DOCUMENTAÇÃO

FRANCISCO

 

VIAGEM APOSTÓLICA AOS Países Bálticos

 

 

De 22 a 25 de setembro, o Santo Padre realizou uma visita pastoral aos países bálticos.

No sábado, 22, o avião papal aterrou em Vilnius (Lituânia), dando início à visita com cumprimentos às autoridades locais, encontro com as Autoridades Civis e com o Corpo Diplomático, visita ao Santuário Mariano Mater Misericordiæ. Teve ainda neste dia um encontro com os jovens, na praça fronteira à Catedral de Vilnius. Finalizou este dia com uma visita a esta mesma Catedral.

No dia seguinte deslocou-se de automóvel a Kaunas. Celebrou a Santa Missa no Parque Santakos em Kaunas e recitou com a vasta assembleia o Angelus. Almoçou, depois, com os Bispos na sede da Cúria.

Na homilia então proferida, o Papa Francisco lembrou:

 

“A vida cristã sempre atravessa momentos de cruz e, às vezes, parecem intermináveis. As gerações passadas viram gravar a fogo o tempo da ocupação, a angústia daqueles que eram deportados, a incerteza por aqueles que não voltavam, a vergonha da delação, da traição. O livro da Sabedoria fala-nos do justo perseguido, daquele que sofre insultos e tormentos pelo simples facto de ser bom (cf. 2, 20-20). Quantos de vós poderiam contar em primeira pessoa, ou na história de algum parente, esta mesma passagem que foi lida? Quantos de vós viram também vacilar a sua fé, porque Deus não apareceu para vos defender; porque o facto de permanecer fiéis não foi suficiente para que Ele interviesse na vossa história. Kaunas conhece esta realidade; toda a Lituânia o pode testemunhar sentindo arrepios à simples nomeação da Sibéria, ou dos guetos de Vilna e Kaunas, entre outros; e pode corroborar em uníssono com o apóstolo Tiago, na passagem da sua Carta que escutamos: cobiçam, matam, invejam, lutam e fazem guerra (cf. 4, 2).”

 

Ao princípio da tarde, teve um Encontro com sacerdotes, religiosos (as), consagrados (as) e seminaristas na Catedral de Kaunas

Deslocou-se, depois, ao Museu das Ocupações e Luta pela liberdade, com breve paragem diante do Monumento às Vítima do Gueto (Piazza Rudniku)

E logo realizou a visita e oração no Museu das ocupações e Luta pela Liberdade 

Na Segunda-feira, 24 de setembro, partiu de avião às primeiras horas da manhã para Riga (Letónia). Foi ali acolhido oficialmente pelas Autoridades do país. Participou numa cerimónia de boas vindas no Palácio Presidencial e fez uma visita de cortesia ao Presidente no Palácio Presidencial.

Encontrou-se com as Autoridades, representantes da Sociedade Civil e Corpo Diplomático no Salão do Palácio Presidencial.

Procedeu em seguida à deposição de flores e cerimónia no Monumento da Liberdade e presidiu a uma Oração Ecuménica no Riga Doms. 

Visitou, depois, a Catedral de São Tiago e almoçou com os bispos na Casa Arquidiocesana da Sagrada Família.

Ao princípio da tarde deslocou-se em helicóptero do Riga Harbous Heklipad ao Santuário da Mãe de Deus em Aglona e ali celebrou a Santa Missa na área do Santuário da Mãe de Deus de Aglona.

No momento da homilia disse:

 

A primeira coisa que o evangelista ressalta é que Maria está firmemente «de pé» junto de seu Filho. Não se trata dum modo descontraído de estar, nem evasivo e, menos ainda, pusilânime. Está, com firmeza, «cravada» aos pés da cruz, expressando com a posição do seu corpo que nada e ninguém poderia movê-La daquele lugar. É assim que Maria Se mostra em primeiro lugar: junto daqueles que sofrem, daqueles de quem todo o mundo foge, nomeadamente os que são julgados, condenados por todos, deportados. Não se trata apenas de oprimidos ou explorados, mas estão diretamente «fora do sistema», à margem da sociedade (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 53). Juntamente com eles, está também a Mãe, cravada nesta cruz da incompreensão e do sofrimento.

Maria mostra-nos também o modo como estar junto destas realidades; não é dar um passeio ou fazer uma breve visita, nem se trata sequer de «turismo solidário». É necessário que aqueles que padecem uma realidade dolorosa nos sintam a seu lado e da sua parte, de maneira firme, estável; todos os descartados da sociedade podem experimentar esta Mãe delicadamente próxima, porque, naqueles que sofrem, permanecem as chagas abertas do seu Filho Jesus. Ela aprendeu-o ao pé da cruz. Também nós somos chamados a «tocar» o sofrimento dos outros. Saiamos ao encontro do nosso povo para o consolar e fazer-lhe companhia; não tenhamos medo de experimentar a força da ternura e de nos envolvermos vendo a nossa vida complicada pelos outros (cf. ibid., 270). E, como Maria, permaneçamos firmes e de pé: com o coração voltado para Deus e corajosos, levantando os que caíram, erguendo o humilhado, ajudando a pôr fim a toda e qualquer situação de opressão que os faz viver como crucificados.

Maria é convidada por Jesus a aceitar o discípulo amado como seu filho. O texto refere que estavam juntos, mas Jesus dá-se conta de que isto não é suficiente, porque não se acolheram reciprocamente. De facto, é possível estar junto de muitíssimas pessoas, pode-se até compartilhar a mesma casa, bairro ou trabalho; pode-se compartilhar a fé, contemplar e desfrutar os mesmos mistérios, mas sem acolher, nem praticar uma aceitação amorosa do outro. Quantos esposos poderiam contar a história de estar próximos, mas não juntos! Quantos jovens sentem dolorosamente esta distância dos adultos! Quantos idosos se sentem friamente tratados, mas não carinhosamente cuidados e acolhidos!

É verdade que, às vezes, a abertura aos outros nos fez muito mal. E também é verdade que, nas nossas realidades políticas, a história do choque entre os povos permanece ainda dolorosamente viva. Maria mostra-Se como mulher aberta ao perdão, que põe de lado ressentimentos e difidências; renuncia a lamentar-se como tudo «poderia ter andado» diversamente, se os amigos de seu Filho, os sacerdotes do seu povo ou os governantes se tivessem comportado de outra maneira; não Se deixa vencer pela frustração nem pela impotência. Maria crê em Jesus e acolhe o discípulo, porque as relações que nos curam e libertam são aquelas que nos abrem ao encontro e à fraternidade com os outros, porque, no outro, descobrem o próprio Deus (cf. ibid., 92). Dom Sloskans que repousa aqui, tendo sido preso e enviado para longe, escrevia a seus pais: «Peço-vos do fundo do meu coração que não deixeis que a vingança ou a irritação abram caminho no vosso coração. Se o permitíssemos, não seríamos cristãos verdadeiros, mas fanáticos». Num período em que parecem voltar mentalidades que nos convidam a desconfiar dos outros, que querem demonstrar-nos com estatísticas que estaremos melhor, teremos mais prosperidade, haveria mais segurança se estivéssemos sozinhos, Maria e os discípulos destas terras convidam-nos a acolher, a apostar de novo no irmão, na fraternidade universal.

Mas, Maria mostra-Se também como a mulher que se deixa acolher, que aceita humildemente fazer parte das coisas do discípulo. Naquele matrimónio que ficara sem vinho, com o perigo de acabar cheio de ritos, mas árido de amor e alegria, foi Ela quem ordenou que fizessem o que Ele lhes dissesse (cf. Jo 2, 5). Agora Ela, como discípula obediente, deixa-Se acolher, transfere-Se, adapta-Se ao ritmo do mais novo. A harmonia custa sempre, quando somos diferentes, quando os anos, as histórias e as circunstâncias nos situam em modos de sentir, pensar e fazer que, à primeira vista, parecem opostos. Quando ouvimos, com fé, a ordem de acolher e ser acolhidos, é possível construir a unidade na diversidade, porque não nos travam nem dividem as diferenças, mas somos capazes de olhar mais além, ver os outros na sua dignidade mais profunda, como filhos de um e mesmo Pai (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 228)

 

Depois da Cerimónia de despedida no Aeroporto de Aglona, deslocou-se em helicóptero ao Aeroporto Internacional de Vilnius

Na Terça-feira, 25 de setembro despediu-se no Aeroporto Internacional de Vilnius e partiu de avião para Tallinn (Estónia), onde foi recebido com um acolhimento oficial.

A cerimónia de boas-vindas teve lugar na praça adjacente ao Palácio Presidencial. Fez uma Visita de cortesia ao Presidente no Palácio Presidencial e teve um Encontro com as Autoridades Civis, a Sociedade Civil e o Corpo Diplomático no Jardim das Rosas do Palácio Presidencial 

Ao fim da manhã presidiu a um Encontro ecuménico com os jovens na Kaarli Lutheran Church. Almoçou com o séquito papal no Convento das Irmãs Brigidinas em Pirita e ao princípio da tarde presidiu a um Encontro com os assistidos pelas Obras de Caridade da Igreja na Catedral dos Santos Pedro e Paulo.

A meio da tarde celebrou a Santa Missa na Praça da Liberdade, onde sublinhou, na homilia:

 

“Na vossa história, deixais transparecer o orgulho de ser estonianos; cantai-lo dizendo: «Sou estoniano, permanecerei estoniano, estoniano é uma realidade bela, somos estonianos». Como é bom sentir-se parte dum povo! Como é bom ser independentes e livres! Subamos à montanha sagrada (a de Moisés, a de Jesus) e peçamos ao Senhor – como reza o lema desta visita – que desperte os nossos corações e nos conceda o dom do Espírito para discernirmos, em cada momento da história, o modo como ser livres, como abraçar o bem e sentir-se eleitos, como deixar que Deus faça crescer, aqui na Estónia e no mundo inteiro, a sua nação santa, o seu povo sacerdotal.”

 

No final da celebração, proferiu as significativas palavras:

 

“Antes da bênção final, e de concluir esta Viagem Apostólica à Lituânia, Letónia e Estónia, quero expressar a minha gratidão a todos vós, a começar pelo Administrador Apostólico da Estónia. Obrigado pela vossa receção, expressão dum pequeno rebanho com um grande coração! Renovo a minha gratidão à Senhora Presidente da República e restantes Autoridades do país. Um pensamento particular, reservo a todos os irmãos cristãos, de modo especial aos Luteranos que, tanto aqui na Estónia como na Letónia, hospedaram os encontros ecuménicos. Que o Senhor nos continue a guiar no caminho da comunhão. Obrigado a todos!”

 

 Logo em seguida houve a Cerimónia de despedida no Aeroporto Internacional de Tallinn e dali partiu para Roma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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