3º Domingo da Páscoa

14 de Abril de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Anunciai com voz de júbilo, Az. Oliveira, NRMS 32

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Jesus ressuscitou, está vivo cá na terra. Está aqui connosco na Eucaristia. Na penumbra deste mundo avivemos a nossa fé e o nosso amor para O podermos descobrir como os Apóstolos à beira do Mar da Galileia e para O louvarmos e participar do pão que prepara para nós.

 

Acto penitencial

 Examinemo-nos sobre o modo como vivemos a nossa fé e o nosso amor por Ele.

                                                   (momentos de silêncio)

 

Senhor Jesus, por não nos esforçarmos por descobrir-Vos nos sacrários das nossas igrejas, Senhor misericórdia!

Senhor misericórdia!

 

Cristo, por estarmos tantas vezes distraídos na Santa Missa e não sabermos reconhecer-Vos, Cristo misericórdia!

Cristo misericórdia!

 

Senhor Jesus, por não nos esmerarmos em purificar a nossa alma pela confissão frequente, para podermos receber-vos mais dignamente, Senhor misericórdia!

Senhor misericórdia!

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O livro dos Actos dos Apóstolos mostra-nos a valentia dos Apóstolos ao enfrentarem as primeiras perseguições. Aprendamos com eles.

 

Actos dos Apóstolos 5, 27b-32.40b-41

Naqueles dias, 27bo sumo sacerdote falou aos Apóstolos, dizendo: 28«Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». 29Pedro e os Apóstolos responderam: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. 30O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. 31Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. 32E nós somos testemunhas destes factos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem». Então os judeus mandaram açoitar os Apóstolos, 40bintimando-os a não falarem no nome de Jesus, e depois soltaram-nos. 41Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus.

 

A leitura, por motivo de brevidade, omite a sensata intervenção de Gamaliel que livra os Apóstolos de virem a ser mortos (vv. 34-39).

41 «Saíram cheios de alegria». Assim mostravam como sofrer por Jesus era uma dita e uma glória (cf. Mt 5, 10-12; Lc 6, 22-23); agora, o seu seguimento de Cristo era mais perfeito, e mais completa a sua colaboração na obra da Redenção (cf. Col 1, 24).

«Por causa do Nome». A nossa tradução acrescentou: «de Jesus»: o Nome por excelência era o nome divino – Yahwéh –, que os Judeus evitavam pronunciar, por motivo de máxima reverência. Referir-se a Jesus desta maneira é identificá-lo com o Nome por antonomásia, isto é, com o próprio ser divino; não é em vão que na composição da palavra hebraica correspondente ao nome de Jesus entra uma abreviatura de Yahwéh.

 

Salmo Responsorial    Sl 29 (30), 2.4-6.11-12a.13b (R. 2a ou Aleluia)

 

Monição: O salmo 29 anima-nos a louvar ao Senhor, que converte em júbilo as nossas lágrimas.

 

Refrão:        Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.

 

Ou:               Aleluia.

 

Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes

e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.

Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,

vivificastes-me para não descer à cova.

 

Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,

e dai graças ao seu nome santo.

A sua ira dura apenas um momento

e a sua benevolência a vida inteira.

Ao cair da noite vêm as lágrimas

e ao amanhecer volta a alegria.

 

Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,

Senhor, sede Vós o meu auxílio.

Vós convertestes em júbilo o meu pranto:

Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. João, nesta visão do Apocalipse, mostra-nos a multidão inumerável de anjos no céu aclamando a Jesus, que morreu e ressuscitou para nos salvar. Juntemos às suas as nossas aclamações nesta missa.

 

Apocalipse 5, 11-14

Eu, João, na visão que tive, 11ouvi a voz de muitos Anjos, que estavam em volta do trono, dos Seres Vivos e dos Anciãos. Eram miríades de miríades e milhares de milhares, 12que diziam em alta voz: «Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor». 13E ouvi todas as criaturas que há no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e o universo inteiro, exclamarem: «Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro o louvor e a honra, a glória e o poder pelos séculos dos séculos». 14Os quatro Seres Vivos diziam: «Ámen!»; e os Anciãos prostraram-se em adoração.

 

A leitura é extraída da visão introdutória do Apocalipse, em que o autor, arrebatado ao Céu, contempla a Deus no seu trono glorioso – com uma imponente guarda de honra – (v. 11), donde dirige os destinos do cosmos e da Igreja, os quais constituem um mistério insondável, simbolizado no livro fechado com sete selos, que só o Cordeiro tem o poder de abrir. O trecho da leitura contém a aclamação vitoriosa ao Cordeiro, posto no mesmo nível de Deus: os sete atributos – «o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor» (v. 12) – são a manifestação de que o Cordeiro possui em plenitude a natureza divina. A grandiosidade desta aclamação foi genialmente posta em música no sublime coro final do Messias de Händel.

14 «Os (quatro) Seres Vivos e os (vinte e quatro) Anciãos». Cf. Apoc 4, 4.6. Trata-se de figuras, ou símbolos, deveras misteriosos: serão seres humanos, ou antes seres angélicos de especial categoria e significado? Se se entenderem os Quatro Viventes como 4 Anjos encarregados do governo do Universo, com referência aos 4 pontos cardeais e aos quatro elementos da Natureza (terra, fogo, água e ar), e os 24 Anciãos como Anjos que representam quer as 24 classes sacerdotais (cf. 1 Crón 24, 7-18), quer os fiéis em geral (a «Igreja Universal», segundo Santo Agostinho), então este texto atinge uma grandiosidade empolgante, uma verdadeira apoteose universal em que se unem, num coro retumbante, a Liturgia do Céu e a Liturgia da Terra para uma aclamação universal «Àquele que está sentado no trono», isto é, «ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo» (Santo Agostinho) «e ao Cordeiro», isto é, à Humanidade Santíssima de Cristo Redentor glorioso. Deste modo, ao coro celeste de incontáveis vozes dos Anjos (vv. 11-12) responde o coro do Universo, todas as criaturas que há no Céu, na Terra, no Xeol e no Mar (v. 13). Este louvor e adoração, que partiu dos Anjos, depois de encontrar eco na Humanidade resgatada e de repercutir em todo o Cosmos, volta a ser recapitulado pelos representantes dos Anjos e dos homens e de toda a Criação: os quatro Seres Vivos e os 24 Anciãos (v. 14).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O evangelho conta-nos a terceira aparição de Jesus ressuscitado aos Apóstolos, desta vez à beira do mar da Galileia. Confirma a Pedro, que O havia negado 15 dias antes, como pastor de toda a Sua Igreja. Aclamemos o Senhor, que continua a guiar-nos pelo sucessor de Pedro.

 

Aleluia

 

Cântico: Ressuscitou com Cristo, C. Silva, NCT 187

 

Ressuscitou Jesus Cristo, que criou o universo

e Se compadeceu do género humano.

 

 

Evangelho*

 

* O texto que está entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido

 

Forma longa: São João 21, 1-19                         Forma breve: São João 21, 1-14

Naquele tempo, 1Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: 2Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. 3Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. 4Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. 5Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?» Eles responderam: «Não». 6Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. 7O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. 8Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. 9Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. 10Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». 11Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. 12Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. 14Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

[15Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». 16Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». 17Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». 19Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».]

 

1-14 Esta pesca milagrosa tem um acentuado carácter simbólico, aludindo à missão da Igreja no mundo – Jesus na praia e os discípulos (pescadores de homens: cf. Mc 1, 17; Lc 5, 10) no meio do mar – com Pedro à sua frente (vv. 3.7.11). Ao acentuar que «não se rompeu a rede» (v. 11), em contraste com Lc 5, 6-7, parece que se alude à unidade da Igreja. A sua universalidade está aludida ao falar da abundância dos peixes (v. 6); e esta universalidade aparece reforçada se temos em conta que o número 153 pode ser um número simbólico de plenitude, ao corresponder a 17, isto é, 10+7, dois números plenos (com efeito, o número 153 obtém-se somando 1+2+3+4+5+... até 17). Também há quem veja em 153 um recurso à gematria (valor literal dos números), para aludir à Igreja como comunidade de amor (em hebraico: qahal hahaváh = 153). Também se pode ver na refeição e nos gestos de Jesus (v. 13) uma alusão à Eucaristia, pois é Ele quem oferece pão e peixes que eles não tinham pescado (v. 9; cf. Jo 6, 1-13).

8 «Duzentos côvados», isto é, cerca de 90 metros.

15-18. É fácil de ver na tripla confissão de amor uma reparação da sua tripla negação (Jo 18, 17.25-27). Mais ainda, na redacção do texto grego, pode ver-se também um jogo de palavras muito expressivo, pois na 1ª e 2ª pergunta Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo e intelectual –«amas-Me?» (em grego, agapâs me), ao passo que Pedro responde com um verbo de simples afeição e amizade – «sou teu amigo» (em grego, filô se); à 3ª vez, Jesus condescende com Pedro, usando este segundo verbo, e Pedro ficou triste por pensar que esta mudança de Jesus se devia à imperfeição do seu amor. Toda a Tradição católica viu neste encargo de pastorear todo o rebanho de Cristo – «cordeiros» e «ovelhas» – o ministério petrino, no cumprimento da promessa do primado (Mt 16, 17-19 e Lc 22, 31-32; cf. 1 Pe 5, 2.4 e Concílio Vaticano II, LG 18).

18-19. «Estenderás as mãos» é uma provável alusão à crucifixão de Pedro em Roma, na perseguição de Nero, em 64 ou 67, segundo a tradição documentada já por S. Clemente, no século I, que também diz que Pedro, por humildade, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo (cf. 2 Pe 1, 14; Jo 13, 36).

 

Sugestões para a homilia

 

Apascenta a s minhas ovelhas

Saíram cheios de alegria

Digno é o Cordeiro de receber o poder

 

Apascenta a s minhas ovelhas

 

No Evangelho S.João conta-nos a terceira aparição de Jesus ressuscitado aos Apóstolos. Tinham ido à pesca durante a noite e não tinham apanhado nada. Jesus espera-os ao romper da manhã junto à margem do lago e manda-os lançar as redes para a direita. Realizam uma nova pesca milagrosa e reconhecem a Jesus que os espera na praia e depois come com eles.

Segue-se o diálogo tão belo entre Jesus e Pedro. O Senhor pergunta-lhe por três vezes: – Pedro, amas-me mais do que estes? Pedro responde com humildade e decisão: – Senhor, tu sabes que Te amo.

Pedro tinha negado três vezes a Jesus diante dos criados do sumo sacerdote, quinze dias antes, mas tinha chorado amargamente o seu pecado ao sentir o olhar de Jesus. Agora o Senhor ensina-lhe e a nós também a maneira de compor as nossas faltas: com actos de amor.

Apesar do seu pecado, Jesus confirma a Pedro como pastor de toda a Igreja: Apascenta os Meus cordeiros! Apascenta as Minhas ovelhas! Pedro é pastor de todos os fieis e dos outros Apóstolos. Ele é a pedra em que Jesus quis assentar a Sua Igreja. Tinha-lhe dito em Cesareia de Filipos: – “Tu és Pedro (pedra) e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18-19).

Há dias realizou-se a eleição do novo papa. Ele é sucessor de Pedro, herdando os poderes que Jesus lhe confiou. É pastor de toda a Igreja, faz as vezes de Jesus cá na terra, guiando o rebanho de Jesus com a autoridade divina que o Senhor entregou ao pescador da Galileia: “Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligardes na terra será ligado nos céus, tudo o que desligares na terra será desligado no céu “ (Ib).

Avivemos a nossa fé na Santa Igreja. Digamos com força e amor: Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. S.Josemaria acrescentava: e romana. Porque em Roma está o sucessor de Pedro. E como dizia Santo Ambrósio: onde está Pedro aí está a Igreja (Coment. sobre o salmo 12).

Neste ano da fé, em que os meios de comunicação tantas vezes atacam a Igreja, divulgando e inventando escândalos de membros do clero, mostremos a nossa fé seguindo com fidelidade os ensinamentos do papa, rezando por ele com mais fervor. Rezemos também pelos bispos e sacerdotes e também por todos os fieis. A Igreja é santa mas, ao mesmo tempo, formada por pecadores, capazes de todos as maldades. Também os que estão à sua frente em nome de Jesus. Foi assim que Jesus a quis. E isso foi muito bom para nós. Se fosse apenas uma Igreja de santos não cabíamos lá.

Esforcemo-nos por ser santos, amando a Jesus, que nos ama, que deu a Sua vida por nós e que por nós ficou na Eucaristia. Está aqui vivo e ressuscitado, servindo-se do ministério dos sucessores de Pedro e dos Apóstolos.

Através do sacramento da Ordem, o Senhor quis que esses poderes fossem passados a outros homens ao longo dos tempos. Disse aos Apóstolos antes de subir ao Céu: Eu estarei convosco todos os dias até ao fim dos séculos (Mt 28,20). Isso acontece através da ordenação sacerdotal ou episcopal que transmite a homens de carne e osso os poderes divinos de Jesus, para serviço de toda a Igreja.

Alegremo-nos e rezemos pelo papa, bispos e sacerdotes. Amemos muito o Santo Padre e demos graças a Deus pelos papas extraordinários dos últimos tempos. Numa das visitas de João Paulo II à Alemanha, uma jovem protestante dizia a uma sua amiga católica: -Invejo a sorte dos católicos por terem um papa, e sobretudo como este.

 

 Saíram cheios de alegria

 

Jesus tinha enviado os Apóstolos a pregar a Sua doutrina de salvação a todos os homens. Para isso enviou-lhes o Espírito Santo no dia de Pentecostes. Ficaram com o coração abrasado no amor de Deus e cheios da sabedoria do Espírito Santo. E começaram a falar de Jesus sem medo, em Jerusalém.

Logo começaram a ser perseguidos, como Jesus lhes tinha anunciado. Os chefes dos judeus proibiram-nos de falar do nome de Jesus. Pedro sem medo, como ouvíamos na 2ª leitura, diz-lhes: “deve obedecer-se antes a Deus que aos homens”. Então mandaram-nos chicotear. Mas os Apóstolos não desanimaram nem se meteram em casa. Saíram cheios de alegria – diz a 1ª leitura – por terem merecido ser ultrajados por causa do nome de Jesus.

O Espírito Santo dava-lhes esta coragem e sabedoria e eles foram por toda a parte pregando em nome de Jesus. E não só eles. Também os primeiros cristãos, cheios de audácia, iam falando de Jesus aos seus amigos e conhecidos. O cristianismo rapidamente se espalhou na Palestina, no Império Romano e pelo mundo inteiro.

Hoje o Espírito de Deus continua a actuar na Igreja, no papa e nos bispos e sacerdotes. Mas também nos simples fieis. São muitos os cristãos que nos dias de hoje continuam a dar testemunho da sua fé, arriscando a vida, o emprego e os direitos de cidadãos.

O Observatório da Liberdade Religiosa afirmava que no ano passado pelo menos 105 mil cristãos sofreram o martírio pela sua fé, sobretudo pelo fundamentalismo islâmico e pelos regimes totalitários comunistas.

O Espírito Santo continua a manter viva e a renovar a Igreja de Cristo. Rezemos mais ao Paráclito, deixemo-nos conduzir por Ele que está em nós pela graça para nos santificar e fortalecer para o apostolado.

Peçamos-Lhe mais pelo sucessor de Pedro, pelos seus colaboradores mais directos. Peçamos que ilumine e guie os bispos, sucessores dos Apóstolos e pelos sacerdotes, para que sejam santos como Jesus quer. E que todos os cristãos sejam valentes para viver a sua fé na vida de cada dia e dar testemunho dela em todos os ambientes, correspondendo à missão que receberam no Baptismo e na Confirmação.

 

Digno é o Cordeiro de receber o poder

 

Na Santa Missa estamos diante do altar de Deus e na presença de Jesus, o Cordeiro de Deus que foi imolado na cruz e renova na Eucaristia o sacrifício do Calvário.

Na 2ª leitura o Apóstolo João apresenta-nos uma visão do Céu: “Ouvi a voz de muitos anjos que estavam em volta do trono...Eram miríades de miríades e milhares de milhares que diziam em alta voz: -Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor”.

Podemos imaginar com verdade a multidão de anjos que estão aqui à volta do altar, louvando a Trindade Santíssima, louvando a Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que foi imolado na cruz pela salvação de todos nós.

Ele merece os nossos louvores, as nossas aclamações, porque nos lavou no Seu sangue, porque ficou no meio de nós, na Eucaristia, para connosco louvar a Santíssima Trindade e para continuar a derramar sobre nós o Espírito Santo e todas as graças que nos ganhou no madeiro da cruz.

Unidos a Ele convidamos “todas as criaturas que há no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e o universo inteiro “a juntarem-se à nossa adoração e louvor, como lembrava a visão do Apocalipse.

Neste tempo pascal, que nos enchamos de alegria, sentindo com a nossa alma e o nosso coração, animados por uma fé viva, a presença de Jesus ressuscitado nos sacrários das nossas igrejas e na celebração da Santa Missa. Que saibamos descobri-Lo, como João, na penumbra daquele dia no Mar da Galileia: -É o Senhor! Que O anunciemos a todos à nossa volta, como as mulheres na manhã da Páscoa. O Senhor ressuscitou verdadeiramente, está vivo na Eucaristia. Convida-nos para a Sua mesa, tem um pão maravilhoso preparado par nós, para nos alimentar na caminhada para o céu.

O Santo Cura d’Ars procurava avivar a fé dos seus paroquianos na presença de Jesus. Em primeiro lugar com o seu exemplo, passando longas horas diante do sacrário. Mas também com a sua pregação. Um dia, na homilia, exclamava com muita energia, apontando para o tabernáculo: -Ele está ali! E repetiu segunda vez: – Ele está ali! À terceira vez muitos dos paroquianos começavam a chorar de emoção.

Que Nossa Senhora nos ensine a tratar bem a Jesus vivo no meio de nós, que nos encha da Sua alegria nos dias da Páscoa, com o desejo de a comunicarmos a todos à nossa volta. O mundo precisa da alegria de Jesus Ressuscitado.

Bento XVI dizia aos jovens em Colónia, na Alemanha, ao saudá-los do barco, a primeira vez: A alegria, a felicidade, tem um nome: é Jesus de Nazaré.

 

 

Oração Universal

 

Com Jesus e unidos a toda a Igreja, rezamos ao Pai, apresentando os nossos pedidos por todos nós, pela Sua Igreja e pelas necessidades do mundo inteiro. Digamos:

Renovai, Senhor, a Vossa Igreja

 

1-Pela Santa Igreja, para que se renove pelo Espírito Santo, na fé, na esperança e na caridade, oremos ao Senhor.

Renovai, Senhor, a Vossa Igreja

 

2-Pelo Santo Padre, para que o Senhor o encha de graças e de alegrias no seu ministério de Sucessor de Pedro, confirmando-nos a todos na fé, oremos ao Senhor.

Renovai, Senhor, a Vossa Igreja

 

3-Pelos bispos e sacerdotes, para que sejam sinal vivo da presença de Jesus na terra, na celebração da Santa Missa, na pregação e na confissão, oremos ao Senhor.

Renovai, Senhor, a Vossa Igreja

 

4-Por todos os que sofrem, pelos pobres, pelos doentes, pelos idosos, pelos marginalizados, para que saibamos anunciar-lhes a alegria de Jesus Ressuscitado, oremos ao Senhor.

Renovai, Senhor, a Vossa Igreja

 

5-Para que aumentem em toda a Igreja as vocações sacerdotais, missionárias e religiosas, oremos ao Senhor.

Renovai, Senhor, a Vossa Igreja

 

6-Por todos os que andam afastados de Deus, para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor, oremos ao Senhor.

Renovai, Senhor, a Vossa Igreja

 

7-Por todos os que se encontram no Purgatório, para que o Senhor os purifique e lhes conceda a felicidade do Céu, oremos ao Senhor.

Renovai, Senhor, a Vossa Igreja

 

 

Senhor, que nos enviastes o Vosso Filho para nos salvar com a Sua morte na Cruz e a Sua Ressurreição gloriosa, fazei que saibamos anunciar a Sua alegria por toda a parte.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O Senhor Ressuscitou, M. Luis, NRMS 32

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Jesus preparou para nós uma comida como aos Apóstolos junto Mar da Galileia. É o Seu Corpo que vamos receber.

 

Cântico da Comunhão: Os discípulos exultaram, J. Santos, NRMS 97

cf. Jo 21,12-13

Antífona da comunhão: Disse Jesus: Vinde comer. E tomando o pão, deu-o aos seus discípulos. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Exultai de Alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Queremos saborear pela fé e pelo amor a presença de Jesus na Eucaristia e também na Sua Igreja, sobretudo no sucessor de Pedro, o Santo Padre.

 

Cântico final: Rainha dos Céus, Alegrai-Vos, F. da Silva, NRMS17

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-IV: Fé e optimismo para seguir o Senhor.

Act 6, 8-15 / Jo 6, 22-29

Quando a multidão viu que Jesus ali não estava... Subiram todos para as embarcações e foram para Cafarnaúm, à procura de Jesus.

A multidão, às vezes, não procurava Jesus com a maior rectidão: «vós procurais-me porque comestes dos pães e vos saciastes» (Ev.). Quem procura sempre alcança, e acabaram por encontrar o Senhor. Depois rectificaram a intenção e perguntaram: «que é preciso para trabalhar nas obras de Deus?» (Ev.). Mas quem trabalha nas obras de Deus, pode chegar até à entrega no martírio, como foi o caso de Estêvão (Leit.).

Nesta semana de orações pelas vocações consagradas, peçamos a Deus que muitas pessoas procurem o Senhor, para se dedicarem ao seu serviço, e que vençam as dificuldades.

 

3ª Feira, 16-IV: A coerência da vida com a fé.

Act 7, 51- 8, 1 / Jo 6, 30-35

Depois, atiraram-se a Estêvão todos juntos, lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.

Este ataque a Estêvão (Leit.), por manifestar publicamente a sua fé, reveste-se de grande actualidade. Também nós encontramos muitas dificuldades para vivermos a nossa fé num ambiente secularizado, ao defendermos os valores cristãos e humanos: defesa da vida, da família, da educação, etc. Precisamos ser muito coerentes com a nossa fé.

A maior revolução que podemos levar a cabo no nosso tempo é precisamente manter a coerência de vida (S. Josemaria). Assim promoveremos a dignidade e a liberdade de cada pessoa. Contamos com o grande auxílio da Eucaristia: «Eu é que sou o pão da vida» (Ev.).

 

4ª Feira, 17-IV: A oblação de Cristo e a nossa oferta.

Act 8, 1-8 / Jo 6, 35-40

Filipe desceu a uma cidade de Samaria e esteve aí a pregar o Messias. As multidões aderiram às palavras de Filipe.

A pregação de Filipe está centrada em Cristo (Leit.). Do mesmo modo, o anúncio do Evangelho nos nossos dias deve estar mais centrado sobre a pessoa de Jesus Cristo, e orientar sempre mais para Ele (João Paulo II).

Hoje podemos meditar como Ele cumpriu a vontade de Deus: «Desde o primeiro momento da sua Encarnação, o Filho faz seu o plano divino da salvação, no desempenho da sua missão redentora. O sacrifício de Jesus pelos pecados do mundo inteiro é a expressão da comunhão amorosa com o Pai: 'o Pai ama-me porque eu dou a minha vida'» (CIC, 606).

 

5ª Feira, 18-IV: Os elementos para uma vida nova.

Act 8, 26-40 / Jo 6, 44-51

Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.

O homem comeu um alimento de morte no pecado original, e agora deve tomar um remédio que sirva de antídoto, como acontece com aqueles que tomam um veneno devem tomar um contraveneno (S. Gregório Magno).

O primeiro antídoto é o baptismo (cf. Leit: baptismo do eunuco por Filipe), pelo qual recebemos uma vida nova: a vida divina. E o seu crescimento faz-se pelo alimento da palavra de Deus: «quem acredita possui a vida eterna» (Ev.), e pela Eucaristia: «quem comer deste pão viverá eternamente» (Ev.).

 

6ª Feira, 19-IV: Frutos da Comunhão.

Act 9, 1-20 / Jo 6, 52-59

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

A Comunhão aumenta a nossa união com Cristo. «Receber a Eucaristia na comunhão traz consigo, como fruto principal, a união intima com Jesus. De facto, o Senhor diz: Quem come a minha carne permanece em mim e eu nele (Ev.)» (CIC, 1391).

Mas a Comunhão tem como efeito a unidade do Corpo Místico. Jesus revela a Saulo esta unidade: «Saulo, por que me persegues? (Leit.). «Os que recebem a Eucaristia ficam mais estreitamente unidos a Cristo. Por isso mesmo, Cristo une todos os fiéis num só corpo: a Igreja» (CIC, 1396).

 

Sábado, 20-IV: Pautas de comportamento.

Act 9, 31-42 / Jo 6, 60-69

As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas, entre vós, há alguns que não acreditam.

Muitos acreditaram e se converteram ao Senhor quando presenciaram os dois milagres realizados por Pedro (Leit.). Mas o mistério de amor da Eucaristia origina alguns problemas.

«O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, tal como o anúncio da paixão os escandalizou. A Eucaristia e a Cruz são pedras de tropeço. E o mesmo mistério não cessa de ser ocasião de divisão: 'Também vos quereis ir embora?'. Esta pergunta do Senhor ecoa através dos tempos, como convite do seu amor a descobrir que só Ele tem 'palavras de vida eterna' (Ev.)» (CIC, 1336). Estas palavras hão-de ser uma pauta para a nossa vida.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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