JOÃO PAULO II

GIGANTE DA FÉ

 

 

 

Cardeal Stanislaw Dziwisz

Arcebispo de Cracóvia (Polónia)

 

 

 

No próximo dia 2 de Abril cumprem-se oito anos desde o falecimento do Papa João Paulo II, já beatificado pelo Papa Bento XVI em 1 de Maio de 2011.

Nesta ocasião temos o gosto de dar a conhecer aos nossos leitores a entrevista de Włodzimierz Redzioch ao Cardeal Stanislaw Dziwisz, que fora durante quase 40 anos secretário de Karol Wojtyla, primeiro em Cracóvia, depois em Roma.

A entrevista foi tomada da edição italiana de L’Osservatore Romano online, de 16-X-2012, aniversário da sua eleição como Pontífice romano.

 

 

– O que recorda daquele dia [16 de Outubro de 1978], que mudou também a sua vida?

 

Como todos os dias do conclave, ia à Praça de São Pedro e, entre a multidão, esperava a eleição do novo Pontífice. Eu estava ali também naquela noite, quando o Cardeal Pericle Felici pronunciou o nome do novo Papa. Fiquei paralisado. Exactamente 12 anos atrás, num dia de Outubro de 1966, o arcebispo metropolita de Cracóvia, Mons. Karol Wojtyla, convidou-me para estar com ele. Eu tinha 27 anos, era um jovem sacerdote. Então, eu não fazia ideia de que estava a começar a mais importante aventura da minha vida.

 

– Muitos repararam na grande tranquilidade e serenidade deste “desconhecido” arcebispo de Cracóvia ao enfrentar uma tarefa que podia assustar qualquer pessoa.

 

Reflectindo agora, penso que toda a vida pessoal e sacerdotal de Karol Wojtyla foi como uma preparação para esta missão única e dificílima. Ele viveu em tempos duros para a nação polaca: a ocupação nazi primeiro, o regime comunista depois. Durante 12 anos fui testemunha privilegiada da vida quotidiana e da missão pastoral do cardeal Wojtyla. O que me impressionava era o facto de que a sua actividade – os seus encontros com as pessoas, as decisões que tomava, as visitas pastorais, o anúncio da Palavra de Deus, a actividade académica – estava constantemente imersa na oração.

 

– Estamos no Ano da fé e, nestes dias, está a decorrer o Sínodo sobre a nova evangelização. Um tema que era muito querido a João Paulo II.

 

Ele falava da nova evangelização porque era um grande evangelizador. No mundo de hoje, pode-se evangelizar graças a verdadeiras testemunhas da fé, mas também graças a autênticos pastores. E ele era uma testemunha e um pastor. Na sua pessoa recebemos o dom de uma sábia guia no nosso mundo difícil e inquieto. Eu fui testemunha – talvez devesse dizer: “todos nós fomos testemunhas” – deste seu gigantesco trabalho de evangelização. João Paulo II não se poupou em todo o seu pontificado, porque queria que a verdade de Cristo – Senhor e Redentor do homem – chegasse a todos, àqueles que ainda não tinham ouvido falar d’Ele, como àqueles que se tinham esquecido d’Ele no deserto criado pela secularização, onde o homem vive como se Deus não existisse.

 

– Que herança nos deixa o Papa Wojtyla? E, em particular, o que lhe deixou pessoalmente este homem por si definido como um “gigante da fé”?

 

Como homem e como sacerdote, eu fui formado na “escola” de Karol Wojtyla. Ele continua a influenciar também o meu serviço à Igreja e ao povo. João Paulo II fez-me executor de seu testamento. Mas trata-se mais do testamento espiritual, porque o Santo Padre tinha poucas coisas materiais: encarregou-me de oferecer tudo o que tinha. Pelo contrário, ele deixou uma enorme herança espiritual.

 

 

 

 


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