Ascensão do Senhor

D. M. das Comun. Sociais

12 de Maio de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Reinos da terra, cantai a Deus, F. da Silva, NRMS 109

cf. Actos 1, 11

Antífona de entrada: Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Como vistes Jesus subir ao céu, assim há-de vir na sua glória. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste domingo da Ascensão lembra-nos o convite de Jesus aos Apóstolos: «sereis minhas testemunhas… até aos confins da terra».

As comunidades cristãs, hoje como outrora, têm essa missão de continuar a anunciar aos homens a Boa Nova que Jesus Cristo lhes comunicou, dando testemunho do Senhor, continuando a Sua obra, tornando-O presente em todos os ambientes e lugares, por todos os meios ao seu alcance e, mais do que nunca, lançando mão das novas tecnologias da Comunicação. (Lembremo-nos que hoje celebramos o Dia Mundial das Comunicações Sociais). É este o papel da Igreja, é esta a prática que Jesus nos mandou realizar até que volte de novo, para que seja “tudo em todos”.

Iniciemos esta celebração, procurando centrar a nossa atenção naquilo que tem sido a nossa experiência testemunhal cristã e no modo como a transmitimos, tendo a coragem de saber pedir perdão por aquilo que muitas vezes têm sido os nossos grandes pecados de omissão.

 

Oração colecta: Deus omnipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial acção de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Sereis minhas testemunhas até aos confins do mundo”, ouviremos Jesus anunciar nesta primeira leitura. Ao recordarmos com alegria a glória de Cristo, como Igreja que somos, não podemos esquecer esta nossa responsabilidade.

 

Actos 1, 1-11

1No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio 2até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. 3Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. 4Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. 5Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». 6Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» 7Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; 8mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». 9Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. 10E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, 11que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

 

Lucas começa o livro de Actos com a referência ao mesmo facto com que tinha terminado o seu Evangelho; a Ascensão desempenha assim na sua obra um papel de charneira, pois assinala tanto a ligação como a distinção entre a história de Jesus, que se realiza aqui na terra (o Evangelho), e a história da Igreja que então tem o seu início (Actos).

3 «Aparecendo-lhes durante 40 dias». Esta precisão do historiador Lucas permite-nos esclarecer algo que no seu Evangelho não tinha ficado claro quanto ao dia da Ascensão, pois o leitor poderia ter ficado a pensar que se tinha dado no dia da Ressurreição. A verdade é que a Ascensão faz parte da glorificação e exaltação de Jesus; por isso S. João parece pretender uni-la à Ressurreição, nas palavras de Jesus a Madalena (Jo 20, 17), podendo falar-se duma ascensão invisível na Páscoa de Jesus, sem que em nada se diminua o valor do facto sucedido 40 dias depois e aqui relatado, a Ascensão visível de Jesus, que marca um fim das manifestações visíveis aos discípulos, «testemunhas da Ressurreição estabelecidas por Deus». A Ascensão visível engloba também uma certa glorificação acidental do Senhor ressuscitado, «pela dignidade do lugar a que ascendia», como diz S. Tomás de Aquino (Sum. Theol., III, q. 57, a. 1). Há numerosas referências à Ascensão no Novo Testamento: Jo 6, 62; 20, 17; 1 Tim 3, 26; 1 Pe 3, 22; Ef 4, 9-10; Hbr 9, 24; etc.. Mas a Ascensão tem, além disso, um valor existencial excepcional, pois nos atinge hoje em cheio: Cristo, ao colocar à direita da glória do Pai a nossa frágil natureza humana unida à Sua Divindade (Cânon Romano da Missa de hoje), enche-nos de esperança em que também nós havemos de chegar ao Céu e diz-nos que é lá a nossa morada, onde, desde já, devem estar os nossos corações, pois ali está a nossa Cabeça, Cristo.

4 «A Promessa do Pai, da qual Me ouvistes falar». Na despedida da Última Ceia, Jesus não se cansou de falar aos discípulos do Espírito Santo: Jo 14, 16-17.26; 16, 7-15.

5 «Baptizados no Espírito Santo», isto é, inundados de enorme força e luz do Espírito Santo, cheio dos seus dons, dez dias depois (cf. Act 2, 1-4).

8 «Minhas Testemunha em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra». Estas Palavras do Senhor são apresentadas por S. Lucas para servirem de resumo temático e estruturante do seu livro de Actos. O que nele nos vai contar ilustrará como a fé cristã se vai desenvolver progressivamente seguindo estas 3 etapas geográficas: Jerusalém (Act 2 – 7); Judeia e Samaria (8 – 12); até aos confins da Terra (13 – 28).

 

Salmo Responsorial    Sl 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R. 6)

 

Monição: Bater palmas, aclamar, cantar, são sinais de alegria e festa. A nossa atitude festiva interior deve corresponder a esta aclamação que vamos proclamar.

 

Refrão:        Por entre aclamações e ao som da trombeta,

                     ergue-Se Deus, o Senhor.

 

Ou:               Ergue-Se Deus, o Senhor,

                em júbilo e ao som da trombeta.

 

Ou:               Aleluia

 

Povos todos, batei palmas,

aclamai a Deus com brados de alegria,

porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,

o Rei soberano de toda a terra.

 

Deus subiu entre aclamações,

o Senhor subiu ao som da trombeta.

Cantai hinos a Deus, cantai,

cantai hinos ao nosso Rei, cantai.

 

Deus é Rei do universo:

cantai os hinos mais belos.

Deus reina sobre os povos,

Deus está sentado no seu trono sagrado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Sob forma de oração, S. Paulo, torna este trecho num hino de louvor a Jesus Cristo pela sua subida aos céus e entrada na glória como Senhor do universo.

 

Efésios 1, 17-23

Irmãos: 17O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente 18e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos 19e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força 20que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, 21acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. 22Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, 23que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.

 

Neste texto temos um dos principais temas da epístola: a Igreja como Corpo (místico) de Cristo. A Igreja é a plenitude de Cristo, «o Cristo total» (S. Agostinho). A Igreja recebe da sua Cabeça, Cristo, não só a chefia, mas o influxo vital, a graça; com efeito, ela vive a vida de Cristo. Jesus sobe ao Céu, mas fica presente no mundo, na sua Igreja.

17 «O Deus de N. S. J. Cristo». «O Pai é para o Filho fonte da natureza divina e o criador da sua natureza humana: assim Ele é, com toda a verdade, o Deus de N. S. J. C.» (Médebielle). «O Pai da glória», isto é, o Pai a quem pertence toda a glória, toda a honra intrínseca à sua soberana majestade. «Vos conceda um espírito», o mesmo que um dom espiritual. Não se trata do próprio Espírito Santo; dado que não tem artigo em grego, trata-se pois de uma graça sua.

20-23 Temos nestes versículos a referência a um tema central já tratado em Colossenses: a supremacia absoluta de Cristo, tendo em conta a sua SS. Humanidade, uma vez que pela divindade é igual ao Pai. A sua supremacia coloca-O «acima de todo o nome», isto é, acima de todo e qualquer ser, qualquer que seja a sua natureza e qualquer que seja o mundo a que pertença. Mas agora a atenção centra-se num domínio particular de Cristo, a saber, na sua Igreja, da qual Ele é não apenas o Senhor, mas a Cabeça. A Igreja é o «Corpo de Cristo»; ela é o plêrôma de Cristo (v. 23), isto é, o seu complemento ou plenitude: a igreja é Cristo que se expande e se prolonga nos fiéis que aderem a Ele. (Alguns autores preferem entender o termo plêrôma no sentido passivo: a Igreja seria plenitude de Cristo, enquanto reservatório das suas graças e merecimentos que ela faz chegar aos homens).

23 «Aquele que preenche tudo em todos». A acção de Cristo é sem limites, especialmente na ordem salvífica; a todos faz chegar a sua graça, sem a qual ninguém se pode salvar. No entanto, é mais corrente preferir, com a Vulgata, outro sentido a que se presta o original grego: a Igreja é a plenitude daquele que se vai completando inteiramente em todos os seus membros. Assim, a Igreja completa a Cristo, e Cristo é completado pelos seus membros (é uma questão de entender como passivo, e não médio, o particípio grego plêrouménou, de acordo com o que acontece em outros 87 casos do N. T.).

 

Pode utilizar-se outra, como 2ª leitura:

Hebreus 9, 24-28; 10, 19-23

24Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. 25E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no santuário, com sangue alheio; 26nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. 27E como está determinado que os homens morram uma só vez – e a seguir haja o julgamento –, 28assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem aparência de pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam. 19Tendo nós plena confiança de entrar no santuário por meio do sangue de Jesus, 20por este caminho novo e vivo que Ele nos inaugurou através do véu, isto é, o caminho da sua carne, 21e tendo tão grande sacerdote à frente da casa de Deus, 22aproximemo-nos de coração sincero, na plenitude da fé, tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado na água pura. 23Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel.

 

A leitura é respigada do final da primeira parte de Hebreus, em que o autor sagrado expõe a superioridade do sacrifício de Cristo sobre todos os sacrifícios da Lei antiga (8, 1 – 10, 18). Aqui Jesus é apresentado como o novo Sumo Sacerdote da Nova Aliança, em contraste com o da Antiga, que precisava de entrar cada ano – «com sangue alheio» –, no dia da expiação (o Yom Kippur: cf. Ex 16) «num santuário feito por mãos humanas», ao passo que Jesus entra «no próprio Céu» (v. 24), não precisando de o fazer cada ano – «muitas vezes» (v. 25-26) –, pois, «uma só vez» bastou «para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo» (v. 26), por meio do seu próprio Sangue. Como habitualmente, o autor, aproveita a exposição doutrinal para fazer ricas exortações práticas; apela, um pouco mais adiante (10, 19-23), para a virtude da «esperança», uma esperança de que também nós podemos chegar ao Céu, apoiados na certeza das promessas de Cristo. A «água pura» do v. 22 é certamente a do Baptismo (cf. 1 Pe 3, 21), que não pode ser encarado à margem da e da pureza da consciência. Notar como a SS. Humanidade de Jesus – «o caminho da sua carne» (v. 20) – é focada como o «véu» do Templo, o que bem pode evocar a nuvem da Ascensão, que ao mesmo tempo esconde e revela a presença invisível de Cristo ressuscitado.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 28, l9a.20b

 

Monição: O Senhor prometeu estar connosco em todos os momentos da nossa vida e até ao fim dos tempos, mas não podemos esquecer-nos de que nos incumbiu de anunciar a Boa Nova a todos os povos, aproveitando todos os meios ao nosso alcance.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 46-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 46«Está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia 47e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois testemunhas disso. 49Eu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos com a força do alto». 50Depois Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. 52Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. 53E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

 

Estes versículos finais do Evangelho de Lucas encerram como que uma síntese de todo o Evangelho: Jesus cumpre as profecias com a sua Paixão e Ressurreição, com que nos obtém o perdão dos pecados; e é isto que tem de ser pregado a todos os povos, a partir de testemunhas credenciadas, e com a força do Espírito Santo.

49 «Aquele que foi prometido», à letra, a Promessa do meu Pai, o Espírito Santo, segundo se diz em Act 2, 23 (cf. Jo 15, 26). Não deixa de ser curioso notar que, só pela leitura do Evangelho de S. Lucas poderíamos ser levados a pensar que a Ascensão se deu no Domingo de Páscoa. No entanto, possuímos dados suficientes, a partir de todos os restantes Evangelhos, para saber que não foi assim. O próprio S. Lucas, em Actos, diz que Jesus foi aparecendo durante 40 dias (Act 1, 3).

50 «Até junto de Betânia». A discordância com Act 1, 12, que fala do Monte das Oliveiras como o lugar da Ascensão, é só aparente, pois Betânia fica na vertente oriental do dito monte.

52-53 «Voltaram para Jerusalém». A terminar o seu Evangelho, Lucas mais uma vez deixa ver a importância teológica de Jerusalém: onde tinha começado a sua narração, com o anúncio do nascimento do Baptista; aqui culmina a obra salvadora de Jesus, com a sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão aos Céus, por isso Ele, «quando estava para se cumprir o tempo da sua partida, decidiu firmemente caminhar rumo a Jerusalém» (Lc 9, 51); daqui hão-de partir os discípulos para levar a boa-nova até aos confins da terra.

 

Sugestões para a homilia

 

·       O ponto de partida da Igreja

·       É missão actual para os homens deste século

·       E anúncio que a vida não se completa neste mundo

 

 

O ponto de partida da Igreja

O último acto da existência terrena de Cristo, a sua ascensão ao céu, é o ponto de partida para os primeiros passos da vida da Igreja. A comunidade cristã tem o dever de comunicar a Boa Nova a todos os homens dando testemunho do Senhor e continuando a sua obra.

Ora, mais do que nunca, esta tarefa de que o Senhor incumbiu todos os seus discípulos pode e deve ser difundida através de todos os meios actuais postos ao nosso alcance. A Igreja não se pode limitar a ficar confinada às paredes interiores dos templos de pedra, mas tem de sair do interior deles e manifestar-se, sobretudo, através das redes sociais digitais como “uma nova ágora, aberta... onde as pessoas possam partilhar ideais, informações, opiniões”, segundo nos indicava Bento XVI na sua mensagem para este dia Mundial das Comunicações Sociais. Se “a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, pode ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial”, continuou a advertir Bento XVI. E, se os discípulos, no tempo de Jesus compreenderam a sua mensagem e se alegraram com a missão que lhes fora confiada, também hoje devemos tomar consciência desta missão e sentir alegria pela difusão da sua mensagem aos homens deste século XXI, em que vivemos.

 

É missão actual para os homens deste século

Jesus não se afastou, mas ficou com os homens. Não foi para outro lugar, mas entrou na plenitude de seu Pai já como Deus e como homem. Foi exaltado, glorificado na sua humanidade. E, precisamente por isso, pôs-Se mais do que nunca em relação com cada um de nós.

É essa realidade que temos obrigação de proclamar. Jesus continua vivo na sua Igreja. Vive na Eucaristia; vive na sua palavra; vive na comunidade civil e religiosa; vive em cada crente; vive em cada homem que luta por amar e viver; vive em todos nós que enfrentamos lutas, triunfos e feridas, fracassos e êxitos, faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas e que deve ser repassada através das novas linguagens, a fim “de permitir que a riqueza infinita do Evangelho” encontre aí formas de expressão que sejam capazes de “alcançar a mente e o coração de todos”.

A presença de Cristo que se multiplicou depois da sua ascensão e que motivou a alegria dos discípulos e dos            primeiros cristãos, deve continuar a ser experimentada por todas as comunidades cristãs sentindo-O a viver nelas, experimentando-O a seu lado e comunicando a Sua presença através do testemunho, fazendo que a Igreja continue a ser fiel à missão que Jesus lhe confiou. Deste modo, deverá levar uma resposta “às questões e dúvidas daqueles que estão longe da fé”.

A experiência de fé da presença de Deus na nossa vida é sabedoria que nos ensina que a vida do homem não se completa no espaço limitado desta vida.

   

E anúncio que a vida não se completa neste mundo

É deste mistério de sabedoria de que S. Paulo fala na leitura que ouvimos proclamar. Não se trata de duma sabedoria humana, mas da inteligência para compreender o mistério da Igreja.    

Pela fé, os cristãos possuem uma sabedoria que supera qualquer outro conhecimento: sabem que Deus manifestou em Jesus Cristo a Sua força, destronizando todos os poderes que até agora aprisionam a vida, e libertando os homens para uma esperança nova diante do futuro. É que a vida não está limitada pelos horizontes deste mundo. Embora sem deixarem de estar comprometidos nele, os cristãos “ que acolheram de coração aberto o dom da fé”, sabem que "a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo”.

O mundo não constitui morada permanente. A todos está reservada uma morada eterna junto de Deus. Portanto, temos de viver numa conversão contínua as realidades terrenas que constituem o nosso dia-a-dia, sem cairmos numa espiritualidade irreal mas assumindo as nossas responsabilidades, para a construção de um mundo mais humano.

 

Fala o Santo Padre

 

 

 

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

PARA O 47º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

 

«Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização»

 

12 de Maio de 2013

 

Amados irmãos e irmãs,

Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam actualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.

Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contactos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma.

O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.

A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está envolvido no processo de comunicação. Tal diálogo e debate podem florescer e crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas. «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza» (Discurso no Encontro com o mundo da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).

O desafio, que as redes sociais têm de enfrentar, é o de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interacção humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo.

A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se não tanto para estar em sintonia com os tempos, como sobretudo para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afectiva daqueles que queremos convidar para um encontro com o mistério do amor de Deus. Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte consistente do património artístico da humanidade foi realizado por artistas e músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.

A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no testemunho, isto é, no modo como se comunicam «escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social.

Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tacto, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso. A confiança no poder da acção de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça, somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de terra ou no fogo, mas no «murmúrio de uma brisa suave» (1 Rs 19, 11-12). Devemos confiar no facto de que os anseios fundamentais que a pessoa humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o Beato Cardeal Newman chamava a «luz gentil» da fé.

As redes sociais, para além de instrumento de evangelização, podem ser um factor de desenvolvimento humano. Por exemplo, em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados, as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efectiva com a comunidade universal dos fiéis. As redes facilitam a partilha dos recursos espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O envolvimento autêntico e interactivo com as questões e as dúvidas daqueles que estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade operante: «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).

No ambiente digital, existem redes sociais que oferecem ao homem actual oportunidades de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contacto inicial feito on line – a importância do encontro directo, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé. Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra.

Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15).

 

Bento XVI, Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – do ano 2013.

 

 

Oração Universal

 

Invoquemos com alegria Jesus Cristo

que se encontra junto do Pai e presente no meio de nós

aclamando com júbilo:

 

Rei da eterna glória, ouvi a nossa oração.

 

1.    Senhor Jesus, presente na glória de Deus Pai,

 ajudai a Santa Igreja a ser vossa testemunha

 em todas as realidades terrestres,

 sem deixar de lembrar a vida gloriosa junto de Cristo.

 

2.    Senhor Jesus, ajudai todos os cristãos

 a sentirem a religião como um estímulo,

 para se comprometerem concretamente na melhoria da vida humana,

sem esquecerem a capacidade evangelizadora dos ambientes digitais .

   

3.    Senhor Jesus, tocai o coração dos governantes das nações,

 para que contribuam para a transformação

 das estruturas sociais injustas.

 

4.    Senhor Jesus, auxiliai os agentes da comunicação social

 a serem formadores e informadores

 em sinceridade e verdade, para mudança dos homens,

 à luz dos valores essenciais da vida.

 

5.    Senhor Jesus, que o conhecimento da vossa glória

 se converta em amor, o amor em seguimento

 e o seguimento em luta apaixonada pela difusão do vosso Reino.

 

6.    Senhor Jesus, juiz dos vivos e dos que já partiram para o Pai,

 fazei que um dia possamos, todos juntos,

 participar da vossa glória na vida que não tem fim.

 

    Deus, Pai de misericórdia,

    fazei-nos regozijar de santa alegria interior

    pela ascensão ao Céu de Vosso Filho, nossa esperança,

    e de nos juntarmos a Ele, como membros do Seu corpo.

    Ele que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Povos Batei Palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, o sacrifício que Vos oferecemos ao celebrar a admirável ascensão do vosso Filho e, por esta sagrada permuta de dons, fazei que nos elevemos às realidades do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio da Ascensão: p. 474 [604-716]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: M. Luis, NCT 297

 

Saudação da paz

A celebração da alegria da glória de Cristo responsabiliza-nos, como suas testemunhas, a viver na autenticidade da fé e no compromisso da paz que devemos dar a todos aqueles que, perto ou longe, contactam connosco. Este sinal concreto que agora mutuamente vamos trocar seja testemunho da paz que Cristo a todos quis comunicar.

 

Monição da Comunhão

 

Como os primeiros cristãos, sintamos a presença viva de Jesus em nós, através da recepção da sagrada Comunhão, a fim de O entendermos e vivermos, transfigurando-nos com a Sua luz e a Sua vida, em testemunhas fiéis da Boa Nova.

 

Cântico da Comunhão: Eu Estou Sempre Convosco, C. Silva, NCT 354

Mt 28, 20

Antífona da comunhão: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Minha Alma Exulta, F. da Silva, NRMS 32

 

Oração depois da comunhão: Deus eterno e omnipotente, que durante a nossa vida sobre a terra nos fazeis saborear os mistérios divinos, despertai em nós os desejos da pátria celeste, onde já se encontra convosco, em Cristo, a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao deixarmos este templo para voltarmos à nossa vida de todos os dias, sejamos mensageiros da salvação.

Através da palavra, da vida, dos meios digitais que as técnicas modernas nos facilitam, procuremos dar testemunho de Cristo nas dúvidas daqueles que estão longe da fé, numa fidelidade activa e operante com a missão que Jesus nos confiou de levar a Boa Nova a todos os confins da terra.

 

Cântico final: Aclamai Jesus Cristo, F. da Silva, NRMS 65

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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