2º Domingo da Páscoa

da «Divina Misericórdia» *

7 de Abril de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor libertou o seu povo, A. Cartageno, NRMS 109

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou

4 Esd 2, 36-37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Este Domingo é conhecido historicamente por «Domingo de pascoela», prolongamento da Páscoa. Por decisão do beato João Paulo II, passou a chamar-se domingo «da Divina Misericórdia».

Esta designação permite-nos reler a Quaresma e a Semana Santa como o tempo especialíssimo do amor infinito de Deus, amor que já vinha do Natal e antigos profetas bíblicos. É essa Misericórdia que dá profundidade ao culto cristão e nos traz paz e a alegria.

 

Rito penitencial

(Com o rito previsto no Missal e uso da água benta).

 

Oração colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

 

Introdução comum (ou separada) às três leituras

As três leituras transmitem um vibrante sentimento de júbilo e de triunfo. A 1ª leitura refere a alegria da primeira comunidade cristã de Jerusalém que sentia o poder dos Apóstolos e da acção do Espírito Santo; o Evangelho lembra a dúvida de Tomé e a resposta de Jesus sobre a natureza da fé e o sacramento da Penitência como sacramento da paz e da misericórdia de Jesus ressuscitado; a 2ª leitura apresenta-nos um trecho da carta do Apóstolo S. João, exilado numa ilha, a dar conforto aos cristãos perseguidos.

 

Primeira Leitura

 

Actos dos Apóstolos 5, 12-16

12Pelas mãos dos Apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo. Unidos pelos mesmos sentimentos, reuniam-se todos no Pórtico de Salomão; 13nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo enaltecia-os. 14Cada vez mais gente aderia ao Senhor pela fé, uma multidão de homens e mulheres, 15de tal maneira que traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e em catres, para que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. 16Das cidades vizinhas de Jerusalém, a multidão também acorria, trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros e todos eram curados.

 

Como em todos os anos, vamos ter como 1ª leitura de todos os Domingos Pascais trechos dos Actos dos Apóstolos. A leitura de hoje é um dos chamados «relatos sumários» de Actos. No ano A, leu-se o de Act 2, 42-47 e no ano B o de Act 4, 23-35. Estes são breves resumos daquilo que caracterizava a vida da primitiva Igreja de Jerusalém. Numa espécie de visão idílica, focam o que sobressaía de positivo na novidade da fé cristã nascente, a desenvolver-se pela acção do Espírito Santo: a sua vida religiosa, a união fraterna, o cuidado dos pobres, bem como os milagres realizados pelos Apóstolos. S. Lucas não deixa de sublinhar, o prestígio de que gozavam os primeiros cristãos: «o povo enaltecia-os» (v. 13; cf. Act 2, 43; 4, 33).

12 «No pórtico de Salomão», no adro do Templo, o chamado átrio dos gentios, tinha a limitá-lo externamente não uma simples muralha de suporte e protecção, que ainda hoje em parte se conserva, mas esplêndidos pórticos, ao Sul, o pórtico real, com três fiadas de colunas, e o pórtico de Salomão a Nascente, com duas fiadas de colunas.

13 «Nenhum se atrevia a juntar-se a eles», provavelmente dominados pelo temor dos chefes do povo, que tinham condenado Jesus à morte.

14 «Cada vez mais gente aderia...» S. Lucas tem como um constante leitmotiv, ou ideia mestra da sua composição, o crescimento progressivo da Igreja, como quem quer documentar com a vida dos primeiros cristãos as parábolas do grão de mostarda e do fermento, de acordo com as palavras programáticas de Jesus, antes da Ascensão: «sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra» (Act 1, 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 117 (118), 2-4.22-24.25-27a (R. 1)

 

Monição: Vamos aclamar a Deus com as palavras que o antigo povo hebreu usava após alguma vitória. Neste cântico intervinham o rei, o povo e os sacerdotes.

A grande vitória é a Ressurreição do Senhor.

 

Refrão:        Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                     porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:               Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                     o seu amor é para sempre.

 

Ou:               Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

 

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

 

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Senhor, salvai os vossos servos, Senhor, dai-nos a vitória.

Bendito o que vem em nome do Senhor,

da casa do Senhor nós vos bendizemos.

O Senhor é Deus e fez brilhar sobre nós a sua luz.

 

Segunda Leitura

 

 

Apocalipse 1, 9-11a.12-13.17-19

9Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. 10No dia do Senhor fui movido pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, semelhante à da trombeta, que dizia: 11b«Escreve num livro o que vês e envia-o às sete Igrejas». 12Voltei-me para ver de quem era a voz que me falava; ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro 13e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um filho do homem, vestido com uma longa túnica e cingido no peito com um cinto de ouro. 17Quando o vi, caí a seus pés como morto. Mas ele poisou a mão direita sobre mim e disse-me: «Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último, 18o que vive. Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos. 19Escreve, pois, as coisas que viste, tanto as presentes como as que hão-de acontecer depois destas».

 

Vamos ter, como 2ª leitura, em todos os Domingos Pascais do ciclo C, um trecho do Apocalipse, uma obra repleta de ressonâncias litúrgicas, onde a assembleia dos fiéis na terra se faz eco das aclamações da Jerusalém celeste tributadas ao Cordeiro imolado e vencedor da morte, Cristo ressuscitado (no ano A, a 2ª leitura foi da 1ª Carta de S. Pedro; no ano B, da 1ª Carta de S. João).

9 «Eu, João». De acordo com a tradição geral, seria o «discípulo amado», que esteve exilado, na perseguição do imperador Domiciano, na ilha de Patmos, hoje Patino, no arquipélago das Espórades, no Mar Egeu oriental. Esta ilha, de uns 15 km de comprimento (40km2), rochosa e árida, era uma espécie de Tarrafal da época, lugar de desterro para crimes políticos e religiosos. A pouca correcção gramatical do grego do Apocalipse (de longe o mais fraco de todo o N. T.) até se coaduna melhor com a personalidade do pescador da Galileia do que a relativa perfeição do IV Evangelho e das epístolas joaninas, mas as diferenças podem explicar-se pela diversidade dos colaboradores do Apóstolo. Se no Evangelho nunca se revela o seu nome, é porque pretende, na sua humildade, adoptar a discrição dos restantes evangelistas, a fim de ressaltar que o importante é que o leitor se fixe na pessoa de Jesus e na importância da sua mensagem. O facto de aparecer aqui quatro vezes o nome de João corresponde ao género profético desta obra; os profetas começavam por indicar o seu nome; João, porém, não apela para a sua qualidade de Apóstolo, preferindo modestamente referir a sua condição de «irmão e companheiro». De qualquer modo, a questão do autor da obra é uma questão aberta, havendo exegetas católicos que preferem pensar noutro João, como o problemático «João, o presbítero» de que fala Papias.

10 «No dia do Senhor». Como facilmente se depreende, temos aqui documentado o uso cristão, que remonta à época apostólica, de celebrar o primeiro dia da semana dominicum (diem), em atenção a ser o dia da Ressurreição do Senhor (cf. Mt 28, 18), dia este em que já os primeiros cristãos se reuniam (cf. 1 Cor 16, 2) e celebravam a Eucaristia, «a Fracção do Pão», como então se chamava (cf. Act 20, 7; 2, 42).

11-13 «Sete igrejas, sete candelabros; longa túnica, cinto de ouro». A visão é relatada com um notável colorido litúrgico, tão característico do Apocalipse, pondo em evidência como a liturgia terrestre (a celebração do Dia do Senhor) está em consonância com a liturgia celeste; os sete (número de plenitude) candelabros são o símbolo de toda a Igreja em oração, numa alusão ao candelabro de sete braços, a menoráh do Templo; o sacerdócio e a realeza de Cristo são simbolizados pela longa túnica e pelo cinto de ouro. Eis o comentário espiritual de Santo Agostinho: «As sete Igrejas, às quais S. João escreve, são a Igreja Católica e Una. O número sete relaciona-se com a graça septiforme. (...) Representam também a Igreja os sete candelabros. O (indivíduo) «semelhante a um filho de homem», no meio dos candelabros, é Cristo no centro da Igreja. O cinto, que envolve os seios, são os dois Testamentos; eles recebem do peito de Cristo o leite espiritual, alimento do povo de Deus para a vida eterna».

17 «Eu sou o Primeiro e o Último»: é uma expressão isaiana (cf. Is 44, 2.6; 48, 12) para designar Yahwéh, como Senhor do Universo, no seu ser eterno, que existe antes de todas as coisas e subsiste após o fim das criaturas. Esta expressão, aqui aplicada a Jesus, deixa ver a sua divindade.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 20, 29

 

Monição: O Aleluia tem na Páscoa o seu lugar apropriado. Vamos cantá-lo com verdadeiro afeto ao Senhor ressuscitado.

 

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Disse o Senhor a Tomé: «Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: voltarei a vós (14, 18) – pôs-se no meio deles (v. 19); um pouco mais e ver-Me-eis (16, 16) – encheram-se de alegria por verem o Senhor (v. 20); Eu vos enviarei o Paráclito (16, 7) – recebei o Espírito Santo (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata duma mera saudação, a mais corrente entre os judeus, mesmo ainda hoje. Esta insistência joanina na sudação do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) é muito expressiva; com efeito nunca os Evangelhos registam tal saudação, mas só agora, quando Jesus, com a sua Morte e Ressurreição, acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 O mostrar das mãos e do peito acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13), conforme Jesus prometera. «Ficaram cheios de alegria» é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor. Ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa «sopro»). Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo (cf. Act 1, 14; 2, 1), iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que estavam incumbidos.

23 «A quem perdoardes…» A Igreja viu nestas palavras a instituição do Sacramento da Reconciliação, que é fonte de paz e alegria, e definiu mesmo o seu sentido literal; de facto Jesus diz: «a quem perdoardes os pecados», e não: «a quem pregardes o perdão dos pecados» (segundo entendeu a reforma protestante). A expressão é muito forte, pois deve-se ter em conta o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus (passivum divinum); sendo assim, dizer ficarão perdoados corresponde a «Deus perdoará» e «ficarão retidos» equivale a «Deus reterá», isto é, não perdoará (cf. Mt 16, 19; 18, 18; 2 Cor 5, 18-19). Aqui se funda o ensino do Concílio de Trento ao falar da necessidade de confessar todos os pecados graves cometidos depois do Baptismo, uma doutrina que, já depois do Vaticano II, o magistério de Paulo VI reafirma: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); também o Catecismo da Igreja Católica, nº 1497, afirma: «a confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua a ser o único meio ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja»; cf. tb. o Motu proprio de João Paulo II, Misericordia Dei (7.4.2002) e Código de Direito Canónico (nº 960.).

24 «Tomé», nome aramaico Tomá significa «gémeo»; em grego, dídymos.

28 «Meu Senhor e meu Deus!» É da boca do discípulo incrédulo que sai a mais elevada profissão de fé explícita na divindade de Cristo, a qual engloba todo o Evangelho numa unidade coerente.

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê confiando em Deus, que na sua Revelação não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Como Tomé, também nós temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem ou de o céu estar nublado.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João, que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs: fazer progredir na fé e na vida cristã os fiéis, sem que se possa excluir também uma intenção de trazer à fé os não crentes. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca, aposta, ou caminhada, sem uma base doutrinal; a fé implica um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, pois é o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Note-se que há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 (O Verbo era Deus) e Jo 20, 28 (meu Senhor e meu Deus), tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: Eu e o Pai somos Um (10, 30).

 

Sugestões para a homilia [1]

 

1- Este domingo, designado pelo beato Papa João Paulo II como domingo da Divina Misericórdia, permite-nos reler a Quaresma e a Páscoa sob uma nova perspetiva 

A nossa condição de pecadores e a condenação de Jesus à morte mostram-nos aquilo de que nós somos tristemente capazes e ajudaram-nos a reconhecer as nossas misérias que levam ao abandono de Deus e ao desprezo pelos outros; a Páscoa (e já antes o Natal) mostram-nos a resposta de Deus a essa miséria: uma generosidade sem limites, muito para além da justiça, a «Misericórdia infinita de Deus».

Esta misericórdia já tinha sido revelada ao antigo povo hebreu. Toda a vida desse povo, sem exceptuar os grandes reis de Israel – David e Salomão -, foi tecida de fracassos. Só a misericórdia de Deus salvou esse povo.

 

2.Para inculcar a misericórdia de Deus, Jesus teve gestos surpreendentes de perdão para todo o tipo de pecadores, homens e mulheres, e contou muitas parábolas para fazer compreender a misericórdia de Deus. Foi S.Lucas quem melhor seleccionou essas parábolas, sendo a mais explícita a do filho pródigo, que melhor se chamaria a parábola da misericórdia de Deus, Pai de misericórdia. Nessa narrativa nem uma só vez aparece a palavra justiça. Essa misericórdia de Deus atingiu o máximo no mistério da Cruz.

 

3. Acerca da morte de Jesus na Cruz, ouvimos dizer desde crianças que a sua morte foi um modo de «restabelecer a justiça» divina quebrada pelo abuso constante do mundo; que a Cruz foi o modo de Jesus «expiar» os pecados de todos os homens, que a Cruz foi o «preço» da nossa salvação.

Essas palavras (satisfação da justiça divina, expiação do pecado, preço da salvação) são verdadeiras, mas o falecido Papa Beato João Paulo II, e também o Papa Bento XVI, ensinam que essas palavras devem ser melhor compreendidas. Este domingo da Divina Misericórdia deve ajudar-nos a essa melhor compreensão

 

4.É melhor dizer que o que se passou na Cruz foi a manifestação da infinita misericórdia de Deus. Jesus foi muito para além do que era preciso, e as suas dores foram acompanhadas de um infinito amor por nós. Jesus já havia manifestado essa abundância do amor nas bodas de Caná, e repetiu-a na multiplicação dos pães: dá sem medida e sobra vinho e sobra o pão.

A Cruz de Jesus é sobretudo obra da misericórdia divina, obra da «abundância e do excesso» de Deus. Essa misericórdia de Deus é mais que «compaixão»: é a manifestação das «entranhas de Deus», da ternura de Deus, da «bondade infinita da natureza de Deus».

Depois do pecado do mundo, os homens não sobem até Deus para lhe pedirem perdão, como seria natural. Afastam-se calados. Deus não fica à espera que os culpados acordem e Ele próprio vem ao encontro deles. O Natal e a cruz aparecem no Novo Testamento, em primeiro lugar, como um movimento descendente, uma dádiva da Trindade realizada por Jesus (Papa Bento XVI).

 

5. O homem contemporâneo não gosta de ouvir falar de misericórdia. Prefere ouvir falar de direitos, de justiça, de triunfo e de progresso, entusiasmado pelos êxitos da ciência e técnica modernas que dão ao homem a ilusão de ser senhor do mundo e de não precisar de ninguém. Todavia, esses triunfos do homem, inegáveis sob muitos aspectos, vêm carregados de muita ambiguidade, orgulho, vaidade e ambição: fracassos, dores e sofrimentos de muita gente. Mesmo o bem que faz anda inquinado de segundas intenções, de humilhações de pessoas e de grupos, de injustiças, de doenças incuráveis e transmitidas a inocentes, de lentidão na justiça e de desvios das estruturas e mecanismos públicos.

A misericórdia de Deus não anula a justiça nem a necessidade de pedir perdão a quem se ofendeu. Jesus demonstrou esses valores com Zaqueu e com o bom ladrão. Mas a justiça não exprime totalmente o mistério de Deus. A pura justiça deixa tudo muito frio e pleno de lacunas: o homem precisa de misericórdia. É por isso que todos temos saudades do tempo de crianças, um tempo em que só reinou a misericórdia.

 

6. Para a nossa vida:

 

a) Os sacramentos são os caminhos normais da misericórdia de Deus Neste domingo da Divina Misericórdia são especialmente recordados quatro: três na oração coleta (Baptismo, Crisma e Eucaristia) e um no Evangelho - a Penitência.

O sacramento do Batismo é o inicial, mas o da Penitência é o da vida inteira.

«Inicialmente o batismo destacava-se como o grande sacramento do perdão e como o momento da viragem transformadora, mas aos poucos a experiência sofrida foi ensinando aos cristãos que, mesmo batizados, continuavam a necessitar do perdão, de modo que a remissão renovada dos pecados no sacramento da Penitência foi ganhando cada vez mais importância, sobretudo quando o batismo começou a deslocar-se para o início da vida deixando de ser expressão de conversão ativa. Mas, mesmo então, continuou viva a convicção de que não é pelo «nascimento» mas pelo «renascimento» que o ser humano pode tornar-se cristão»[2]

A psicologia, a psicanálise e a psicoterapia podem ajudar a educar sentimentos doentios de culpa, mas nunca retiram o sentimento de culpa diante de Deus.[3]

 

b) Amanhã celebra-se em muitas terras a Senhora da Alegria ou Senhora dos Prazeres. Ela que participou de modo especialíssimo no mistério da redenção do mundo, é agora associada á alegria da ressurreição de Jesus.

 

c) A oração da Salve Rainha invoca Nossa Senhora como «mãe de misericórdia»

 

d) Nos cânticos diários do Benedictus e do Magnificat a misericórdia de Deus é invocada como a fonte da salvação.

 

e) Na vida diária repetir as jaculatórias relativas é misericórdia de Deus, tais como «Jesus, eu tenho confiança em Vós», «Coração misericordioso de Jesus, tende compaixão de nós».

 

f) Incluindo os Kyrie do início, em cada Missa invoca-se sete vezes a misericórdia de Deus.

 

Fala o Santo Padre

 

«É esta a missão da Igreja perenemente assistida pelo Paráclito:

levar a todos o feliz anúncio do Amor misericordioso de Deus»

Queridos irmãos e irmãs!

O domingo de hoje conclui o Oitavo de Páscoa, como um único dia "feito pelo Senhor", marcado pelo distintivo da Ressurreição e da alegria dos discípulos ao ver Jesus. Desde a antiguidade este domingo é chamado "in albis", do nome latino "alba", dado às vestes brancas que os neófitos vestiam no Baptismo na noite de Páscoa e depunham depois de oito dias, isto é, hoje. O Venerável João Paulo II intitulou este mesmo domingo à Divina Misericórdia, por ocasião da canonização da Irmã Faustina Kowalska, a 30 de Abril de 2000.

A página do Evangelho de São João (20, 19-31) deste Domingo é rica de misericórdia e de bondade divina. Nela narra-se que Jesus, depois da Ressurreição, visitou os seus discípulos, entrando pelas portas fechadas do Cenáculo. Santo Agostinho explica que "as portas fechadas não impediram a entrada daquele corpo no qual habitava a divindade. Aquele que nascendo tinha deixado intacta a virgindade da mãe pôde entrar no cenáculo estando as portas fechadas"(In Ioh. 121, 4; CCL 36/7, 667); e São Gregório Magno acrescenta que o nosso Redentor se apresentou, depois da sua Ressurreição, com um corpo de natureza incorruptível e palpável, mas num estado de glória (cf. Hom. in Evang., 21, 1: CCL 141, 219). Jesus mostra os sinais da paixão, chegando a conceder ao incrédulo Tomé que os tocasse. Mas como é possível que um discípulo possa duvidar? Na realidade, a condescendência divina permite-nos tirar proveito até da incredulidade de Tomé assim como dos discípulos crentes. De facto, tocando as feridas do Senhor, o discípulo hesitante cura não só a sua desconfiança, mas também a nossa.

A visita do Ressuscitado não se limita ao espaço do Cenáculo, mas vai além, para que todos possam receber o dom da paz e da vida com o "Sopro criador". De facto, Jesus disse duas vezes aos discípulos: "A paz esteja convosco!", e acrescenta: "Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles, dizendo: "Recebei o Espírito Santo. A todos aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e a todos aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos". É esta a missão da Igreja perenemente assistida pelo Paráclito: levar a todos o feliz anúncio, a jubilosa realidade do Amor misericordioso de Deus, "para que – como diz São João – acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, tenhais a vida em Seu nome" (20, 31).

À luz desta palavra encorajo em particular todos os Pastores a seguir o exemplo do Santo Cura d'Ars, que, "no seu tempo, soube transformar o coração e a vida de tantas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor. É urgente também no nosso tempo um anúncio como o dele e um testemunho semelhante da verdade do Amor" (Carta de proclamação do Ano sacerdotal). Deste modo tornaremos cada vez mais familiar e próximo Aquele que os nossos olhos não viram, mas de cuja infinita Misericórdia temos certeza absoluta. [...]

 

 Bento XVI, Regina Caeli, em Castel Gandolfo, a 11 de Abril de 2010

 

Oração Universal

 

Na presença feliz de Jesus Ressuscitado,

contando com a Sua infinita misericórdia,

elevemos, por Ele, ao Pai as nossas preces,

com a certeza de que seremos atendidos.

Oremos, cheios de confiança:

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

1.  Para que o Papa, Vigário de Cristo na terra,

faça chegar a mensagem da bondade do Pai

a todos os corações cheios de boa vontade,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

2.  Para que as pessoas dominadas pelo desânimo,

porque não encontram ajuda para os problemas,

possam ver em nós a presença de Cristo amigo,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

3.  Para que todos os que não conhecem a Cristo

possam reconhecê-l’O na vida de cada um de nós,

por um Amor generoso, operativo e sem fronteiras,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

4.  Para que aqueles que sentem dificuldades

em aproximar-se do Sacramento da Reconciliação

renovem a Sua vida neste abraço de Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

5.  Para que os sacerdotes das nossas comunidades,

ministros do perdão generoso do Divino Mestre,

estejam sempre disponíveis e amáveis em administrá-lo,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

6.  Para que, pela misericórdia infinita de Deus

e pela medição maternal de Nossa Senhora,

as almas dos defuntos descansem em paz,

oremos, irmãos.

 

Imploramos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

Senhor, que nos acompanhais nesta vida

com a Vossa infinita paciência misericordiosa:

enchei-nos de confiança no Vosso Amor,

para que alcancemos as Vossas promessas

de uma eternidade em comunhão feliz no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo. 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Aleluia! Aleluia! Cristo ressuscitou, J. Santos, NRMS 2 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da paz

 

A paz e reconciliação plena é o primeiro dom que Jesus oferece aos Apóstolos e discípulos refugiados no Cenáculo, logo no primeiro encontro, depois de Ressuscitado.

Repitamos o Seu divino gesto, com a desejo de uma reconciliação com todos os irmãos.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus Cristo oferece-Se agora a cada um de nós, não revestido do esplendor da Sua Ressurreição, mas sob as humildes aparências do pão e do vinho que trouxemos ao altar e Ele transubstanciou pelo ministério do sacerdote.

Avivemos a nossa Fé, Esperança e Amor, antes de O acolhermos em nosso coração.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai Comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo-poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Regressamos ao mundo dos homens onde vivemos habitualmente: na família, no trabalho e nos tempos livres.

Demos testemunho, junto de cada um deles, de que Deus os ama e os espera de braços abertos, cheio de misericórdia.

 

Cântico final: Cantai a Cristo Senhor, Az. Oliveira, NRMS 97

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         D. Joaquim Gonçalves

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 



* A festa da «Divina Misericórdia» foi proposta oficialmente pelo Papa João Paulo II após a canonização de Santa Faustina Kowalska em 30 de abril de 2000. Já antes, em 1980, havia tratado este tema na sua encíclica: «Deus, rico de misericórdia». Nessa encíclica fala de Cristo, «Redentor do Homem», afirmando que Jesus revela ao homem o seu valor e a sua vocação e, ao mesmo tempo, revela o rosto de Deus, como Pai de Misericórdia. É que o homem é capaz do melhor e do pior e, nessa sua contradição permanente, só a Misericórdia de Deus o pode salvar.

[1] Convém, neste Ano da Fé, aprofundar vários aspectos relacionados com a teologia da Paixão e da Cruz. Para isso transcrevem-se para a reflexão alguns trechos do livro de J. Ratzinger- Introdução ao Cristianismo, Lisboa, Principia, 2005, pág.204-205.

«Para um grande número de cristãos, sobretudo para aqueles que não estão muito familiarizados com a fé, o sentido da cruz aparece dentro de um processo que diz respeito a um direito lesado e restabelecido: «Deus infinitamente lesado exige uma reparação infinita» Esta perspectiva é errada.

Quase todas as religiões giram em torno do problema da expiação que surge do sentimento de culpa do homem em relação a Deus, e levam à tentação de superar essa sensação expiando a culpa por meio de um desagravo oferecido a Deus. A acção reparadora, mediante a qual os seres humanos pretendem reconciliar-se com o divino para que este seja benigno com eles, ocupa um lugar central na história das religiões.

No Novo Testamento a situação é quase inversa: não é o ser humano que se dirige a Deus para lhe fazer uma dádiva de reconciliação – é Deus quem se dirige, com os seus dons, ao ser humano. Por iniciativa do seu poder amoroso, Ele restabelece o direito abalado tornando justo, por meio da sua misericórdia criadora, o homem injusto, e dando vida ao que estava morto. A justiça é graça, é uma justiça activa que endireita, corrige e torna recto o homem transviado…

Esta foi a viragem que o Cristianismo introduziu na história das religiões. O Novo Testamento não diz que os seres humanos procuram a reconciliação com Deus, como seria natural. Pelo contrário, «era Deus que reconciliava consigo o mundo em Cristo» ( 2 Cor 5,19) Trata-se realmente de um facto inédito, novo. É este o ponto de partida da existência cristã e o centro da teologia da cruz no Novo Testamento. Deus não fica à espera que os culpados venham reconciliar-se com Ele, é Ele que vai ao encontro deles e os reconcilia consigo. A cruz continua o movimento da encarnação, aparecendo no Novo Testamento em direcção descendente!

A adoração passa a realizar-se, em primeiro lugar, pelo recebimento agradecido da acção salvífica de Deus. O sacrifício cristão não consiste em dar a Deus o que Ele não teria sem nós, mas sim em sermos inteiramente recebedores e nos deixarmos tomar inteiramente por Ele. Deixar que Deus atue em nós –eis o sacrifício cristão». (J.Ratzinger- Introdução ao Cristianismo, Lisboa, 2005, p.204-205).

[2] J. Ratzinger- Introdução ao Cristianismo, Lisboa, Principia, 2005, pág.244.

[3] Peeter Seewald/Ratinger- Deus e o Mundo - Coimbra,Tenacitas,2oo5,p.356

 


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