ECONOMIA e ética

ECONOMIA DE MERCADO

E RESPONSABILIDADE SOCIAL

 

 

 

 

Papa Francisco

 

 

No passado dia 26 de Maio, o Papa Francisco recebeu cerca de 500 participantes da Conferência Internacional da Fundação “Centesimus Annus pro Pontifice”, que teve como tema: “Debate sobre as novas políticas e estilos de vida na era digital”.

A Fundação tem por objectivo propor soluções aos problemas económicos e financeiros de acordo com a Doutrina social da Igreja.

 

 

Queridos amigos!

 

Dou as minhas boas-vindas a todos vós, reunidos para a anual Conferência Internacional da Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice. De modo particular, neste 25.º aniversário da constituição da Fundação por parte de São João Paulo II, exprimo a minha gratidão pelo vosso trabalho em vista de dar a conhecer a sabedoria da Doutrina social da Igreja a quantos estão empenhados no mundo dos negócios e nos sectores económicos da sociedade civil. Um quarto de século depois, esta tarefa continua mais que nunca necessária, uma vez que os desafios sociais e financeiros que se apresentam à comunidade económica internacional se tornaram cada vez mais complexos e interligados.

As actuais dificuldades e crises no sistema económico têm uma indiscutível dimensão ética: estão relacionadas com uma mentalidade de egoísmo e de exclusão que gerou de facto uma cultura do descarte, cega em relação à dignidade humana dos mais vulneráveis. Vemo-lo na crescente “globalização da indiferença” face aos evidentes desafios morais que a família humana está chamada a enfrentar. Penso especialmente nos múltiplos obstáculos ao desenvolvimento humano integral de tantos nossos irmãos e irmãs, não só nos países materialmente mais pobres, mas cada vez mais também no meio da opulência do mundo desenvolvido. Penso igualmente nas urgentes questões éticas relacionadas com os movimentos migratórios mundiais.

A vossa Fundação tem um papel importante a desempenhar em levar a luz da mensagem evangélica a estas urgentes questões humanitárias, e em ajudar a Igreja a realizar este aspecto essencial da sua missão. Mediante um constante empenho com os líderes da economia e das finanças, bem como com os dirigentes sindicais e outros do sector público, vós procurais garantir que a intrínseca dimensão social de qualquer actividade económica seja adequadamente tutelada e efectivamente promovida.

Com demasiada frequência, uma trágica e falsa dicotomia – análoga à artificiosa ruptura entre ciência e fé – desenvolveu-se entre a doutrina ética das nossas tradições religiosas e os interesses práticos da actual comunidade dos negócios. Na verdade, existe uma relação natural entre o lucro e a responsabilidade social. Com efeito, existe um «nexo indissolúvel [...] entre uma ética respeitadora das pessoas e do bem comum e a funcionalidade real de todo o sistema económico e financeiro» (Oeconomicae et pecuniariae quaestiones, 17 de maio de 2018, 23). Numa palavra, a dimensão ética das relações sociais e económicas não pode ser importada para a vida e a actividade social a partir do exterior, mas deve emergir do interior. Naturalmente, este é um objectivo a longo prazo, que requer o empenho de todas as pessoas e de todas as instituições no seio da sociedade.

A vossa Conferência escolheu como tema deste ano “Novas políticas e novos estilos de vida na era digital”. Um dos desafios ligados a esta temática é a ameaça que as famílias estão a enfrentar por causa das oportunidades incertas de trabalho e do impacto da revolução da cultura digital. Como evidenciou o percurso em preparação para o Sínodo deste ano sobre os jovens, este é um âmbito decisivo no qual a solidariedade da Igreja é efectivamente necessária. O vosso contributo é uma expressão privilegiada da atenção da Igreja em relação ao futuro dos jovens e das famílias. Além disso, esta é uma actividade na qual a colaboração ecuménica é de especial importância e a presença do Patriarca Bartolomeu de Constantinopla na vossa Conferência é sinal eloquente desta responsabilidade comum.

Queridos amigos, partilhando os vossos conhecimentos e experiências, e transmitindo a riqueza da Doutrina social da Igreja, vós procurais formar as consciências dos líderes no campo político, social e económico. Encorajo-vos a perseverar neste empenho, que contribui para construir uma cultura global de justiça económica, de igualdade e de inclusão. Com gratidão e apreço por quanto já realizastes, confio na oração o vosso futuro empenho à providência de Deus. Sobre vós, sobre os vossos colegas e familiares, invoco de todo o coração as bênçãos do Senhor em abundância.

 

 


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