aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

ÁUSTRIA

Refugiados preparam-se para o batismo em Salzburgo

 

Em 2017, mais de 860 adultos receberam o baptismo na Áustria sendo que muitos deles são refugiados. Esta é a história de Dieter e dos seus amigos estrangeiros em Salzburgo.

“Chamo-me Dieter e vivo em Salzburgo, na Áustria. No dia 9 de junho de 2017, juntamente com um grupo de refugiados, que na altura da sua fuga para a Áustria eram muçulmanos, participei na “Longa Noite das Igrejas”. Nessa ocasião fomos também à Capela do Colégio, onde se podem escrever pensamentos e desejos num muro. Um afegão aproveitou a oportunidade para escrever qualquer coisa em língua persa. Quando lhe perguntei o que significava, começou por hesitar, mas depois disse-me: “Isto quer dizer: Gostava que Jesus ficasse sempre comigo”. Nos olhos dos outros refugiados, consegui ver que compartilhavam esse desejo.”

A meio de dezembro 2016, Dieter participou numa actividade do Elijah 21 em Salzburgo. O grupo supra-confessional Elijah21 formou-se na Alemanha para dar a conhecer o Evangelho e o Cristianismo a refugiados. Foi exibido um filme sobre Jesus Cristo e quem estivesse interessado em saber mais sobre o Cristianismo podia entrar em contacto. Assim foram conhecendo vários refugiados muçulmanos, para quem começou a haver em Juvavum, no início de 2017, aulas de catequese.

As razões do interesse pela fé cristã são muito diversas. Um dizia que se tinha informado na Internet, outro contou: “No Afeganistão estava sempre a ouvir que os cristãos são maus. Agora já tenho 20 anos e posso pensar por mim próprio. Vim para a Áustria e os cristãos deram-me alojamento, comida e meios para viver. Além disso, são muito simpáticos. Gostava de saber mais sobre o Cristianismo”. Um terceiro tinha chegado no Inverno de 2015 a Traiskirchen (o primeiro local de acolhimento para todos os refugiados que chegam à Áustria). Aí tinha sido feita, por cristãos, uma árvore de Natal num bar. Nesse bar, as pessoas falavam sobre Jesus. Foi aí que “o fogo o apanhou”.

Para transmitir a fé católica na íntegra, apoiou-se no Catecismo da Igreja Católica quanto ao conteúdo. Para que as matérias apresentadas na Catequese também pudessem ser levadas à prática, cada participante recebeu um Buddy pessoal ou companheiro, que ao Domingo ia com ele à Missa e o iniciava tanto quanto possível nas práticas da fé cristã (p. ex. na oração diária).

Poucos meses após o começo da catequese, sentiram como os jovens desabrochavam. Por um lado sentiam-se bem cuidados e aceites, por outro lado descobriram cada vez mais a fé católica. Confirmou-se realmente como a Graça atua neles.

O verdadeiro interesse pela fé vê-se em diferentes pormenores. Uma vez anunciaram-lhes que, a partir do próximo encontro, vinham mais duas pessoas para o curso. Então, um disse que é bom que mais pessoas se interessem pela fé. Outro disse que gosta muito da oração do Pai-Nosso. Ao tratar do tema da Eucaristia, falaram-lhe sobre a presença real de Jesus na Hóstia. Olharam todos para quem falava, completamente entusiasmados, e os seus olhos deram claramente a entender: “Eu gostava de receber Jesus!”

Quando começou com a catequese, não sabiam se os refugiados estavam mesmo interessados só na fé ou se o faziam porque assim lhes era mais fácil conseguir autorização de residência. Estas dúvidas depressa se dissiparam. Acompanhando um dos participantes à sua audiência (chamada “entrevista” pelos refugiados), aí foram ouvidos sobre as razões da fuga, que constituem a base para a decisão sobre a concessão de asilo. No decorrer da audição, disse que esperava ser batizado dentro de três meses. Foi necessário esclarecer que, no âmbito das normas da Conferência Episcopal Austríaca, que observam aqui, o catecumenato deve durar pelo menos um ano. E ele respondeu: “Oh, isso não sabia. Mas mesmo que tenha de esperar cinco anos, estou de acordo. Além disso a minha conversão não tem nada a ver com as razões da minha fuga”.

Outro tinha muito medo da audição. Então mandaram-lhe um WhatsApp e sossegaram-no, dizendo-lhe que Deus tinha um grande plano para ele. No encontro seguinte disse: “Tanto me faz receber uma decisão positiva como negativa: eu encontrei Jesus!” Um afegão, que sempre tinha vindo com gosto à catequese, não tinha aparecido duas vezes seguidas. Então, convidaram-no por sms para uma conversa pessoal. Disse que um iraniano o tinha acusado de que vinha à catequese só porque assim aumentavam as suas possibilidades de conseguir ficar no país. Quando lhe garantiram que estavam convencidos da sinceridade das suas intenções, voltou muito satisfeito a tomar parte na catequese.

Ao princípio, havia receio de que os refugiados estivessem entusiasmados com o cristianismo, mas que esse entusiasmo desaparecesse logo que tivessem asilo, com as preocupações por arranjar casa, emprego e família. Por isso animaram-nos a cumprimentar o Senhor no Sacrário da Capela principal, quando chegavam ao Centro. Este hábito rapidamente se estabeleceu entre eles. Além disso, escreveram-lhes algumas orações (Oração frente ao Presépio, Oração pela Unidade dos Cristãos, etc.), que depois também rezavam com eles.

No decorrer de encontros pessoais, verificou-se que os receios eram infundados. Sugeriram a um dos participantes, que dedicasse diariamente algum tempo à oração pessoal. Olhou para quem lho dizia admirado e respondeu: “Mas eu falo todo o dia com Jesus”! A outro perguntaram o que tinha mudado nele através do seu encontro com o cristianismo. Disse: “Nunca estou só, pois sei que Jesus está comigo”. A um outro, sugeriram que rezasse diariamente uns minutos. E respondeu: “Já me disse isso há três meses. A partir dessa altura, rezo sempre de manhã e à noite”.

Entretanto, todos se habituaram a ir à Missa ao Domingo – a maior parte das vezes acompanhados. Além disso, todos rezam regularmente e com gosto. Gostam da oração afetiva cristã, que os liberta da obrigatoriedade de oração dos muçulmanos, porque afinal se trata acima de tudo do reconhecimento da submissão à vontade de Alá, independentemente do recolhimento ou da oração.

Alguns dos catecúmenos já têm direcção espiritual com um sacerdote, o que os ajuda a fazer progressos concretos na vida cristã.

A alegria da descoberta da fé católica não pode ficar escondida. Já em julho de 2017, dois dos participantes trouxeram cada um mais um amigo. Combinaram com os dois novos uma espécie de aulas particulares sobre as bases da fé católica, para poderem participar no curso de modo esclarecido. Agora o curso conta com nove participantes que aparecem com regularidade. No outono, apareceram novos interessados. Devido à crescente procura, começámos um novo curso no outono com seis a nove participantes.

Provou-se que não basta falar aos refugiados apenas sobre a fé cristã. Têm também de aprender, apesar da difícil situação em que muitas vezes vivem, a estudar muito e intensamente, para poderem entrar rapidamente no mercado de trabalho. Dois rapazes do grupo tinham participado até ao verão num chamado curso de transição, cuja conclusão requer um diploma obrigatório válido. Mas como não tinham ido a um número de aulas suficiente, não conseguiram terminar o ano com aprovação. Quando lhes explicaram que Deus queria que eles trabalhassem muito e bem, foi uma autêntica descoberta. Agora estão a frequentar um curso semelhante, com muito empenho e vão, com certeza, concluí-lo de modo positivo.

Quem encontra Jesus, encontra também a Cruz. É o que também acontece com os refugiados. Gostava de contar algo baseado na história de dois jovens.

Um iraquiano, que ficou muito ferido pelas milícias no decorrer de uma tentativa de fuga e por isso viera para a Áustria, falava com tanto entusiasmo da sua fé recém-descoberta, que foi atemorizado no lar de refugiados. Deram-lhe a entender que não era bem-vindo e cortaram-lhe as roupas. Então vi-me na necessidade de o ajudar – bem como a outro participante do curso – a arranjar um alojamento privado. No Verão ficou a saber que a sua própria irmã tinha sido raptada e pouco depois morta. Quando a família se inteirou da sua conversão (interior), terminaram qualquer espécie de comunicação com ele. No dia em que fez 27 anos, estava de volta à catequese. Então apontou-me para o seu telemóvel e disse: “Ninguém da minha família me ligou. Agora Jesus e Maria são a minha família”.

Um iraniano teve de sair da sua terra, porque se tinha interessado pelo cristianismo e fugiu para a Áustria. Pouco tempo depois de chegar a Salzburgo, recebeu o batismo cristão. Desde o início de 2017 frequenta a catequese e gostava de se tornar católico. Ao preencher o formulário de admissão na Igreja Católica, ficou a saber que, embora tivesse casado no Irão, a mulher, devido à sua conversão, tinha casado com outro. Quando lhe perguntei se amava a mulher ou se tinha seguido os planos dos seus pais, começou a chorar. Tinha esperado obter asilo na Áustria e depois ir buscar a mulher e levá-la até Jesus. Nessa altura, tinha batido no fundo. Não só a mulher o tinha deixado, como também o seu processo de autorização de residência se arrastava há meses. E ainda por cima não podia ficar mais tempo no seu alojamento privado e teve de voltar para o lar dos refugiados. Queixava-se de que não percebia por que Deus permitia isto, quando afinal ele tinha deixado tudo por Jesus. O pensamento de que Deus sabe mais, de que Ele tem um bom plano pronto para ele, de que tudo é para bem, deu-lhe por fim consolo. Mais uma vez se demonstrou a sua profunda fé. Foi na verdade difícil, mas aceitou esta cruz.

A única gota de amargura reside no facto de que nenhum deles tenha recebido até agora uma decisão positiva de asilo (por isso não mencionei os seus nomes).

 

BANGLADESH

Presidente da Cáritas Internacional

levou «a proximidade do Papa Francisco» aos refugiados rohingya

Dez 12, 2018 - 11:19

 

O presidente da Cáritas Internacional visitou os campos de refugiados de Cox’s Bazar, no Bangladesh, um distrito que acolhe atualmente mais de um milhão de muçulmanos rohingya, vítimas de perseguição no Estado de Rakhine em Mianmar.

O cardeal Luis Antonio Tagle destacou um “povo à espera de um futuro”, a quem deixou “a certeza da proximidade do Papa Francisco a todos os que estão em sofrimento”.

A deslocação daquele responsável católico a Cox’s Bazar marcou “a memória da visita do Papa ao Bangladesh e a Mianmar”, que decorreu entre 26 de novembro e 02 de dezembro de 2017. “Desde que estas pessoas precisem de solidariedade, de amor e de compaixão, a Cáritas vai estar sempre presente”, frisa D. Luis Antonio Tagle.

Aquele responsável passou pelo campo de Kutupalong, o maior dos 30 centros de acolhimento para refugiados existentes no distrito, esteve nos vários pontos de distribuição, em espaços para crianças e viu várias das casas já construídas pela Cáritas do Bangladesh, para estas pessoas mais carenciadas.

“A Cáritas Bangladesh está a fazer um trabalho excelente. Mas isto não é possível sem a colaboração de muitas outras organizações da Cáritas”, recorda D. Luis Antonio Tagle, que destaca o autêntico “milagre Um milagre, que só o amor, a compaixão, e o amor incondicional são capazes de concretizar” que está a acontecer na região.

Desde que a crise dos refugiados rohingya se agudizou, em 2017, a Cáritas do Bangladesh já canalizou mais de 8 milhões de dólares no apoio a estas pessoas, graças aos fundos recolhidos pelos membros das várias Cáritas espalhadas pelo globo.

Entre os projetos que estão a ser implementados, destaque para a ajuda prestada a mais de 40 mil agregados familiares e 240 mil pessoas refugiadas, em termos de bens essenciais, sobretudo alimentos, e também a aposta feita na construção de novas habitações e centros de acolhimento.

 

 

ESPANHA

A beatificação de Guadalupe será no Vistalegre Arena (Madrid)

 

A beatificação de Guadalupe Ortiz de Landázuri, a primeira pessoa leiga do Opus Dei que subirá aos altares, realizar-se-á no pavilhão Vistalegre, um conhecido espaço para eventos em Madrid.

Há mais de cem anos que Vistalegre tem testemunhado concertos, touradas, campanhas políticas, encontros de videojogos... e até cerimónias religiosas. Sem ir mais longe, no ano passado acolheu a beatificação dos mártires da Família Vicentina. Também ali se celebraram vários encontros de fiéis e amigos do Opus Dei com o anterior Prelado do Opus Dei, D. Javier Echevarría, nos anos 2011 e 2012.

Guadalupe Ortiz de Landázuri y Fernández de Heredia nasceu em Madrid em 12 de Dezembro de 1916, no dia da festa de Nossa Senhora de Guadalupe. Em 1932, terminou o liceu e iniciou o curso de Química. Fez os estudos com brilhantismo, embora tivesse de os interromper em 1936, ao estalar a guerra civil espanhola.

Em 1941, terminados os estudos, começou a dar aulas para prover às necessidades económicas da família. Em 1944 conheceu S. Josemaria Escrivá, o Fundador do Opus Dei, que a ajudou a descobrir que o trabalho profissional e a vida vulgar e corrente constituem o lugar de encontro com Cristo. Pouco tempo depois, pediu a admissão no Opus Dei.

A partir dessa data Guadalupe entregou-se sem condições a procurar a intimidade com Deus e a participar em diversas actividades apostólicas, como a administração doméstica de duas residências universitárias em Madrid e em Bilbau, onde organizou aulas para melhorar a preparação das jovens empregadas. Encarregou-se da direcção de uma Residência de estudantes universitárias em Madrid.

Pela sua generosidade, pela sua fortaleza e pela sua alegria, em 1951 o Fundador convidou-a a começar o trabalho apostólico das mulheres do Opus Dei no México. No dia 5 de Março desse mesmo ano partiu para o seu novo país. Aí dirigiu outra residência para universitárias, animando-as a ampliarem a sua formação humana e cristã, e a colocarem os seus conhecimentos ao serviço dos outros. Ao mesmo tempo, procurava a colaboração de mulheres profissionais e mães de família, às quais procurava contagiar a sua fé cristã.

Em 1956, Guadalupe muda-se para Roma; um ano depois volta a Espanha: manifestou-se-lhe uma doença do coração muito grave, sendo operada de uma estenose mitral. Recupera, faz o doutoramento com a máxima classificação, obtém o Prémio de Investigação Juan de la Cierva e o lugar de professora de Ciências numa Escola profissional pública. Ao mesmo tempo desempenha actividades formativas e de direcção no Opus Dei.

Até ao fim, vive o empenho que inundou a sua vida: aproximar de Deus aqueles que a rodeavam, com o seu exemplo de alegria e amizade. No dia 16 de Julho faleceu em Pamplona, com fama de santidade.

 

VENEZUELA

Conferência Episcopal denuncia «deterioração humana e social da população», com críticas ao governo

 

O presidente da Conferência Episcopal da Venezuela (CEV) alertou para o que chamou de “crise sem precedentes” que o país está a viver “em todas as áreas”, na abertura da 61.ª Assembleia Plenária do Episcopado, em Caracas.

“Infelizmente, aqueles que guiaram o governo nestes últimos anos, produzindo uma deterioração humana e social da população e da riqueza da nação, continuam no mesmo caminho, sem mudanças significativas na economia e para a melhoria das condições de vida dos venezuelanos”, disse D. José Luis Azuaje Ayala.

O arcebispo de Maracaibo alertou para a “alta taxa de pobreza” na Venezuela, para o aumento de pessoas doentes, que “não podem ser tratadas por instituições de saúde que entraram em colapso”, para a “maior ameaça e repressão” e uma “violência incontrolável” com “mais de 20 mil pessoas assassinadas em 2018”.

“Hiperinflação e a destruição do setor produtivo, corrupção aberta e brutal, a maior emigração na história venezuelana, centenas de prisioneiros políticos, civis e militares que clamam por justiça, violações dos direitos humanos que tiveram o seu ápice com o assassinato do jovem índio Pemon Charly Peñaloza, de 21 anos, e a repressão das comunidades indígenas e líderes comunitários” foram outras situações denunciadas pelo presidente da CEV. Para D. José Luis Azuaje Ayala “mudar completamente” essas políticas é um objetivo do qual “não se pode fugir”.

Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, tomou posse para um novo mandato, depois de vencer as eleições antecipadas de 20 de maio de 2018, que foram boicotadas pela oposição. “Tantas são as dúvidas sobre esse juramento: é legítimo, é ilegítimo?”, questionou o presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, assinalando que a história, “no momento apropriado”, dará o “seu veredicto”.

No seu discurso de abertura da 61.ª Assembleia Plenária do Episcopado, o arcebispo de Maracaibo incentivou a uma “mudança integral na política e lideranças”, pela união dos venezuelanos, “dentro e fora do país”.

“Continuar da mesma forma significa colocar as pessoas à beira do precipício”, alertou o presidente da Conferência Episcopal da Venezuela, que assumiu essas funções em 2018, numa intervenção divulgada pelo ‘Vatican News’.

A União Europeia não reconheceu os resultados das eleições de maio de 2018, tendo mesmo aumentado as sanções à Venezuela; Bruxelas pede a Caracas a realização de novas eleições presidenciais.

 

AMÉRICA

Papa assinala 525.º aniversário da primeira missa no continente

 

O Papa assinalou em 29 de dezembro de 2018 os 525 anos da primeira missa celebrada no continente americano, numa carta enviada ao cardeal Gregório Rosa Chávez, enviado especial do Vaticano aos festejos que vão ter lugar a 5 de janeiro de 2019 na República Dominicana.

Na missiva, publicada nesse dia pela sala de imprensa da Santa Sé, Francisco frisava que “o maior dom concedido por Jesus Cristo aos seus Apóstolos, na Última Ceia, foi o Sacerdócio e a Eucaristia”, dois sinais da Sua permanente presença no meio da humanidade.

A primeira Eucaristia no continente americano teve lugar a 6 de janeiro de 1494, em Isabela, Diocese de Puerto Plata, hoje República Dominicana, celebrada pelo padre Bernardo Boyl e concelebrada por outros doze sacerdotes que acompanharam o navegador Cristóvão Colombo na sua segunda viagem a este território. A Igreja Católica dominicana destaca Isabela como a “semente” que “deu início a uma grande colheita de cristãos”.

Atualmente, sob as ruínas da primeira igreja do Novo Mundo, em Isabela, ergue-se o Templo das Américas, onde é venerada a imagem de Nossa Senhora de Monserrat, que foi trazida durante a campanha de Cristóvão Colombo.

O Papa Francisco foi representado na festa dos 525 anos da primeira Eucaristia nas Américas, na República Dominicana, dia 5 de janeiro de 2019, pelo cardeal Gregório Rosa Chávez, bispo auxiliar de San Salvador.

A comitiva da Santa Sé incluía ainda os padres Carlos Manuel Abreu Frias, do clero da Arquidiocese de Santo Domingo e secretário-geral adjunto da Conferência Episcopal da República Dominicana, e Bernardo Kiwi, pároco da Diocese de Puerto Plata.

 

BRASIL

Tiroteio na Catedral de Campinas

 

O padre Amaury Thomazzi, que rezava a Missa invadida por um atirador na Catedral Metropolitana de Campinas, SP, deu detalhes sobre a tragédia e pediu orações pelas vítimas e pelo homem que efetuou os disparos.

Durante o tiroteio, quatro pessoas foram mortas e outras quatro ficaram feridas. O atirador, que ainda não foi identificado, suicidou-se.

Na tragédia de Campinas, um filho foi morto o proteger a mãe. O mais emocionante é que a mãe sobreviveu e ainda não sabe que o filho foi morto… e mais emocionante ainda: o filho foi morto tentando defender a mãe.

Sidnei Victor Monteiro, de 39 anos, e sua mãe Jandira Monteiro, 65, são do município paulista de Hortolândia e haviam ido a Campinas para uma consulta odontológica. Antes, porém, resolveram passar na catedral para fazer uma oração.

O neto confirmou que Jandira costumava passar pela catedral metropolitana de Campinas quando se dirigia a consultas médicas.

A respeito do tio, o jovem o descreveu como “muito querido pela família e pelos amigos”. Sidnei era casado, tinha um enteado e trabalhava na Universidade de Campinas (Unicamp). Quando soube através do pai que Sidnei tinha sido morto, Thiago ficou profundamente abalado: “Eu não acredito, não acredito! Meu tio não…”

 

SUDÃO DO SUL

Padre jesuíta foi assassinado

 

O padre jesuíta Victor Luke Odhiambo, de 62 anos, foi assassinado na sua comunidade religiosa, no Sudão do Sul, anunciou a Companhia de Jesus, em comunicado.

O sacerdote, primeiro jesuíta de nacionalidade queniana, foi vítima de um ataque a 14 de novembro, na casa de Cueibet, Estado de Gok; os outros três religiosos ficaram ilesos.

O governo regional de Gok decretou três dias de luto oficial.

Já o responsável mundial da Companhia de Jesus, padre Arturo Sosa, fala de uma “grande dor” e evoca o falecido jesuíta como um mestre de “milhares de estudantes”.

“Deixa o seu nome, não só no Sudão do Sul, mas como primeiro jesuíta a morrer ao serviço da sua gente em toda a África Oriental.

 

SÍRIA

A cruz escondida

 

No Vale dos Cristãos, na Síria, a ajuda da Fundação AIS faz milagres

Aprendiz de anjo-da-guarda. Majd Jalhoum era dentista em Homs, a cidade onde começou a guerra na Síria. A violência dos combates obrigaram-na a fugir, tal como milhares de pessoas. Hoje vive em Marmarita, uma pequena localidade no chamado Vale dos Cristãos. A pobreza no país é tanta que ela decidiu que tinha de fazer alguma coisa. A sua consciência obrigou-a a agir. Hoje é voluntária. Trabalha com a Fundação AIS. Ela é um dos rostos da solidariedade da Igreja neste país.

O Vale dos Cristãos não tem muitas marcas da guerra que tem martirizado a Síria nos últimos anos. Parece que escapou ao conflito. No entanto, por lá travaram-se duras batalhas, mas nada que se compare com Alepo, por exemplo. Apesar disso, a guerra está presente nas memórias, nas palavras e até no olhar dos que vivem neste vale. Ali, quase todos são refugiados. Fugiram da violência e da morte. Fugiram para o Vale dos Cristãos. Praticamente todos os que vivem no Vale dos Cristãos dependem da ajuda da Igreja. Quase todos ficaram sem nada. A guerra levou-lhes tudo: familiares e amigos que morreram, a casa, o trabalho, as economias. Estão vivos mas estão sem nada.

Ali todos têm uma história para contar. Majd Jahoum era dentista em Homs mas foi forçada a deixar a cidade por causa da violência da guerra. Os seus pais e irmãos decidiram fazer as malas rumo aos EUA. Ela podia ter ido com eles, mas decidiu ficar no país. Hoje, está no Vale dos Cristãos e é voluntária. Trabalha para a Igreja. É um dos rostos da Fundação AIS junto da comunidade cristã. Recém-formada em medicina dentária, com um futuro promissor à sua frente, não foi fácil para Majd ficar na Síria e não seguir para os EUA com a família. Foi uma decisão muito pensada, muito rezada. “Estou aqui graças à minha fé. Em todo este tempo, compreendi que o meu destino era ficar aqui e ajudar todas estas pessoas”, explica à Fundação AIS, acrescentando: “a minha inspiração foi e é Jesus”.

Se Majd Jahoum tivesse acompanhado os pais para os EUA, o trabalho que a Igreja desenvolve ali, no Vale dos Cristãos, não seria o mesmo. Majd trabalha no Centro de Ajuda de São Pedro, que é apoiado directamente pela Fundação AIS.

O mais importante de tudo é a forma como ela lida com as pessoas, como sorri. A ternura que coloca nos mais pequenos detalhes. Isso é que faz toda a diferença. Majd era dentista em Homs. Agora é aprendiz de anjo-da-guarda no Vale dos Cristãos. “Cuidamos das famílias desalojadas. Inicialmente, começámos com uma ajuda simples, cabazes de alimentos e ‘kits’ de higiene.”

Majd faz questão de visitar essas famílias todos os dias. Ela conhece todas as pessoas. Sabe de cor as suas histórias, os seus lamentos. Já partilhou com eles as lágrimas do sofrimento causado pela guerra. Ali, no Vale dos Cristãos, todos vivem da solidariedade da Igreja. Na Síria, o passado é um lugar terrível, mas o futuro mostra-se ainda desconhecido.

Se as memórias dos anos de guerra assustam, o futuro também intimida. Majd podia estar agora nos EUA com a família, a exercer a sua profissão de dentista, mas está ali, no Vale dos Cristãos, a servir a comunidade. “Sinto que aquilo que fazemos faz realmente a diferença. Estas famílias dependem de nós.” Por vezes, o Centro de Ajuda de São Pedro é confrontado com situações muito complexas. Alguém que precisa de uma operação, uma família que acaba de chegar de mãos vazias, medicamentos que se esgotam nas prateleiras… Alimentos ou vestuário que não chegam para todas as necessidades. Por vezes, as coisas parecem difíceis, mas acabam sempre por se resolver. “Agradecemos a Deus todos os dias. Sabemos que são as mãos de Deus que os fazem”, diz Majd Jalhoum. Na verdade, é ela que empresta as suas mãos a Deus…

 

ÁFRICA

Bispos católicos esperam «eleições credíveis e pacíficas»

para Senegal e Guiné-Bissau

 

Os bispos da Conferência Episcopal de Senegal, Mauritânia, Cabo Verde e Guiné-Bissau, reunidos em assembleia plenária ordinária em Dakar, lançaram um apelo “a favor de eleições credíveis e pacíficas” na região.

No comunicado final da assembleia, os responsáveis católicos expressam especial preocupação pelos atos eleitorais que se avizinham na Guiné-Bissau e no Senegal.

No país lusófono, a ida às urnas era para ter acontecido no dia 18 de novembro, no âmbito das eleições legislativas, mas dificuldades técnicas e financeiras, e atrasos no recenseamento da população, colocaram em causa a transparência do processo. O recenseamento foi prolongado durante mais 15 dias, e só depois foi marcada para 10 de março do ano corrente a concretização das eleições legislativas na Guiné-Bissau.

No que toca ao Senegal, estão em causa as presidenciais em 2019, que por agora contam apenas com um candidato, o atual chefe de Estado Macky Sall, envolto em polémica por alegadamente estar a instrumentalizar a Justiça para atingir os seus fins.

Macky Sall admitiu que, se ganhar as eleições, irá libertar Khalifa Sall e Karim Wade, dois dos seus opositores, o primeiro atualmente detido por desvio de fundos, e o segundo no exílio fora do Senegal por uma dívida de 200 milhões de francos CFA.

“Como pastores, interessamo-nos pela vida social e política dos nossos diferentes países, sobretudo da Guiné-Bissau e do Senegal, que se preparam para as eleições”, referem os bispos da Conferência Episcopal de Senegal, Mauritânia, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Os bispos deixaram “um apelo forte à consciência cívica de todos, sobretudo dos atores políticos, em favor de eleições credíveis e pacíficas”, e exortaram “todos os candidatos a colocarem como prioridade nos seus programas, o respeito, a promoção do bem comum e os interesses de todos os cidadãos”.

Durante a assembleia plenária em Dakar, os bispos católicos tiveram oportunidade de se encontrarem com o presidente do Senegal, Macky Sall, uma ocasião que aproveitaram para abordar “alguns pontos relativos à vida da nação” africana e convidar o chefe de Estado para “rezar em conjunto pela coesão social e pelo bem-estar das populações”.

Durante os trabalhos, que decorreram na Arquidiocese de Dakar, os bispos católicos de Senegal, Mauritânia, Cabo Verde e Guiné-Bissau receberam por intermédio do Núncio Apostólico, os cumprimentos do Papa Francisco, com particular destaque para o “estabelecimento das relações diplomáticas entre a Santa Sé e a República Islâmica da Mauritânia”.

 

ANGOLA

Exploração ilegal de diamantes

é feita por crianças com menos de 12 anos

 

O diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados em Angola disse à Agência ECCLESIA que a exploração ilegal de diamantes o Norte do país está a ser feita por crianças com 12 anos e algumas “ainda menos”, vítimas de “tráfico de seres humanos”.

“São crianças dos 12, algumas ainda mais pequenos, e até aos 17 anos”, a maioria da Republica Democrática do Congo, adiantou o padre Celestino Malange, que tem acompanhado a “Operação Transparência” na região, que já levou ao repatriamento de mais de 500 mil congoleses, dos quais 80 mil são crianças.

O Governo de Angola colocou em marcha a “Operação Transparência” no dia 25 de setembro de 2018, com o objetivo de pôr fim à extração e comércio ilegais de diamantes e outros produtos naturais nas províncias de Malanje, Lundas Norte e Sul, Cuanza-Sul, Cuando Cubango, Bié, Moxico, Zaire e Uíge.

De acordo com o diretor do JRS-Angola, as crianças estavam a ser usadas como “mão de obra barata”, a maioria são “desacompanhadas”, afirmando a suspeição de “tráfico de crianças” com o objetivo de explorarem as minas de diamantes, por serem mais ágeis.

 “Os patrões, como são chamados, apostam nas crianças, porque são mais ágeis, não exigiriam muito, porque pagam-lhes migalhas, não têm acesso à educação, vêm para cá e pensam que é uma oportunidade para trabalhar para os pais”, sustentou. Ninguém está interessado em levantar este problema: há uma grande exploração e violação dos direitos da criança”, afirmou o padre Francisco Malange.”

O Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Cáritas em Angola estão a acompanhar o processo de repatriamento dos trabalhadores imigrantes nas explorações ilegais de diamantes, assim como os refugiados acolhidos no assentamento de Lóvua e outros cidadãos que se fixam nas comunidades à espera da “assistência necessária”.

 

CABO VERDE

15 dias de 60 universitárias portuguesas

 

Pelo segundo verão consecutivo, 60 universitárias portuguesas, após preparação prévia em centros do Opus Dei em Portugal, foram trabalhar para a cidade da Praia, Cabo Verde. Uma delas conta como foi.

 “A preparação antecipou o previsível e abriu-nos para o inesperado. Aterrámos à noite, já escuro, naquele ambiente quente e húmido. Uma carrinha tipo “pão-de-forma”, onde cabe sempre mais um, levou-nos ao alojamento, a escola do Palmarejo.

Ensinámos crianças e, também, bebés: um dia veio um de 2 anos, naquela manhã confiado à tia, uma aluna de 5 anos!

Começámos no Bairro do Fonton. Organizámos para elas cursos de Artes, Dança, Teatro, Música. Com a “Volta ao Mundo” passeámos pelos caminhos de outras geografias, hábitos e culturas. Ensinámos crianças e, também, bebés: um dia veio um de 2 anos, naquela manhã confiado à tia, uma aluna de 5 anos! Cada hora desafiou a nossa criatividade para a grande odisseia de criar ordem com aqueles bebés a correr para o meio de um jogo de futebol, a pedir colo ou, mais directamente, a atirar-se para o primeiro colo disponível.

As médicas, enfermeiras e estudantes de cursos de saúde foram oferecer os seus serviços no dispensário médico. A cidade da Praia tem acesso a cuidados de saúde, pelo que se tratava de dar um pequeno contributo. O ambiente do dispensário médico deve ter parecido simpático pois além das que precisavam, vieram também crianças que não estavam doentes e inventavam modos de andar por lá. A enfermeira viu um menino com uma ferida perfeitamente cicatrizada que, porém, lhe pediu: “cura-me!”. O pedido era irrecusável, e a enfermeira acedeu: colou-lhe o penso e desenhou por cima um sorriso. A felicidade da criança é fácil de imaginar!

À tarde a atividade Ambiente fazia os mais novos ficar ao rubro. Uns dias, fizemos cartazes de sensibilização; outros, plantámos flores e ervas aromáticas, recolhemos lixo, aprendemos músicas ecológicas, pintámos mensagens em muros … Atingimos o ponto alto com a “Marcha do Ambiente”: as crianças deram uma volta por todo o bairro do Fonton com cartazes, músicas e lemas previamente ensaiados, para sensibilizar as pessoas. Megafones, balões e muita convicção para que a mensagem passasse e ficasse no ar por muito tempo!

Também realizámos acções para adultos, agrupados em cursos de Cozinha, Informática, Empreendedorismo, Voluntariado e Primeiros Socorros. Foi tal a adesão, que no segundo dia ficaram preenchidas todas as vagas das inscrições.

Uma verdadeira onda de solidariedade e cooperação que rapidamente passou da realidade virtual para o mundo real. É o resultado da campanha “Mochilas Solidárias” organizada pelo Projecto Cabo Verde que recolheu mais de 2.000 mochilas cheias de material escolar para ajudar as crianças da Cidade da Praia.

As mochilas foram recolhidas em mais de cem escolas em Portugal. Para os responsáveis do projecto “a enorme adesão das escolas e alunos reflecte a consciência social dos jovens e a vontade destes em contribuir para os mais carenciados”.

 

IRAQUE

Secretário de Estado do Vaticano celebrou Natal com católicos

 

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, celebrou o Natal com a comunidade católica no Iraque, país onde permaneceu até ao dia 28 de dezembro.

O responsável encontrou-se com o primeiro-ministro Adil Abdul Mahd e membros do Governo, no Palácio Presidencial, onde leu uma mensagem de Natal para o Iraque.

“O Natal é uma festa para todos e a sua mensagem é dirigida a todos os homens de boa vontade. Como indivíduos e como comunidades, cristãos e muçulmanos são chamados a iluminar a escuridão do medo e da falta de sentido, a irresponsabilidade e o ódio com palavras e atos de luz, lançando sementes de paz, verdade e justiça”.

Juntamente com o patriarca de Babilónia dos Caldeus, o cardeal Louis Raphael I Sako, D. Pietro Parolin concelebrou a Missa da noite de Natal na Catedral de São José, distrito de Karrada.

“É uma visita muito bem-vinda, especialmente nestes dias em que recordamos o nascimento do Salvador”, referiu ao portal de notícias do Vaticano D. Shlemon Warduni, bispo auxiliar de Bagdad.

Entre as outras atividades programadas, esteve a visita do cardeal à Igreja sírio-católica de Nossa Senhora da Salvação, onde em 2010 dezenas de fiéis e dois sacerdotes foram assassinados por terroristas islâmicos.

O bispo Shlemon Warduni recordou que “quase um milhão de cristãos deixaram o Iraque”, nos últimos anos, denunciando um plano de “esvaziar o Médio Oriente de cristãos”.

O auxiliar de Bagdad admitiu que a comunidade católica tem o sonho de “acolher em breve” o Papa Francisco no Iraque.

 

ARGÉLIA

Beatificação dos 19 mártires

 

O Papa prestou homenagem aos 19 mártires da Argélia que foram beatificados neste país, no dia 8 de dezembro do ano findo, denunciando as “perseguições” de que os cristãos continuam a ser alvo no mundo.

O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Giovanni Angelo Becciu, enviado especial de Francisco presidiu à cerimónia de beatificação, no Santuário de Nossa Senhora de Santa Cruz, em Orã.

Entre os novos mártires da Igreja Católica estão o antigo bispo da cidade argelina de Orã, D. Pierre Claverie, e 18 religiosos e religiosas assassinados durante a guerra civil, entre 1991 e 2002, incluindo sete monges trapistas de Tibhirine, mortos em 1996.

O Papa Francisco lembrou, no mesmo dia da Beatificação, o exemplo dos 19 mártires da Argélia e afirmou o desejo de continuar a trabalhar pelo diálogo.

“Acreditamos que esta celebração, sem precedentes, na Argélia, atrairá um grande sinal de fraternidade no céu argelino para o mundo inteiro”, afirmou Francisco numa mensagem dirigida ao cardeal Giovanni Angelo Becciu, enviado especial do Papa para a celebração na Argélia.

A história dos monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância – Christian de Chergé, Luc Docher, Christophe Lebreton, Michel Fleury, Bruno Lemarchand, Celestin Ringeard e Paul Favre-Miville – raptados e assassinados em Tibhirine, deu origem ao filme ‘Dos homens e dos deuses’, do realizador francês Xavier Beauvois.

Entre os beatos estão ainda duas agostinianas espanholas, as irmãs Caridade Álvarez e Esther Paniagua, assassinadas durante as revoltas de 1994.

O Papa manifestou “união” nesta “ação de graças” por “vidas totalmente dadas pelo amor de Deus” e expressou o desejo de que a celebração de beatificação possa “ajudar a curar as feridas do passado” e ajude a criar “uma dinâmica de encontro e convivência”.

A missiva lembrou ainda a herança espiritual de amor de Santo Agostinho de Hipona que, afirmou Francisco, importa impulsionar junto dos povos que “procuram promover a sua aspiração de «viver juntos em paz»”.

 

ITÁLIA

Veneza tingiu-se de vermelho em nome dos cristãos perseguidos

 

A cidade de Veneza, em Itália, esteve uma noite pintada de vermelho em memória dos cristãos perseguidos, numa iniciativa organizada pelo Patriarcado local e pela Fundação Ajuda a Igreja que Sofre.

Numa mensagem enviada ao Patriarca de Veneza, o Papa classifica este acontecimento como “uma iniciativa providencial” para recordar todos quantos hoje ainda vivem privados do direito à liberdade religiosa e de culto. “Existem países onde é imposta uma única religião, e outros onde assistimos a uma perseguição violenta ou a um achincalhamento cultural sistemático exercido sobre os discípulos de Jesus”, lamentou Francisco.

Depois de o Coliseu de Roma ter sido pintado a vermelho, para lembrar o mundo da situação dos cristãos, martirizados pela sua fé um pouco por todo o mundo, desta vez foi a cidade de Veneza, considerada um dos patrimónios culturais mais relevantes do mundo.

Recorde-se que em Portugal, no âmbito do mesmo projeto, foram iluminados com a cor do sangue, a simbolizar o sofrimento dos cristãos, os monumentos do Cristo-Rei, em Almada, Setúbal; e a Basílica dos Congregados, em Braga.

Naquela que foi a iniciativa mais recente deste género, em fevereiro do ano findo, o Papa recebeu a família de Asia Bibi, uma mulher cristã que recentemente foi libertada da prisão depois de 9 anos encarcerada no corredor da morte, no Paquistão, por alegadamente ter insultado Maomé. Nessa mesma ocasião recebeu também a nigeriana Rebecca Bitrus, que durante dois anos sofreu em cativeiro às mãos do grupo armado islâmico Boko Haram, que quer implementar o Islão no norte da Nigéria.

Em declarações divulgadas pela Fundação AIS, a filha de Asia Bibi já veio agradecer todos os esforços que foram feitos, ao longo dos anos, a favor da libertação da sua mãe. Eisham, que tinha 9 anos na altura em que a sua mãe foi presa, deixa também um reconhecimento especial aos juízes que ilibaram Asia Bibi, pela “coragem” que revelaram, “e ao sistema judicial do Paquistão, que finalmente reconheceu a sua inocência”.

Asia Bibi foi libertada no dia 7 de novembro e encontra-se neste momento num local não divulgado pelas autoridades, para não comprometer a sua segurança.

A maioria muçulmana não se conformou com a decisão do Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão, e tem promovido violentos protestos um pouco por todo o país.

Na mesma declaração vídeo, a filha de Asia Bibi, Eisham, agradece o esforço e a oração de todos quantos acompanharam este caso, e faz votos para que “muito em breve a sua família esteja toda reunida”.

Recorde-se que além do marido, Ashik Masih, e da filha Eisham, a paquistanesa cristã Asia Bibi tem mais quatro filhos, que agora vai poder voltar a ver.

 

CAMARÕES

Jovem sacerdote assassinado nos Camarões

 

O portal do Vaticano noticiou em 23 de novembro do ano findo o assassinato do padre Padre Costas Ombato Ondari, de 30 anos, na Diocese de Mamfe, nos Camarões, o segundo caso de homicídio de sacerdotes em quatro meses.

O crime aconteceu na quarta-feira anterior, no sudoeste dos Camarões, a região anglófona, palco de um conflito armado entre o Exército governamental e os separatistas do movimento South Camaroun Ambazonia United Front.

O sacerdote, originário do Quénia, tinha sido ordenado em 2017 e pertencia à Sociedade Missionária de São José de Mill Hill.

Fontes locais, citadas pelo portal de notícias do Vaticano, indicam que o padre Ondari terá sido assassinado durante uma operação militar levada a cabo por forças de segurança camaronesas contra milícias separatistas.

O falecido sacerdote, vigário da Paróquia de São Martinho de Tours em Kembong, foi atingido a tiro junto da igreja local.

 

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

Vaticano denuncia «massacre» diante de Catedral

 

O Vaticano denunciou em 16 de novembto de 2018 o que classifica como “massacre” acontecido diante da Catedral de Alindao, onde se encontrava um campo de refugiados, que terá provocado pelo menos 42 mortos.

Dezenas de rebeldes lançaram um ataque armado, na quinta-feira, considerado como resposta da denominada Unidade para a Paz na República Centro Africana ao assassinato de um muçulmano às mãos dos “anti-Balaka”.

O portal de notícias do Vaticano fala da morte de dois sacerdotes e de refugiados “queimados vivos”, durante o ataque.

A igreja de Alindao e uma parte do campo de deslocados que está na localidade foram incendiados, adiantou uma fonte da ONU.

A República Centro-Africana vive uma onda de violência desde 2013, após a queda do presidente François Bozizé por vários grupos reunidos na designada Séléka (coligação, na língua local), o que suscitou a oposição de outras milícias, os chamados “anti-Balaka.

 

PAQUISTÃO

Dois irmãos cristãos enfrentam pena de morte por blasfémia

Dez 17, 2018 - 10:31

  

A Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS) alertou para a situação de dois irmãos cristãos, que foram condenados à morte no Paquistão, por alegadamente terem ofendido Maomé e o Islão.

Numa nota publicada aquele organismo católico adianta que os dois irmãos cristãos paquistaneses, Qaisar e Amoon Ayub, são ambos casados – o primeiro tem três filhos – e estão “detidos no estabelecimento prisional de Jehlum desde 2015”.

A acusação remonta a 2014, e envolve Qaisar e Amoon Ayub na alegada publicação na internet de “informação considerada ofensiva para o Islão”.

Com base na ‘Lei da Blasfémia’, os dois irmãos cristãos foram agora formalmente condenados à morte, uma sentença que já mereceu repúdio por parte da organização Class, que “presta apoio jurídico às vítimas de intolerância religiosa no Paquistão”.

Recorde-se que recentemente a atualidade no Paquistão ficou marcada pela libertação de Asia Bibi, um dos principais rostos da questão da liberdade religiosa no país. A mulher cristã paquistanesa, mãe de cinco filhos, permanecia presa no corredor da morte há 9 anos acusada de ter blasfemado contra Maomé.

A decisão do Supremo Tribunal de Justiça foi acolhida com grande contestação por parte da maioria muçulmana presente no Paquistão.

Os casos de condenação à morte, com base na ‘Lei da Blasfémia’ no Paquistão, continuam a “crescer”, apesar do caso de Asia Bibi, realça a AIS.

Esta situação levou recentemente à criação de uma comissão para a proteção dos direitos das minorias religiosas no Paquistão, formada por juristas e por elementos ligados à defensa dos direitos humanos.

 

 


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