6º Domingo da Páscoa

5 de Maio de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus Vive na Sua Morada Santa, F. dos Santos, NRMS 38

cf. Is 48, 20

Antífona de entrada: Anunciai com brados de alegria, proclamai aos confins da terra: O Senhor libertou o seu povo. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Senhor convidou-nos e nós viemos ao Seu encontro. Por isso aqui nos encontramos. É tão bom estar com o Senhor!...Ele vai dirigir-nos a Sua Palavra. Se a escutarmos e vivermos cumpriremos na Terra a missão que nos confiou.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A Igreja, logo no princípio, assistida pelo Divino Espírito Santo, decidiu admitir no seu seio aqueles que desejavam ser cristãos, sem terem de se sujeitar às prescrições da lei mosaica.

 

Actos dos Apóstolos 15, 1-2.22-29

Naqueles dias, 1alguns homens que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos de Antioquia: «Se não receberdes a circuncisão, segundo a Lei de Moisés, não podereis salvar-vos». 2Isto provocou muita agitação e uma discussão intensa que Paulo e Barnabé tiveram com eles. Então decidiram que Paulo e Barnabé e mais alguns discípulos subissem a Jerusalém para tratarem dessa questão com os Apóstolos e os anciãos. 22Os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja, decidiram escolher alguns irmãos e mandá-los a Antioquia com Barnabé e Paulo. Eram Judas, a quem chamavam Barsabás, e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. 23Mandaram por eles esta carta: «Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia. 24Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, 25resolvemos, de comum acordo, escolher delegados para vo-los enviarmos juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, 26homens que expuseram a sua vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. 27Por isso vos mandamos Judas e Silas, que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões. 28O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor mais nenhuma obrigação, além destas que são indispensáveis: 29abster-vos da carne imolada aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isso. Adeus».

 

O nosso texto limita-se a referir a «discussão intensa» e mesmo «muita agitação» (v. 2) levantada por alguns cristãos vindos do judaísmo, do grupo dos chamados judaizantes, que defendiam a necessidade das práticas judaicas, incluindo a própria circuncisão. A questão motivou a reunião do Sínodo de Jerusalém, presidido pelo próprio Pedro. A leitura, porém, suprime tudo o que se refere ao desenrolar do chamado Concílio dos Apóstolos (vv. 6-21), referindo apenas a embaixada a Antioquia da Síria com decreto apostólico final. A questão era especialmente grave, pois estava em causa tanto a catolicidade da Igreja, como a sua unidade; com efeito, se, para se ser cristão, fosse preciso judaizar, o cristianismo teria, ao fim e ao cabo, de se confinar ao círculo restrito, internacionalmente mal visto, dos judeus com os seus prosélitos; se, por outro lado, na Igreja se transigisse com a existência de dois tipos de cristãos, os circuncidados e o incircuncisos, seria inevitável um cristianismo classista e dividido, pois uns seriam os cristãos de primeira (os da circuncisão), e outros, em esmagadora maioria, os cristãos de segunda (os do prepúcio). O Sínodo de Jerusalém não teve dificuldade, assistido pelo Espírito Santo (cf. v. 28), em velar decididamente pela catolicidade e pela unidade da Igreja; com efeito, uma questão destas, aparentemente disciplinar, tinha raízes dogmáticas profundas e enormes consequências pastorais.

28-29 «Nenhuma obrigação além destas». Descartada totalmente a necessidade de judaizar para se ser um cristão perfeito, o Sínodo, no entanto, aprovou as chamadas «cláusulas de Tiago», medidas disciplinares restritas ao tempo e lugares em que fosse conveniente facilitar a boa conivência entre os cristãos vindos do judaísmo com os cristãos vindos directamente da gentilidade; estes deveriam abster-se de «carne imolada aos ídolos» e depois vendidas ao público, bem como de comer «sangue» e «carnes sufocadas» (entenda-se, de animais estrangulados e não sangrados), uma vez que se tratava duma coisa altamente abominável para os judeus, pois o sangue era a vida, pertença exclusiva de Deus (cf. Gn 9, 4; Lv 17, 14). Também ficavam proibidos certos casamentos com determinados impedimentos legais que faziam com que as relações matrimoniais fossem consideradas «porneia», isto é, «relações imorais», ao serem tidas por incestuosas e ilícitas, devido a certos graus de parentesco (cf. Lv 18, 6-18). Esta é a interpretação que considero a mais plausível e é hoje a mais habitual; assim, não parece que neste caso «porneia» designe a prostituição ou a fornicação, como às vezes se traduz. Note-se que este decreto ocasional, que data dos anos 49-50, não chegou a vigorar em Corinto (cf. 1 Cor 8 – 10), cidade evangelizada por S. Paulo pelo ano 50-51.

 

Salmo Responsorial    Sl 66 (67), 2-3.5.6.8 (R. 4 ou Aleluia)

 

Monição: Avivemos a nossa Fé no Senhor, amando-O e louvando- O pelos povos de todo o mundo.

 

Refrão:        Louvado sejais, Senhor,

                     pelos povos de toda a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os vossos caminhos

e entre os povos a vossa salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu louvor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Jesus Cristo confiou aos Apóstolos e seus sucessores a missão de anunciar aos povos a Sua Doutrina.

 

Apocalipse 21, 10-14.22-23

10Um Anjo transportou-me em espírito ao cimo de uma alta montanha e mostrou-me a cidade santa de Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, 11resplandecente da glória de Deus. O seu esplendor era como o de uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe cristalino. 12Tinha uma grande e alta muralha, com doze portas e, junto delas, doze Anjos; tinha também nomes gravados, os nomes das doze tribos dos filhos de Israel: 13três portas a nascente, três portas ao norte, três portas ao sul e três portas a poente. 14A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes e neles doze nomes: os dos doze Apóstolos do Cordeiro. 22Na cidade não vi nenhum templo, porque o seu templo é o Senhor Deus omnipotente e o Cordeiro. 23A cidade não precisa da luz do sol nem da lua, porque a glória de Deus a ilumina e a sua lâmpada é o Cordeiro.

 

A parte final do Apocalipse, apresenta-nos, em linguagem figurada, o triunfo definitivo da Esposa do Cordeiro, a Igreja. A visão dos vv. 10-14 utiliza a linguagem de Ezequiel com que se refere a Jerusalém e ao Templo restaurados (Ez 40 – 42), mas com a particularidade de se tratar duma realidade «que descia do Céu», pondo assim em relevo a iniciativa divina. Com os nomes das 12 tribos de Israel unidos aos dos 12 Apóstolos mostra-se como a novidade da Igreja de Cristo está na continuidade do antigo Povo de Deus. Apraz registar aqui os comentários espirituais de Santo Agostinho:

10 «A montanha é Cristo. A Igreja é a cidade santa edificada na montanha; é a esposa do Cordeiro. Foi edificada na montanha, quando foi conduzida aos ombros do pastor, como foi conduzida ao redil a própria ovelha (cf. Lc 15, 5)».

12 «As doze portas e os doze Anjos são os Apóstolos e os Profetas, segundo o que está escrito (Ef 2, 20). Isto está de harmonia também com o que o Senhor disse a Pedro (Mt 16,18). (...) Diz-se que os Apóstolos são portas que, com a sua doutrina, abrem a porta da vida eterna».

13 «Porque a cidade descrita é a Igreja difundida por todo o orbe, mencionam-se três portas em cada uma das quatro partes do mundo, pois na Igreja, nas quatro partes do mundo, anuncia-se o mistério da Trindade».

22 «Na cidade não vi nenhum templo»: «assim é, porque em Deus está a Igreja, e na Igreja está Deus», «porque o seu templo é o Senhor» (cf. Jo 2, 19-22; 4, 23-24).

23 «Não precisa da luz do Sol». «A Igreja não é orientada pela luz, nem pelos elementos do mundo; é conduzida por Cristo, o eterno Sol, por entre as trevas do mundo (cf. Jo 8, 12; 1, 9)».

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 14, 23

 

Monição: Jesus reza por nós ao Pai. Agradeçamos-Lhe, vivendo sempre em oração.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 35

 

Se alguém Me ama, guardará a minha palavra.

Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.

 

 

Evangelho

 

São João 14, 23-29

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23«Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. 24Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. 25Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. 26Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. 27Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. 28Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. 29Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis»

 

Estas palavras pertencem à resposta de Jesus à pergunta de Judas: «Porque Te hás-de manifestar a nós, e não Te manifestarás ao mundo?» (v. 22). Poderia parecer uma evasiva de Jesus, pois o nega-se a fazer uma demonstração inequívoca e esmagadora do seu poder à humanidade hostil a Deus (o mundo), como esperavam os judeus e como desejam os crentes em geral. Jesus insiste no que acabava de dizer (vv. 19-21), a saber, que se manifesta já, mas individualmente, às almas bem dispostas, a quem Lhe tem amor, através de uma presença íntima e reconfortante. O Antigo Testamento já tinha falado da «morada» de Deus no meio do seu povo (cf. Ex 29, 45; Lv 26, 11; Ez 37, 26-27), mas Jesus fala duma inabitação distinta, perfeitamente individualizada, de forma permanente e única, diferente da ubiquidade divina, na alma de cada fiel. É também neste sentido, o de uma presença de Deus em cada cristão, que S. Paulo fala em 1 Cor 6, 19 e Rom 8, 11.

26 «O Paráclito», em grego, paraklêtós, era o advogado de defesa e, por extensão, o protector. A tradução latina por Consolador é deficiente, embora corresponda ao contexto do discurso do adeus. «Que o Pai enviará em meu nome», quer dizer: «por vontade de Jesus, como seu representante e a pedido seu; cf. Jo 14, 16» (Wikenhauser). A passagem deixa ver claramente a distinção real das Três Pessoas da SS. Trindade.

27 «Deixo-vos a paz, dou-Vos a minha paz. Não vo-la dou corno a dá o mundo…». Era corrente desejar a paz como saudação ou despedida. Mas Jesus não se limita a desejá-la, Ele mesmo a paz aos seus! E uma paz que não é a que o mundo oferece ou anela, uma paz que é sinónimo de prosperidade ou segurança terrena. A paz que Jesus deixa de forma permanente nos seus é a paz de se saberem filhos de Deus (cf. Jo 1, 12), salvos por Ele, uma paz que lhes transmite confiança em Deus, ao ponto de afastar tudo o que seja medo e perturbação (cf. Jo 14, 1; 16, 33).

28 «O Pai é maior do que Eu». Esta expressão foi o célebre cavalo de batalha da heresia ariana. Jesus não considera aqui a sua natureza divina: como homem, é de facto inferior ao Pai. Com efeito, Jesus está a falar da sua ida para o Pai, e é em razão da sua natureza humana que vai para o Pai. No entanto, Santo Agostinho, ao longo da sua célebre obra «De Trinitate» diz que esta expressão também insinua a geração eterna: «nativitas ostenditur»; e Santo Hilário de Poitiers precisa: «est enim Pater maior Filio, sed ut Pater Filio, generatione, non genere» (PL 9, 801).

 

Sugestões para a homilia

 

A Igreja no início

A Igreja nos nossos dias

A Igreja de sempre

 

A Igreja no início

Jesus Cristo veio ao mundo para nos salvar. Chamou os discípulos e apóstolos. Ensinou a Sua Doutrina. Deu o exemplo. Fundou a Igreja. Prometeu estar com ela através dos séculos.

Os Apóstolos procuraram ser fiéis à missão que o Senhor lhes confiou. Por isso, assistidos pelo Divino Espírito Santo, resolveram, logo no início, os problemas que foram surgindo. Qualquer pessoa poderia ser cristã sem se submeter às prescrições judaicas ( 1.ª Leitura )…Insistiram no Mandamento Novo que Jesus recomendou. Amar o Senhor como Ele nos ama passou a ser a divisa de quem quer ser bom e santo…

 

A Igreja nos nossos dias

 As dificuldades na Igreja continuaram a sentir-se posteriormente. Os cismas, a heresia, as divisões e o pecado encarregaram-se de dividir os cristãos. Ortodoxos, protestantes e católicos, todos somos de Cristo mas vivemos separados, contra a Sua vontade.

O caminho da unidade torna-se impossível se não pedirmos esse dom ao Senhor.

Ele próprio intercedeu por nós, rezando ao Pai: «Eu dei-lhes a glória que Tu me deste para que sejam um como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim para que sejam consumados na unidade e o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste como a Mim» (Evangelho).

 

A Igreja de sempre

Vivemos num mundo onde as pessoas não são felizes.

 O sofrimento, a angústia e a ansiedade tornam muito pesada a cruz de cada um.

O egoísmo e o individualismo isolam as pessoas do são convívio, da ajuda mútua e verdadeira amizade.

O amor pelo próximo foi substituído pelo ódio com atentados, crimes e guerras.

Não se deixam nascer os meninos e as meninas que encheriam de candura e beleza a nossa sociedade.

Os sonhos dos jovens desfazem-se com a ilusão do vício e da droga.

A família vive o drama da violência, separação e do divórcio.

Os doentes e idosos são encarados como alguém que está a mais e já não há lugar para eles na sociedade desumana que criámos…

Se queremos que todos de novo sejam felizes voltemo-nos para Cristo. Vivamos como Ele viveu. Amemo-nos como Ele nos ama (2.ª Leitura).

E voltaremos a ver crianças encantadoras, jovens cheios de esperança, adultos a trabalhar por um mundo melhor, idosos a ensinar com a experiência adquirida… As pessoas retribuirão a ajuda recebida com gestos de sentida dedicação.

A Virgem Maria, Mãe da Igreja, nos cumule de bênçãos, abençoe Portugal e salve o mundo!

 

Fala o Santo Padre

 

«Maria é a "rosa" que apareceu na plenitude dos tempos quando Deus, enviando o seu Filho,

conferiu ao mundo uma nova Primavera.»

 

Prezados irmãos e irmãs

Maio é um mês amado e agradável sob diversos aspectos. No nosso hemisfério, a Primavera avança com florescimentos muito coloridos; normalmente, o clima é favorável para os passeios e as excursões. Para a Liturgia, Maio pertence ao Tempo de Páscoa, o tempo do "aleluia", da revelação do mistério de Cristo à luz da Ressurreição e da fé pascal; e é o tempo da expectativa do Espírito Santo, que desceu com força sobre a Igreja nascente no Pentecostes. Com ambos estes contextos, o "natural" e o litúrgico, combina bem a tradição da Igreja de dedicar o mês de Maio à Virgem Maria. Com efeito, Ela é a flor mais bonita que desabrochou na criação, a "rosa" que apareceu na plenitude dos tempos quando Deus, enviando o seu Filho, conferiu ao mundo uma nova Primavera. E é ao mesmo tempo protagonista, humilde e discreta, dos primeiros passos da Comunidade cristã: Maria é o seu coração espiritual, porque a sua própria presença no meio dos discípulos constitui a memória viva do Senhor Jesus e o penhor do dom do seu Espírito.

O Evangelho deste domingo, tirado do capítulo 14 de São João, oferece-nos um retrato espiritual implícito da Virgem Maria, onde Jesus diz: "Se alguém me ama, guarda a minha Palavra; meu Pai amá-lo-á, viremos a ele e nele faremos morada" (Jo 14, 23). Estas expressões são dirigidas aos discípulos, mas podem ser aplicadas ao máximo grau precisamente Àquela que é a primeira e perfeita discípula de Jesus. Efectivamente, Maria foi a primeira que observou de maneira plena a palavra do seu Filho, demonstrando deste modo que O ama não apenas como Mãe, mas ainda antes como serva humilde e obediente; por isso, Deus Pai amou-a e nela a Santíssima Trindade fez a sua morada. Além disso, quando Jesus promete aos seus amigos que o Espírito Santo os assistirá, ajudando-os a recordar cada uma das suas palavras e a compreendê-las profundamente (cf. Jo 14, 26), como não pensar em Maria, que no seu coração, templo do Espírito, meditava e interpretava fielmente tudo aquilo que o seu Filho dizia e fazia? Deste modo, já antes e sobretudo depois da Páscoa, a Mãe de Jesus tornou-se também a Mãe e o modelo da Igreja. [...]

 Bento XVI, Regina Caeli, Praça São Pedro, a 9 de Maio  de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Omnipotente

e imploremos a Sua misericórdia,

dizendo confiadamente:

Ouvi, Senhor, a oração do Vosso povo.

 

1.     Pelo Papa, pelos Bispos e Sacerdotes que servem a Santa Igreja,

pelos Religiosos, Diáconos e Missionários, fiéis à vocação

e pelos Seminaristas, Catequistas e Leigos que dão testemunho do Evangelho,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelos meninos e meninas a quem foi negado o direito à vida,

pelas crianças maltratadas a pedirem a nossa ajuda

e pelas que, na sua inocência, enchem o mundo de alegria,

oremos, irmãos.

 

3.     Pelos adolescentes a quererem libertar-se de seduções ilusórias,

pelos jovens que preparam bem o futuro

e por aqueles que escutam o Senhor, consagrando-Lhe a vida,

oremos, irmãos.

 

4.     Pelos noivos que preparam seriamente o matrimónio,

pelas famílias destruídas pela infidelidade

e pelas que vivem a generosidade no amor,

oremos, irmãos.          

 

5.     Pelos marginalizados que sofrem a solidão,

pelos doentes e idosos acompanhados com dedicação constante

e por aqueles que oferecem a sua cruz ao Senhor,

oremos, irmãos.

 

6.     Pelos que faleceram repentinamente ou após doença prolongada,

pelos nossos familiares e amigos que partiram ao encontro do Pai

e pelos fiéis defuntos que se purificam a caminho do Céu,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai,

dignai-Vos atender estas súplicas

e, por intercessão da  Virgem Santa Maria,

concedei-nos o que for melhor para nós.

Por N. S. J. C. Vosso Filho que é Deus Convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, Fazei de Mim um Instrumento, F. da Silva, NRMS 6(II)

 

Oração sobre as oblatas: Subam à vossa presença, Senhor, as nossas orações e as nossas ofertas, de modo que, purificados pela vossa graça, possamos participar dignamente nos sacramentos da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus Eucaristia vem até nós para nos dar força e coragem a fim de vivermos sempre como bons cristãos. Não duvidemos nem desanimemos nunca. Com Ele viveremos sempre felizes.

 

Cântico da Comunhão: Formamos um Só Corpo, C. Silva, NCT 265

cf. Jo 14, 15-16

Antífona da comunhão: Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando, diz o Senhor. Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará o Espírito Santo, que permanecerá convosco para sempre. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai o Senhor, Louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor Deus todo-poderoso, que em Cristo ressuscitado nos renovais para a vida eterna, multiplicai em nós os frutos do sacramento pascal e infundi em nós a força do alimento que nos salva. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos deixar este local abençoado. O Senhor acompanha-nos para darmos testemunho d’Ele em casa, na sociedade e no mundo. Preparemos a Sua Ascensão que celebraremos no próximo Domingo, na certeza de que um dia também nos virá buscar para o Céu.

 

Cântico final: Ide por Todo o Mundo, M. Luis, NCT 355

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 6-V: A actuação do Espírito Santo.

Act 16, 11-15 / Jo 15, 26, 16, 4

Quando vier o Defensor, que eu hei-de enviar lá do Pai, o Espírito de verdade...

Jesus promete o envio do Espírito Santo, a quem chama Paráclito, que se traduz por Consolador, que ajuda Jesus, sendo Jesus o primeiro Consolador (CIC, 692). Temos necessidade dele, sobretudo nos momentos difíceis: «disse-vos estas palavras para não sucumbirdes» (Ev.).

É no momento do Baptismo que recebemos este dom de Deus. Assim aconteceu com Lídia e seus familiares (Leit.). O Espírito Santo apagou a mancha do pecado original, dotou-nos da graça santificante, fez-nos participantes da vida divina e membros da Igreja. Também na consagração da Missa, Ele torna o pão no corpo de Cristo e o vinho no sangue de Cristo (CIC, 1106).

 

3ª Feira, 7-V: As famílias: pequenas ilhas de vida cristã.

Act 16, 22-34 / Jo 16, 5-11

O carcereiro logo recebeu o Baptismo. E encheu-se de alegria com toda a família, por ter acreditado em Deus.

«Quando se convertiam (caso do carcereiro) desejavam que também 'toda a sua casa' fosse salva (Leit.). Estas famílias, que passaram a ser crentes, eram pequenas ilhas de vida cristã dum mundo descrente» (CIC, 1655). É necessário que se vençam os problemas actuais da vida familiar para que continue a haver estas pequenas ilhas de vida cristã.

Também é necessário que se mantenha a prática tradicional de baptizar, quanto antes as crianças: «É bem possível que, desde o princípio da pregação apostólica, quando 'casas' inteiras receberam o baptismo (Leit.), se tenham baptizado também as crianças» (CIC, 1252).

 

4ª Feira, 8-V: Despertar a religiosidade.

Act 17, 15. 22- 18, 1 / Jo 16, 12-15

Atenienses, vejo que sois os mais religiosos dos homens. Encontrei um altar com esta inscrição: Ao Deus desconhecido.

Desde sempre, o homem procurou traduzir a sua procura de Deus através de crenças e comportamentos religiosos. Por isso, pode considerar-se o homem um ser religioso, e Deus não está longe dele (CIC, 28).

Contudo, às vezes, parece que esta religiosidade está oculta, pois há uma certa revolta contra o mal no mundo, uma indiferença muito grande, um excesso de preocupação pelos bens materiais, as correntes de pensamento hostis à religião, etc. (CIC, 29). Temos que aproveitar todas as ocasiões para falar de Deus, como fez S. Paulo, pedindo ajuda ao Espírito Santo (Ev.).

 

5ª Feira, 9-V: Rogações: Compromisso pela construção de um mundo melhor.

 Act 18, 1-8 / Jo 16, 16-20

Senhor Deus, criador de todas as coisas, fazei que as nossas tarefas sirvam o progresso humano e a extensão do reino de Cristo (Oração Colecta).

As Rogações começaram a ser celebradas em Roma no século IV. Os cristãos foram tomando consciência de que, através do seu trabalho, colaboravam com Deus na obra da criação. Organizavam uma procissão, na qual rezavam a ladainha dos Santos e, pelo sacrifício eucarístico, que a seguir tinha lugar na Basílica de S. Pedro, consagravam ao Senhor todas suas actividades temporais. Inspirados pelo Espírito Santo pediam ao Senhor que os ajudasse a levar à prática o seu projecto a respeito do mundo e dos homens. As Rogações tiveram sempre um carácter penitencial e de compromisso sério pela construção de um mundo melhor.

 

6ª Feira, 10-V: A vida e o sentido de eternidade.

Act 18, 9-18 / Jo 16, 20-23

Haveis de chorar e de lamentar-vos, ao passo que o mundo se há-de alegrar. Mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.

Esta profecia do Senhor é sempre actual. Às vezes parece-nos que os indiferentes com a religião se divertem, gozam a vida e prosperam na vida, enquanto os que procuram a Deus não têm tanto sucesso.

Também vos sentis agora tristes (Ev.). Mas Jesus mostra-nos como o verdadeiro sentido da vida do homem não está confinado ao horizonte terreno, mas abre-se para a eternidade (João Paulo II). E com a sua ajuda descobriremos a caducidade dos bens terrenos e apreciaremos a felicidade dos bens celestiais.

 

Sábado, 11-V: A oração, respiração do cristão.

Act 18, 22-38 / Jo 16, 23-28

O que pedirdes ao Pai, Ele vo-lo dará em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

Não há dúvida que «a oração dominical é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho. Cada um pode, portanto, dirigir ao céu diversas orações segundo as suas necessidades, mas começando sempre pela oração do Senhor» (CIC, 2761).

A oração é como a 'respiração do cristão' (João Paulo II). Procuremos, pois, transformar tudo o que fazemos em oração, oferecendo o trabalho diário, os momentos de vida familiar. Procuremos descobrir a sua ligação com a oração litúrgica, meditando no conteúdo da palavra de Deus, que lemos ou nos é proposta para cada dia, especialmente ao Domingo.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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