do Tauro, por caminhos abruptos e infestados de salteadores (cf. 2 Cor 11, 24), circunstância esta que bem podia ter influído para que o jovem Marcos, o futuro Evangelista, colaborador de Pedro e de Paulo, tenha desistido de prosseguir em tão duro e arriscado plano apostólico (cf. v. 13). «Entraram na sinagoga e sentaram-se»: o texto suprime a intervenção de S. Paulo, que lhe foi facilitada, como visitante categorizado (vv. 15-42).

43 «Perseverar na graça de Deus» – uma exortação sempre actual para todo o cristão –; a graça é o dom de Deus que nos torna santos aos seus olhos; persevera-se nela através duma adesão total e firme a Jesus Cristo (cf. Act 11, 23).

47 «Fiz de ti luz das nações» (cf. Is 49, 6): de acordo com o anúncio profético, a Igreja, desde os tempos apostólicos, é constituída na grande maioria por fiéis que vieram da gentilidade, que os judeus chamavam as nações ou povos, no plural, em contraste com o singular, o povo (de Israel), o único escolhido dentre as nações.

51 «Sacudindo o pó dos seus pés». Cf. Mt 10, 14. Os judeus, ao deixarem uma terra gentia para entrarem na Palestina, tinham o costume de sacudir o pó dos pés e do calçado a fim de não contaminarem a Terra Santa. Este gesto dos Apóstolos era como dizer aos judeus incrédulos que, pelo facto de não aceitarem Jesus, se equiparavam aos gentios e contraíam uma gravíssima responsabilidade moral.

 

Salmo Responsorial    Sl 99 (100), 2.4.5.6.11.12.13b (R. 3c ou Aleluia)

 

Monição: O salmo de responsabilidade que a Liturgia deste dia nos propõe é um cântico de aclamação ao nosso Deus e de louvor pelas maravilhas que tem operado em nosso favor.

 

Refrão:     Nós somos o povo de Deus,

            somos as ovelhas do seu rebanho.

 

Ou:           Nós somos o povo do Senhor;

                Ele é o nosso alimento.

 

Ou:           Aleluia.

 

Aclamai o Senhor, terra inteira,

servi o Senhor com alegria,

vinde a Ele com cânticos de júbilo.

 

Sabei que o Senhor é Deus,

Ele nos fez, a Ele pertencemos,

somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

O Senhor é bom,

eterna é a sua misericórdia,

a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

 

Segunda Leitura

 

Monição: São João, no Apocalipse apresenta-nos um vislumbre do Paraíso: uma grande multidão de eleitos, «de todas as nações, tribos, povos e línguas

O Senhor investiu homens humildes no sacerdócio ministerial para que ajudem os seus irmãos a fazer parte, um dia, desta multidão de eleitos.

 

Apocalipse 7, 9.14b-17

9Eu, João, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 14bUm dos Anciãos tomou a palavra para me dizer: «Estes são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro. 15Por isso estão diante do trono de Deus, servindo-O dia e noite no seu templo. Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á na sua tenda. 16Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles. 17O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos».

 

A leitura é extraída da visão consoladora da imensa multidão triunfante, resgatada das tribulações iminentes, que se verão desencadeadas com a abertura do sétimo selo (8, 1), o qual dá origem ao septenário das trombetas e este ao das sete taças cheias das sete pragas, prelúdio da vitória de Cristo sobre as forças do mal e da glorificação da Igreja, com que culmina o Apocalipse.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o autor tenha presente, em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras. A «multidão incontável de todas as nações tribos e línguas» de bem-aventurados acrescenta-se àquele número simbólico de 144.000 dos vv. 3-8, correspondente ao resultado da multiplicação de 12.000 pelas 12 tribos de Israel: a exactidão matemática denuncia o valor simbólico do número, que bem pode designar os cristãos procedentes do judaísmo e poupados às calamidades que acompanharam a destruição de Jerusalém e do estado judaico.

«Branquearam as suas túnicas no Sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no Sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: ‘e o Seu Sangue purifica-nos’ (1 Jo 1, 7)». Notar o paradoxo: Sangue que branqueia, pois não é um sangue qualquer, mas o Sangue Redentor do Cordeiro oferecido em sacrifício, não se tratando, pois, duma lavagem material.

15-17 Temos aqui uma maravilhosa alusão à Liturgia Celeste e à felicidade eterna, em que participam os que deram a vida por Cristo. Notar mais um paradoxo: o Cordeiro que é Pastor. É Jesus que, dando pelos seus a vida como cordeiro de sacrifício, se torna o Pastor que conduz às nascentes da vida divina.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 10, 14

 

Monição: Jesus Cristo apresenta-Se-nos no Evangelho na figura adorável do Bom Pastor que cuida generosamente das suas ovelhas, até dar a vida para as salvar.

Nós somos as ovelhas do rebanho de Senhor e queremos manifestar-Lhe a nossa gratidão, aclamando o Evangelho que nos fala desta maravilha.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10, 27-30

Naquele tempo, disse Jesus: 27«As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. 28Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. 29Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um só».

 

Estas palavras de Jesus fazem referência à parábola do pastor e do ladrão (vv. 1-6) e são dirigidas aos incrédulos judeus que intimam o Senhor a declarar-lhes abertamente se é ou não o Messias. Jesus censura-os pela sua falta de fé, «vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas!» (v. 26). Falta-lhes docilidade, humildade e amor.

28 «Nunca hão-de perecer», contanto que estas queiram continuar a ser ovelhas que não deixam o Pastor; o Pai é suficientemente poderoso para as defender de qualquer perigo.

30 «Eu e o Pai somos um só». É a resposta mais clara e categórica aos seus inimigos. Jesus aparece não só a afirmar a sua identidade da natureza com o Pai (em grego, uma só coisa – pois é a forma neutra), mas também indica a distinção pessoal, ao dizer somos. Os judeus entendem as palavras de Jesus melhor que os arianos de todos os tempos, considerando que Ele reivindica para Si a divindade, por isso o querem apedrejar (v. 31). Esta afirmação de Jesus situa-se no centro e no eixo de duas afirmações categóricas da sua divindade: 1, 1; 20, 28. Se não fosse verdade, Jesus devia ser apedrejado (v. 31). Ele defende-se à maneira rabínica com um argumen­to corrente nas escolas rabínicas, segundo a regra de Hillel chamada Qal wahômer, isto é, o argumento a fortiori (cf. vv. 35-36); Jesus, sem tirar nada ao que disse, mas reforçando-o, afirma: «para que saibais que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai» (v. 38).

 

Sugestões para a homilia

 

• A missão de evangelizar

A alegria da missão

As dificuldades

Um incêndio de Amor

• Bom Pastor com Jesus

A Luz da Palavra

O Alimento da Eucaristia

Para alcançar o Céu

 

1. A missão de evangelizar

 

a) A alegria da missão. «Naqueles dias, Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor

Deus continua a chamar ao sacerdócio ministerial jovens de todas as condições sociais que se apresentem como portadores do carisma do celibato apostólico por Amor do Reino dos Céus.

Hoje parece que o Espírito Santo está a chamar jovens mais crescidos, muitos deles já com um diploma de curso superior na mão.

Não procuram emprego — alguns deles estavam já a trabalhar —, nem dinheiro — estava-lhes mais acessível com um curso universitário —, nem fama, porque não estamos em tempos nos quais a vocação sacerdotal é considerada honrosa.

Não recebem outra promessa que não seja a de trabalhar sem descanso em favor dos irmãos.

O sacerdote não espera promoção humana para si ou para a família e amigos, como acontece na vida politica. Veio para servir, e não para ser servido.

Não procura riqueza, mas, com o suficiente para viver, quando lhe é possível, entrega a sua vida ao serviço dos outros.

Nem sequer terá louvores. Consome-se com uma vela no altar, confessando, anunciando a Palavra de Deus e acompanhando os seus irmãos a caminho do Céu, até que se apaga.

Desejam apenas saborear a alegria de um sim, não apenas por alguns momentos, como nas festas humanas, mas para toda a vida.

O olhar de Cristo-Amigo seduziu-os, quando lhes dirigiu o convite, como a cada um dos Doze Apóstolos e aos apóstolos de todos os tempos.: «Vem e segue-Me

Cristo escolhe os Seus sacerdotes entre aqueles que se apresentam diante do Bispo, depois de chamados, e garantem que optaram pelo celibato apostólico por amor do Reino dos Céus.

Não esperam vantagens humanas deste passo. Na Igreja não há promoção de qualquer espécie: nem pela qualidade do serviço, nem pelo tempo de dedicação a ele, nem por qualquer influência de partidos políticos.

Todos vêm para servir os irmãos com alegria. Reservam apenas para si o direito de servir. E, no entanto, os jovens continuam a dizer sim ao chamamento, porque há uma alegria que ninguém mais experimenta ao dizê-lo.

Deus não chama pessoas criadas expressamente para esta vocação, com qualidades fora do vulgar. Já foi assim na escolha dos Apóstolos. A graça e a boa vontade farão deles homens de Deus. A Igreja é mãe destas vocações, como nos diz o Santo Padre na Mensagem que escreveu para este Dia Mundial das Vocações.

 

b) As dificuldades. «Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias. Corajosamente, Paulo e Barnabé declararam: “[...] voltamo-nos para os gentios, pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’”.»

O ciúme e a inveja levaram os contemporâneos dos Apóstolos em Jerusalém a persegui-los. Quais serão as fontes de guerra e perseguição à Igreja e, em particular, aos sacerdotes, nos nossos dias?

A falta de fé. Sem a luz da fé, não se pode entender uma vida de entrega. Parece uma loucura, porque não se vislumbra qualquer “valor” dos que procuram, num caminho destes.

Calou-se a oração nas famílias e falta-se ao grande encontro semanal dos cristãos que é a Missa do Domingo. Ao princípio, as pessoas não notam a diferença, mas em breve as consequências serão trágicas.

Como podem os pais — com uma fé morta ou sem entusiasmo — sentirem-se felizes se um filho lhes manifesta o desejo de entrar no Seminário? Como podem transmitir-lhes um entusiasmo que não sentem?

O medo doentio do que custa. Hoje, os filhos são criados sem qualquer sacrifício, porque os pais acham que têm o dever de eliminar da vida deles tudo o que exige algum sacrifício: o levantar pontual da cama, o submeter-se a um horário e plano de vida, a realização de pequenas tarefas pelas quais são educados para o trabalho...

A vontade deles corre o risco de permanecer infantil durante a vida inteira. Muitas pessoas hoje têm como guia a sensibilidade: “apetece-me... Não me apetece... disse-me muito...faço porque gosto... não faço porque não me diz nada...”

Deste modo nunca se propõem fazer uma coisa ou renunciar a qualquer pecado, porque é da vontade de Deus. Guiam-se apenas pelos sentidos

Ambiente hedonista nas famílias. Só interessa o que dá prazer aos sentidos: a boa mesa e o sexo. No entanto, seguir por este caminho é uma ilusão, porque o prazer dos sentidos é momentâneo e acaba por enjoar.

Todavia, nas famílias somente se fala de dinheiro e de prazer.

Receio do compromisso. Há o receio de dar o coração, tentando ficar sempre com ele nas mãos para um novo “negócio” que venha a surgir.

E, no entanto, sem compromisso — no matrimónio, no emprego, nos diversos cargos, na entrada nas obras de apostolado — não é possível viver.

Mudar. Deus pede-nos que reconheçamos que este caminho é errado e que nos esforcemos por uma mudança de mentalidade e de vida. Está em perigo a felicidade neste mundo e na eternidade.

 

c) Um incêndio de Amor. «Ao ouvirem estas palavras, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé e a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região

É urgente que o verdadeiro Amor — não o sentimento passageiro e a emoção estéril voltem a orientar a nossa vida, para que sejamos felizes.

A Igreja de Cristo vai crescendo pela evangelização. Evangelizar é realizar no mundo um contágio de Amor, pela vida e pela Palavra de Deus.

Não se trata de divulgar umas ideias simpáticas e com alguma influência na vida, mas de levar as pessoas a apaixonar-se por uma Pessoa: Jesus Cristo.

Tal como na floresta o incêndio se propaga de um ramo ao outro, de árvore a árvore, assim também o Apostolado é um contágio, um transbordar de Amor. Não é por acaso que Jesus ressuscitado pergunta a Pedro, nas margens do Mar da Galileia: «Simão, tu amas-Me... mais do que estes

Por isso, a Igreja não procura para chamar ao sacerdócio ministerial bons técnicos, bons funcionários ou grandes Sábios, mas pessoas muito sábias, mas pessoas enamoradas.

Em qualquer vocação — também na do matrimónio — tudo começa por um enamoramento. Só ele torna possível e constante a entrega.

Aconteceu assim com os Doze Apóstolos que partiram por todo o mundo, com S. Paulo, com o Beato Bartolomeu dos Mártires e com os missionários de todos os tempos.

Uma jovem não abandona a profissão de médica para se refugiar num convento de clausura porque sofreu um desgosto de amor — como pensam as pessoas sem fé — mas porque se enamorou de Cristo.

E como o enamoramento se parece muito com a loucura, os apóstolos de todos os tempos cometam — aos olhos dos profanos — verdadeiras loucuras de heroísmo.

Sendo assim, a pastoral das vocações tem uma parte de informação. Mas alimenta-se principalmente de uma vida de piedade intensa. Num lar onde não se reza, onde só se valoriza o material, o que agrada aos sentidos, é muito difícil que venha a surgir uma vocação.

 

2. Bom Pastor com Jesus

 

a) A Luz da Palavra. «Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me

Durante os três anos de Vida Pública, Jesus destinou-os a anunciar-nos a Palavra do Pai, ensinando-nos a viver como bons filhos de Deus. Queria conquistar os homens, não pela emoção, mas pela inteligência de tal modo que, juntamente com ela, toda a pessoa humana se Lhe entregasse.

É verdade que também fazia milagres. Mas eles serviam para mostrar o Coração misericordioso do Senhor, que se compadece das nossas misérias e limitações, o mesmo tempo que atraíam as pessoas para ouvir a pregação.

O sacerdote é, antes de tudo, ministro da Palavra de Deus. Na sua missão, ao falar, fala d’Aquele de quem se enamorou.

É verdade que a Palavra de Deus é como uma bebida: pode ser tomada numa vasilha preciosa, ou numa toda desbeiçada e suja. Mas a bebida é sempre a mesma.

Por isso, embora gostemos que a pessoa que nos anuncia a Palavra de Deus confirme com a sua vida o que prega, devemos fazer um esforço para superar esta limitação, para ver nessa pessoa alguém que nos anuncia a mensagem do Céu.

Cristo fala-nos pelo Sacerdote, embora, por vezes, exija de nós um maior esforço para a acolher a sua mensagem.

A Palavra de Deus não tem mais valor porque é pregada por este sacerdote eloquente do que por aquele que tem dificuldade em se fazer entender. É sempre o mesmo Deus que nos fala, e alcançamos sempre fruto dela, se formos humildes.

A Palavra de Deus pode encontrar em nós um obstáculo grande, como encontrava a de Jesus, na Sua vida terrena: a soberba, que nos leva a pensar que já sabemos tudo e, portanto, não é preciso escutá-la.

Ela é a boa semente que deve produzir frutos de boas obras na nossa vida. Não foi em vão que Jesus nos contou a Parábola do Semeador, convidando-nos a perguntar cada um de nós a si próprio que espécie de terreno temos sido para esta Semente divina.

 

b) O Alimento da Eucaristia. «Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai

O sacerdote é, sobretudo, o homem eleito por Deus para O tornar presente eucaristicamente em qualquer tempo e lugar. Se assim não fosse, a instituição da Santíssima Eucaristia ficava limitada às dimensões do cenáculo de Jerusalém.

Onde quer que se encontre, o sacerdote pode tornar Cristo presente pelo mistério da Transubstanciação. Os leigos podem ter problemas para comungar, participar na santa Missa, porque não há sacerdotes em todos os lugares.

Uma senhora da Rússia, no tempo da URSS, percorreu cerca de mil quilómetros a pé, clandestinamente e por meio da neve, para encontrar um sacrário. Quando, finalmente, ao fim de vários meses de caminho, a família que guardava secretamente o Santíssimo Sacramento lhe abriu a porta de uma sala e lhe disse: “Nosso Senhor está ali, naquele Sacrário”, caiu de joelhos e, comovida e feliz, começou a chorar.

O sacerdote pode ter Jesus Cristo consigo quando, por quanto tempo e onde quiser. Basta-lhe um pouco de pão e trigo e vinho para realizar a consagração.

A Eucaristia alimenta-nos para a vida eterna, é o Alimento da Vida Divina que temos em nós, desde o Baptismo, pela graça santificante.

Sendo aquele que nos dá o Pão da Vida, ele é também o seu guardião e defensor dele, velando para que nenhuma pessoa indigna se aproxime da Comunhão.

A fé ensina-nos que devem afastar-se da Sagrada Mesa todos os que estão em pecado mortal e, mais ainda, os que se estabeleceram num género de vida de costas voltadas para a Lei de Deus.

A Sagrada Comunhão deve ser precedida da conversão pessoal feita com seriedade.

Somente nestas condições o sacerdote pode ser o dispenseiro do Pão dos Anjos; e não podemos levar a mal que o recuse a quem não está em condições de comungar, porque ele também deve obedecer a Deus neste ministério sagrado.

 

c) Para alcançar o Céu. «Eu, João, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão

São João conta-nos, no Apocalipse, um vislumbre que teve dos bem aventurados do Céu.

A missão do sacerdote tem como finalidade ajudar cada uma das pessoas a seguir, vivendo na graça de Deus, desde a Fonte do baptismo até à felicidade sem fim do Paraíso.

Dela nos diz São Paulo, que foi elevado ao Céu em vida: «Nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o homem imagina de longe o que Deus tem preparado para aqueles que O amam.» E o mesmo São João, no Apocalipse, diz-nos que «Deus enxugará dos seus olhos (dos eleitos) todas as lágrimas», porque os motivos de chorar ficaram todos na terra, quando partimos para o Céu.

Estamos na terra caminhar até ao Paraíso, cada um pelo seu próprio caminho ou vocação. O sacerdote desliga-se dos interesses e preocupações pessoais para se disponibilizar ao serviço de todos.

“Ai, sabei, amigos meus, /Ser Padre é isto somente:/ Não ser de si, nem dos seus, / Para ser de toda a gente.” (Joaquim A. Alves).

A missão do sacerdote é difundir a vida de Deus — a graça santificante — por meio dos sacramentos — e fazê-la crescer, A meta desta vida não é o cemitério, à espera da ressurreição final, mas o Céu para sempre. Deus chama-o para que seja o guia espiritual nesta caminhada ara a eternidade.

Ilumina-nos com a Palavra de Deus, ensinando-nos a viver como bons filhos do Pai do Céu.

Perdoa os pecados em nome de Jesus, enchendo a nossa alma de paz e levando-a a recuperar a vida divina perdida pelo pecado.

Dá-nos o Pão da Vida sem o qual não poderíamos caminhar alegremente ao encontro de Deus.

Alimenta a nossa vida em graça pelos Sacramentos da Igreja, depois de nos ter tornando membros dela, pelo Baptismo.

Por tudo isto, o sacerdote recebe o carinho especial de Maria Santíssima, porque consagra a vida a cuidar dos seus filhos na terra, acompanha-os e ajuda-os com os sufrágios no Purgatório. Qual é a mãe que não gosta de quem trata bem e cuida dos seus filhos?

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 56º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

(ver nesta mesma edição “A Palavra do Papa”)

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Aproximemo-nos com toda a confiança

de Jesus Cristo, o nosso Bom Pastor,

para que nos cuide, nos defenda e alimente.

Peçamos pela Igreja a qual pertencemos,

que Deus fez instrumento universal de Salvação

e por todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando) com cheios de esperança:

 

    Jesus Cristo, Filho de Deus, sede o nosso Bom Pastor!

 

1.  Pelo Santo Padre, com os Bispos e Presbíteros de toda a Igreja,

    para o Espírito Santo os ilumine na missão de Bons Pastores,

    oremos, irmãos.

 

    Jesus Cristo, Filho de Deus, sede o nosso Bom Pastor!

 

2. Pelos seminários onde se formam os nossos bons pastores,

    para que sejam santuários vivos de estudo, amor e oração,

    oremos, irmãos.

 

    Jesus Cristo, Filho de Deus, sede o nosso Bom Pastor!

 

3. Pelas famílias — Igrejas Domésticas — da nossa comunidade,

    para que sejam santas, luminosas, alegres e cheias de vocações,

    oremos, irmãos.

 

    Jesus Cristo, Filho de Deus, sede o nosso Bom Pastor!

 

4. Pelos jovens que procuram um sentido definitivo para a vida,

    para que sejam sempre dóceis às inspirações do Espírito Santo,

    oremos, irmãos.

 

    Jesus Cristo, Filho de Deus, sede o nosso Bom Pastor!

 

5. Pelos sacerdotes doentes e cansados que serviram a Igreja,

    para que vejam nas suas limitações um exercício sacerdotal,

    oremos, irmãos.

 

    Jesus Cristo, Filho de Deus, sede o nosso Bom Pastor!

 

6. Pelos Bispos e Presbíteros que Deus chamou à eternidade,

    para que, na Sua misericórdia, os acolha hoje no Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Jesus Cristo, Filho de Deus, sede o nosso Bom Pastor!

 

Senhor Jesus, Bom Pastor de toda a humanidade,

que tornais presente a Vossa acção no mundo

pelo ministério generoso dos Vossos sacerdotes:

dai-lhes fortaleza, alegria e enchei-os de graças,

para sejam no meio de nós a Vossa presença.

Vós que sois deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Foi para perpetuar no mundo a Sua acção salvadora até ao fim dos séculos que Jesus Cristo instituiu o sacerdócio ministerial no Cenáculo, na noite de Quinta-Feira Santa.

É pelo ministério dos sacerdotes que na Santa Missa nos é anunciada a Palavra de Deus e podemos comungar o Corpo do Senhor.

Servido o Alimento da fé na Mesa da Palavra, o sacerdote prepara agora a Mesa da Eucaristia, na qual Jesus transubstanciará o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Honra, glória e louvor, F. da Silva, NRMS 1 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Deus quer que os Seus sacerdotes sejam no mundo construtores da verdadeira paz e alegria.

Sejamo-lo nós também, permutando entre nós a saudação litúrgica da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Para podermos comungar, é imprescindível que tenhamos sacerdotes que celebrem a Eucaristia, transubstanciando o pão e o vinho no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo.

Avivemos a Fé, Esperança e o Amor, agora que vamos comungar sacramental o espiritualmente.

 

Cântico da Comunhão: O Cordeiro de Deus é o nosso Pastor, Az. Oliveira, NRMS 90-91

 

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai ao Senhor, M. Luis, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não esqueçamos a recomendação de Jesus: «A messe é vasta, mas os operários, na verdade, são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da messe, que mande operários para a Sua messe

A oração pelas vocações há-de ser uma devoção constante em cada família, obedecendo à recomendação de Jesus.

 

Cântico final: Vencida foi a morte, J. S. Bach, NRMS 57

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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