aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

LÍDER COMUNISTA VIETNAMITA

RECEBIDO PELO PAPA

 

Bento XVI recebeu no passado dia 22 de Janeiro o secretário-geral do Partido Comunista Vietnamita (PCV), Nguyên Phu Trong, que se encontrava em visita oficial à Itália.

 

A Santa Sé destaca que se tratou da primeira vez que um líder do PCV se encontrou com um Papa e outros responsáveis da Secretaria de Estado do Vaticano.

“Nos cordiais colóquios, foram tratados temas de interesse para o Vietname e a Santa Sé, exprimindo-se o desejo de que rapidamente possam ser resolvidas situações pendentes e que se possa reforçar a profícua colaboração existente”, refere um comunicado.

A Santa Sé e o Vietname não têm relações diplomáticas plenas e têm mantido negociações para o seu estabelecimento, através de um grupo de trabalho bilateral.

Esta foi a quarta vez que um dirigente comunista do Vietname foi recebido no Vaticano desde 2007, ano em que o Estado asiático e a Santa Sé retomaram os contactos bilaterais; mais de 20 prelados da Cúria Romana ou delegações do Vaticano estiveram, por sua vez, em território vietnamita, para se encontrarem com a comunidade católica e autoridades governamentais.

O Vietname, com cerca de 86 milhões de habitantes, tem seis milhões de católicos, o segundo maior número de fiéis do sudeste da Ásia, depois das Filipinas, mas historicamente as relações entre católicos e o PCV têm sido marcadas por fortes tensões, nomeadamente no que diz respeito às exigências de liberdade religiosa e de restituição das propriedades confiscadas pelo regime comunista.

 

 

MENSAGEM DE BENTO XVI

SOBRE REDES SOCIAIS

 

O presidente do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, arcebispo Cláudio Maria Celli, considera que a mensagem de Bento XVI, “Redes Sociais: portais de verdade e de fé, novos espaços de evangelização”, publicada no passado dia 24 de Janeiro, apresenta uma visão positiva sobre estes espaços virtuais.

 

“Os media sociais são considerados como uma oportunidade de diálogo e de debate, reconhecendo-se-lhes a capacidade de reforçar os laços de unidade entre as pessoas e de promover eficazmente a harmonia da família humana”, disse o arcebispo, na apresentação da mensagem do Papa para o 47.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, no próximo domingo 12 de Maio.

Segundo o arcebispo italiano, esta avaliação positiva implica, no entanto, que se procure o respeito pela “privacidade”, com “responsabilidade e dedicação à verdade” e com “autenticidade, dado que não se partilham informações e conhecimentos”, como destaca o texto de Bento XVI.

“O tema desta jornada fala de novos espaços de evangelização, que é anúncio da Palavra, anúncio de Jesus Cristo”, disse ainda.

Em resposta aos jornalistas, Mons. Claudio Celli mostrou-se satisfeito com o impacto da conta pessoal na rede social Twitter que Bento XVI inaugurou no dia 12 de Dezembro.

Destacou ainda que o Twitter vai continuar a ser o espaço institucional de Bento XVI nas redes sociais, descartando uma eventual presença no Facebook.

 

 

BIBLIOTECA VATICANA

DIGITALIZA MANUSCRITOS

 

Um manuscrito com cerca de 700 anos sobre caça aos pássaros e livros medievais usados nos mosteiros integram o primeiro conjunto de obras que a Biblioteca do Vaticano digitalizou e apresentou na Internet para acesso gratuito e sem restrições.

 

A Biblioteca disponibilizou no passado dia 30 de Janeiro 256 manuscritos no seu site, primeira etapa de uma iniciativa que prevê a digitalização de 80 mil obras redigidas à mão com o apoio de patrocinadores e recurso a novas tecnologias.

“Estamos muito felizes por poder dizer ao mundo que tomou forma o projecto de tornar acessíveis os manuscritos da Biblioteca do Vaticano via web, que podem ser estudados em qualquer parte do mundo”, afirmou o Prefeito da Biblioteca, Mons. Cesare Pasini.

Mons. Pasini explicou que foram necessários dois anos de trabalho para a programação e que a digitalização dos manuscritos começou há um ano.

Também adiantou que a Biblioteca está envolvida na digitalização de manuscritos chineses, bem como escritos gregos e, possivelmente, hebraicos, a par de um grande projecto ligado à Biblioteca de Oxford.

 

 

LEGALIZAÇÃO DAS

UNIÕES HOMOSSEXUAIS?

 

O presidente do Pontifício Conselho para a Família, Arcebispo Vincenzo Paglia, esclareceu no passado dia 6 de Fevereiro que não defende a legalização de uniões homossexuais, ao contrário do que lhe foi atribuído em vários órgãos de comunicação social.

 

Numa conferência de imprensa no Vaticano, dada dois dias antes, o arcebispo criticara a tentativa de equiparação ao matrimónio das uniões homossexuais na França, e comentara:

“O matrimónio é uma dimensão clara do direito. Existem depois as outras formas de convivência não familiares, que são muitas. Nestas perspectivas procure-se encontrar soluções de tipo de direito privado e, na minha opinião, também de natureza patrimonial. Eu penso que este é um terreno que a política deve começar a percorrer tranquilamente”.

E acrescentara: "Na minha opinião, no interior do código actual, tanto civil como patrimonial, podem-se encontrar soluções a ter em conta, quer no balanço, tanto no âmbito patrimonial como no da facilitação da vida, também para evitar injustiças aos mais fracos. Esta é uma via que, pelo pouco que sei, parece-me importante percorrer".

As primeiras reportagens, atribuindo ao arcebispo considerado o “ministro da Família” do Vaticano a aprovação da legalização civil das uniões homossexuais causaram estranheza uma vez que contradizem o documento sobre este assunto da Congregação para a Doutrina da Fé, de 3-VI-2003:

“A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade” (n. 11).

Questionado sobre o caso, o arcebispo Paglia negou a interpretação dada pelos jornais, dizendo que as suas palavras tinham sido destorcidas.

 

 

ESPOSIÇÃO VATICANA

“O CAMINHO DE PEDRO”

 

A exposição “O Caminho de Pedro”, dedicada ao Apóstolo, foi inaugurada no passado dia 6 de Fevereiro no Museu Nacional de Castel Sant’Angelo, em Roma, pelo Secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Tarcisio Bertone.

 

A mostra é a primeira de um conjunto de “manifestações artísticas” que pretendem acentuar “o carácter cultural da fé”, explicou o arcebispo Mons. Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

Com o propósito de ir ao encontro do “desejo de beleza” e da “nostalgia de Deus, que é frequentemente latente em muitas pessoas”, o Conselho Pontifício concebeu a exposição “como um percurso pelos séculos para entrar no conhecimento de um dos personagens que desde sempre provocou a inteligência dos artistas para tentar compreender o mistério que trazia consigo”, acrescentou.

“Esta mostra é um caminho para crescer na fé, mas é também uma provocação” para “perceber a exigência de crer como resposta ao pedido de sentido que a vida coloca”, salientou o prelado italiano.

Perante as obras de arte, assinalou Mons. Rino Fisichella, “crentes e não crentes têm reacções diferentes, mas a beleza que se expressa chama uns e outros à escuta de uma mensagem que pode ser recebida no silêncio da contemplação”.

O responsável explicou que a exposição, patente até 1 de Maio, é apresentada num espaço onde a religiosidade não está explicitamente presente, para que “todos possam entrar sem preconceito, movidos apenas pelo interesse artístico”.

A exposição contém 36 peças do século IV ao século XX, provenientes de nove países europeus, que se dividem em oito “momentos”: “Encontro”, “Espanto”, “Resistência”, “Crise e Renascimento”, “Abandono em Deus”, “Fraternidade”, “Missão” e “Semelhança”.

 

 

RELATÓRIO SOBRE

FUGAS DE DOCUMENTOS

 

Bento XVI recebeu no passado dia 25 de Fevereiro os três cardeais que redigiram, a seu pedido, um relatório sobre fugas de documentos reservados, o qual se manterá em segredo até à eleição do novo Papa.

 

Os três cardeais, Julián Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi, todos com mais de 80 anos, já não são eleitores, mas participam nas reuniões dos cardeais durante a sede vacante.

Um comunicado da Santa Sé refere que Bento XVI “decidiu que as actas do inquérito, cujo conteúdo só Sua Santidade conhece, ficam à disposição somente do novo Pontífice”. 

O relatório fora entregue ao Papa em 27 de Julho de 2012, e os três cardeais sempre se abstiveram de o comentar.

 

 

ÚLTIMA DESPEDIDA

DE BENTO XVI

 

Pouco depois das 17 horas do passado dia 28 de Fevereiro, último dia do seu Pontificado, o Papa Bento XVI deixou o Palácio Apostólico e partiu de helicóptero do Vaticano para Castel Gandolfo, onde chegou depois de 15 minutos de voo.

 

Às 17.38, o Papa apareceu na sacada central do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo e dirigiu aos fiéis da diocese de Albano, que enchiam a praça, as suas últimas palavras de saudação:

“Obrigado! Obrigado!

“Queridos amigos, estou feliz por estar convosco, rodeado pela beleza da criação e pela vossa simpatia que me faz muito bem. Obrigado pela vossa amizade, o vosso afecto. Vós sabeis que este meu dia é diferente dos anteriores; já não sou o Sumo Pontífice da Igreja Católica: até às oito da noite, ainda serei, depois já não. Sou simplesmente um peregrino que inicia a última etapa da sua peregrinação na terra. Mas quereria ainda, com o meu coração, com o meu amor, com a minha oração, com a minha reflexão, com todas as minhas forças interiores, trabalhar para o bem comum e para o bem da Igreja e da humanidade. E sinto-me muito apoiado pela vossa simpatia. Sigamos em frente, juntamente com o Senhor, para o bem da Igreja e do mundo. Obrigado, dou-vos agora de todo o coração a minha Bênção.

“Abençoe-nos o Deus todo-poderoso, Pai, Filho + e Espírito Santo.

“Obrigado, boa noite! Obrigado a todos vós!”

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial