2º Domingo da Páscoa

D. M. de O. Vocações

28 de Abril de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor libertou o seu povo, A. Cartageno, NRMS 109

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou

4 Esd 2, 36-37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia dos Domingos do Tempo Pascal faz-nos contemplar Cristo Ressuscitado e, a partir d’Ele, leva-nos a olhar para a Comunidade Cristã como um lugar privilegiado de encontro com Jesus vivo e Ressuscitado. A comunidade nascente congrega-se à volta daqueles que foram testemunhas da vida, morte e ressurreição de Jesus.

O exemplo dos primeiros cristãos deve produzir frutos no meio das nossas comunidades.

Reunindo-nos hoje em nome de Jesus, para proclamar a nossa fé na Sua Ressurreição, devemos seriamente pensar se as nossas comunidades dão verdadeiro testemunho deste encontro pessoal e comunitário com a pessoa de Jesus Ressuscitado.

Cientes de que nem sempre a nossa maneira de viver terá sido testemunho edificante para aqueles que nos rodeiam, peçamos humildemente a misericórdia do Senhor.

 

Momento Penitencial

 

P. Senhor, porque nem sempre temos sido testemunhas credíveis e sinal visível de que estais presente no meio de nós, Senhor, misericórdia!

R. Senhor, misericórdia.

 

P. Cristo, porque perante as dificuldades da vida duvidamos de Vós, Cristo misericórdia!

R. Cristo, misericórdia.

 

P. Senhor, porque, nos deixamos embalar pelas vantagens e privilégios que nos oferecem os poderosos e senhores do mundo tributando-lhes honras que só a Vós pertencem, Senhor misericórdia!

R. Senhor, misericórdia.

 

Oração colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nesta leitura, que ouviremos proclamar, descreve-se a vivência da primeira comunidade cristã de Jerusalém. Era uma comunidade viva que, em volta dos Apóstolos, se servia da sua palavra e acção exercendo grande atracção sobre todos os que escutavam.

 

Actos dos Apóstolos 5, 12-16

12Pelas mãos dos Apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo. Unidos pelos mesmos sentimentos, reuniam-se todos no Pórtico de Salomão; 13nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo enaltecia-os. 14Cada vez mais gente aderia ao Senhor pela fé, uma multidão de homens e mulheres, 15de tal maneira que traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e em catres, para que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. 16Das cidades vizinhas de Jerusalém, a multidão também acorria, trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros e todos eram curados.

 

Como em todos os anos, vamos ter como 1ª leitura de todos os Domingos Pascais trechos dos Actos dos Apóstolos. A leitura de hoje é um dos chamados «relatos sumários» de Actos. No ano A, leu-se o de Act 2, 42-47 e no ano B o de Act 4, 23-35. Estes são breves resumos daquilo que caracterizava a vida da primitiva Igreja de Jerusalém. Numa espécie de visão idílica, focam o que sobressaía de positivo na novidade da fé cristã nascente, a desenvolver-se pela acção do Espírito Santo: a sua vida religiosa, a união fraterna, o cuidado dos pobres, bem como os milagres realizados pelos Apóstolos. S. Lucas não deixa de sublinhar, o prestígio de que gozavam os primeiros cristãos: «o povo enaltecia-os» (v. 13; cf. Act 2, 43; 4, 33).

12 «No pórtico de Salomão», no adro do Templo, o chamado átrio dos gentios, tinha a limitá-lo externamente não uma simples muralha de suporte e protecção, que ainda hoje em parte se conserva, mas esplêndidos pórticos, ao Sul, o pórtico real, com três fiadas de colunas, e o pórtico de Salomão a Nascente, com duas fiadas de colunas.

13 «Nenhum se atrevia a juntar-se a eles», provavelmente dominados pelo temor dos chefes do povo, que tinham condenado Jesus à morte.

14 «Cada vez mais gente aderia...» S. Lucas tem como um constante leitmotiv, ou ideia mestra da sua composição, o crescimento progressivo da Igreja, como quem quer documentar com a vida dos primeiros cristãos as parábolas do grão de mostarda e do fermento, de acordo com as palavras programáticas de Jesus, antes da Ascensão: «sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra» (Act 1, 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 2-4.22-24.25-27a (R. 1)

 

Monição: Neste Dia da Misericórdia, o salmista lembra-nos que é eterna a misericórdia de Deus. Assim, no cântico de meditação que vamos entoar, proclamamos que o Senhor é bom, pelo que devemos exultar e cantar de alegria.

 

Refrão:     Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:           Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                o seu amor é para sempre.

 

Ou:           Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

 

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

 

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Senhor, salvai os vossos servos, Senhor, dai-nos a vitória.

Bendito o que vem em nome do Senhor,

da casa do Senhor nós vos bendizemos.

O Senhor é Deus e fez brilhar sobre nós a sua luz.

 

Segunda Leitura

 

Monição: As palavras dirigidas a João, durante a visão que o evangelista teve em Patmos, no dia do Senhor, isto é, no domingo dia da Sua Ressurreição, constituem uma mensagem de esperança e consolação que vence todas as forças que se opõem àqueles que, na Sua Igreja, caminham na vida nova com Jesus.

 

Apocalipse 1, 9-11a.12-13.17-19

9Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. 10No dia do Senhor fui movido pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, semelhante à da trombeta, que dizia: 11b«Escreve num livro o que vês e envia-o às sete Igrejas». 12Voltei-me para ver de quem era a voz que me falava; ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro 13e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um filho do homem, vestido com uma longa túnica e cingido no peito com um cinto de ouro. 17Quando o vi, caí a seus pés como morto. Mas ele poisou a mão direita sobre mim e disse-me: «Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último, 18o que vive. Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos. 19Escreve, pois, as coisas que viste, tanto as presentes como as que hão-de acontecer depois destas».

 

Vamos ter, como 2ª leitura, em todos os Domingos Pascais do ciclo C, um trecho do Apocalipse, uma obra repleta de ressonâncias litúrgicas, onde a assembleia dos fiéis na terra se faz eco das aclamações da Jerusalém celeste tributadas ao Cordeiro imolado e vencedor da morte, Cristo ressuscitado (no ano A, a 2ª leitura foi da 1ª Carta de S. Pedro; no ano B, da 1ª Carta de S. João).

9 «Eu, João». De acordo com a tradição geral, seria o «discípulo amado», que esteve exilado, na perseguição do imperador Domiciano, na ilha de Patmos, hoje Patino, no arquipélago das Espórades, no Mar Egeu oriental. Esta ilha, de uns 15 km de comprimento (40km2), rochosa e árida, era uma espécie de Tarrafal da época, lugar de desterro para crimes políticos e religiosos. A pouca correcção gramatical do grego do Apocalipse (de longe o mais fraco de todo o N. T.) até se coaduna melhor com a personalidade do pescador da Galileia do que a relativa perfeição do IV Evangelho e das epístolas joaninas, mas as diferenças podem explicar-se pela diversidade dos colaboradores do Apóstolo. Se no Evangelho nunca se revela o seu nome, é porque pretende, na sua humildade, adoptar a discrição dos restantes evangelistas, a fim de ressaltar que o importante é que o leitor se fixe na pessoa de Jesus e na importância da sua mensagem. O facto de aparecer aqui quatro vezes o nome de João corresponde ao género profético desta obra; os profetas começavam por indicar o seu nome; João, porém, não apela para a sua qualidade de Apóstolo, preferindo modestamente referir a sua condição de «irmão e companheiro». De qualquer modo, a questão do autor da obra é uma questão aberta, havendo exegetas católicos que preferem pensar noutro João, como o problemático «João, o presbítero» de que fala Papias.

10 «No dia do Senhor». Como facilmente se depreende, temos aqui documentado o uso cristão, que remonta à época apostólica, de celebrar o primeiro dia da semana dominicum (diem), em atenção a ser o dia da Ressurreição do Senhor (cf. Mt 28, 18), dia este em que já os primeiros cristãos se reuniam (cf. 1 Cor 16, 2) e celebravam a Eucaristia, «a Fracção do Pão», como então se chamava (cf. Act 20, 7; 2, 42).

11-13 «Sete igrejas, sete candelabros; longa túnica, cinto de ouro». A visão é relatada com um notável colorido litúrgico, tão característico do Apocalipse, pondo em evidência como a liturgia terrestre (a celebração do Dia do Senhor) está em consonância com a liturgia celeste; os sete (número de plenitude) candelabros são o símbolo de toda a Igreja em oração, numa alusão ao candelabro de sete braços, a menoráh do Templo; o sacerdócio e a realeza de Cristo são simbolizados pela longa túnica e pelo cinto de ouro. Eis o comentário espiritual de Santo Agostinho: «As sete Igrejas, às quais S. João escreve, são a Igreja Católica e Una. O número sete relaciona-se com a graça septiforme. (...) Representam também a Igreja os sete candelabros. O (indivíduo) «semelhante a um filho de homem», no meio dos candelabros, é Cristo no centro da Igreja. O cinto, que envolve os seios, são os dois Testamentos; eles recebem do peito de Cristo o leite espiritual, alimento do povo de Deus para a vida eterna».

17 «Eu sou o Primeiro e o Último»: é uma expressão isaiana (cf. Is 44, 2.6; 48, 12) para designar Yahwéh, como Senhor do Universo, no seu ser eterno, que existe antes de todas as coisas e subsiste após o fim das criaturas. Esta expressão, aqui aplicada a Jesus, deixa ver a sua divindade.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 20, 29

 

Monição: Tomé, ausente dos encontros da comunidade, não fez a experiência do encontro com o Ressuscitado, por isso, tinha necessidade de «provas» para acreditar.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: voltarei a vós (14, 18) – pôs-se no meio deles (v. 19); um pouco mais e ver-Me-eis (16, 16) – encheram-se de alegria por verem o Senhor (v. 20); Eu vos enviarei o Paráclito (16, 7) – recebei o Espírito Santo (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata duma mera saudação, a mais corrente entre os judeus, mesmo ainda hoje. Esta insistência joanina na sudação do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) é muito expressiva; com efeito nunca os Evangelhos registam tal saudação, mas só agora, quando Jesus, com a sua Morte e Ressurreição, acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 O mostrar das mãos e do peito acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13), conforme Jesus prometera. «Ficaram cheios de alegria» é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor. Ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa «sopro»). Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo (cf. Act 1, 14; 2, 1), iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que estavam incumbidos.

23 «A quem perdoardes…» A Igreja viu nestas palavras a instituição do Sacramento da Reconciliação, que é fonte de paz e alegria, e definiu mesmo o seu sentido literal; de facto Jesus diz: «a quem perdoardes os pecados», e não: «a quem pregardes o perdão dos pecados» (segundo entendeu a reforma protestante). A expressão é muito forte, pois deve-se ter em conta o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus (passivum divinum); sendo assim, dizer ficarão perdoados corresponde a «Deus perdoará» e «ficarão retidos» equivale a «Deus reterá», isto é, não perdoará (cf. Mt 16, 19; 18, 18; 2 Cor 5, 18-19). Aqui se funda o ensino do Concílio de Trento ao falar da necessidade de confessar todos os pecados graves cometidos depois do Baptismo, uma doutrina que, já depois do Vaticano II, o magistério de Paulo VI reafirma: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); também o Catecismo da Igreja Católica, nº 1497, afirma: «a confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua a ser o único meio ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja»; cf. tb. o Motu proprio de João Paulo II, Misericordia Dei (7.4.2002) e Código de Direito Canónico (nº 960.).

24 «Tomé», nome aramaico Tomá significa «gémeo»; em grego, dídymos.

28 «Meu Senhor e meu Deus!» É da boca do discípulo incrédulo que sai a mais elevada profissão de fé explícita na divindade de Cristo, a qual engloba todo o Evangelho numa unidade coerente.

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê confiando em Deus, que na sua Revelação não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Como Tomé, também nós temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem ou de o céu estar nublado.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João, que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs: fazer progredir na fé e na vida cristã os fiéis, sem que se possa excluir também uma intenção de trazer à fé os não crentes. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca, aposta, ou caminhada, sem uma base doutrinal; a fé implica um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, pois é o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Note-se que há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 (O Verbo era Deus) e Jo 20, 28 (meu Senhor e meu Deus), tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: Eu e o Pai somos Um (10, 30).

 

Sugestões para a homilia

 

O Domingo, dia do “encontro” com Jesus Ressuscitado

A comunidade cristã, presença de Cristo Ressuscitado

O testemunho, hoje, das comunidades cristãs

 

O Domingo, dia do “encontro” com Jesus Ressuscitado

 

O evangelho narra-nos duas manifestações de Jesus: uma na tarde do próprio domingo da Ressurreição, a outra, oito dias depois. Nas duas ocasiões Jesus apresenta-Se com as mesmas palavras: «A paz esteja convosco!». Em ambos os encontros Jesus mostra os sinais da sua paixão.  O evangelista relata estas duas manifestações como tendo acontecido ao domingo.  Não é para admirar que o primeiro dia da semana se torne para os cristãos o dia do Senhor (= domingo).

Os que fazem a experiência do Ressuscitado são os mesmos, menos Tomé. Inicialmente exige provas, só acredita vendo. Não valoriza o testemunho da Comunidade. Não percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Fora da comunidade, não encontra o Cristo ressuscitado. Depois, voltando à comunidade, no "dia do Senhor" (Domingo), encontra-O e faz uma linda profissão de fé: "Meu Senhor e meu Deus". Quem não encontrou o Ressuscitado na Comunidade precisa de "provas" para acreditar.

Geralmente todos nós somos atraídos pelo «caso» S. Tomé. S. João escreve este texto por volta do ano 95 d.C. e escolhe este apóstolo como símbolo da dificuldade que todos os discípulos tiveram para chegar à fé. Com este episódio, o evangelista procura responder às dificuldades e obstáculos que os cristãos das suas comunidades fazem ouvir cada vez mais insistentemente.  

São cristãos de uma geração que não vira o Senhor Jesus e talvez a maioria deles nem sequer tenha contactado com algum dos apóstolos. Têm muitas dúvidas em acreditar que Jesus tenha mesmo ressuscitado. Gostariam de ver, tocar, conseguir verificar. João quer dizer aos cristãos destas comunidades (e também a nós) que o Ressuscitado possui uma vida que não consegue ser detectada pelos nossos sentidos, uma vida que não se pode tocar com as mãos, nem se pode ver com os olhos. Só pode ser detectada pela fé, pois quem tem a certeza do que é evidente, tem a prova irrefutável dum facto, mas não a fé. Não é possível ter provas científicas da ressurreição. Se alguém quer ver, comprovar, tocar, deve desistir de ter fé.

Enquanto nós geralmente dizemos «felizes os que viram», Jesus afirma, felizes os que não viram, pois a sua fé é mais autêntica e mais pura.

 

A comunidade cristã, presença de Cristo Ressuscitado

 

No Evangelho faz-se ouvir a voz de Cristo, a sua pessoa que transparece com mais intensidade na comunidade, que se reúne para celebrar a Eucaristia, o domingo, dia do Senhor.

Cada um de nós é convidado a dar a sua adesão, mas também pode recusar, pois não há provas para além da própria Palavra. Quem, como Tomé, não está presente nesses encontros da comunidade, não pode fazer a experiência do Ressuscitado. Não basta rezar em casa, assistir à missa pela TV, quando se tem possibilidade de reunir com a comunidade. Em casa podemos fazer a experiência de Deus, mas não a do Ressuscitado, porque Ele se faz presente onde a Comunidade está reunida. Quem não encontra o Ressuscitado tem necessidade de provas para acreditar, provas que não poderá obter.

A comunidade cristã deve ser voz e sinal visível da presença de Cristo ressuscitado.

 

O testemunho, hoje, das comunidades cristãs

 

Os cristãos das primitivas comunidades constituíam uma família, eram solidários uns com os outros e sentiam-se responsáveis por tudo o que acontecia aos seus irmãos.

Hoje, somos chamados de novo a apresentar ao mundo as mesmas obras, testemunhando que Jesus está vivo. Não basta rezar muito e meditar na Palavra, se as nossa obras não são coerentes com a fé que dizemos professar. Só vendo as nossas obras e verificando a veracidade dos nossos gestos as pessoas poderão acreditar.

Mas, será que a vida nas nossas comunidades é conforme ao que celebramos? Fora da igreja comportamo-nos realmente como irmãos, ajudando-nos, sentindo os seus problemas como nossos? Partilhamos os bens com os mais necessitados ou, egoisticamente só pensamos nos nossos interesses e na própria família?

 

Nesta celebração, peçamos ao Senhor que a nossa vida torne visível aos homens do nosso tempo, através de gestos concretos, que Jesus está vivo no meio de nós.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cristo que venceu, com a ressurreição, o medo e o temor que nos algemam, quer escancarar

as nossas portas fechadas e enviar-nos para testemunhar a força sanadora do amor que nos conquistou.»

«Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro» (Jo 20, 30). O Evangelho é o livro da misericórdia de Deus, que havemos de ler e reler, porque tudo o que Jesus disse e fez é expressão da misericórdia do Pai. Nem tudo, porém, foi escrito; o Evangelho da misericórdia permanece um livro aberto, onde se há de continuar a escrever os sinais dos discípulos de Cristo, gestos concretos de amor, que são o melhor testemunho da misericórdia. Todos somos chamados a tornar-nos escritores viventes do Evangelho, portadores da Boa Nova a cada homem e mulher de hoje. Podemos fazê-lo praticando as obras corporais e espirituais de misericórdia, que são o estilo de vida do cristão. Através destes gestos simples e vigorosos, mesmo se por vezes invisíveis, podemos visitar aqueles que passam necessidade, levando a ternura e a consolação de Deus. Deste modo damos continuidade ao que fez Jesus no dia de Páscoa, quando derramou, nos corações assustados dos discípulos, a misericórdia do Pai, efundindo sobre eles o Espírito Santo que perdoa os pecados e dá a alegria.

Mas, na narração que ouvimos, aparece um contraste evidente: por um lado, temos o medo dos discípulos, que fecham as portas da casa; por outro, temos a missão, por parte de Jesus, que os envia ao mundo para levarem o anúncio do perdão. O mesmo contraste pode verificar-se também em nós: uma luta interior entre o fechamento do coração e a chamada do amor para abrir as portas fechadas e sair de nós mesmos. Cristo, que por amor entrou nas portas fechadas do pecado, da morte e da mansão dos mortos, deseja entrar também em cada um para abrir de par em par as portas fechadas do coração. Ele que venceu, com a ressurreição, o medo e o temor que nos algemam, quer escancarar as nossas portas fechadas e enviar-nos. A estrada que o Mestre ressuscitado nos aponta é estrada de sentido único, segue-se apenas numa direção: sair de nós mesmos, sair para testemunhar a força sanadora do amor que nos conquistou. Muitas vezes vemos, diante de nós, uma humanidade ferida e assustada, que tem as cicatrizes do sofrimento e da incerteza. Hoje, face ao seu doloroso clamor de misericórdia e paz, ouçamos como que dirigido a cada um de nós o convite feito confiadamente por Jesus: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós (Jo 20, 21).

Cada doença pode encontrar na misericórdia de Deus um auxílio eficaz. Com efeito, a sua misericórdia não se detém à distância: quer vir ao encontro de todas as pobrezas e libertar de tantas formas de escravidão que afligem o nosso mundo. Quer alcançar as feridas de cada um, para medicá-las. Ser apóstolos de misericórdia significa tocar e acariciar as suas chagas, presentes hoje também no corpo e na alma de muitos dos seus irmãos e irmãs. Ao cuidar destas chagas, professamos Jesus, tornamo-Lo presente e vivo; permitimos a outros que palpem a sua misericórdia, e O reconheçam «Senhor e Deus» (cf. Jo 20, 28), como fez o apóstolo Tomé. Eis a missão que nos é confiada. Inúmeras pessoas pedem para ser escutadas e compreendidas. O Evangelho da misericórdia, que se deve anunciar e escrever na vida, procura pessoas com o coração paciente e aberto, «bons samaritanos» que conhecem a compaixão e o silêncio perante o mistério do irmão e da irmã; pede servos generosos e alegres, que amam gratuitamente sem nada pretender em troca.

«A paz esteja convosco!» (Jo 20, 21): é a saudação que Cristo leva aos seus discípulos; é a mesma paz que esperam os homens do nosso tempo. Não é uma paz negociada, nem a suspensão de algo errado: é a sua paz, a paz que brota do coração do Ressuscitado, a paz que venceu o pecado, a morte e o medo. É a paz que não divide, mas une; é a paz que não deixa sozinhos, mas faz-nos sentir acolhidos e amados; é a paz que sobrevive no sofrimento e faz florescer a esperança. Esta paz, como no dia de Páscoa, nasce e renasce sempre do perdão de Deus, que tira a ansiedade do coração. Ser portadora da sua paz: esta é a missão confiada à Igreja no dia de Páscoa. Nascemos em Cristo como instrumentos de reconciliação, para levar a todos o perdão do Pai, para revelar o seu rosto de amor nos sinais da misericórdia.

No Salmo Responsorial, foi proclamado: «O seu amor é para sempre» (118/117, 2). É verdade, a misericórdia de Deus é eterna; não acaba, não se esgota, não se dá por vencida diante das portas fechadas e nunca se cansa. Neste «para sempre», encontramos apoio nos momentos de provação e fraqueza, porque temos a certeza de que Deus não nos abandona: permanece connosco para sempre. Demos-Lhe graças por este amor tão grande que nos é impossível compreender. É tão grande! Peçamos a graça de nunca nos cansarmos de tomar a misericórdia de Deus e levá-la pelo mundo: peçamos para ser misericordiosos, a fim de irradiar por todo o lado a força do Evangelho, para escrever aquelas páginas do Evangelho que o apóstolo João não escreveu.

Papa Francisco, Homilia no Jubilei da Misericórdia, Praça de São Pedro, 3 de Abril de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Como acontecia na primeira comunidade cristã,

que orava e vivia como família solidária,

oremos também nós comunitariamente

pela Igreja e pelo mundo inteiro,

dizendo (ou cantando), a uma só voz:

 

Ouvi a nossa oração, Pai de misericórdia.

 

1.     Pela santa Igreja, presente em todos os continentes,

para que reunida em comunidade orante,

seja testemunha fiel da presença de Jesus Ressuscitado

no meio dos homens,

oremos, irmãos.

 

2.     Por todos os baptizados,

para que se mostrem coerentes em palavras e obras,

agindo unidos como irmãos, ajudando-se mutuamente,

e sentindo os problemas de cada um como sendo de todos,

oremos, irmãos.

 

3.     Por todos nós aqui presentes,

neste Dia da Divina Misericórdia,

para que saibamos agir misericordiosamente

para com todos,

oremos, irmãos.

 

4.     Por todos os pobres, os oprimidos,

doentes ou marginalizados,

para que o Senhor ressuscitado,

lhes conceda fé, paz e alegria,

oremos, irmãos.

 

5.     Por todos os que celebram comunitariamente

este Dia do Senhor e acreditam em Jesus ressuscitado,

sem O terem visto,

oremos, irmãos.

 

Senhor,

nosso Deus e Pai de misericórdia,

concedei-nos um coração agradecido

pelo encontro com Jesus Ressuscitado 

presente na Palavra e na fracção do pão,

Ele que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Aleluia! Aleluia! Cristo ressuscitou, J. Santos, NRMS 2 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Que o encontro com Cristo Jesus ressuscitado presente na Palavra e na Sagrada Eucaristia, nos purifique e ajude a eliminar todas as nossas acções negativas, deixando no nosso coração apenas a capacidade para amar solidariamente todos os nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai Comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo-poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

No Evangelho fez-se ouvir a voz de Cristo, presente na nossa comunidade orante, que se reuniu para celebrar a Eucaristia, o domingo, dia do Senhor.

Tomemos o compromisso de tornar visível aos homens do nosso tempo, através de gestos concretos de solidariedade e amor, que Jesus está vivo e presente no meio de nós.

Comprometamo-nos também a ser misericordiosos para com todos, como misericordioso é o nosso Pai Celeste.

 

Cântico final: Cantai a Cristo Senhor, Az. Oliveira, NRMS 97

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO PASCAL

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 29-IV: Sta. Catarina de Sena.

1 Jo 1, 5- 2,2 / Mt 11, 25-30

Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não procedemos segundo a verdade.

Santa Catarina de Sena (século XIV), Doutora da Igreja, teve uma grande influência na unidade da Igreja e na paz e concórdia entre os países e cidades da Europa. E por isso, foi nomeada Padroeira da Europa.

A cultura europeia anda realmente nas trevas (LT), e precisa da luz de Cristo e dos cristãos. Santa Catarina, apesar da sua pouca instrução, escreveu abundantes cartas às autoridades para voltarem ao bom caminho. Verificaram-se as palavras de Cristo: porque escondeste estas verdades aos sábios e as revelastes aos pequeninos (EV).

 

3ª Feira, 30-IV: Tempo de renovação e de partilha de bens.

Act 4, 32-37 / Jo 3, 7-15

A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma.

Aproveitemos o Tempo Pascal, apoiados nas palavras de Jesus a Nicodemos, para um novo nascimento: Vós tendes que nascer de novo (EV). Um dos aspectos da renovação pode ser o modo de vida dos primeiros cristãos (LT), um grande testemunho de fé (SR).

«Em cada Missa, somos chamados a confrontar-nos com o ideal de comunhão que o livro dos Actos dos Apóstolos esboça como modelo para a Igreja de sempre. É a Igreja congregada ao redor dos Apóstolos, convocada pela palavra de Deus, capaz de uma partilha, que inclui não só os bens espirituais, mas também os materiais (LT)» (S. João Paulo II).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   A. Elísio Portela

Nota Exegética: Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


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