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A HISTÓRIA DA IGREJA

 

 

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Ao celebrarmos o Pentecostes, sempre nos impressiona e nos faz louvar a Deus a «explosão» de fé em milhares de almas, dando início histórico à Santa Igreja. Que incomensurável chuva de graças sobre o mundo! Sobre este mundo sequioso de amor, de paz interior, de esperança, de felicidade eterna! Que bela, a História da nossa Salvação! É lógico revermos e acompanharmos o milagre da semente divina crescendo tão rapidamente, estendendo ramos e dando fruto abundante até aos mais recônditos povos e países. Nenhuma «História da Igreja» é capaz de o fazer plenamente.

Se abrirmos qualquer tratado ou manual intitulado «História da Igreja», já sabemos que nos remeterá aos Actos dos Apóstolos, à separação da Sinagoga, à sua expansão no Império Romano, à cristianização dos povos bárbaros, às lutas dogmáticas, políticas  e militares que se vão sucedendo em sucessivas crises, e às sucessivas «reformas», de sinal positivo ou negativo… É correcto entender por «Igreja» a sociedade de baptizados integrados pelo Baptismo n Instituição fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, dotada de uma fé indefectível, transmitida ao longo das gerações com a assistência do Espírito Santo, depositária dos santos Sacramentos, e organizada hierarquicamente. Mas também fazem parte dessa História a sua preparação e profecia desde o início da Humanidade através das Alianças com os Santos Patriarcas, de Noé a David, embora, compreensivamente, os historiadores se debrucem exclusivamente sobre a Nova e definitiva Aliança estabelecida pelo próprio Filho de Deus e confiada aos Apóstolos. Mas não esqueçamos que a Salvação teve e tem efeitos «retroactivos»: ainda antes do Pentecostes e da própria Ressurreição, a Salvação foi anunciada «aos espíritos que estavam no cárcere, àqueles que tinham sido rebeldes nos dias de Noé» (1 Ped 1, 19).

A verdadeira História da Igreja, de facto, não é a dos seus «avanços» e das suas crises institucionais; é a história da difusão da fé e da santidade aos longo dos séculos, panorama difícil – impossível - de «historiar», porque não coincide exactamente com a história do papado, do episcopado, das instituições religiosas, nem com as relações mais ou menos favoráveis à difusão e prática da fé no mundo… Passa-se no íntimo das almas.

A História da Igreja é a História da Salvação, ou seja a História da Humanidade. A Humanidade só existe porque Deus a criou para a felicidade eterna na Sua Glória. O valor real de qualquer acontecimento político, intelectual, artístico, económico, etc., é o da sua contribuição para a realização do projecto amoroso de Deus a nosso respeito. Nada acontece no mundo que não diga respeito à Igreja, nem temos outro futuro, graças a Deus, que não seja o da vida eterna de cada homem, corpo e alma.

Distinguir a «História Universal» da «História da Igreja» é tão-somente um recurso científico (reducionista, por definição) para comodidade de investigação. Mas, se a História «Universal» se reduz ao desenvolvimento e aos avatares da nossa condição terrena, por mais rigorosa e interessante que se apresente, não é a nossa verdadeira História.

 

 

 

 


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