Solenidade do Pentecostes

Missa do Dia

19 de Maio de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde Espírito Divino, M. Borda, NRMS 35

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a Solenidade do Pentecostes, a festa em que reconhecemos que o Espírito Santo anima a nossa missão e nos reúne como comunidade.

Movidos pelo Espírito de Deus, que vem em auxílio da nossa fraqueza, peçamos perdão das nossas infidelidades e, neste tempo de oração, deixemos que o próprio Espírito interceda por nós ao Pai.

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os Atos dos Apóstolos, com suas imagens e símbolos, mostram-nos que o Espírito interpela a Igreja a assumir a responsabilidade evangelizadora.

 

Actos dos Apóstolos 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16, 17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), 1ab.24ac.29bc-30.31.34 (R. 30 ou Aleluia)

 

Monição: Conscientes de que só pelo Espírito Santo se pode renovar a face da terra, supliquemos com o salmista para que o Senhor nos envie o Seu Espírito.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor o vosso Espírito,

                e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso Espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A carta aos Coríntios recorda que o Espírito Santo faz-nos viver a vida comunitária como um projeto a realizar entre todos.

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento, a saber, que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé, a confissão de fé na divindade de Jesus: «Jesus é Senhor» (sem artigo em grego, indicando que Jesus é Deus); com efeito, «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Por outro lado, deve-se ter em conta que o acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que, pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria, aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico; a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O Evangelho revela-nos que a presença do Espírito é o início de uma nova criação e, portanto, de uma nova era na história humana.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Vinde, Espírito Santo,

enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

 

“Ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2, 4)

Unidade no Espírito

Vinde, ó Santo Espírito!

 

“Ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2, 4)

 

No dia da Ascensão, Jesus tinha pedido aos Apóstolos para que não se afastassem de Jerusalém. Reunidos no Cenáculo, com Maria, Mãe de Jesus, os Apóstolos perseveravam unidos em oração. Diz-nos São Lucas, na primeira leitura, que, no dia de Pentecostes, o Espírito desceu sobre eles sob a forma de línguas de fogo e como um vento impetuoso que encheu toda a casa e todos ficaram cheios do Espírito Santo. Os efeitos foram visíveis, rápidos e sentidos pelos habitantes de Jerusalém. As línguas de fogo são o símbolo da pregação ardente dos Apóstolos, renovados e transformados: cheios do Espírito Santo, corajosamente começaram a falar à multidão. Depois do discurso inflamado de Pedro, converteram-se cerca de três mil pessoas (At 2,41)! Refere ainda os Atos dos Apóstolos que aqueles homens vindos de tantos países, atónitos e maravilhados perguntavam como era possível que cada um escutasse esta nova pregação na sua própria língua (1ª leitura)!

Ao manifestar-se sob a forma de um vento impetuoso, podemos também ver nesta manifestação o símbolo da força e do poder, que o Espírito transmitia aos arautos da boa nova: a sua pregação, qual vento que derruba tudo por onde passa, havia de deitar por terra as estátuas dos deuses das antigas e numerosas religiões, varrendo as velhas doutrinas politeístas, dando origem à civilização cristã.

 

Unidade no Espírito

 

No livro do Génesis é-nos contado o episódio da construção da torre de Babel. Cheios de orgulho, os homens quiseram construir uma torre que chegasse ao Céu. Deus confundiu as suas línguas e eles não conseguiam entender-se. Na manhã de Pentecostes, o Espírito Santo opera o dom das línguas, que permite a compreensão maravilhosa da pregação apostólica. Unidos pelo Espírito Santo dá-se um entendimento mútuo entre os homens ali presentes, oriundos de todas as nações que existem debaixo dos céus (1ª leitura). O Espírito Santo unifica os homens dos mais diversos povos. Esta é a obra fundamental do Espírito Divino: congregar na unidade, fazer de povos e homens diferentes um só povo, o Povo de Deus, a Igreja. E assim, todos nós formamos um só corpo: judeus e gregos, escravos e homens livres, batizados num só Espírito constituímos um só Corpo, afirma São Paulo na segunda leitura. Apesar da diversidade de carismas dentro da Igreja, o Espírito Santo gera comunhão; deste modo, a diversidade dos dons recebidos por cada um constrói a unidade da grande família de Deus, dispersa pelo mundo inteiro.

 

Vinde, ó Santo Espírito!

 

Costumamos dizer que a Páscoa é o início da nova Criação. E assim como no princípio o Espírito de Deus pairava sobre as águas, dando vida às criaturas, assim também agora, o Espírito Santo está presente, insuflando aos homens, mortos pelo pecado a nova vida de Jesus ressuscitado, vivo e glorioso. Na tarde da Ressurreição Jesus oferece aos seus discípulos o poder de perdoar os pecados, restituindo a vida da graça e a paz divina aos pecadores: recebei o Espírito Santo! Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados (Evangelho). A humanidade reconciliada com Deus pela Morte e Ressurreição de Cristo poderá sempre pedir ao Espírito Santo que lave as suas manchas, como rezávamos na sequência da Missa.

Em comunhão com toda a Igreja, invoquemos hoje o Espírito Santo como o Benfeitor supremo, celeste Consolador, como o Pai dos pobres: Vinde, ó Santo Espírito, vinde amor ardente, vinde encher de gozo nossos corações. Vossos sete dons concedei à alma que em Vós confia: virtude na vida, amparo na morte, no Céu alegria (Sequência).

 

Fala o Santo Padre

 

«A Igreja vive constantemente da efusão do Espírito Santo, sem o qual ela esgotaria as próprias forças.»

 

Amados irmãos e irmãs!

Cinquenta dias depois da Páscoa, celebramos a solenidade de Pentecostes, na qual recordamos a manifestação do poder do Espírito Santo, o qual – como vento e como fogo – desceu sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo e tornou-os capazes de pregar com coragem o Evangelho a todas as nações (cf. Act 2, 1-13). O mistério do Pentecostes, que justamente nós identificamos com aquele acontecimento, verdadeiro "baptismo" da Igreja, não termina com ele. De facto, a Igreja vive constantemente da efusão do Espírito Santo, sem o qual ela esgotaria as próprias forças, como uma barca à vela à qual faltasse o vento. O Pentecostes renova-se de modo particular em alguns momentos fortes, tanto a nível local como universal, em pequenas assembleias ou em grandes convocações. Os concílios, por exemplo, tiveram sessões gratificadas por especiais efusões do Espírito Santo, e entre eles está certamente o Concílio Vaticano II. Podemos recordar também o célebre encontro dos movimentos eclesiais com o Venerável João Paulo II, aqui na Praça de São Pedro, precisamente no Pentecostes de 1998. Mas a Igreja conhece numerosos "pentecostes" que vivificam as comunidades locais: pensemos nas Liturgias, em particular nas que foram vividas em momentos especiais para a vida da comunidade, nas quais a força de Deus se sentiu de modo evidente, infundindo alegria e entusiasmo nos corações. Pensemos em tantos congressos de oração, nos quais os jovens sentem claramente a chamada de Deus a radicar a sua vida no seu amor, também consagrando-se inteiramente a Ele.

Portanto, não há Igreja sem Pentecostes. E gostaria de acrescentar: não há Pentecostes sem a Virgem Maria. Foi assim no início, no Cenáculo, onde os discípulos "eram assíduos e concordes na oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus, e de seus irmãos" – como nos refere o livro dos Actos dos Apóstolos (1, 14). E é sempre assim, em todos os lugares e tempos. [...]

Queridos amigos, nesta festa de Pentecostes, também nós queremos estar espiritualmente unidos à Mãe de Cristo e da Igreja, invocando com fé uma renovada efusão do Paráclito divino. Invoquemo-la para toda a Igreja, em particular neste Ano sacerdotal, para todos os ministros do Evangelho, para que a mensagem da salvação seja anunciada a todas as nações.

Bento XVI, Regina Caeli, Praça São Pedro, a 23 de Maio de 2010

 

Credo

 

P. Credes no Espírito Santo, que no princípio da Criação, pairava sobre as águas e é verdadeiramente “o Senhor que dá a Vida” a todas as coisas?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, que falou pelos Profetas, inspirou os autores sagrados a escrever a Bíblia e no-la inspira a ler e a praticar?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo que fecundou o seio da Virgem Maria e ungiu Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, que o Pai enviou por meio de seu Filho morto e ressuscitado, para animar o coração dos homens e santificar o mundo?

R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, dado e comunicado por Jesus Ressuscitado à Igreja, para a fortalecer na sua missão? R. Sim, creio!

 

P. Credes no Espírito Santo, guarda e animador da nossa esperança, nos novos céus e na nova Terra, onde habitarão a justiça e a Paz para sempre?

R. Sim, creio!

 

Oração Universal

 

Neste dia de Pentecostes,

invoquemos do Espírito Santo a plenitude dos seus dons,

dizendo cheios de confiança:

 

Vinde, Espírito de amor e de paz!

 

1. Para que a Igreja acolha o dom da Sabedoria, aprendendo e ensinando a saborear a vida de Deus no coração dos homens! Invoquemos.

 

2. Para que os nossos jovens crismandos, acolham o dom do entendimento, e assim cheguem ao conhecimento íntimo de Jesus Cristo, n’Ele vivam e n’Ele se realizem. Oremos, irmãos.

 

3. Pelos que tem dúvidas ou se encontram desnorteados, para que acolham o dom do conselho e assim possam discernir a vontade amorosa de Deus na sua vida concreta. Oremos, irmãos.

 

4. Pelos mais débeis e frágeis, para que acolham o dom da fortaleza e assim dêem testemunho de fidelidade quotidiana e da firmeza na sua opção por Cristo. Oremos, irmãos.

 

5. Pelos cristãos mais afastados da comunhão com a Igreja, por discordância da sua doutrina, para que acolham o dom da ciência e assim alcancem o conhecimento pleno da verdade de Deus. Oremos, irmãos.

 

6. Por todos os que desejam manter com Deus uma relação viva e cordial, para que acolham o dom da piedade e assim se descubram como filhos em diálogo com o Pai. Invoquemos

 

7. Por todos nós, para que, cheios do verdadeiro temor, sintamos a nossa dependência em relação a Deus, O sirvamos com grandeza de alma e generosidade de coração. Oremos, irmãos.

 

Ó Deus, que, pelo Vosso Espírito, nos dais a ousadia de nos aproximarmos de vós e de Vos invocarmos, concedei-nos por meio do Vosso Filho a plenitude do vosso amor. Ele que é Deus convosco na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus Repousou, Az. Oliveira, NRMS 58

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Prefácio

 

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: Santo III, H. Faria, NRMS 103 104

 

Monição da Comunhão

 

"Como este fragmento estava disperso sobre os montes e reunido se fez um, assim seja reunida a Igreja dos confins da terra no Teu Reino". Assim rezavam as primeiras comunidades cristãs no momento da distribuição da Eucaristia. Que esta oração se torne realidade na nossa comunidade e na Igreja presente.

 

Cântico da Comunhão: Se Alguém Tem Sede, M. Carneiro, NRMS 82-83

Actos 2, 4:11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: O Amor de Deus Repousa em Mim, M. Luis, NCT 388

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Terminamos a celebração do tempo pascal, destes cinquenta dias que foram como que um só dia de felicidade e de glória, renovando-nos no Espírito de Jesus ressuscitado. Este Espírito deve ser comunicado ao mundo pelo nosso exemplo e por um compromisso missionário, para que o mundo creia e, crendo, seja salvo.

 

Cântico final: Ide por Todo o Mundo, M. Faria, NRMS 23

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

7ª SEMANA

 

2ª Feira, 20-V: O poder da fé na oração.

Sir1, 1-10 / Mc 9, 14-29

Jesus replicou-lhe: Se podes?! Tudo é possível a quem acredita.

«'Tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes'. Tal é a força da oração: 'tudo é possível a quem crê' (Ev.), com uma fé que não hesita» (CIC, 2610).

A oração, feita com fé, é o melhor meio de vencermos as tentações, de obtermos do Senhor aquilo que precisamos. Além disso, «a fonte da sabedoria é a palavra de Deus no alto dos céus e os seus caminhos são preceitos eternos» (Leit.). Apresentemo-nos diante do Senhor com audácia filial e muita fé, como o pai do menino: «Mestre, eu trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo» (Ev.).

 

3ª Feira, 21-V: Avaliação das virtudes.

Sir 2, 1-13 / Mc 9, 30-37

O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Estes vão matá-lo, mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará.

Este é o terceiro anúncio da morte de Cristo aos discípulos, mas eles nada entenderam (Ev.).

Às vezes temos dificuldade para compreender todo o valor da paixão do Senhor e das contrariedades que sofremos. Hoje sabemos que o sinal da cruz é um sinal positivo, salvífico. Ouçamos esta recomendação: «Se pretendes servir o Senhor, prepara a tua alma para ser provada. Pois no fogo é que o oiro se avalia, e os que a Deus agradam, na fornalha da humilhação» (Leit.). Deus, na sua Providência, permite que tenhamos provações, para podermos avaliar as nossas virtudes: a generosidade, o espírito de sacrifício, a fortaleza, a oração, as nossas debilidades.

 

4ª Feira, 22-V: Os modos do testemunho apostólico.

Sir 4, 11-19 / Mc 9, 38-40

A Sabedoria eleva os seus filhos e cuida daqueles que a procuram.

No campo apostólico, o mais importante é a proclamação da verdade sobre Cristo e sobre o homem, em união com o Papa e os Bispos. Quem assim dá este testemunho apostólico recebe a bênção do Senhor: «Quem conquista a sabedoria recebe a glória como herança: para onde quer que vá, tem a bênção do Senhor» (Leit.).

Esta sabedoria levará também cada fiel a comprometer-se na animação cristã da sociedade em que vive, apoiado nos ensinamentos do Magistério da Igreja, aplicados com liberdade e responsabilidade (Ev.).

 

5ª Feira, 23-V: Conversão e virtudes.

Sir 5, 1-8 / Mc 9, 41-50

Não esperes para te converteres ao Senhor.

«Jesus fala muitas vezes da 'gehena do fogo que não se apaga' (Ev.), reservada aos que recusam, até ao fim da vida, acreditar e converter-se» (CIC, 1034). Para evitar isso, somos convidados à conversão sem demoras (Leit.).

A conversão pode começar por rejeitarmos decididamente o que for para nós ocasião de pecado: se um dos teus olhos for para ti ocasião de pecado, deita-o fora (Ev.). E depois, vivendo a virtude da temperança: «A pessoa temperada orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã descrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração (Leit.) » (CIC, 1809).

 

6ª Feira, 24-V: A amizade e a fidelidade no matrimónio.

Sir 6, 5-17 / Mc 10, 1-12

O amigo fiel é abrigo seguro: quem o encontrou descobriu um tesouro. O amigo fiel por nada se troca.

A amizade precisa ser protegida e defendida; mantida firme nas dificuldades; resistente ao passar do tempo e das contradições. A amizade sincera é fruto do cumprimento da vontade de Deus: «Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mandei» (Jo, 15,14). De um modo particular, é especialmente importante no matrimónio, para evitar a sua ruptura: «foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés formulou a lei do divórcio (Ev.).

«A Igreja mantém, por fidelidade a palavra de Jesus Cristo (Ev.), que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro matrimónio foi válido» (CIC, 1650).

 

Sábado, 25-V: Restauração da imagem de Deus no homem.

Sir 17, 1-15 / Mc 10, 13-16

À semelhança de si mesmo, Deus revestiu os homens de força e formou-os à sua própria imagem.

Esta imagem de Deus no homem permanece, apesar de desfigurada pelo pecado e pela morte. «Na 'economia da salvação', o próprio Filho assumirá a 'imagem' e restaurá-la-á na 'semelhança' com o Pai» (CIC, 705).

Ajudaremos Cristo nesta restauração da imagem se nos fizermos como crianças diante de Deus (Ev.). Para isso, precisamos fazer um propósito firme de nos comportarmos como filhos de Deus que somos; sermos dóceis à sua vontade, como repetimos na oração dominical; vivermos com simplicidade e abandono em Deus, etc.

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

 

Terminado o Tempo Pascal, convém levar o círio pascal para o baptistério e conservá-lo aí com a devida reverência, para que, na celebração do Baptismo, se acenda na sua chama a vela dos baptizados.

 

Nos lugares em que há o costume de afluírem em grande número os fiéis para assistirem à Missa na segunda ou também na terça-feira depois do Pentecostes, pode dizer-se a Missa do Domingo de Pentecostes ou a Missa votiva do Espírito Santo (p.1260).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 

 


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