14º Domingo Comum

9 de Julho de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, em vosso Templo recordamos, M. Carvalho, NRMS 90-91

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

As pessoas deste mundo que ocupam um lugar de destaque na sociedade costumam apresentar-se demonstrações de poder, de luxo ou de sabedoria.

Tudo isto pode ser necessário, por causa de uma linguagem de sinais que chamam a atenção  para o acatamento que lhes é devido.

Mas Deus quer que O encontremos na simplicidade e na humildade, sendo nós mesmos simples e humildes.

Diante d’Ele somos humildes crianças necessitadas de tudo e de todos e as honras não aumentam nada do que somos.

Desta necessidade de nos convencermos que somos pequenos e de conformarmos a nossa vida com esta verdade nos fala toda a Liturgia da Palavra deste 14.º Domingo do tempo Comum.

 

Acto penitencial

 

Todos pensamos que somos mais e valemos mais naturalmente do que aquilo que acontece na realidade.

O orgulho aumenta a nossa imagem aos nossos próprios olhos, de modo que nos convence de que somos mais e melhores do que os outros.

Peçamos ao Senhor nos perdoe estes pensamentos e atitudes, e prometamos emendar-nos, contando sempre com a Sua ajuda.

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, sugestões para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Alimentamos complexos de superioridade sobre os outros

    e sentimo-nos ofendidos quando as outras pessoas não pensam como nós.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Sofremos quando os outros não reconhecem a falsa “grandeza”

    que julgamos possuir, e sentimo-nos ofendidos interiormente com isso.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Muitas vezes deixamo-nos abater pelas nossas tristezas,

    que são fruto de não aceitarmos que somos pequenos diante de Deus.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Zacarias fala-nos um enviado de Deus que vem ao encontro dos homens na pobreza, na humildade e na simplicidade; e é dessa forma que elimina os instrumentos de guerra e de morte e instaura a paz definitiva.

Também nós venceremos todas as dificuldades, se formos mansos e humildes de coração.

 

Zacarias 9, 9-10

Eis o que diz o Senhor: 9«Exulta de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. 10Destruirá os carros de combate de Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra».

 

A leitura é tirada da 2.ª parte do livro de Zacarias, onde se fala do triunfo definitivo de Deus e do seu reino universal. Este texto foi escolhido para hoje em função do Evangelho, em que Jesus se apresenta como «manso e humilde de coração». É um texto messiânico, que Mateus apresenta como cumprido em Jesus (cf. Mt 21, 4-5).

9 «Filha de Sião, ou filha de Jerusalém» são hebraísmos para designar os habitantes de Jerusalém. O Messias será um «rei justo e triunfante», mas «humilde» e pacífico rei universal (v. 10): não aparecerá montado num veloz corcel de guerra, mas num manso «jumento».

 

 

Salmo Responsorial    Sl 144 (145), 1-2.8-9.10-11.13cd-14

 

Monição: O salmista entoa um cântico de louvor ao Altíssimo por causa da Sua grandeza, misericórdia e reinado providente e justo.

Também nós queremos louvá-l’O pela Sua infinita grandeza, providencia e misericórdia, ao cantar este salmo responsorial.

 

Refrão:        Louvarei para sempre o vosso nome,

                     Senhor, meu Deus e meu Rei.

 

Ou:               Aleluia.

 

Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,

e bendizer o vosso nome para sempre.

Quero bendizer-Vos, dia após dia,

e louvar o vosso nome para sempre.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

O Senhor é bom para com todos

e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

 

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas

e bendigam-Vos os vossos fiéis.

Proclamem a glória do vosso reino

e anunciem os vossos feitos gloriosos.

 

O Senhor é fiel à sua palavra

e perfeito em todas as suas obras.

O Senhor ampara os que vacilam

e levanta todos os oprimidos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo convida os fieis da Igreja de Roma – depois de terem feito uma Aliança de Amor com Jesus cristo, no Baptismo, — a viverem “segundo o Espírito” e não “segundo a carne”.

A vida “segundo a carne” é a vida daqueles que se deixam aprisionar pelo egoísmo, orgulho e auto-suficiência; a vida “segundo o Espírito” é a vida de todos aqueles que aceitam acolher os panos de Amor do Pai a nosso respeito.




 

Romanos 8, 9.11-13

Irmãos: 9Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. 11Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. 12Assim, irmãos, não somos devedores à carne, para vivermos segundo a carne. 13Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.

 

Este pequenino trecho é tirado de Rom 8, que constitui o ponto culminante da carta e a sua mais bela profunda síntese. No centro deste genial capítulo está a presença e a acção do Espírito Santo, a quem se atribui a vida nova em Cristo. Esta é uma «vida sob o domínio do Espírito», a antítese perfeita da «vida sob o domínio da carne» (v. 9). Aqui a carne não é uma categoria platónica para designar a parte material do ser humano, nem é a «simples natureza» humana com a conotação de fraqueza e precariedade (sentido frequente no AT e noutros textos paulinos, por ex., em Rom 3, 20; 1 Cor 1, 29; Gal 3, 16); trata-se antes da natureza humana ferida pelo pecado e infectada pela concupiscência, o homem enquanto dominado pelos apetites e paixões desordenadas.

11-13 A vida nova «por meio do Espírito» de Cristo é radicalmente inconciliável com a vida segundo a carne, pois o Apóstolo adverte: «se viverdes de acordo com a carne, haveis de morrer» (v. 13). As obras da carne são as obras pecaminosas, ditadas pelos apetites desordenados em geral, não apenas pelo apetite sexual, como na nossa linguagem actual. O sentido positivo da mortificação cristã está aqui bem explícito: «haveis de viver».

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt 11, 25

 

Monição: Deus quer manifestar as maravilhas do Seu poder e do Seu Amor aos mansos e humildes de coração.

Exteriorizemos a nossa alegria, porque Ele via proclamar essas maravilhas para nós, neste Evangelho.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 11, 25-30

Naquele tempo, Jesus exclamou: 25«Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai. E ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. 30Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

 

Ver notas atrás, no Evangelho da solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

 

Sugestões para a homilia

 

• A grandeza de ser pequeno

Deus manifesta-Se-nos na humildade

A força do humilde

Rei pacífico

• Os caminhos da humildade

Tudo começa pequeno

Entreguemos o que nos oprime

Mansidão e humildade

 

1. A grandeza de ser pequeno

 

a) Deus manifesta-Se-nos na humildade. «Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta

A soberba tenta-nos a julgarmo-nos o centro do mundo, atraindo todas as atenções, honras e louvores, usurpando o lugar de Deus no mundo.

Muitos, levados pela ambição de brilhar, de sobressair e chamar a atenção, vendem a sua alma, passam por cima de todos os valores e passam uma vida amargurada, porque nunca se saciam dos louvores e honras.

Deus não Se revela na arrogância, no orgulho, na prepotência, mas sim na simplicidade, na humildade, na pobreza e na pequenez. Quem quiser ser grande aos olhos do Senhor, tem de se fazer pequeno, manso e humilde.

O Verbo Encarnado, Senhor do Céu e da terra, apresenta-Se diante de nós como Menino débil e indefeso, a precisar de todos os auxílios.

É tudo ao contrário do espírito do mundo que fabrica falsas grandezas e valores e nos tenta a revestirmo-nos de uma grandeza artificial e ridícula.

Para que me serve a honra, os louvores e homenagens? Tudo acaba em poeira levada pelo vento do esquecimento. Grandes honras e homenagens estão hoje sepultadas sob montões de poeira.

Não nascemos para conquistar a grandeza nesta vida, mas na outra. O demo continua a soprar-nos ao ouvido: “Sereis como deuses.” Depois, ri-se da nossa ingenuidade saloia.

Não querer ser nada, não sobressair e chamar a atenção é o chamamento que o Senhor faz aos seus eleitos.

No fim de uma homenagem, os que arrumam o lixo não têm mãos a medir. Toda aquela fantasia acabou.

Os santos foram uma luz intense durante a vida. No entanto, brilhava neles o Senhor com tal naturalidade, que só quando esta luz se apagou, nos demos conta da sua falta.

Alegremo-nos e celebremo-nos uns aos outros, mas nunca esqueçamos o que somos: filhos de Deus, a caminho do Paraíso.

Jesus apresenta-Se para conquistar o mundo revestido da fragilidade de uma humilde criança que precisa de todas as ajudas.

Maria passa em silêncio pela vida. Quando Deus quer que reparemos n’Ela, enche do Espírito Santo Isabel, ou a mulher anónima que escutava a pregação de Jesus.

 

b) A força do humilde. «Destruirá os carros de combate de Efraime os cavalos de guerra de Jerusalém;»

A nossa força não está nos gestos teatrais e nos gritos da voz, mas na oração silenciosa e na mortificação cheia de generosidade.

Golias vem ao encontro do jovem David bem armado e cheio de experiência de guerra. David leva consigo uma funda e algumas jogas recolhidas da torrente, e a força do Senhor.

Uma pedra certeira bastou para que o pequeno David derrubasse mortalmente o gigante Golias.

Temos de ser como o alicerce: escondido no seio da terra, aguenta todo o peso e dá segurança ao edifício. Quem pensa na existência do alicerce, quando passa junto de uma construção grandiosa?

A humildade do Servo de Iavé, profetizado por Zacarias, não é obstáculo a que se apresente com uma força avassaladora com a qual fará triunfar o Bem e a Virtude.

Também nós, que somos e pequenos, acolhemos mais facilmente uma pessoa simples humilde do que qualquer outra. Todos fogem do soberbo, porque lhes soa a falsidade e artificialismo, e nós gostamos mais, por instinto, do que é simples.

O Senhor Jesus manifesta a sua grande força, não em exibições de força e de mando, mas na humildade e simplicidade.

Manifesta-Se como humilde criança que precisa de todas as ajuda s humanas e cuidados. Se aparecesse como um rei poderoso, com as insígnias da sua dignidade, o mais certo é que não nos sentíssemos bem à beira d’Ele. No presépio conquista os corações dos pastores e quantos O foram visitar à gruta.

Para atrair as multidões não faz exibições d poder e grandeza. Vem revestido de simplicidade ao encontro das pessoas, com um desejo infinito de as ajudar. Socorre os que precisam

Vence deixando-Se vencer completamente na Cruz, a humilhação suprema e espera a cada um de nós no silêncio humilde do Sacrário.

 

c) Rei pacífico. «e será quebrado o arco de guerra. Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mare do Rio até aos confins da terra

A paz — no seu sentido pleno — é a maior necessidade do mundo actual. Sem ela, a riqueza e a força não servem para nada.

Na verdade, esta palavra engloba três espécies de paz, intrínseca e inseparavelmente unidas:

Com Deus. Existe quando não há pecado ou qualquer outra infidelidade que nos separe d’Ele. Quando perdemos esta paz, podemos conquistá-la pela reconciliação, a qual, se houver falta grava, passa inevitavelmente pelo sacramento da confissão.

Paz connosco. É a paz de consciência. Ela só existe quando nos deixarmos ver e julgar por Deus. Muitas pessoas vivem numa falsa paz, por falta de formação doutrinal — para elas tudo é lícito, tornando-se o critério moral dos próprios actos — ou porque deixaram insensibilizar a consciência sufocando-a repetidamente pelo pecado.

Paz com os irmãos. Existe quando nos damos bem com todos e temos humildade suficiente para pedir perdão e perdoar também os agravos recebidos.

A maior parte dos reis deixaram a história marcada pelas suas lutas, nem sempre justas, para consolidar ou aumentar o seu poder. Correm junto do seu trono rios de lágrimas de oprimidos ou mesmo torrentes de sangue.

Nem sempre o poder que detêm está ao serviço dos outros, especialmente dos mais carenciados.

Jesus Cristo apresenta-Se ao mundo revestido de humildade: uma humilde e débil criança que precisa de todas as ajudas.

E mesmo quando entra triunfalmente em Jerusalém, como estava profetizado, vai montado num humilde jumentinho, e não num cavalo ricamente ajaezado.

Não foi mobilizando um exército bem armado que Jesus Cristo conquistou a paz, mas com o perdão generoso, a paciência incansável, tudo alicerçado no Seu Amor infinito

 

 

2. Os caminhos da humildade

 

a) Tudo começa pequeno. «Jesus exclamou:“Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentese as revelaste aos pequeninos

Jesus faz a apologia do ser pequeno. Enquanto os grandes e poderosos ficam na ignorância dos mistérios de Deus, os humildes contemplam deslumbrados as maravilhas da fé.

A soberba cegou Lúcifer, que era o mais inteligente dos anjos, e provocou nele uma cegueira eternal que o leva a tentar vencer a Deus, sem ver que isso é impossível.

De modo análogo, muitos aliados dele tentam  inutilmente destruir a Igreja de Cristo. Os contínuos fracassos deles e dos que os antecederam não os desanimam, porque estão cegos.

A humildade é a verdade, escreveu Santa Teresa. É a verdade acerca de Deus e de nós e a sua aceitação. Quem não aceita o que é, não se pode considerar humilde.

Quando reconhecemos o que somos — pequenos — e o aceitamos com alegria, estamos no caminho da humildade.

Para nos ensinar o caminho da humildade, o Senhor estabeleceu que tudo começasse por ser pequeno. Assim começa a existir o que depois virá a ser uma árvore frondosa.

Filipe da Macedónia, que tinha conquistado um império, estava orgulhoso e julgava-se uma pessoa insubstituível.

Um sábio que, além disso, era sensato, queria ajudar o rei a pôr os pés na terra, abandonando as megalomanias. Colocou um mapa na frente dele e pediu-lhe que apontasse nele a Macedónia, com as terras conquistadas.

Seguidamente pediu ao rei que lhe indicasse onde estava Filipos, a capital do reino. Com muita dificuldade, o rei indicou um pequeno ponto do mapa.

O sábio pediu que lhe indicasse onde estava o palácio real, mas ele já não o conseguiu fazer.

Veio depois um ultimo pedido: dentro do palácio real, que espaço ocupa o rei. Este ficou a meditar e compreendeu que somos bem pouca coisa.

O que somos no conjunto do universo criado? A nossa grandeza vem-nos de sermos filhos de Deus e herdeiros do Céu.

 

b) Entreguemos o que nos oprime. «Vinde a Mim,todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei

Muitas vezes andamos tristes e esmagados sob o peso dos nossos problemas. Parece que nem podemos respirar.

Esta opressão vem de diversas origens:

Falta-nos a fé. Pensamos e sofremos como se estivéssemos sós e abandonados no mundo, e não contamos com Deus para nada. Pensamos que Ele não pode ou não quer socorrer-nos e aliviar-nos.

Nada nos pode acontecer que Ele não permita; e quando o permite, é porque daí poderá resultar um grande bem para nós, se quisermos colaborar com Deus.

Só a confiança num Pai que nos ama infinitamente e que está sempre ao nosso lado nos pode dar a segurança e a paz.

Andamos com pesos inúteis ou falsos. Muitas vezes sofremos porque não estamos interessados na glória de Deus, mas na nossa. E assim, transformamos problemas insignificantes em grandes tragédias que nos roubam a alegria.

Procuremos o Senhor onde O podemos encontrar e confiemos-Lhe o que nos preocupa. Ficaremos com uma visão renovada dos nossos problemas, aprendendo a encará-los como são, e contaremos com o Senhor para resolver o que não podemos fazê-lo nós.

Deixemos de lado os pesos inúteis, as preocupações que são fruto do orgulho, de querer parecer o que não somos nem temos, do culto da nossa personalidade e figura.

Caímos com muita facilidade no faz de conta, e sofremos quando as pessoas se apercebem de que por detrás do que aparentávamos, está a nossa indigência.

Quando quisermos tudo e só o que Deus quer, mais ser mais fácil reconquistar a paz e vivermos felizes. Que nos importa o que dirão, se é Deus quem nos julga?

Entreguemos tudo nas mãos do Senhor:

O passado. Tudo aquilo que nos entristece na vida passada — pecados, faltas de generosidade — entreguemo-lo ao Coração Divino de Jesus. Se é necessário, façamos uma boa confissão de tudo aquilo para que ainda não procuramos o perdão.

Depois, esqueçamos tudo, porque Ele também já o esqueceu. Para que deixamos que o demónio se aproveite de faltas passadas para nos roubar a alegria? Confiemos no perdão misericordioso do Senhor.

O presente. Para resolver os nossos problemas, façamos tudo como se a solução só dependesse de nós; depois, confiemos no Senhor, como se tudo só dependesse d’Ele.

As preocupações e problemas são outras tantas oportunidades para provar a nossa confiança no Senhor.

O futuro. Para que havemos de andar preocupados com o futuro que não nos pertence? Entreguemo-lo na mãos do nosso Deus.

Corremos o perigo de morrer

esmagados debaixo do peso de cruzes imaginárias, em mais pesadas do que as cruzes reais.

 

c)  Mansidão e humildade. «Tomai sobre vós o meu jugoe aprendei de Mim,que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.»

Jesus faz-nos um convite aliciante: lançar fora os jugos que foram urdidos por nós e aceitar apenas o que nos vem de Deus pela vida de cada dia.

São muitos os pesos inúteis que nos oprimem e nos fazem andar vergados sob o peso deles. O Senhor quer lh’Os entreguemos e acolhamos sobre os nossos ombros apenas o Seu jugo.

O jugo da Lei de Deus. A pretexto de liberdade (falsa) as pessoas rejeitam os Mandamentos que o mesmo Deus instituiu, e acabam por cair prisioneiros de outros bastante mais pesados e escravizadores: a droga, a boa mesa, o sexo, a exibição e luxo e poder.

Comecemos por aceitar um cumprimento generoso e fiel da Lei do Senhor, e teremos verdadeira alegria, saboreando a veracidade das palavras de Jesus: o meu jugo é suave e a minha carga é leve.

O jugo do Amor ao próximo. Levantamos muralhas para defender a inacessibilidade do seu reino egoísta. Isolam-se tanto que, quando querem romper a solidão, ao sentirem-se sufocados por ela, não o conseguem fazer.

Não conseguiríamos ter verdadeiro amor ao próximo, se não nos esforçássemos por ser humildes. É a soberba que nos leva a sermos desconfiados, por princípio; a sentir desejos de vingança; a ficar tristes, porque não nos deram a importância que julgávamos ter.

O jugo do Amor  fiel. Esforcemo-nos por viver um amor fiel a Deus e aos irmãos, sem desânimos nem pausas; sem medida e sem esperar recompensa humana; com magnanimidade, sabendo abafar o mal na abundância de bem.

Jesus proclama a liberdade suprema, quando está pregado numa Cruz, como se fosse o maior dos escravos.

O Sacrifício da Cruz é renovado na celebração da Santa Missa. Ao participarmos nela, identifiquemo-nos com os sentimentos de Jesus de perdão, de amor sem limites, de humildade.

Maria Santíssima, ao receber a mensagem do Céu que institui Mãe do Redentor, confessa diante do Arcanjo que é a Serva do Senhor.

Aprendamos com ela a sermos mansos e humildes do coração, e encontraremos a verdadeira alegria da vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«Nós somos o terreno onde o Senhor lança incansavelmente a semente da Palavra e do seu amor.

Com que disposições a acolhemos?»

O Evangelho deste domingo (Mt 13, 1-23) mostra-nos Jesus que prega à margem do lago da Galileia, e dado que é circundado por uma grande multidão, Ele entra numa embarcação, afasta-se um pouco da margem e dali anuncia. Quando fala ao povo, Jesus recorre a muitas parábolas: uma linguagem que todos podem compreender, com imagens tiradas da natureza e das situações da vida diária.

A primeira que Ele narra é uma introdução a todas as parábolas: é aquela do semeador, que sem poupar lança as suas sementes em todos os tipos de terreno. E o verdadeiro protagonista desta parábola é precisamente a semente, que produz mais ou menos frutos, em conformidade com o terreno onde ela caiu. Os primeiros três terrenos são improdutivos: ao longo da estrada a semente é comida pelos pássaros; no terreno pedregoso, os rebentos secam-se imediatamente porque não têm raízes; no meio dos arbustos a semente é sufocada pelos espinhos. O quarto terreno é fértil, e somente ali a semente medra e produz fruto.

Neste caso, Jesus não se limitou a apresentar a parábola; também a explicou aos seus discípulos. A semente que caiu ao longo do caminho indica quantos ouvem o anúncio do Reino de Deus, mas não o acolhem; assim, sobrevém o Maligno e leva-a embora. Com efeito, o Maligno não quer que a semente do Evangelho germine no coração dos homens. Esta é a primeira comparação. A segundo consiste na semente que caiu no meio das pedras: ela representa as pessoas que escutam a palavra de Deus e que a acolhem imediatamente, mas de modo superficial, porque não têm raízes e são inconstantes; e quanto chegam se apresentam as dificuldades e as tribulações, estas pessoas deixam-se abater repentinamente. O terceiro caso é o da semente que caiu entre os arbustos: Jesus explica que se refere às pessoas que ouvem a palavra mas, por causa das preocupações mundanas e da sedução da riqueza, é sufocada. Finalmente, a semente que caiu no terreno fértil representa quantos escutam a palavra, aqueles que a acolhem, cultivam e compreendem, e ela dá fruto. O modelo perfeito desta terra boa é a Virgem Maria.

Hoje esta parábola fala a cada um de nós, como falava aos ouvintes de Jesus há dois mil anos. Ela recorda-nos que nós somos o terreno onde o Senhor lança incansavelmente a semente da Palavra e do seu amor. Com que disposições a acolhemos? E podemos levantar a seguinte pergunta: como é o nosso coração? Com qual dos terrenos ele se assemelha: uma estrada, um terreno pedregoso, um arbusto? Depende de nós, tornar-nos um terreno bom ou sem espinhos sem pedregulhos, mas desbravado e cultivado com esmero, a fim de poder produzir bons frutos para nós e para os nossos irmãos.

E far-nos-á bem não esquecer que também nós somos semeadores. Deus lança sementes boas, e também aqui podemos interrogar-nos: que tipo de semente sai do nosso coração e da nossa boca? As nossas palavras podem fazer muito bem mas inclusive muito mal; podem curar e podem ferir; podem animar e podem deprimir. Recordai-vos: o que conta não é aquilo que entra, mas o que sai da nossa boca e do nosso coração.

Com o seu exemplo, Nossa Senhora nos ensine a acolher a Palavra, a cultivá-la e a fazê-la frutificar em nós e nos outros!

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 13 de Julho de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

 

Oremos confiadamente ao Senhor, nosso Deus

que a todos nos tem dado a força do Espírito Santo,

para fazermos morrer as obras da carne,

e, em nome de toda a humanidade, invoquemo-l’O,

dizendo (cantando) com alegria:

 

    Senhor, venha a nós o vosso reino!

 

1. Pelo Santo Padre, o bom Pastor dado por Deus à Sua Igreja,

    para que nos ajude a sermos mansos e humildes de coração,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o vosso reino!

 

2. Pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos ao serviço da Igreja,

    para que o Senhor abençoe os trabalhos do seu ministério,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o vosso reino!

 

3. Pelos cientistas e homens cultos que não crêem em Deus,

    para que o Senhor os faça contemplar a Sua beleza divina,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o vosso reino!

 

4. Pelos que andam cansados e oprimidos e dominados pelo medo,

    para que a confiança no Divino Mestre os conforte e reanime,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o vosso reino!

 

5. Pelos que vivem a alegria no Senhor, e oferecem a Cristo a vida,

    para que o seu exemplo ajude muitos a encontrar-se com Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o vosso reino!

 

6. Pelos que se alimentaram do pão que vem do Céu e já partiram,

    para que o Senhor os acolha hoje na felicidade eternal do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o vosso reino!

 

Senhor, que na palavra proclamada neste dia

nos revelais a mansidão e humildade do vosso Filho,

o Salvador do mundo que veio ao nosso encontro:

ensinai-nos a louvar o vosso nome e a exaltar-Vos

como nosso Deus, nosso Rei e nosso Amigo.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Temos necessidade do Pão da Palavra e do Alimento divino da Santíssima Eucaristia, para alcançarmos a Vida Eterna.

Jesus serviu-nos na primeira parte desta Celebração a Sua Palavra que suscita em nós desejos de crescer.

Vai agora preparar o Alimento da Santíssima Eucaristia, transubstanciando no Seu Corpo e Sangue — pelo ministério do sacerdote — o pão e o vinho que depositamos sobre o altar.

 

Cântico do ofertório: Atei os meus braços, M. Faria, NRMS 9 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação consagrada ao vosso nome nos purifique e nos conduza, dia após dia, a viver mais intensamente a vida da graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Nascendo da Virgem Maria, Ele renovou a antiga condição humana; com a sua morte na cruz destruiu os nossos pecados; com a sua ressurreição conduziu-nos à vida eterna e na sua ascensão abriu-nos as portas do céu.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

Santo, Santo, Santo...

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Se formos humildes, viveremos em paz com todas as pessoas. É a soberba que levanta muros de separação entre nós e os outros.

Manifestemos ao Senhor neste momento o nosso desejo de derrubar estes muros, para que paz reine entre nós.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Com humildade profunda, repitamos, antes de comungar, as palavras ditas pelo centurião romano, quando Jesus Se disponibilizou para ir à casa dele curar o servo doente e que a Liturgia a adoptou para este momento da celebração da Missa: «Senhor, eu não digno, de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.»

 

Cântico da Comunhão: Senhor nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

Salmo 33, 9

Antífona da comunhão: Saboreai e vede como o Senhor é bom: feliz o homem que n'Ele se refugia.

 

Ou

Mt 11, 28

Vinde a Mim, todos vós que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciastes com estes dons tão excelentes, fazei que alcancemos os benefícios da salvação e nunca cessemos de cantar os vossos louvores. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Recordemos constantemente o convite que o Senhor nos faz: «aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

14ª SEMANA

 

2ª Feira, 10-VII: A fé e a proximidade de Deus.

Gen 28, 10-22 / Mt 9, 18-26

Pois dizia consigo. Se eu, ao menos, lhe tocar na capa, ficarei curada.

As doenças da nossa alma, as feridas da luta interior contra as tentações, exigem que nos aproximemos do Senhor (Ev.) para ficarmos curados. Isso acontece nos sacramentos: na comunhão sacramental tocamos no corpo de Jesus, na confissão são-nos aplicados os méritos da paixão de Cristo.

Deus falou a Jacob através de um sonho, renovando uma promessa (Leit.). E Jacob reconheceu a proximidade de Deus: «realmente o Senhor está neste lugar, e eu não sabia» (Leit.). Demo-nos conta da proximidade do Senhor ao longo do nosso dia.

 

3ª Feira, 11-VII: S. Bento: reconstrução do tecido cristão da Europa.

Prov 2, 1-9 / Mt 19, 27-29

E todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.

S. Bento contribuiu muito para a implantação das raízes cristãs na Europa. Por isso, foi nomeado Padroeiro da Europa em 1964 Pelo Papa Paulo VI.

S. Bento, tendo ouvido o chamamento do Senhor, deixou tudo por causa dEle (Ev.) e nós recebemos uma esplêndida herança. O Senhor concedeu-lhe a sabedoria, o saber e a razão (Leit.) Para ajudarmos a reconstruir as raízes cristãs na Europa e, por conseguinte, também no nosso país, recorramos à protecção de Deus e sejamos fiéis à nossa vocação cristã: «Ele guarda os caminhos dos que lhe são fiéis» (Leit.).

 

4ª Feira, 12-VII: A fome de Deus e ao alimentos divinos.

 Gen 41, 55-67; 42, 5-7. 17-24 Mt 10, 1-7

Então o faraó disse a todos os egípcios: Ide a José e fazei o que ele vos disser.

Em toda a parte havia fome e o povo pedia pão. No Egipto foi José quem resolveu este problema (Leit.).

Em todo o mundo continua a haver fome de Deus. O Senhor, para resolver este problema, enviou os Doze a proclamar a palavra de Deus (Ev.), que é um alimento indispensável à nossa alma: «Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a palavra de Deus» (CIC, 543). O outro alimento é  a Eucaristia. Recebamo-los com agradecimento para que produzam muito fruto.

 

5ª Feira, 13-VII: Dar aos outros o que recebemos.

Gen 44 18-21. 23-29; 45, 1-5 / Mt 10, 7-15

Ide pregar, anunciar aos outros que está perto o reino dos Céus. Recebestes de graça. Pois dai gratuitamente.

O que os Apóstolos receberam de Jesus, os seus ensinamentos, o poder de curar, etc., é o que eles têm de fazer a partir daquele momento (Ev.). O mesmo aconteceu com José: perdoou aos irmãos e acabou por lhes matar a fome: «foi para poupar as vossas vidas que Deus me enviou à vossa frente» (Leit.).

Aprendamos este modo de proceder, recomendado pelo Senhor. Recebemos a graça de Deus através dos sacramentos e da oração. Rezemos pelos outros, para que Deus lhes conceda igualmente as suas graças. O nosso dia deve ser uma doação aos outros.

 

6ª Feira, 14-VII: Confiança nas promessas de Deus.

Gen 46, 1-7. 28-30 / Mt 10, 16-23

E todos sereis odiados por causa do meu nome. Mas aquele que permanecer firme até ao fim é que há-de salvar-se.

Deus é fiel e nunca nos abandonará. Devemos, pois, aceitar as suas promessas ter nEle uma fé e confiança plenas (Ev.). «Porque sem fé não é possível agradar a Deus e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela» (CIC, 161).

O mesmo aconteceu com Jacob: «Disse-lhe Deus: Não tenhas receio de descer ao Egipto, pois é de lá que farei sair de ti um grande povo. Eu próprio descerei contigo ao Egipto (Leit.). E tudo se cumpriu conforme a  promessa de Deus.

 

Sábado, 15-VII: A Providência, o bem e o mal.

Gen 49, 29-33; 50, 15-26 / Mt 10, 24-33

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, portanto: valeis mais do que muitos passarinhos.

«Jesus reclama um abandono filial à Providência do Pai celeste, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos (Ev.)» (CIC, 305).

Nalguns casos vê-se, com o decorrer do tempo, que Ele pode tirar um bem das consequências de um mal (mesmo moral), causado pelas criaturas, como foi o caso de José e seus irmãos (Leit.). Deus, na sua omnipotente Providência, pode tirar um bem das consequências de um mal (mesmo moral), como foi a morte de Jesus Cristo, o maior mal jamais praticado, que é actualizado no memorial da celebração eucarística.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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