S. João Baptista

Missa da Vigília

23 de Junho de 2017

 

Solenidade

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 23 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, F. dos Santos, NRMS 38

Lc 1, 15.14

Antífona de entrada: Será grande aos olhos do Senhor e cheio do Espírito Santo desde o seio materno. Muitos se hão-de alegrar pelo seu nascimento.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

São João Baptista foi escolhido para ser enviado como testemunha fiel da luz.

Na sua pregação, recomenda a mudança de vida e a confissão dos próprios pecados. Prepara o caminho do Mestre, a fim de O receberem como Filho de Deus e Redentor do homem.

Deu testemunho da verdade, denunciou as violações dos mandamentos de Deus e foi morto por ter servido a Cristo.

Ao celebrarmos a Vigília desta solenidade reconheçamos, interiormente, as nossas imperfeições e faltas de fidelidade ao nosso baptismo. Prometamos mudar de vida, e procuremos testemunhar, com as nossas acções, a presença de Cristo Nosso Senhor no meio de nós.

 

Oração colecta: Conduzi, Senhor, a vossa família pelo caminho da salvação, para que, fiel aos ensinamentos do Precursor, São João Baptista, possa ir confiadamente ao encontro de Cristo, por ele anunciado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A leitura da vocação de Jeremias, que iremos escutar, aplica-se à vocação de João Baptista, que foi escolhido por Deus e consagrado para a missão, antes que saísse do seio materno.

 

Jeremias 1, 4-10

4No tempo de Josias, rei de Judá, o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações». 6Então eu disse: «Ah, Senhor Deus, mas eu não sei falar, porque sou uma criança». 7O Senhor respondeu-me: «Não digas: ‘Sou uma criança’, porque irás ao encontro daqueles a quem Eu te enviar e dirás tudo quanto Eu te mandar dizer. 8Não tenhas receio diante deles, porque Eu estou contigo, para te salvar – diz o Senhor». 9Depois o Senhor estendeu a mão, tocou-me na boca e disse-me: «Eu ponho as minhas palavras na tua boca. 10Hoje dou-te poder sobre os povos e os reinos, para arrancar e destruir, para arruinar e demolir, para edificar e plantar».

 

Não é casual a escolha desta leitura que relata a vocação do Profeta Jeremias. Foi escolhida pela alusão que se quer ver à santificação de João no ventre materno: «antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (cf. Lc 1, 44).

6 «Mas eu não sei falar». É a reacção habitual do homem, quando se enfrenta com a vocação divina, a chamada a uma missão que exige a entrega de toda a vida a Deus para O servir numa missão que transcende a nossa limitação e franqueza. Mas a uma primeira reacção de medo segue-se uma certeza, segurança e serenidade que Deus infunde: «Eu estarei contigo!» (v. 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 70 (71), 1-2. 3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R. cf. 6b)

 

Monição: O Senhor é a nossa esperança. Protege-nos e sustenta-nos desde o seio materno, a fim de anunciarmos as maravilhas operadas ao longo da nossa existência, proclamaremos nós no salmo que vamos recitar.

 

Refrão:        Desde que nasci Vós me sustentais.

 

Em Vós, Senhor, me refugio:

jamais serei confundido.

Pela Vossa justiça defendei-me e salvai-me;

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um abrigo seguro,

e fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio.

Meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a Vossa justiça,

dia após dia a Vossa salvação.

Desde a juventude, ó Deus, Vós me ensinastes,

e até hoje sempre anunciei os Vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O cristão é testemunho de vida no meio de provas, pouco a pouco nele se manifesta o próprio Cristo, que comunica a alegria da ressurreição.

 

1 São Pedro 1, 8-12

Caríssimos: 8Vós amais Cristo Jesus sem O terdes visto, acreditais n’Ele sem O verdes ainda. Isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas. 10Esta salvação foi objecto das investigações e meditações dos Profetas que predisseram a graça a vós destinada. 11Procuraram descobrir a que tempos e circunstâncias se referia o Espírito de Cristo que estava neles, quando predizia os sofrimentos de Cristo e as glórias que se lhes haviam de seguir. 12Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que no seu ministério transmitiam essa mensagem. É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, a qual os próprios Anjos desejam contemplar.

 

8-9 «Vós amais Cristo Jesus... acreditais nele...» Estes cristãos da Ásia Menor a quem S. Pedro se dirige, como também nós, já não conheceram Jesus na sua vida mortal, mas exactamente como nós hoje e os cristãos de todos os tempos acreditavam em Jesus Cristo e amavam apaixonadamente a sua pessoa adorável como alguém que está vivo e actuante, enchendo-nos daquela alegria inefável que procede de sabermos que a nossa fé vai desembocar na visão da glória, o fim da nossa fé, a salvação das nossas almas.

10 «Os profetas», mais provavelmente os do Antigo Testamento.

12 Os Anjos, ao tomarem conhecimento do plano de salvação da humanidade, extasiam-se a contemplá-lo com atenção na vida da igreja (cf. Ef 3, 10).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 1 , 7 ; Lc 1, 1 7

 

Monição: João veio como testemunha, para dar testemunho da luz, Jesus Cristo, que ilumina todo o homem.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Ele veio para dar testemunho da luz

e preparar o povo para a vinda do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 5-17

5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. 6Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. 8Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, 9coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. 10Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. 11Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13Mas o Anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. 14Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento, 15porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica será cheio do Espírito Santo desde o seio materno 16e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor».

 

A leitura corresponde ao início do chamado Evangelho da Infância de Lucas. O teólogo genial que é S. Lucas, não prescinde do seu génio de historiador e começa por situar na História o acontecimento: «Nos dias de Herodes, rei da Judeia» (v. 5). «Zacarias», era um nome corrente entre judeus, que significa «Yahwéh recordou-se «. Isabel, Elixabet, era o nome da mulher de Aarão (Êx 6, 23) e significa «Deus é a plenitude», ou «Deus jurou». Zacarias pertencia à turma de Abias, isto é, ao oitavo turno semanal ao serviço do Templo (cf. 1 Par 24, 10). Segundo conta o historiador Flávio José, os 24 turnos semanais estavam em pleno funcionamento nesta data.

6 «Ambos justos aos olhos de Deus». A sua santidade não era meramente externa e legal. Justo equivale a fiel cumpridor de toda a vontade de Deus, pessoa que ajusta todo o seu pensar e actuar à lei do Senhor. Então, como hoje, é de pais justos e santos que procedem os grandes homens, os grandes santos.

9-10 «Para oferecer o incenso». Um sacrifício que se repetia duas vezes ao dia e às 3 horas da tarde. O sacerdote eleito desta vez foi Zacarias, talvez a única vez na vida que lhe coube tamanha honra, segundo as instruções de Mixná. Então pôde penetrar no Santuário, na primeira câmara chamada «o Santo», onde se encontravam os 12 pães da proposição que representavam as 12 tribos de Israel na presença do Senhor, bem como o candelabro de 7 braços, a menoráh. Zacarias, totalmente só e no máximo recolhimento, ao sinal da trombeta, tinha de deitar incenso sobre as brasas que estavam sobre o pequeno altar de oiro, enquanto o povo espalhado pelos átrios, o dos israelitas e o das mulheres, fazia subir as suas preces até Deus: a nuvem do fumo do incenso que se erguia do altar dos perfumes era a imagem bem expressiva da oração, segundo as palavras do Salmo 141(140), 2. A afluência dos fiéis costumava ser grande, a fim de rezar neste preciso momento, sobretudo na oferenda da tarde.

14-17 «Terás alegria…» Logo a seguir são apontados os motivos de tamanha alegria: a grandeza e santidade excepcionais do filho (v. 15), cheio de Espírito Santo (santificado no ventre materno, segundo a exegese habitual, ou dotado do carisma profético); será instrumento para a salvação de muitos (v. 16); preparará a vinda do Messias (v. 17). É interessante notar como o Evangelista, apesar de saber que João preparou a vinda de Jesus, o Messias, não instrumentaliza um relato que se move num ambiente e perspectiva «pré-cristã» e numa linguagem vétero-testamentária; é mais um indício da fidelidade de Lucas às suas fontes (aqui talvez um relato de família, conservado em círculos afectos ao Baptista). É por isso que não diz: «irá à frente do Messias» (como seria de esperar), mas «irá à frente de Yahwéh».

 

Sugestões para a homilia

 

João acolheu a Palavra, para a testemunhar

Preparou o acolhimento do Messias, com o seu testemunho de vida

Com o exemplo da nossa fé, transmitamos Cristo vivo no meio de nós

 

João acolheu a Palavra, para a testemunhar

 

A Palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias, como ouvimos ler na primeira leitura desta Vigília.

Esta Palavra é aplicada, de igual modo, a João Baptista: «Antes de te formar no ventre materno Eu te escolhi, te consagrei e instituí profeta entre as nações».

De facto, ele acolheu-a, proclamou sem receio tudo o que devia ser dito: viveu em pobreza, disse a verdade intransigentemente, denunciou as injustiças e as infidelidades aos mandamentos, anunciou a vinda do Senhor.

Esta mensagem é dirigida hoje a cada um de nós, baptizados na água e no fogo do Espírito.

Por isso, a nossa vida terá de ser conforme à do precursor. Sabendo acolher a Palavra, escutando-a com atenção, contemplando-a no coração e reflectindo-a numa vida coerente, paciente, serena e prudente, preparando o acolhimento do Messias.

 

Preparou o acolhimento do Messias, com o seu testemunho de vida

 

“Muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento... porque será cheio do Espírito Santo... irá à frente do Senhor... a fim de preparar um povo para o Senhor” - ouvimos ler no texto do Evangelho.

Ora, João Baptista viveu a missão do «envio», do serviço na preparação do acolhimento do Messias, com o testemunho da sua vida.

Tal como João Baptista, nós, os cristãos, temos por missão preparar o acolhimento de Cristo. E como o profeta, não andemos receosos ou inquietos com a sucessão dos acontecimentos diários. Saibamos colocá-los nas mãos e no coração de Jesus ressuscitado. Ele tudo acolhe, transforma, purifica, satisfaz e pacifica.

Mais que falar, teremos de testemunhar, com a vida, esta certeza da presença do Mestre no meio de nós.

 

Com o exemplo da nossa fé, transmitamos Cristo vivo no meio de nós

 

A segunda leitura, tem palavras a nós dirigidas: “Vós amais Cristo Jesus, sem O terdes visto, e acreditais n’Ele sem O verdes ainda”.

Com o exemplo da nossa fé mostrá-l’O-emos vivo no meio de nós. Deste modo, conseguiremos demonstrar a compreensão das maravilhas que Ele vai operando nas pequenas e grandes coisas do nosso dia-a-dia. Numa atitude de serenidade interior e exterior seremos testemunhas vivas, que hão-de contrariar o “espírito do mundo” e promover o “espírito de Cristo”, vivendo e transmitindo a Sua mensagem sem receio, porque Deus está connosco.

Este espírito de missão levar-nos-á a amar verdadeiramente, pois amar é comunicar, dialogar, colaborar e comungar numa relação de proximidade, que gera a obediência na observância dos desejos e ânsias do próximo. Saibamos «dar tempo ao tempo» numa espera paciente que leva ao conhecimento da Palavra Incarnada, à colaboração eficaz e à comunhão afectiva e efectiva.

Que seja este o nosso propósito, como comemoração desta solenidade do Nascimento de São João Baptista e como cumprimento da nossa missão de proclamar a mensagem evangélica.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos,

tal como São João Baptista,

estejamos conscientes da nossa missão no mundo.

Peçamos, pois, a Deus nosso Pai,

e por intercessão de São João Baptista,

que nos ajude a realizá-la sem temor algum,

 rezando:

 

Ouvi, Senhor, a nossa oração.

 

1.     Que a Santa Igreja de Deus

seja dócil à missão que o Senhor lhe confiou,

e a saiba transmitir com plena confiança,

oremos, irmãos.

 

2.     Que o Santo Padre, os Bispos, Presbíteros e Diáconos,

ponham a render os dons recebidos

ao serviço da evangelização,

oremos, irmãos.

 

3.     Que todos os baptizados,

orientem a sua vivência de fé

guiados pelo “espírito de Cristo”,

e não pelos “critérios do mundo”,

oremos, irmãos.

 

4.     Que a celebração desta Vigília

nos ajude a cumprir a missão

de testemunhar Cristo

como luz de todos os homens,

oremos, irmãos.

 

5.     Que os jovens do mundo inteiro,

tornem a presença de Cristo

viva e coerente nas suas vidas,

numa completa abertura do coração

à Sua Palavra,

oremos, irmãos.

 

Senhor,

escutai e atendei a nossa oração.

Ajudai-nos a cumprir a missão de sermos colaboradores activos

no testemunho das maravilhas operadas pelo Senhor,

no quotidiano de nossas vidas.

Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para as ofertas que o vosso povo Vos apresenta na solenidade de São João Baptista e fazei que a nossa vida dê testemunho dos santos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão do Corpo do Senhor fortifique em nós a humildade e o espírito de serviço, à semelhança do que foi demonstrado por São João Baptista, no anúncio da vinda do Messias.

 

Cântico da Comunhão: Bendito seja Deus que nos escolheu, Az. Oliveira, NRMS 63

Lc 1, 16

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste banquete sagrado, fazei que a poderosa intercessão de São João Baptista, que anunciou o Cordeiro que vinha tirar o pecado do mundo, nos alcance do vosso Filho o perdão e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Esta Missa pode utilizar-se também como votiva.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A fidelidade ao espírito de missão de São João Baptista foi fortalecida pelo seu isolamento no deserto, vivendo em contemplação.

Que o seu exemplo nos fortaleça a escutar a Palavra, a contemplá-la no íntimo do nosso coração e a vivê-la como continuação da Paixão e ressurreição de Cristo, apesar dos obstáculos, dificuldades, anseios, problemas e dores do nosso dia-a-dia, numa vivência missionária coerente com a vontade de Deus.

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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