1º Domingo da Quaresma

10 de Março de 2019

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vamos todos guiados pela esperança, F. da Silva, NRMS 14

Salmo 90, 15-16

Antífona de entrada: Quando me invocar, hei-de atendê-lo; hei-de libertá-lo e dar-lhe glória. Favorecê-lo-ei com longa vida e lhe mostrarei a minha salvação.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Iniciámos na passada Quarta-Feira de Cinzas o santo tempo litúrgico da quaresma, com o qual nos queremos preparar para a grande Festa da Páscoa e para o grande encontro definitivo com o Senhor no momento da nossa morte. Neste primeiro Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus pretende ajudar-nos na escolha dos caminhos que devemos seguir para vencermos as tentações com que os inimigos da nossa alma nos procuram desviar da verdadeira felicidade terrena e eterna. Esses caminhos são-nos apresentados pelo Mestre por excelência, que é Jesus Cristo. Ele quer ajudar-nos na nossa caminhada. Com Ele todas as dificuldades, por maiores que sejam, serão vencidas. Aprendamos com Ele, para que, com a Sua ajuda e exemplo as consigamos sempre também vencer.

 

Ato penitencial

 

    Porque muitas vezes caímos em faltas de amor ao Senhor, comecemos por LHE pedir perdão.

    ( Tempo de silêncio, ou em alternativa a sugestão que se segue)

 

    Senhor Jesus,

que nos chamais à emenda de vida, e nos ofereceis

com o perdão dos pecados a alegria de viver, tende misericórdia.

 

    Cristo, misericórdia!

 

    Jesus Cristo, que ofereceste a vida no altar da Cruz,

    para nos reconciliardes a todos com o Pai,

    fonte do verdadeiro Amor e da alegria, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor Jesus, que não quereis que o pecador viva triste e se condene,

    mas que se arrependa e viva para sempre, cheio de alegria, tende misericórdia.

 

    Senhor, misericórdia! 

 

    Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

    Perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A passagem do Livro do Deuteronómio que vamos ouvir, recorda-nos uma cerimónia em que os israelitas, com a entrega das suas primícias da terra ou dos rebanhos, proclamavam a fidelidade de Deus às suas promessas e reconheciam que tudo o que possuíam era dom do Senhor.

 

Deuteronómio 26, 4-10

Moisés falou ao povo, dizendo: 4«O sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra e colocá-las-á diante do altar do Senhor teu Deus. 5E diante do Senhor teu Deus, dirás as seguintes palavras: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egipto com poucas pessoas, e aí viveu como estrangeiro até se tornar uma nação grande, forte e numerosa. 6Mas os egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos e sujeitaram-nos a dura escravidão. 7Então invocámos o Senhor Deus dos nossos pais e o Senhor ouviu a nossa voz, viu a nossa miséria, o nosso sofrimento e a opressão que nos dominava. O Senhor fez-nos sair do Egipto com mão poderosa e braço estendido, 8espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios. 9Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, uma terra onde corre leite e mel. 10E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’. Então colocarás diante do Senhor teu Deus as primícias dos frutos da terra e te prostrarás diante do Senhor teu Deus».

 

A nossa leitura é tirada da parte final do chamado «Código Deuteronómico» (Dt 12 – 26) e contém a oração ritual a recitar no momento da oferta ao Santuário dos primeiros frutos da terra, as primícias. Esta oração contém o que Gerhard von Rad classificou de «Credo histórico», isto é um resumo do núcleo da fé de Israel, que é fundamentalmente uma confissão de fé nas intervenções salvadoras de Yahwéh na história deste povo, centradas na libertação da escravidão do Egipto e na instalação em Canaã, a terra prometida. Podem ver-se outras profissões de fé semelhantes em: Dt 6, 20-24; Jos 24, 1-13; Ne 9, 6-37; Jr 32, 17-25; Salm 136 (135).

5 «Um arameu errante». Trata-se de Jacob, que personifica a era dos patriarcas, assim chamado quer pelo facto de a migração de Abraão estar ligada com as movimentações de tribos de arameus na zona do Médio Oriente, mas também em razão de ter muitas relações de parentesco com a Mesopotâmia, onde vivia o seu tio Labão, o arameu (Gn 28,1-5), e onde passou longos anos em Aran com as suas mulheres (cf. Gn 29 – 30). Jacob, bem como Isaac e Abraão, levou uma vida semi-nómada, acabando por se estabelecer no Egipto «com uma família pouco numerosa», isto é, um grupo de 70 pessoas (Gn 46, 26-27; cf. Ex 1, 1-5).

9-10 «Deu-nos esta terra… E agora…» O gesto de oferecer as primícias tem esse sentido de gratidão de quem quer corresponder a tanto amor de Deus com a oferta simbólica, os primeiros frutos da terra. Por outro lado, era uma confissão de fé em Yahwéh, o único que concede a fertilidade, e ao mesmo tempo era uma forma de abjurar os sedutores cultos idolátricos da fertilidade – tão característicos de Canaã – da deusa Astarté. A oração também põe em evidência o forte contraste entre o pobre arameu errante, sem leira nem beira, e o agricultor a desfrutar livremente duma terra ideal – onde corre leite e mel – dada por Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 90 (91), 1-2.10-15 (R. cf. 15b)

 

Monição: O Salmo que vamos rezar (cantar) é um cântico de confiança em Deus, de segurança e paz que d’Ele nos vem, porque temos a certeza de que Deus nunca nos faltará. Façamos dele a oração de plena confiança na vida, sobretudo quando a tentação nos fizer sentir que estamos em perigo.

 

Refrão:     estai comigo, senhor, no meio da adversidade.

 

Tu que habitas soba a protecção do Altíssimo

e moras à sombra do Omnipotente,

diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:

meu Deus, em Vós confio».

 

Nenhum mal te acontecerá

nem a desgraça se aproximará da tua tenda,

porque Ele mandará os seus Anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Na palma das mãos te levarão,

para que não tropeces em alguma pedra.

Poderás andar sobre víboras e serpentes,

calcar aos pés o leão e o dragão.

 

Porque em Mim confiou, hei-de salvá-lo;

hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.

Quando me invocar, hei-de atendê-lo,

estarei com ele na tribulação,

hei-de libertá-lo e dar-lhe glória.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fieis da Igreja de Roma, convida-nos a abandonar uma atitude arrogante e autosuficiente em relação à salvação que Deus nos oferece. A salvação não é uma conquista pessoal, mas um dom gratuito de Deus. É necessário converter-se a Jesus, isto é, reconhecê-LO como o Senhor e acolher no coração a salvação que, em Jesus, o Pai nos oferece.

 

Romanos 10, 8-13

Irmãos: 8Que diz a Escritura? «A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração». Esta é a palavra da fé que nós pregamos. 9Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação. 11Na verdade, a Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido». 12Não há diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam. 13Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

 

A citação do Deuteronómio com que começa o trecho desta leitura, refere-se à proximidade da revelação da salvação de Deus (cf. Dt 30, 12-14), ao dizer que não é preciso cruzar os mares nem subir às alturas para a encontrar. Para Israel ela estava encerrada na Thoráh; para os cristãos ela está patente na pregação apostólica da Igreja, e só nos resta aderir a ela interiormente e professá-la externamente. Mas S. Paulo vai mais longe, pois pretende mostrar que a salvação divina é uma realidade acessível a todos, sem distinção de raça ou nação, apenas se exige «crer» (e cita Is 28, 16) «e invocar o nome do Senhor» (cita Joel 3, 5), o Senhor, que é Jesus.

9 «Se confessares… que Jesus é o Senhor», isto é, que Jesus é Deus. Senhor – Kyrios – é a tradução dos LXX para o nome divino de Yahwéh; daí que aplicar este nome a Jesus é fazer uma profissão de fé na sua divindade; este frequente procedimento do N. T. é chamado um deraxe cristológico (uma actualização do A. T. para exprimir quem é Jesus, o mistério da sua pessoa). Note-se como, para ser salvo, se exige uma fé que não se reduz a uma mera confiança – fé fiducial – na obra salvadora de Jesus, pois implica crer naquilo que Ele é objectivamente: Ele salva pelo facto de que é Deus que vem, feito homem, para nos salvar. Doutra forma, a fé seria vazia, por carecer de um fundamento real sólido; que sentido teria então aderir a Cristo sem ter a certeza daquilo que Ele é na realidade? Seria cair num fideísmo idealista e subjectivista, numa fé que não iria para além dum vago e instável sentimento religioso. S. Paulo fala de «crer com o coração» (v. 10), usando a palavra «coração» no sentido semítico, próprio da citação bíblica anterior (v. 8): é a interioridade do ser humano, mais que a mera afectividade, engloba a sua mente (a inteligência e a vontade).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 4, 4b

 

Monição: O Senhor ensina-nos que não temos só necessidades corporais, mas também espirituais, isto é, da Palavra de Deus. Esta é urgente para vencermos as tentações mais variadas que na vida sempre encontraremos, pois “nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Estejamos atentos a essa Palavra, sempre vencedora.

 

Cântico: Não só de pão vive o homem, M. Luis, NCT 106

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 4, 1-13

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O diabo disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o demónio levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.

 

Uma consideração superficial desta narrativa poderia levar o leitor a cair numa de duas tentações de pólos opostos: ou a de ficar na literalidade do relato, que parece descrever umas tentações de gula, de ambição do poder, de vaidade e presunção, ou então a de não querer ver nada para além da teologia do evangelista. Quem olhar para o relato imbuído do preconceito de que não existe o diabo, nem a tentação diabólica, não terá mais remédio do que refugiar-se na fácil solução da negação do seu valor histórico, apelando para a teologia do evangelista, para o simbolismo e significado teológico destas tentações. Por outro lado, quem se aferrar a uma mentalidade fundamentalista para salvar a todo o custo o sentido histórico literal de cada pormenor da narrativa, partindo de que esta é uma crónica jornalística, adoptará uma posição redutora da riqueza teológica do texto e virá a cair em interpretações pueris e até incoerentes, como, por ex., a de imaginar Jesus a ser transportado pelo diabo para um ponto donde pudesse ver todos os reinos da terra (v. 4), como para o pináculo do Templo, onde «o colocou», segundo reza o texto (v. 9).

É indiscutível que Jesus foi sujeito à tentação (cf. Hbr 4, 15). Na Escritura a palavra «tentação» tem dois sentidos, tanto em grego, como em hebraico – peirasmós/massá –, a saber, o de «sedução» para praticar o mal, e o de «provação» que põe à prova a virtude e a fidelidade da criatura a Deus. Aqui, Jesus aparece claramente a ser tentado pelo demónio; muitas vezes, especialmente na hora da sua Paixão, é sujeito à prova (cf. Lc 22, 28. 40-46; 23, 35.37.49, etc.). Não obsta à realidade da tentação – a que Jesus não foi poupado – o significado simbólico dos elementos da narrativa, como o número «40» (tempo prolongado: cf. 1 Re 19, 8; Ex 16, 35; 24, 18; 34, 28…) e o «deserto» (lugar de solidão, abandono e perigo e também de encontro com Deus). Alguém escreveu que este relato recapitula toda a oposição, exterior e interior, que Jesus teve de enfrentar para cumprir a sua missão de acordo com a vontade do Pai.

Neste caso concreto, convém advertir que as tentações de Jesus aqui descritas não são de modo algum uma tentação ocasional, nem sequer um ataque mais violento; foram um duelo mortal e decisivo entre dois inimigos irredutíveis. Assim, estas tentações não vão dirigidas a fazer cair Jesus em meras faltas pessoais (gula, avareza, vaidade); mas são mesmo um ataque frontal, com o fito de fazer gorar toda a obra de Jesus. S. Lucas apresenta-nos o diabo a querer tirar a limpo até que ponto Jesus era o «Filho de Deus» (vv. 3 e 10), segundo lhe constaria da teofania do Jordão (cf. Lc 3, 23). Por outro lado, o maligno aparece a tentar Jesus precisamente no núcleo da sua missão messiânica, para tentar desviá-lo do plano divino para os seus planos diabólicos, de modo a que esta missão acabasse por vir a ser desvirtuada. Tentemos agora ver o alcance destas tentações:

3-4 Na primeira tentação, Jesus aparece tentado a enveredar pelo caminho da satisfação das esperanças materialistas do povo, que esperava um messias que lhe trouxesse bem-estar, riqueza, prosperidade, fertilidade, pão e prazer.

5-6 Na segunda tentação, Jesus é tentado a mover-se na linha das esperanças populares num messias político, vitorioso, dominador dos opressores romanos e senhor do mundo inteiro; trata-se da tentação que Jesus sentiu de se desviar do plano do Pai, a instauração do Reino de Deus, para se dedicar à instauração dum reino temporal, um plano aparentemente mais eficaz e bem mais sedutor.

9-12 Na terceira tentação, com aquele «atira-te daqui abaixo», é feito a Jesus um apelo diabólico a ir atrás da expectativa judaica, que pensava que o messias desceria espectacularmente do céu, à vista de todo o povo. Mas Jesus renuncia decididamente à fácil tentação de ser um messias milagreiro e espectacular, e diz não à proposta de uma actuação com base no triunfo pessoal, no mero êxito humano.

Não devemos estranhar que S. Lucas inverta a ordem de S. Mateus para as duas últimas tentações, o que em nada diminui o valor do relato. A fonte pode ser a mesma, mas parece que Lucas coloca a última tentação em Jerusalém devido ao alto valor simbólico que quer dar à Cidade Santa e ao Templo no seu Evangelho. Ninguém foi testemunha das tentações de Jesus, pois se trata de coisas que se passaram apenas no seu espírito; mas também é compreensível que Jesus abrisse o seu coração aos discípulos, quando lhes falava da natureza do Reino de Deus e lhes explicava em particular as parábolas (cf. Mc 4, 34: seorsum autem discipulis suis disserebat omnia). O que é certo é que, para além das hipóteses que possam formular os críticos, ninguém poderá provar que estamos em face de meras criações teológico-narrativas dos evangelistas.

O alcance teológico desta narrativa nos três Sinópticos (em Marcos há apenas uma brevíssima alusão: 1, 12-13) é grande. Com efeito, as grandes personagens bíblicas foram «tentadas» e também o povo de Israel, no seu conjunto, especialmente durante a sua peregrinação pelo deserto, a caminho da terra prometida. Ora, em Jesus cumpre-se tudo o que estava em toda a Escritura (cf. Lc 24, 44); por outro lado, a vida de Jesus torna-se também um modelo para os cristãos e para toda a Igreja, que virá a ser tentada pelos poderes diabólicos, que nunca deixarão de pôr à prova a sua fidelidade e de os seduzir para o mal; os caminhos da Igreja não podem ser nunca os da glória terrena e do êxito fácil, mas os da humildade e do sacrifício, os árduos e escondidos caminhos da santidade.

13 «O diabo... retirou-se… até certo tempo». É uma observação exclusiva de Lucas, e foi no momento da Paixão de Jesus (sem podermos excluir outros) quando em força avançou o diabo, o poder das trevas (cf. Lc 22, 53. E também foi então a grande derrota do demónio e a vitória definitiva do Senhor, que nos mereceu a graça de também podermos sair vitoriosos das nossas tentações. S. João Crisóstomo comenta: «uma vez que o Senhor tudo fazia e sofria para o nosso ensinamento, também quis ser conduzido ao deserto e ali travar combate contra o diabo, a fim de que os baptizados, se, depois do Baptismo vierem a sofrer as piores tentações, não se perturbem com isso, como se se tratasse duma coisa que não era de esperar. Não, não há que se perturbar com isso, mas sim permanecer firmes e suportá-lo generosamente como a coisa mais natural do mundo» (Homilia sobre S. Mateus, 13).

 

Sugestões para a homilia

 

1.     Estai comigo Senhor, no meio da adversidade.

2.     “Nem só de pão vive o homem”.

3.     “Só a Deus devemos prestar culto”.

4.     Os exemplos que Jesus nos dá.

 

1.     Estai comigo Senhor, no meio da adversidade.

 

1.     Estai comigo Senhor, no meio da adversidade, assim pedimos há momentos. E o Senhor que

nunca nos abandona, estará connosco, na medida em que nós verdadeiramente queiramos estar com Ele. Para que tal aconteça, é necessário que, para além das palavras, com a nossa atitude, com a nossa vida, mostremos mesmo que queremos estar com Ele. Para que tal se verifique é necessário vencer tudo aquilo que d’Ele procura separar-nos. São as tentações. Para as vencer, o próprio Senhor, quis passar por elas, para também nos ensinar, com a Sua vida, os meios que devemos seguir para as vencer. O Evangelho fala-nos das tentações a que o Senhor se sujeitou, depois de 40 dias de oração e penitência, passados no deserto. Estas tentações, como que resumem todas as demais a que podemos estar sujeitos durante a nossa vida.

 

 

2.     “Nem só de pão vive o homem”.

 

As tentações podem verificar-se através da vontade desmesurada dos bens materiais, querendo possui-los cada vez mais. Por causa dessa ânsia de ter, quantos pecados se cometem, passando, por vezes, por cima dos direitos dos outros! Perante tais desvarios é necessário ter presente, como Jesus nos ensina, “que nem só de pão vive o homem”. Além disso, está comprovado pela experiência, que os bens materiais, por mais abundantes que sejam, jamais conseguirão satisfazer os anseios profundos dos que os possuem. Além disso, todos eles, serão para forçosamente um dia deixar. Razão tinha Santo Agostinho para afirmar de que só em Deus, seu coração encontrou o descanso que procurava.

É de suma importância ter presente que os bens materiais não são nossos. Somos apenas administradores dos mesmos. Só verdadeiramente a Deus pertencem. O povo de Israel, consciente desta pertença divina, ofereciam ao Senhor os primeiros frutos da terra, como nos recorda a 1ª Leitura da Missa de hoje. Esses frutos eram depois distribuídos pelos sacerdotes aos pobres, órfãos e viúvas.

 

3.      “Só a Deus devemos prestar culto”.

 

Outras tentações são provocadas pelo orgulho. No contacto com os outros, sendo, por vezes, demasiado exigentes, prepotentes, cegos pelas vaidades da vida. O orgulho que cegou os nossos primeiros pais, continua a ser a raiz de todos os males. Com esta loucura se continua a debater a pobre humanidade.

 

4.     Os exemplos que Jesus nos dá.

 

O Senhor Jesus ensina-nos, com o Seu exemplo a vencer todas estas tentações.

 Só a Deus devemos prestar culto. Só a Ele podemos e devemos adorar.

O orgulho tenta estragar as nossas relações com Deus, o único que sempre nos pode e quer valer. Tal verifica-se quando queremos como que exigir que Deus nos atenda naquilo que Lhe pedimos.

 Quando não somos atendidos, há quem queira abandonar o Senhor e se revolte contra o próprio Deus. Afinal o Senhor só não nos atende quando, por falta de verdadeira humildade, pedimos sem fé, ou estamos a rogar algo que nos seria prejudicial. Neste caso o Senhor sempre nos dará mais do que estávamos a pedir.

Assim vemos Jesus a proceder também. Nada quis fazer em Seu proveito. Não desceu da cruz, nem no meio dos maiores sofrimentos. Faz sim a vontade do eterno Pai para a todos nos salvar.

Para vencermos as tentações, que o Senhor permitir que nos sejam enviadas pelos inimigos da alma, devemos mais uma vez imitar Jesus, fazendo penitência e oração. Assim fez o Senhor durante 40 dias no deserto. Eis o programa que devemos particularmente realizar durante este santo tempo da Quaresma, que estamos a viver. Este programa de vida foi lembrado por Nossa Senhora em Fátima. Penitência e oração é parte central da mensagem de Fátima. Além disso, importa que sempre nos alimentemos com a Palavra de Deus. Foi com ela que Jesus sempre respondeu e venceu as tentações do demónio.

Se assim fizermos, com a ajuda divina, venceremos também todas as adversidades.  Que assim seja.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quaresma: tempo para regular os sentidos, abrir os olhos para tantas injustiças

que atentam directamente contra o sonho e o projecto de Deus.»

«Três tentações de Cristo... Três tentações que o cristão enfrenta diariamente.

Três tentações que nos fecham num círculo de destruição e pecado.»

 

Na quarta-feira passada, começamos o tempo litúrgico da Quaresma; nele, a Igreja convida-nos a preparar-nos para a celebração da grande festa da Páscoa. É um tempo especial para lembrar o dom do nosso Baptismo, quando fomos feitos filhos de Deus. A Igreja convida-nos a reavivar o dom recebido para não o deixar cair no esquecimento como algo passado ou guardado numa «caixa de recordações». Este tempo de Quaresma é uma boa ocasião para recuperar a alegria e a esperança que nos vem do facto de nos sentirmos filhos amados do Pai. Este Pai que nos espera para livrar-nos das vestes do cansaço, da apatia, da desconfiança e revestir-nos com a dignidade que só um verdadeiro pai e uma verdadeira mãe sabem dar aos seus filhos, as vestes que nascem da ternura e do amor.

O nosso Pai é pai duma grande família: é Pai nosso. Sabe ter um amor, mas não gerar e criar «filhos únicos». É um Deus que Se entende de família, de fraternidade, de pão partido e partilhado. É o Deus do «Pai Nosso», não do «pai meu e padrasto vosso».

Em cada um de nós, está inscrito, vive aquele sonho de Deus que voltamos a celebrar em cada Páscoa, em cada Eucaristia: somos filhos de Deus. Um sonho vivido por muitos irmãos nossos no decurso da história. Um sonho testemunhado pelo sangue de tantos mártires de ontem e de hoje.

Quaresma: tempo de conversão, porque experimentamos na vida de todos os dias como tal sonho se encontra continuamente ameaçado pelo pai da mentira – ouvimos no Evangelho o que fazia com Jesus –, por aquele que quer separar-nos, gerando uma família dividida e conflituosa. Uma sociedade dividida e conflituosa; uma sociedade de poucos e para poucos. Quantas vezes experimentamos na nossa própria carne ou na carne da nossa família, na dos nossos amigos ou vizinhos a amargura que nasce de não sentir reconhecida esta dignidade que todos trazemos dentro. Quantas vezes tivemos de chorar e arrepender-nos, porque nos demos conta de não ter reconhecido tal dignidade nos outros. Quantas vezes – digo-o com tristeza – permanecemos cegos e insensíveis perante a falta de reconhecimento da dignidade própria e alheia.

Quaresma: tempo para regular os sentidos, abrir os olhos para tantas injustiças que atentam directamente contra o sonho e o projecto de Deus. Tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação que rompem, fazem em pedaços a imagem que Deus quis plasmar.

As três tentações de Cristo... Três tentações do cristão que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados. Três tentações que visam degradar e degradar-nos.

Primeira, a riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, este é o pão que se dá a comer aos próprios filhos. Segunda tentação, a vaidade: a busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que «não são ninguém». A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a «fama» dos outros. E, «alegrando-se com a desgraça alheia», abre-se caminho à terceira tentação, a pior, a do orgulho, ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha «a vida comum dos mortais» e rezando todos os dias: «Dou-Vos graças, Senhor, porque não me fizestes como eles».

Três tentações de Cristo... Três tentações que o cristão enfrenta diariamente. Três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num círculo de destruição e pecado.

Por isso vale a pena perguntarmo-nos: Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida? Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros seja fonte de alegria e de esperança?

Escolhemos Jesus e não o diabo. Se vos recordais do que escutamos no Evangelho, Jesus não responde ao demónio com qualquer palavra própria, mas responde-lhe com as palavras de Deus, com as palavras da Sagrada Escritura. Com efeito, irmãs e irmãos, - fixemo-lo bem na cabeça – com o demónio não se dialoga, não se pode dialogar, porque sempre nos ganhará. Só a força da Palavra de Deus o pode derrotar. Nós escolhemos, não o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que o degrada, degradando-se ou degradando a outros. É o Deus que tem um nome: misericórdia. O seu nome é a nossa riqueza, o seu nome é a nossa fama, o seu nome é o nosso poder. E é no seu nome que repomos a nossa confiança, como diz o Salmo: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». Têm a coragem de repetir isto juntos? Três vezes: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». «Vós sois o meu Deus, em Vós confio».

Que, nesta Eucaristia, o Espírito Santo renove em nós a certeza de que o seu nome é misericórdia e nos faça experimentar, em cada dia, que «o Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus», sabendo que com Ele e n’Ele sempre nasce e «renasce (…) a alegria» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1).

Papa Francisco, Homilia, Ecatepec (México), 14 de Fevereiro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs, cheios de confiança no Senhor Jesus Cristo,

Mestre que sempre nos ensina com o Seu exemplo,

roguemos que nos faça compreender, com atenção e generosidade,

os caminhos que devemos seguir para vencermos

os grandes inimigos da nossa alma e peçamos com toda a fé e humildade, dizendo:

 

 R. Ouvi-nos Senhor.

 

1.     Pelo Santo Padre, o Papa Francisco,

pelos Bispos e Sacerdotes, religiosos e missionários,

para que sejam luz e fogo do Amor de Deus para todos os homens,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos Senhor.

 

2.     Para que as comunidades cristãs se abram

à graça da conversão e descubram na Eucaristia

a força que vence tudo aquilo que d’Ele nos separa,

oremos, irmãos.

 

        R.  Ouvi-nos Senhor.

 

3.     Para que todos os crentes encontrem

na Palavra do Senhor o apelo ao amor

e à solidariedade para com os pobres,

oremos irmãos.

 

    R.  Ouvi-nos Senhor.

 

4      Para que todo o ser humano não se deixe seduzir

pelas falsas promessas mundanas de felicidade,

mas saiba resistir às enganadoras propostas do maligno,

oremos, irmãos.   

 

    R. Ouvi-nos Senhor.

 

5      Para que todos os governantes das nações

renunciem à ganância, à sede do poder, da desunião e do ódio,

e velem pela justiça e não exploração dos mais fracos,

oremos, irmãos.

 

    R.  Ouvi-nos Senhor.

 

6      Pelos defuntos da nossa comunidade e do mundo inteiro,

para que, purificados das suas faltas,

possam contemplar na eternidade o rosto de Jesus Cristo glorioso,

oremos, irmãos.

 

    R.  Ouvi-nos Senhor.

 

    Senhor, que fazeis da nossa vida na terra

    um caminho do Batismo até ao Céu,

    ajudai-nos a vivê-lo com generosidade,

    para Vos contemplarmos na Glória.

    Vós que sois Deus, com o Pai

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Fazei que a nossa vida, Senhor, corresponda à oferta das nossas mãos, com a qual damos início à celebração do tempo santo da Quaresma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

As tentações do Senhor

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Jejuando durante quarenta dias, Ele santificou a observância quaresmal e, triunfando das insídias da antiga serpente, ensinou-nos a vencer as tentações do pecado, para que, celebrando dignamente o mistério pascal, passemos um dia à Páscoa eterna.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Saudação da paz

 

A paz só se alcança por uma luta generosa contra as tentações do demónio, do mundo e da carne. Prontifiquemo-nos a fazê-lo com particular diligência neste santo tempo da Quaresma. Com esse propósito, saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

“Nem só de pão vive o homem”, mas de toda a Palavra de Deus e da Eucaristia para a qual Nosso Senhor nos convida, neste momento. Com Ele todas as tentações serão vencidas. Vamos recebê-LO com muita fé, esperança, amor e gratidão.

 

Cântico da Comunhão: Nem só de pão vive o homem, F. da Silva, NRMS 29

Mt 4, 4

Antífona da comunhão: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.

 

ou

Salmo 90, 4

O Senhor te cobrirá com as suas penas, debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

Cântico de acção de graças: Hóstia Santa, penhor de salvação, M. Simões, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Saciados com o pão do Céu, que alimenta a fé, confirma a esperança e fortalece a caridade, nós Vos pedimos, Senhor: ensinai-nos a ter fome de Cristo, o verdadeiro pão da vida, e a alimentar-nos de toda a palavra que da vossa boca nos vem. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Esta vida é uma luta, até à vitória final. Não nos podemos deixar adormecer, porque o inimigo, qual leão que ruge à nossa volta, ameaça surpreender-nos.

Vivamos e ajudemos a viver os nossos irmãos a permanecerem vigilantes na oração e na escuta da Palavra de Deus. Com esse propósito, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Troquemos o instante pelo eterno, M. Simões, NRMS 61

 

 

Homilias Feriais

 

1ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-III: Os caminhos de salvação.

Lev 19, 1-2. 11-18 / Mt 25, 31-46

Vinde benditos de meu Pai, recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo.

Para alcançarmos a santidade, devemos esforçar-nos por cumprir os mandamentos (LT). São um caminho de vida: Os mandamentos do Senhor são claros e iluminam os olhos (SR), e ajudam a libertar da escravidão do pecado.

A segunda parte do Decálogo refere-se ao amor ao próximo (LT e EV), que se pode concretizar nas obras de misericórdia (EV). E pede-nos também que saibamos descobrir o Senhor em cada uma das pessoas que nos rodeiam: todas as vezes que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim os fizestes (EV).

 

3ª Feira, 12-III: A vontade de Deus e a misericórdia.

Is 55, 10-11 / Mt 6, 7-15

Orai, pois, deste modo: Pai nosso, que estais nos Céus.

Devemos rezar confiadamente a oração que o Senhor nos ensinou, o Pai nosso (EV). Tenhamos fé que nos escuta: os olhos do Senhor estão voltados para os justos e os ouvidos atentos aos seus rogos (SR).

Nas Leituras encontramos duas petições: A primeira: seja feita a vossa vontade, para que acolhamos a palavra divina e a cumpramos (LT), pois a palavra é o alimento que sai da boca de Deus (AE); a segunda: perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido (EV).

 

4ª Feira, 13-III: Uma mensagem divina para a Quaresma.

Jonas 3, 1-10 / Lc 11, 29-32

Ergue-te e vai à grande cidade de Nínive e proclama-lhe a mensagem que te direi.

Na Quaresma todos recebemos uma mensagem de Deus, semelhante à dos habitantes de Nínive, que nos convida à conversão: Convertei-vos a mim de todo o coração (AE) e ao arrependimento (LT e EV).

Reconheçamos os nossos pecados e peçamos perdão por todos: pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados (SR); manifestemos o nosso arrependimento: não desprezareis um espírito humilhado e contrito (id.). E rezemos pelas intenções do Papa Francisco, nesta data do aniversário da sua eleição como Papa.

 

5ª Feira, 14-III: A oração e a conversão.

Est 14, 3-5. 12-14 / Mt 7, 7-12

Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e, ao que bate, abrir-se-á.

A oração é uma das formas de vivermos a penitência quaresmal. Sendo Jesus a Porta, sugere que peçamos muito: No dia em que vos invocar, respondei-me Senhor (SR). Pediremos com fé, pois o homem vive de toda a palavra que vem da boca de Deus (AE).

A Rainha Ester é um bom exemplo desta oração: Vinde socorrer-me, que eu estou só e só em vós tenho auxílio, pois sinto ao alcance da mão o perigo que me espreita (LT). É um pedido que devemos fazer nos momentos de tentação. Assim fez o ladrão arrependido e Jesus abriu-lhe porta do Céu.

 

6ª Feira, 15-III: Conversão pessoal e amor ao próximo.

Ez 18, 21-28 / Mt 5, 20-26

Se o pecador se arrepender de todas as faltas que tiver cometido...há-de viver e não morrerá.

A Quaresma é um tempo de conversão, de arrependimento, um caminho de vida (LT). Quanto à conversão, Deus pede-nos: Deixai todos os vossos pecados; criai um coração novo e um espírito novo (AE). Quanto ao arrependimento, confiemos na misericórdia de Deus, porque no Senhor está a misericórdia (SR).

Relativamente à caridade com o próximo, o Senhor pede-nos que evitemos irar-nos com os outros; que não chamemos nomes (imbecil, louco); que perdoemos quanto antes, mesmo antes de chegarmos ao altar, que nos reconciliemos com os nossos adversários (Ev.).

 

Sábado, 16-III: Heroicidade na caridade.

Deut 26, 16-19 / Mt 5, 43-48

Pois eu digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus.

Moisés lembrava ao povo (LT) que deveria pôr em prática os preceitos e sentenças do Senhor. A nossa resposta há-de ser sempre: Hei-de cumprir os vossos preceitos: não me desampareis jamais (SR).

Mas Jesus pede aos seus discípulos uma nova forma de viver a caridade: amai os vossos inimigos (aqueles que nos incomodam e aborrecem) e rezai por eles (Ev.). Com a sua ajuda chegámos a um tempo favorável, ao dia da salvação (AE). Pensemos que esta é a maneira de nos comportarmos como filhos de Deus (EV), vendo Deus nos outros.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:        A. Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:               Duarte Nuno Rocha

 


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