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A  COMUNICAÇÃO  SOCIAL

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

 

Quando celebrarmos a gloriosa Ascensão do Senhor aos Céus, que inicia a glória do homem no seio da Santíssima Trindade, celebraremos também o Dia Mundial das Comunicações Sociais, efeméride minúscula em comparação com a primeira, mas importante para a ascensão da Humanidade à comunicação inefável com Deus. Toda a verdade por nós aqui alcançada e participada reforça a unidade do género humano e, procedendo do Espírito da Verdade, conduz-nos ao «Reino da Verdade, Justiça e Paz».

Daí, que toda a inter-comunicação se há-de reger pelo princípio da rectidão de consciência: conhecendo de sobra os limites da nossa inteligência e as tentações que esta sofre sob as nossas paixões, desde a preguiça mental ao juízo temerário, se não estamos dispostos a informar-nos seriamente, a despir-nos de preconceitos, a desafiar o «politicamente correcto», a rectificar o que – por culpa ou sem culpa – dissemos de errado, tornamo-nos cúmplices do «príncipe da mentira».

Directamente, no relativo à Igreja, com que contamos? Com nenhuma agência de informação e nenhuns «media» (de alguma importância internacional) fiáveis. Todos os grandes meios de informação olham para a Igreja como um fenómeno estranho, curioso, longínquo, pitoresco até. Como dizia Bento XVI do Concílio Vaticano II, o que mais pesou no mundo e inclusive na Igreja, foi o «concílio» paralelo dos jornalistas, com a sua interpretação política do seu conteúdo doutrinal e pastoral, isto é, a visão da fé numa clave mundana.

Mas o pior é que os grandes «media» não distorcem apenas a fé e a vida da Igreja, nem só as religiões, mas os próprios valores morais da grande maioria das populações que pretendem representar. Com se explica isto?

Uma estatística interessante talvez nos ajude a perceber... ou deixar ainda mais intrigados. Segundo inquérito insuspeito de uma famosa agência de informação americana (a «Wirthlin Agency», agora passada a novo grupo empresarial), enquanto quase todos os americanos – mais de 90% - considera errado atraiçoar a esposa, só metade dos trabalhadores da informação concorda com isso; enquanto cerca de 50% dos americanos frequenta regularmente algum «serviço religioso», só 9% da gente da informação o faz; enquanto cerca de 80% dos americanos acha que o aborto é coisa má e que a legislação devia estabelecer, pelo menos, algumas restrições, só 3% dessa gente o admite! (*) Isto é, nos EUA, o mais poderoso foco da comunicação internacional, a informação veiculada pelos «media» em matérias morais e religiosas padece enormes desvios por ignorância, descrença, preconceito, ideologias e hábitos pessoais. Efectuado o inquérito há uns dez anos, os seus resultados seriam hoje melhores?

Que solução? A principal, rezar. Para que a nobre função jornalística não ceda às tentações de «vender» a qualquer custo; de devassar intimidades sob o eufemismo de «transparência»; de suspeitar mal de tudo e de todos como critério de «investigação»; de ressaltar todas as desgraças e preterir quanto se faz de bom; de alarmar o público com sucessivos e terríveis perigos «iminentes»; de produzir «génios» «incontornáveis» dia sim, dia não, e «descobertas» que vão virar a ciência e o mundo 180 graus; de vexar qualquer homem público; de intitular levianamente o que doutro modo não despertaria a atenção; etc.

   Enfim, que a comunicação social não viva de truques de falso «marketing», mas do amor laborioso à verdade.

 

(*) «Ecumenical Jihad», P. Kreeft, Ignatius, San Francisco, 1996, p. 62.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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